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novembro 09, 2004
As pedras...os amores...sugiro...
De quando Deus faz pessoas à medida dele...
(...)
Amores e pedras
P - Cá de fora vejo-o vaidoso. Como constatação sua de capacidades, talvez.
R - Fazer uma constatação de capacidades não é estar a ser vaidoso, mas realista. A vaidade implica um hipervalorizar coisas nossas. A vaidade implica uma sensação de superioridade sobre os outros, que não se tem direito de ter. Porque depois aparece uma pessoa que faz tudo a poder de lágrimas e ais e o Adelino não é capaz de o fazer. E que lhe dá uma lição de humanidade incrível. A pessoa mais luminosa e inteligente que encontrei na minha vida foi há muitos anos numa consulta no hospital Miguel Bombarda - uma rapariga com uma depressão. Era criada de servir. Uma capacidade de"insight", uma capacidade de inteligência abstracta, de associar tempos da vida dela, espantosa. E reduzida miseravelmente à condição de serva. E ela não tinha consciência disto. Depois teve um cancro. Da mama. Não o tratou a tempo. Já só me aparecia porque eu gostava de conversar com ela. Com o marido, [que tinha] um emprego muito modesto. Com uma cabeleira postiça. Com 42 anos, morreu ela. "Gostava de viver mais uns anos..." Parecia que saía luz daquela mulher. E o Adelino saía dali, mesmo que ela não falasse, com a sensação de que de vez em quando Deus faz pessoas à medida dele.(...)
Publicado por morfeu às novembro 9, 2004 09:57 AM