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agosto 20, 2005

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426 milhões a patinar em Mértola

ESTÁ em risco o investimento alemão de €426 milhões numa grande central fotovoltaica, na Mina de São Domingos, em Mértola. Isto porque o Ministério da Economia anunciou que a quota nacional disponível para projectos de energia solar está esgotada, não abarcando a capacidade prevista para este mega-investimento.

Apesar de manter interesse no projecto, La Sabina, a sociedade promotora do Parque Solar São Domingos, não avançará sem uma contrapartida do Estado, alegando que o investimento é inviável sem subsidiação da tarifa.

Apresentado no início de 2004 por um conjunto de empresas alemãs (Siemens, Villa Lohberg e Roth & Rau), este investimento visava instalar, até 2010, uma central fotovoltaica com uma potência de 116 megawatts e uma fábrica de módulos. O projecto, que se previa arrancar ainda este ano, carece do aval do Governo, e está irremediavelmente atrasado.

A La Sabina, proprietária de uma área de dois mil hectares na zona mineira de S. Domingos, 250 hectares dos quais para o Parque Solar, é o rosto do projecto, que previa criar cerca de 500 novos postos de trabalho directos. Mesmo que surgisse agora a luz-verde do Governo, Helmfried Horster, administrador do grupo alemão, diz que «já será impossível manter o calendário» estabelecido no início de 2004.

O facto de, em Portugal, a actual quota para a energia solar ter atingido o limite e de as ligações à rede eléctrica a partir de fontes renováveis estarem suspensas até 2008 podem ser as razões do «desinteresse» do Governo pelo investimento alemão.

A União Europeia deliberou subsidiar o desenvolvimento de energias renováveis para se preparar para a altura em que os preços das fontes tradicionais atinjam níveis dificilmente suportáveis ou em que os países decidam poupar as reservas de petróleo para outros fins, sem ser conversão em energia. Estamos no início desta fase, em que a utilização das ondas, do vento, da biomassa e do sol para a produção de electricidade ainda não são - ao preço actual das energias tradicionais - economicamente viáveis. Por este motivo, necessitam, por enquanto, de um certo apoio. Este poderá consistir no co-financiamento a fundo perdido das respectivas instalações ou de uma tarifa temporariamente mais elevada. O Governo português optou pela segunda alternativa, tendo sido esse o padrão para o estudo de investimento do Parque Solar São Domingos.

Diário do Alentejo/Rede Expresso

Publicado por morfeu às agosto 20, 2005 03:31 AM

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