novembro 18, 2009

Terra: pequena grande história...

Equiparando o Tempo da sua formação com as nossas convencionais 24 horas...vejam e aprendamos com esta pequena/grande história e sua possível lição para nós seres humanos...

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outubro 03, 2009

Mais vale uma hora de ciência do que...


...cem anos de ignorância. Um artigo de Alves da Costa, meteorologista.

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setembro 11, 2009

O Tempo, como vivê-lo?

sugiro...

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Hubble: o fascinio do Universo

...quanto mais me fascino, mais o fascínio aumenta...

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setembro 06, 2009

Narcisismo in "Courier Internacional".

Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...

Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...


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junho 06, 2009

O Mito do "Cuidado"...

"Uma vez, ao atravessar um rio, o 'Cuidado' viu terra argilosa. Pensativo, tomou um pedaço de barro e começou a moldá-lo. Enquanto contemplava o que tinha feito, apareceu Júpiter. O 'Cuidado' pediu-lhe que insuflasse espírito nele, o que Júpiter fez de bom grado. Mas, quando quis dar o seu nome à criatura que havia formado, Júpiter proibiu-lho, exigindo que lhe fosse dado o dele. Enquanto o 'Cuidado' e Júpiter discutiam, surgiu também a Terra (Tellus) e queria também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora ela a dar-lhe um pedaço do seu corpo. Os contendentes tomaram Saturno por juiz. Este tomou a seguinte decisão, que pareceu justa: 'Tu, Júpiter, deste-lhe o espírito; por isso, receberás de volta o seu espírito por ocasião da sua morte. Tu, Terra, deste-lhe o corpo; por isso, receberás de volta o seu corpo. Mas, como foi o 'Cuidado' a ter a ideia de moldar a criatura, ficará ela na sua posse enquanto viver. E uma vez que entre vós há discussão sobre o nome, chamar-se-á 'homo' (Homem), já que foi feita a partir do húmus (Terra)'."

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fevereiro 28, 2009

Deus e a Liberdade de Expressão...

... trata-se, antes de mais, de um acto de liberdade de expressão. No quadro do respeito pela lei, todos têm direito a manifestar as suas opiniões e crenças. Este direito é, evidentemente, extensivo aos ateus.

Ver também artigo anterior acerca do tema.

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janeiro 21, 2009

Quadros interactivos, o futuro já!

O admirável mundo novo da interactividade...a música do gesto...relatório minoritário à disposição da escola....

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janeiro 15, 2009

Simplesmente...Futuro!

sugiro...

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novembro 24, 2008

Dia da Ciência:Poema para Galileu

sugiro...

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novembro 15, 2008

Deus e Darwin, sg/ A.Borges

Uma pedagógica reflexão de A.Borges, cuja leitura...
sugiro...
sugiro...

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outubro 21, 2008

Ciência e religião...

sugiro...

Publicado por morfeu às 10:29 PM | Comentários (13) | TrackBack

O Sol como solução...

sugiro...

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setembro 20, 2008

"O bosão de Deus..."

sugiro...

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agosto 15, 2008

Alternativas

...que implicarão, caso a escravidão petrolífera acabe, mudanças na própria sociedade...quando?..

Publicado por morfeu às 10:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 02, 2008

Eles estão por aí ...

Sem comentários...

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maio 14, 2008

Pode a web ser triste?... sugiro.

Artigo de José Vítor Malheiros, in Público de 14-05-08

Ted Nelson acha que a Web é uma tristeza
14.05.2008, José Vítor Malheiros
Considera-se um filósofo e um poeta e sente-se mais próximo do cinema que da informática. O criador do hipertexto veio a Lisboa dizer que não devemos desistir dos nossos desejos
"Toda a gente está à espera que eu morra para poderem dizer como admiravam o meu trabalho. Mas ninguém me apoia." A frase, citação de Orson Welles, serve de epígrafe à página pessoal de Ted Nelson na Web. É fácil perceber que ele a subscreve e há razões para isso.
Ted Nelson é considerado universalmente como um dos visionários mais estimulantes do planeta, um dos inventores mais inovadores e um dos pais da World Wide Web. Mas, apesar disso, tenta há quase 50 anos concretizar um projecto grandioso que muita gente pensa que poderá revolucionar o mundo sem ter tido senão pequenos êxitos e apoios esporádicos. O que é tanto mais estranho quando se sabe o título pelo qual o investigador costuma ser apresentado: Ted Nelson é "o pai do hipertexto", um conceito que criou em 1963 e que está na base da World Wide Web de hoje.
Nelson, nascido em 1937 nos EUA, estudou filosofia, fez um mestrado em sociologia em Harvard e o doutoramento no Japão, na Universidade Keio, sobre Filosofia do hipertexto, mas confessa que sempre teve dificuldade para se identificar profissionalmente. A classificação mais próxima do seu coração é a que foi usada pela ministra da Cultura francesa Catherine Tasca, quando o condecorou com a Legião de Honra, em Março de 2001: "um filósofo e um poeta."
Na conferência que Ted Nelson proferiu anteontem na Universidade Atlântica, em Barcarena, (antes disso tinha estado em Lisboa numa mesa-redonda sobre Estratégias para a Sociedade do Conhecimento, a convite do programa europeu Interreg) disse que aos 22 anos se considerava "filósofo e realizador de cinema" e que hoje prefere dizer-se um "humanista de sistemas". Mas vai repetindo que não é um tekkie mas sim um "media guy" - o pai era realizador de cinema e a mãe actriz - e que o que o preocupa são as interfaces.
O que quer este homem, hoje investigador convidado do Internet Institute da Universidade de Oxford? Quer um sistema que permita a toda a gente ter acesso a toda a espécie de documentos - textos, vídeo, música -, usá-los, modificá-los, anotá-los, publicá-los, usar pedaços... Mas isso não é a Web? Pergunte-se e Nelson espuma. Para se acalmar e responder em tom contido: "A Web é fantástica, eu passo quatro horas por dia na Web, mas a Web só permite fazer uma pequena parte das coisas que desejamos." O quê? Não se pode abrir um texto e fazer umas notas à margem, se um texto incluir uma citação de outro não posso ir ver o documento original (só se tiver feito previamente um link à mão), etc.
A visão de Xanadu
Fale-se de hipertexto na Web e Nelson pode irritar-se. O "seu" hipertexto, o verdadeiro hipertexto, aquele que ele inventou em 1963, que descreveu num artigo em 1965, que ele tem andado a vender desde então, não é composto por estes miseráveis links de sentido único que existem no HTML, que existem nesta triste Web: os seus links - que, conforme as funções, ele chama "transclusões" ou "flinks" ou "clinks" - permitem ligações de dois sentidos, para saber que links existem para o documento que eu estou a ler; permitem fazer links de uma palavra para "n" sítios diferentes e muitas mais habilidades.
A conferência que Nelson deu em Barcarena, para uma pequena sala apenas meio cheia, foi dedicada a um novo tipo de bases de dados a que chama "estruturas Zig Zag" (ou "zizi structures"), mas não sem antes apresentar a filosofia geral da sua visão, Xanadu, um projecto nascido em 1960 e que tenta financiar desde sempre com reduzido êxito. O que é Xanadu? A visão ocupa todos os textos de Nelson e não é simples. À primeira vista parece que fala da Web - é um sistema onde todos os documentos podem ser acedidos, modificados, fundidos, onde todos os documentos são hipermédia (outro conceito de Nelson), onde som e vídeo se misturam com gráficos e texto. Mas quando se aprofunda um pouco o conceito... tudo muda e percebemos como a Web é limitada: Xanadu é o nosso sonho tornado realidade, em Xanadu tudo é possível.
Cada documento desta nova Web pode ser modificado por toda a gente, mantendo todas as versões possíveis; quando se faz copy-paste de um parágrafo de um texto para outro isso cria um link permanente para o texto-fonte; as imagens ou os vídeos têm a dimensão que queremos quando os vemos (as fotos têm um "tamanho" no papel, mas os computadores não são papel e não precisam de ter essa limitação); e se pode usar todo o material que quisermos mesmo que esteja protegido por copyright porque, quando usamos um pedaço de um texto com direitos, fazemos um micropagamento (outro conceito de Nelson) ao seu autor sem necessidade de negociação prévia. É a total liberdade de criação e a justa compensação aos criadores. É um mundo onde nada se perde, onde tudo está ligado a tudo, onde a citação é sempre possível e sempre atribuída e onde a colagem e a recombinação são ubíquos.
Os seus desejos para os computadores são simples: Nelson não acha aceitável que seja preciso um programa para abrir um texto e outro para ver um filme. Ou que não se possa escrever nas margens do livro que se está a ler no ecrã. Ou que as versões não coexistam todas. Ou que um ficheiro possa ter metadados mas uma parte de um ficheiro não. Nelson não aceita que, nos computadores, as páginas estejam atrás de um vidro. Tudo o que é possível no mundo real tem de ser possível na Web (ups!, em Xanadu) e muito mais. O mantra é simples: é o computador que tem de se adaptar aos desejos das pessoas e não as pessoas ao computador.
Xanadu pode ser um conceito difícil de concretizar, mas uma coisa é certa: quando houver, eu quero.

Publicado por morfeu às 04:23 PM | Comentários (30) | TrackBack

maio 04, 2008

Porque hoje é domingo... da Ascensão.

... como o meu saber continua a ser infimo sobre estas coisas da religião e da espiritualidade, como continuamente sinto o ímpeto de uma busca sem fim definido, valho-me de outros saberes e sentires. Desta forma são sempre enriquecedoras as reflexões dominicais de frei bento domingues o.p. Segue em entrada estendida o seu discorrer sobre ciência e religião, conquistas e limites daquela, sentido, necessidade desta. E, fala-nos também desse suposto mistério que é a ascensão de Cristo para algures não se saberá onde...

Subir aos céus
Frei Bento Domingues O.P. – 2008/05/04(público)

A linguagem das transformações espirituais da existência não se lê nem se interpreta com um dicionário.
1.
O biólogo Francisco José Ayala, membro da Academia Nacional da Ciência dos EUA, tem dedicado a sua vida ao estudo da evolução. Para ele, religião e ciência não são inimigas.
Ao apresentar, em Espanha, o seu último livro (1), o jornal El Mundo fez-lhe algumas perguntas. As suas respostas interessam.
A primeira pergunta é daquelas que aparecem sempre nestas circunstâncias: será possível conciliar religião e ciência?
A resposta também já se tornou um lugar-comum entre os que não gostam de cultivar confusões: religião e ciência tratam de coisas distintas.
Perante o debate público, que irrompeu nos EUA em 1991, sobre o chamado "Desígnio Inteligente" (2), F. Ayala não se contenta em dizer que são coisas distintas. Para ele, os que propõem o "Desígnio Inteligente" são, precisamente, os que vão contra Deus porque procuram usar a ciência para demonstrar a sua existência. Além disso, se essa teoria estivesse certa, seria uma blasfémia. Implicaria que Deus é incompetente porque desenha mal as coisas e, por outro lado, é cruel, pois cria predadores.
Por exemplo, o nosso olho é mais deficiente do que o dos polvos. Será que Deus tem mais apreço pelos polvos do que pelos humanos?

Quando lhe perguntam se há cientistas crentes, responde que isso não é incompatível. Um Deus pessoal, como nas religiões monoteístas, está presente em todos os indivíduos. Isso não significa que nos desenha, mas que nos inspira valores morais.
Há uma escola de teologia evolutiva que sustenta que a presença de Deus também evolui.
O entrevistador insiste: não terá a religião surgido como resposta a enigmas sem resposta que a ciência vai solucionando?
Para F. Ayala, a religião nasce de uma necessidade biológica dos humanos, pela consciência da existência e pela consciência de que vamos morrer. Há uma inclinação para a angústia e isso leva ao enterro dos mortos e à necessidade de acreditar em algo transcendental, comoDeus. Nasce também como resposta aos enigmas da vida que se vão resolvendo e, sob esse aspecto, o papel da religião vai diminuindo.
A ciência, porém, não é solução para o problema existencial e é este que nos faz crer na vida do além.

A vida do além implica a existência de uma alma imortal?
Resposta do biólogo: a ciência não pode responder. Isso é algo espiritual e a ciência fala de processos naturais. Aliás, sobre a mente, sabemos que o cérebro existe, como comunicam os neurónios, mas não como se convertem esses sinais eléctricos em ideias e sentimentos, nem como chegamos a ter consciência pessoal. Não quero, por essa razão, fixar a ideia de alma na mente.
O entrevistador veio logo com uma resposta: a religião diz que a existência tem um sentido e a ciência diz que a evolução foi fruto de adaptações e mutações. O biólogo acrescenta: sim, houve mutações. No entanto, a evolução não é fruto do azar, mas da selecção natural. Somos uma espécie entre milhões. Todavia, a ciência não nos diz para onde vamos.
A religião dá sentido à vida.

2.
Se a religião dá sentido à vida, as expressões desse sentido serão plurais. As religiões são diferentes. Aqui, interessa-me destacar um dos aspectos que a convicção cristã assume neste Domingo da Ascensão de Cristo aos Céus. Se a abordagem da fé não é a da ciência, é de boa higiene mental partir do princípio de que não estamos a falar de um lugar nem das vias de acesso a esse espaço que pudesse ser observado e descrito por qualquer ciência ou técnica, como se Jesus fosse um dos precursores dos astronautas. Basta de representações ridículas da fé. Na pregação, na catequese e na teologia, temos de reflectir sobre a linguagem que a Bíblia e o Credo cristão usam. As "leis" da linguagem simbólica, metafórica, parabólica, poética e narrativa existem para sugerir, dão que pensar, mas não obedecem a uma ligação circunscrita entre os significantes e os significados. Esse tipo de explicações mata a música da linguagem e não dá conta das transformações a que ela convida. A linguagem das transformações espirituais da existência não se lê nem se interpreta com um dicionário.

3.A Ascensão é a linguagem da fuga à manipulação política de Cristo pelas Igrejas. Jesus tinha vencido essas tentações, mas nunca estarão definitivamente resolvidas. Os Actos dos Apóstolos, a primeira história da Igreja, começam por essas permanentes ambições dos discípulos: "Senhor, será agora que ides restaurar a realeza em Israel?" (Act 1, 6). Cristo parece cansado com essa pergunta recorrente. Dissera tantas vezes que não veio ao Mundo para mandar, mas para servir a esperança e a transformação da vida e eles sempre na mesma... Agora, confessa que só o Espírito de Deus lhes poderá dar a volta e é o único dom que ele tem para a Igreja.

É também recorrente a pergunta: onde estarão as pessoas que amamos e morreram? Não aconselho ninguém a ir ao cemitério. Creio que estão no coração de Deus, a casa definitiva de todos. Se me perguntam onde é e como é, atrevia-me a dizer que é tão grande como o amor de Deus, tão invisível e presente como Ele. Não procuro outro Céu.

(1) Darwin y el Diseño Inteligente, Alianza, 2008.
(2) Sobre o debate sobre o "Desígnio Inteligente", cf. Francis S. Collins, A Linguagem de Deus, Lisboa, Presença, 2007

Publicado por morfeu às 10:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 12, 2008

Telemóvel ...simplesmente.

...na continuidade do post anterior, no que toca a ambiente tecnosocial, eis mais uma excelente achega de Pacheco Pereira, no Público de hoje, acerca deste ícone dos nossos tempos que, na sua aparente inocuidade despedaça o modus vivendi a que todos nós mais coisa menos coisa estavamos habituados...segue o texto em entrada estendida com a devida vénia ao autor e ao jornal Público.

O telemóvel
José Pacheco Pereira – 2008/04/12 (público)

O objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel.
Um telemóvel esteve no centro do momento público mais dramático da educação portuguesa nos últimos tempos. Uma semana antes do telemóvel, foi uma manifestação de professores. Uma semana depois da manifestação, uma senhora magra e baixa de gabardina branca, pequena e frágil, a lutar contra uma adolescente gigante, feita de cereais matinais e vestida de escuro. Na mão das duas, agarrado pelas duas, está um objecto que não existia há dez anos, um telemóvel pequeno que cabe num bolso dumas calças de ganga.

No episódio a que me refiro, e que passou na televisão centenas e centenas de vezes, não há um, mas dois telemóveis, um que está no centro da luta, outro que filma. À volta do telemóvel que filma está uma turma do ensino secundário, está uma escola da cidade do Porto, está Portugal, está a Europa, está o mundo inteiro.

Está o YouTube.

O pequeno objecto é o mais ubíquo de todos os objectos que existem hoje em Portugal, mais visível do que outro objecto tão omnipresente como o telemóvel e tão subversivo socialmente como o telemóvel: o relógio de pulso. Telemóvel e relógio são instrumentos de poderosas transformações sociais que eles revelam tanto como potenciam. Não são eles por si só que produzem essas transformações, porque nenhuma tecnologia por muito nova e revolucionária exerce efeitos sociais sem a "sociedade" estar preparada para a usar, sem que corresponda ao tempo e ao modo, à forma, às correntes de mudança da sociedade que já estão em curso e "descobrem" o objecto acelerando o seu curso com ele.

É o caso do relógio que saiu do laboratório das excentricidades, um pouco como precursor de um Meccano ou um Lego moderno, ou de um jogo de habilidade mecânica, ou de um objecto de luxo tão curioso como inútil, para se transformar numa necessidade tão vital que biliões de homens o trazem no pulso. Se exceptuarmos o uso dos relógios nos navios para calcular a longitude, os relógios não serviam para nada quando a esmagadora maioria das pessoas trabalhava de sol a sol, ou ao ciclo das estações, e estas dependiam de um calendário que estava escrito nos astros. Calendários eram precisos, relógios não eram precisos, até ao momento em que a Revolução Industrial apareceu e mudou quase tudo por onde passou. Milhões de pessoas vieram dos campos para as cidades, para as fábricas e para as minas, e precisavam de horas. O relógio subiu primeiro para as torres ou para o centro da fachada neoclássica das fábricas e lá continuou, passando depois para dentro, e depois para o bolso dos ricos e por fim para o pulso de todos. Hoje o relógio ordena o nosso tempo com um rigor muito para além do biológico e manda no nosso corpo, como nenhum objecto do passado. É tão presente que parece invisível, nem damos por ela que está lá, é parte do nosso corpo, mais do que objecto estranho. Um figurante do Ben Hur esqueceu-se dele, e nos filmes há quem vá para a cama sem ser para dormir, só vestido no pulso.

O telemóvel é o objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais desde que existe. Não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel. E continua a mudar sem darmos muito por isso, porque a mudança se faz de forma desigual, quer no que muda, quer em quem muda. Dito de outra maneira, muda certas coisas nos jovens e muda outras nos adultos e os seus efeitos estão longe de ter terminado ou sequer de se saber até que ponto de transformação vão. Uma coisa é certa, o telemóvel, ou seja um instrumento de contacto instantâneo e portátil entre mim e todos e todos e mim, que usa predominantemente a voz e, daqui a poucos anos, usará a voz e a imagem, emigrará para ainda mais perto de mim, para a minha roupa, para os meus ouvidos, como já emigrou para as paredes do meu carro. O que ele transporta não é uma ficção, não é um avatar ou um nick mais ou menos anónimo, não é a minha prefiguração virtual como no Second Life ou nas caixas de comentários ou nos blogues anónimos, é a minha voz, a minha imagem, ou seja, eu. Não seria tão poderoso se fosse um instrumento do meu teatro virtual. Bem pelo contrário, é uma encarnação da minha persona, é o meu lugar na sociabilidade dos outros.

Por isso, luta-se por um telemóvel, porque num telemóvel de um adolescente está muito do seu mundo: telefones dos amigos, telefone dos namorados, passwords, fotografias, mensagens, vídeos, o equivalente a um diário pessoal, em muitos casos mais íntimo que um diário à antiga, com a sua chavinha de brincar que dava a ilusão de que ninguém o lia. À medida que se caminha pela idade acima o conteúdo do telemóvel muda, mas continua pessoal e intransmissível, com os SMS comprometedores que arruínam muitos casamentos, até se tornar quase um telefone de emergência que os filhos dão aos pais com os números deles já gravados e os das emergências: "é só carregar aqui e eu atendo, se houver qualquer problema, assim não se sente sozinho." Sente.

Mas as mudanças não se ficam por aqui. Já escrevi sobre algumas, como a presentificação obrigatória, a obrigação socialmente exigida de se estar sempre presente, porque o corpo e o telemóvel vão juntos. Deixou de se poder estar longe de um telefone, já para não dizer que se deixou de poder não ter telemóvel. A recusa de dar um número de telemóvel é tida como uma má educação ou uma insensata e insociável vontade de não estar disponível. Com o telemóvel está-se sempre disponível, ficam sempre os recados, queira-se ou não recebê-los, e o novo código do telemóvel exige que haja sempre resposta. Por que razão tenho eu que receber recados que não solicitei, e dar respostas que posso não ter tempo ou disponibilidade ou vontade para dar? Não posso, porque a máquina não aceita um não por resposta, ela vive do tráfego, e deseja mais tráfego. Por isso oferece-me voice-mail, e-mail no telemóvel, mensagens, sem eu o pedir.

Nos mais jovens o telemóvel é apenas mais um instrumento para a completa insensibilidade à perda de privacidade e intimidade. Crescendo num mundo que não preza e não educa para esses valores, um mundo que incentiva a exposição pública, o telemóvel fornece um meio de registo, incorporando a máquina fotográfica e o vídeo, no qual qualquer fronteira entre o que é público e privado se esbate. Qualquer um é um paparazzi de si próprio e dos outros e o rapaz que filmou o vídeo em glória do 9.º C da escola Carolina Michaëlis estava a pensar nessa dimensão lúdica e social do YouTube onde a vã glória de maltratar uma professora ou de uma fight na turma iriam dar fama na rede de chats e no Hi5 onde milhares de raparigas, adolescentes ou já nem tanto, se mostram em poses provocadoras, já para não falar no resto. Não sei se quando crescerem se vão arrepender, mas então já será tarde, porque uma vez na rede sempre na rede.

Por último há o controlo, o magnífico instrumento de controlo que é o telemóvel, pessoa a pessoa, numa rede que prende os indivíduos numa impossível fuga àquilo que é o objecto sempre presente, sempre ligado (os telemóveis desligados são de desconfiar), no qual a primeira pergunta é sempre "onde tu estás?", uma pergunta sem sentido no telefone fixo, esse anacronismo. Adolescentes jovens ou tardios, casais, maridos, mulheres, amantes, namorados, patrões e empregados, jogam todos os dias esse jogo do controlo muito mais importante do que a necessidade de falar ao telemóvel. Na verdade a esmagadora maioria das chamadas de telemóvel não tem qualquer objecto ou necessidade de ser feita, ninguém as faria num mundo de telefones fixos, que não seja pelo controlo, pela presentificação do indivíduo no seu jogo de inseguranças, solidões, afectos, e medos, através da caixa electrónica que se segura numa mão.

Não é a necessidade que justifica a presença quase universal dos telemóveis desde as crianças de seis anos até aos velhos, os milhões de chamadas a qualquer hora do dia, em qualquer sítio, da missa à sala de aulas, do carro à cama, é o complexo jogo de interacções sociais que ele permite, sem as quais já não sabemos viver. Viver num mundo muito diferente e cada vez mais diferente.

Historiador

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março 20, 2008

Arthur C. Clarke II

...to the moon and beyond...

20.03.2008, João Barreiros(in Público)


Para Clarke apenas importava o conteúdo, a mensagem, não a forma. Importava optimizar a ciência. Importava mostrar que o futuro era possível graças ao conhecimento bem aplicado

Vivemos hoje no futuro sonhado pelos autores da ingénua Idade do Ouro da Ficção Cientifica (FC) e este futuro que hoje habitamos não poderia ser mais diferente. O século XX acabou com o desabar das Torres, e nessa pequena hecatombe foram-se os amanhãs dos três fundadores da moderna FC pura e dura: Clarke, Asimov e Heinlein. Agora só existem na nossa memória colectiva, memória essa que só sobreviverá se os seus livros continuarem a ser editados num mundo que cada vez mais se distancia da palavra escrita. Os "bombeiros" de Bradbury afinal nunca chegaram a ser necessários. Não é preciso queimarem-se livros sob o sopro do lança-chamas para que eles deixem de ser lidos.
Porque afinal quem quer hoje saber se os robôs têm de se subordinar às três leis que lhes impõem o respeito pelos seres humanos, se a Psico-história consegue determinar - graças a umas quantas equações inventadas por Hari Seldon - a queda dos Impérios Galácticos, ou se o mundo que nos espera - numa perspectiva a la Heinlein - será uma sociedade libertária onde todos terão o direito constitucional de transportar uma pistola ao cinto. O século XXI acabou de uma vez por todas com as utopias sorridentes, com os robôs compassivos sempre interessados no nosso bem-estar, com engenheiros adolescentes mas com preparação técnica suficiente para conseguirem reparar os geradores de uma nave com apenas uma mola e um fio de arame. Com a explosão da Challenger pôs-se um ponto final nas viagens espaciais rumo a Júpiter e aos braços abertos de um Deus tão complexo quanto Impassível. A diáspora sonhada pela Idade do Ouro morreu no berço.
Vivemos numa era onde o optimismo não vinga. Para trás ficaram as torres de ferro forjado do Gernsback a estenderem-se contra o azul de um céu impoluto, os heligiros a deslizarem sob os ventres bojudos dos dirigíveis, as passadeiras rolantes (a fazer as vezes de passeios pedonais) a transportarem uma população jovem e produtiva rumo aos lares de famílias respeitosamente monogâmicas. O futuro chegou, enfim, mas sem uma única canção que o acompanhe.
Agora que Clarke também partiu rumo a esse Grande Nada, dele só resta uns quantos cabelos a orbitarem em torno da Terra, e a obra, claro, um pouco perdida nos extractos geológicos das nossas bibliotecas.
Estilo asséptico
Clarke envolveu-se nos círculos da FC mesmo antes da Segunda Grande Guerra, mas o seu primeiro conto publicado, Loophole só aconteceu em 1946. Por esta altura, os pulps publicados no Reino Unido, tinham primazia sobre os seus parceiros importados da distante América. O papel era caro e a qualidade de impressão destas revistinhas vendidas nos escaparates dos quiosques dos jornais - ao lado dos comics onde os super-heróis lutavam ainda contra os espiões nazis - deixava muito a desejar. O tempo de vida de uma destas publicações era limitado. Mas que importa isso para esses adolescentes de doze anos que iam lê-las às escondidas, longe dos olhares parentais, entre as páginas dos compêndios de matemática?
Ao contrário dos cientistas loucos que apareciam nas capas - com um ar vagamente germânico ou nipónico, sem esquecer os proverbiais monstros de olhos esbugalhados - os contos de Clarke surgiam com uma limpeza quase asséptica, focavam-se num único problema científico, e geralmente tinham um espigão na cauda para garantir a surpresa final. Infelizmente Clarke nunca foi um grande estilista e essa falta nunca melhorou em todos estes anos de escrita. A escrita sempre foi pesada, sem a leveza poética de um Bradbury ou as cintilações coruscantes de um Alfred Bester. Para Clarke apenas importava o conteúdo, a mensagem, não a forma. Importava optimizar a ciência. Importava mostrar que o futuro era possível graças ao conhecimento bem aplicado. Mas que esse conhecimento - principalmente quando este é limitado ou excesso - também acarretava perigos.
Em 1951 publicou o conto A Sentinela que serviu de base ao filme do Kubrick. Resta dizer que os alienígenas do Clarke nunca foram de contacto fácil. Não porque sejam imperialistas canibais, mas pura e simplesmente porque são distantes, demasiado evoluídos, ou já extintos pela supernova de Belém, como no famoso conto A estrela. E sobre as vidas de cada um de nós - infelizmente Clarke nunca conseguiu dar um corpo real às suas personagens - estendia-se uma perspectiva cósmica, um universo imenso onde as outras espécies poderiam já ter chegado próximo do ponto Ómega e por consequência não queriam saber de nós para nada, pequenas formiguinhas que somos a fugir das botas do Absoluto.
No Encontro com Rama, um grupo de astronautas investiga uma nave imensa, alienígena, que passa pelo nosso sistema solar em piloto automático. Nos poucos dias que dura a exploração, os humanos nunca chegam a encontrar os verdadeiros tripulantes. Em 2001 Odisseia no Espaço e suas sequelas, os criadores do Obelisco (it"s full of stars) reacendem Júpiter - destruindo todas as espécies que habitavam os oceanos de hidrogénio - proíbem aos humanos a colonização do satélite Europa, transformam o primeiro piloto num super-embrião com poderes divinos, e depois desaparecem de cena sem dizerem "água vai".
Revolução conceptual
Na Idade do Ouro (Childwood"s End) um dos seus melhores romances, alienígenas que se assemelham aos demónios bíblicos ajudam as crianças da Terra a darem o salto conceptual rumo à Singularidade e, com esta pequena ajuda, destroem a totalidade do sistema solar. The City and the Stars, é um dos mais famosos exemplos da "revolução conceptual" na história da FC. Num futuro distante, o jovem Alvin, que vive na última - pelo menos ele assim o julga - cidade da Terra, prisioneiro de uma daquelas tecno-utopias compulsivas onde tudo nos é dado e nada nos é pedido em troca, resolve fugir, visita mais outra Cidade desta feita uma ecotopia, descobre uma nave espacial abandonada há milhares de anos e visita o universo, ou o que dele resta. Por esta obra perpassa um sentimento de perda e ao mesmo tempo de mística intensidade, tão cara ao seu espírito de metafísico positivista. Nas Nascentes do Paraíso (Fountains of Paradise) Clarke defende a construção de um elevador orbital, uma mega cabo de monofilamento em fibras de carbono, com base em Sri Lanka, e terminando num asteróide em órbita geo-saincrónica, capaz de substituir o sistema de vaivéns convencional. Mas a narrativa peca já por uma visão demasiado simplista do entendimento entre os vários credos religiosos, por uma quase total ausência de tensão psicológica. O romance do Charles Sheffield, Web Between the Worlds publicado precisamente no mesmo ano (1980) e versando o mesmo tema, é bem mais interessante.
Segundo o crítico John Clute, a FC é uma profunda homenagem ao século que já passou, com todos os seus defeitos, esperanças, belezas e horrores. Sendo assim, Clarke é, e continuará a ser, aquela figura que representa os entusiasmos optimistas dos anos 50, onde tudo existia ainda ao nível das possibilidades.


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20.03.2008, Pedro Ribeiro(in Público)


Arthur C. Clarke, escritor inglês, será lembrado sobretudo como o autor de 2001 e por ter idealizado o satélite de telecomunicações. Morreu ainda à espera que a humanidade parta para o espaço, de um telefonema do E.T.,
e de paz na sua nação adoptiva

Em Dezembro, Arthur C. Clarke colocou um vídeo no YouTube para assinalar o seu aniversário. Nesse vídeo, expressou três desejos para o futuro. Que a humanidade abandonasse "a dependência do petróleo" e encontrasse fontes alternativas de energia; que a sua nação adoptiva, o Sri Lanka, encontrasse a paz; e que fosse descoberta "alguma prova de vida extraterrestre": "ainda estamos à espera que o E.T. telefone."

Não houve tempo para que nenhum desses desejos fosse cumprido. Três meses depois, Clarke morreu na sua casa em Colombo, devido a problemas respiratórios e cardíacos. Tinha 90 anos.
Antecipando a iminência do fim ("perguntam-me como é completar 90 órbitas à volta do Sol; diria que não me sinto um dia mais velho que os 89 anos"), Clarke delineou nesse vídeo o seu próprio epitáfio: "Acima de tudo, quero ser lembrado como um escritor, capaz de entreter os leitores e de expandir as suas imaginações."
Comecemos então por recordar Clarke, o escritor. Foi autor de 2001, o livro que, graças ao filme de Stanley Kubrick, mais o popularizou. Mas também escreveu Rendez-Vous com Rama, A Idade do Ouro, Canções de uma Terra Distante e dezenas de outros romances, contos, ensaios, livros de divulgação científica.
Ainda este mês, fez a revisão final de The Last Theorem, escrito em parceria com outro dos nomes maiores da ficção científica anglo-saxónica, Frederik Pohl. No ano passado, dissera à BBC que este deveria ser o seu "último romance", mas acrescentou: "Não é a primeira vez que digo isto."
Satélites e astronautas
A sua obra foi sempre influenciada por uma crença positivista na ciência como motor do progresso humano. Os grandes temas dos seus romances eram as implicações filosóficas do contacto com civilizações extraterrestres e o espaço sideral como destino inevitável da espécie humana.
Escreveu romances de ficção científica num estilo semelhante ao de contemporâneos como Isaac Asimov, Larry Niven ou Vernor Vinge, herdeiros de Júlio Verne ou H.G. Wells: ficção científica hard, isto é, com grande atenção aos pormenores científicos (a distinção faz-se em relação a autores de ficção científica como Philip K. Dick ou Ray Bradbury, que usavam cenários espaciais ou futuristas para explorar a condição humana, sem pretensões de realismo).
Tal como Verne conseguiu "prever" o submarino ou as viagens espaciais, Clarke também concebeu os satélites geostacionários como instrumento para as telecomunicações (embora não num romance, mas num artigo científico - pelo qual foi pago 15 libras em 1945).
Era também um proponente do conceito do "elevador espacial" - plataformas geostacionárias que serviriam para facilitar o transporte de pessoas e materiais no espaço, sem necessidade de foguetões.
O maior impacto de Clarke terá sido, contudo, a sua capacidade de "expandir as imaginações dos seus leitores". O New York Times recordou uma das suas frases: "A maior parte dos feitos tecnológicos foram precedidos por pessoas que os imaginaram. Estou certo que não teríamos tido homens na Lua sem Verne. Sinto-me bastante orgulhoso de ter conhecido vários astronautas que se tornaram astronautas por terem lido os meus livros."
Arthur Charles Clarke nasceu no Somerset (Sudeste de Inglaterra) nos últimos dias da I Guerra Mundial. Nos anos 40, trabalhou com a equipa britânica que concebeu o sistema de radar.
No dealbar da "era dourada" da ficção científica, publicou vários contos e romances. Em 1956, foi viver para o Ceilão (hoje Sri Lanka), onde passou o resto dos seus dias.
Além de romancista, Clarke foi um dinâmico divulgador da ciência, especialmente em tudo o que estava relacionado com a exploração do espaço. Sobrevive-lhe uma fundação com o seu nome (na Internet em www.clarkefoundation.org), dedicada a estimular a pesquisa científica nos campos que lhe eram mais caros.
Clarke não era supersticioso nem religioso, mas tinha um fascínio pelo misticismo. Nos anos 80, colaborou em duas séries televisivas sobre fenómenos estranhos e mistérios da natureza - muitos lembram-se da série que começava com o crânio de cristal, O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke, que passou na RTP em 1983.
A sua herança mais duradoura será, provavelmente, o filme 2001 - Odisseia no Espaço, realizado por Stanley Kubrick. A semente do filme está num conto de Clarke, Sentinel, que especulava sobre a interferência de uma inteligência extraterrestre sobre a história humana.
O filme é uma criatura substancialmente diferente - uma criatura mais de Kubrick que de Clarke. Os dois colaboraram no argumento; a partir dele, Kubrick fez um filme, Clarke escreveu um livro.
O filme, dominado pela visão artística do cineasta americano, é misterioso, deliberadamente ambíguo e parco em diálogos. O livro é bastante mais "expositivo".
Clarke escreveria três sequelas - 2010 (de que também resultou um filme, realizado por Peter Hyams), 2061 e 3001. Como aconteceu com quase todos os colaboradores de Kubrick, a relação entre Clarke e o cineasta não foi fácil; no entanto, apesar das disparidades entre 2001-o-livro e 2001-o-filme, Clarke mostrou-se sempre muito satisfeito com os resultados de ambas as obras.
A era dourada vem aí
Como acontece a quase toda a ficção científica, o futuro de 2001 já está no passado. Tal como em outras obras de Clarke, alguns elementos desse futuro concretizaram-se antes do tempo; outros ainda estão muito distantes.
A fase inicial da exploração espacial correu mais depressa do que Arthur C. Clarke esperava (nos anos 50, ele previa a chegada do homem à Lua só na década de 70). Mas outras não.
Tivemos Sputnik, Laika, Gagarin, Armstrong; e, depois, tivemos muito pouco. Não temos uma rede de estações espaciais orbitais; não temos colónias permanentes na Lua ou em Marte; a humanidade ainda não chegou ao planeta vermelho, quanto mais a Júpiter. O E.T. ainda não telefonou.
Com o fim da Guerra Fria, o entusiasmo pela colonização do sistema solar esmoreceu. O financiamento de agências como a NASA foi reduzido, e a sua missão dirigida para campos mais pragmáticos, com benefícios económicos imediatos.
Em 2004, o Presidente americano George W. Bush tentou reavivar o interesse pela exploração do cosmos, prometendo no seu discurso do Estado da União programas ambiciosos para uma estação permanente na Lua e uma missão a Marte; foi ridicularizado e acusado de querer apenas desviar a atenção dos seus erros de política externa. Nos quatro discursos do Estado da União que se seguiram, Bush nunca mais falou em Marte.
Em vez de um futuro aventuroso no espaço, a evolução tecnológica da humanidade nas últimas décadas trouxe-nos telemóveis e e-mail.
Mas Clarke não se sentia amargo nem derrotado pelo desinteresse das sociedades contemporâneas no sonho que o tinha inspirado. Pelo contrário.
No vídeo que deixou em Dezembro no YouTube, Clarke referia os projectos (ainda incipientes) de turismo espacial e dizia que "a era dourada [da exploração do espaço] está agora a começar".
"Nos próximos 50 anos, milhares de pessoas viajarão na órbita da Terra, e depois para a Lua, e depois para lá dela. As viagens espaciais serão tão vulgares como hoje é voar para destinos exóticos no nosso planeta."
Clarke concluiu a sua mensagem citando Kipling, e descrevendo o estado de espírito que ainda o animava: "Tenho grande fé no optimismo como princípio orientador."

As previsões

20.03.2008


O escritor para quem a tecnologia muito avançada era magia


Arthur C. Clarke escreveu em 2001, no Readers Digest, previsões para os 100 anos seguintes. No que aos primeiros anos do século XXI diz respeito, falhou em quase tudo. Nos parágrafos de preâmbulo do artigo, Clarke admite que muitas das previsões que fez ao longo de décadas falharam, seja porque não chegaram a acontecer, ou porque aconteceram fora da data prevista.
Segundo o escritor, por esta altura, a indústria automóvel estaria a substituir inteiramente os motores a combustível por energia nuclear "limpa". Em 2004, teríamos assistido ao anúncio do primeiro clone humano. E a última mina de carvão teria fechado em 2006.
O artigo no Readers Digest não é o único exemplo de previsões falhadas. Em 1958, Clarke afirmara que estaríamos a colonizar planetas a partir do ano 2000 e que algures na segunda década deste século seríamos capazes de controlar as condições meteorológicas.
Como habitual, porém, uma previsão certa vale por muitas falhadas. E, apesar dos vários erros e imprecisões, Clarke não deixa de ser conhecido por antecipar o futuro.
Uma das mais conhecidas previsões de Arthur C. Clarke foi feita em 1945 e era, à época, praticamente do domínio da ficção científica.
Numa carta ao director da revista Wireless World, Clarke descreveu em traços largos o conceito de satélite de telecomunicações geostacionário - um aparelho que permaneceria na órbita da terra, imóvel em relação a um determinado ponto da superfície e que possibilitaria o envio de sinais de rádio de um ponto do mundo para outro. A previsão concretizou-se 20 anos mais tarde.
Um dos mais populares contributos de um homem que passou boa parte da vida a especular sobre o futuro são as "três leis de Clarke", que essencialmente defendem que tudo é possível desde que não ultrapasse princípios fundamentais da ciência: se um cientista respeitado diz que algo é impossível, está quase de certeza errado, mas se diz que algo é possível, está quase de certeza certo; a única forma de descobrir os limites do possível é ultrapassá-los; qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. J.P.P.


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março 19, 2008

Arthur C. Clarke ... morte e odisseia 2008

Inesquecível pela sua obra e pelo eco inolvidável de Kubrik em Space Odyssey

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março 01, 2008

Do Nada para o Nada, caminhantes ...

nessa contínua e misteriosa busca do Mistério, com a orientação laboriosa de A. Borges

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fevereiro 29, 2008

"Tecno-luxúria"...conhece?

... ainda não se chegou a tanto, por estes lados. A experiência tecnológica de uma escola dos States, que apresento em entrada estendida, dá que pensar. De facto um "grande" e "excelente" professor continua a ser aquele que domina a palavra em toda a sua extensão e compreensão. E...a conversa, ou conversar, continua a ser grátis... para reflectir.

Patrick Welsh +/Washington Post * digital@publico.pt

Qual é o problema dos professores do liceu T.C. Williams?
Em Setembro, fomos transferidos para um edifício que custou 98 milhões de dólares (65 milhões de euros) em Alexandria (Virginia - Leste dos EUA, próximo de Washington), um dos liceus mais caros de sempre. As salas de aula são banhadas por luz natural. Todas têm um projector LCD montado no tecto, que transmite tudo o que eu queira colocar no meu computador portátil (desde leituras de poesia na Biblioteca do Congresso a entrevistas no YouTube com Toni Morrison e outros escritores) para um ecrã gigante na frente da sala.
O comportamento dos estudantes parece ter melhorado muito. Temos um refeitório que parece saído de um centro comercial de luxo, e que parece ter tido um efeito curiosamente tranquilizante, tal como também teve a presença de 126 câmaras de segurança.
Então, seria de pensar que os professores do T.C. estivessem extasiados. Mas passa-se exactamente o contrário.
A moral entre os docentes está ao nível mais baixo e o cinismo no máximo que eu vi em muitos anos. Qual é o problema?
É aquilo a que um antigo superintendente do sistema escolar de Alexandria descreve como "tecno-luxúria": uma doença que afecta gestores de escolas por todo o país e que se manifesta através de uma necessidade insaciável de adquirir os gadgets informáticos mais recentes, mais rápidos, mais exóticos - quer os estudantes precisem deles ou não.

O "liceu das geringonças"

A "tecno-luxúria" encontra-se na sua fase mais avançada no T.C., onde os nossos administradores fetichizaram a tecnologia de tal forma que alguns dos meus colegas descrevem a escola como o "liceu das geringonças".
Por exemplo: foi dito aos professores de ciência e matemática que não podem usar retroprojectores tradicionais para apresentar materiais às suas turmas - apesar de os professores dizerem que, em muitos casos, estas máquinas são superiores aos computadores para transmitir determinados conceitos.
Mas a avaliação dos professores actualmente não é feita pela sua capacidade de explicar a matéria aos alunos: o que interessa é saber se conseguem ter "salas de aula sem papel" - e quantas geringonças usam. Para parafrasear o filme Campo de Sonhos, se uma empresa de informática construir uma maquineta para a sala de aulas, o sistema escolar de Alexandria vai comprá-lo.
O mais recente é o "school pad". Este é um dispositivo portátil que permite ao professor passear-se pela sala de aula e fazer sublinhados no que o projector LCD for mostrando no ecrã. Por outras palavras, serve para poupar aos professores a meia-dúzia de passos necessária a chegar às suas secretárias e clicar no rato.
A administração escolar encomendou 77 "school pads" para o T.C., a um custo de 495 dólares (330 euros) cada um. Isto apesar de uma das professoras ter dito que o dispositivo a fazia lembrar de um brinquedo de infância: "É só uma maneira de gastar dinheiro para pessoas que são preguiçosas demais para escrever no quadro."

O professor ciborgue

Durante algum tempo, julguei que eram só os professores mais velhos como eu, imigrantes no mundo da Internet, que estavam a queixar-se da chamada "iniciativa tecnológica". Mas afinal até os professores mais jovens estão fartos.
"[Os administradores] preferiam ter um ciborgue a dar as aulas em vez de ter-me a mim", disse-me um jovem professor de inglês. "É a tecnologia como um fim em si mesma. O que conta não é ter coisas que funcionem ou ajudem os miúdos a aprender, é ter coisa que façam os administradores parecer dinâmicos, que passem ao público uma impressão de modernidade."
A escola praticamente admite isto no seu site na Internet, onde se pode ler este texto dirigido aos professores: "Imaginem esta manchete: "Escolas públicas de Alexandria reconhecidas pelo seu programa educativo de tecnologia de ponta; Bons resultados dos estudantes correlacionados com a implementação de tecnologias". Que tecnologias é que existem no liceu que podem conduzir a uma manchete como esta?"
Os administradores podem viver de manchetes, mas o objectivo dos professores é que os seus estudantes aprendam. "Os professores não deviam mudar a sua maneira de ensinar para se adaptarem a um engenho tecnológico qualquer", diz Peter Cevenini, director da divisão de ensino básico do Business Solutions Group da Cisco. "Ensinar é uma arte, e grandes professores podem ensinar de formas completamente diferentes. Há demasiadas escolas a tornar-se obcecadas por máquinas; compram engenhos informáticos apenas porque eles existem."

Na aula, a jogar no laptop

Os miúdos não se deixam levar pelas maquinetas. "O meu melhor professor é o professor Nickley", diz Jamal Stone, aluno do 12º ano. "Ele não liga a isso dos computadores. Usa só o quadro - o quadro inteiro. É enérgico, animado, espirituoso e percebe imenso de matemática. Obriga-nos a prestar atenção; não conseguimos distrair-nos nem tentando."
Jamal tem pena de muitos dos "professores sem papel", que estão sempre a tentar fazer os estudantes usar os seus laptops (oferecidos pela escola) na sala de aula: "Os professores julgam que têm os alunos concentrados em trabalho para a aula, quando na verdade estão em jogos de computador ou a surfar na Web", conta. "Quando os nazis dos computadores bloqueiam um jogo, os miúdos descobrem logo outro."
Outra aluna de 12º ano, Katerina Savchyn, confirma que às vezes usa o laptop para fugir ao tédio das aulas - vai para um jogo online chamado Helicopter.
Aliás, os portáteis oferecidos pela escola constituem um problema de várias maneiras. Estudantes queixam-se de perder imenso tempo nas aulas a tentar fazer uploads de programas necessários. Os laptops estão sempre com problemas em ligar-se ao servidor de wi-fi - mesmo depois de, há alguns meses, os "geeks" dos computadores terem ido a todas as salas de aula instalar novas memórias nos servidores. A administração escolar, que se apressou a dar os computadores aos estudantes há três anos, está constantemente a tentar adaptar-se à nova tecnologia.

Carregas no "enviar" e rezas

O que é mais desconcerte é que o excesso de tecnologia está a desanimar alguns professores jovens e talentosos. Um dos melhores na minha escola - um professor que é estimado por estudantes e pelos seus pais - põe as coisas nestes termos: "Há muito de bom nos computadores, mas estamos a ser obrigados a fazer uma quantidade exagerada de actividades neles. Muitas dessas actividades não se adaptam ao meu estilo de ensinar. Temos tantos obstáculos para superar que há dias em que chego à escola e não me sinto entusiasmado. Estas actividades de computadores só servem para nos afastar dos estudantes."
Claro, a grande questão não é se os professores gostam de passar o seu tempo a aprender a usar uma nova maquineta a seguir a outra; o importante é se esta procissão de novas tecnologias está a ajudar os miúdos a aprender. Pelo que vejo, não.
Um professor de matemática disse: "A matemática sai da ponta de um lápis. Não quero a resposta mais rápida; quero que os estudantes sejam capazes de desenvolver a resposta, de descobrir o seu porquê. A administração da escola parece achar que os computadores tornam a matemática fácil - mas a matemática tem de ser um processo complexo, de aprendizagem passo-a-passo."
Estas palavras são confirmadas por um professor de ciências sociais. Mais do que nunca, diz, "os nossos estudantes querem carregar num botão para ter uma resposta imediata de A, B ou C; cada vez menos querem pensar, porque pensar bem demora tempo".
Vejo o mesmo nas minhas aulas. Sobretudo quando é preciso escrever textos. Muitos estudantes enviam-me os trabalhos pela Internet; as margens do documento estão correctas, o tipo de letra é bonito, e a escrita é pior que nunca.
Parece que a regra se tornou: escreves, passas o corrector ortográfico, carregas no "enviar" e rezas.

+Patrick Welsh é professor de inglês no liceu T. C. Williams há mais de trinta anos
*exclusivo PÚBLICO/ Washington Post


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fevereiro 26, 2008

Sphaera Mundi

Pode a ciência cantar...emocionante...

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outubro 10, 2007

Britannica vídeos... "The Outer solar system"

…em inglês…

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agosto 17, 2007

Receitas para a Felicidade... sugiro.

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A leitura do Courrier Internacional, edição portuguesa, é sempre fonte de diversidade. Aconselho vivamente.

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julho 11, 2007

Are you Mr. Harry Potter?

Ciência e Magia ou ciência da magia ou magia da ciência
Página oficial

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junho 23, 2007

O Homem, esse desconhecido... sugiro.

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Então, o enigma é este: provimos da natureza, mas contrapomo-nos a ela, somos simultaneamente da natureza, na natureza e fora dela."

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março 01, 2007

Do extraordinário em mim ...matemática ...

« L'essence des mathématiques, c'est la liberté. »
Georg Cantor

(in wikipédia, version francesa)

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janeiro 27, 2007

... "turista nos templos de Deus" ... sugiro.

|Li a sua autobiografia. Vi que tem uma religião. É crente. Posso perguntar-lhe se não acha que, como cientista, está a mexer em domínios de Deus?

|Não, creio que não. Penso que Deus (seja Deus o que for!) foi mais inteligente do que nós. Costumam perguntar-me o que é um cientista. Eu diria que o cientista é um turista nos templos de Deus. O mecanismo que descobrimos não é nosso. Existe há milhões de anos. Nós nada inventámos (é esta a grande diferença). O mecanismo foi criado por Deus, pela evolução, pelo que quer que fosse... Já existia. Nós limitámo-nos a torná-lo conhecido e disponível para ser estudado e manipulado em benefício da humanidade.

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janeiro 12, 2007

Afinal o Paraíso existe!

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(...) Nos últimos tempos, João Magueijo só tem trabalhado "de vez em quando" na questão de a velocidade da luz poder ter sido superior aos 300 mil quilómetros por segundo. Se a matéria escura, ou invisível, é ou não necessária para explicar o Universo é um dos temas em que pensa no Perimeter.
Criado em 1999, o instituto "tem um ambiente muito criativo". "É um paraíso para a investigação. Não tenho de dar aulas. Também é um bocado estranho: as pessoas não fazem mais nada do que investigação. Há muitas coisas novas a sair dali."

Sem comentários...

A inconstância das constantes da natureza vista por João Magueijo
Teresa Firmino(in Público,12 de Janeiro de 2007)


O físico português deu uma palestra em Lisboa sobre o tema que o tornou conhecido fora da comunidade científica

As leis da física podem mudar? As constantes da natureza podem ser inconstantes? Estas perguntas tornaram famoso o físico português João Magueijo, que se atreveu a propor que a velocidade da luz nem sempre foi constante. Ontem, o físico que contestou Albert Einstein esteve na Faculdade de Ciências de Lisboa, para falar destas ideias.
O anfiteatro estava quase cheio, com uma falha ou outra na plateia. Muitas caras jovens, alguns professores universitários, ouviam o físico português que pertence ao Imperial College, em Londres. Mas está no Canadá desde Setembro de 2005, num paraíso da investigação. Ficará mais um ano no Instituto Perimeter, criado com dinheiro do inventor do BlackBerry (um telemóvel que também é um computador) só para acolher cientistas que vão para lá pensar em física teórica.
João Magueijo ganhou popularidade com artigos científicos que põem em causa um dos pilares da teoria da relatividade de Einstein, ao dizer que a velocidade da luz, uma das constantes da natureza, pode não ter sido constante.
No início do Universo, considerou Magueijo em vários artigos a partir de 1999, a luz pode ter viajado mais depressa do que hoje, uma especulação que cai dentro das teorias da velocidade variável da luz.
Em 2003, a publicação de um livro de divulgação científica, Mais Rápido do que a Luz - A Biografia de uma Especulação Científica (Gradiva), em que relata os bastidores da ciência e as batalhas que travou para publicar o primeiro artigo científico, tornaram-no falado por todo o mundo. Foi lançado por uma editora norte-americana, e passou a ser conhecido fora da comunidade científica, com jornais e revistas de várias partes do mundo a falarem dele e o livro a ser traduzido para línguas como espanhol, francês, holandês, polaco, italiano, chinês ou japonês.
Ontem, João Magueijo começou por projectar no ecrã da palestra uma das fotografias mais famosas de Einstein, ícone da ciência e da inteligência humana. Aquela em que o cientista dos cabelos desgrenhados deitou a língua de fora. "Como físico, Einstein ficou conhecido pela invenção da teoria da relatividade, que é um dos alicerces da física moderna. A ideia fundamental é que a velocidade da luz não varia." Por isso, as primeiras propostas de João Magueijo, com outros cientistas, de que a velocidade da luz podia variar foram olhadas de lado. "Era pior do que dizer palavrões."
Com uma teoria da velocidade variável da luz, João Magueijo procurava uma solução para um dos problemas da teoria do Big Bang (que não satisfaz completamente nas explicações por que o Universo é tão homogéneo). Reconhece que o tema é "delicado" e "não se deve fazer gratuitamente".
"Há 100 anos, pensava-se que o Universo não evoluía. A teoria do Big Bang diz-nos exactamente o contrário. Isto criou o enquadramento necessário para discutir a variabilidade das leis da física. O conteúdo do Universo está a mudar, está em expansão e a ficar diluído e mais frio. Será que não é só o Universo que está a mudar, mas também as leis que o regem? A teoria do Big Bang pode pedir a variabilidade da velocidade da luz."
Outros, depois de Einstein, antes de Magueijo, falaram de as constantes poderem ser inconstantes. Paul Dirac foi um deles, que questionava: "Por que é que as constantes da natureza têm o valor que têm? Por que é que a velocidade da luz é o que é?", disse Magueijo. "Talvez as constantes precisem de muita energia para variar. Parecem constantes, mas se formos ao princípio do Universo ou próximo de um buraco negro, talvez não sejam. Ainda temos de explicar por que as constantes da natureza cristalizaram nos valores que cristalizaram."
Tudo explicado sem fórmulas matemáticas, "de forma muito simples", para dar a ideia de como a velocidade variável da luz apareceu em cosmologia.
Nos últimos tempos, João Magueijo só tem trabalhado "de vez em quando" na questão de a velocidade da luz poder ter sido superior aos 300 mil quilómetros por segundo. Se a matéria escura, ou invisível, é ou não necessária para explicar o Universo é um dos temas em que pensa no Perimeter.
Criado em 1999, o instituto "tem um ambiente muito criativo". "É um paraíso para a investigação. Não tenho de dar aulas. Também é um bocado estranho: as pessoas não fazem mais nada do que investigação. Há muitas coisas novas a sair dali."
Para o tema que o trouxe a Lisboa é que está tudo em aberto, apesar de algumas observações de pulsares, objectos quase dos primórdios do Universo, sugerirem que as constantes podem variar. "Não vai haver uma resposta", avisou no início da palestra.

Publicado por morfeu às 07:45 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 15, 2005

...de si, infinitamente dentro, dentro de si...infinitamente

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(Com a devida vénia ao "Super-interessante" de Outubro de 2005)

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Publicado por morfeu às 04:15 PM | Comentários (1)

agosto 22, 2005

Capas sugestivas...sugiro

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Publicado por morfeu às 09:41 PM | Comentários (0)

fevereiro 21, 2005

A Beleza das auroras de Saturno

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Saturn's Auroras
February 16, 2005

These images of Saturn's polar aurora were taken by NASA's Hubble Space Telescope on Jan. 24, 26, and 28. Each of the three images of Saturn combines ultraviolet images of the south polar region (to show the auroral emissions) with visible wavelength images of the planet and rings. The Hubble images were obtained during a joint campaign with NASA's Cassini spacecraft to measure the solar wind approaching Saturn and the Saturn kilometric radio emissions. The strong brightening of the aurora on January 26 corresponded with the recent arrival of a large disturbance in the solar wind. These results are presented in three papers, which appear in the Feb. 17 issue of the journal Nature.

Credit: NASA/Hubble/Z. Levay and J. Clarke

Publicado por morfeu às 07:22 PM | Comentários (1)

dezembro 09, 2004

...é o fim da história para si...

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(…) para que o leitor esteja aqui agora, foi preciso que triliões de
Átomos errantes tenham conseguido juntar-se, numa dança intrincada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a si. Trata-se de uma combinação tão única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez. Durante muitos anos futuros (esperemos), estas partículas minúsculas irão dedicar-se sem qualquer queixume aos biliões de hábeis e articulados esforços necessários para o manter intacto e deixá-lo desfrutar da experiência supremamente agradável, mas geralmente subestimada, a que chamamos existência.

A razão pela qual os átomos se dão a este trabalho não é lá muito clara. A nível atómico, ser o leitor não é propriamente compensador. Ou seja, apesar da atenção que lhe dedicam, os átomos não se preocupam consigo – na verdade nem sequer sabem que você existe. Nem mesmo que eles próprios existem. Nada mais são do que partículas sem consciência, e nem sequer têm vida própria. (Não deixa de ser ligeiramente impressionante pensar que, que se você tentasse dissecar-se a si próprio com uma pinça, átomo a átomo, nada mais iria conseguir do que um monte de fina poeira atómica, da qual nem um grão alguma vez tivera vida, mas que, toda junta, era você.) E, no entanto, durante todo o período da sua existência, a única preocupação dessas partículas será a de responder a um único impulso incontrolável: fazer com que você seja quem é.
O lado menos bom da questão é que os átomos são inconstantes, e que o seu período de dedicação a uma causa é passageiro. Muito passageiro mesmo. Até uma longa vida humana não dura mais do que uma 650 mil horas. E quando este marco é ultrapassado, ou por volta dessa altura, por razões desconhecidas os seus átomos vão dispersar em sileêncio, para se tornarem noutras coisas. E é o fim da história para si…

(Bill Bryso, "Breve história de quase tudo" - Quetzal editores)

Publicado por morfeu às 05:43 PM | Comentários (2)

Os factos de Deus na versão do Homem...

O físico Leo Szilard anunciou certa vez ao seu amigo Hans Bethe a sua intenção de começar a escrever um diário.
- Não tenho qualquer interesse em publicá-lo. Vou apenas registar os factos para informação de Deus.
- Não te parece que Deus já sabe quais são os factos? – respondeu Bethe.
- Sim – disse Szilard, e prosseguiu – Ele conhece os factos, o que ele não conhece é esta versão dos factos.

Publicado por morfeu às 04:08 PM

dezembro 01, 2004

Ora aqui está uma notícia bonita e útil...

Reciclagem

Telemóveis usados geram flores

Investigadores da Universidade de Warwick criaram, em conjunto com uma empresa britânica na área de materiais tecnológicos, um telemóvel que, uma vez descartado, transforma-se numa flor. A cobertura exterior do telemóvel é feita com um plástico que, por um lado, permite obter finos acabamentos e, por outro, degrada-se facilmente em contacto com a terra. Para melhorar o desempenho ambiental do aparelho, os investigadores inseriram no telemóvel uma semente, que só germina quando a cobertura começa a degradar-se. As primeiras experiências foram feitas com girassóis anões. Uma estimativa indica que, só na Europa, cerca de 100 milhões de telemóveis são deitados fora todos os anos.
(In público de 1/!2/4)

Publicado por morfeu às 10:06 AM | Comentários (1)

novembro 17, 2004

Notícias que realmente interessam...

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Smart1

...temos que procurar algum consolo na criatividade e engenho que o ser humano possui...só desgraças não....

Publicado por morfeu às 10:59 AM | Comentários (1)

setembro 29, 2004

CERN, 50 anos...

cern

cern

Cada feixe de protões será acelerado a uma energia da ordem de 6,5 tera electrão-volts (TeV). Como os feixes vão um contra o outro, soma-se a energia total, que assim chegará aos 13 TeV. (Um tera é um milhão de milhão, e essa é a energia cinética de um mosquito em voo). Os 13 TeV representam quase dez vezes mais a energia do acelerador actualmente mais potente, o Tevatron, no Fermilab, em Batavia, EUA, explica um artigo na revista "Science".
O que torna o LHC extraordinário é que as partículas são muito pequenas e a sua energia está extremamente concentrada. Por isso, enquanto da colisão de dois mosquitos em pleno voo ninguém espera que resultem novas partículas, da colisão de protões com a energia cinética dos mosquitos os cientistas esperam ver criada matéria. É isso que os vários aceleradores de partículas do CERN têm feito: nas colisões são criadas novas partículas, uma vez que uma parte da energia da aceleração é transformada em matéria, corporizando literalmente a famosa igualdade de Albert Einstein E=m2. Depois, detectores procuram captar os resultados dessas colisões.
Com uma máquina inigualável como o LHC, os cerca de 6500 cientistas e engenheiros que utilizam as instalações do CERN, de 80 países - incluindo os EUA, já que estes abandonaram em 1993 o projecto de construir um enorme acelerador de partículas no Texas -, desejam obter respostas para grandes interrogações. De que é feita a matéria? De que é feito o Universo e por que é como é? Nesta senda ao infinitamente pequeno e infinitamente grande, inclui-se a procura de uma famosa partícula, o bosão de Higgs, que explicaria por que todas as outras têm massa. Por ora, é só uma miragem.

Publicado por morfeu às 11:32 AM | Comentários (1)

setembro 15, 2004

Divirta-se e aprenda com...Space

Space

Publicado por morfeu às 10:01 PM

agosto 08, 2004

Proteger a sabedoria do cérebro...sugiro

Proteger a sabedoria

Publicado por morfeu às 11:31 AM | Comentários (1)

agosto 03, 2004

Prata da casa...sugiro

Prata da casa

Publicado por morfeu às 09:34 AM

julho 06, 2004

Boomerang Nebula...


The Boomerang Nebula - the coolest place in the Universe?

"Duas coisa me enchem de admiração:«O Céu estrelado acima de mim e a Lei Moral em mim»"
(E.Kant)

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abril 07, 2004

O VOS OMNES QUI TRANSITIS...

Em semana de reflexão, ainda que dolorosamente sugiro...

http://www.angelfire.com/extreme4/kiddofspeed/

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março 14, 2004

EINSTEIN...

Albert Einstein Nasceu Há 125 Anos
Por POR HELENA FERRO DE GOUVEIA, Frankfurt

http://jornal.publico.pt/2004/03/14/Ciencias/index.html

Desde o início deste ano que a Alemanha, e em particular a cidade de Ulm, vem assinalando os 125 anos do nascimento do Nobel da Física, Albert Einstein, que se cumprem hoje. O leque das iniciativas é variado, abrangendo colóquios académicos - na Universidade Ulm até 18 de Maio -, uma exposição dedicada à vida e obra de Einstein - na Stadthaus até 29 de Agosto - e uma ópera, "Einstein, as pegadas da Luz", escrita de propósito para a ocasião, que terá sua estreia na próxima quinta-feira.O presidente da República alemão, Johannes Rau, desloca-se hoje à cidade onde o Blau desagua no Danúbio, para prestar homenagem a um dos intelectos mais criativos da história da humanidade.

Na década de 70 do século XIX, a Alemanha unifica-se sob a égide da Prússia, torna-se um estado poderoso e fortemente industrializado. A 14 de Março de 1879, nasce, em Ulm, Albert Einstein, filho de uma família judaica. Poucos meses depois do seu nascimento a família muda-se para Munique, onde o seu pai instala uma pequena fábrica. Einstein é uma criança solitária. Não se adapta ao sistema escolar rígido e disciplinado, que considerava intimidante e aborrecido. Os professores classificam-no como um aluno lento e pouco dotado intelectualmente. Incentivado pela mãe, começou a ter aulas de violino, dos seis aos 13 anos, instrumento que acabou por dominar e que ao longo da vida lhe serviu de válvula de escape.

Aos 12 anos decide que "irá descobrir os enigmas do mundo".Três anos mais tarde, com más notas a história, geografia e línguas, junta-se aos pais em Milão, sem ter adquirido um diploma escolar. Mais tarde completaa sua educação na Eidgenössische Technische Hochschule, em Zurique, onde só conseguiu entrar à segunda tentativa. O seu espírito independente e o carácter provocador impedem que lhe seja dado um lugar de assistente na Universidade.

Será apenas em 1902, depois de um período de desemprego, que obtém o lugar de técnico de terceira classe no departamento de Patentes de Berna. Em 1905, publica cinco trabalhos que mudaram para sempre a forma do homem ver o Universo.

Regressará à Alemanha em 1914 para ensinar na Universidade de Berlim, mas não readquire a cidadania alemã a que havia renunciado em 1896. Quatro anos mais tarde é aclamado pela imprensa como um ídolo. O jornal londrino "Times" tinha na primeira página, a 7 de Novembro de 1919, a seguinte manchete: "Revolução na ciência, nova teoria do Universo, leis de Newton ultrapassadas".

Apesar da notoriedade e do reconhecimento internacional, na capital alemã as suas aulas são perturbadas por manifestações de cariz anti-semita. É um dos poucos académicos alemães a manifestar-se contra a guerra.Empreende a sua primeira viagem aos Estados Unidos em 1921 para angariar fundos para a Universidade Hebraica de Jerusalém. Nesse mesmo ano, é lhe atribuído o Nobel da Física, nãopela Teoria da Relatividade, que ainda é controversa no meio científico,mas pelo trabalho sobre o efeito fotoeléctrico. Não estará presente na cerimónia de entrega do prémio.

No final de 1932, pouco antes da chegada de Adolf Hitler ao poder, troca Berlim pela Universidade de Princeton, nos EUA, onde permaneceria até ao final da vida. Contribuindo para o esforço de guerra norte-americano, leiloou o manuscrito datado de 1905, onde expunha teoria especial da relatividade. O documento foi adquirido por seis milhões de dólares e encontra-se hoje na Biblioteca do Congresso norte-americano.

Quando Chaim Azriel Weizmann, o primeiro Presidente israelita, faleceu em 1952, o então primeiro-ministro David Ben-Gurion convidou-o a aceitar o cargo, o que Einstein declinaria.

Uma semana das da sua morte, a 18 de Abril de 1955, Albert Einstein escreveria a sua última carta. Uma missiva dirigida ao filósofo Bertrand Russell, autorizando-o a usar o seu nome num manifesto onde se apelava a todos os Governos do mundo a prescindirem do uso de armas atómicas.

No Outono, a Universidade de Princeton publicará nove de 30 volumes dedicados ao físico. Este trabalho, "Einstein Papers Project" - mais pormenores encontram-se no endereço www.einstein.caltech.edu -, é a mais ambiciosa publicação da história da ciência. Tem como objectivo colectar mais de meio milhão de páginas, reunindo 65 mil documentos (de textos científicos a cartas intimas, passando pelas declarações políticas e sionistas aos apontamentos da escola).

Einstein, a estrela "pop" da física, foi um homem contraditório e complexo: um ateu a quem foi oferecida a Presidência do Estado de Israel, um dedicado pacifista que ajudou o mundo a entrar na era atómica. Um génio que transformou o nosso entendimento do Universo. "A nossa ciência pode parecer primitiva e infantil comparada com a realidade, mas é a coisa mais preciosa que temos."

O Ano Mirabolante
Domingo, 14 de Março de 2004

Em 1905, o "anno mirabilis" de Albert Einstein, o físico publica na prestigiada revista"Anais da Física" a sua tese de doutoramento - "Uma Nova Determinação das Dimensões Moleculares" - e quatro artigos que mudaram para sempre a forma do homem ver o Universo. O primeiro, em Março de 1905, descreve como um corpo aquecido se pode transformar em energia luminosa. Esta transformação só é possível se se considerar que a luz é constituída por grãos que Einstein denominará por "quanta", mais tarde designados fotões. A luz não é contínua nem descontínua, mas a duas coisas em simultâneo. No segundo artigo expõe a aquilo que intitula "Teoria especial da relatividade", e no último dos artigos, em Setembro de 1905, Einstein apresentaa fórmula mais célebrede todos os tempos, E=mc, que está na origem do uso da energia nuclear para fins civis e militares. Nas suas próprias palavras "a política é uma questão de momentos, uma equação é para a eternidade".

Publicado por morfeu às 11:46 AM | Comentários (4)

março 12, 2004

Infância do Universo...


Foto: HO/Reuters

BALTIMORE (Reuters) - Cientistas divulgaram na terça-feira uma imagem da infância do Universo, captada pelo Telescópio Espacial Hubble. A foto mostra o cosmos 13 bilhões de anos atrás, apenas 700 milhões de anos depois do big-bang.

Por causa do tempo que a luz leva para percorrer o espaço, imagens de objetos muito distantes na verdade mostram como eles eram antigamente. O Hubble já havia examinado o passado antes, mas esta imagem, batizada de Campo Ultra-Profundo, é a visão mais longínqua que o telescópio orbital já captou, segundo cientistas que trabalham no Instituto de Ciência do Telescópio Espacial.

A nova imagem se parece com um aglomerado de jóias sobre um veludo negro, mas na verdade mostra 10 mil galáxias amontoadas em uma área do firmamento correspondente a uma décima parte do tamanho da lua cheia.

A foto penetra apenas 300 milhões de anos além de imagens semelhantes já feitas pelo Hubble na década de 1990, mostrando o universo antigo. Mas esta distância extra parece permitir um exame da "primeira infância" das galáxias, a época em que elas estavam se formando e que interessa muito aos cientistas porque marca um ponto de transição da idade negra do cosmo.

"Esta é a visão mais profunda do visível já feita", disse Rodger Thompson, parte da equipe de astrônomos que montou a imagem usando dois dos sofisticados instrumentos do Hubble. "É uma época fascinante para ser um astrofísico", afirmou.

Thompson e outros cientistas enfatizaram a importância de examinar os primeiros momentos do desenvolvimento galáctico, que pode ser mais dramático do que a evolução de galáxias envelhecidas.

"Não parece muito, mas quando você percebe que se tratava de uma fase de transição no universo, uma época muito crítica, você quer detalhes sobre essa época crítica," disse o astrônomo Mario Livio, que trabalha com o Hubble.

Livio e outros astrônomos compararam o desenvolvimento do universo ao crescimento de um ser humano, notando que as mudanças mais dramáticas acontecem nas idades mais prematuras. Por isso, mesmo um avanço aparentemente pequeno na profundidade da observação representa um salto gigantesco no estudo básico do cosmo.

A qualidade da nova imagem é tão boa que mesmo galáxias a bilhões de anos-luz revelam características que antes os cientistas só haviam visto em galáxias vizinhas à Terra.

Essas galáxias "bebês" se revelaram mais caóticas, interagem mais com as outras e são menos bem formadas do que a nossa Via Láctea, segundo os astrônomos.

O Hubble fez a imagem entre 24 de setembro de 2003 e 26 de janeiro deste ano, ao longo de 1 milhão de segundos (11,3 dias) de observação.

A produção dessa foto ficou em total sigilo, e até terça-feira só quatro pessoas haviam visto a imagem completa, segundo Steven Beckwith, diretor do instituto do telescópio. Isso foi feito para impedir que um cientista que tivesse acesso à foto antes levasse vantagem sobre seus colegas, pois seria o primeiro a começar a estudar a vasta riqueza de dados nela contida.

"É como uma grande corrida, em que a pistola dispara e todo mundo sai correndo", disse Beckwith. "Não há vantagem para a equipe da casa."

Beckwith e outros afirmaram que esta pode ser a última foto do gênero feita pelo Hubble. A Nasa decidiu abandonar uma missão de manutenção no equipamento, o que significa que seus giroscópios e baterias podem se aposentar prematuramente.


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março 04, 2004

O ROSTO TRANSPLANTE DA ALMA...

"O debate é emotivo, porque o rosto não é uma entidade médica. O rosto está relacionado com a alma."


Lido em artigo de jornal público, oferece-nos este artigo, mais assunto de reflexão, resultante das potencialidades médico-científicas....

http://jornal.publico.pt/2004/03/04/Ciencias/H02.html

Transplantes de Rosto Condenados pelo Comité Ético Francês
Por ANA NAVARRO PEDRO, Paris
Quinta-feira, 04 de Março de 2004

Os transplantes de rosto "não podem ser considerados como uma solução próxima, acessível e ideal para os dolorosos problemas de alteração do rosto" em França: num parecer negativo publicado terça-feira, o Comité Consultivo Nacional de Ética (CCNE) resume de forma argumentada e moderada dois anos de reflexão sobre esta possibilidade médica, que levanta sérias questões morais para a sociedade. Mas a rejeição de certos membros do CCNE era muito mais categórica e indignada, em diversas intervenções públicas no dia seguinte.

Num comunicado, o CCNE declara-se contra os transplantes de tecido compósito - ou seja, com a pele, os músculos e os nervos - ao nível da face "no estado actual dos conhecimentos científicos" sobre este tipo de intervenção cirúrgica, e pede investigações suplementares para avaliar de "maneira precisa" os riscos que acompanham este tipo de transplante.

Quanto a um transplante facial parcial, por exemplo do triângulo boca-nariz, "é uma hipótese ainda no domínio da investigação e da experimentação de alto risco" para o CCNE. Na eventualidade de um transplante desta natureza, "a ideia do consentimento informado do paciente seria ilusória", estima o CCNE, sublinhando que "um insucesso poder ser causa de um agravamento da situação do paciente".

A ideia de um transplante do rosto tinha sido posta na praça pública em Julho último, num artigo publicado pela revista médica britânica "The Lancet", e assinado pelo cirurgião britânico Paul Butler. Em meados de Fevereiro, uma equipa do hospital Henri-Mondor, de Créteil, perto de Paris, dirigida por Laurent Lantieri, afirmou estar tecnicamente capaz de proceder a este tipo de intervenção. Para Laurent Lantieri, os transplantes destinam-se às pessoas com rostos gravemente mutilados por tiros de armas, ou queimados, e que não podem ser reparados com elementos tirados do próprio corpo - ou seja, com uma auto-transplantação.

"O professor Lantieri teve o cuidado de solicitar um parecer do comité ético antes de se lançar neste tipo de operação", frisou ontem uma porta-voz do hospital Henri-Mondor, sem precisar qual será a sua reacção futura.

Com efeito, em Fevereiro, o cirurgião informava ter encontrado um candidato interessado por esta operação, e dizia esperar começar "nos próximos meses uma parceria com o Estabelecimento Francês de Transplantações para um estudo clínico com cinco transplantes de rosto".

Os médicos mostram-se confiantes no sucesso da operação, mas receiam uma eventual rejeição da face transplantada. "Em caso de insucesso, o receptor fica em posição pior do que a situação inicial", indignava-se ontem Denis Pellerin, membro do CCNE. "Depois, os tecidos do rosto não são compatíveis. Isto implica um tratamento até à morte com imunossupressores, com os riscos inerentes de cancro. E mesmo assim, há 10 por cento de hipóteses de fiasco. Imagina-se o rosto que vai destruir-se progressivamente e criar uma situação atroz?", prosseguiu Pellerin.

"A sociedade francesa não está preparada para aceitar que se tire o rosto de um morto para o dar a outra pessoa", constatou o CCNE no seu parecer. "E depois, quem vai dar o seu rosto? E como se faz isso? Porque é preciso que o morto seja como o vivo - homem ou mulher, branco ou negro, jovem ou não", diz Maurice Mimoun, especialista de cirurgia plástica reconstrutiva, concluindo: "O debate é emotivo, porque o rosto não é uma entidade médica. O rosto está relacionado com a alma."

http://jornal.publico.pt/2004/03/04/Ciencias/H02.html

Publicado por morfeu às 11:08 AM

fevereiro 03, 2004

NANOTECNOLOGIA

Nanotecnologia, a ciência das coisas pequenas

02/02/04
13:07


Por David Brinkerhoff e Dane Hamilton

NOVA YORK (Reuters) - A nanotecnologia, de acordo com seus defensores, dará início a uma nova revolução industrial, com estruturas do tamanho de moléculas e complexidade semelhante à de uma célula humana, mas 100 vezes mais fortes que o aço.

A nova tecnologia transforma os produtos quotidianos e a maneira pela qual eles são produzidos, ao manipular átomos de forma que os materiais possam ser reduzidos, reforçados e tornados mais leves, tudo isso ao mesmo tempo.

No momento, apenas alguns produtos modestos da nanotecnologia, como tecidos resistentes a manchas e embalagens para alimentos frescos, chegaram ao mercado, mas alguns cientistas predizem que no futuro a nanotecnologia dominará a economia.

"Será uma tecnologia onipresente", disse George Stephanopoulos, professor de engenharia química no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ecoando outros defensores da nanotecnologia que dizem que os países industrializados já estão avançando na direção de seu uso em todos os aspectos da produção industrial.

Mas com essa tremenda disparidade entre o que existe e o que o futuro trará, o sector continua a ser difícil para os investidores, que não podem ainda prever com confiança que o mercado mundial de nanotecnologia atingirá o trilhão de dólares, como afirmam projeções do governo dos Estados Unidos.

A teoria defende que tudo isso é possível. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro, ou à largura de 10 átomos de hidrogênio. Isso representa cerca de 1/80 mil avos da espessura de um fio de cabelo humano.

Auxiliados pelos recentes avanços nos microscópios, os cientistas agora são capazes de posicionar átomos individuais onde quer que desejem, pela primeira vez. As aplicações potenciais são inúmeras, variando de computadores microscópicos a dispositivos que eliminam o câncer e motores não poluentes para veículos, no futuro distante.

Mas ninguém sabe ainda quando isso tudo vai se concretizar. E de acordo com a maior parte das estimativas científicas, o futuro nanotecnológico pode demorar 10 a 20 anos para se realizar. Importantes obstáculos precisariam ser superados.

Um dos principais é a necessidade de produção em larga escala a preço acessível. Aparelhos complicados exigiriam a colocação precisa de bilhões de átomos, por exemplo. E outro desafio é aproximar a escala macro da escala nanométrica. Ou seja, o tamanho ínfimo de um nano-aparelho é inútil se ele tiver de se conectar a um cabo convencional. Não se sabe como os cientistas superarão esses problemas.

No mundo, os dois sectores com potencial para ganhar muito com a nanotecnologia são as indústria de electrónica e biotecnologia, segundo pesquisadores do MIT. Na frente da biotecnologia, cientistas promovem o conceito de nanopartículas feitas de ouro que poderiam ser acionadas remotamente para matar células tumorosas.

O Congresso dos Estados Unidos ano passado aumentou os recursos para pesquisa com nanotecnologia para 3,7 bilhões de dólares durante os próximos quatro anos. A União Européia e o Japão também investem pesado na pesquisa da nova tecnologia e o Brasil discute a formação de centros de excelência em nanotecnologia no país.


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Publicado por morfeu às 08:57 AM | Comentários (3)

janeiro 11, 2004

MATRIX...............


matrix


Apelo a todos os que se interessem pala temática da trilogia matrix, que no caso de estarem intessados me deêm sugestões.É um trabalho para apresentar na minha escola: as implicações científico-tecno-filosóficas da trilogia matrix.

Vou começar a lançar algumas reflexões sobre o assunto.


(...não tem nada a ver com o assunto mas estou ouvindo o concerto para piano em La menor de Schumann que dedico à minha cunhada Vanda e à Thita pelas suas qualidades de investigadora).
morfeu

Publicado por morfeu às 01:00 PM | Comentários (2)