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junho 08, 2005

Meu país desgraçado...

Meu país desgraçado!...
e no entanto há Sol a cada canto
e não há mar tão lindo noutro lado.
Nem há céu mais alegre do que o nosso,
Nem pássaros, nem águas…


Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclamam filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem forças, sem haveres!
- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama

Publicado por morfeu às junho 8, 2005 10:14 AM

Comentários

Amigo Morfeu, qualquer destes versos são "a rasgar". Fizeste com que fosse ao sótão onde tenho relíquias que o tempo nos blogs não me permitem desfrutar. Mas vindo aqui é como se me sentasse encostado ao último pilar. A reler algumas folhas já gastas pelo tempo, mas que vale a pena recordar.

Um abraço.

Publicado por: eduardo em junho 9, 2005 08:55 AM

Que espantoso poema! E como parece actual! Beijos

Publicado por: lique em junho 9, 2005 11:55 AM

Bem actual,um abraço de amizade e um bom fim de semana.

Publicado por: em junho 9, 2005 09:55 PM

É isto que faz a grande literatura: a sua intemporalidade. Como este poema se adequa à realidade do país acutal! Um beijo e bom fim de semana

Publicado por: Pink em junho 10, 2005 11:33 PM

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Publicado por: free slots em julho 10, 2005 08:41 PM