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janeiro 24, 2005
Correntes...

...Olho para estas correntes e reparo que estão cansadas...
Já não direitas pelo uso e pela idade
confessam que
esta nossa missão supostamente interminável
terá a contragosto um fim silencioso
esvairmo-nos para a eternidade em ferrugem miúda simplificada
inútil pó que se espalha pelo silêncio do esquecimento...
Agarrámos coisas e vidas e elas de nós saíram inevitavelmente
correspondendo ao apelo do Absoluto inefável e concretamente devorador...
Ó Insaciável Invisível Despudorado Tempo...
Publicado por morfeu às janeiro 24, 2005 04:57 PM
Comentários
Assim é, meu amigo.. O tempo indiferente, insaciável, devora-nos os dias, a vida..
Deixo-te um poema de Álvaro Pacheco:
Tudo o que resta, o tempo para a morte
que por isso é o espaço ancestral.
Todo o tempo que resta — e é para a morte
esse que nos falta em esperança.
E assim nos restando a morte espera
o que somos e em nós se desperdiça.
Guardamos os guardados — e a vida.
(E a morte nos toma o que guardamos.)
Privamos da alegria, em sacrifício,
o que vamos dedicar depois à morte
em nosso campo de avaros a esse tempo
subtraído depois ao desperdício
que poderia ser vida se estivéssemos
na vida mais lentos para a morte.
Beijos. Desejo de uma semana feliz!
Publicado por: Maria Branco em janeiro 24, 2005 07:38 PM
...embora goste do poema...chateia-me fazer poemas assim...bom, eles saem e ainda bem que a maria me acudiu com a companhia sua e o A.Pacheco que não tinha o prazer de conhecer...ele que me perdoe, mas este sofrimento alegre da poesia é recente...será que tem prazo de validade?...
Um abraço do Morfeu
Publicado por: morfeu em janeiro 24, 2005 09:56 PM
Morfeu, bonito e triste este teu texto. Entendo-te. Deixo te um abraço
Publicado por: Luna em janeiro 24, 2005 09:58 PM
off-topic: as estatísticas? houve algo que não percebeste?
Publicado por: golfinho em janeiro 25, 2005 05:06 AM