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agosto 14, 2005

Mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que...sugiro

Exportadores de petróleo enriquecem com subida dos preços
Pedro Ribeiro in público de 14/8/05

Para onde vão as receitas de um petróleo mais caro?
Os países exportadores usam-no para pagar défices, ampliar capacidade produtiva, diversificar a economia. E também em Ferraris.

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...com a devida vénia ao jornal público e a pedro ribeiro, deixo o texto acessível on-line por subscrição,para quem não tenha essa possibilidade e queira ler...

O preço do petróleo bateu esta semana um novo recorde, com o West Texas Intermediate a ultrapassar os 67 dólares por barril. Os preços do crude aumentaram quase 50 por cento desde o início de 2005.
A subida do preço do petróleo é analisada na Europa ou nos EUA sobretudo do ponto de vista do consumidor - das repercussões do aumento dos preços nas respectivas economias. Mas há outro lado nesta história: o lado dos países exportadores.
Para as nações que exportam petróleo - as do Golfo Pérsico, a Rússia, a Nigéria, a Venezuela, etc. -, o aumento dos preços representa um acréscimo nas suas receitas. Numa estimativa do Banco Mundial, as seis monarquias árabes que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) exportaram 116 mil milhões de euros em petróleo e gás natural em 2003; este ano, deverão exportar o dobro, perto de 230 mil milhões.
E o que é que os países exportadores vão fazer com estas receitas adicionais? Depende dos países, responde Muhammad-Ali Zainy, analista do Centre for Global Energy Studies de Londres. "Estes países são muito dependentes do petróleo. Todos eles usam as receitas do petróleo para financiar os seus orçamentos. Alguns deles acumularam grandes dívidas [nos anos 90]; esses irão aproveitar para pagar dívidas."
"Outra coisa que irão fazer é aumentar as suas reservas de divisas. Os países do Golfo estão, acima de tudo, a fazer isso", continua Zainy.
Depois dos "choques petrolíferos" dos anos 70, os exportadores de petróleo do Golfo Pérsico reinvestiram os seus rendimentos do petróleo no Ocidente, sobretudo nos EUA.
Até certo ponto, é isso que está a acontecer agora. Num relatório deste mês do Institute for International Finance (IIF, um consórcio de bancos privados), prevê-se que os seis países do CCG (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Oman) vão utilizar os proveitos do petróleo para uma "acumulação maciça de activos estrangeiros".
O IIF projecta que os países da região irão investir 290 mil milhões de euros em 2005 e 2006 no estrangeiro - em acções, obrigações, divisas, imobiliário. O mesmo documento acrescenta que a maior parte destes activos será denominada em dólares, mas que há "dados empíricos" de que uma parte substancial do investimento se dirige a outros países do Médio Oriente e à Europa.
Segundo o SAMBA, um banco sediado em Riad, a Arábia Saudita tem acumulado activos estrangeiros ao ritmo de 3200 milhões de euros por mês em 2005.
Essa acumulação não tem sido, contudo, comparável à que se registou no final dos anos 70 e em meados dos anos 80. Para já, porque o boom não é comparável com o da era dos "choques petrolíferos".
A subida dos preços tem sido vertinosa, e o petróleo tem, de facto, batido recordes nominais quase todos os dias. Mas, em termos reais, os preços ainda têm muita margem para subir. Em 1979, depois da revolução de Khomeini no Irão, o crude atingiu um nível que, a preços actuais, representaria 90 dólares por barril.
Por outro lado, os países exportadores atravessaram ainda recentemente a situação inversa: em 1998, o preço do petróleo estava historicamente baixo, pouco acima dos 10 dólares por barril. "Quando os preços caíram, [os países do Golfo] começaram a envidar-se para financiar os seus orçamentos, e tiveram problemas de défices orçamentais e até comerciais", diz Muhammad-Ali Zainy. "Esta é uma oportunidade para eles diversificarem as suas economias para sectores não petrolíferos - turismo, finança, manufactura", acrescenta Zainy.
Além disso, as nações do Golfo "têm taxas de crescimento da população muito altas": "A força de trabalho que entra no mercado todos os anos é enorme, e os empregos estatais são limitados. A diversificação também serve para criar oportunidades de emprego".

Bolha especulativa
Para onde vai o dinheiro do petróleo, então? Para pagar défices orçamentais, acumular reservas em divisas e activos estrangeiros, investir em infra-estruturas, reforçar a capacidade produtiva, aumentar as prestações sociais à população, incentivar a criação de novos sectores industriais.
"[A Arábia Saudita] está a fazer isso tudo", disse ao PÚBLICO Tom Nicholls, director da revista Petroleum Economist. "Os sauditas tinham enormes défices orçamentais. Estão, sem dúvida, também a investir muito dinheiro na melhoria da sua capacidade extractiva." "O objectivo deles é atingir [uma capacidade de produção de] 12 milhões de barris por dia [a actual está nos 9,5 milhões]. E, para além da extracção, aumentar também a sua capacidade de refinação, que é onde há mais estrangulamentos no fornecimento", acrescenta Nicholls.
Parte dos proveitos do petróleo está também a estimular uma bolha especulativa nos mercados de capitais do Médio Oriente. As bolsas da Turquia, da Jordânia e do Egipto beneficiaram todas de uma infusão de "petrodólares"; mas os efeitos mais directos têm ocorrido nos próprios mercados dos países do Golfo.
A revista The Economist conta a história da firma Aabar Petroleum - uma start up petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, que fez uma oferta pública no mês passado, esperando angariar 135 milhões de dólares; a procura atingiu os 100 mil milhões. O índice da bolsa da Arábia Saudita acumulou ganhos de 85 por cento este ano; o índice dos Emirados subiu 90 por cento.

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Ferrari, Rolls e Bentley também saem a ganhar
Os árabes não compram só carros de luxo - adquiriram também uma parte da Ferrari

Todas as marcas mundiais de carros de luxo têm registado grandes subidas nas vendas na região do Médio Oriente. A BMW prevê um crescimento acima dos 10 por cento para 2005; a Mercedes já subiu 42 por cento este ano face às vendas de todo o ano passado; nos Emirados Árabes Unidos (EAU), a Volvo registou um acréscimo de 41 por cento nas vendas.
Com mais "petrodólares", os países do Golfo compram mais carros de luxo. A Mubadala Development Company, uma firma detida pelo Governo de Abu Dhabi (um dos EAU), foi ainda mais longe: não se limitou a comprar Ferraris, comprou uma parte da Ferrari. A Mubadala adquiriu cinco por cento do capital da marca automóvel italiana por 114 milhões de euros - foi a primeira empresa não-financeira a entrar no capital do construtor de Maranello.
Numa altura em que as vendas mundiais de automóveis estão estagnadas ou em crescimento muito lento em quase todos os mercados, as taxas de crescimento no Médio Oriente têm sido as mais robustas do planeta - desde 2003, quando os preços do petróleo voltaram a escalar.
E, entre as vendas de automóveis, é no sector dos carros de luxo que as taxas de crescimento no Golfo Pérsico são mais altas. E, dentro dos carros de luxo, é no sector dos carros de "superluxo" que o crescimento é maior: a Bentley aumentou 400 por cento as suas vendas no Golfo em 2004; a Rolls-Royce, que já factura 15 por cento das suas receitas mundiais no Médio Oriente, aumentou as vendas 70 por cento este ano na região.
Há outros sinais exteriores da riqueza dos "petrodólares" no Golfo. Por exemplo, a embaixada americana no Qatar registou um aumento de 73 por cento no turismo dirigido aos EUA daquele país em 2004.
Há ainda o caso do investimento turístico no Dubai. Este Emirado, que almeja tornar-se no grande destino turístico do Médio Oriente, não poupa despesas em construções faraónicas. É lá que ficam o único hotel de sete estrelas e o único hotel subaquático do Mundo. É lá também que está a ser construído o edifício mais alto do planeta. E é também no Dubai que está a ser feito o projecto The World - um arquipélago de ilhas artificiais concebido com o formato de um mapa-mundo, onde serão vendidos apartamentos e mansões a preços milionários.

Publicado por morfeu às agosto 14, 2005 03:41 PM

Comentários

Tem um Santo Domingo e uma excente semana, Amigo Morfeu.

Publicado por: golfinho em agosto 14, 2005 04:29 PM

Eles tanto esticam a corda que um dia ela parte-se
e levam com ela nas trombas. Isto para afirmar que contrariamente ao que os analistas referiram as jazidas de petróleo não duram mais 40 anos para se esgotarem, talvez metade desse período. Assim sendo quando este recurso se esgotar os paises produtores especialmente os árabes, extinguem a sua única riqueza económica. A partir daí não quero sequer imaginar o que vai ser a vida dos povos que presentemente dependem da extracção do petróleo.

Publicado por: congeminações em agosto 14, 2005 06:04 PM

O que consta por aí é que uma enorme dor de cabeça assola os senhores das petrolíferas com as dificuldades na aplicação dos dinheiros em excesso.
Pelo que um Ferrari, ou outro luxo já não será solução.
Talvez uma outra guerrazinha…

Publicado por: jgonçalves em agosto 14, 2005 10:33 PM

gosto

Publicado por: person em setembro 20, 2006 07:55 PM

gosto

Publicado por: person em setembro 20, 2006 07:55 PM

Eu axo se todos fossemos amigos uns dos outro e ajudase-mos o medio-oriente a resolver a guerra e todos no nosso planeta era melhor, e assim posia ser que o medio-oriente baixa-se o preço do petroleo, e não só tambem outros paises exportadoes de petroleo.

Publicado por: pedro em abril 5, 2007 11:28 PM

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