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outubro 21, 2004

É ele! O sonhador!

Vagueia o poeta pelos campos: admira,
Adora; ouve dentro de si mesmo uma lira.
E ao vê-lo chegar, as flores, todas as flores,
As que dos rubis empalidecem as cores,
As que dos pavões deixam as caudas ofuscadas,
As florezinhas azuis, as florezinhas douradas
Tomam para o acolher, nos seus ramos agitados,
Arzinhos humildes, ou grandes ares afectados,
E, familiarmente, porque fica bem às belas:
«Olha! É o nosso amado que passa!», dizem elas.
E, cheias de luz e de sombra, com vozes inquietas,
As árvores gigantescas que vivem nas florestas,
Todas essas velhinhas, as tílias, os áceres, os teixos,
Os carvalhos venerandos, os enrugados freixos.
O olmo de negra ramagem, que o musgo entorpece,
Como os ulemas fazem quando o mufti aparece,
Saúdam-no com grandes vénias, curvando para a terra
As cabeças de folhagem e as suas barbas de hera,
E vendo na sua fronte um sereno esplendor,
Murmuram muito baixinho: É ele! O sonhador!


Victor Hugo
(1802 – 1885)
Poemas
(tradução de Mª Manuela Parreira da Silva)

Publicado por morfeu às outubro 21, 2004 07:20 PM

Comentários

Belo o poema de Vitor Hugo e, apesar de não ter o original, a tradução parce bem conseguida (coisa que nem sempre acontece e sei do que falo!). O poeta ... o sonhador ... a personificação da natureza. Um beijo

Publicado por: Pink Lady em outubro 21, 2004 08:24 PM

muito bonito o poema. Gostei de vir aqui dar indicada por vários amigos.

Publicado por: Luna em outubro 22, 2004 03:46 PM

Lindíssimo!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado em outubro 23, 2004 08:26 PM