« "Fique aqui, estamos tão sózinhos"... | Entrada | Tempo, arauto útil do Desconhecido... »
dezembro 29, 2004
À Idade do ano...
De verdes ramos e de frescas flores
Vestiu a terra na meninice infante
O seio virgem, e o vivaz semblante
Adornou de grinaldas mil de cores
Jovem depois, em plácidos amores
Gozando, ao céu, seu amador constante,
Lá das entranhas, como terna amante,
Em vez de suspirar, lançou olores.
Frutos maduros logo o ventre aberto
Deu abundantes, ao puro vento ufana,
Tosca, mas a mostrar a face, e ruda.
Hoje,velho, de rugas recoberto,
Seu rosto vemos, e de neves cana:
Tudo a idade decompõe e muda.
Juan de Jáuregui (1583-1641)
In antologia da poesia espanhola das origens ao século XIX
(Tradução de José bento – poemário de Assírio /Alvim, 2004)
Publicado por morfeu às dezembro 29, 2004 10:53 PM