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novembro 08, 2004
A morte nem sequer é maçadora...

Canto décimo primeiro
Anteontem primeiro domingo de Novembro
a névoa podia-se cortar à faca.
As árvores brancas da geada e as estradas e planícies
pareciam cobertas por lençóis. Depois apareceu o sol
enxugando o universo e somente as sombras
permanecem banhadas.
Pinela, o camponês, atava as cepas
com ervas secas que segurava entre as orelhas.
Enquanto trabalhava falei-lhe da cidade,
da minha vida que passara num relâmpago
do meu terror da morte.
Aí silenciou todos os rumores que fazia com as mãos
e só então se ouviu um pequeno pardal cantando ao longe.
Disse-me: medo porquê? A morte nem sequer é maçadora.
Apenas vem uma vez!
Tonino Guerra (1920)
O mel
(trd. de Mário Rui de Oliveira)
Publicado por morfeu às novembro 8, 2004 09:40 AM
Comentários
Muito belo este poema, e os dois últimos versos são de ficar na memória. Uma ideia tão simples ... e tão verdadeira. É um estado de graça encarar a morte desta maneira. Beijo
Publicado por: Pink Lady em novembro 9, 2004 12:33 AM