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março 08, 2007
Escola: Abandono ou fuga? ...
Perante os números evidenciados pela imprensa de hoje - vêr Público - coloca-se-me a questão como professor e como cidadão, do porquê deste abandono. Da minha experiência resulta a constatação de uma falta geral de ambiente familiar - regras, hábitos de leitura, culto do imediato, telemóvel, do confortável, jogo de computador - que permite uma "matriz" voluntariosa para ir à escola. Aqui chegados, os miúdos encontram as situações mais diversas: instalações, professores, pessoal auxiliar, que carecem muitas vezes de qualidade e rigor de actuação. Eu, sendo professor do secundário, tenho que dizer o seguinte: praticamente todos os meus alunos que tiveram sucesso, não apenas na escola como na vida, tinham um ambiente familiar razoavelmente estruturado.
Nos tempos que correm, é dificil a escola "competir" com os meios de comunicação, principalmente na sua vertente lúdica ou pseudo lúdica.
Deixo em entrada estendida, dois comentários de leitores no Público de hoje.
Por aneto - Aveiro
As escolas têm grades à sua volta mas apenas para delimitar espaço? Não, as grades das escolas são encaradas de outra forma por muitos pais. Sou professor de História de uma turma complicadíssima em termos de comportamento e aproveitamento nos arredores de Aveiro. O meio social é pobre e muitos pais não vão pura e simplesmente à escola falar com a Directora de Turma. Depois de esgotados os métodos pedagógicos dentro da sala de aula, fizemos hoje, às seis da tarde, uma reunião com professores, apis e alunos. Iria ser analisada a situação da turma e tentativa de mudar o rumo às coisas com a ajuda dos pais. De 19, compareceram 7 Encarregados de Educação e logo aqueles cujos educandos dão menos problemas. Os pais dos alunos mais problemáticos nem se dignaram a comparecer. Assim não há Director de Turma ou professor que consiga apoio para levar o barco a bom porto. Mais do que educar alunos, este país precisa urgentemente de educar toda uma nação.
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Por Pedro P.(prof do 2º ciclo) - Leiria
Verdadeira hecatombe nacional mas ninguém parece disposto a fazer nada! A desmotivação, a falta de regras e hábitos de trabalho dos alunos sentem-se logo no primeiro ciclo. É de uma cultura cívica de rigor e exigência e de uma ampla promoção da escola e do saber que Portugal necessita. Os pais portugueses são, no geral, maus educadores porque eles próprios também têm baixo nível de escolaridade! O que interessa não são as OPAS! É toda a Juventude Portuguesa a quem pouco se exige e tudo se permite que está em causa comprometendo-se o futuro deste País ainda (e sempre)adiado!! Concordo com o reforço da acção social mas também com o reforço do controlo fiscal para subsidiar efectivamente quem precisa! E com a valorização e prestigiamento da Escola Pública e da função docente que se encontram, ao momento, feridos de morte por esta equipa ministerial.
Publicado por morfeu às março 8, 2007 09:23 AM
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Comentários
Alguém se deu ao trabalho de verificar quantos de entre estes alunos se limitam a anular a matrícula para poderem ir a exame? A maioria continua a frequentar as aulas e conclui o ano de escolaridade.
Na minha experiência de quase 20 anos de professora, dos quais 15 só com secundário, nem tenho memória de alunos que tenham abandonado a escola no final do 2º período.
Será que estes números, lançados agora e desta forma, a bruto, não terão relação com a tentativa de obrigar os professores a manterem-se nas escolas durante as interrupções das actividades lectivas?
Publicado por: Ana, professora em março 8, 2007 06:30 PM
Subscrevo inteiramente o que diz a Ana. É altura das anulações de matrículas dos que querem garantir a ida a exame como externos. Não abandonam, pelo contrário, garantem a permanência no sistema. E estamos todos escaldados com a manipulação de números, quer pela imprensa ao serviço de, quer pelo ministério.
Publicado por: soledade em março 9, 2007 01:28 AM
...estamos tipo "gato escaldado" só continuamos a apanhar com escaldos e a ter medo de água fria...por mim falo...haja saúde como diz o zé povinho e começo eu a dizer...
Um abraço
MOrfeu
Publicado por: morfeu em março 9, 2007 01:17 PM
O que eu procuro o que eu folheio o que eu espreito, são quase sempre os mesmos os apontados a dedo com mais ou menos verborreia com acerto de uma ponta e coisa roída da outra, são os alunos, são os professores são os pais é a senhora Dª Lurdes ministra enquanto corre este tempo de efemeridades, são todos todos estes intervenientes no processo, chamados à corda bamba e ao bel prazer de quem quiser opinar, eu só questiono sobre a apreciação ou avaliação /palavra mais referente e preponderante daqueles /as que nas escolas são os representantes máximos do poder da autoridade,os ditos CE: como agem como fazem como actuam=? tudo verbos de um pragmatismo actuante, para evitar alguma tentativa de discutir idiossincrasias, como executam o seu trabalho os executivos das escolas? ... retic~encias para dar lugar a respostas de quem souber responder, por mim sempre adianto que alguns executivos há e eu conheço que mais parece que executam utilizando o lado mais hostil prepotente e arrogante da possibilidade de executar lembrando a imagem de condenados contra a parede em frente a uma baioneta, a sua, de insuspeitada respeitabilidade funcionalidade e bom trabalho ajudado com a alpaca debaixo de cuja manga se esconde uma realidade triste e frustrada...
Publicado por: Justamente em março 27, 2007 08:46 PM