novembro 08, 2009

Muro, muros de Berlim....

Um acontecimento com efeitos “devastadores”…relembrar.

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outubro 29, 2009

Uma década de fotografia.

sugiro...

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outubro 03, 2009

Mais vale uma hora de ciência do que...


...cem anos de ignorância. Um artigo de Alves da Costa, meteorologista.

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setembro 11, 2009

O Tempo, como vivê-lo?

sugiro...

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setembro 10, 2009

« Le croyance ne supporte pas la critique alors que la foi ne peut que la désirer »

sugiro...

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setembro 06, 2009

Narcisismo in "Courier Internacional".

Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...

Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...


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agosto 29, 2009

A tentação do Cristianismo

(...) Luc Ferrry não crê, porque "é demasiado belo para ser verdade". Outros, porém, acreditaram e acreditam, precisamente porque o cristianismo mostra a sua verdade na sua correspondência com o dinamismo mais fundo do ser humano. Cabe a cada um decidir.(...)

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agosto 14, 2009

Mercado de coisa nenhuma...

sugiro...

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junho 06, 2009

O Mito do "Cuidado"...

"Uma vez, ao atravessar um rio, o 'Cuidado' viu terra argilosa. Pensativo, tomou um pedaço de barro e começou a moldá-lo. Enquanto contemplava o que tinha feito, apareceu Júpiter. O 'Cuidado' pediu-lhe que insuflasse espírito nele, o que Júpiter fez de bom grado. Mas, quando quis dar o seu nome à criatura que havia formado, Júpiter proibiu-lho, exigindo que lhe fosse dado o dele. Enquanto o 'Cuidado' e Júpiter discutiam, surgiu também a Terra (Tellus) e queria também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora ela a dar-lhe um pedaço do seu corpo. Os contendentes tomaram Saturno por juiz. Este tomou a seguinte decisão, que pareceu justa: 'Tu, Júpiter, deste-lhe o espírito; por isso, receberás de volta o seu espírito por ocasião da sua morte. Tu, Terra, deste-lhe o corpo; por isso, receberás de volta o seu corpo. Mas, como foi o 'Cuidado' a ter a ideia de moldar a criatura, ficará ela na sua posse enquanto viver. E uma vez que entre vós há discussão sobre o nome, chamar-se-á 'homo' (Homem), já que foi feita a partir do húmus (Terra)'."

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abril 26, 2009

"Dançai com Cristo sobre os Evangelhos"

"Musas amigas, levai estes espelhos / Que reflectem do tempo a estampa fútil. / Dançai com Cristo sobre os Evangelhos / O círculo dos deuses inconsútil. // Nem céu nem inferno dos sacramentos velhos / Que são os cárceres de uma fé indúctil. / De em meu barro escutar santos conselhos / Desposa o Espírito minha alma núbil. // E em meu jardim interior passeiam / À meia-noite em flor amantes mortos / Que entre acácias se estreitam ressurrectos. // Com paixões que as grades incendeiam / Endireito da vida atalhos tortos, / E na morte entrarei de olhos abertos."

...pegando nas palavras de Natália Correia, Bento Domingues associa a sua reflexão dominical.
(In Público de 26/04/09)

As narrativas que temos são actos de linguagem que tentam apontar sinais, mas não descrever o sobrenatural

1. Desde E. Cassirer, ninguém estranha que se diga que o ser humano é um animal simbólico. Certo positivismo tem dificuldade com essa linguagem, mas é o positivismo que restringe a sua capacidade. É próprio das artes, da literatura e da música sugerir, no sensível, o inexprimível da realidade inabarcável em conceitos claros e distintos.
Na Semana Santa, foram celebradas todas as formas da dor humana. Na Vigília Pascal, antecipamos as páscoas que faltam: matar todos os dias o poder da morte na morte de Cristo, ressuscitar na Sua ressurreição. Nessa Vigília, mãe de todas as vigílias, apesar das longas horas que convocaram o que há de melhor em nós, tudo ficou ainda por dizer. Foi a partir daí que dois mil anos de literatura, música, pintura, cinema fizeram de Jesus Cristo a figura suprema do mundo desejado. Até às festas da Ascensão e do Pentecostes, os cristãos continuarão a dizer, num grande crescendo da memória, o que aconteceu, acontece e acontecerá.
Dir-se-á que os textos dos Evangelhos e dos Actos dos Apóstolos sobre a Ressurreição estão semeados de acontecimentos inverosímeis, de incongruências e até de contradições. Todos os anos regressa a discussão sobre o que neles é histórico, lendário e simbólico.

2. Há dois caminhos que não vão dar a lado nenhum saudável: tentar destrinçar o que é histórico e o que é lendário; servir-se dos textos para pregações e catequeses moralizantes. Os historiadores e os psicólogos podem tentar saber por que razão os discípulos - que tinham dispersado ao verificar a crucifixão e a morte de toda a esperança depositada em Jesus -, passado pouco tempo, confessavam a experiência de que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Messias, está vivo e, por causa dele, estarão progressivamente dispostos a tudo. A esse nível, o fenómeno em torno da descrença e da crença na Ressurreição pode ser matéria de história e de psicologia. Mas nada mais. Ninguém viu o acto de ressuscitar nem quem o ressuscitou. São realidades da ordem do inverificável empiricamente. Por duas razões. Primeiro, porque não se trata de alguém que estava morto e que voltou à sua situação anterior. Se fosse o caso - como se diz que aconteceu com Lázaro -, poder-se-ia comparar a situação dessa pessoa antes e depois da morte. Segundo, um fenómeno sobrenatural e o próprio Deus não são evidentes, não são fotografáveis nem testáveis em laboratório. Quem imaginasse o contrário negaria a absoluta transcendência de Deus e o sobrenatural. As narrativas que temos são actos de linguagem que tentam apontar sinais, mas não descrever o sobrenatural.
Pode-se, no entanto, perguntar: mas então, porque será que as narrativas e as pregações do Novo Testamento não se contentaram com a sobriedade essencial: Jesus ressuscitou e não sabemos mais nada. Parem de pensar, de imaginar e de perguntar.
De facto, não foi o que aconteceu. S. Pedro, bastante mais tarde, aconselhou: "Estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança" (1Pd 3, 15). Os autores do Novo Testamento tinham de mostrar que o ressuscitado era o mesmo que foi crucificado, mas não o era da mesma maneira. Era ainda mais real, mas numa forma de realidade incomparável com aquela com que tinham convivido.

3. Tarefa nada fácil. As testemunhas da experiência do Ressuscitado tinham de apresentar a sua convicção na linguagem dos gestos e das experiências que tiveram com Jesus. Tinham também de mostrar o que havia de radicalmente novo naquela experiência. Não lhes caiu do céu um ditado divino que dispensasse a imaginação e as palavras humanas. A Ressurreição transfigura, mas não pode negar as exigências da Incarnação. Tinham de se servir do que estava disponível na sua língua, na sua cultura. São os conceitos de inspiração, revelação e inerrância, atribuídos aos textos bíblicos, que precisam de levar uma grande volta, para não produzirem resultados mais nefastos do que aqueles que pretendem evitar.
Se consentirmos na convicção de que a linguagem simbólica, metafórica, é a mais adequada para exprimir e dizer a fecundidade do mistério pascal na nossa vida, como perpétuo movimento, constante conversão, passagem da morte à vida pelo amor dos irmãos, de todos (1Jo 3, 14), não estranharemos acontecimentos inverosímeis, incongruências e até contradições. O cristianismo junta, no Espírito de Deus, nosso espírito, duas palavras explosivas que parecem incompatíveis: Jesus e Cristo.

Não é na linguagem dos tratados teológicos e dos catecismos que a poetisa açoriana Natália Correia evoca a Páscoa e o Pentecostes. E ainda bem: "Musas amigas, levai estes espelhos / Que reflectem do tempo a estampa fútil. / Dançai com Cristo sobre os Evangelhos / O círculo dos deuses inconsútil. // Nem céu nem inferno dos sacramentos velhos / Que são os cárceres de uma fé indúctil. / De em meu barro escutar santos conselhos / Desposa o Espírito minha alma núbil. // E em meu jardim interior passeiam / À meia-noite em flor amantes mortos / Que entre acácias se estreitam ressurrectos. // Com paixões que as grades incendeiam / Endireito da vida atalhos tortos, / E na morte entrarei de olhos abertos."

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março 25, 2009

Playboy, fabulosa contribuição...

http://ipsilon.publico.pt/Flash/texto.aspx?id=226526

...lá por haver por aqui reflexões teológicas, não nos permitimos perder esta inolvidável contribuição para o bem (ou mal) estar da humanidade. Artigo do Público, que redirecciona para ligação que exige instalar um pequeno e gratuito programa para ver afinal Eva como Deus a criou...abençoado!

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março 23, 2009

Últimos Lugres bacalhoeiros...uma preciosidade filmica.

crioula.jpg
Feito nos idos de 1966 por realizador canadiano, revela-se este pequeno filme uma preciosidade, revelando de forma económica o labor árduo de compatriotas nossos, endurecidos pelo mar e pela vida, arriscando esta nos doris em que pescavam à linha o saboroso e sagrado bacalhau. E os lugres na sua precária e corajosa elegância transportavam estes bravos de quem mal se contam estórias...

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março 15, 2009

Do matrimónio indissolúvel, sg/ Bento Domingues.

A hierarquia da Igreja faz bem em não abrir mão do matrimónio indissolúvel
(Vêr Público de hoje)

1.Este tema não é novo no tempo destas crónicas. Que me lembre, comecei logo, em 1993, com um texto sobre Casar, descasar e recasar e não foi a última vez. Por outro lado, em 1995, aparecia, na colecção Nova Consciência, do Círculo de Leitores, Os Divorciados e a Igreja. Na introdução que escrevi, fiz o ponto do debate, que se tornara muito vivo, acerca do acompanhamento pastoral dos divorciados recasados e que tinha envolvido conferências episcopais de vários países. A Congregação para a Doutrina da Fé dirigiu uma carta aos bispos da Igreja Católica a respeito da comunhão eucarística por divorciados novamente casados (1994): os fiéis não estão excluídos da comunhão eclesial e devem ser cuidadosamente acompanhados na sua caminhada cristã. Dada, porém, a situação matrimonial irregular, não podem receber a comunhão eucarística.

O cardeal Trujillo, presidente do Pontifício Conselho para a Família, embora tenha destacado, em 2008, que os casais em crise não devem sentir a Igreja como ausente, intolerante ou madrasta, não abriu um caminho novo: a Igreja continua a tentar formas de convencer e explicar por que motivo os recasados não podem receber a Eucaristia, mas nutre a esperança de que, no final, a Palavra do Senhor, que está acima do Papa e dos bispos, será mais bem compreendida. Por agora, só pode dizer-lhes: são católicos, devem ir à missa, participar de certas acções da Igreja, de iniciativas de caridade e oração. Bento XVI censurou, no mesmo ano, os bispos franceses por consentirem em iniciativas destinadas a abençoar as uniões de católicos divorciados. A vontade de Deus e as leis da vida que Ele nos deu não podem ser relativizadas. O Sínodo dos Bispos discutiu, mas não deixou nenhuma indicação precisa ao Papa. Este lembrou que o único recurso canónico disponível, para os que casaram com rito religioso - mas apenas por convenção cultural - e acabaram separando-se, é a declaração de nulidade do primeiro casamento enquanto "sacramento celebrado sem fé".

Resumindo e concluindo: os católicos recasados pelo civil continuam a ser membros da Igreja, a ser convidados para a Ceia eucarística, mas ficam avisados de que não podem tocar nessa comida: está aqui, mas não é para vós. Podem e devem, no entanto, escutar a Palavra e rezar.

2.Diz-se que é uma solução simplista e de consequências nefastas para a vida pastoral da Igreja Católica. Foi, aliás, o que pude verificar no primeiro dos Colóquios sobre a Fé do passado dia 5, na Igreja Matriz de Ponta Delgada, completamente cheia, com a seguinte interrogação: Os Divorciados/Recasados: Que Lugar na Igreja? Participavam na mesa duas pessoas divorciadas recasadas, testemunhando a sua profunda fé católica, mas sem perceberem por que razão o casamento que fizeram pelo civil não pode ser abençoado e não puderam participar na comunhão eucarística nem mesmo quando os seus filhos fizeram a Primeira Comunhão.

O casamento é, por natureza, uma instituição complexa. Junta duas histórias de vida, genéticas e culturais, com o propósito de formarem uma família que tem de contar com o passado, mas também com a nova rede de relações de cada um, do casal e dos filhos, quando existem. Realizado entre católicos, na forma canónica actual, é celebrado como um sacramento, que acrescenta, às complexas dimensões de qualquer casamento, a inscrição na complexa história da Igreja.

Há anos, Bernard Häring, um famoso teólogo, perguntava: "Haverá saída?" E mostrou que sim. O Centro Dominicano de Bruxelas publicou um documento de trabalho muito importante sobre a mesma questão, vindo a fazer parte de um dossier da revista Lumière & Vie assinado por especialistas, mostrando que não pode ser um assunto encerrado nem sob o ponto de vista teológico nem pastoral (1). O P. Luís Correia Lima, S.J., com o título Divorciados Recasados diante dos Sacramentos, apresentou com clareza as peças essenciais do debate (2).

3.Parece-me que a hierarquia da Igreja faz bem em não abrir mão do matrimónio indissolúvel, como horizonte. Ninguém de boa-fé se casa para se divorciar. O divórcio até pode ser o único caminho para acabar uma união absurda, mas pode também ser fruto de uma irresponsabilidade de ambos ou de um só. O futuro de um casamento depende, em parte, de uma conquista diária.

Quando se invoca a resposta de Jesus, não separe o homem o que Deus uniu, esquece-se a pergunta manhosa de alguns fariseus: "É lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo que seja?" (Mt 19, 1-9). Homem, aqui, significa marido. O que Jesus não pode aceitar, de forma nenhuma, contrariando o próprio Moisés, é o seguinte: a mulher não pode estar sujeita aos caprichos do marido. Isto é tão verdade que os próprios discípulos disseram a Jesus: "Se é assim a condição do homem em relação à mulher, não vale a pena casar-se". O que estava em causa na resposta de Jesus, naquele preciso contexto social e religioso, era a defesa da mulher perante a arbitrariedade dos maridos.

Tenho de voltar a este tema na próxima crónica.

(1) LV, 206 (Março 1992)
(2) Cf. Revista Eclesiástica Brasileira, 239 (2000) 641-649

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Fotos do Mundo em 2008

sugiro...

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março 08, 2009

Fotografia:"Batalha de Sombras" in Público.

sugiro...

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março 07, 2009

Não concebo um Deus que não seja bailarino...

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Da pseudo-misoginia de S. Paulo

Sempre me provocou revolta, nos casamentos católicos, a leitura de cartas de S.Paulo, acerca da mulher e do seu estatuto no casamento. Consequentemente, a minha posição foi de alguma animosidade em relação ao apóstolo. Recentemente, tive a ocasião de ler obras mais actuais e fidedignas, e mudei de opinião. Como diz a crónica de A. Borges, de S.Paulo existem cartas verdadeira e pseudo-epístolas. Ora, é nas pseudo-epístolas que a misoginia se manifesta. Os noivos que exijam doravante que tais textos não sejam utilizados.

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fevereiro 28, 2009

Deus e a Liberdade de Expressão...

... trata-se, antes de mais, de um acto de liberdade de expressão. No quadro do respeito pela lei, todos têm direito a manifestar as suas opiniões e crenças. Este direito é, evidentemente, extensivo aos ateus.

Ver também artigo anterior acerca do tema.

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fevereiro 25, 2009

Beleza e ancestralidade: Tribo de Omo.

...habituados que estamos a uma beleza de consumo, sem peso ou substância, fitemos a nossa admiração nesta ancestralidade que povoa corpos e seres de seres que por aí existem mas não sei se constam...

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fevereiro 21, 2009

Como reconhecer Deus? sg/ Anselmo Borges

eye-of-god.jpg

Há relativamente pouco tempo, coloquei esta pergunta a um grupo de crentes: "Se Deus lhe aparecesse, dizendo 'aqui estou, sou eu o Deus', como o reconheceria?"

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fevereiro 16, 2009

Beleza e sofrimento...

mulheres1.jpg
Nakita Olegole, 17 anos, tribo mursi, Etiópia. Quando ainda pequenas, fazem-se incisões no lábio inferior e nas orelhas, inserindo depois, discos de argila cada vez maiores...(In Marie Claire)

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janeiro 22, 2009

Philosophie magazine, Février, dossier+index.

Philomagazinefevrier09.jpg

philomagazine0209index.jpg

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janeiro 15, 2009

Simplesmente...Futuro!

sugiro...

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dezembro 11, 2008

Direitos Humanos, 60 anos:Dossiê in Público

sugiro...

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novembro 24, 2008

Dia da Ciência:Poema para Galileu

sugiro...

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novembro 15, 2008

Deus e Darwin, sg/ A.Borges

Uma pedagógica reflexão de A.Borges, cuja leitura...
sugiro...
sugiro...

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outubro 14, 2008

Lisboa: um guia original...

sugiro...

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outubro 13, 2008

A Vida Eterna ... despedida.

Avidaeternasavater.jpg

...com um dos mais belos poemas de amor e tudo o mais que possa ser, aqui deixo a sugestão para leitura de mais uma obra extraordinariamente pedagógica de F.Savater.

Despedida

Eis-me aqui junto da tua sepultura,
Hermengarda,
para chorar a carne pobre e pura
que nenhum de nós viu apodrecer

Outros viriam lúcidos e enlutados,
e no entanto eu venho embriagado,
Hermengarda, eu venho embriagado.
E se pela manhã encontrarem a cruz
do teu túmulo derrubada no solo
não foi a noite, Hermengarda,
nem foi o vento.
Fui eu.

Quis amparar a minha embriaguez na tua cruz
e rolei pela terra em que repousas
coberta de margaridas e contudo triste.

Eis-me aqui junto da tua sepultura,
Hermengarda,
para chorar o nosso amor de sempre.

Não é a noite, Hermengarda,
nem é o vento.
Sou eu.

( Ledo Ivo, Valsa fúnebre para Hermengarda.)

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setembro 20, 2008

"O bosão de Deus..."

sugiro...

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agosto 16, 2008

Meditação das férias...

sugiro...

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julho 31, 2008

...o que de belo por acaso se encontra...tocante.


Mélina Mercouri Athène ma ville
Colocado por modinelly

...por aqui ao acaso do tempo
dos tempos que dividem o deambular em dia cinzento
sonho o Outro o Além em testemunho de voz
de céu ares cores e coisas várias
por acaso encontro neste viajar fortuito
ah a cidade o tempo os seres e as coisas
a brisa da História fazendo-se música em túnel
de cordas de onde o som brota
a voz
a mulher
o sentir
...por aqui por acaso deixo
como pegada em areia molhada
deixo...

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junho 24, 2008

Britannica versus Wikipédia

Os mestres e as massas
José Vítor Malheiros - 2008/06/24 (Público)

A Britânica vai fazer como a Wikipedia mas não vai ser como a Wikipedia...

A Britânica vai fazer como a Wikipedia mas não vai ser como a WikipediaA Encyclopædia Britannica está a desenvolver um novo site que representa uma viragem considerável na sua forma de trabalhar. As mudanças não são visíveis a alguém que vá ao site da enciclopédia (www.britannica.com) mas, nos últimos dias, os sites noticiosos e os blogues têm-se multiplicado em referências aos endereços das páginas (britannicanet.com) onde, de forma discreta, a Britannica apresenta a revolução que terá lugar "dentro de algumas semanas ou meses".
Em termos simples, para retomar a expressão usada nos posts de muitos blogues, "A Britannica vai virar wiki". Em termos mais concretos, a Britannica vai passar a contar com conteúdo de três tipos: a enciclopédia de sempre, produzida pelo corpo de especialistas colaboradores da editora; uma outra parte onde apenas vão colaborar autores da enciclopédia e peritos convidados; e uma terceira parte onde os utilizadores do site podem submeter as suas entradas.

O objectivo é - como nos wikis em geral e na Wikipedia em particular - aproveitar o imenso saber que os milhares de utilizadores da Britannica possuem. Os responsáveis da enciclopédia evitam usar a palavra wiki ou Wikipedia na apresentação dos seus planos, mas é evidente qual a razão da jogada. A Britannica é uma enciclopédia que vende o seu conteúdo e a concorrência de um produto gratuito como a Wikipedia - e excelente, desde que se respeitem as suas limitações - constitui um risco evidente para a própria sobrevivência da famosa publicação, que vai a meio do seu terceiro século de vida.

A Britannica diz que não quer imitar a Wikipedia e assinala algumas diferenças fundamentais: todas as entradas propostas serão assinadas, não será possível alterar um texto sem autorização do seu autor e nada será incorporado na Encyclopædia Britannica sem ser verificado pelos seus peritos. Essa informação, depois de editada e confirmada, terá um carimbo de qualidade: "Checked by Britannica". A informação constante das outras áreas do site (chamemos-lhe "o wiki dos peritos" e "o wiki dos leitores") é consultada por conta e risco do leitor.
A Britannica chama a isto uma "abordagem colaborativa mas não democrática", num texto onde critica a "sapiência das massas" que está na base da ideologia da Wikipedia e do seu fundador, o libertário de direita Jimmy Wales.
A estratégia da Britannica encontrou apoiantes ("viram a luz") e detractores de dois tipos: "vão perder a única coisa que os diferenciava da Wikipedia: a credibilidade" ou "vão fazer exactamente a mesma coisa que a Wikipedia mas querem obrigar-nos a pagar para ver".

Por enquanto, as intenções da Britannica são ainda um pouco confusas, mas este é sem dúvida um passo no caminho certo. Trata-se de usar o imenso saber que está disponível por aí e que a Britannica não deve ignorar nem por razões científicas nem empresariais.

A Britannica quer usar o saber superior dos mestres e o poder dos grandes números e não há razão nenhuma para não o fazer. O resultado final pode ser muito melhor. Até porque as "massas" não vão apenas fornecer matéria-prima para os eruditos filtrarem e aperfeiçoarem. Elas vão, também, controlar o trabalho dos controladores.
A experiência merece ser seguida porque ela vai ser um teste de grande impacto no negócio do saber. Será que o mercado vai estar disposto a pagar por esta informação (presumivelmente tão rica como a Wikipedia e tão rigorosa como a Britannica) quando tem algo muito parecido ao lado e gratuitamente? Ou assistiremos a uma queda brutal do número de assinantes que torne insustentável o negócio da Britannica, como estamos a assistir no negócio da imprensa escrita e por razões semelhantes?

E, se isso acontecer, que mundo será esse onde o conteúdo das enciclopédias será decidido pelo mercado?

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maio 14, 2008

Pode a web ser triste?... sugiro.

Artigo de José Vítor Malheiros, in Público de 14-05-08

Ted Nelson acha que a Web é uma tristeza
14.05.2008, José Vítor Malheiros
Considera-se um filósofo e um poeta e sente-se mais próximo do cinema que da informática. O criador do hipertexto veio a Lisboa dizer que não devemos desistir dos nossos desejos
"Toda a gente está à espera que eu morra para poderem dizer como admiravam o meu trabalho. Mas ninguém me apoia." A frase, citação de Orson Welles, serve de epígrafe à página pessoal de Ted Nelson na Web. É fácil perceber que ele a subscreve e há razões para isso.
Ted Nelson é considerado universalmente como um dos visionários mais estimulantes do planeta, um dos inventores mais inovadores e um dos pais da World Wide Web. Mas, apesar disso, tenta há quase 50 anos concretizar um projecto grandioso que muita gente pensa que poderá revolucionar o mundo sem ter tido senão pequenos êxitos e apoios esporádicos. O que é tanto mais estranho quando se sabe o título pelo qual o investigador costuma ser apresentado: Ted Nelson é "o pai do hipertexto", um conceito que criou em 1963 e que está na base da World Wide Web de hoje.
Nelson, nascido em 1937 nos EUA, estudou filosofia, fez um mestrado em sociologia em Harvard e o doutoramento no Japão, na Universidade Keio, sobre Filosofia do hipertexto, mas confessa que sempre teve dificuldade para se identificar profissionalmente. A classificação mais próxima do seu coração é a que foi usada pela ministra da Cultura francesa Catherine Tasca, quando o condecorou com a Legião de Honra, em Março de 2001: "um filósofo e um poeta."
Na conferência que Ted Nelson proferiu anteontem na Universidade Atlântica, em Barcarena, (antes disso tinha estado em Lisboa numa mesa-redonda sobre Estratégias para a Sociedade do Conhecimento, a convite do programa europeu Interreg) disse que aos 22 anos se considerava "filósofo e realizador de cinema" e que hoje prefere dizer-se um "humanista de sistemas". Mas vai repetindo que não é um tekkie mas sim um "media guy" - o pai era realizador de cinema e a mãe actriz - e que o que o preocupa são as interfaces.
O que quer este homem, hoje investigador convidado do Internet Institute da Universidade de Oxford? Quer um sistema que permita a toda a gente ter acesso a toda a espécie de documentos - textos, vídeo, música -, usá-los, modificá-los, anotá-los, publicá-los, usar pedaços... Mas isso não é a Web? Pergunte-se e Nelson espuma. Para se acalmar e responder em tom contido: "A Web é fantástica, eu passo quatro horas por dia na Web, mas a Web só permite fazer uma pequena parte das coisas que desejamos." O quê? Não se pode abrir um texto e fazer umas notas à margem, se um texto incluir uma citação de outro não posso ir ver o documento original (só se tiver feito previamente um link à mão), etc.
A visão de Xanadu
Fale-se de hipertexto na Web e Nelson pode irritar-se. O "seu" hipertexto, o verdadeiro hipertexto, aquele que ele inventou em 1963, que descreveu num artigo em 1965, que ele tem andado a vender desde então, não é composto por estes miseráveis links de sentido único que existem no HTML, que existem nesta triste Web: os seus links - que, conforme as funções, ele chama "transclusões" ou "flinks" ou "clinks" - permitem ligações de dois sentidos, para saber que links existem para o documento que eu estou a ler; permitem fazer links de uma palavra para "n" sítios diferentes e muitas mais habilidades.
A conferência que Nelson deu em Barcarena, para uma pequena sala apenas meio cheia, foi dedicada a um novo tipo de bases de dados a que chama "estruturas Zig Zag" (ou "zizi structures"), mas não sem antes apresentar a filosofia geral da sua visão, Xanadu, um projecto nascido em 1960 e que tenta financiar desde sempre com reduzido êxito. O que é Xanadu? A visão ocupa todos os textos de Nelson e não é simples. À primeira vista parece que fala da Web - é um sistema onde todos os documentos podem ser acedidos, modificados, fundidos, onde todos os documentos são hipermédia (outro conceito de Nelson), onde som e vídeo se misturam com gráficos e texto. Mas quando se aprofunda um pouco o conceito... tudo muda e percebemos como a Web é limitada: Xanadu é o nosso sonho tornado realidade, em Xanadu tudo é possível.
Cada documento desta nova Web pode ser modificado por toda a gente, mantendo todas as versões possíveis; quando se faz copy-paste de um parágrafo de um texto para outro isso cria um link permanente para o texto-fonte; as imagens ou os vídeos têm a dimensão que queremos quando os vemos (as fotos têm um "tamanho" no papel, mas os computadores não são papel e não precisam de ter essa limitação); e se pode usar todo o material que quisermos mesmo que esteja protegido por copyright porque, quando usamos um pedaço de um texto com direitos, fazemos um micropagamento (outro conceito de Nelson) ao seu autor sem necessidade de negociação prévia. É a total liberdade de criação e a justa compensação aos criadores. É um mundo onde nada se perde, onde tudo está ligado a tudo, onde a citação é sempre possível e sempre atribuída e onde a colagem e a recombinação são ubíquos.
Os seus desejos para os computadores são simples: Nelson não acha aceitável que seja preciso um programa para abrir um texto e outro para ver um filme. Ou que não se possa escrever nas margens do livro que se está a ler no ecrã. Ou que as versões não coexistam todas. Ou que um ficheiro possa ter metadados mas uma parte de um ficheiro não. Nelson não aceita que, nos computadores, as páginas estejam atrás de um vidro. Tudo o que é possível no mundo real tem de ser possível na Web (ups!, em Xanadu) e muito mais. O mantra é simples: é o computador que tem de se adaptar aos desejos das pessoas e não as pessoas ao computador.
Xanadu pode ser um conceito difícil de concretizar, mas uma coisa é certa: quando houver, eu quero.

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maio 09, 2008

Museu do Oriente

E o barca foi de saída adeus...

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maio 03, 2008

3 de Maio segundo Goya ... inesquecível!

3 de Maio de 1808

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março 17, 2008

Decreto 2/2008...ou a humildade do bom-senso. Subscrevo!

humildade de húmus, que se sabe terra e pó e adubo, sendo activa e não submissa... com a devida vénia ao autor.

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março 16, 2008

Domingo de Ramos...

Em complemento poderá ler a habitual reflexão de Bento Domingues...

Fora do amor não há salvação

16.03.2008, Frei Bento Domingues, OP


O que mais importa, na Semana Santa, é confrontar a nossa vida com esse processo e fonte de amor infinito


1Repetiu-se, durante séculos de cristandade - embora com significações diferentes - que "fora da Igreja não há salvação". De forma oficial, esta afirmação deicida só foi desautorizada duas vezes antes do Vaticano II. Hoje, a salvação foi substituída pela globalização do império do dinheiro. Prefiro uma sabedoria mais antiga: fora da vida como dom faremos sempre, deste mundo, um inferno. Ao contrário das aparências, a celebração da Semana Santa não está só preocupada com o processo de Jesus, que nunca poderá ser ignorado. O que mais importa, no entanto, é confrontar a nossa vida com esse processo e fonte de amor infinito.
Sejam quais forem as interpretações que se possam fazer acerca da sua personalidade, ninguém se atreve a negar a existência histórica de Jesus de Nazaré, como já foi moda. Nos últimos trinta anos, a convicção de que se pode reconstruir uma imagem histórica de Jesus sai cada vez mais reforçada e documentada.
Nasceu, provavelmente, entre os anos 6 e 4, antes da era comum. Falava o dialecto da sua região, o aramaico da Galileia. Frequentava a Sinagoga e sabia ler textos bíblicos em hebraico. É normal que soubesse, também, um pouco de grego e alguns termos em latim. Este judeu da Galileia cresceu e viveu nessa parte setentrional da Palestina, herdeira directa do grande reino de Herodes.
Cruzavam-se, nela, as vias de comunicação em direcção a portos que ligavam a terra nacional dos judeus ao imenso espaço mediterrânico. Davam também acesso a vastos territórios do Oriente onde a cultura grega se impunha cada vez mais. Foi nesta terra aberta e de misturas que o fundador do cristianismo passou a maior parte da sua vida e lançou as bases de uma nova religião.
2. A sua intervenção foi muito breve, mas explosiva sob o ponto de vista teológico e social: era preciso mudar de Deus, de religião, de família e sociedade. Ele esperava o advento iminente do reino de Deus que daria início a um período de justiça, de igualdade, de bem-estar e de paz, a começar no coração das pessoas para nascerem de novo. Não sendo política nos métodos, a mensagem de Jesus tomava-se política nas suas consequências.
Este Galileu queria subtrair os seus discípulos à lógica dos estreitos e asfixiantes interesses familiares e dos grupos político-económicos do seu tempo. É nesse sentido que se compreende que tenha louvado os que abandonavam mulher, filhos, trabalho e que vendiam tudo o que possuíam. Também para derrubar a lógica egoísta dos núcleos domésticos, propunha-lhes uma hospitalidade sem retribuição, queria que as famílias hospedassem os deserdados, os pobres de pedir e também os doentes graves, reconfigurando, assim, radicalmente, a vida familiar.
Jesus sonhava com uma sociedade de iguais em que se praticasse a justiça e o amor recíproco. A atenção para com os pobres nada tinha de romântico, como a atitude típica de certas elites que exaltam a vida simples. Sabia que a doença e a pobreza extremas eram e são horríveis. Devem ser combatidas e eliminadas (1).
Nos Actos dos Apóstolos, foi imaginada uma comunidade onde todos eram um só coração e uma só alma e tinham tudo em comum (Act 4, 32-35). Muito mais tarde, S. João entendeu bem o espírito de Jesus: fazer família com quem não era da família, saltar todas as fronteiras para reunir todos os filhos de Deus dispersos (Jo 11, 52).
3. Não é por acaso que a Quaresma começa com Jesus assaltado pelas tentações da dominação económica, política e religiosa. Enfrenta-as como tentações diabólicas, que procuram desviá-lo do seu projecto e às quais responde com um não radical. S. Marcos mostra que os discípulos não percebiam esse caminho, essa alergia ao poder de dominação. Jesus não percebia como é que eles o queriam seguir sem abandonar as ambições do velho mundo e sem se converterem ao espírito de serviço desinteressado (Mc 10, 35-45).
Ao entrar na Semana Santa, é-nos lembrado que Jesus não morreu de velho nem de doença. A pretexto da sua intervenção subversiva, as autoridades políticas e religiosas moveram-lhe um processo que continua muito discutido. Foi condenado à morte e crucificado, talvez a 7 de Abril do ano 30, véspera do grande dia da páscoa judaica e executado nos arredores de Jerusalém, junto de uma velha pedreira. Teria, nessa altura, entre 34 e 36 anos.
Perante isto, é paradoxal que se coloque na boca de Jesus "Ninguém me tira a vida, sou eu que a dou", como se ele tivesse procurado o sofrimento e a cruz. Nas celebrações da Eucaristia, também se repete: "Na hora em que Ele se entregava, para voluntariamente sofrer a morte"... Isto pode parecer perverso: afinal, Jesus terá sido uma marioneta nas mãos de Deus e os que o condenaram e executaram, instrumentos da vontade divina?
Estas expressões dizem, no entanto, a verdade mais profunda: Jesus detestava o sofrimento e a cruz, mas para não trair, para não renegar o caminho de libertação que, por amor incondicional, escolhera, aceitou todas as consequências que lhe impuseram.
(1) Cf. Corrado Augias e Mauro Pesce, A Vida de Jesus Cristo. O Homem Que mudou o Mundo, Lisboa, Presença, 2008.

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março 08, 2008

Da "Cantiga da rua" ao "Regresso da rua"...

Nota: merece leitura o artigo de J.P. Pereira no Público de hoje, subordinado ao tema "O regresso da rua"

sábado, 8 de Março de 2008
O regresso da rua


Estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais

Há um ano, se alguém dissesse que a "rua" iria ser importante na política portuguesa, seria ridicularizado. Ou era comunista ou era um antiquado nostálgico do PREC ou, ainda pior, do Maio de 1968. Estava na moda a mania um pouco yuppie e reaccionária de pensar que isso das manifestações não interessava para nada, eram coisas de sindicatos e do PCP, que eram inócuas e que nenhum "decisor" sério, dos que enxameiam as páginas dos jornais de economia, as tinha em conta para alguma coisa. Deixá-los lá estar no seu nicho de arcaísmo, que é nos gabinetes que as coisas se resolvem.
Tudo isto é um pouco irónico porque hoje o país está suspenso de uma manifestação em que toda a gente está na rua, do PS de Alegre ao PSD. Até a parte PP do CDS-PP está na rua, a que mais nefelibata é sobre as manifestações, essas "coisas de comunistas", e vai lá sob a forma de uma minúscula associação de professores ligada ao partido. Para colocar a cereja no cima do bolo da "rua", até o Governo está a preparar uma contramanifestação daqui a uma semana, tentando arranjar uma sala suficientemente pequena para ter uma enchente e tecto e paredes grossas para não se ouvirem os assobios.
Se se estivesse atento aos sinais, percebia-se que a "rua" estava a encher-se de forma anormal, consistente, muito para além da força do PCP e da CGTP, há muito tempo. Ao mesmo tempo, também a força da central sindical pró-comunista e do último partido comunista a sério da Europa Ocidental estavam a aumentar porque não há uma coisa sem a outra. Era pelo menos óbvio que existia mobilização e essa mobilização estava a trazer para a "rua" primeiro gente da área que se tinha desmobilizado já há bastante tempo e, depois, gente nova, não em idade, mas na ida a manifestações.
Sempre maltratados pela comunicação social, que acha muito mais graça aos efeitos pirotécnicos do BE, sindicatos, grevistas e PCP continuavam a funcionar mais como um pólo de mobilização do que de atracção, mas, mesmo assim, com resultados num país que tem o "retrato social" de Portugal. Desde a táctica de desgaste de Sócrates, que ia dos assobios de meia dúzia de activistas à entrada deste para as suas sessões de propaganda e casting, estragando-lhe os cenários e o marketing, até à sucessão de greves para culminar em greves gerais, estava em curso um treino do clima de agitação. Com o agravar da crise social, com muita gente a empobrecer, a começar pela classe média, com conflitos corporativos suscitados pela linguagem das reformas apresentadas a cada grupo profissional como sendo "contra os privilégios injustos" do grupo profissional do lado, reformas com mérito feitas muitas vezes de forma incompetente e atabalhoada, com casos de abuso do poder, como o da DREN, com um ambiente de precariedade na função pública, as pessoas começaram a perder o medo, ou a ultrapassá-lo, e a perguntar a si próprias: "Por que razão é que não vou à manifestação, por que razão não faço greve, tão atingida, humilhada, desesperada que estou?" E faz greve e vai à manifestação.
Analisemos três momentos deste crescendo. Primeiro, a CGTP fez uma manifestação com cerca de 100.000 pessoas e continuou a indiferença. No tratamento noticioso valeu menos do que um anúncio da máquina de propaganda de Sócrates, menos do que um incidente parlamentar ou um caso de doença rara com que se metem as lágrimas nos telejornais. Nos blogues era o mesmo ambiente em pior, porque os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião. Mas as pessoas estavam lá, na "rua", elas pelo menos sabiam que eram muitas.
Segundo, atrás do núcleo duro do PCP e da CGTP, começaram a aparecer outras forças políticas, regionais e locais, a minar o PS por dentro, como aconteceu na contestação à política de saúde do Governo. As manifestações já tinham à sua frente autarcas do PSD e do PS e, facto decisivo, obtiveram uma enorme vitória: derrubaram na rua o ministro da Saúde. A contestação na educação não teria sido o que foi e é sem as pessoas terem a consciência intuitiva que podem de facto empurrar o primeiro-ministro para derrubar a ministra ou obrigá-la a ceder. Será difícil, mais pela ministra do que por Sócrates, mas este já mostrou que pode ser empurrado para um canto e no canto pede tréguas.

Terceiro, há a manifestação do PCP, também maltratada pela comunicação social, a primeira que o partido faz em seu próprio nome, debaixo das bandeiras vermelhas da foice e do martelo, com os manifestantes a mostrarem o cartão do partido em frente das janelas do Tribunal Constitucional. Foi como se fazia antigamente, antes da batalha, quando o comandante concentra as tropas de mais confiança, a elite, as falanges mais treinadas, a cavalaria pesada, queimados pelo sol de mil refregas, retirando-as ordenadamente do conjunto das tropas coligadas e juntando-as ao seu lado, para lhes falar ao espírito de corpo, gritarem uns gritos de guerra próprios e depois voltarem às fileiras comuns.
Era uma manifestação puramente política, algo que nenhum partido em Portugal seria capaz de fazer, com cinquenta mil pessoas a marcharem pelo PCP e pelo comunismo, uma coisa tão rara nos dias de hoje em todo o mundo que deveria suscitar toda a atenção e todas as análises, mas passou quase despercebida. Este facto não encaixa no quadro mental e comunicacional dominante dos dias de hoje, por isso é como se não existisse. E, no entanto, sem o ver, também não se vê o Portugal realmente existente e não aquele que nós pensamos em abstracto para o século XXI.

Para finalizar, o PS e o Governo resolveram mostrar quão grande era a contestação na "rua" mostrando quão pequena é a sua capacidade de mobilização: anunciaram uma contramanifestação pequenina, que todos os dias muda de sítio para encolher as paredes e parecer que é grande na televisão. Era para ser numa praça do Porto, é certo que uma praça muito pequena e bem fechada de limites, para passar depois para uma sala do tamanho de menos de metade da praça. Eu a pensar que um partido que está à frente nas sondagens e cujo primeiro-ministro ganha com facilidade o confronto eleitoral com a oposição não teria dificuldade em encher a Avenida dos Aliados de gente desde a câmara à Estação de S. Bento. Pelos vistos, teme não o conseguir e a sua fraqueza já concedeu a vitória aos adversários.
Seja como for, também o PS está na "rua", verdade seja dita que dos dois lados. O PS governamental vai para a rua, embora mais fraco do que o PS que vai estar na manifestação dos professores, ou que esteve nas manifestações contra Correia de Campos. Ora isto muda o caso de figura e representa a vitória da "rua" um ano depois do seu vilipêndio. Não é que o PS não tenha todo o direito de lá estar, mas é o facto, esse sim preocupante, de todos sentirem necessidade de lá estar. Isso é que parece o PREC, medidas as distâncias.
Estando Governo e oposição na "rua", frente a frente, estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais que impliquem mediações no processo político. Falência do Parlamento, em primeiro lugar, dos partidos, em particular do PSD, na oposição, e do PS como apoiante do Governo, falência de muitos instrumentos de mediação. Por isso é que, estando toda a gente na "rua", nem sempre se sabe como de lá sair. Historiador


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março 01, 2008

Do Nada para o Nada, caminhantes ...

nessa contínua e misteriosa busca do Mistério, com a orientação laboriosa de A. Borges

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fevereiro 29, 2008

"Tecno-luxúria"...conhece?

... ainda não se chegou a tanto, por estes lados. A experiência tecnológica de uma escola dos States, que apresento em entrada estendida, dá que pensar. De facto um "grande" e "excelente" professor continua a ser aquele que domina a palavra em toda a sua extensão e compreensão. E...a conversa, ou conversar, continua a ser grátis... para reflectir.

Patrick Welsh +/Washington Post * digital@publico.pt

Qual é o problema dos professores do liceu T.C. Williams?
Em Setembro, fomos transferidos para um edifício que custou 98 milhões de dólares (65 milhões de euros) em Alexandria (Virginia - Leste dos EUA, próximo de Washington), um dos liceus mais caros de sempre. As salas de aula são banhadas por luz natural. Todas têm um projector LCD montado no tecto, que transmite tudo o que eu queira colocar no meu computador portátil (desde leituras de poesia na Biblioteca do Congresso a entrevistas no YouTube com Toni Morrison e outros escritores) para um ecrã gigante na frente da sala.
O comportamento dos estudantes parece ter melhorado muito. Temos um refeitório que parece saído de um centro comercial de luxo, e que parece ter tido um efeito curiosamente tranquilizante, tal como também teve a presença de 126 câmaras de segurança.
Então, seria de pensar que os professores do T.C. estivessem extasiados. Mas passa-se exactamente o contrário.
A moral entre os docentes está ao nível mais baixo e o cinismo no máximo que eu vi em muitos anos. Qual é o problema?
É aquilo a que um antigo superintendente do sistema escolar de Alexandria descreve como "tecno-luxúria": uma doença que afecta gestores de escolas por todo o país e que se manifesta através de uma necessidade insaciável de adquirir os gadgets informáticos mais recentes, mais rápidos, mais exóticos - quer os estudantes precisem deles ou não.

O "liceu das geringonças"

A "tecno-luxúria" encontra-se na sua fase mais avançada no T.C., onde os nossos administradores fetichizaram a tecnologia de tal forma que alguns dos meus colegas descrevem a escola como o "liceu das geringonças".
Por exemplo: foi dito aos professores de ciência e matemática que não podem usar retroprojectores tradicionais para apresentar materiais às suas turmas - apesar de os professores dizerem que, em muitos casos, estas máquinas são superiores aos computadores para transmitir determinados conceitos.
Mas a avaliação dos professores actualmente não é feita pela sua capacidade de explicar a matéria aos alunos: o que interessa é saber se conseguem ter "salas de aula sem papel" - e quantas geringonças usam. Para parafrasear o filme Campo de Sonhos, se uma empresa de informática construir uma maquineta para a sala de aulas, o sistema escolar de Alexandria vai comprá-lo.
O mais recente é o "school pad". Este é um dispositivo portátil que permite ao professor passear-se pela sala de aula e fazer sublinhados no que o projector LCD for mostrando no ecrã. Por outras palavras, serve para poupar aos professores a meia-dúzia de passos necessária a chegar às suas secretárias e clicar no rato.
A administração escolar encomendou 77 "school pads" para o T.C., a um custo de 495 dólares (330 euros) cada um. Isto apesar de uma das professoras ter dito que o dispositivo a fazia lembrar de um brinquedo de infância: "É só uma maneira de gastar dinheiro para pessoas que são preguiçosas demais para escrever no quadro."

O professor ciborgue

Durante algum tempo, julguei que eram só os professores mais velhos como eu, imigrantes no mundo da Internet, que estavam a queixar-se da chamada "iniciativa tecnológica". Mas afinal até os professores mais jovens estão fartos.
"[Os administradores] preferiam ter um ciborgue a dar as aulas em vez de ter-me a mim", disse-me um jovem professor de inglês. "É a tecnologia como um fim em si mesma. O que conta não é ter coisas que funcionem ou ajudem os miúdos a aprender, é ter coisa que façam os administradores parecer dinâmicos, que passem ao público uma impressão de modernidade."
A escola praticamente admite isto no seu site na Internet, onde se pode ler este texto dirigido aos professores: "Imaginem esta manchete: "Escolas públicas de Alexandria reconhecidas pelo seu programa educativo de tecnologia de ponta; Bons resultados dos estudantes correlacionados com a implementação de tecnologias". Que tecnologias é que existem no liceu que podem conduzir a uma manchete como esta?"
Os administradores podem viver de manchetes, mas o objectivo dos professores é que os seus estudantes aprendam. "Os professores não deviam mudar a sua maneira de ensinar para se adaptarem a um engenho tecnológico qualquer", diz Peter Cevenini, director da divisão de ensino básico do Business Solutions Group da Cisco. "Ensinar é uma arte, e grandes professores podem ensinar de formas completamente diferentes. Há demasiadas escolas a tornar-se obcecadas por máquinas; compram engenhos informáticos apenas porque eles existem."

Na aula, a jogar no laptop

Os miúdos não se deixam levar pelas maquinetas. "O meu melhor professor é o professor Nickley", diz Jamal Stone, aluno do 12º ano. "Ele não liga a isso dos computadores. Usa só o quadro - o quadro inteiro. É enérgico, animado, espirituoso e percebe imenso de matemática. Obriga-nos a prestar atenção; não conseguimos distrair-nos nem tentando."
Jamal tem pena de muitos dos "professores sem papel", que estão sempre a tentar fazer os estudantes usar os seus laptops (oferecidos pela escola) na sala de aula: "Os professores julgam que têm os alunos concentrados em trabalho para a aula, quando na verdade estão em jogos de computador ou a surfar na Web", conta. "Quando os nazis dos computadores bloqueiam um jogo, os miúdos descobrem logo outro."
Outra aluna de 12º ano, Katerina Savchyn, confirma que às vezes usa o laptop para fugir ao tédio das aulas - vai para um jogo online chamado Helicopter.
Aliás, os portáteis oferecidos pela escola constituem um problema de várias maneiras. Estudantes queixam-se de perder imenso tempo nas aulas a tentar fazer uploads de programas necessários. Os laptops estão sempre com problemas em ligar-se ao servidor de wi-fi - mesmo depois de, há alguns meses, os "geeks" dos computadores terem ido a todas as salas de aula instalar novas memórias nos servidores. A administração escolar, que se apressou a dar os computadores aos estudantes há três anos, está constantemente a tentar adaptar-se à nova tecnologia.

Carregas no "enviar" e rezas

O que é mais desconcerte é que o excesso de tecnologia está a desanimar alguns professores jovens e talentosos. Um dos melhores na minha escola - um professor que é estimado por estudantes e pelos seus pais - põe as coisas nestes termos: "Há muito de bom nos computadores, mas estamos a ser obrigados a fazer uma quantidade exagerada de actividades neles. Muitas dessas actividades não se adaptam ao meu estilo de ensinar. Temos tantos obstáculos para superar que há dias em que chego à escola e não me sinto entusiasmado. Estas actividades de computadores só servem para nos afastar dos estudantes."
Claro, a grande questão não é se os professores gostam de passar o seu tempo a aprender a usar uma nova maquineta a seguir a outra; o importante é se esta procissão de novas tecnologias está a ajudar os miúdos a aprender. Pelo que vejo, não.
Um professor de matemática disse: "A matemática sai da ponta de um lápis. Não quero a resposta mais rápida; quero que os estudantes sejam capazes de desenvolver a resposta, de descobrir o seu porquê. A administração da escola parece achar que os computadores tornam a matemática fácil - mas a matemática tem de ser um processo complexo, de aprendizagem passo-a-passo."
Estas palavras são confirmadas por um professor de ciências sociais. Mais do que nunca, diz, "os nossos estudantes querem carregar num botão para ter uma resposta imediata de A, B ou C; cada vez menos querem pensar, porque pensar bem demora tempo".
Vejo o mesmo nas minhas aulas. Sobretudo quando é preciso escrever textos. Muitos estudantes enviam-me os trabalhos pela Internet; as margens do documento estão correctas, o tipo de letra é bonito, e a escrita é pior que nunca.
Parece que a regra se tornou: escreves, passas o corrector ortográfico, carregas no "enviar" e rezas.

+Patrick Welsh é professor de inglês no liceu T. C. Williams há mais de trinta anos
*exclusivo PÚBLICO/ Washington Post


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fevereiro 26, 2008

Sphaera Mundi

Pode a ciência cantar...emocionante...

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fevereiro 03, 2008

Bento XVI, "Sapienza": Liberdade de expressão.

Pela reflexão de Bento Domingues e de A.Borges, divulgo alguns textos de reflexão. Este primeiro, provém de Bento Domingues. Em princípio mais dois se seguirão sobre o assunto. Com a devida vénia ao autor, e ao jornal Público.Bom domingo.

segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Como nasceu a universidade?


O discurso de Bento XVI, lido por M. Marietti, acabou por suscitar um verdadeiro concerto de aplausos

1. O clericalismo e o laicismo são duas formas de fanatismo que se alimentam com o medo da verdade do outro, com o medo de que o outro possa ter razão.

O Papa foi convidado a falar na Universidade de Roma "La Sapienza", na cerimónia de abertura do ano académico. Em nome da defesa da laicidade, alguns professores e alunos protestaram. Bento XVI, face à situação, preferiu anular a visita. O discurso acabou por ser lido por M. Marietti, suscitando nos docentes, investigadores, pessoal administrativo e estudantes um concerto de aplausos. O reitor da universidade, Renato Guarini, no seu discurso de abertura, renovou o convite ao Papa. Segundo ele, uma universidade tem o dever de continuar livre, tolerante e aberta. Houve, depois, uma grande manifestação de desagravo na Praça de S. Pedro. Mas não é isso que tem importância. Decisiva é a questão de fundo: em nome da laicidade, uma universidade italiana - fundada, aliás, por um Papa - será obrigada a recusar o diálogo com uma das correntes mais constantes da tradição europeia? Como observou o matemático judeu Giorgio Israel, "é surpreendente que quem escolheu como lema a célebre frase atribuída a Voltaire - "lutarei até à morte para que tu possas dizer o contrário do que eu penso" - se oponha a que o Papa pronuncie um discurso na Universidade de Roma".

Bento XVI começava o seu discurso, precisamente, com a pergunta: o que é que pode e deve dizer um Papa numa ocasião destas? Foi convidado como bispo de Roma - que tem responsabilidades em relação a toda a Igreja católica - para uma universidade que já não é do Papa. Não esqueceu, porém, que este se foi tornando uma das vozes da razão ética da humanidade.

2. Acolhe a objecção: ao falar como Papa, não estaria a tirar conclusões da fé sem validade para os que a não partilham? Antes de responder a esta questão, levanta outra fundamental: o que é a razão? Como poderá uma norma moral demonstrar que é "razoável"? Serve-se da posição maleável de John Rawls para não deixar à razão "pública" o exclusivo da razoabilidade que também se pode encontrar em doutrinas que derivam de uma tradição responsável e motivada. A sabedoria das grandes tradições religiosas deve, por isso, ser valorizada como uma realidade que não se pode lançar impunemente para o cesto da história das ideias. Como representante de uma comunidade que guarda, em si, um tesouro de conhecimento e de sabedoria ética, fala como representante de uma razão ética. Bento XVI, em relação aos destinatários da sua intervenção, pergunta: o que é a universidade? Qual é a sua missão? Ele pensa que se pode afirmar que a verdadeira e íntima origem da universidade está na sede de conhecimento, própria do homem. Este quer saber o que é tudo aquilo que o rodeia. Quer a verdade. Neste sentido, o seguinte questionamento de Sócrates seria o impulso do qual nasceu a universidade ocidental. Diante de uma defesa da religião mítica e sua devoção, Sócrates contrapõe: "Tu acreditas que entre os deuses exista realmente uma guerra recíproca e terríveis inimizades e combates... Teremos nós, Eutifrone, de afirmar que tudo isto é verdade?"

Nesta pergunta aparentemente pouco devota - mas que, em Sócrates, derivava de uma religiosidade mais profunda e mais pura, ou seja, da busca do Deus verdadeiramente divino - os cristãos dos primeiros séculos reconheceram-se a si mesmos e ao seu caminho. Acolheram a sua fé, não de forma positivista ou como a via de fuga de desejos não realizados, mas como uma diluição da neblina da religião mitológica, deixando espaço à descoberta daquele Deus que é Razão criadora e, ao mesmo tempo, Razão-Amor. Por isso, ao interrogar-se da razão sobre o Deus maior e também sobre a verdadeira natureza e o autêntico sentido do ser humano, era para eles, não uma forma problemática de falta de religiosidade, mas fazia parte da essência do seu modo de serem religiosos. Por conseguinte, eles não tinham necessidade de diluir ou abandonar o questionamento socrático, mas podiam, aliás deviam, acolhê-lo e reconhecer, como parte da sua própria identidade, a árdua busca da razão para alcançar o conhecimento da verdade inteira. Assim podia, aliás devia, no âmbito da fé cristã, no mundo cristão, nascer a universidade.

3.O estilo do discurso de Bento XVI - do qual, hoje, só apresento a introdução - não é fácil para uma leitura de jornal. Ao procurar os fundamentos das relações entre a fé cristã e a razão, no horizonte da busca da verdade, num contexto de relativismo cultural, parece que não quer deixar nada por dizer, embora se note que também ele anda à procura. Veremos quais são os caminhos que propõe para a articulação das ciências, da filosofia e da teologia na universidade. S. Tomás de Aquino, celebrado amanhã na Igreja católica, começou a tornar-se o seu guia.


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janeiro 30, 2008

Barroso, tradição da matança do porco

in galeria foto de Público

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janeiro 13, 2008

Da confissão "auricular" às "penas do Inferno".

confession.jpg
foto daqui

Da minha antiga práctica religiosa, confesso que pequei um bocado ao confessar-me...principalmente quando o padre confessor queria saber "determinadas" coisas... mas como havia a absolvição final, a coisa compunha-se e vinha de alma lavada até ao primeiro pecadilho.
Bento Domingues, em mais uma das suas muito humanas e simultaneamente eruditas intervenções no jornal Público,
ajuda-nos a refectir sobre a questão.

O embaraço da confissão
Frei Bento Domingues O.P. - 20080113


No Ocidente, a maioria dos padres não manifesta grande pressa em "ouvir confissões"

1.Este é o título dado a um debate que terei de orientar amanhã, no Convento de S. Domingos, no programa das conferências mensais do Instituto São Tomás de Aquino (ISTA). Onde estará, porém, o embaraço, se, ainda não há muitos anos, o Catecismo da Igreja Católica e o Código de Direito Canónico, assim como as instruções de João Paulo II sobre O Sacramento da Penitência, foram tão desembaraçados a dizer o que é e como deve ser a "confissão auricular"?

O mal-estar vem de longe, reforçou-se com o Vaticano II e há quem tema e quem deseje que a confissão desapareça de vez. Entre nós, foi D. António Ferreira Gomes que, nas suas Cartas ao Papa, escreveu o que muitos pensavam e não diziam: "Factos são factos e o facto é que hoje, em grande escala, pequenos e grandes fogem do confessionário, sendo essa a maior causa da "descrença" de muitos que intimamente aceitam Cristo e o Evangelho."

Segundo o historiador J. Delumeau (1), todas as cronologias destinadas aos alunos do ensino secundário deveriam dar um grande relevo à decisão do IV Concílio de Latrão (1215) que tornou a confissão anual obrigatória. Esta norma modificou a vida religiosa e psicológica dos homens e das mulheres do Ocidente e pesou espantosamente nas mentalidades, até à Reforma nos países protestantes e até ao século XX nos que permaneceram católicos.

Como observa o monge beneditino Philippe Rouillard, professor de Teologia dos Sacramentos e da Liturgia, em muitas igrejas, os confessionários já só têm um valor de vestígio, se não foram comprados por antiquários para os transformar noutra coisa. V. Gómez Mier descreveu um desejado Adiós al Confesionario. Sem se poder generalizar, a verdade é que, no Ocidente, a maioria dos padres não manifesta grande pressa em "ouvir confissões", são cada vez menos os fiéis que pedem para "se confessar" e a maior parte dos que participam na missa de domingo avança para a Comunhão sem recorrer a esse ritual.

2.Apesar de todo este mal-estar, o citado Ph. Rouillard observa que, salvo no círculo muito restrito dos especialistas da liturgia, a confissão não provocou muitas investigações. Os historiadores que se poderiam interessar pelo assunto são católicos e não se sentiriam muito à vontade para abordar uma questão que os incomoda. Os confessores nunca poderiam dar qualquer informação por razões de absoluto sigilo (2). No entanto, não estamos completamente às escuras acerca da história da confissão. Além de estudos parciais, da "História" de C. Vogel sobre o pecador e a penitência na Igreja antiga e na Idade Média e da obra muito conhecida de J. Delumeau, um grupo de investigadores reuniu-se, durante 25 anos, para nos oferecer excelentes versões das "Práticas da confissão", desde os Padres do Deserto (IV-V) até ao Vaticano II.

Em face da contestação protestante, o Concílio de Trento (1545-1563) procurou fazer do sacramento da penitência o sustentáculo de toda a vida cristã. Se isto teve um grande êxito em muitos casos, acabou por minimizar a importância da Eucaristia e de alterar o seu verdadeiro sentido. A hostilidade que gerou, a partir do século XVIII, coincide com a afirmação progressiva dos direitos humanos e da autonomia da consciência, na qual ninguém pode mandar.

No século XX, a Congregação dos Sacramentos decidiu em 1910, por decreto, a idade do "uso da razão" - por volta dos 7 anos - para aceder à Primeira Comunhão eucarística, precedida de confissão.

As ameaças com as penas do inferno para quem não confessava os pecados mortais, incluindo, então, as crianças e os adolescentes, foi talvez um dos maiores desastres da pastoral da Igreja em toda a sua história. Não vale a pena perder muito tempo com esse detestável passado inquisitorial.

3.Não posso explicitar nem justificar, de modo adequado, uma perspectiva que entende o caminho cristão como uma conversão permanente, celebrada no Baptismo é retomada em todas as celebrações da Eucaristia.

As orientações na evangelização e na pastoral devem ter em conta a diversidade cultural, a promoção dos direitos humanos e o respeito pela consciência inviolável de cada um. No campo propriamente sacramental, é preciso, antes de mais, respeitar a sua hierarquia. Se a porta é o Baptismo, o mais importante dos sacramentos é a Eucaristia, que é também o grande sacramento da confissão dos pecados, da misericórdia e do perdão de Deus. Esta dimensão, iluminada pela proclamação da palavra do Evangelho, percorre toda a missa. Quando não se ajuda a perceber isto, arruina-se o que se pretende salvar com a "confissão auricular".

Certas práticas da confissão não foram apenas grandes crimes do ponto de vista cristão, foram também uma constante e infame desvalorização da Eucaristia como sacramento do perdão.

A Igreja viveu cerca de 12 séculos sem a norma da confissão auricular e Santo Agostinho nunca se confessou.

(1) L"Aveu et le Pardon: les difficultés de confession, XIII-XVIII siècle, Paris Fayard, 1990, pp. 13-14.
(2) Philippe Rouillard, História da penitência - Das origens aos nossos dias, Paulus, São Paulo, 1999.

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janeiro 05, 2008

Ser reconhecido... sg. A. Borges.Sugiro.

Em tempos de breves futilidades a reflexão de A.Borges, sobre tema clássico, onde a ternura de um gesto suplanta em humanidade a erudição da Filosofia...a ler

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janeiro 03, 2008

Foto-galeria 2007...sugiro.

Selecção Público

Selecção Reuters

Recolhido in: Jornal Público.

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janeiro 02, 2008

"O que é na realidade o Homem?" ... sugiro.

É o ser que decide o que é. É o ser que inventou câmaras de gás, mas ao mesmo tempo é o ser que entrou nelas com passo firme, murmurando uma oração.

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dezembro 29, 2007

Coisas do ano que passa...

Aproveito as sugestões do jornal Público de hoje, que podem ser consultadas na net, acerca de acontecimentos registados em vídeo. Sugiro também a apreciação das frases que se encontram a votação, logo na primeira página da edição online

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dezembro 03, 2007

"A fé de que eu gosto, diz Deus, é a esperança" ... sugiro.

...a crónica de Frei Bento Domingues, em tempo de Advento, essa teimosia que o Tempo insiste em vir a ser...

Advento de Deus e nosso advento

Frei Bento Domingues O.P. – 2007/12/02 (in Publico, por subscrição)

O calendário litúrgico lembra todos os anos aos cristãos que entramos no Advento. É uma palavra de futuro que, ao repetir-se todos os anos, parece evocar o eterno retorno do mesmo.

É o tempo que nos devora e não é o tempo que nos consola. Se parece escandaloso ter nascido sem ser consultado, não é com alegria que alguém pode escolher o tempo e o modo de morrer. Nietzsche, no entanto, desafia-nos a dançar nas prisões. Ao aproximar estas imagens contraditórias, evoca as estranhas relações do ser humano com o tempo. Se tivéssemos apenas cadeias, cairíamos no desespero; se não houvesse senão a dança, viveríamos na ilusão. A nossa relação com o tempo vive destas duas evocações: prisão e liberdade, mas a lógica do tempo escapa-nos. Podemos fechar os olhos e criar a ilusão de que o tempo não existe. Logo que os abrimos, o presente está sempre a ir para o passado sem nos poder dizer o futuro. É a nossa condição: viver nesta passagem fugaz e fugidia, onde tudo se inscreve e tudo se apaga.

Para o Eclesiastes, um belo livro do Antigo Testamento, a vida parece feita apenas de enganos: "Ilusão das ilusões - disse Qohélet -, ilusão das ilusões, tudo é ilusão." Mas ficar aí também seria uma ilusão. Consentir na nossa finitude é o começo de sabedoria. Segundo o poema de Qohélet, "para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para plantar e tempo para arrancar o plantio; tempo para matar e tempo para curar; tempo para destruir e tempo para edificar; tempo para chorar e tempo para rir; tempo para se lamentar e tempo para dançar; tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar; tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço; tempo para procurar e tempo para perder; tempo para guardar e tempo para atirar fora; tempo para rasgar e tempo para coser; tempo para calar e tempo para falar; tempo para amar e tempo para odiar; tempo para guerra e tempo para a paz." (Ecl 3, 1-8)

2.Há dois mil e oitocentos anos, o profeta Isaías - evocado, hoje, na primeira leitura da missa - esperava que Jerusalém fosse, finalmente, transformada na cidade da paz para todos os povos: "Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra." (Is 2, 1-5)
Dir-se-á que megalomania do desejo não tem limites. Espera contra toda a esperança e recomeça, mesmo depois das maiores desilusões. Em vez da paz, a chamada Terra Santa transformou-se na terra da violência e do sofrimento sem fim, de gastos astronómicos em armamento, que nem diante da bomba atómica recuaram.
Cada tentativa para chegar a um tratado de paz tem acabado numa desilusão. Quando, em 1995, tudo parecia bem encaminhado, Rabin, denunciado como traidor do Estado judaico, foi abatido a tiro por um judeu. Sempre que se aproximam as presidenciais nos EUA, a estratégia vira as suas baterias para as negociações. É o que está a acontecer agora, em Annapolis. Abriram-se novas negociações acordadas pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, com o patrocínio de G. W. Bush. Pretendem terminar, no final de 2008, com o reconhecimento comum de dois Estados - Israel e Palestina - a viverem lado a lado em paz e segurança. Como à partida tudo aponta para mais um fracasso, esperemos que Deus escreva direito por linhas tortas.

3.Não invoquemos, no entanto, o nome de Deus em vão, porque não tem culpa nenhuma da loucura dos homens. Espero que o advento do Deus da paz esteja sempre a acontecer. Se assim não fosse, Deus não seria Deus, o excesso permanente do dom. Nós, seres humanos, é que inventamos cada vez mais razões para adiar a reconciliação, mais prontos para a guerra do que para a paz. A omnipotência de Deus é discreta, porque não substitui nem a nossa razão nem a nossa vontade.
Há sempre Deus a mais e Deus a menos. Os fundamentalistas religiosos servem-se do nome de Deus para combater os "infiéis", os heréticos, os ímpios, os que não são da sua religião. Servem-se do nome de Deus para cobrir a sua ignorância e a insegurança das suas crenças. Os actuais militantes do ateísmo têm medo que Deus exista e, por isso, não compreendem que haja crentes que não abandonam o exercício crítico da razão nem a fé. Estes ateus comeram a razão toda. Esquecem que a razão humana tem a particularidade de ser assaltada por questões que ela não pode evitar - são-lhe impostas pela sua própria natureza -, mas às quais não pode responder porque ultrapassam totalmente o seu poder, como insinuava Kant, no prefácio da primeira edição da Crítica da Razão Pura.
Na Eucaristia de hoje, Paulo quer cristãos de olhos abertos. S. Mateus quer que eles sejam vigilantes, para se não perderem do discreto advento de Deus.
"A fé de que eu gosto, diz Deus, é a esperança" (C. Péguy). Eu também.A chamada Terra Santa transformou-se na terra da violência e do sofrimento sem fim

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novembro 11, 2007

Quem cala consente...sugiro.

Descubra porque não se deve calar e consentir

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outubro 29, 2007

Portugal, retrato social, sugiro.

Retrato social
Rodrigo Leão

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outubro 23, 2007

Não me calo nem aceito...


Impressionou-me, escandalizou-me, ou-me tanto que nem sei o que diga. Tanto quanto se fora uma tipa com a zona púbica em exposição intencional, "negligée, como agora se vê, desde a jovem estudante em sala de aula até à esposa-família dedicada...assim, não aceito e verbero todo o fundamentalismo e o falso pudor cultural que empana seres humanos num negritude definitiva...quem está por debaixo desse negro cobrimento, onde a expressão, o olhar a cor o tudo de um ser humano? Que os homens que vos obrigam sejam eternamente condenados a tal empanamento. Não acredito que alguém assim vestido, refiro-me à mulher de negro, não sofra e de acordo com a causa em questão, será sofrimento sobre sofrimento. Maldigo-vos carrascos culturais e fundamentalistas que não permitem a liberdade de um movimento que seja, o de uma pálpebra que se flicta...quero ser politicamente incorrecto!

karim sahibafp.jpg


23.10.2007


Falar sobre o cancro da mama, a doença que mais mulheres mata nos Estados Unidos e no Médio Oriente, é o objectivo da viagem que a primeira-dama Laura Bush está a fazer, misturando diplomacia e saúde. Hoje estará na Arábia Saudita, ontem esteve nos Emirados Árabes Unidos e, até sexta-feira, ainda há-de ir ao Kuwait e à Jordânia. "Acho muito importante que os habitantes do Médio Oriente saibam que nos EUA nos preocupamos com a saúde das mulheres, porque ainda há muito medo e vergonha aqui, como nós tínhamos há 25 anos", disse Laura Bush. Na Arábia Saudita, 20 por cento dos casos de cancro são da mama. E 70 por cento das doentes são diagnosticadas quando a doença já está muito avançada, quando nos países ocidentais isso só acontece em 30 por cento dos casos. Ontem, no Abu Dhabi, Laura Bush falou com mulheres envoltas em véus negros - sobreviventes de cancro da mama, que contaram as suas histórias pessoais ao lado da primeira-dama.
Nos países árabes, o cancro da mama ainda está associado a um grande estigma social. "As mulheres casadas ficam muito preocupadas com o efeito que a doença terá sobre os seus maridos e famílias, por isso muitas optam por nem fazer mamografias", disse Omniyat Hajri, médico dos Emirados Árabes Unidos habituado a tratar doentes de cancro da mama, citado pela televisão ABC. Laura Bush, cuja avó morreu com cancro da mama e cuja mãe sofreu da doença mas sobreviveu, leva a sua história pessoal como bandeira da viagem - mas que está a ser vista como uma forma de diplomacia suave, em nome do seu marido, que ficou na Casa Branca. Vai encontrar-se com os reis jordanos e sauditas, usando a sua própria imagem para b

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outubro 12, 2007

Woody Guthrie ...

Texto de Luís Maio no jornal público de 20 de Agosto de 2007

Sons com asas


Woody Guthrie & Lead Belly
Folkways: The Original Vision
Smithsonian, distri. MC-Mundo da Canção

A América dos anos 40
Woody Guthrie e Lead Belly são figuras emblemáticas da música popular norte-americana do século XX, mais directamente conotadas com o revivalismo folk dos anos 40, que abriu o caminho para a canção de protesto das décadas seguintes. Eram amigos e frequentemente actuaram juntos, raramente usavam mais do que voz e guitarra, economia de meios que acabou por definir um certo estilo de trovadorismo universal. Ambos contribuiram para mudar a face da folk ao recriarem canções tradicionais com letras e arranjos pessoais, que foram ignorados pelas grandes companhias discográficas na mesma medida em que se impuseram na cultura popular norte-americana. Assinalados os pontos em comum, haverá que reconhecer as diferenças que os separavam: Woody, o anglo-americano, era um arauto dos marginais e desfavorecidos, mais à vontade com uma máquina de escrever do que com uma guitarra, ao passo que Lead, o afro-americano, compilou o seu material em campos de algodão, bordéis e presídios do Sul, afirmando-se como uma voz mais visceral que doutrinária, mas também como um exímio guitarrista e pianista.
Ambos efecturam os seus primeiros registos para a Folkways de Moses Arch, ressuscitada em finais dos anos 80 pela não lucrativa Smithsonian Folkways. Esta operação passou pela regravação do reportório mais célebre de ambos por estrelas actuais que aprenderam com eles, como Bob Dylan e Bruce Springsteen. A homenagem chamou-se "A Vision Shared" e foi editada pela Columbia, acompanhada da reunião de duas dezenas dos registos primitivos de Woody e Lead, este "The Original Vision" que estreou a renascida Folkways. A presente edição da colectânea foi lançada em 2005 acrescida de mais meia dúzia de títulos, entretanto descobertos nos arquivos de Moses. São gravações rudimentares, efectuadas em regime espartano, mas que denotam o transbordante talento de dois artistas que foram capazes de definir uma época e a alma duma nação. A confrontação destas histórias de vadios, deliquentes e outros perdedores oferece ainda uma oportunidade óbvia, mas privilegiada, para confrontar a América dos nossos dias com a dos anos 40. Até se ficar a perguntar para que serviu tanta ambição.
n

Luís Maio

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outubro 10, 2007

A vida é feita de pequenos nadas...

…de pequenos nadas

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outubro 08, 2007

Que frescura de voz...Nancy Vieira.

... não me canso de me emocionar com os sons de Cabo-Verde. Música assim revela a alma e desdenha a miséria...para quando uma ida bem ida a Cabo-Verde?



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Nancy universal


Foi um acaso que a fez nascer em Bissau, a 1 de Fevereiro de 1975, apesar de ser filha de cabo-verdianos. "Os meus pais faziam parte do movimento de libertação, o PAIGC, e estavam lá a preparar a independência, que se deu em Julho."
Mas Nancy Vieira não demorou muito por ali. Com apenas quatro meses rumaria a Cabo Verde. Olhando para trás, além de Bissau (de que nem sequer se apercebeu), passou dez anos na Cidade da Praia, quatro no Mindelo e já quase 18 em Lisboa, onde cresceu para a música. "Em Cabo Verde, e em especial na ilha do meu pai, a Boavista, a maioria dos rapazes aprendia muito cedo a tocar um instrumento. Ele aprendeu a tocar guitarra, violino, cavaquinho, mais tarde piano. Os meus tios e tias também tocam. E eu ganhei esse gosto pela música, também muito cedo, mas sem nunca ter pensado seguir essa via."
Veio para Lisboa aos 14 anos, em 1989. "Eu já tinha estado em Lisboa, de férias, com 10 anos. Naquela altura, para qualquer criança em Cabo Verde vir de férias para Lisboa era uma coisa do outro mundo. Gostei muito. Fui a Fátima, ao Cristo Rei, a Belém... Para viver já foi diferente. Não tive problemas nenhuns de adaptação, porque vim com a família: o meu pai, a minha mãe, até as pessoas que moravam connosco vieram."
Fez amigos entre os filhos de outros cabo-verdianos, foi bem recebida nas escolas (era boa aluna): Rainha D. Amélia (do 10º ao 12º anos), ISCTE (três anos, Gestão). Depois licenciou-se em Sociologia e começou a trabalhar em publicidade e estudos de mercado. "Mas por pouco tempo, porque entretanto a música entrepôs-se." Começou, aliás, logo no ISCTE. "Tinha amigos que eram músicos amadores e tinham uma pequena banda. Eu de vez em quando assistia aos ensaios." O vocalista inscreveu-se num concurso de descoberta de novos valores e, um dia, convidou-a a ir com ele. "Convidou-me para cantar e, embora com um bocadinho de insegurança e timidez, cantei com ele. A minha voz chamou a atenção dos organizadores e eles propuseram-me participar, logo nessa noite, numa das eliminatórias. Escolhi a morna "Lua nha testemunha" e ganhei." Não apenas nessa noite: ganhou também na final. E como prémio gravou um disco.

Uma voz e outras músicas
Foi o primeiro, "Nôs Raça", editado em 1995. Quando surgiu o convite para gravar o segundo, "Segred" (2004), ela já tinha deixado o emprego para levar a música mais a sério: "Abriu-me as portas. Comecei a fazer concertos meus, convites para fora..." Mas foi durante a gravação do primeiro que conheceu o futuro produtor do disco que agora lança, "Lus": Jorge Cervantes, nascido em Lima, no Peru, em 1973. Era ele o técnico de som quando Nancy entrou num estúdio pela primeira vez. "Tornámo-nos amigos, mas passámos uns anos sem nos vermos. Encontrei-o depois em 2005 e ele disse-me que tinha estado a misturar o disco [colectivo] "Ao Vivo no B.Leza", gostou de me ouvir e que a minha voz lhe tinha dado umas ideias." Pois as ideias estão aí, em "Lus".
"Vi nele, ao fim de muitas conversas, uma pessoa que me entendia muito bem, musicalmente." Quem ouvir o disco com atenção, há-de notar que Cabo Verde está lá, mas de braço dado com o Brasil ou com Cuba, numa procura de soluções e arranjos pouco usuais em trabalhos do género. "Isso foi consciente e intencional", diz Nancy. "Acho que não fui a primeira a fazer essa fusão, mas este disco é muito a minha cara: uma cabo-verdiana da cidade, que sempre ouviu música tocada da forma mais tradicional possível em casa, mas que também ouvia outras músicas: brasileira, da América Latina. Além disso, o meu pai era amante de música clássica e jazz e tive irmãos que estudaram em Cuba e traziam, nas férias, muita música cubana." Tudo isto a par de Portugal, claro, e dos contactos que a partir de Lisboa estabeleceu (participou, por exemplo, nos discos mais recentes de Rui Veloso e da Ala dos Namorados).
Convidados, em "Lus", há muitos, como compositores ou músicos. Teófilo Chantre, Jon Luz, Vadú ou Princezito contribuíram com canções. Tito Paris e as Batucadeiras Voz d"África tiveram participações especiais; Bino Branco, dos Ferro Gaita, ou Miroca Paris, que acompanha Cesária Évora, gravaram em curtas passagens por Lisboa, em duas oportunidades meteóricas; Sérgio Valdeos e Juan "Cotito" Medrano, músicos de Susana Baca, que Nancy conheceu num concerto dela, gravaram a sua parte no Peru; e o Quinteto Diapason, cubano, gravou para dois temas em Alicante, no Sul de Espanha.
"No tema que dá nome ao disco, "Lus", nota-se mais o lado peruano, quisemos misturar o batuco com o landó. Já "Esperança de mar azul", que cantei com Tito Paris, é... Brasil, que está muito presente em Cabo Verde, como se sabe. Já "Verdade d"amor" não deixa de ser uma morna, é cantada em crioulo, mas não tem cavaquinho e mostra uma universalidade que eu própria ganhei, como pessoa, com todas as minhas viagens."


Nuno Pacheco (público, 21 de Setembro)

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setembro 23, 2007

No abraço de Cristo...

Cristo asiatico.jpg
Frei Bento Domingues com o seu saber e humanidade honra-nos com a sua reflexão dominical./a>

"Dos muçulmanos, a Igreja tem algo a aprender sobre a oração, o jejum e a esmola; dos hindus, a meditação e a contemplação; dos budistas, o desprendimento dos bens materiais e o respeito pela vida; do confucionismo, a piedade filial e o respeito pelos mais velhos; do taoísmo, a simplicidade e a humildade; do animismo, o respeito da natureza e a gratidão pelas colheitas.

A teologia do pluralismo religioso não emergiu de forma automática

1.Está à vista que, sem o acolhimento da pluralidade, o respeito e a valorização das diferenças culturais e religiosas, não é possível viver em paz. Para não ficarmos, apenas, na repetição de cerimoniais e declarações acerca do diálogo intercultural e inter-religioso, é indispensável aprofundar a própria significação do pluralismo. É esse, aliás, um novo paradigma, o paradigma emergente de algumas práticas teológicas.
Na teologia trinitária do pluralismo religioso, "o Espírito Santo é o abraço e o beijo de Deus ao mundo inteiro". Nessa catolicidade, cabe toda a terra e podem ser acolhidas todas as formas de vida espiritual e religiosa, situadas e vividas dentro dos limites de cada cultura. Quando se consente no espírito do Evangelho de Cristo, rompe-se com a lógica fixista e opressora que tenta as religiões: o dentro está fora, o alto está em baixo, a bênção está com os malditos e o julgamento do mundo acontece a partir dos mais abandonados (1). Por causa disso, M. Gandhi chegou ao ponto de dizer: se todos os livros sagrados da humanidade se perdessem, mas fosse salvo o sermão da Montanha, as Bem-Aventuranças, nada estaria perdido.
A teologia do pluralismo religioso não emergiu de forma automática. Foram sobretudo os missionários - os que reflectiram sobre os erros de certas formas de missionação - que ajudaram as Igrejas a descobrir que, antes de falar e intervir, devem escutar e acolher.
No contexto do Sínodo dos Bispos da Ásia, os da Malásia, Singapura e Brunei, ao interrogarem-se sobre o que a Igreja católica poderia aprender no seu diálogo com as outras religiões, concluíram o seguinte: "Dos muçulmanos, a Igreja tem algo a aprender sobre a oração, o jejum e a esmola; dos hindus, a meditação e a contemplação; dos budistas, o desprendimento dos bens materiais e o respeito pela vida; do confucionismo, a piedade filial e o respeito pelos mais velhos; do taoísmo, a simplicidade e a humildade; do animismo, o respeito da natureza e a gratidão pelas colheitas. A Igreja pode aprender muito com o simbolismo e a riqueza dos seus ritos existentes na variedade da sua veneração. Pode aprender, com as religiões asiáticas, a ser mais aberta, mais receptiva, mais sensível, mais tolerante e aprender a perdoar."

2.Esta atitude de tanta generosidade nem sempre é bem recebida. Há quem diga que, se estes bispos olhassem mais para a mensagem cristã, não precisariam de perder tanto tempo com as outras religiões: quem tem o mais tem o menos e ainda sobra. Estes bispos acabam por minar a urgência das missões e nem sabem para que foram ordenados.
Tal crítica esquece que as missões da Igreja têm uma história. João Paulo II teve o mérito de reconhecer, oficialmente, que ela nem sempre foi gloriosa e ele, por fidelidade ao Evangelho, multiplicou os pedidos de perdão e lançou o espírito dialogante de Assis.
"Pelo diálogo", dizia este Papa, "nós deixamos Deus estar presente à nossa volta; porque quando nos abrimos uns aos outros, no diálogo, abrimo-nos a Deus. [...] Por outro lado, enquanto discípulos de diferentes religiões, deveríamos reunir-nos para promover e defender ideais comuns nas esferas da liberdade religiosa, da solidariedade humana, da educação, da cultura, do domínio social e da ordem cívica."

3.Como diz Michael Amaladoss, apesar de Jesus ter nascido, vivido, ensinado e ter sido morto na Ásia, é muitas vezes apresentado como um ocidental. Não falta quem defenda que a difusão da Igreja, através do império romano, influenciada pela cultura grega e pelo sistema romano, político e jurídico, foi um sinal da providência divina. Não vou discutir, agora, esse ponto de vista. Não se pode esquecer, no entanto, que as expressões ocidentais do cristianismo, nomeadamente as suas definições dogmáticas, constituem dificuldades desnecessárias noutras culturas.
Os indianos acreditam que S. Tomé foi à Índia e foi martirizado em Chennai. Os bispos asiáticos, reunidos num sínodo consagrado à Ásia em 1998, propuseram algumas imagens simbólicas de Jesus que lhes pareciam mais significativas para os asiáticos de hoje.
Pode ser que os ocidentais julguem as imagens apresentadas insuficientes e até redutoras para captarem a significação da pessoa, da vida, da morte e da ressurreição de Cristo. Não é essa a posição dos teólogos asiáticos. Por exemplo, Amaladoss, um indiano jesuíta, professor de Teologia Sistemática e director do lnstituto do Diálogo com as Culturas e as Religiões, em Chennai (Índia), no seu Jesus Asiático (2), seleccionou nove figuras, nove imagens - Jesus, o sábio; o caminho; o guru; o satyagrahi; o avatar; o servidor; o compassivo; o dançarino; o peregrino - que abrem perspectivas muito mais amplas e acolhedoras do que as fórmulas dogmáticas. Elas estão mais perto das narrativas evangélicas e da cultura indiana.
O cristianismo não é incompatível com a filosofia grega, mas seria pouco católico, se apenas pudesse ser pensado e vivido segundo essas categorias. Esta observação vale também para novas expressões da fé na cultura contemporânea.

(1) Revista Concilium 319-2007/1
(2) Michael Amaladoss, The Asian Jesus, ISPCK, Delhi, 2005 (trad. fr.: Jésus Asiatique, Paris, Presses de la Renaissance, 2007

Frei Bento Domingues O.P. (Jornal Público de 23 de Setembro de 2007)

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setembro 22, 2007

Vídeo do dia by Britannica

Vídeo do dia da Enciclopédia Britânica/a>

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setembro 16, 2007

A paz tem alguma piada? ...

"Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho."
(Deepak Chopra, A Paz É o Caminho, Lisboa, Sinais de Fogo, 2007)

Retomo este meu exercício de partilha na blogosfera. E, porque domingo, sendo o "dia do Senhor", mas, não o querendo eu como dia de Senhor nenhum, aqui deixo a intervenção de Bento Domingues, crónica publicada no Jornal Pública, hoje, dia de Senhor nenhum...

O caminho mais curto para a Paz...

Frei Bento Domingues - 20070916

Gandhi não teve seguidores, mas o Dalai Lama reencarnou o seu caminho

1 Já está traduzido em português um livro notável de Deepak Chopra, inspirado em M. Gandhi: "Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho." (1) Sendo a guerra a praga que os seres humanos carregam consigo, o percurso desta obra termina com sete práticas para saber, em cada dia da semana, como viver em paz e ser pacificador. Pode parecer um programa muito básico, mas responde a uma pergunta fundamental do seu mestre: "Poderemos nós ser a mudança que queremos que haja no mundo?" Os sonhos começam a realidade: "Um dia haverá uma guerra e ninguém aparecerá" (C. Sandburg).
O autor deste livro de espiritualidade activa é médico endocrinologista, natural da Índia, radicado nos EUA. Entre as numerosas distinções, foi-lhe atribuído o Prémio Einstein, pelo Albert Einstein Institute College of Medicine em colaboração com o American Journal of Psychotherapy. Em conjunto com Oscar Arias e Betty Williams, laureados com o Prémio Nobel da Paz, fundou a Aliança para Uma Nova Humanidade, uma organização empenhada na justiça social, na liberdade económica, no equilíbrio ecológico e na resolução dos conflitos.
Esta obra integra-se numa espiritualidade que nos chega do Oriente. Como diz J. Masiá, a mensagem do budismo pode ser resumida em duas palavras: pacificar-se e pacificar. Inspira-se numa dupla tradição de vida contemplativa/interiorização e de vida em harmonia com a natureza e com as pessoas. Outra palavra-chave é "sair" de si mesmo por duas vias - pela contemplação e pela práxis solidária. Sair para fora da espiral do engano e da violência; sair da roda do eu superficial atado às desfigurações da realidade; sair para onde aponta a metáfora oriental - "vazio" e "nada" (não confundir com o niilismo) - donde se vêem as pessoas e as coisas, para lá das aparências.
Buda, Jesus, Confúcio e Sócrates são as quatro grandes figuras de pacíficos e pacificadores. Os quatro convidam a sair de si para dentro e para fora. Para dentro, para a meditação; para fora, para a compaixão e a solidariedade. Os quatro convidam a parar e a escutar a voz que, no interior do coração, nos diz a verdade sobre nós próprios e sobre a vida. Os quatro convidam à prática. Antes de perguntar quem disparou a flecha ou quem é o ferido, apressa-te a curá-lo, antes que seja tarde, dizia Buda (2).

2-No momento em que escrevo, ainda não sei como será acolhida a visita, a Portugal, do Prémio Nobel da Paz, XIV Dalai Lama, o símbolo actual da sabedoria no empenhamento pacífico e pacificador do reconhecimento, no interior da China, da autonomia cultural, religiosa e administrativa do Tibete.
Segundo o programa, a segunda visita a Portugal será essencialmente dedicada à apresentação de alguns livros fundamentais do budismo, aconselhados e explicados por Dalai Lama, sobretudo na Faculdade de Medicina Dentária. Para além de outros contactos, é aguardada com expectativa a conferência pública, no Pavilhão Atlântico, na tarde deste domingo, subordinada ao tema O poder do bom coração.
Esta visita foi preparada com a publicação de várias obras de referência do budismo tibetano. Dado que os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Tibete, a Revista Lusófona de Ciência das Religiões, dirigida por Paulo Mendes Pinto e Alfredo Teixeira, teve a feliz ideia de confiar a Paulo Borges (presidente da União Budista Portuguesa) a organização de um dossier dedicado ao estudo da presença do Buda e do budismo na cultura portuguesa. O resultado é notável.
O que me importa sublinhar é a sabedoria exemplar de Dalai Lama na luta pacífica pelo reconhecimento da autonomia do Tibete, embora ele esteja muito longe de conseguir a unanimidade dos tibetanos em torno das suas opções e do seu método. Até se pode dizer, não sem alguma razão, que a sua resistência não violenta acabou por servir os propósitos invasores e dominadores da China: os chineses já não precisam de se mostrar muito agressivos na ocupação do Tibete. O império chinês não tem falta de gente para substituir os tibetanos em todos os domínios.
Os séculos XX e XXI tiveram muitos revolucionários e libertadores. Alguns com aura de heróis, mas a invocação da violência dos oprimidos contra a violência dos opressores - uma fórmula que parece mais que legítima, em determinadas circunstâncias - não consegue saltar para fora do mundo da violência e do comércio das armas que corrompe e desgraça a humanidade dos oprimidos e dos opressores. Não gera uma nova humanidade. Não é uma alternativa.
M. Gandhi não teve muitos seguidores, mas Dalai Lama reencarnou, de forma notável, o seu caminho. Dir-se-á que a via da resistência activa na procura contínua do diálogo é demasiado lenta. E os recursos à violência têm sido rápidos na resolução de conflitos, na obtenção da paz?
O XIV Dalai Lama (Oceano de Sabedoria), que tem assumido a figura de dirigente político, de monge e de místico, só lhe interessa ser um monge e um místico budista ao serviço da compaixão universal (3).
(1) Deepak Chopra, A Paz É o Caminho, Lisboa, Sinais de Fogo, 2007.
(2) Juan Masiá, SJ, El otro Oriente. Más allá del diálogo, Sal Terrae, Santander, 2006.
(3) Mayank Chhaya, A Vida do Dalai Lama. O Homem. O Monge. O Místico. Biografia autorizada, Lisboa, Presença, 2007.

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agosto 17, 2007

Receitas para a Felicidade... sugiro.

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A leitura do Courrier Internacional, edição portuguesa, é sempre fonte de diversidade. Aconselho vivamente.

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agosto 16, 2007

Está morto o "Rei"? E. Presley...

Com a devida vénia ao texto - alerta mail do jornal Público de hoje, de autoria de Mário Lopes - que coloco em entrada estendida, nunca é demais relembrar E.Presley. Igualmente fica o registo musical com o seu famoso e escandaloso jogo de ancas...

Antes dele, não existia nada

Elvis Presley, o homem que, com um movimento de anca, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Elvis Presley, o provinciano que não soube conviver com o mundo que transformou. Morreu a 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos.


Em Graceland, Elvis Presley preparava-se para a digressão que iniciaria no dia seguinte. Passou a noite em claro, como tantas vezes acontecia por essa altura, resultado da dependência dos mais variados medicamentos e retirou-se para o seu quarto, às sete da manhã, para descansar antes do voo que, mais tarde o levaria a Portland. Não chegou a embarcar. Ao final da manhã, era encontrado morto. À tarde, a notícia corria o mundo: "Rei Elvis morto". 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos. Elvis had left the building. Permanentemente. Não ressurgiria noutro palco, noutro casino, noutro filme.
Causa da morte? Incerta. Só a saberemos em 2027, quando a sua autópsia passar a ser do domínio público. Culparam-se o excesso de medicamentos, culpou-se um coração fraco, uma vida sedentária e a desilusão com a artificialidade da sua existência naqueles últimos tempos. Charlie Feathers, companheiro dos primórdios do rock"n"roll, seria mais prosaico: "Elvis não morreu das drogas, morreu do pequeno-almoço". Na sua memória, as sandwiches de taxa calórica assassina que compunham a dieta do amigo, que não bebia álcool, que não se drogava com a heroína e a cocaína da praxe em estrela rock"n"roll.
Em 1977, engordado de forma grotesca, enfiado em fatos de um kitsch inenarrável, incapaz dos movimentos felinos de outrora ou de se lembrar das letras das suas canções, Presley continuava a ser um dos mais lucrativos artistas americanos. Os concertos, os curtos concertos que conseguia dar, esgotavam. O público, envelhecido como ele e, também como ele, distante da actualidade pop, acorria em massa para ver o mito. Elvis já não era humano. Era uma imagem, um ícone, uma certa ideia de América - que não era a nova América a que, inadvertidamente, tinha dado impulso decisivo nos anos 50. "Antes de Elvis, não existia nada", hiperbolizou John Lennon - mas estava certo. "Elvis morreu quando foi para o tropa", exagerou o mesmo Lennon - mas havia na afirmação um fundo de verdade.
De Tupelo à Elvislândia
Elvis Aaron Presley. Nascido em Tupelo, entre a pobreza da Grande Depressão, a 8 de Janeiro de 1935. O camionista que, com um movimento de ancas e uma música que reunia no mesmo corpo o country branco e o r&b negro, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Esse Elvis Presley detestado por conservadores adultos e idolatrado por adolescentes que não queriam e não podiam ser como os pais, foi destacado para o serviço militar em 1958, quatro anos depois de gravar o primeiro single, That"s All Right. A revolução estava lançada e Presley, provavelmente a figura mais importante da cultura popular americana do século XX, não soube como viver nela. Quando o coração parou a 16 de Agosto de 1977, Elvis já estava morto. O mito como grande herói americano, como entertainer supremo de excentricidade e voz imbatíveis, esse estava em construção há muito.
Tão cedo quanto 1956 o mercado foi invadido de produtos de merchandise - de águas-de-colónia a cães de peluche. Em 1971 já se faziam visitas guiadas à casa de Tupelo onde nasceu e, no ano seguinte, erguiam-se placas com a alteração toponímica da estrada fronteira à sua mansão: "Elvis Presley Boulevard".
Este presente em que Graceland é uma espécie de "Elvislândia" que recebe 600 mil visitantes por ano, em que milhares de pessoas vivem profissionalmente da imitação do "Rei", em que se vendem bustos "Elvis" robotizados que entoam as suas canções mais famosas (é só procurar no youtube) e em que até "edições especiais" da sua manteiga de amendoim preferida têm procura, ou seja, este Elvis caricatural que perdura na memória colectiva formara-se há muito. No meio de tudo isto, como descobrir este homem de quem falava Bob Dylan: "Quando ouvi pela primeira vez a voz de Elvis, soube que não iria trabalhar para ninguém e que ninguém iria ser o meu patrão"? Este a que Bruce Springsteen se referia desta forma: "Ele era tão grande quanto o próprio país, tão grande quanto o sonho completo. Nada tomará alguma vez o seu lugar"?
Em 30 de Setembro de 1955, James Dean morria ao volante de um Porsche. Juntamente com Marlon Brando, o "rebelde sem causa" mostrara pela primeira vez o retrato de uma juventude que não era apenas compasso de espera entre a inocência da infância e a seriedade do mundo adulto: abria-se um novo universo, convulsivo e irrequieto, rebeldia angustiada vivida como se não houvesse espaço para mais que o aqui e o agora. Poucos meses depois, a 20 de Novembro de 1955, Elvis Presley assinava contracto com a multinacional RCA. Já era então uma estrela no sul dos Estados Unidos, onde os singles gravados nos míticos Sun Studios - que albergavam ou albergariam Johnny Cash, Jerry Lee Lewis ou Roy Orbison - revelaram em primeira-mão alguém que, quando a RCA lhe assegura exposição nacional e internacional, amplificaria até ao grito ensurdecedor o revelado por James Dean. Elvis ficou-lhe com o corpo e tornou explícita a sexualidade implícita. Elvis não reteve a angústia, mas criou a música que, para horror do mundo adulto, a superou de forma incontrolável. "Como é que um freak como Elvis Presley pode encantar os nossos adolescentes é algo para além da minha compreensão", escrevia um colunista à época, citado num artigo publicado na revista Mojo de Maio de 2006. Obviamente que não percebia. A América que convivia confortavelmente com a segregação racial, com a prosperidade acrítica do pós-guerra, com a pureza virginal dos adolescentes, nunca poderia compreender aquele furacão que a transformaria profundamente.
O branco negro
Nascido em Tupelo mas criado em Memphis, Elvis Presley cresceu entre o blues e o gospel que fervilhavam na Beale Street, o centro da zona negra da cidade. Pela rádio, em casa, apaixonava-se pela country e pela voz de crooners como Dean Martin ou Perry Como. Tão desfavorecido financeiramente quanto os seus vizinhos negros, imune às fronteiras musicais de raça, a visão musical de Presley não incluía catalogações.
Sam Phillips, produtor e proprietário dos Sun Studios, procurava em Elvis um branco que tivesse a voz e o "feeling" de um negro. Conseguiu bem mais que isso.
Quando Elvis fez as suas primeiras gravações rock"n"roll já era expressão conhecida. Existia Bill Haley e o seu Rock Around The Clock, existiam Little Richard e Chuck Berry. O problema era que Bill Haley era demasiado velho e demasiado branco. O problema era que Berry e Richard eram demasiado negros. Elvis Presley transformaria tudo isso. Representou de forma magistral o microcosmos de uma América selvagem e desregrada que a América não queria ver e transformou não só a América, como o resto do mundo.
Estava tudo no ritmo insaciável de That"s All Right e na electricidade contagiante de Hound Dog. Estava tudo nessa inquietante Mistery Train e na sensualidade escaldante de Fever. Estava tudo na voz que passava do terno sussurro à provocação num par de acordes e naquele menear de ancas que levou a televisão americana a censurá-lo da cintura para baixo.
Em 1956, o single Heartbreak Hotel chegava a Inglaterra e, com ele, rumores de que, nos Estados Unidos, vários jovens se tinham suicidado ao som da música - eis o quão alienígena e perigosa parecia a sua música. Quando já era figura mundialmente conhecida, em 1962, o governo mexicano proibiu a exibição dos seus filmes após um motim durante a projecção de "GI Blues" - eis o quão "perigoso" era The King, mesmo depois da tropa.
A verdade, porém, é que Elvis Presley, o homem que deu voz e corpo a uma revolução cultural, o homem que não compreendia porque o atacavam os guardiães da moral e bons costumes - "a minha mãe gosta do que faço", ripostou uma vez; "o pessoal negro anda a fazer isto há anos e ninguém se escandaliza", defendeu-se outra -, nunca deixou de ser o miúdo do Mississipi que idolatrava o gospel, o country e o blues, o miúdo que desejava secretamente seguir os passos de Dean Martin e James Dean (excluindo a parte do Porsche). Não deixou de ser o provinciano que, exceptuando uma breve digressão canadiana, nunca actuou fora dos Estados Unidos em toda a sua carreira, e que se propôs a Nixon, em 1970, para servir o governo americano como agente atento aos perigos da "contracultura hippie" e dos Black Panthers.
As lantejoulas
Em meia década, Elvis Presley transformou o mundo. Passaria o resto da vida a não se reconhecer nele. Os Beatles e os Rolling Stones anunciavam uma nova ordem nos anos 60 e Presley abandonava os palcos para se dedicar em exclusivo a péssimos filmes série-B. O psicadelismo aparecia, a soul sofisticava-se, sucediam-se as mais diversas e arrojadas experiências artísticas e lá o encontrávamos no final dos anos 60 e em grande parte da década seguinte em Las Vegas, actuando para fãs acríticos e aburguesados.
Claro que há nuances. Claro que em 1968 viveu um breve renascimento, em esplendoroso cabedal rockabilly, no famoso 68 Comeback Special em que exibiu a chama de outrora - In The Ghetto e Suspicious Minds, os seus últimos clássicos absolutos, são resultado dele. Tal porém, foram fogachos num percurso de crescente excentricidade e decadência.
Colonel Tom Parker, na realidade Andreas Cornelis Van Kuijk, holandês e imigrante ilegal - eis a razão, sabe-se agora, para sempre se ter oposto a digressões internacionais de Elvis -, dirigiu-o como máquina de lucro fácil sem encontrar grande oposição. Presley, que alguns descrevem no final de vida como um homem amargurado e com tendências paranóicas à Howard Hughes, foi crescendo. Em lucros, em peso, em lantejoulas, em megalomania: durante a década de 70, a sua entrada em palco chegou a ser feita ao som de Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss. Se cantava My Way, não o fazia gloriosamente como Sinatra - havia um subtexto trágico naquele Elvis Presley a cantar aquela canção.
Quando, a 16 de Agosto de 1977, a noiva Ginger Alden o encontra, sem vida, no chão da casa de banho de Graceland, a lenda estava a um passo de se transformar em culto quase religioso: os imitadores, as peregrinações a Graceland, os duetos virtuais com Celine Dion aí estão para o mostrar bem vivo, trinta anos depois. O seu legado, de tão massivo, torna-se quase imperceptível. Está por todo o lado, em qualquer manifestação de música popular urbana tal como a conhecemos. Sabê-lo, hoje, agradaria certamente a Elvis Aaron Presley.
O supracitado artigo da Mojo refere que, meses antes de morrer, numa suite de hotel, escreveu a seguinte nota: I"m glad everyone is gone now/ I will probably not rest tonight/ I have no need for all of this/ Help me Lord.

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Mário Lopes ( In Público)

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julho 28, 2007

Oriente/Ocidente; O eixo do tempo... reflexão de A.Borges


O conforto semanal da reflexão de Anselmo Borges ...valerá a pena sair do facilitismo imediato da "notícia" que infelizmente fascina e se impõe no circo... sugiro que se vá mais em profundidade e se aproveite a "sageza" deste filósofo e teólogo. Santos da casa também podem fazer milagres... bom dia!

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julho 24, 2007

Nazanin Afshin-Jam ... sugiro.

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Nazanin Afshin-Jam, a mulher que salvou Nazanin
No Canadá é uma estrela. Uma pop-star, mais precisamente. Antes de mais, Nazanin Afshin-Jam é famosa por ser famosa e é famosa por ser bonita. Só que os seus talentos não ficam por aqui...

Os seus retratos profissionais apresentam-na como cantora, compositora (das suas canções), modelo e actriz. Se ignorarmos uns contratos como modelo quando era estudante, a sua primeira actividade profissional foi como Miss: Miss Vancouver, Miss Swimsuit, Miss World Canada, Miss Desporto, Queen of the Americas e um segundo lugar no concurso de Miss Mundo em 2003. De caminho, foi participando em meia dúzia de episódios de séries de televisão. Aos títulos de beleza seguiram-se os habituais contratos para fotografias, aparições públicas, participações em programas de TV e de rádio, entrevistas várias e uma chuva de capas de revistas. Como cantora a sua carreira é curta: o primeiro álbum (Someday) foi publicado no mês passado e está a fazer uma carreira aparentemente bem sucedida.
Mas Nazanin (é este o seu nome artístico) é também outra coisa: uma militante pelos direitos humanos que conquistou a notoriedade no seu país e para além dele com uma campanha para salvar uma jovem condenada à morte.
Seria aliás mais correcto dizer "nos seus países" porque Nazanin tem dois: o Irão e o Canadá. Nasceu no Irão (Teerão) em 1979, durante a Revolução Iraniana que levaria Khomeini ao poder. A sua família fugiu para a Europa e posteriormente para o Canadá em 1981, depois de o pai ter sido preso pela Guarda Revolucionária de Khomeini, torturado e condenado à morte.
Na Universidade de British Columbia, Nazanin estudou Ciências Políticas e Relações Internacionais, estudos que complementou com pós-graduações em França e Inglaterra. Enquanto estudava teve tempo para aprender a pilotar aviões (fez o curso dos Royal Canadian Air Cadets), além de se dedicar à prática de vela, caiaque, karting e dança e de trabalhar como voluntária da Cruz Vermelha em campanhas contra as minas terrestres e em defesa das crianças que vivem em zonas de guerra. Depois disso, a actividade de Nazanin foi muito além da das jovens que se limitam a declarar no palco que se pudessem concretizar um desejo pediriam "a paz no mundo".
A história da sua família, o seu trabalho como voluntária da Cruz Vermelha e o facto de ter sido uma jovem iraniana que participou em concursos de beleza, passeando-se em fato de banho à frente dos olhos de milhões de homens (só para o desfile de Miss Mundo houve 2200 telespectadores), permitiu-lhe uma experiência directa do que são os atentados às liberdades no mundo de hoje. Porquê os desfiles? Porque a visibilidade da sua participação teve como preço as críticas dos sectores conservadores da comunidade iraniana no Canadá, as ameaças de fundamentalistas islâmicos e mensagens de apoio de jovens iranianos que lhe permitiram ter uma noção da limitação das liberdades e da repressão das mulheres no seu país de origem.
A campanha que deu notoriedade a Nazanin foi porém a campanha para libertar Nazanin. Outra Nazanin, Nazanin Mahabad Fatehi, uma jovem iraniana de 17 anos condenada à morte por enforcamento a 3 de Janeiro de 2006 por ter apunhalado um dos três homens que a tentaram violar a ela e a uma sobrinha de 15 anos, num parque de Karaj, um subúrbio de Teerão.
Nazanin Afshin-Jam iniciou uma campanha pela sua libertação que incluiu o lançamento de uma petição que recolheu mais de 350.000 assinaturas, a produção de um documentário (The Tale of Two Nazanins), contínuas acções públicas e intervenções nos media e uma actividade de lobbying junto das autoridades iranianas e das Nações Unidas. A campanha pela libertação de Nazanin conseguiu mobilizar a Amnesty International, o Parlamento canadiano, a União Europeia e levou as autoridades judiciais iranianas a rever o caso, suspender a condenação e realizar um novo julgamento que se saldou por uma absolvição, em Janeiro passado.
Mas Nazanin Afshin-Jam
não parou aqui. Lançou a campanha Stop Child Executions Campaign (www.stopchildexecutions.com) que tenta anular
as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão
e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores. A lista dos crimes dos que foram executados nos últimos anos inclui actos como "atentados contra a castidade" ou dar aulas de religião Baha"i.
A acção de Nazanin Afshin-Jam no caso de Nazanin Fatehi foi distinguida com o Prémio Herói dos Direitos Humanos, atribuído pela organização Artists for Human Rights, dirigida pela actriz Anne Archer.
Nazanin Afshin-Jam também provoca críticas. Há quem diga que as suas simpatias políticas estão do lado de Reza Pahlavi, o filho do último xá do Irão, e que os seus verdadeiros motivos seriam a reinstauração da monarquia no país ou que a sua actividade humanitária é apenas uma forma de promoção pessoal. Mesmo que seja assim, se essa promoção continuar a defender os direitos humanos e a salvar vidas, parece um tipo de promoção totalmente louvável.
n

José Vítor Malheiros (Público de 22/07/07)

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julho 22, 2007

Super Star Jesus and women ...

Frei Bento Domingues que me permita esta associação entre a famosa canção nesta versão bem antiga e o seu texto. A "modernidade" feminina de Cristo ainda continua por realizar e, a Instituição Católica bem precisa de "sentir" este magnífico desabafo musical...I love him so...

(...) Jesus fez delas discípulas do Evangelho. Acabaram por demonstrar mais ousadia e responsabilidade do que os homens. Maria representa a mulher discípula, aquela que escuta a palavra e a segue. Marta ainda é o tipo de mulher reduzida à "cozinha". Esta revolução não durou muito, salvo em casos extraordinários. No geral, voltou-se ao tempo anterior a Jesus.

Mulheres fora da cozinha (http://jornal.publico.clix.pt/)

22.07.2007, Frei Bento Domingues O.P.


É a mudança de estatuto que a mulher consegue na comunidade de Jesus


1 As feministas cristãs queixam-se de que as cristologias, e até as obras mais rigorosas sobre o Jesus histórico, continuam a ser elaboradas como se as mulheres não existissem. Ora, se há um ponto no qual as narrativas evangélicas são inovadoras é, precisamente, pelo lugar que nelas é dado, por Jesus, à defesa das mulheres e pelo protagonismo que assumem nos momentos mais decisivos do seu itinerário.
Também a celebração da liturgia deste domingo é comandada por um texto sobre dois tipos de mulher. Não é a primeira vez que elas surgem no Evangelho de Lucas. Uma prostituta entra em cena loucamente apaixonada por Jesus e ficará, para sempre, como símbolo das pessoas que o amor puro transformou até à raiz (Lc 7, 36-50).
Logo a seguir, outras são apresentadas como mulheres libertas - curadas de espíritos malignos e doenças - que acompanhavam o Mestre com os doze apóstolos, por cidades e aldeias: Maria chamada Madalena, da qual haviam saído sete demónios, Joana, mulher de Cuza, o procurador de Herodes, Suzana e várias outras, que os serviam com os seus bens. Estas discípulas aparecem como financiadoras do projecto de Jesus (Lc 8, 2-3). De, facto, seguem-no até ao túmulo e foram elas as surpreendidas pela ressurreição de Cristo. Serão também elas a evangelizar os apóstolos que, entretanto, tinham desertado (Lc 23, 24).
Regressemos, porém, ao Evangelho deste domingo: "Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sue palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: "Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me." O Senhor respondeu-lhe: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada."" (Lc 10, 38-42).

2
Nunca somos neutros na leitura de um texto. Há, certamente, limites para a sua interpretação, mas esta parte sempre de alguns pressupostos conscientes ou inconscientes. As narrativas evangélicas não escapam a essa condição. Além disso, carregam dois mil anos de leituras. Esta passagem já teve vários usos nas Igrejas cristãs. Serviu, de modo especial, no âmbito dos carismas da vida religiosa, pare exaltar o primado da "vida contemplativa", de mulheres e homens, sobre a "vida activa".
A investigação da verdade e a contemplação da beleza eram sempre mais valorizadas do que as actividades exteriores, consideradas menos nobres, entregues ao que é passageiro em contraposição ao que é eterno.
Se este esquema respondia bem ao primado absoluto de Deus, tornava-se incapaz de interpretar a própria vida de Cristo. Tomás de Aquino, na sua cristologia, pergunta se não seria mais conveniente que Jesus se tivesse dedicado à vida solitária, à vida monacal, do que à intervenção na sociedade. A sua resposta não é simplista. Começa por reconhecer que a vida contemplativa em si mesma, não tendo em conta qualquer outra consideração, é melhor do que a vida activa que se ocupa de actividades corporais. No entanto, a vida activa, segundo a qual alguém, pregando e ensinando, dá aos outros a realidade contemplada, é mais perfeita do que a vida que só contempla, dado que tal género de vida só pode brotar de abundante contemplação. E foi essa que Cristo escolheu para si. É melhor iluminar do que ser apenas um iluminado (ST III q. 40, a.1, ad 2).

3A distinção entre vida activa e contemplativa não deve, no entanto, ser desvalorizada, embora a vida activa possa ser fonte de contemplação. Bem-aventurados os que atingem um estado contemplativo no meio da agitação! A necessidade de cortar com o quotidiano, não só para o ócio e para o desporto, mas também para meditar e saber hierarquizar o que é importante e o que é secundário, é cada vez mais sentida. Quem não compreende isto arranja programas de fim-de-semana e de férias para aumentar o barulho.
Há, no entanto, uma outra leitura para o estranho diálogo de Jesus com Marta a propósito da insensibilidade de Maria para o serviço da casa. Marta tem de fazer tudo e Maria está sentada na conversa e, ainda por cima, é elogiada.
Em geral, não se repara no seguinte: o que está em causa é uma revolução. É a mudança de estatuto que a mulher consegue na comunidade de Jesus. Ele cresceu numa sociedade na qual as mulheres só contavam para dar filhos e trabalhar. Eram uma propriedade do marido, que as podiam repudiar por qualquer motivo e elas não podia pedir o divórcio. Não havia rabinas nem escribas ou doutoras da Lei. No Templo e na sinagoga, estavam à parte.
Jesus fez delas discípulas do Evangelho. Acabaram por demonstrar mais ousadia e responsabilidade do que os homens. Maria representa a mulher discípula, aquela que escuta a palavra e a segue. Marta ainda é o tipo de mulher reduzida à "cozinha". Esta revolução não durou muito, salvo em casos extraordinários. No geral, voltou-se ao tempo anterior a Jesus.

Publicado por morfeu às 10:05 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 20, 2007

O Beijo, essa maravilha ...

Publicado por morfeu às 06:44 PM | Comentários (9) | TrackBack

julho 14, 2007

Nesta acalmia da tarde, conjugo o verbo transcender... com...

...a devida vénia à sempre estimulante crónica de Anselmo Borges no Diário de Notícias.
Pensar é ultrapassar, transcender.

Publicado por morfeu às 04:18 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 02, 2007

A Esfinge esse ser obsessivo...

… Em reflexão, uma vez mais, com as sábias palavras de A.Borges..."

Publicado por morfeu às 08:51 AM | Comentários (3) | TrackBack

junho 23, 2007

O Homem, esse desconhecido... sugiro.

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Então, o enigma é este: provimos da natureza, mas contrapomo-nos a ela, somos simultaneamente da natureza, na natureza e fora dela."

Publicado por morfeu às 08:29 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 27, 2007

E domingo, e a Procissão sg/ João Villaret.

Sendo domingo ... nada melhor para a salvação da alma do que João Villaret "dizendo" a Procissão...

(Clique na imagem para ouvir...)

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abril 12, 2007

O "humor" ao poder ...

O Ricardo Araújo não precisa de apresentação. Devo apenas acrescentar que a crónica que segue em entrada estendida revela o humor no seu máximo...só espero que mesmo assim, ninguém se ofenda...

humorricardo.jpg

Publicado por morfeu às 12:18 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 18, 2007

... "po(i)", com o sentido de proteger, defender ...

(...) O pai humano é criador - com-criador, juntamente com a mãe (o óvulo feminino só foi descoberto em 1827) - de um ser livre. E isto é misterioso. (...)

Publicado por morfeu às 08:44 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 01, 2007

Do extraordinário em mim ...matemática ...

« L'essence des mathématiques, c'est la liberté. »
Georg Cantor

(in wikipédia, version francesa)

Publicado por morfeu às 02:39 PM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 01, 2007

Do Tempo...

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No Museu do Prado, em Madrid, há um pequeno quadro da autoria de Simon Vouet, representando O Tempo vencido pela Esperança e pela Beleza, aonde volto sempre. A Beleza agarra o Tempo pelos cabelos. A Esperança ameaça-o e detém-no com uma âncora.

(A. Borges:In Dn de 31 de Dezembro de 2006)

Publicado por morfeu às 08:10 PM | Comentários (4) | TrackBack

novembro 06, 2006

Dúvidas que podemos resolver...

De há algum tempo a esta parte, o jornal público em edição aberta, expõe uma secção de dúvidas linguísticas. Saúda-se a iniciativa e vamos lá a aprender todos, pobres, ricos, enfermeiros e professores, médicos e ministros, convencidos e ... toda a maralha de insucesso que por aí transita ... aqui

Publicado por morfeu às 09:12 AM | Comentários (1)

novembro 02, 2005

Os atributos da música...

jbsimenonatributesmusic.jpg
The Attributes of Music,
(oil on canvas by Jean-Baptiste-Siméon Chardin, 1765; in the Louvre, Paris)


Publicado por morfeu às 01:39 PM | Comentários (1)

outubro 09, 2005

Estas pessoas existem?...sugiro

Exílio…simplesmente

...agora que se gastaram milhões em propaganda espúria...resta-me a enorme dúvida sobre quem quer dignamente trabalhar, nem que para isso faça a volta a Portugal todos os dias...haja Deus!

Publicado por morfeu às 10:28 AM | Comentários (4)

setembro 23, 2005

A emoção da semana...sugiro

...coisas que me tocam, me emocionam, e, pelo seu extraordinário, me impedem de desesperar do "bicho humano"...

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(In revista Pública de 18 de setembro, nº486)

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Burros e livros
Monte Reel

Todos os fins-de-semana, Luís Soriano e dois burros carregados atravessam montes e vales no Norte da Colômbia, onde aldeias como El Dificil e El Tormento receberam estes nomes, e bem, porque a única forma de lá chegar é através de trilhos tortuosos.
A missão de Soriano é quixotesca e a carga dos burros é preciosa: caixotes com 160 livros destinados às aldeias isoladas, onde os residentes não têm virtualmente acesso à leitura, para além de alguns textos da escola primária, em folhas já marcadas por muitas dobras, e Bíblias.
Há cinco anos, esta biblioteca itinerante, a que Soriano chama "biblioburros", é a única nesta pobre e remota zona rural.
"As pessoas daqui adoram histórias", diz Soriano, de 32 anos, antigo livreiro desta aldeia do estado da Magdalena. "E eu tento, à minha maneira, manter vivo esse entusiasmo."
Soriano apaixonou-se pelos livros aos seis anos e licenciou-se em Literatura espanhola depois de ter estudado com um professor que se deslocava à aldeia duas vezes por mês. Esta paisagem rude, onde viveu toda a sua vida, poderá fazer despistar qualquer meio de transporte com rodas, enquanto os animais, penosamente, lá vão progredindo. "Os animais são baratos, fiáveis, não necessitam de gasolina e podem ir praticamente a todo o lado", observa.
Numa pasta vermelha, Soriano guarda uma lista dos títulos que os aldeãos pedem com maior frequência. Embora a sua biblioteca itinerante inclua romances, histórias e textos medicinais, os livros mais populares são as histórias infantis com acontecimentos incríveis, em locais improváveis, onde os animais se assemelham aos homens e são os heróis. Talvez seja por isso que Soriano e os seus burros se enquadram tão bem aqui.
Recentemente, antes da sua volta semanal, à noite Soriano coloca os livros em bolsas de plástico individuais, fechadas em capas de lona. Ele arruma as capas em pacotes do tamanho de pastas, aconchegando-as em caixotes de madeira que prende nas selas dos burros. Soriano tem apenas duas regras para quem quer ler os livros: lavar as mãos e não escrever nas páginas. Ele sabe quem levou este ou aquele livro, mas declara confiar mais no sistema da honestidade.
"Talvez seja uma das únicas bibliotecas do mundo onde as pessoas vêm com as suas mochilas e não são controladas à saída", observa Soriano.
Antigamente ele levava uma vida mais normal, pois era dono de uma loja de abastecimento e tinha uma família para criar. Lia por prazer e tinha em casa uma biblioteca com cerca de 80 volumes. Depois, começou a emprestar os seus livros, vasculhando, pedindo e emprestando para obter mais. Acabou por aumentar a colecção para 4800 livros. A sua mulher, Diana, estava cada vez mais desesperada com falta de espaço para criar os três filhos. "Ela costumava perguntar-me: "O que vais fazer, comer livros com arroz?"", conta Soriano.
Há três anos, Soriano encontrou um patrocinador. Addis Marilyn, director da biblioteca municipal de Santa Marta, uma cidade a cerca de 300 quilómetros, situada na costa das Caraíbas, ouviu falar do que ele fazia e convidou-o para trabalhar como uma sucursal sua. Aproveitando a ideia de Soriano, Marilyn patrocinou outros dois projectos de "biblioburros". Actualmente, os três partilham um orçamento que ronda os sete mil dólares.
Soriano diz não ter tido sorte ao pedir ajuda às autoridades locais para montar uma biblioteca decente, mas o governo nacional interessou-se mais. Ainda há pouco tempo, um senador propôs-lhe criar uma rede de bibliotecas transportadas por burros para todas as zonas rurais da Colômbia.
Para se preparar para esta viagem, uma jornada de três horas até à aldeia de Las Planadas, além dos livros Soriano embalou também 40 máscaras de porquinho que conseguiu obter com a ajuda de Marilyn. Ele pretende distribuí-las às crianças da aldeia antes de estas lerem "Os Três Porquinhos". Como idealista que é, Soriano pensa que se houver bastantes pessoas a apaixonarem-se pelas histórias, poderá quebrar-se o ciclo de 40 anos de violência entre os guerrilheiros e as forças paramilitares.
Os soldados paramilitares, que alegadamente usam os lucros da venda de droga para financiar um sistema de intimidação e ameaças de morte, controlam grande parte das aldeias da região. Mas Soriano diz que ele e os seus burros se mantêm afastados de tudo isso e, em troca, os militares respeitam-no. Muitas das crianças não sabem ler, por isso, ele ensina-as frequentemente. Por vezes, também ensina os pais.
Alberto Mendonza, de 11 anos, ajoelha-se juntamente com os outros. A sua família, ao contrário das restantes crianças, tem um livro em casa.
"Temos um livro", declara. "A Bíblia."
Numa visita anterior, Soriano mostrara a Alberto um livro ilustrado sobre um filhote de urso que passa uma tarde inteira a construir castelos na areia e a regar um jardim cheio de flores com o seu avô. Hoje, esse mesmo livro encontra-se pendurado numa árvore. Quando Soriano termina a história e diz às crianças que podem escolher os livros que querem, Alberto corre para a árvore e agarra o livro do ursinho antes que alguém consiga lá chegar.

Tradução de Francisca Sacadura


Publicado por morfeu às 12:45 PM | Comentários (4)

setembro 07, 2005

Deusa das mil mãos...

Deusa das mil mãos

Um Vídeo deslumbrante, em que 21 dançarinos chineses interpretam a Deusa das Mil Mãos.

Agora um detalhe: eles são todos surdos!
Fazem parte de uma troupe de artistas com deficiências, e obedecem às instruções de pessoas que usam linguagem de sinais,colocadas nos quatro cantos do palco.

Publicado por morfeu às 12:06 AM | Comentários (3)

agosto 28, 2005

Le Corbusier, In memoriam...sugiro

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Le Corbusier (1887-1965)-

Charles-Édouard Jeanneret, conhecido por Le Corbusier, nasceu a 6 de Outubro de 1887 em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, mas viveu a maior parte da sua vida em França, tendo-se naturalizado francês em 1930. É um dos mais importantes e influentes arquitectos do século XX, sendo um pioneiro do Movimento Moderno, mas também um dos que conseguiu fazer a sua revisão no final da vida - Ronchamp é um exemplo disso. Morreu em 27 de Agosto de 1965.

In Público de 27/8/005 Isabel Salema

Igreja de Le Corbusier acabada 40 anos depois da sua morte

Foi durante décadas uma ruína contemporânea, mas agora França investiu 6,8 milhões de euros
para acabar uma igreja do famoso arquitecto em Firminy. É uma das últimas obras desenhadas por Le Corbusier, que morreu faz hoje 40 anos. Por Isabel Salema

No elogio fúnebre a Le Cobusier, o escritor e ministro da Cultura André Marlaux contou que, enquanto o Governo francês discutia a homenagem a prestar ao arquitecto, recebeu um telegrama da Grécia a dizer que os arquitectos gregos queriam estar presentes no funeral para lançar sobre o caixão terra da Acrópole. A Índia informara que queria enviar água do Ganges. Brasília e Nova Iorque mandaram flores.
As homenagens tinham começado antes do dia 1 de Setembro de 1965, altura do discurso de Malraux. Foi exactamente há 40 anos, a 27 de Agosto de 1965, que Le Cobusier morreu, aos 77 anos. Tomava banho de mar, em Cap-Martin, quando sofreu um ataque cardíaco. Como todos os anos, passava férias na cabana que tinha construído na praia.
Na noite de 31 de Agosto, os dominicanos do Convento de Sainte-Marie de la Tourette foram os primeiros actores de uma homenagem pública muito sentida. Depositaram o caixão de Le Corbusier, um agnóstico (segundo Marlraux), em frente ao altar da igreja conventual. O arquitecto tinha-a desenhado anos antes.
Juntamente com a capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp - uma das suas obras mais famosas, que este ano comemora 50 anos -, o convento de la Tourette é um dos dois únicos edifícios religiosos de Le Corbusier que foram erguidos. Há várias outras igrejas, mas nunca passaram da fase de projecto: igreja de Tremblay, basílica subterrânea de Sainte-Baume, Bolonha, etc.
Mas passados 40 anos sobre o desaparecimento do mestre do Movimento Moderno, há uma terceira igreja que se vai juntar aos dois templos. A igreja Saint-Pierre, em França, que começou a ser desenhada em 1960, está a ser finalmente construída e ficará terminada em 2006.
Em Firminy-Vert, um cone em betão começou a tomar forma na Primavera de 2003, tentando cumprir a promessa feita a Le Corbusier de que a igreja seria construída. A igreja foi encomendada ao arquitecto em 1960 por uma associação paroquial através do presidente da câmara de Firminy, Eugène Claudius-Petit, antigo ministro da Reconstrução. Este promotor da arquitectura moderna no pós-guerra já tinha encomendado a Le Corbusier para a cidade uma unidade de habitação, uma casa da cultura, um estádio e uma piscina.
A igreja tem uma base quadrada - quatro andares servidos por uma rampa - sobre a qual se apoia o enorme cone. O cone termina com a ponta truncada. Este plano funciona como a cobertura, furada por dois canhões de luz.
Se em 1964 a paróquia tinha reunido, por subscrição, dinheiro suficiente para dar início aos trabalhos, depois da morte de Le Corbusier em 1965 as autoridades religiosas tiveram medo de continuar com esta obra muito cara. A associação paroquial dissolve-se e é criada uma nova Associação Le Corbusier para a igreja de Firminy-Vert, constituída por laicos em 1967 e impulsionada por Eugène Claudius-Petit, conta o jornal francês Le Monde.
A primeira parte dos trabalhos é realizada entre 1973 e 77. A obra é interrompida em 1978 e o cone não chega a ser construído. O edifício de Le Corbusier torna-se uma ruína contemporânea, sendo classificada como monumento histórico em 1996.
Em 2001, com a aposta da nova câmara no património histórico, é decidido retomar os trabalhos. A obra começa em Setembro de 2003 com um orçamento de 6,8 milhões de euros. Foi entregue a José Oubrerie, antigo colaborador do mestre.

90 por cento Le Corbusier
O que vai abrir em 2006 já não é, porém, inteiramente um edifício dedicado ao culto religioso. A parte inferior da "igreja" Saint-Pierre, dedicada no projecto original às actividades paroquiais, será uma sucursal do Museu de Arte Moderna de Saint-Etienne (especializada em obras sobre papel) e um espaço dedicado à obra do mestre.
O cone, os níveis superiores, vai conservar a sua arquitectura de igreja e o mobiliário de culto desenhado por Le Corbusier. Segundo o Le Monde, não é certo que o lugar seja alguma vez consagrado e o problema não é unicamente religioso - se o edifício não é exactamente uma igreja, alguns perguntam se se pode considerar, verdadeiramente, de Le Corbusier.
A Fundação Le Corbusier, herdeira universal do arquitecto e a guardiã da sua memória para a posteridade, tem uma posição muito cuidadosa em relação à construção de novas obras do mestre. "É sempre muito complicado realizar qualquer obra depois da morte do artista", disse ao PÚBLICO Claude Prelorenzo, secretário-geral da fundação. "Concordámos com a obra de Firminy e estamos contentes", continuou, acrescentando que não será certamente a última obra póstuma de Le Corbusier, citando o exemplo da cidade indiana de Chandigar, que o arquitecto planeou e construiu na Índia.
No caso de Firminy, Prelorenzo diz que se avançou porque havia documentação suficientemente desenvolvida. "Para o cone a documentação era mais vaga", afirmou o secretário-geral, lembrando que em vida de Le Corbusier já tinha sido diminuído alguns metros por causa dos custos. A base, com os novos usos e as questões de segurança, teve muitas alterações no interior e algumas no exterior. O secretário-geral cita o exemplo da rampa, que teve que ser adaptada à utilização por deficientes.
Só no final da obra é que a fundação emprestará (ou não) ao edifício a assinatura do arquitecto. Prelorenzo quer que as modificações introduzidas sejam assinaladas, com placas de informação escrita, para que os visitantes tenham "a máxima emoção" ao fruir uma obra de Le Corbusier. "Sem dúvida que o essencial da igreja, entre 80 a 90 por cento, é de Le Corbusier."
O município espera aumentar os turistas de 10 mil visitantes por ano para 120 mil. Para Michel Thiollière, presidente da Comuna Metropolitana de Saint-Etienne, o dono da obra, "ao acabar os trabalhos começados por Le Corbusier, a instituição contribuiu de uma forma fundamental para o apoio da sua obra e do património cultural mundial".


Le Corbusier (1887-1965)

Publicado por morfeu às 11:02 PM | Comentários (6)

junho 17, 2005

A razão de ser das escolas é...

...e tendo alguém chamado de sofos (sábio) a Pitágoras, este reagiu corrigindo: "Eu não sou sofos mas filosofos"...
...a busca da sabedoria é a razão de ser das escolas e não os interesses de pais, alunos ou professores considerados na sua particularidade..

Publicado por morfeu às 12:47 PM | Comentários (1)

abril 27, 2005

Pensar e transformar o Ensino/Educação...sugiro

Artigos saídos no Público de hoje...

Ensino I

Ensino II

Ensino III

Ensino IV

Ensino V

Publicado por morfeu às 11:43 AM | Comentários (4)

Então adeusinho que eu vou ser professor na Coreia do Sul....

Quem quer casar com o professor?

Ser professor é uma carreira reconhecida. É raro um docente sair da escola onde está colocado. Diariamente tem direito a quatro horas para preparar aulas e atender alunos. Segundo um inquérito feito às coreanas, pela Universidade de Seul, citada pela revista Veja, as condições laborais - bom ordenado, emprego estável e férias prolongadas - fazem dos docentes "o melhor partido para casar". Byung Goo Kang, assessor da embaixada da Coreia, conta que no seu tempo de estudante a palavra do professor era lei. "Hoje já estamos mais ocidentalizados" e um aluno pode contestar a sua opinião, mas sempre com respeito. Segundo o Ministério da Educação coreano, há cerca de 468 mil professores. De acordo com a OCDE, um professor experiente ganha em média, na Coreia do Sul, cerca de cinco mil euros mensais, por cá um docente em final de carreira não chega a ganhar metade (1800 euros ilíquidos). B.W.


Público nº 5511 | Quarta, 27 de Abril de 2005

Publicado por morfeu às 09:39 AM

março 02, 2005

Assim canta a cultura...sugiro

Que cultura

Publicado por morfeu às 03:32 PM

janeiro 06, 2005

Alerta Buchholz...sugiro

...recebido por e-mail...

A Livraria Buchholz , lugar de referência do nosso (pequeno) universo cultural encontra-se em situação de pré-falência.
Agradece-se a todos quantos a frequentaram que a voltem a visitar, de vez em quando.
Comprar um livro que não se encontra em mais lado nenhum pode, eventualmente, ajudar a reerguê-la.
Agradece-se que passem esta informação aos amigos e interessados.

Livraria Buchholz

A Buchholz é uma livraria com história. Foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buchholz que deixou Berlim depois de a galeria de arte e a livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos. A actividade de Buchholz era incompatível com o regime de Berlim, nomeadamente a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann. No entanto, a relação de Buchholz com o regime era algo dúbia, pois tanto pactuava com manobras de propaganda alemã como salvava da fogueira obras de Picasso e Braque, condenadas pela fúria nazi.

No início, a livraria estava situada em Lisboa na Avenida da Liberdade e só em 1965 se instalou na rua Duque de Palmela. O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal. O espaço estende-se por três andares unidos por uma escada em caracol, com recantos e sofás que proporcionam uma intimidade dos leitores com os livros. A madeira das escadas, chão e estantes torna o espaço acolhedor e agradável. Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta - Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana, entre outros -, passou pela cave da Buchholz que funcionou como galeria até 1974. Hoje, a galeria continua a ser uma referência cultural com um público fiel que preza o espaço de convívio que a livraria sugere. A selecção dos títulos é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis. Na cave funciona uma secção de música clássica e etnográfica. Apesar de não ser especializada em nenhuma área, a secção dedicada à ciência política é frequentada por muitos políticos da nossa praça. A Buchholz acolhe ainda eventos especiais como lançamentos de livros, sessões de leitura, e o "Domingo Especial" que são os saldos anuais da livraria, uma vez por ano, no último domingo de Novembro. Na Buchholz on-line pode percorrer as estantes da livraria sem sair de casa e ainda encomendar livros nacionais e alguns estrangeiros.

TELEFONE
213170580

LOCAL
Lisboa, R. Duque de Palmela, 4

HORARIOS
Segunda a sábado das 09h00 às 18h00 (encerra sáb. às 13h).

OBSERVAÇÕES
Especialidades: livraria generalista.

SÍTIO OFICIAL
www.buchholz.pt


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Publicado por morfeu às 01:09 PM

dezembro 23, 2004

Do Natal...

...the Christian festival celebrating the birth of Jesus. The English term Christmas (“mass on Christ's day”) is of fairly recent origin. The earlier term Yule may have derived from the Germanic jol or the Anglo-Saxon geol, which referred to the feast of the winter solstice. The corresponding terms in other languages—Navidad in Spanish, Natale in Italian, Noël in French—all probably denote nativity. The German word Weihnachten denotes “hallowed night.” Since the early 20th century, Christmas has also been a secular family holiday, observed by Christians and non-Christians alike, devoid of Christian elements, and marked by an increasingly elaborate exchange of gifts. In this secular Christmas celebration, a mythical figure named Santa Claus plays the pivotal role.

Christmas." Encyclopædia Britannica. 2004. Encyclopædia Britannica Premium Service.
9 Dec. 2004 .

The early Christian community distinguished between the identification of the date of Jesus' birth and the liturgical celebration of that event. The actual observance of the day of Jesus' birth was long in coming. In particular, during the first two centuries of Christianity there was strong opposition to recognizing birthdays of martyrs or, for that matter, of Jesus. Numerous church fathers offered sarcastic comments about the pagan custom of celebrating birthdays when, in fact, saints and martyrs should be honoured on the days of their martyrdom—their true “birthdays,” from the church's perspective.

The precise origin of assigning December 25 as the birth date of Jesus is unclear. The New Testament provides no clues in this regard. December 25 was first identified as the date of Jesus' birth by Sextus Julius Africanus in 221 and later became the universally accepted date. One widespread explanation of the origin of this date is that December 25 was the Christianizing of the dies solis invicti nati (“day of the birth of the unconquered sun”), a popular holiday in the Roman Empire that celebrated the winter solstice as a symbol of the resurgence of the sun, the casting away of winter and the heralding of the rebirth of spring and summer. Indeed, after December 25 had become widely accepted as the date of Jesus' birth, Christian writers frequently made the connection between the rebirth of the sun and the birth of the Son. One of the difficulties with this view is that it suggests a nonchalant willingness on the part of the Christian church to appropriate a pagan festival when the early church was so intent on distinguishing itself categorically from pagan beliefs and practices.

A second view suggests that December 25 became the date of Jesus' birth by a priori reasoning that identified the spring equinox as the date of the creation of the world and the fourth day of creation, when the light was created, as the day of Jesus' conception (i.e., March 25). December 25, nine months later, then became the date of Jesus' birth. For a long time the celebration of Jesus' birth was observed in conjunction with his baptism, celebrated January 6.

Christmas began to be widely celebrated with a specific liturgy in the 9th century but did not attain the liturgical importance of either Good Friday or Easter, the other two major Christian holidays. Roman Catholic churches celebrate the first Christmas mass at midnight, and Protestant churches have increasingly held Christmas candlelight services late on the evening of December 24. A special service of “lessons and carols” intertwines Christmas carols with Scripture readings narrating salvation history from the Fall in the Garden of Eden to the coming of Christ. The service, inaugurated by E.W. Benson and adopted at the University of Cambridge, has become widely popular.

None of the contemporary Christmas customs have their origin in theological or liturgical affirmations, and most are of fairly recent date. The Renaissance humanist Sebastian Brant recorded, in Das Narrenschiff (1494; The Ship of Fools), the custom of placing branches of fir trees in houses. Even though there is some uncertainty about the precise date and origin of the tradition of the Christmas tree, it appears that fir trees decorated with apples were first known in Strasbourg in 1605. The first use of candles on such trees is recorded by a Silesian duchess in 1611. The Advent wreath—made of fir branches, with four candles denoting the four Sundays of the Advent season—is of even more recent origin, especially in North America. The custom, which began in the 19th century but had roots in the 16th, originally involved a fir wreath with 24 candles (the 24 days before Christmas, starting December 1), but the awkwardness of having so many candles on the wreath reduced the number to four. An analogous custom is the Advent calendar, which provides 24 openings, one to be opened each day beginning December 1. According to tradition, the calendar was created in the 19th century by a Munich housewife who tired of having to answer endlessly when Christmas would come. The first commercial calendars were printed in Germany in 1851. The intense preparation for Christmas that is part of the commercialization of the holiday has blurred the traditional liturgical distinction between Advent and the Christmas season, as can be seen by the placement of Christmas trees in sanctuaries well before December 25.

Toward the end of the 18th century the practice of giving gifts to family members became well established. Theologically, the feast day reminded Christians of God's gift of Jesus to humankind even as the coming of the Wise Men, or Magi, to Bethlehem suggested that Christmas was somehow related to giving gifts. The practice of giving gifts, which goes back to the 15th century, contributed to the view that Christmas was a secular holiday focused on family and friends. This was one reason why Puritans in Old and New England opposed the celebration of Christmas and in both England and America succeeded in banning its observance.

The tradition of celebrating Christmas as a secular, family holiday is splendidly illustrated by a number of English “Christmas” carols such as "Here We Come A-Wassailing" or "Deck the Halls with Boughs of Holly." It can also be seen in the practice of sending Christmas cards, which began in England in the 19th century. Moreover, in countries such as Austria and Germany, the connection between the Christian festival and the family holiday is made by identifying the Christ child as the giver of gifts to the family. In some European countries Saint Nicholas appears on his feast day (December 6) bringing modest gifts of candy and other gifts to children. In North America, the pre-Christmas role of the Christian Saint Nicholas was transformed, under the influence of the poem 'Twas the Night Before Christmas, into the increasingly central role of Santa Claus as the source of Christmas gifts for the family. While both name and attire—a version of the traditional dress of bishop—of Santa Claus reveal his Christian roots, and his role of querying children about their past behaviour replicates that of Saint Nicholas, he is seen as secular figure. In Australia, where people attend open-air concerts of Christmas carols and have their Christmas dinner on the beach, Santa Claus wears red swimming trunks as well as a white beard.

Christmas morning. An American family prepares to exchange gifts.
LWA-Dann Tardif/Corbis

In most European countries gifts are exchanged on Christmas Eve, December 24, in keeping with the notion that the baby Jesus was born on the night of the 24th. The morning of December 25, however, has become the time for the exchange of gifts in North America. In 17th- and 18th-century Europe the modest exchange of gifts took place in the early hours of the 25th when the family returned home from the Christmas mass. When the evening of the 24th became the time for the exchange of gifts, the Christmas mass was set into the late afternoon of that day. In North America, the centrality of the morning of the 25th of December as the time for the family to open presents has led, with the exception of Catholic and some Lutheran and Episcopal churches, to the virtual end of holding church services on that day, a striking illustration of the way societal customs influence liturgical practices.

Given the importance of Christmas as one of the major Christian feast days, most European countries observe, under Christian influence, December 26 as a second Christmas holiday. This practice recalls the ancient Christian liturgical notion that the celebration of Christmas, as well as that of Easter and of Pentecost, should last the entire week. The week-long observance, however, was successively reduced to Christmas day and a single, additional holiday on December 26.

In Lalibela, Ethiopia, people celebrate Genna (Christmas) by playing drums and singing.
HAGA/The Image Works

With the spread of Christianity beyond Europe and North America the celebration of Christmas was transferred to societies throughout the non-Western world. In many of these countries Christians are not the majority population and therefore the religious holiday has not become a cultural holiday. Christmas customs in these societies thus often echo Western traditions because they were exposed to Christianity as a religion and cultural artifact of the West. Among the few exceptions is in Ethiopia, where Christianity has had a home ever since the 4th century and where the Ethiopian Orthodox church celebrates Christmas on January 7. The Russian Orthodox church also recognizes January 7 as Christmas day, and the Armenian church honours January 6 as Christmas.

Japanese family opening Christmas presents.
HAGA/The Image Works

In South and Central America, unique religious and secular traditions mark the Christmas celebration. In Mexico, on days leading up to Christmas, the search of Mary and Joseph for a place to stay is reenacted and children try to break a piñata filled with toys and candy. Christmas is a great summer festival in Brazil, including picnics, fireworks, and other festivities as well as a solemn procession of priests to the church to celebrate midnight mass. In India, the fir as Christmas tree is replaced by the mango tree or the bamboo tree, and houses are decorated with mango leaves. Japan serves as illustration of a different sort. There, in a predominantly Shinto country, the secular aspects of the holiday—Christmas trees and decorations, even the singing of Christmas songs such as "Rudolph the Rednosed Reindeer" or "I'm Dreaming of a White Christmas" —instead of the religious aspects are widely observed.

Hans J. Hillerbrand

Christmas." Encyclopædia Britannica. 2004. Encyclopædia Britannica Premium Service.
9 Dec. 2004 .

Publicado por morfeu às 05:48 PM | Comentários (4)

dezembro 13, 2004

Filmes...sugiro

Filmes

Publicado por morfeu às 10:23 AM

novembro 21, 2004

Busquemos a excelência e o seu porquê...sugiro

Excelência

Publicado por morfeu às 04:33 PM

novembro 16, 2004

Livros em Powerpoint...simpático

Download file

Publicado por morfeu às 08:09 PM

novembro 07, 2004

O Doc e o Mundo, AMS...sugiro

O doc e o Mundo,AMS sugiro

Publicado por morfeu às 12:49 PM

novembro 02, 2004

Alice no país das maravilhas...sugiro

Alice

Publicado por morfeu às 09:33 AM

outubro 08, 2004

Elfriede Jelinek

Prémio Nobel

jelinek.jpg
Prémio Nobel

(...)Igual a si mesma, Jelinek frisou que se recusa a metamorfosear-se numa "flor na lapela da Áustria".
(...)O país que Jelinek retrata é um país curioso, oscila entre a sentimentalidade e o cinismo. Primitivo e pretensioso, nostálgico do Império. Jelinek fustigou particularmente a Áustria, "um país construído sobre cadáveres tal como a Franca está construída sobre Napoleão" no seu romance "Die Kinder der Toten" ("As Crianças dos Mortos"). Temas recorrentes nas suas obras são a violência e o poder na sociedade de consumo, a opressão feminina e a sexualidade. Nas suas experiências com a linguagem, transformou o alemão numa arma estética contra as sociedades modernas, contra o conformismo bem-pensante do seu país e numa denúncia eloquente e crua da exploração do ser humano.

Publicado por morfeu às 07:41 AM | Comentários (3)

outubro 07, 2004

A "Fuga dos Profs"...sugiro e recomendo...

Fuga

A fuga dos professores
Luis Carvalho

Quando li a notícia de que mais de metade dos professores colocados no distrito de Bragança poderiam estar fraudulentamente a pedir destacamento para outros distritos lembrei-me do filme “A fuga das galinhas”. Imaginei as várias centenas de professores em correria desatada para longe daquele que é o mais longínquo distrito do país.
Se uma parte de mim, mais formal, rejeita este acto de cobardia profissional, outra, mais tolerante, compreende-a por dois motivos. O primeiro fica a dever-se ao facto de eu já ter ido a Bragança. Por muito bonito que aquilo seja, que é, fica longe como o Diabo. Em segundo lugar muitos dos professores em fuga, estou certo, não ganham o suficiente para as viagens, a renda da casa, a alimentação. E isto admitindo que são solteiros e não têm filhos, porque se são e têm então a organizar a vida familiar em Bragança pode tornar-se impossível.

Por muito bem que corram os concursos de colocação de professores os resultados são sempre dramáticos porque obrigam a uma exasperação de dezenas de milhares de docentes todos os anos, porque redundam habitualmente numa inaceitável rotatividade no corpo docente das escolas, porque transformam milhares de licenciados em artistas ambulantes, sem terra fixa, sem projectos pessoais de médio e longo prazo.

Para cúmulo esta itenerância é paga do bolso dos próprios professores. De facto, o famigerado artigo 63º do Estatuto da Carreira Docente, aprovado em 1990, fala nos ainda inexistentes “subsídios de fixação” destinados a criar condições de fixação de docentes em zonas desfavorecidas ou isoladas. É um dos casos mais gritantes de letra morta da Lei.

Quanto aos concursos de professores é preciso dizer que o verdadeiro problema é que se trata de um rol de mentiras. Mente o Estado quando dá a entender que tudo é muito transparente e muito sério, que dá oportunidades de vinculação a milhares de docentes, quando o que acontece é que os concursos servem para camuflar a contratação ilegal e precária. Mentem os professores quando se candidatam a lugares de escolas onde não fazem tenção de leccionar por manifesta impossibilidade física, psicológica ou financeira. E mesmo depois de colocados voltam a ter que mentir ao fraudulentamente requererem destacamentos por motivos de saúde.

Tudo nos concursos de professores é uma mentira pegada. Só dá mesmo vontade de fugir.

lcgcarvalho@hotmail.com PS – Isto da trapalhada dos concursos de professores ainda mal começou. E quando acabar vai sair muito caro a muitos governantes cuja incompetência ficará bem à mostra. Até lá resta-nos assistir impacientes ao estado a que isto chegou. Não foi por falta de aviso. Uma palavra final para a Drª. Joana Orvalho, Directora-geral dos Recursos Educativos, pessoa cuja competência, empenho e dedicação não mereciam este drama, e cuja principal responsabilidade foi ter aceitado continuar a trabalhar com gente incompetente.

24-09-2004 17:34:02

Publicado por morfeu às 12:31 AM | Comentários (2)

outubro 05, 2004

Amália, pequeno concurso literário in...

Amália 5 anos

Publicado por morfeu às 12:26 PM | Comentários (2)

Da classificação das escolas e outros afins... sugiro

ESCOLAS

...Entre nós, é livre a criação de escolas privadas, cuja frequência é igualmente livre, sendo o seu ensino publicamente reconhecido. Mas o Estado não tem nenhum dever de financiar as escolas privadas, nem deve fazê-lo à custa do financiamento das escolas públicas, que são uma responsabilidade constitucional sua. Em Portugal, o ensino público é um direito, o ensino privado uma liberdade. O Estado tem de garantir a toda a gente a escola pública, plural, não confessional, em igualdade de circunstâncias. Quem preferir as escolas privadas, por razões confessionais ou outras (designadamente de prestígio social), não pode invocar um direito ao pagamento do Estado. O Estado também não tem de pagar por exemplo a quem, tendo direito a serviços públicos de saúde gratuitos, prefira uma clínica privada; ou a quem, tendo transportes públicos subsidiados pelo orçamento, prefira viajar em transportes particulares.

Vital Moreira in Público...

Publicado por morfeu às 12:04 PM | Comentários (2)

outubro 04, 2004

Discutir a ausência dos professores...subscrevo!

professores ausentes

Publicado por morfeu às 07:01 PM | Comentários (1)

setembro 17, 2004

Ainda a "Barafunda"...

Bagunça no Ensino

Publicado por morfeu às 10:29 AM

Eloquentes e brilhantes contradições pedagógico-políticas...

Bagunça no Ensino
Foi um arranque a menos de meio gás. Eram milhares os alunos de todo o país que esperavam voltar ontem à escola, mas muitos deram com o nariz na porta.(...)
Pelas contas da tutela, apenas 46 por cento das escolas inauguraram o ano lectivo 2004/05 na data prevista.(...)
....o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, admitiu que a abertura do ano escolar correu mal, mas garantiu que o Governo está a fazer tudo para corrigir os problemas até ao dia 23. "A entrada do ano lectivo correu mal. É o que deve dizer o primeiro-ministro nesta ocasião", sublinhou.
(...)Não posso fazer nenhuma jura por aquele sistema de computadores", exclamou,...
(...)"nalguns casos é um eufemismo dizer-se que começou o ano lectivo",...
(...)"A culpa, de facto, não é deste Governo", insistiu Santana Lopes, afirmando que "os responsáveis pelo sistema (que falhou) estão em funções desde 1996".
(...)"A seu tempo saber-se-á de quem são as responsabilidades" - o secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa, José Manuel Canavarro -.
(...)Em números redondos, falta colocar ainda cerca de 50 mil docentes.
(...)João Grancho, da Associação Nacional de Professores, disse ontem, em conferência de imprensa, que "uma situação desta natureza", com os atrasos sucessivos na divulgação das listas definitivas de colocação de professores, "seria impensável com outra classe, nomeadamente com os médicos". "Não aceitaremos que nos venham dizer que o problema esteve numa tecla de computador. A culpa tem que ter um rosto", atirou.
(...)"Há toda esta bagunça e confusão e não há responsáveis? O PSD não é responsável por isto? Exigimos que se apurem as responsabilidades e que os responsáveis, seja ministro ou secretário de Estado, sejam punidos politicamente. Que sejam demitidos", sustentou Carvalhas...

...chega?...............!!!!!!!!!!!!!!!!!

Publicado por morfeu às 10:08 AM

setembro 16, 2004

"Coração Bazar" c/ Regina Duarte...sugiro

Coração Bazar

Uma mulher, seis personagens. Regina Duarte dispensa apresentações, e as personagens que encarna na peça são um pouco de tudo: ela própria enquanto ser humano - o que foi e o que ambiciona vir a ser - e os papéis que interpretou ao longo da vida, entre os quais o da viúva Porcina na telenovela "Roque Santeiro".

"Coração Bazar" procura enfatizar o sentido da vida, através do amor e da alegria, e foi construído a partir de textos de escritores famosos como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cleise Mendes, Ferreira Gullar, Cecília Meirelles, Millôr Fernandes, Clarisse Lispector, João Silvério Trevisan, Paulo Leminsky, Ivan Ângelo, Adélia Prado, Liv Ullman, e também dos portugueses Florbela Espanca e Fernando Pessoa.

"Coração Bazar"

Vários autores

Dramaturgia de José Possi Neto e Regina Duarte

Encenação de José Possi Neto

VILA REAL Teatro de Vila Real. Tel.: 259320000. De hoje a sáb., às 22h. Bilhetes a 15 euros.

VILA NOVA DE FAMALICÃO Casa das Artes. De 22 a 25 de Setembro.

PORTO Teatro Campo Alegre. De 28 a 30 de Setembro.

COVILHÃ Teatro Cine. 5 de Outubro.

AVEIRO Teatro Aveirense. 9 Outubro.

LISBOA Teatro Tivoli. 13 a 24 de Outubro

Publicado por morfeu às 10:43 AM

agosto 19, 2004

Charles Mydans...

History by Charles Mydans

Morreu Charles Mydans

Publicado por morfeu às 01:02 PM

Conhece este projecto?...sugiro

Parque arqueológico do Tejo

Publicado por morfeu às 12:51 PM

O Idiota em versão praia...

Devo dizer que tenho aproveitado muitas das iniciativas de jornais e revistas, e, no que me diz respeito, tem sido benéfico para a minha cultura geral...mas será assim para todos?...muitos?...só alguns?...

...O Tempo do Cérebro disponível

Publicado por morfeu às 12:14 PM

agosto 11, 2004

Féria, ae, ...férias

solitario.jpg

(…) Ele há, por exemplo, o encantamento de ir para férias. Ora, cá está: a palavra latina feria, no plural feriae, tinha o sentido de “descanso, repouso, paz, dias de festa”.

É preciso ter tempo para ouvir o silêncio: haverá milagre maior do que estarmos cá?

(…) De qualquer modo, o importante é sublinhar, até do ponto de vista histórico e etimológico, o carácter festivo associado às férias. (…) É necessário sublinhar que a Bíblia fez questão de dizer que Deus deu o mandamento de um dia feriado semanal, santo, sem trabalho, para que o homem fizesse a experiência de que não é uma besta de carga, mas um ser festivo. Tem de trabalhar – e duro –, mas não é besta de carga.
Afinal, se pensarmos bem, as férias não têm como finalidade última ser um intervalo no trabalho para repor as forças, em ordem a trabalhar outra vez e mais. As férias têm o seu fim em si mesmas: a experiência de que o ser humano é um ser festivo. É preciso ler e escrever poesia, dançar, apanhar sol na praia, no campo, na montanha, ouvir música, que nos remete para origens imemoriais e para a transcendência utópica toda. É preciso reaprender a ver o sol a nascer no Oriente e a pôr-se e a pôr-se no Ocidente (sabia?) e a exaltar-se com a lua enorme – cheia - ou pequenina que nem um fio, e com o alfobre das estrelas: isso que na cidade se não vê. É preciso voltar às alegrias simples: contemplar uma folha de erva, acolher o perfume de uma rosa sem porquê, como dizia Angelus Silesius, exaltar-se com o mistério de qualquer rosto humano. É preciso ter tempo para ouvir o silêncio: haverá milagre maior do que estarmos cá? Se se for fora, encontrar-se com culturas outras…é preciso ter tempo para a família e para os amigos. Para andar solto. Para dialogar com o Infinito. Para contemplar e criar beleza: não é ela que redime o mundo, como disse Dostoiévski?

Anselmo Borges "Religião, Opressão ou Libertação", Campo das Letras

Publicado por morfeu às 03:26 PM | Comentários (1)

agosto 10, 2004

Do Espírito Olímpico...sugiro

Do espírito Olímpico

Publicado por morfeu às 08:27 AM

julho 21, 2004

Minho..."Um rosto genuíno e múltiplo"... 1

Por inesperado sortilégio, engastaram os deuses nos veios do granito primordial esta terra túmida de verde que margina província do Minho.
Poema vegetal, cujo rosto genuíno e múltiplo os bardos Diogo Bernardes e António Feijó referem em comovidas estrofes rescendendo a rosmaninho e a madressilva. Poema pespontado de rosas e gerânios, de milheirais e vinhas de enforcado, «uveiras» enleadas nas árvores à espera do tempo úbere da safra.

Nestas paragens ternas e bucólicas onde o Verão não esmorece o verde, correm regatos dessedentando faias e ulmeiros em cujas frondes esvoaçam e noivam rouxinóis cantando à desgarrada com os gaios e os melros dos silvados e carvalheiras.
Nas veigas do litoral cria-se trigo e milho e as mátrias, sempre submissas, aplicam-se com denodo e requinte aos talhões de hortaliças dispondo em canteiros a couve galega para o caldo verde que o azeite e uma rodela de salpicão irão adubar numa malga de barro.
Prosseguindo o viajante a rota do Minho, nela haverá de rever as lutas do íncola contra o leonês e o árabe, contra a dominação castelhana e napoleónica, contra a tirania de reis e senhores. Tudo isto registou o minhoto com sangue e lágrimas no grande compêndio da História que nada nem ninguém poderá delir. A norte do Douro, nobres e plebeus lançaram-se ao trabalho árduo e fecundo.
Assim se arreigou, num húmus fertilíssimo, a mais decantada nobreza, cuja decadência acompanhou a par e passo a da monarquia.
Daquela sobejam como relíquias do passado casas vetustas, arruinadas umas, desertas outras, outras ainda pertencendo aos descendentes dos mesteirais que as ergueram. E é na Ribeira Lima que, com mais frequência, se topam estes velhíssimos solares embutidos no verde rendilhado das vides, donde se perscruta, ao longe, o diadema raro dos pinheiros coroando
colinas.

In: "Guia Expresso de Portugal - 10 Minho
Texto de: Maria Adelaide Valente

Publicado por morfeu às 11:36 PM

julho 05, 2004

Cultura Popular...sugiro

Aldeia de Trebilhadouro Prepara-se para Três Dias Repletos de Cultura Tradicional

Publicado por morfeu às 02:33 PM