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fevereiro 25, 2008
A coragem de se dizer
...após ausência seria propício dela falar. No entretanto outras coisa acontecem mais fortes. Pelas escolas os nossos jovens sofrem e colhem único conforto na palavra amiga, no gesto, no tudo o que se possa, dos professores...dedico a P. expulso pelos próprios pais de casa, pelo facto de ser sincero...
Pergunto-me onde as palavras
Uma ausência longa branca acetinada
Podiam ser de mim quando a vaga se esmaga na praia
Pode de mim ser esta fuga das palavras
Assim
Tentar dizer o não dizer
Nesta convulsão que a vida é
Por vezes vagas múltiplas se emaranham
Umas mais fortes outras mais suaves aparentemente
Gritou lá em casa
Eu sou assim tenho estes desejos
Em gritos responderam
Eram os seus pais os dois
Sais de casa não podes ser assim com esses estranhos loucos
Saiu uma primeira vez e embora mais tarde voltasse
Nunca mais voltou a partir desse primeiro dia em que partiu
Os gritos voltaram frequentemente
A solidão o esquecimento o insulto
Toda a aldeia sabendo dos seus sentimentos não normalizados
Gritados vejam só pela própria mãe
O meu filho é maricas não o quero cá em casa
E foram dias e dias em escuridão afectiva
Perdido dos sentimentos e do mundo
Duas e três pessoas sabiam do seu segredo de ser diferente
Das edições afectivas originais e normais
Maricas panasca homo gay tudo isso foi gritado
À rosa dos ventos como se fosse pecado
Sendo o pecado da recusa dos próprios pais
Ontem ao chegar voou em gritos um saco com roupa pouca
Saindo da porta principal uma espada flamejante
Apontando o inferno da solidão dor esquecimento
Ele que tivera a coragem de se dizer
Dizer quem era
Era gay era homo e não podia
P. amigo meu caro tens mãos estendidas
Para nós és apenas P. um ser humano
Publicado por morfeu às fevereiro 25, 2008 05:27 PM
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