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janeiro 10, 2005
Sou portanto neto do acaso e o acaso é o meu pai.
As coisas passaram-se assim: meu avô
teve um desgosto de amor, quis matar-se.
Atirou-se do Castelo de S.Filipe
mas não se matou,ficou ali, primeiro
a gemer e depois inconsciente, julgava
que tinha morrido.Um pastor de ovelhas
encontrou-o e levou-o para o hospital.
No hospital meu avô percebeu
que não tinha morrido, a irmã da regente
interessou-se por ele e casaram.
Do casamento nasceram três filhos,
meu pai foi um deles.Sou portanto neto
do acaso e o acaso é o meu pai.
Helder Moura Pereira (1949)
A tua cara não me é estranha - in Poemário Assírio/Alvim, 2005
Publicado por morfeu às janeiro 10, 2005 11:38 PM
Comentários
Um pai com uma história assim podia ser de qualquer um com mais ou menos a minha idade. Só porque duvido que os de agora se matem por amor.
Gostei de reler a tua escolha do Poemário.
Um abraço.
Publicado por: eduardo em janeiro 11, 2005 12:05 AM
Magnifico, desconhecia este poema do acaso... Obrigada pela oportunidade! Somos todos filhos do acaso, não?
Um beijo grande. Desejo de um dia feliz!
Publicado por: Maria Branco em janeiro 11, 2005 01:00 PM