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novembro 16, 2005
Do mal-estar educativo...sugiro!
...ao aproximar-se um dia de manifestação do mal estar sentido por muitos professores deste país - e os alunos como se sentirão?- colocarei aqui algumas sugestões de leitura e de reflexão pessoal. Hoje sugiro a leitura desta carta enviada para o jornal Público. Apenas quero adiantar que reina um enorme mal estar por essas escolas, embora nós professores, como cidadãos responsáveis, continuemos a obedecer democraticamente, a ordens por vezes desconexas e quiça ilegais...
CARTAS AO DIRECTOR
O estado da educação
Outono. Caem as folhas das árvores. Caem os sonhos, as expectativas de professores que há muito anseiam pelo dia em que finalmente possam rasgar a papelada e meter na gaveta a burocracia infame em que se traduz, neste momento, o ensino em Portugal.
Nem sequer nos atrevemos já a falar do passado, porque o que temos pela frente é um futuro. Mas que futuro? Acaso estarão as gerações presentes a construir um futuro?
Vejamos se conseguimos dar esta resposta.
Queremos viver num país organizado, em que as instituições funcionem, em que os cidadãos se sintam seguros, protegidos na doença, conhecedores das regras cívicas, críticos, bem-humorados, sorridentes, felizes, enfim... e que se esqueçam que há um governo "rosa", "laranja", "vermelho" ou de outra qualquer cor, porque a melhor forma de testarmos que o governo está a governar é esquecermos que ele está lá, no seu posto, a governar bem.
O problema é que um sistema organizativo de um país começa na organização familiar e da escola. E aqui é que está o busílis da questão. Onde está a autoridade dos pais e dos professores? E vem-nos à memória a célebre frase que um conhecido médico, depois ministro, publicou um dia e que é uma máxima popular: "Quem dá o pão dá o pau."
Hoje não se dá pão nem pau.
"Pão" signo de ética, referências positivas, organização mental, espírito crítico, conteúdos cognitivos verdadeiramente importantes e não para encher curriculum, ou melhor, "atafulhar", porque é disso que se trata. Não é uma qualquer Área de Projecto que um aluno frequenta aos 10, 11 anos que o prepara melhor para a vida.
É um desperdício de recursos, de dinheiro dos impostos (ou o Governo já se esqueceu que os professores são uns dos melhores contribuintes e que por isso também sustentam as escolas?)
"Pau" sinónimo de autoridade, castigo, se for preciso, porque não? Será que se "constroem" militares com falinhas mansas e sopinhas de mel? Ou homens preparados para a vida? Como é que um pai ou um professor podem exercer a sua autoridade, se não conseguirem exercer o seu direito de mandar, pois é disso que se trata? "Mandar" tornou-se palavra proibida. Íamos até dizer "tabu", mas isso cheira a politiquice barata e o que se faz nas escolas tem de ser sério e honesto, pois está em jogo o futuro de todo o país.
Por conseguinte, sem "pão" nem "pau" e com programas anacrónicos, desfasados da realidade quotidiana, do país e do mundo, não há ensino que medre, alunos que aprendam (salvo boas excepções, claro), professores satisfeitos, escolas organizadas e limpas. O futuro está portanto hipotecado.
Não são umas quaisquer "actividades educativas", leia-se "substituições", que vão constituir uma mais-valia para os alunos e para o país. E sabe porquê, senhora ministra? Porque nessas aulas não se dá "pão" e a autoridade dos professores é anulada, pois os alunos pouco ou nada querem fazer; o que querem é ter "furos". Ou será que a senhora ministra já se esqueceu de quanto era bom ter furos no seu tempo de estudante? Nunca os teve? Não? Foi pena...
Se calhar ia para a biblioteca de um qualquer liceu ou colégio para meninas educadas. E até era bom para si, pois os seus pais provavelmente habituaram-na a ler.
Tem piada... a nós também! Mas e os outros, os que nunca foram habituados a ler?!
Um conselho: partidos organizem-se! Façam com que os vossos políticos durmam menos no Parlamento e sobretudo escutem melhor a nação. Não basta distribuir muitos beijos ao povo, nas campanhas, é preciso conhecer in loco todo o terreno da educação e não fazer leis avulsas, só para agradar às "massas" que nada conhecem... mas é preciso votos ...
Maria Josefina Cardoso Guimarães Andrade e Silva
Ermesinde
Elisa Maria Vieira Pinto Tojal Monteiro
Porto
Isaura da Conceição Cruz Tinoco Xavier de Campos
Ermesinde
(in público de 17 de Novembro)
Publicado por morfeu às novembro 16, 2005 09:26 AM
Comentários
Prezado Morfeu,
Acho as senhoras que escreveram esta carta um pouco radicais... Não é com pau que se arrum a educação. Felizmente!
O Ensino Público, ou seja, estatal, é problemático. O fato gerador das insatisfações não está propriamente nos governos, mas na própria consciência dos senhores professores.
Infelizmente, emprego em que o servidor não corre riscos, não é sinônimo de dededicação e esforço na maioria dos casos. Daí a conseqüente falha do ensino público, que ocorre sempre, em todos os estados daqui tb.
Publicado por: Isabel em novembro 16, 2005 09:53 PM
Bem a história do pau é simbólica...a autoridade que deverá existir doutra maneira...quem é professor sabe bem que não pode deixar uma sala de aula transformar-se num caos...tem de haver um comandante que oriente e exije sobe pena de haver uma revolta a bordo...disciplina e respeito pelos diferentes estatutos...eu não bato em ninguém mas procuro que as regras pré definidas sejam cumpridas e não abdico da minha posição de orientador, com experiência que alunos não podem ter...sem pau...
Um abraço
Morfeu
Publicado por: morfeu em novembro 16, 2005 11:31 PM