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julho 26, 2007
O Espírito das casas ...2
…e havia um lugar de alma enorme a alma ou espírito da casa
O lar os deuses que se aqueciam no fogo
Este estava e ardia em altar antigo
Por debaixo a lenha e em cima elevada
Ardia a lareira que útil aquecia um caldeiro suspenso de chaminé bem alta
No Inverno em dias de chuva persistente esta visitava-nos
Dizia que na parte elevada estava o caldeiro grande
Onde aquecia muita água para os muitos espíritos e afazeres
Que por ali transitavam ou estavam
Dois bancos corridos para quatro pessoas dali
Inicialmente se aquecerem em convívio próximo
Rapidamente afastadas pela rudeza rubra do fogo que queimava
À vez vivíamos a lareira cismando em longas noites
Preguiçosamente deixada por imposição de sono e sonhos
Bem fria era a casa na sombra de Invernos antigos
Os deuses lares não nos acompanhavam para o repousar gelado de quartos vários
Só a força da inocência aquecia o nosso adormecer
E era assim muitas vezes
A porta de entrada que dava para a cozinha tinha fecho dos antigos
E por causa também de medos ancestrais
Possuía uma tranca ainda
Ficávamos nós os putos sossegados porque receosos de passos exteriores
De mendigos Zés baratanas e outros que tais que nos assustavam a infância
E juro que um dia vi o homem do saco com o rosto barbudo
Soprando na janela chateado por não meter ninguém lá dentro
E nós abençoávamos a valentia daquela tranca que todas as noites se apresentava para fecho final de manhãs tardes e noites a seguir umas às outras fatais
Se esquecer pudera na lista das coisas inconfortáveis
Na ausência de banhos e sanitas modernos
Das mijadelas que durante a noite enchiam os típicos penicos reconhecendo pelo som específico e se calhar musical quem despejava as necessidades
E muitas noites para coisas mais drásticas e sólidas havia que destrancar a segura porta e apanhar a frieza da noite para nos aliviarmos em local exterior
Era assim e do cimo da cisterna pelas frestas do cabanal território de morcegos e sombras
Sorriamos com frequência ao adeus que o Sol nos fazia
Ao pôr-do-sol
Magnífico naqueles irrepetíveis verões enriquecidos pelos mantos riquíssimos de temerosas auroras boreais
E era assim o espírito daquela casa
Publicado por morfeu às julho 26, 2007 08:49 PM
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Comentários
lidos ambos os textos, memórias renascem e fico expectante... porque não continuares a dizer das tuas memórias que a nós todos respeitam? está na altura de fazer a sinopse ...! temos aqui um novo Torga, talvez Aquilino, quem sabe, mas que vai de futuro lá isso vai. é que muitas tardes de Verão ainda se avizinham... talvez quem sabe, se um dia cada um escrevesse o que lhe vai na alma, que bela composição de família! seria outra forma de nos sentarmos à lareira e abrirmos de novo as asas aos morcegos! Também é uma outra forma de amar, pois a original foi-nos impossível com tantas tempestades.
Dinkie
Publicado por: agosjud em agosto 1, 2007 06:30 PM