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maio 05, 2008

Parede com ecos de grito e de fúrias...

Para onde dirigir este grito silencioso
Esmagado por um vazio de referência
Para o paradisíaco Alto ou
Para os subterrâneos misteriosos
Metafóricos ambos
Como gritar o silêncio mantendo a reserva
O pudor do privado a dignidade de não maçar
Incomodo-me de facto a mim próprio
Destruo dentro de mim todo o pudor
As palavras saem em constrangimento
Envergonhadas como pedindo desculpa
Pelo seu aparecer
Penso que elas as palavras
Quererão apenas um vislumbre de importância
Depois morrerão inexoravelmente como tudo
Como todos
Já não se grita nestes tempos de forma normal
Espezinham-se vezes sem conta as fúrias de tranças enormes
Aposta-se no sombrio no triste
Ao grito colo um riso em esgar inútil
Enquanto palavras se agitarem nos túneis do pensamento
Aí chegando do labirinto do sentir
Enquanto…
Visitarei a luz possível
Esgrimindo solidão incompetência covardia
Pois é
Esta coisa de gritar é
Desagradável necessária inútil fugaz
Cheia de pequenas pontas que se agitam
Quem aqui chegou possui uma tranquilidade
Divina
Ou uma curiosidade estranha que é a de decifrar
Símbolos que se perderão no ser da eternidade
Ah estes gritos estranhos estas fúrias de tranças
Estas sombras que teimam em ser
Parecendo outra coisa qualquer
Ah esta fúria do grito abafado
Este incómodo esta inquietação
Este forçar o outro a olhar o som
Intragável das entranhas viscerais que se revolvem
Se revoltam expelindo sentires estranhos
…uma parede enorme fabrica o eco adequado

Publicado por morfeu às maio 5, 2008 06:08 PM

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Comentários

Hum!..Tens de ir mais vezes à cidade, meu caro.
Sugiro: Irving Yalom, "as mentiras no divã" ou "Quando Nietsche chorou". Vais ver que o grito fica menos abafado e com as tranças desentrançadas...
dinkie

Publicado por: agosjud em maio 6, 2008 01:01 AM

Aqui chegado, cheio de «pequenas pontas que se agitam», entre um Tambourine Man, com vagas alucinações de Pied Pipper de Hamelin, mas transformado em rato flautista que encaminha a Humanidade para o abismo da sua insustentabilidade, até ao momento em que descobre que sem a Humanidade de pouco lhe valerá ser rato, paro, escuto e olho... e hesito em avançar.

Tudo o que aprendi e aprendo se vai transformando em gritos. Mas ainda há muita ilusão por aí... e, se tudo correr, como planeado, amanhã amanhecerá. E mesmo que o dia esteja cheio de gritos, que fazer senão viver, mesmo gritando?

(Os poemas têm destes efeitos colaterais. Perdoar-me-ás, mas foste tu quem atirou a pedra. Eu apenas observo, de momento, a ondulação na superfície do tranquilo lago.)

Um grande abraço.

Publicado por: OrCa em maio 6, 2008 11:33 PM

Sei que isto não se deve fazer, um poema é o que é,lê-se ou não, existe essa enorme liberdade de por ele passar e nada dizer.Não foi o caso destes dois resistentes que imprimiram o seu rasto cheio de coragem...a eles me escuso por algum hermetismo dos meus gritos adjectivos e metáforas que vezes há nem eu gosto. Faço possíveis poemas e como acontece nesta humanidade, fazemos coisas de que não gostamos. Mas como avida tem de continuar o exercício da palavra continua.
Ao Orca, poeta essencial- porque a sua essência perfuma-se de poesia - agradeço o comentário em contra poesia ou em poesia por extensão. O poema meu é duro e intragável, mas as vossas palavras dão-me alento.
Abraço

Publicado por: morfeu em maio 7, 2008 10:30 AM

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