« Cristallnacht | Entrada | Professorzecos numa manifezeca... »
novembro 10, 2008
Lembras-te das duas cabras?
O meu avô tinha duas cabras
que o acompanhavam na reformada e conformada
solidão
e mais uma burra que de manhã
seguia leve
à tarde volta coroada na albarda antiga
de gravetos essenciais
à pobreza e ao frio
O meu avô tinha duas cabras
vivas seguiam como estas mil
de milénios descendente
e eu bebia desse leite forte
que as cabras comiam pelos campos
eu comia desses campos dessas planta rudes
espinhosas
que eram irmãs do meu avô e da sua solidão
quando vejo agora estas cabras
por entre elas vejo a figura dele
barba por fazer farnel mínimo
varapau para os lobos que os havia
a burra instável mas diária
O meu avô as cabras e a burra
...eu consigo ver.
Publicado por morfeu às novembro 10, 2008 07:41 PM
Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://anomalias.weblog.com.pt/privado/tyt.cgi/176047
Comentários
No teu poema, Morfeu, alimento a minha saudade!
Porque o meu avô tinha mesmo 2 cabrinhas e uma burra! Todos os dias pastavam, mansamente, no prado da Manadeira, ali ao pé de Vilar Formoso, só faltavam quando muito nevava. E o avô, tão doce que era, assobiava-lhes e cantarolava-lhes, de quando em vez, "vê-de lá o que andais a fazer" e as cabrinhas erguiam-se esbeltamente e mugiam dizendo "estamos aqui"...
Descansa em paz, meu avô, descansai em paz, queridos pais e todos os entes queridos que partiram e nos deixaram nesta profunda saudade.Um olá, para todos, agora acolhidos no seio de Deus. E,por favor, enviai-nos um bálsamo que alivie a nossa dor.
Um fraternal abraço do
Leo
Publicado por: Leo em novembro 17, 2008 05:01 PM
...que alguma nostalgia nos enriqueça na sua beleza sentida e nos faça dizer sim à vida enquanto cá estamos e sim à consciência solidária para com os nossos irmãos que são afinal todos os seres humanos...assim faremos com que os que partiram tenham motivo para sorrir.
Abraço
Morfeu
Publicado por: mofeu em novembro 18, 2008 08:33 PM