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novembro 17, 2004
Desolação

Desolação
A casa está vazia.
Ao cimo da escada apareces às vezes com as
Cores o Inverno,
E és vulto,
O sétimo selo sobre a minha palidez.
Não falas, não te moves,
E no entanto a minha vida estremece,
Assaltada pelas tuas máquinas profundas.
O pranto cresce nos campos ao abandono.
Os meus dedos fecham os olhos dos
Guerreiros mortos.
Chove, chove sempre que os encontro nos
Desfiladeiros do norte,
Hirtos,
Entregues à sua sorte,
Como este lugar desabitado cujas lâmpadas
Se apagaram,
Esta casa vazia onde te deitas para sempre,
Já longe das hortênsias.
José Agostinho Baptista ( 1948)
biografia
Publicado por morfeu às novembro 17, 2004 02:22 PM
Comentários
Desolação no poema, desolação na imagem. Mais não digo, pois hoje há uma certa desolação no meu íntimo. Um beijo.
Publicado por: Pink Lady em novembro 20, 2004 02:35 AM