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janeiro 25, 2007

Pel, peles ...

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Vêm–me vontades súbitas
Em tempo mesmo deste frio
E
Perante os sabores do mundo
Meus dissabores
Arrancar estas peles que me cobrem
Ficar em estado de absoluta nudez
Começar assim a ser um Eu numa
Renovada busca
Ter pouco nada quase
Descobrir o essencial
De mim em mim para mim
Pouco
Largar amarras
Olhar insistentemente em volta
E esquecer-me deste corpo e deste alma
Perturbada
Para encher a preocupação
Com o outro os outros
Estar nu saco de pano embrulhando
Um quase nada de muda
Uns panos com paus erguido
Para abrigo
Estar nu no frio no céu das estrelas
Beber vendo o luar com um azul profundo adivinhando-se
Ah essa pobreza ascética utópica
Esse invólucro de existência de simplicidade
Comunhão com o absoluto
Estou farto destas peles
Deste verniz de obrigações
De precisar disto e daquilo e daqueloutro
De tal espaço tal geografia
Vogar por ai nas correntes de momentos
Ter ar e mar e rir
Da carícia retemperadora de um amável vento
Ah andar por ai vendo cheirando amando
Nessa paixão inominável de tudo ser
Fundir-me-ei finalmente eu sei
Para sem disso noticia ter
Alcançar a paz de nudez coberta

Ah estas peles estas roupas este Ser

Publicado por morfeu às janeiro 25, 2007 10:16 PM

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Comentários

Oh!Morfeu,lindo!!
...lufada de sonho vagueando na mais pura forma de permanecer...assim...tão simples .tão puro .que até doi.

Obrigada pelo teu blog.
Um beijo

Publicado por: Luna em janeiro 26, 2007 05:56 PM

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