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outubro 20, 2004
Amoras verdes a caminho de maduras...
Caíste neste carreiro, amigo meu
Com pressa de citadino
À partida…
Nesta natureza não habitual
Para ti estranha e bárbara
Foste surpreendido por
Fruto desconhecido…
Que bolinhas estas
Quase todas verdes
Duas pretas diferentes?
…ladeando o trilho
Semearam as bermas esquecidas
Renques de silvas espinhosas
Ocupando lugar abandonado…
“Sim, somos desta forma em mudança
Agora verdes, mas já prenunciando a maturidade”…
Amoras que esperam calor suficiente
Para cumprirem os seus fados:
…secarem por esquecimento
Ou alheamento das aves
…serem saboreadas por alguém
Que da infância recordou a canção:
“Oh minha amora madura, oh minha
Mora madura
Ai diz-me quem te amadurou
Ai diz-me quem te amadurou
Foi o sol foi a geada, foi o sol
Foi a geada,
Ai foi o calor,
Que ela apanhou”……
...saciado voltaste às tuas habituais ocupações
E no longe do caminho deixaste
Em solidão adiada
Amoras verdes a caminho de maduras…
Publicado por morfeu às outubro 20, 2004 10:10 PM
Comentários
Fruto silvestre que aprecio particularmente. De tal forma que outros frutos quando colhidos no campo tenho a preocupação de os lavar, estes são comidos tal qual são colhidos da planta.
Publicado por: congeminações em outubro 20, 2004 10:35 PM
Surpresa ao reabrir o blog (já cá tinha estado há pouco): as cores fortes e a definição da foto das amoras. Texto bem escrito, como sempre, em prosa poética do amigo Morfeu. Um beijo.
Publicado por: Pink Lady em outubro 20, 2004 10:36 PM
Lindo tanto a fota como o texto.
A foto é tão linda que a roubei (não me batas).
Publicado por: João Norte em outubro 21, 2004 09:36 AM
...o que não se poderia dizer sobre o encanto das amoras...quem com elas cresceu, pelos caminhos espalhadas, em abundância,doando sem mais o seu doce fruto a quem pouco mais se podia oferecer...doce e atrevida infância em que das árvores pulavamos, saltando marotos, tudo o que era muro, vedação, altitude e, devastavamos os silvados em buscas deste frutos aparentemente insignificantes...
Talvez hoje,muitas pessoas não conheçam e agradeço ao Pedro, bem mais jovem que eu, ainda ter a sensibilidade, a amabilidade de me oferecer recordações aparentemente extintas....
Aos amigos que me visitam e gostaram da foto e do texto desejo que quando for a altura, caminhem por campo ainda existente e fértil em silvados onde se espraie a doçura das amoras...
Ps.João, a foto é do pedro e penso que ele não seimporta...mas se quiseres podes dizer-lhe alguma coisa no site que está por debaixo da foto...
Publicado por: morfeu em outubro 21, 2004 07:10 PM
Salve, amigo. Foi o Sol, foi a geada... ou as aves distraídas, tanto quanto o caminheiro sem gula...
Quanto se perde nas cidades!... Da cor ao gosto, pelo mês de Agosto... Saudades do tempo do joelho esfolado, do dedo ferido na silva danada, que guardava o bago, a amora madura e o lírio nos lábios, de a comer com gula...
Grato pela evocação. Com um grande abraço.
Publicado por: OrCa em outubro 22, 2004 11:34 PM
