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outubro 18, 2009

Do casamento católico, sg/ Bento Domingues

Por experiência pessoal, vivi esta questão. Assim, porque afastado da crença e por conseguinte da I.Católica, sempre procurei viver em coerência. Se actualmente se me colocasse a questão de um novo casamento, tendo em conta a minha posição de recuperar com nova alma, a vivência cristã, pensaria diferentemente. Nunca, no entanto, nessa perspectiva espampante e despesista que por aí grassa em quem pode economicamente. A insersão na vivência de uma comunidade colocar-se-ia como objectivo. De qualquer forma, mantenho a minha discordância em relação a esse poder absoluto de que "O que Deus uniu, o homem não separe"....não aceito a infelicidade e hipocrisias forçadas. Sim a essa muito humana e admirável capacidade de transgressão que o Génesis anuncia, pela tentação da serpente: a capacidade de discernir o bem e o mal, a liberdade afinal...
O texto de Bento Domingues retoma a questão e coloca-a imediatamente no titulo:

Casamento católico em vias de extinção?Por Frei Bento

Que pretende quem procura um casamento católico e o que recusa quem, embora baptizado, não quer casar pela Igreja?

(endereço-fonte:
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/18-10-2009/casamento-catolico-em-vias-de-extincao-18039249.htm)

1.O alarme foi dado pelos meios de comunicação social baseado em dados estatísticos: em 10 anos, na diocese de Lisboa, os casamentos católicos baixaram 62 por cento. Observaram-me que, se este ritmo se mantiver, em poucos anos, deixará de haver divórcios de casais católicos e um tema recorrente nestas crónicas - a situação dos divorciados na Igreja - também estará esgotado. É melhor, no entanto, não fazer previsões.

Dir-se-á que, depois de alguma alergia ao institucional, do proclamado desinteresse pela política, pelos partidos, pelos actos eleitorais, as instituições da Igreja e a Igreja como instituição também não poderiam fugir muito à tendência geral. Em parte assim será, mas o realce que a notícia teve, nos meios de comunicação social, dava a ideia de que o catolicismo, em Portugal, estaria em acentuado declínio e a hierarquia católica não poderia continuar a alimentar a ficção de que só existe o modelo católico de família que defende.

Não adianta muito pensar que este decréscimo brutal dos casamentos católicos seja apenas o fruto de políticas laicas acerca da família nem a sua estrepitosa divulgação seja regozijo com a perda de influência do catolicismo. Em Portugal, a liberdade religiosa não está em perigo, nem o direito ao casamento católico. A questão de fundo é outra: que fazer para que as famílias se transformem numa fonte de vida evangelizadora das novas gerações? A estatística citada sugere que as novas gerações só poderão receber uma herança se esta for um convite à invenção de novas formas de ser cristão.


2.Para a compreensão e vivência do casamento católico, surgiu, em Paris, em 1938, um inspirado movimento, obra do Padre Henri Caffarel (1903-1996). Em 2006 foi aceite o pedido de abertura do processo da sua beatificação.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o movimento expandiu-se e foi criada a revistaL"Anneau d"Or, divulgando a experiência das pequenas equipas e a sua espiritualidade. Em 1947, o movimento organizou-se e foi elaborado um documento fundador: aCarta das Equipas de Nossa Senhora, revista em 1976. Em 2002, o Pontifício Conselho para os Leigos reconheceu, finalmente, as Equipas de Nossa Senhora (ENS) como Movimento de Fiéis Leigos. O Movimento expandiu-se por todos os continentes. Entrou, em Portugal, em 1957.

Sessenta anos depois, são celebrados os êxitos imensos deste Movimento de espiritualidade conjugal, apesar das dificuldades e dos limites que a moral familiar oficial impõe. No entanto, muitos casais das ENS interrogam-se: onde teremos falhado para que alguns dos nossos filhos não se casem pela Igreja e nem os seus filhos querem baptizar? Andaram em colégios católicos, foram à catequese, alguns até foram catequistas, pertenceram a movimentos juvenis da Igreja e, depois, nada! Resta-lhes a consolação de que alguns valores essenciais informem as suas vidas.

3.Esta sensação de culpa não tem, por vezes, muita razão de ser. Já não estamos no tempo em que os pais e as mediações de formação da Igreja eram as únicas referências no crescimento dos filhos. Vivemos em sociedades abertas e os mais novos, para além da natural rebeldia da juventude, podem dizer aos pais, de forma clara ou velada: eu já não vou por aí.

Uma observação destas não pode servir, todavia, para a resignação dos pais, dos educadores católicos e da pastoral da Igreja no seu conjunto.

Tendo em conta o que está a acontecer, seria preciso, depois de um debate alargado a paróquias, dioceses, movimentos e universidades católicas, reunir um Concílio dedicado exclusivamente à moral familiar proposta na Igreja e ao reexame do que se passa nas outras religiões e nas diversas manifestações da sociedade civil.

Para o vigente Código de Direito Canónico, "O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre baptizados foi elevado por Cristo nosso Senhor à dignidade de sacramento. Pelo que, entre baptizados, não pode haver contrato matrimonial válido que não seja, pelo mesmo facto, sacramento." (Cân. 1055).

As implicações teóricas e práticas desta apresentação do casamento merecem um amplo debate que não é para esta crónica. A pergunta que deixo é outra: que pretende quem procura celebrar um casamento católico e o que recusa quem, embora baptizado, não quer casar pela Igreja?

As dimensões de vida, a importância, as ambiguidades e mesmo os equívocos, que envolvem a opção por uma união de facto, um casamento civil ou um casamento religioso, não cabem em apreciações e valorizações esquemáticas.

É normal que a celebração do matrimónio suscite uma vontade de festa que não tem de ser uma exibição de riqueza real ou aparente. A Igreja, sem negar a importância de uma grande festa, deve propor, aos ricos, uma ocasião para repartir com os pobres. Os Encontros de Preparação para o Matrimónio devem ajudar a perceber que os noivos não estão obrigados a promover a indústria dos "casamentos de sonho".

Publicado por morfeu às outubro 18, 2009 06:57 PM

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Comentários

Torna-se agradável ler semanalmente no Público o Frei Bento Domingues, essencialmente não sendo crente.
Primeiro porque se tem a distância suficiente, para não ter que assumir o que estamos a ler, como uma verdade insofismável, segundo é que tratando-se de alguém com grandes conhecimentos nomeadamente a nível teologico, faz umas associaçoes por vezes muito necessários – nomeadamente comparando situações passadas, com actuais, terceiro e último por se tratar de um padre, que não é, desculpem-me a sinceridade = maçador.
Logo ao lê-lo semanalmente no Público, fica sempre qualquer coisa, aprende-se sempre algo mais.
Continue, por favor.

Publicado por: Augusto Küttner de Magalhães em outubro 19, 2009 12:07 AM

Sensibilizado pela sua visita e comentário. Uma atitude de abertura como a que bento domingues há muito nos apresenta,é um estímulo e um contraponto a visões dogmáticas que impedem uma compreensão e vivência do religioso mais aprofundadas. Um exemplo será por exemplo o debate que se adivinha, com a publicação do novo livro de Saramago.Não reagir visceralmente- apesar de sentirmos emocionalmente alguma virulencia - mas usarmos da razão,do conhecimento, da exegese para nos pronunciarmos.Se assim não for, melhor será ficarmos calados.
Com consideração
F.Torres

Publicado por: morfeu em outubro 20, 2009 03:15 PM

Deixai-o falar. Saramago

Nesta fase da vida de Saramago, no minimo é estranho ter sempre que arranjar umas “guerras” para ser falado, para como alguém disse: Parecer um reformado rabugento e frustrado que se entretém a chatear os outros. Pelo que “não é necessário” tantos cristãos e até judeus - uma vez que a estes “toca-lhes” o 1º Testamento – estarem/ficarem incomodados, sobre a análise ao conteúdo da Bíblia que está a fazer. Não é necessário, dado que Saramago será um bom escritor, merecedor de um Prémio Nobel, mas da Literatura, e nada mais do que isso, e pode falar, dizer mal ou bem do que entender, ainda bem que a liberdade o permite, mas não indispensável que os crentes se incomodem quando um Prémio Nobel da Literatura de quando em vez diz, dirá, este genero de coisas: dexai-o falar. Se é um gozo que a vida ainda lhe dá!!!!! Estas frases dizem muito do que muitos mesmo não crentes pensamos, sobre o que Saramago , agarrado “ainda” ao Prémio Nobel pode dizer e pode ainda mais dizer, sobre religião, em especial a Ocidental, e ainda bem. Fale, critique, diga! Convirá talvez fazer algum reparo à religião Oriental, já que gosta , dá-lhe o tal gozo entrar por estas áreas, uma vez que se a Biblia por certo tem muito de no minimo estranho mas o Alcorão não terá menos. São escritos - Biblia e Alcorão - que a muitos e muito justamentee podem dizer e a outros podem unicamente ser o retrato possivel de uma fase da vida religiosa da Humanidade. E estes comentáros ciclicos de Saramago, ao que parece sendo de 20 em 20 anos, deverá este ter sido o último – a não ser que queira em longevidade ultrapassar Manoel de Oliveira, ou passe a comentar, a falar, de meio em meio ano- , valem o que valem. Claro que dão que falar, claro que muitos se incomodam ao ouvir estas “coisas” e é notícia, que enche págimas de jornais, que faz as televisões irem para a rua perguntar se as pessoas têm Biblia em casa, se a leram, ou se é um livro, mais um de prateleira. Numa altura em que o Ocidente está a ficar laico, há quem diga pagão, não importa, não tem relevo o que o Premio Nobel da Literatura de há uns anos, José Saramago diz sobre religião. Não tem peso, não tem influência, se é que a já teve nesta area. Mas enqunto consegue, que continue a escrever, dado que isso ficará para a história literária de um dado período, tudo o resto efectivamente não parece mais do que: um reformado rabugento e frustrado que se entretém a chatear os outros. Mas – diga-se - tem a virtude de fazer desfocar durante alguns momentos, as atenções, as preocupações de todos relativamente à Crise e como dela sair. Para além de ser noticia, durante algum tempo, e sem razão ainda incomodar uns quantos, mas deixai-o falar....e se lhe for possivel ser ainda mais arrogante...força, em frente...

Augusto Küttner de Magalhães

Publicado por: Augusto Küttner de Magalhães em outubro 25, 2009 02:30 AM

BENTO DOMINGUES

Confronto na Afabilidade

Um texto excelente provocado pelo que Saramago “disse”, ao falar com ódio duma forma que até aos não crentes, nem lembra.

Augusto Küttner de Magalhães

Publicado por: Augusto Küttner de Magalhães em outubro 25, 2009 11:20 PM

Aproveito para lhe deixar um link que considero importante:
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/543404

F.Torres

Publicado por: morfeu em outubro 27, 2009 09:49 PM

Gostava de um conselho. Fui casado pela Igreja católica a qual sempre professei. Divorciei-me entretanto e sem filhos. Considero-me uma pessoa com fé em deus e Jesus Cristo, entendo perfeitamente a mensagem cristã a qual considero a mensagem mais bonita que podemos receber e devemos replicar o melhor que pudermos. O que não compreendo é a postura da Igreja católica face ao divórcio, impossibilitando as pessoas de voltarem a casar pela Igreja. Quero casar novamente e considero um abuso de poder não me permitirem fazê-lo e até ponho como hipótese "passar-me" para a Iigreja Luterana cuja reforma há muito que significou uma liberdade que o Catolicismo aindanão conseguiu atingir. O que pensam sobre isto? A quem acham que me devo dirigir? Obrigado.

Publicado por: Duarte em outubro 28, 2009 06:12 PM

Peço desculpa pelo atraso.Este blogue tem vindo a perder a força inicial,e quase o conservo por nostalgia.
A sua questão.
Compreendo a sua situação e neste momento pela I.Católica não hipótese. Assim, ou muda de instituição, ou repensa a sua ligação a um Cristo que seguramente o apoiaria. Sou mt crítico em relação à Instituição I.Católica romana, e, embora procure situar-me nela, filtro aquilo que me interessa ou não. Para não depender de mediadores oficiais tenho buscado Cristo de forma diferente da oficial, lendo, aconselhando-me, pensando, sendo aberto à mudança...não sou padre nem bispo, mas interessam-me estas coisas. Considero-o um irmão em Cristo, e desde logo apoio a sua decisão...vença a sua coragem e bom senso. Eu nunca casei pela Igreja, primeiro porque estava numa fase de descrença, agora porque não sinto propriamente necessidade de oficializar a coisa. Quero lá saber...estou tranquilo e se me quiserem excomungar tenho a figura de Cristo pela frente e o que consigo - ainda tão pouco infelizmente - compreender/saber da sua mensagem.
Abraço
F.Torres

Publicado por: Morfeu em novembro 8, 2009 12:26 AM

Peço desculpa pelo atraso.Este blogue tem vindo a perder a força inicial,e quase o conservo por nostalgia.
A sua questão.
Compreendo a sua situação e neste momento pela I.Católica não hipótese. Assim, ou muda de instituição, ou repensa a sua ligação a um Cristo que seguramente o apoiaria. Sou mt crítico em relação à Instituição I.Católica romana, e, embora procure situar-me nela, filtro aquilo que me interessa ou não. Para não depender de mediadores oficiais tenho buscado Cristo de forma diferente da oficial, lendo, aconselhando-me, pensando, sendo aberto à mudança...não sou padre nem bispo, mas interessam-me estas coisas. Considero-o um irmão em Cristo, e desde logo apoio a sua decisão...vença a sua coragem e bom senso. Eu nunca casei pela Igreja, primeiro porque estava numa fase de descrença, agora porque não sinto propriamente necessidade de oficializar a coisa. Quero lá saber...estou tranquilo e se me quiserem excomungar tenho a figura de Cristo pela frente e o que consigo - ainda tão pouco infelizmente - compreender/saber da sua mensagem.
Abraço
F.Torres

Publicado por: Morfeu em novembro 8, 2009 12:30 AM

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