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dezembro 06, 2004

EIS-ME...

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio.

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para alem do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente.

Sophia de M.B.Andresen

Publicado por morfeu às dezembro 6, 2004 11:45 PM

Comentários

Caro Morfeu,

Faz um bom tempo que não passo aqui, e parece-me que perdi muita coisa. Tu atualizas todos os dias, enquanto que meu blog espera por mim a bons nove dias...

Lindo este poema, parece-me alguém que abandona algo para ir atrás de outro objetivo, porém não encontra-o.

Passa no meu blog.

Grandes abraços.

Publicado por: Silas Justiniano em dezembro 7, 2004 02:49 PM

Lindíssimo post este, Morfeu. Sophia é uma das minhas poetisas de eleição e é sempre um prazer lê-la. Sozinha ante o silêncio e a ausência ... mas no meio de tudo isto algo permanece - a imagem de um rosto. Belíssimo! Um beijo

Publicado por: Pink Lady em dezembro 7, 2004 06:37 PM