novembro 15, 2008

Deus e Darwin, sg/ A.Borges

Uma pedagógica reflexão de A.Borges, cuja leitura...
sugiro...
sugiro...

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novembro 11, 2008

Professorzecos numa manifezeca...

contra a arrogância da ministra da ??...sendo o orgulho um pecado dos grandes...

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novembro 09, 2008

Mais de 100.00 descendendo de Abril...

...com muita honra e dignidade estive lá com...aproveito para relembrar que..."A liberdade está a passar por aqui" ...


Publicado por morfeu às 06:38 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 01, 2008

Professores: a força da união!

Têm sido tempos de muitas e complicadas dificuldades...recusando o tom vitimizante, quero no entanto realçar a importância dos posicionamentos e lutas dos professores, não excluindo ninguém. Não valerá a pena, neste momento, fazer a contabilidade de alguma confusão que se gerou na classe docente - plataforma versus movimentos -.Vale sim, reafirmar, a vontade e capacidade de união de muitos professores...e, já agora, a enorme importância da blogosfera para o surgir de opiniões e comentários, em franca liberdade...muita gente quer ignorar, mas a realidade está aí para quem tenha olhos, e queira efectivamente ver.

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outubro 28, 2008

Educação por esse mundo fora...

sugiro...

Publicado por morfeu às 09:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 03, 2008

Brilhante amargura de uma crónica...

sugiro...

Publicado por morfeu às 09:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 10, 2008

Os Professores estão com "O País"...

...glosando a famosa e inefável sentença de Maria de Lurdes Rodrigues "perco os professores mas ganho o país", deixo para quem não tenha visto ainda, o registo do inquérito realizado pelo Público de hoje. Mais digo: no que me diz respeito, tudo farei para que os meus alunos tenham um sucesso educativo "verdadeiro e justo"...

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agosto 16, 2008

Meditação das férias...

sugiro...

Publicado por morfeu às 06:34 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 31, 2008

...o que de belo por acaso se encontra...tocante.


Mélina Mercouri Athène ma ville
Colocado por modinelly

...por aqui ao acaso do tempo
dos tempos que dividem o deambular em dia cinzento
sonho o Outro o Além em testemunho de voz
de céu ares cores e coisas várias
por acaso encontro neste viajar fortuito
ah a cidade o tempo os seres e as coisas
a brisa da História fazendo-se música em túnel
de cordas de onde o som brota
a voz
a mulher
o sentir
...por aqui por acaso deixo
como pegada em areia molhada
deixo...

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julho 04, 2008

Apede:"Para uma genealogia do estatuto da Carreira Docente...

sugiro...

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maio 15, 2008

Vou finalmente ser professor...

...após trinta e três anos de experiência bem diversificada, finalmente tenho a oportunidade de aprender como devo ser enquanto prof...é preciso ter topete...

http://www.ina.pt/asp/programa/descricao_pp.asp?c=2682&e=3
http://terrear.blogspot.com/2008/05/as-96-condutas-finalmente.html

O Instituto Nacional de Administração (INA) lançou um vasto programa de acções de formação sobre avaliação do desempenho do pessoal docente com base num sistema de avaliação baseado em 96 condutas do professor, que são :


1. É pontual.
2. Disponibiliza-se para actividades que ultrapassam obrigações
horárias/profissionais.
3. Cumpre prazos .
4. Quando trabalha em equipa é um elemento participativo
e não conflituoso.
5. Zela e preserva material/equipamento escolar.
6. Proporciona ambiente calmo, propício à aprendizagem.
7. Numa reunião tem uma atitude de colaboração e
de entreajuda.
8. Manifesta opinião própria e construtiva relativamente
a assuntos debatidos.
9. Não gera mau ambiente no local de trabalho.
10. Evita banalidades e perda de tempo.
11. É receptivo à mudança.
12. Dá sugestões / tem opiniões críticas para melhoria de serviços.
13. Faz formação de acordo com o projecto educativo da escola (1/3).
14. Faz formação na sua área específica (2/3).
15. Disponibiliza-se para apoiar os alunos após as horas lectivas,
sempre que considere necessário.
16. Regista e avalia o cumprimento das actividades planificadas.
17. Estabelece planos de acção para corrigir desvios.
18. Apoia o desenvolvimento de métodos de aprendizagem / estudo.
19. Estabelece e faz respeitar regras de convivência,
colaboração e respeito.
20. Aplica os critérios de avaliação aprovados pelos
órgãos competentes.
21. Cumpre o horário - substituir parâmetros de assiduidade
22. Mantém a calma perante uma situação de tensão
com alunos, professores ou pais.
23. Mantém limpo e arrumado o local de trabalho.
24. Oferece-se para ajudar em outras áreas que não a
sua quando é necessário.
25. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da
necessidade de urgência no serviço
26. Conhece o PE da escola, a missão e a visão da escola.
27. Utiliza correctamente os equipamentos.
28. Verifica o estado dos equipamentos antes e
depois da sua utilização.
29. Zela pelo cumprimento do regulamento interno da escola.
30. É educado e cordial com todos os elementos da
comunidade escolar
31. Perante uma situação determinada, apresenta
diferentes alternativas como solução.
32. Comunica por escrito ao conselho executivo sugestões a
implementar (por ex:com base na análise de melhores práticas
de outras escolas ou organizações) que ajudam a garantir um
serviço de mais qualidade.
33. Mantém a confidencialidade e discrição perante determinadas situações.
34. Recolhe diferentes opiniões ou sugestões procurando criar
sinergias com os seus colegas com a mesma função.
35. Colabora / age no sentido de proporcionar um bom clima de escola.
36. Resolve situações de conflito sem ter que solicitar ajuda extra.
37. Assiste a aulas de colegas sempre que considera útil.
38. Permite que outros colegas assistam a aulas suas.
39. Actua de forma rápida e eficaz, de acordo com critérios predefinidos,
dentro das acções previstas nos processos de trabalho em que está envolvido
40. Age com assertividade e discernimento, encontrando as soluções
mais pertinentes para cada situação, apresentando-as ao respectivo
responsável hierárquico.
41. Analisa problemas e toma decisões relativas a rotinas de trabalho,
não necessitando de apoio superior.
42. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e
reformula as actividades para atingir os resultados de forma mais eficaz.
43. Cumpre prazos.
44. Transmite a sua opinião de forma racional e controlada.
45. É receptivo à mudança e envolve os seus pares para melhorar a sua área,
a dos outros e a escola no seu todo, não se opondo às questões.
46. Quando é chamado a desenvolver outras actividades, encara sempre a
situação de uma forma positiva, predispondo-se para actuar.
47. Revela empenho no desenvolvimento das tarefas, realizando-as
antecipadamente.
48. Toma decisões e assume a responsabilidade não jogando a
culpa dos problemas para cima de outros.
49. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
50. Gere com eficiência todos os meios existentes na escola.
51. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar
conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
52. Propõe actividades com vista à modernização e desenvolvimento
da comunidade onde se integra (extravasando os limites da escola).
53. Supera as expectativas do grupo com contribuições activas de
desenvolvimento, motivando estes a seguir o exemplo, oferecendo
ajuda e dando opiniões construtivas (não havendo rejeições das suas contribuições).
54. Assiste a eventos desenvolvidos por qualquer tipo de entidade.
55. Está ao corrente de situações e dificuldades de outras escolas
desenvolvendo soluções na escola como prevenção.
56. Perante uma dificuldade na escola conversa com outros colegas
que possam partilhar situações similares e sugere determinadas acções.
57. Traz à escola pessoas de assuntos de interesse partilhando experiências.
58. Desenvolve planos de acção para a implementação de melhores práticas
pesquisadas e adequadas à escola.
59. Fomenta o networking interno e externo através de comunicações e actividades.
60. Analisa continuamente as tendências dos outros e procura implementar as
melhores práticas para encontrar as melhores soluções.
61. Aplica a formação recebida nas tarefas que lhe são atribuídas.
62. Aproveita ideias de outras áreas ou de organizações semelhantes
e adapta-as à sua.
63. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula
as tarefas, no sentido da melhoria, ou seja, faz alterações ao previsto,
para atingir os resultados de forma mais eficaz.
64. Consegue sinergias com outras áreas da organização no sentido
de facilitar ou agilizar o serviço.
65. Identifica situações que fogem do padrão do controle previsto e
apresenta soluções ao Coordenador no sentido de evitar possíveis problemas.
66. Organiza e coordena actividades consideradas por outras áreas como
melhores práticas e incorpora-as com vista à superação dos resultados
previamente estabelecidos, apresentando propostas ao Coordenador para
superação de objectivos através de um plano de a
67. Orienta e planeia acções com uma visão partilhada que potencia a missão
e os valores da organização.
68. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos dentro da organização.
69. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos fora da organização,
por exemplo fazendo apresentações em congressos, palestras, etc
70. Partilha técnicas, ideias e recursos melhorando o trabalho em equipa
através de aconselhamentos aos seus colaboradores.
71. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade
de urgência no serviço.
72. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar
conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
73. Sempre que verifica alguma anomalia mesmo que não seja da
sua área sugere soluções simples mas concretas.
74. Contribui para a mudança planeando melhores práticas e tomando iniciativas,
com base em projectos de autonomia e liderança, medindo o grau de satisfação
de pelo menos 75% dos seus colaboradores através de pesquisas de satisfação rápidas
75. Apresenta por escrito propostas de soluções novas de problemas
fora da sua área de trabalho e de actuação
76. Cria acções novas e motivadoras para a manutenção da disciplina na sala.
77. Cria e implementa novas formas e metodologias que favorecem a
participação dos alunos na realização da aula.
78. Cria ferramentas de controle da sua actividade ou de outros dentro
da organização que sejam simples mas resolvam os problemas de acompanhamento.
79. Cria instrumentos que proporcionam auto avaliação dos alunos
com rigor e objectividade.
80. Cria novos métodos de estudo para os alunos, demonstrando a sua eficácia.
81. Cria novos sistemas ou metodologias nas turmas que estimulam o
processo de ensino-aprendizagem.
82. Cria processos e critérios de avaliação e partilha com os avaliados,
obtendo consenso e validação.
83. Desenvolve recursos inovadores para a realização de actividades lectivas.
84. É capaz de desenhar condutas observáveis dos colegas avaliados de
forma simples e objectiva.
85. Envolve-se em projectos comunitários inovadores por iniciativa própria.
86. Estabelece mecanismos novos de seguimento ou acompanhamentos da
implementação dos planos de melhoria negociados com os avaliados.
87. Executa um projecto de liderança inovador e consegue implementar ideias
revolucionárias e estratégicas, envolve as pessoas nesses projectos
não deixando de fora ninguém.
88. Inova com ideias jamais testadas em algum lado e prova que a
organização poderá beneficiar disso.
89. O professor cria e implementa processos claros e reconhecidos pelos
alunos para facilitar a sua disponibilidade e apoio aos mesmos.
90. Preocupa-se no desenho e implementação de novas ideias criadas por
ele que ajudem a escola na redução do abandono escolar.
91. Propõe novas actividades com vista à modernização e desenvolvimento
da comunidade onde se integra.
92. Quando apresenta os problemas apresenta também hipóteses de várias
soluções criadas por ele, devidamente estudadas e analisadas e dá a sua
opinião de como o problema pode ser resolvido da melhor forma.
93. Sugere novas estratégias para a resolução de problemas.
94. Sugere novos critérios que permitam fazer uma análise da planificação
e estratégias de ensino para a adaptação ao desenvolvimento
das actividades lectivas.
95. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
96. Utiliza os resultados da avaliação dos alunos como base para criar
novas formas de actividade lectiva que permitam desenvolver com eficácia

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maio 14, 2008

Pode a web ser triste?... sugiro.

Artigo de José Vítor Malheiros, in Público de 14-05-08

Ted Nelson acha que a Web é uma tristeza
14.05.2008, José Vítor Malheiros
Considera-se um filósofo e um poeta e sente-se mais próximo do cinema que da informática. O criador do hipertexto veio a Lisboa dizer que não devemos desistir dos nossos desejos
"Toda a gente está à espera que eu morra para poderem dizer como admiravam o meu trabalho. Mas ninguém me apoia." A frase, citação de Orson Welles, serve de epígrafe à página pessoal de Ted Nelson na Web. É fácil perceber que ele a subscreve e há razões para isso.
Ted Nelson é considerado universalmente como um dos visionários mais estimulantes do planeta, um dos inventores mais inovadores e um dos pais da World Wide Web. Mas, apesar disso, tenta há quase 50 anos concretizar um projecto grandioso que muita gente pensa que poderá revolucionar o mundo sem ter tido senão pequenos êxitos e apoios esporádicos. O que é tanto mais estranho quando se sabe o título pelo qual o investigador costuma ser apresentado: Ted Nelson é "o pai do hipertexto", um conceito que criou em 1963 e que está na base da World Wide Web de hoje.
Nelson, nascido em 1937 nos EUA, estudou filosofia, fez um mestrado em sociologia em Harvard e o doutoramento no Japão, na Universidade Keio, sobre Filosofia do hipertexto, mas confessa que sempre teve dificuldade para se identificar profissionalmente. A classificação mais próxima do seu coração é a que foi usada pela ministra da Cultura francesa Catherine Tasca, quando o condecorou com a Legião de Honra, em Março de 2001: "um filósofo e um poeta."
Na conferência que Ted Nelson proferiu anteontem na Universidade Atlântica, em Barcarena, (antes disso tinha estado em Lisboa numa mesa-redonda sobre Estratégias para a Sociedade do Conhecimento, a convite do programa europeu Interreg) disse que aos 22 anos se considerava "filósofo e realizador de cinema" e que hoje prefere dizer-se um "humanista de sistemas". Mas vai repetindo que não é um tekkie mas sim um "media guy" - o pai era realizador de cinema e a mãe actriz - e que o que o preocupa são as interfaces.
O que quer este homem, hoje investigador convidado do Internet Institute da Universidade de Oxford? Quer um sistema que permita a toda a gente ter acesso a toda a espécie de documentos - textos, vídeo, música -, usá-los, modificá-los, anotá-los, publicá-los, usar pedaços... Mas isso não é a Web? Pergunte-se e Nelson espuma. Para se acalmar e responder em tom contido: "A Web é fantástica, eu passo quatro horas por dia na Web, mas a Web só permite fazer uma pequena parte das coisas que desejamos." O quê? Não se pode abrir um texto e fazer umas notas à margem, se um texto incluir uma citação de outro não posso ir ver o documento original (só se tiver feito previamente um link à mão), etc.
A visão de Xanadu
Fale-se de hipertexto na Web e Nelson pode irritar-se. O "seu" hipertexto, o verdadeiro hipertexto, aquele que ele inventou em 1963, que descreveu num artigo em 1965, que ele tem andado a vender desde então, não é composto por estes miseráveis links de sentido único que existem no HTML, que existem nesta triste Web: os seus links - que, conforme as funções, ele chama "transclusões" ou "flinks" ou "clinks" - permitem ligações de dois sentidos, para saber que links existem para o documento que eu estou a ler; permitem fazer links de uma palavra para "n" sítios diferentes e muitas mais habilidades.
A conferência que Nelson deu em Barcarena, para uma pequena sala apenas meio cheia, foi dedicada a um novo tipo de bases de dados a que chama "estruturas Zig Zag" (ou "zizi structures"), mas não sem antes apresentar a filosofia geral da sua visão, Xanadu, um projecto nascido em 1960 e que tenta financiar desde sempre com reduzido êxito. O que é Xanadu? A visão ocupa todos os textos de Nelson e não é simples. À primeira vista parece que fala da Web - é um sistema onde todos os documentos podem ser acedidos, modificados, fundidos, onde todos os documentos são hipermédia (outro conceito de Nelson), onde som e vídeo se misturam com gráficos e texto. Mas quando se aprofunda um pouco o conceito... tudo muda e percebemos como a Web é limitada: Xanadu é o nosso sonho tornado realidade, em Xanadu tudo é possível.
Cada documento desta nova Web pode ser modificado por toda a gente, mantendo todas as versões possíveis; quando se faz copy-paste de um parágrafo de um texto para outro isso cria um link permanente para o texto-fonte; as imagens ou os vídeos têm a dimensão que queremos quando os vemos (as fotos têm um "tamanho" no papel, mas os computadores não são papel e não precisam de ter essa limitação); e se pode usar todo o material que quisermos mesmo que esteja protegido por copyright porque, quando usamos um pedaço de um texto com direitos, fazemos um micropagamento (outro conceito de Nelson) ao seu autor sem necessidade de negociação prévia. É a total liberdade de criação e a justa compensação aos criadores. É um mundo onde nada se perde, onde tudo está ligado a tudo, onde a citação é sempre possível e sempre atribuída e onde a colagem e a recombinação são ubíquos.
Os seus desejos para os computadores são simples: Nelson não acha aceitável que seja preciso um programa para abrir um texto e outro para ver um filme. Ou que não se possa escrever nas margens do livro que se está a ler no ecrã. Ou que as versões não coexistam todas. Ou que um ficheiro possa ter metadados mas uma parte de um ficheiro não. Nelson não aceita que, nos computadores, as páginas estejam atrás de um vidro. Tudo o que é possível no mundo real tem de ser possível na Web (ups!, em Xanadu) e muito mais. O mantra é simples: é o computador que tem de se adaptar aos desejos das pessoas e não as pessoas ao computador.
Xanadu pode ser um conceito difícil de concretizar, mas uma coisa é certa: quando houver, eu quero.

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maio 03, 2008

3 de Maio segundo Goya ... inesquecível!

3 de Maio de 1808

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abril 14, 2008

A persistência do altruismo

...muitas manhãs me levanto quebrando alguma apatia depressiva, e penso na cara de muitos - meus e não apenas - alunos que me colocam a esperança no horizonte. Por eles e por mim, bem hajam.
O gesto solidário destes alunos e desta escola, ensinam-nos que mesmo no tempos mais dificeis, existem túneis com luz abundante

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abril 12, 2008

Telemóvel ...simplesmente.

...na continuidade do post anterior, no que toca a ambiente tecnosocial, eis mais uma excelente achega de Pacheco Pereira, no Público de hoje, acerca deste ícone dos nossos tempos que, na sua aparente inocuidade despedaça o modus vivendi a que todos nós mais coisa menos coisa estavamos habituados...segue o texto em entrada estendida com a devida vénia ao autor e ao jornal Público.

O telemóvel
José Pacheco Pereira – 2008/04/12 (público)

O objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel.
Um telemóvel esteve no centro do momento público mais dramático da educação portuguesa nos últimos tempos. Uma semana antes do telemóvel, foi uma manifestação de professores. Uma semana depois da manifestação, uma senhora magra e baixa de gabardina branca, pequena e frágil, a lutar contra uma adolescente gigante, feita de cereais matinais e vestida de escuro. Na mão das duas, agarrado pelas duas, está um objecto que não existia há dez anos, um telemóvel pequeno que cabe num bolso dumas calças de ganga.

No episódio a que me refiro, e que passou na televisão centenas e centenas de vezes, não há um, mas dois telemóveis, um que está no centro da luta, outro que filma. À volta do telemóvel que filma está uma turma do ensino secundário, está uma escola da cidade do Porto, está Portugal, está a Europa, está o mundo inteiro.

Está o YouTube.

O pequeno objecto é o mais ubíquo de todos os objectos que existem hoje em Portugal, mais visível do que outro objecto tão omnipresente como o telemóvel e tão subversivo socialmente como o telemóvel: o relógio de pulso. Telemóvel e relógio são instrumentos de poderosas transformações sociais que eles revelam tanto como potenciam. Não são eles por si só que produzem essas transformações, porque nenhuma tecnologia por muito nova e revolucionária exerce efeitos sociais sem a "sociedade" estar preparada para a usar, sem que corresponda ao tempo e ao modo, à forma, às correntes de mudança da sociedade que já estão em curso e "descobrem" o objecto acelerando o seu curso com ele.

É o caso do relógio que saiu do laboratório das excentricidades, um pouco como precursor de um Meccano ou um Lego moderno, ou de um jogo de habilidade mecânica, ou de um objecto de luxo tão curioso como inútil, para se transformar numa necessidade tão vital que biliões de homens o trazem no pulso. Se exceptuarmos o uso dos relógios nos navios para calcular a longitude, os relógios não serviam para nada quando a esmagadora maioria das pessoas trabalhava de sol a sol, ou ao ciclo das estações, e estas dependiam de um calendário que estava escrito nos astros. Calendários eram precisos, relógios não eram precisos, até ao momento em que a Revolução Industrial apareceu e mudou quase tudo por onde passou. Milhões de pessoas vieram dos campos para as cidades, para as fábricas e para as minas, e precisavam de horas. O relógio subiu primeiro para as torres ou para o centro da fachada neoclássica das fábricas e lá continuou, passando depois para dentro, e depois para o bolso dos ricos e por fim para o pulso de todos. Hoje o relógio ordena o nosso tempo com um rigor muito para além do biológico e manda no nosso corpo, como nenhum objecto do passado. É tão presente que parece invisível, nem damos por ela que está lá, é parte do nosso corpo, mais do que objecto estranho. Um figurante do Ben Hur esqueceu-se dele, e nos filmes há quem vá para a cama sem ser para dormir, só vestido no pulso.

O telemóvel é o objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais desde que existe. Não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel. E continua a mudar sem darmos muito por isso, porque a mudança se faz de forma desigual, quer no que muda, quer em quem muda. Dito de outra maneira, muda certas coisas nos jovens e muda outras nos adultos e os seus efeitos estão longe de ter terminado ou sequer de se saber até que ponto de transformação vão. Uma coisa é certa, o telemóvel, ou seja um instrumento de contacto instantâneo e portátil entre mim e todos e todos e mim, que usa predominantemente a voz e, daqui a poucos anos, usará a voz e a imagem, emigrará para ainda mais perto de mim, para a minha roupa, para os meus ouvidos, como já emigrou para as paredes do meu carro. O que ele transporta não é uma ficção, não é um avatar ou um nick mais ou menos anónimo, não é a minha prefiguração virtual como no Second Life ou nas caixas de comentários ou nos blogues anónimos, é a minha voz, a minha imagem, ou seja, eu. Não seria tão poderoso se fosse um instrumento do meu teatro virtual. Bem pelo contrário, é uma encarnação da minha persona, é o meu lugar na sociabilidade dos outros.

Por isso, luta-se por um telemóvel, porque num telemóvel de um adolescente está muito do seu mundo: telefones dos amigos, telefone dos namorados, passwords, fotografias, mensagens, vídeos, o equivalente a um diário pessoal, em muitos casos mais íntimo que um diário à antiga, com a sua chavinha de brincar que dava a ilusão de que ninguém o lia. À medida que se caminha pela idade acima o conteúdo do telemóvel muda, mas continua pessoal e intransmissível, com os SMS comprometedores que arruínam muitos casamentos, até se tornar quase um telefone de emergência que os filhos dão aos pais com os números deles já gravados e os das emergências: "é só carregar aqui e eu atendo, se houver qualquer problema, assim não se sente sozinho." Sente.

Mas as mudanças não se ficam por aqui. Já escrevi sobre algumas, como a presentificação obrigatória, a obrigação socialmente exigida de se estar sempre presente, porque o corpo e o telemóvel vão juntos. Deixou de se poder estar longe de um telefone, já para não dizer que se deixou de poder não ter telemóvel. A recusa de dar um número de telemóvel é tida como uma má educação ou uma insensata e insociável vontade de não estar disponível. Com o telemóvel está-se sempre disponível, ficam sempre os recados, queira-se ou não recebê-los, e o novo código do telemóvel exige que haja sempre resposta. Por que razão tenho eu que receber recados que não solicitei, e dar respostas que posso não ter tempo ou disponibilidade ou vontade para dar? Não posso, porque a máquina não aceita um não por resposta, ela vive do tráfego, e deseja mais tráfego. Por isso oferece-me voice-mail, e-mail no telemóvel, mensagens, sem eu o pedir.

Nos mais jovens o telemóvel é apenas mais um instrumento para a completa insensibilidade à perda de privacidade e intimidade. Crescendo num mundo que não preza e não educa para esses valores, um mundo que incentiva a exposição pública, o telemóvel fornece um meio de registo, incorporando a máquina fotográfica e o vídeo, no qual qualquer fronteira entre o que é público e privado se esbate. Qualquer um é um paparazzi de si próprio e dos outros e o rapaz que filmou o vídeo em glória do 9.º C da escola Carolina Michaëlis estava a pensar nessa dimensão lúdica e social do YouTube onde a vã glória de maltratar uma professora ou de uma fight na turma iriam dar fama na rede de chats e no Hi5 onde milhares de raparigas, adolescentes ou já nem tanto, se mostram em poses provocadoras, já para não falar no resto. Não sei se quando crescerem se vão arrepender, mas então já será tarde, porque uma vez na rede sempre na rede.

Por último há o controlo, o magnífico instrumento de controlo que é o telemóvel, pessoa a pessoa, numa rede que prende os indivíduos numa impossível fuga àquilo que é o objecto sempre presente, sempre ligado (os telemóveis desligados são de desconfiar), no qual a primeira pergunta é sempre "onde tu estás?", uma pergunta sem sentido no telefone fixo, esse anacronismo. Adolescentes jovens ou tardios, casais, maridos, mulheres, amantes, namorados, patrões e empregados, jogam todos os dias esse jogo do controlo muito mais importante do que a necessidade de falar ao telemóvel. Na verdade a esmagadora maioria das chamadas de telemóvel não tem qualquer objecto ou necessidade de ser feita, ninguém as faria num mundo de telefones fixos, que não seja pelo controlo, pela presentificação do indivíduo no seu jogo de inseguranças, solidões, afectos, e medos, através da caixa electrónica que se segura numa mão.

Não é a necessidade que justifica a presença quase universal dos telemóveis desde as crianças de seis anos até aos velhos, os milhões de chamadas a qualquer hora do dia, em qualquer sítio, da missa à sala de aulas, do carro à cama, é o complexo jogo de interacções sociais que ele permite, sem as quais já não sabemos viver. Viver num mundo muito diferente e cada vez mais diferente.

Historiador

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abril 11, 2008

A "segunda família" sg/ Daniel Sampaio

...texto recolhido na edição subscrita da revista Pública de 5 de Abril de 2008...com a devida vénia ao autor e à revista mencionada.

A SEGUNDA "FAMÍLIA"
Daniel Sampaio


Os incidentes na escola do Porto e a demonstração - pela Internet - de que outros estabelecimentos de ensino poderiam conter situações de grave indisciplina, tiveram a virtude de fazer acordar muitos pais e educadores. A verdade é que quem contacta com jovens já se tinha apercebido como a voracidade de um quotidiano virado para o consumo e para o divertimento sem regras tem empurrado os adolescentes para um mundo em que o prazer e o espectáculo estão acima de tudo.

Esta maneira de viver que caracteriza muitos jovens de hoje inicia-se na infância ou na pré-adolescência. Cresceram vazios, sempre em busca de uma gratificação imediata, tornaram-se exigentes para com os pais, perderam de modo progressivo o sentido do outro: acima de tudo, querem estar bem, viver sem preocupações, "curtir" o momento. Os pais sentem-se perdidos, porque receiam ser firmes, na ânsia de tudo fazerem para que os filhos "sejam felizes" adiam dizer não, mesmo quando não concordam: preferem permitir, também porque às vezes é mais fácil. Quando a família se desmorona por doença mental ou por divórcio, os filhos são muitas vezes os bodes expiatórios dos progenitores e saltam de casa em casa sem que ninguém fale com eles. Mesmo quando a família se mantém intacta e sem problemas de maior, os adolescentes parecem considerá-la secundária, porque são os colegas, os amigos e os contactos na Internet que verdadeiramente os mobilizam.

Fala-se então da "segunda família": os jovens vivem submersos na música preferida, nas roupas, nos adornos corporais e quem lhes interessa, em muitos casos, já não são os pais, os avós e os irmãos, mas os membros da sua nova rede relacional. A escola é importante não como fonte de conhecimentos, mas como alguma coisa que se tolera porque permite ter amigos e levar ao máximo experiências-limite, sobretudo se forem filmadas e exibidas para o grupo. Os pais assistem atónitos: acabadas as redes de vizinhança, enfraquecidas as organizações estruturadas na comunidade e dirigidas por adultos (igreja, escuteiros, grupos desportivos...), olham em redor e vêem os filhos adolescentes cada vez mais longe. É, por exemplo, habitual que os adolescentes faltem aos aniversários ou a outros rituais familiares, porque "vão sair", ou "é o dia de estarem com os amigos".
A explosão tecnológica trouxe a todo o lado esta "cultura" juvenil: telemóveis, grupos de conversação, dispositivos para ouvir música e muitas outras coisas permitiram a comunicação a distância e a socialização fora do controlo familiar: hoje muitos amigos não aparecem em casa e estão longe do grupo de pares de que tanto se falou nos anos noventa. Os ídolos não são os protagonistas da televisão ou do cinema, são sites e programas de conversação que nem sempre veiculam bons modelos: em muitos casos triunfam agora as mensagens hipersexualizadas, os sites das anorécticas, os links para a violência.

Que fazer? Encarar o problema e deixar de vez o discurso saudosista ou derrotado: em primeiro lugar, definir com o adolescente em causa a sua rede relacional. Os adultos responsáveis pela educação têm de saber com quem os filhos contactam, em proximidade ou à distância; perceber quem são os líderes do grupo e por que razão são influentes; trazer para casa membros da "segunda família", sem esquecer de fazer notar que a primeira é a crucial, porque será mais duradoura. Para isso, os pais devem partilhar experiências com outros pais que tenham filhos em situação semelhante, conhecer ao máximo as novas tecnologias, melhorar a proximidade com a escola sem invadir demasiado o território escolar.

O debate sobre estas questões demonstrou como se discute o acessório, sem que as pessoas se apercebam como tudo está a mudar na adolescência e na família. A nova facilidade na comunicação tem de ser a garantia de que os pais contactam os filhos durante o dia, mesmo que estejam a trabalhar. E é bom ver se todos estes comportamentos nos jovens não são uma luta contra o anonimato e o vazio das suas vidas: mesmo que o sejam, temos de os atalhar a tempo.


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abril 09, 2008

E não se poderá "implodi-lo"?...

Com a devida vénia à crónica de J.Fernandes, Público, que transcrevo em entrada estendida.

(...) Tudo isto reforça a convicção de o único caminho a seguir é o da maioria dos países nórdicos, que só recomeçaram a ver os seus jovens a progredir quando, na prática, acabaram com o Ministério da Educação e entregaram o poder às escolas e às comunidades.

É pena o edifício da 5 de Outubro ficar no meio do tecido urbano, pois daria um belo espectáculo a sua implosão, abrindo espaço para, por exemplo, um monumento às vítimas do "eduquês"... (...)

avaliação já acabou, mas vamos todos fingir que não

José Manuel Fernandes - 20080409

O braço-de-ferro entre a ministra e os professores já se tornou num teatro de fingimentos onde pouco ou nada é levado a sérioOprocesso de avaliação dos professores, que miraculosamente salvaria o sistema de ensino impondo-lhe normas ainda mais centralistas e procedimentos ainda mais burocráticos, acabou. Para já este ano.
Ontem a ministra da Educação propôs aos sindicatos que, em vez de suspender o processo, aceitava, na prática, "suspender" as avaliações que impediriam os professores de progredir na carreira, as Regular e Insuficiente. Na verdade, o que Maria de Lurdes Rodrigues está a tentar evitar é que os professores que forem já avaliados e não couberem nas quotas de Muito Bom e Excelente tenham todos... Bom. Porque era isso, ou é isso, que muitas escolas se preparam para fazer.

O hábito é antigo, como se sabe: não havendo quotas, ou distribuição forçada das classificações para criar alguma diferenciação entre os professores, estes já faziam como a maioria dos funcionários públicos, raramente atribuindo classificações negativas. E como, entretanto, para criar a ilusão de que não recuou, a ministra continuava a fingir que tudo se mantinha na mesma, enquanto ia dando instruções às escolas para simplificarem os processos de avaliação, estas foram ganhando margem para deixar tudo mais ou menos como estava. Mas também "fingindo" que iam cumprindo a lei, umas mais depressa, outras arrastando os pés.

O absurdo da situação criada pela teimosia centralista do ministério ficou anteontem bem à vista: foi apenas a 7 de Abril, já com o 3º período de aulas em andamento, que as escolas receberam da 5 de Outubro a versão definitiva das fichas de avaliação e ponderação de critérios. Nada menos de 16 fichas, acrescente-se. Nesta altura do ano. E depois de termos visto governantes atrás de governantes a garantirem que existiam todas as condições para um processo sério de avaliação...

Entretanto o ministério já tinha recuado em pontos como a necessidade de professores assistirem a aulas de outros professores para os avaliarem, já tinha alterado, de forma legalmente duvidosa, os prazos para a avaliação, deixando-os ao critério das escolas, já tinha também abandonado a norma relativa ao peso dos resultados escolares dos alunos, ou a relativa a existirem objectivos individuais para todos os professores, ou ainda à planificação das actividades.

Na prática, acaba a preocupação com a excelência e com o rigor. Na prática admite-se que, se alguma coisa correr mal, não tem importância, fazendo de conta que se vai fazer uma avaliação a sério, quando se vai acabar a fazer o que muitos professores pediam: experimentar e depois corrigir.

No fundo, as escolas sabiam que, se não realizassem a avaliação, punham em causa o futuro de milhares de professores contratados, um instrumento de chantagem de que a ministra nunca abdicou. E esta foi percebendo o absurdo de tentar obrigar as escolas a estabelecer normas internas cujas regras genéricas nem o próprio ministério tinha definido. Os sindicatos sabem que têm poucas hipóteses de recorrer a formas de luta mais radicais, como greves aos exames. Pelo que assim chegamos à mascarada actual, em que a ministra garante que avaliação está a ser feita, as escolas fingem que a estão a fazer e os sindicatos continuam a dizer-se contra, apesar de saberem que tudo ficou mais menos como dantes.

Até podia ser que tudo resultasse do bom senso, mas infelizmente não resultou. Resultou da lógica infernal de um ministério centralista e de sindicatos cuja inimaginável forma de funcionar lhes deu a oportunidade de mobilizarem, como nunca antes, a maioria dos professores.

Nada disto tornou as escolas melhores, nem contribuiu para a qualidade de ensino, mesmo que seja natural que este ano até tenhamos melhores médias nos exames, pois a equipa da 5 de Outubro, obcecada com as estatísticas, até já começou a tratar disso, designadamente quando alargou para três horas o tempo que os alunos de Matemática terão para responder às suas provas de exame.

Tudo isto reforça a convicção de o único caminho a seguir é o da maioria dos países nórdicos, que só recomeçaram a ver os seus jovens a progredir quando, na prática, acabaram com o Ministério da Educação e entregaram o poder às escolas e às comunidades.

É pena o edifício da 5 de Outubro ficar no meio do tecido urbano, pois daria um belo espectáculo a sua implosão, abrindo espaço para, por exemplo, um monumento às vítimas do "eduquês"...

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março 27, 2008

São os Humanos enigmáticos?... descobertas.

assim vamos avançando neste "o homem esse desconhecido

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março 26, 2008

Da Matemática, dos bons professores, e...seus honorários.

(In jornal Público de 26 de Março, edição impressa, por subscrição.)

(..) "No relatório, também se fala na importância dos professores.
É um problema tremendo nos Estados Unidos. Não estamos a atrair os melhores para a profissão porque os salários são baixos e porque as escolas não dão todo o apoio aos professores.
Ao fim de cinco anos, as taxas de abandono da profissão chegam aos 50 por cento. E, geralmente, são os melhores que saem. É também uma questão política, já que devia haver mais financiamento para pagar bem aos melhores. O problema é definir o que é um bom professor.
Não há investigação nessa área?
Não. Neste momento sabemos que um bom professor é aquele que consegue que os seus alunos consigam bons resultados nos exames. Este é o único instrumento mensurável que temos. Mas não devia ser o único. É muito importante definir critérios objectivos para distinguir os bons e os maus professores e assim ser possível pagar mais aos primeiros e afastar os segundos, sem que os sindicatos o possam contestar. "(...)

Concentrem todos os esforços em arranjar bons professores

26.03.2008, Isabel Leiria


Nos EUA, os maus resultados a Matemática são um problema estratégico, diz Hung-Hsi Hu


O professor da Universidade de Berkeley, California, Estados Unidos da América, integrou o National Mathematics Advisory Panel, grupo criado por George Bush para reformular o ensino da disciplina. A convite da Sociedade Portuguesa de Matemática, veio a Lisboa falar (deu ontem uma conferência e dá outra amanhã) de um problema que apresenta vários pontos em comum com a realidade nacional.
Há vários anos que os resultados dos alunos americanos a Matemática nos testes internacionais estão a piorar. O que é que originou esse declínio?
Ainda estamos a viver o rescaldo do que se chamou math wars. Nos anos 60, um grupo de matemáticos achou que o ensino nas escolas não era o adequado e propôs mudanças muito rápidas e extremas nos currículos. Defendiam que a educação matemática nas escolas não era mais do que Matemática pura e que os alunos deviam ser ensinados como nas universidades. Para esta corrente - New Math-, o importante não era entender, mas resolver os problemas.
No final dos anos 80 impôs-se uma outra corrente como solução, mas também ela extrema. O NCTM (National Council of Teachers of Mathematics) aprovou um conjunto de orientações, adoptando um novo método de ensino, que privilegiava a participação e o envolvimento dos estudantes naquilo que devia ser aprendido. Mais do que os conteúdos, era a pedagogia que interessava, o que também não trouxe bons resultados.
A tal ponto que o Presidente dos Estados Unidos interveio...
O Presidente apercebeu-se de que o país estava em perigo, já que os estudantes americanos estavam a ser ultrapassados pelos do Japão, de Singapura e outros.
E se o problema não é não estar no topo, o que estes estudos internacionais mostram (como o Pisa ou o TIMSS) é que os Estados Unidos ficam no meio ou na segunda metade da tabela, o que não é aceitável para um país que se quer basear na tecnologia.
O Presidente criou o National Mathematics Advisory Panel e pediu ao grupo que olhasse para toda a investigação sustentada existente e dissesse como se pode resolver o problema. Tudo o que dizemos no relatório são coisas que podemos provar.
Propõe uma intervenção é nos currículos. Em que sentido?
Toda a gente diz que é fundamental ter boas bases para se ir aprendendo a Matemática. Mas é preciso definir o que é que isso significa. Estabelecemos de forma muito precisa e objectiva os conhecimentos que é preciso ter no final de cada ano. No meu estado [Califórnia] há alunos do 7.º que não sabem responder de cor quanto é 7x5. Como podem aprender Matemática e Álgebra, que é entendida como a porta de entrada para o conhecimento mais avançado, se não sabem isto? Nós defendemos que a partir do 3.º ano os alunos têm de saber multiplicar números inteiros. Que no 5.º têm de somar fracções, coisa que não estava a ser aprendida...
O recurso às calculadoras e às novas tecnologias facilita ou não esse tipo de aprendizagens?
É um assunto muito controverso e que ocupou muitas horas de discussão. Há estudos com mais de 20 anos e feito com pequenos grupos de alunos, que concluíram que o uso da máquina de calcular e outras tecnologias não tem efeitos negativos, a curto prazo, na capacidade de pensar e de raciocinar.
Há uma outra investigação muito recente, que incidiu sobre mais de seis mil estudantes, que chegou à conclusão de que as novas tecnologias não ajudam os alunos. Mas também não provou que tinha consequências negativas.
Só que a nossa preocupação é sobre o longo prazo. É saber se a utilização das calculadoras nos primeiros anos de escola se vai reflectir no ensino médio. Se eu peço a um estudante do 7.º ano para multiplicar 7x5 e ele não sabe, isso é preocupante. Mas é preciso mais investigação.
Mas as novas tecnologias não podem ajudar, pelos menos, os alunos com menos gosto pela disciplina a interessarem-se e ter melhores resultados?
Aí estamos a falar de outra coisa. O grupo foi criado porque estávamos a ficar para trás. A ideia é garantir que os alunos estejam preparados para enfrentar os novos desafios da era tecnológica. Se não sabem Matemática, como é que vão ser contratados por empresas como a Microsoft, Hewlett Packard, Texas Instruments? Essas empresas querem alguém não que saiba trabalhar com calculadoras, mas que consiga raciocinar e lidar com informação nova. O objectivo não é garantir que os jovens aprendam alguma coisa que é melhor do que nada.
No relatório, também se fala na importância dos professores.
É um problema tremendo nos Estados Unidos. Não estamos a atrair os melhores para a profissão porque os salários são baixos e porque as escolas não dão todo o apoio aos professores.
Ao fim de cinco anos, as taxas de abandono da profissão chegam aos 50 por cento. E, geralmente, são os melhores que saem. É também uma questão política, já que devia haver mais financiamento para pagar bem aos melhores. O problema é definir o que é um bom professor.
Não há investigação nessa área?
Não. Neste momento sabemos que um bom professor é aquele que consegue que os seus alunos consigam bons resultados nos exames. Este é o único instrumento mensurável que temos. Mas não devia ser o único. É muito importante definir critérios objectivos para distinguir os bons e os maus professores e assim ser possível pagar mais aos primeiros e afastar os segundos, sem que os sindicatos o possam contestar.
Por que é uma disciplina tão complicada para tantos jovens?
Na Matemática não podemos fazer as experiências fantásticas da Física e da Química e que deixam os estudantes boquiabertos. A Matemática é, pela sua natureza, uma disciplina abstracta. É acerca de pensar sobre coisas que não conseguimos ver mas que, se raciocinarmos sobre elas, chegamos a conclusões. O que um bom professor consegue é fazer do abstracto um conteúdo razoável e que pode ser explicado e aceite pelos alunos.
Que recomendações daria aos Governos portugueses?
É preciso que os educadores trabalhem em conjunto com os matemáticos, desde que estes tenham a humildade de aceitar que o ensino nas escolas é complexo. As decisões não podem ser deixadas apenas a quem mal percebe de Matemática. Segundo: concentrem todos os esforços em arranjar bons professores.

Publicado por morfeu às 04:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 20, 2008

Agressão a professora...


Sem comentários...

Publicado por morfeu às 07:31 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 18, 2008

Resta-nos a Ana Drago?

Publicado por morfeu às 08:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 17, 2008

Bom -senso ainda...

Tendo acabado de ler a crónica de Daniel Sampaio, na revista Pública, julgo oportuno para quem queira cultivar um pouco o exercício da "humildade activa", como no anterior post referi, transcrever o texto em entrada estendida. Com a devida vénia ao autor, e à revista Pública.

Publicado por morfeu às 12:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

Decreto 2/2008...ou a humildade do bom-senso. Subscrevo!

humildade de húmus, que se sabe terra e pó e adubo, sendo activa e não submissa... com a devida vénia ao autor.

Publicado por morfeu às 12:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 12, 2008

A avaliação parece que já não é na Ota...

Sem comentários...

Publicado por morfeu às 11:49 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 11, 2008

Ele disse que era falta de sensibilidade política...

Com a devida vénia ao Jornal Público... fica o registo. De sensibilidades percebe o Prof. Marcelo Rebelo (intervenção na RTP, no passado domingo) e não sei se a Srª Ministra. Sensibilidade política não implica a sensibilidade pessoal? Fica a pergunta.

Publicado por morfeu às 11:21 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 10, 2008

A Metafísica do "Jamé"...

Via blogue "Educação do meu Umbigo"

Publicado por morfeu às 11:55 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 09, 2008

Agora a realidade...

...não é um protestozeco qualquer que resvale na indiferença Exª Srª M.

Publicado por morfeu às 03:27 PM | Comentários (0) | TrackBack

A força do humor...sg/ A.Cid

Pela segunda vez utilizo, com a devida vénia ao autor, e ao semanário Sol, uma caricatura do A.Cid. Estou neste momento com dúvida imensa... qual é a caricatura? qual a realidade?

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Publicado por morfeu às 03:03 PM | Comentários (1) | TrackBack

Pela dignidade... imagens.

Com a devida vénia ao colegas fotógrafos, e ao Expresso que fez a montagem...para que não esqueça facilmente

Publicado por morfeu às 11:06 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 07, 2008

O grito do silêncio...

...depois de exercitar o grito na entrada anterior, é ocasião de meditar na proposta feita em múltiplos blogs e por vários colegas, para a manifestação de amanhã. Assim...
2.bmp

... e só no final da manifestação fazer eco bem audível e civlizado do nosso querer. Mesmo que o poder estabelecido continue a desautorizar e a dispôr em berro de "quero, posso, mando"... que a nossa dignidade brilhe nas avenidas e praças da capital do "Império"...

Publicado por morfeu às 11:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

Exercite a leitura, dicção, fôlego, ideologia...

... no final aproveite para dar um berro dos grandes... em entrada estendida porque só para quem tenha, desde logo, classificação excelente.

VEJA SE CONSEGUE CHEGAR AO FIM E LEIA EM VOZ ALTA QUE É DIGNO......

Por António Barreto - Público

PARECE QUE A EDUCAÇÃO está em reforma. Sempre esteve, aliás. Vinte e
tal ministros da educação e quase cem secretários de Estado, em pouco
mais de trinta anos, estão aí para mostrar o enorme esforço despendido
no sector. Uma muito elevada percentagem do produto nacional é
entregue ao departamento governamental responsável. Este incansável
ministério zela por nós, está atento aos menores sinais de mudança ou
de necessidade, corrige infatigavelmente as regras e as normas. Neste
5 de Outubro, dia da República, o Chefe de Estado e o presidente da
Câmara de Lisboa não se esqueceram de considerar a educação a mais
alta prioridade e a principal causa do nosso atraso. Nesse mesmo dia,
mão amiga fez-me chegar o último exemplo do esforço reformador que
anima os nossos dirigentes. Com a devida vénia ao signatário, o
secretário de Estado Valter Lemos, transcrevo o seu despacho
normativo, cuja leitura em voz alta recomendo vivamente:

O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração
de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações
introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,
rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril,
e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, assenta num princípio
estruturante que se traduz na flexibilidade de escolha do percurso
formativo do aluno e que se consubstancia na possibilidade de
organizar de forma diversificada o percurso individual de formação em
cada curso e na possibilidade de o aluno reorientar o próprio trajecto
formativo entre os diferentes cursos de nível secundário.
Assim, o Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, veio
estabelecer um conjunto de orientações sobre o processo de
reorientação do percurso escolar do aluno, visando a mudança de curso
entre os cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de
Março, mediante recurso ao regime de permeabilidade ou ao regime de
equivalência entre as disciplinas que integram os planos de estudos do
curso de origem e as do curso de destino, prevendo que a atribuição de
equivalências seria, posteriormente, objecto de regulamentação de
acordo com tabela a aprovar por despacho ministerial.
Neste sentido, o Despacho n.º 22796/2005 (2.ª Série), de 4 de
Novembro, veio concretizar a atribuição de equivalências entre
disciplinas dos cursos científico-humanísticos, tecnológicos e
artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos
audiovisuais, do ensino secundário em regime diurno, através da tabela
constante do anexo a esse diploma, não tendo, no entanto, abrangido os
restantes cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de
Março.
A existência de constrangimentos na operacionalização do regime de
permeabilidade estabelecido pelo Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série),
de 20 de Julho, bem como os ajustamentos de natureza curricular
efectuados nos cursos científico-humanísticos criados ao abrigo do
Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, implicaram a necessidade de
se proceder ao reajuste do processo de reorientação do percurso
escolar do aluno no âmbito dos cursos criados ao abrigo do mencionado
Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.
Desta forma, o presente diploma regulamenta o processo de reorientação
do percurso formativo dos alunos entre os cursos
científico-humanísticos, tecnológicos, artísticos especializados no
domínio das artes visuais e dos audiovisuais, incluindo os do ensino
recorrente, profissionais e ainda os cursos de educação e formação,
quer os cursos conferentes de uma certificação de nível secundário de
educação quer os que actualmente constituem uma via de acesso aos
primeiros, criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de
Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25
de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006,
de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º
23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de
Julho, e regulamentados, respectivamente, pelas Portarias n.º
550-D/2004, de 22 de Maio, alterada pela Portaria n.º 259/2006, de 14
de Março, n.º 550-A/2004, de 21 de Maio, com as alterações
introduzidas pela Portaria n.º 260/2006, de 14 de Março, n.º
550-B/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela
Portaria n.º 780/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-E/2004, de 21 de Maio,
com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 781/2006, de 9 de
Agosto, n.º 550-C/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas
pela Portaria n.º 797/2006, de 10 de Agosto, e pelo Despacho Conjunto
n.º 453/2004, de 27 de Julho, rectificado pela Rectificação n.º
1673/2004, de 7 de Setembro.
Assim, nos termos da alínea c) do artigo 4.º e do artigo 9.º do
Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração
de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações
introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,
rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril,
e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, determino:

O que se segue é indiferente. São onze páginas do mesmo teor. Uma
linguagem obscura e burocrática, ao serviço da megalomania
centralizadora. Uma obsessão normativa e regulamentadora, na origem de
um afã legislativo doentio. Notem-se as correcções, alterações e
rectificações sucessivas. Medite-se na forma mental, na ideologia e no
pensamento que inspiram este despacho. Será fácil compreender as
razões pelas quais chegámos onde chegámos. E também por que, assim,
nunca sairemos de onde estamos.

Publicado por morfeu às 11:36 AM | Comentários (2) | TrackBack

março 04, 2008

Confap...conhece? Atreva-se...


Este colega da blogosfera e de profissão corre o risco de ser posto em Tribunal. Informemo-nos e tomemos posição sobre o assunto.

Publicado por morfeu às 03:14 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 01, 2008

Do Nada para o Nada, caminhantes ...

nessa contínua e misteriosa busca do Mistério, com a orientação laboriosa de A. Borges

Publicado por morfeu às 09:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 29, 2008

"Tecno-luxúria"...conhece?

... ainda não se chegou a tanto, por estes lados. A experiência tecnológica de uma escola dos States, que apresento em entrada estendida, dá que pensar. De facto um "grande" e "excelente" professor continua a ser aquele que domina a palavra em toda a sua extensão e compreensão. E...a conversa, ou conversar, continua a ser grátis... para reflectir.

Patrick Welsh +/Washington Post * digital@publico.pt

Qual é o problema dos professores do liceu T.C. Williams?
Em Setembro, fomos transferidos para um edifício que custou 98 milhões de dólares (65 milhões de euros) em Alexandria (Virginia - Leste dos EUA, próximo de Washington), um dos liceus mais caros de sempre. As salas de aula são banhadas por luz natural. Todas têm um projector LCD montado no tecto, que transmite tudo o que eu queira colocar no meu computador portátil (desde leituras de poesia na Biblioteca do Congresso a entrevistas no YouTube com Toni Morrison e outros escritores) para um ecrã gigante na frente da sala.
O comportamento dos estudantes parece ter melhorado muito. Temos um refeitório que parece saído de um centro comercial de luxo, e que parece ter tido um efeito curiosamente tranquilizante, tal como também teve a presença de 126 câmaras de segurança.
Então, seria de pensar que os professores do T.C. estivessem extasiados. Mas passa-se exactamente o contrário.
A moral entre os docentes está ao nível mais baixo e o cinismo no máximo que eu vi em muitos anos. Qual é o problema?
É aquilo a que um antigo superintendente do sistema escolar de Alexandria descreve como "tecno-luxúria": uma doença que afecta gestores de escolas por todo o país e que se manifesta através de uma necessidade insaciável de adquirir os gadgets informáticos mais recentes, mais rápidos, mais exóticos - quer os estudantes precisem deles ou não.

O "liceu das geringonças"

A "tecno-luxúria" encontra-se na sua fase mais avançada no T.C., onde os nossos administradores fetichizaram a tecnologia de tal forma que alguns dos meus colegas descrevem a escola como o "liceu das geringonças".
Por exemplo: foi dito aos professores de ciência e matemática que não podem usar retroprojectores tradicionais para apresentar materiais às suas turmas - apesar de os professores dizerem que, em muitos casos, estas máquinas são superiores aos computadores para transmitir determinados conceitos.
Mas a avaliação dos professores actualmente não é feita pela sua capacidade de explicar a matéria aos alunos: o que interessa é saber se conseguem ter "salas de aula sem papel" - e quantas geringonças usam. Para parafrasear o filme Campo de Sonhos, se uma empresa de informática construir uma maquineta para a sala de aulas, o sistema escolar de Alexandria vai comprá-lo.
O mais recente é o "school pad". Este é um dispositivo portátil que permite ao professor passear-se pela sala de aula e fazer sublinhados no que o projector LCD for mostrando no ecrã. Por outras palavras, serve para poupar aos professores a meia-dúzia de passos necessária a chegar às suas secretárias e clicar no rato.
A administração escolar encomendou 77 "school pads" para o T.C., a um custo de 495 dólares (330 euros) cada um. Isto apesar de uma das professoras ter dito que o dispositivo a fazia lembrar de um brinquedo de infância: "É só uma maneira de gastar dinheiro para pessoas que são preguiçosas demais para escrever no quadro."

O professor ciborgue

Durante algum tempo, julguei que eram só os professores mais velhos como eu, imigrantes no mundo da Internet, que estavam a queixar-se da chamada "iniciativa tecnológica". Mas afinal até os professores mais jovens estão fartos.
"[Os administradores] preferiam ter um ciborgue a dar as aulas em vez de ter-me a mim", disse-me um jovem professor de inglês. "É a tecnologia como um fim em si mesma. O que conta não é ter coisas que funcionem ou ajudem os miúdos a aprender, é ter coisa que façam os administradores parecer dinâmicos, que passem ao público uma impressão de modernidade."
A escola praticamente admite isto no seu site na Internet, onde se pode ler este texto dirigido aos professores: "Imaginem esta manchete: "Escolas públicas de Alexandria reconhecidas pelo seu programa educativo de tecnologia de ponta; Bons resultados dos estudantes correlacionados com a implementação de tecnologias". Que tecnologias é que existem no liceu que podem conduzir a uma manchete como esta?"
Os administradores podem viver de manchetes, mas o objectivo dos professores é que os seus estudantes aprendam. "Os professores não deviam mudar a sua maneira de ensinar para se adaptarem a um engenho tecnológico qualquer", diz Peter Cevenini, director da divisão de ensino básico do Business Solutions Group da Cisco. "Ensinar é uma arte, e grandes professores podem ensinar de formas completamente diferentes. Há demasiadas escolas a tornar-se obcecadas por máquinas; compram engenhos informáticos apenas porque eles existem."

Na aula, a jogar no laptop

Os miúdos não se deixam levar pelas maquinetas. "O meu melhor professor é o professor Nickley", diz Jamal Stone, aluno do 12º ano. "Ele não liga a isso dos computadores. Usa só o quadro - o quadro inteiro. É enérgico, animado, espirituoso e percebe imenso de matemática. Obriga-nos a prestar atenção; não conseguimos distrair-nos nem tentando."
Jamal tem pena de muitos dos "professores sem papel", que estão sempre a tentar fazer os estudantes usar os seus laptops (oferecidos pela escola) na sala de aula: "Os professores julgam que têm os alunos concentrados em trabalho para a aula, quando na verdade estão em jogos de computador ou a surfar na Web", conta. "Quando os nazis dos computadores bloqueiam um jogo, os miúdos descobrem logo outro."
Outra aluna de 12º ano, Katerina Savchyn, confirma que às vezes usa o laptop para fugir ao tédio das aulas - vai para um jogo online chamado Helicopter.
Aliás, os portáteis oferecidos pela escola constituem um problema de várias maneiras. Estudantes queixam-se de perder imenso tempo nas aulas a tentar fazer uploads de programas necessários. Os laptops estão sempre com problemas em ligar-se ao servidor de wi-fi - mesmo depois de, há alguns meses, os "geeks" dos computadores terem ido a todas as salas de aula instalar novas memórias nos servidores. A administração escolar, que se apressou a dar os computadores aos estudantes há três anos, está constantemente a tentar adaptar-se à nova tecnologia.

Carregas no "enviar" e rezas

O que é mais desconcerte é que o excesso de tecnologia está a desanimar alguns professores jovens e talentosos. Um dos melhores na minha escola - um professor que é estimado por estudantes e pelos seus pais - põe as coisas nestes termos: "Há muito de bom nos computadores, mas estamos a ser obrigados a fazer uma quantidade exagerada de actividades neles. Muitas dessas actividades não se adaptam ao meu estilo de ensinar. Temos tantos obstáculos para superar que há dias em que chego à escola e não me sinto entusiasmado. Estas actividades de computadores só servem para nos afastar dos estudantes."
Claro, a grande questão não é se os professores gostam de passar o seu tempo a aprender a usar uma nova maquineta a seguir a outra; o importante é se esta procissão de novas tecnologias está a ajudar os miúdos a aprender. Pelo que vejo, não.
Um professor de matemática disse: "A matemática sai da ponta de um lápis. Não quero a resposta mais rápida; quero que os estudantes sejam capazes de desenvolver a resposta, de descobrir o seu porquê. A administração da escola parece achar que os computadores tornam a matemática fácil - mas a matemática tem de ser um processo complexo, de aprendizagem passo-a-passo."
Estas palavras são confirmadas por um professor de ciências sociais. Mais do que nunca, diz, "os nossos estudantes querem carregar num botão para ter uma resposta imediata de A, B ou C; cada vez menos querem pensar, porque pensar bem demora tempo".
Vejo o mesmo nas minhas aulas. Sobretudo quando é preciso escrever textos. Muitos estudantes enviam-me os trabalhos pela Internet; as margens do documento estão correctas, o tipo de letra é bonito, e a escrita é pior que nunca.
Parece que a regra se tornou: escreves, passas o corrector ortográfico, carregas no "enviar" e rezas.

+Patrick Welsh é professor de inglês no liceu T. C. Williams há mais de trinta anos
*exclusivo PÚBLICO/ Washington Post


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fevereiro 27, 2008

Ana Drago "super-star". Brilhante.

Depois da entrada anterior, acerca do estatuto dos deputados e suas prebendas, alguém surge merecedora do seu peso - ela que se me afigura p´ró magro - em ouro: Ana Drago. Já a conhecia dos tempos em que participou brilhantemente no programa de Daniel Sampaio, não me recordo o nome de momento, mas esta mulher pode ir muito longe. Que conserve toda a sua frontalidade, saber, e não deixe que a política a corrompa...

Publicado por morfeu às 12:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 26, 2008

Sphaera Mundi

Pode a ciência cantar...emocionante...

Publicado por morfeu às 08:52 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 07, 2008

Ao pé do M. da Educação Kafka é um aprendiz...

As monstruosidades continuam a crescer... até quando? A reflexão de Santana Castilho, no Público de hoje...

A prova

Santana Castilho - 20080207

O que se verificou [na formação de professores] foi um duplo abaixamento. Falar de elevação é farsa de gabinetesO Decreto Regulamentar nº 3 /2008 estipula que, doravante, para se exercer actividade docente num estabelecimento de ensino público pré-escolar, básico ou secundário não chega o grau académico de mestre. É preciso aprovação numa prova de avaliação de conhecimentos e competências concebida e organizada pelo Ministério da Educação. Procedendo assim, o Ministério da Educação vem dizer, entre outras, duas coisas: que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que nós, portugueses, não devemos confiar no Estado. Vejamos porquê.

As universidades e os politécnicos que formam professores não são clandestinos. Foram reconhecidos pelo Estado como competentes para tal. Para operarem têm que obedecer às exigências do Estado. O Estado impõe-lhes um número mínimo de professores doutorados. Não são livres de conceber os seus planos de estudo: o Estado impõe-lhes matrizes e, além disso, cada curso sujeita-se ao livre arbítrio do Estado para obter autorização de funcionamento. Não são livres quanto à admissão de alunos: o Estado estabelece-lhes cotas. O Estado fiscaliza-as e pode fechá-las, se deixar de lhes reconhecer qualidade. O Estado é, pois, tutor de todas. Mas, mais ainda, o Estado é dono da maioria. Neste quadro, a criação desta prova de avaliação de conhecimentos e competências mostra que o Estado não confia nelas, nem em si próprio. E porque não tem coragem para as enfrentar, dizendo-lhes isso mesmo, muito menos a humildade de reconhecer que falha no que lhe compete, actua kafkianamente: mobiliza mais burocracia, cria mais um monstro e atraiçoa quem acreditou nele. É que às vítimas deste devaneio, todos aqueles que pagaram propinas durante anos para obterem uma habilitação profissional, sublinho, profissional, só resta aguentar a iniquidade.

O que acabo de afirmar não prejudica o que tenho escrito noutras circunstâncias: a formação de professores em Portugal tem perdido qualidade e muitos dos que terminam os respectivos cursos estão longe de possuírem a competência mínima desejável para o exercício da profissão. Porque o Estado há muito que não faz outra coisa que ceder ao facilitismo: quando criou as escolas superiores de educação; quando permitiu o descontrolado crescimento do ensino superior privado; quando aceitou que Bolonha salvaria o mundo. É, aliás, caricato, a este propósito, ler no preâmbulo do diploma que "... o novo regime jurídico da habilitação profissional para a docência... elevou o nível académico da habilitação profissional de ingresso... para o nível de mestrado", quando quem está no terreno sabe bem que tudo não passa de uma mistificação administrativa. O que se verificou foi a desvalorização de dois graus académicos, o de licenciado e o de mestre. O que se verificou foi um duplo abaixamento. Falar de elevação é farsa de gabinetes.

Não cabendo nesta crónica uma análise detalhada do articulado do diploma, não quero concluir sem dois comentários circunstanciais, a saber:

1. Será melhor professor um candidato com 14, 14, 14, nas três componentes da prova, que outro com 20, 20, 13? Pois o primeiro passa e o segundo é excluído.

2. A leitura conjugada dos artigos 12º e 14º permite antecipar que entre a prestação da prova e a divulgação "dos programas e bibliografia de leitura recomendada" mediarão 20 dias. Vinte dias para tratar uma bibliografia? Será isto credível? Será isto sério?

Professor do ensino superior

Publicado por morfeu às 08:59 AM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 03, 2008

Tou fd....

...e mais muitos profs...e todos os cidadãos muitos e mailos putos que nos passam pelas mãos e...

Carta re-reencaminhada e chegada por mail ao Umbigo através do António Antão:

Boas! Deixo aqui a carta, que pretendo seja bastante esclarecedora, que enviei para vários figuras do meio cultural, político, jornalístico do país. Não me conformo em não fazer nada… isto é muito pouco, nada, atendendo à arrogância da senhora ministra, mas pelo menos, deito-me mais tranquila!
Enviei para o director do Expresso, J.N., Público, para a Inês Pedrosa (para ver se ela abre osolhos e não diz mais asneiras acerca dos profs),para o Pacheco Pereira, para o António Barreto, para o Marcelo, para um jornalista do Sol que um dia me contactou, para o Presidente da República… ainda procuro o mail do Manuel Alegre (que a ele ninguém o cala) e do Sousa Tavares (com o mesmo objectivo da Pedrosa).
Se pensares em mais alguém, avisa. Nunca será demais.
Fátima

Boa noite,

Peço-lhe, por favor, dedique uns minutos à leitura desta missiva, já que é imperioso alertar o país para o estado calamitoso para o qual resvala, irremediavelmente, a Educação em Portugal, caso não se faça nada em contrário. Sou professora e não alimento nem a ilusão nem a pretensão de conseguir mudar muito. Mas V. Excia tem os meios para promover essa mudança.

Vai-me permitir a brutalidade do discurso, mas a situação é gravíssima, muito mais do que transparece tibiamente para o exterior, e este governo incompetente, cínico e prepotente vai conseguir destruir, não apenas o presente, mas, mais gravosamente, o futuro. E não, não estou a ser dramática. Antes estivesse.

1º ponto - Avaliação do desempenho dos professores.

Deve ficar bem claro que os professores querem ser avaliados! Cansados estamos todos de sermos enxovalhados em praça pública, porque nada no sistema distingue os maus profissionais dos bons! Não queremos é esta avaliação. E não é por capricho. É por ser abusiva, quase que surreal, de tão distante que está do conhecimento objectivo da realidade escolar. É despótica e brutal em todos os âmbitos, desde a planificação à implementação… chegando, neste caso, a ser perigosa. A incompetência e falta de lisura dos senhores que comandam o Ministério da Educação são gritantes e raia o patético. Não só insultam os professores, mas insultam (e é bom que todos se consciencializem disso) todos os portugueses, sempre que tentam passar a imagem de competência e profissionalismo.

Passemos aos factos, que poderá constatar com toda a facilidade (e nem os mencionarei todos, por serem tantos).

É pedido, digo, exigido, às escolas que, num prazo de 20 dias, a contar da data de publicação do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro seja implementado o processo de avaliação dos professores com base em documentos, despachos, grelhas, recomendações que, decorridos quinze dias sobre aquele prazo, não foram tornados públicos:

· Faltam as recomendações do Conselho Científico ("os avaliadores procedem, em cada ano escolar, à recolha, através de instrumentos de registo normalizados, de toda a informação que for considerada relevante para efeitos da avaliação do desempenho. Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores." - artigo 6º, ponto 1 e 2);

· sem aquelas recomendações, o Conselho Pedagógico não pode elaborar e aprovar os tais "instrumentos de registo", nem se pode proceder à observação de aulas (artigo 17º);

· o regime da "observação de aulas" raia o absurdo, não porque os professores vejam inconveniente em serem observados (são-no, todos os dias), mas pela violência que representa para o avaliador. Invocando um Decreto Lei que, expressamente, referia que a redução dos departamentos para quatro apenas teria efeitos no concurso para titular (200/2007), o Ministério agora exige o que não é apontado neste despacho 2/2008: a reorganização dos departamentos naqueles quatro, instalando mais confusão num processo já de si tão escabroso e provocando a aglomeração grande número de docentes em cada um desses quatro departamentos. O meu, e do qual fui eleita coordenadora, entenda-se também, "avaliadora" (Departamento de Línguas), tem 31 professores. O das Ciências, por exemplo, tem quarenta e muitos professores. Como é possível que uma pessoa consiga assistir a três aulas por ano lectivo (neste ano, generosamente, apenas serão duas) de 30 professores? Além disso, como é possível acompanhar as planificações das aulas, diárias, desses trinta professores, reunir com cada um, definir objectivos, estratégias e instrumentos? Tudo isto mantendo um horário completo (sim, porque os avaliadores não têm redução alguma da sua componente lectiva, nem tão pouco qualquer alteração no seu salário, nem direito a horas extraordinárias), tendo o dever maior de cumprir com as suas turmas (que, para mim, é o realmente importante! Eu sinto-me responsável pelas minhas cinco turmas do 11º ano!), ao que acresce todo o trabalho burocrático e administrativo do Conselho Pedagógico, onde tenho assento e… as minhas próprias planificações! Sim, porque eu também serei avaliada, duplamente, como professora e como avaliadora! Poderei vir a tornar-me uma competentíssima avaliadora, mas, certamente, me tornarei numa pior professora. E isso é o que mais me angustia, porque eu gosto de dar aulas!

· é certo que no artigo 12º é apontada a possibilidade do coordenador "delegar as suas competências de avaliador noutros professores titulares, em termos a definir por despacho do membro do Governo responsável pela área da educação.". Está bom de ver que… falta esse despacho.

· O que falta, por parte do Ministério, não se fica por aqui: falta o despacho que aprova as fichas de avaliação (artigo 35º), como falta o despacho relativo às ponderações dos parâmetros de avaliação (nº 2, artigo 20º), como falta o despacho conjunto de estabelecimento de quotas previsto no nº 4 do artigo 21º, como falta a portaria que define os parâmetros classificativos a realizar pela inspecção (nº 4 do artigo 29º), como falta o diploma que rege a avaliação dos membros dos conselhos executivos que não exercem funções lectivas (nº1 do artigo 31º).

· no artigo 8º pode ler-se: 1 — A avaliação do desempenho tem por referência: a) Os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada; b) Os indicadores de medida previamente estabelecidos pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e a redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socio-educativo.2 — Pode ainda o agrupamento de escolas ou escola não agrupada, por decisão fixada no respectivo regulamento interno, estabelecer que a avaliação de desempenho tenha também por referência os objectivos fixados no projecto curricular de turma.

Nada disto existia antes de 10 de Janeiro e não se altera o Regulamento Interno de uma Escola nem o seu Projecto Educativo, documentos estruturantes que envolvem a participação de todas a comunidade escolar (pais, professores, funcionários, alunos, autarquia) em 20 dias! A menos que se faça com a mesma rapidez, consistência e respeito pelos envolvidos com que o Ministério da Educação despacha leis.

2º ponto - Postura do Ministério da Educação

Creio que os aspectos já apontados seriam suficientes para traçar o negro perfil dos órgãos responsáveis pela área de educação, mas este Governo colocou a fasquia bem alta, daí que tenhamos notícia de algumas pérolas de… escapam-me já as classificações…. e que passo a enunciar (pelo menos, as que eu conheço pelos meios de comunicação social:

· Há dois dias atrás, a Sra Ministra respondeu aos jornalistas, a propósito do, chamemos-lhe, mal-estar manifestado pelas escolas, com a candura que caracteriza o seu discurso, que estavam reunidas todas as condições para se proceder à avaliação do desempenho e que o Ministério daria todo o apoio necessário (não encontrei a citação exacta).

No dia seguinte, é comunicado, através do site do Dgrhe (http://www.dgrhe.min-edu.pt/), que "a contagem dos prazos definidos no artigo 24º do Decreto Regulamentar 2/2008 iniciar-se-á na data da divulgação na internet das recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores". Então, não estava tudo a decorrer com normalidade? Até se perdoaria este "lapso" não estivesse o documento eivado de muitas outras arbitrariedades!

· As cerejas no topo do bolo, porque são duas, chegaram hoje com as afirmações do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira: «Os conselhos pedagógicos podem produzir os seus instrumentos sem essas recomendações. Não é obrigatório que as recomendações existam. O decreto regulamentar diz tendo em conta as recomendações que forem formuladas. Se não forem formuladas…»,

(http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=77274)

Creio que nem será necessário comentar uma declaração deste tipo… diz na lei, mas se não aparecerem as recomendações…

Extrapolando: aqueles despachos em falta… se não aparecerem… as escolas improvisarão, que já vão tendo prática disso.

· A outra cereja prende-se com o tal "Conselho Científico". Aliás, está prevista para hoje a apresentação das famigeradas "recomendações". O grotesco desta aparente prova de competência está bem expressa em mais uma afirmação do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, que refere que, estando "em funções há vários meses", a presidente do Conselho Científico, esta elaborará as recomendações!

(http://dn.sapo.pt/2008/01/25/sociedade/ministerio_improvisa_solucoes_para_r.html)

Se isto não é um insulto a tudo o que são os princípios de um estado democrático, já não sei mais o que pensar!

Ora, lê-se no documento aprovado em Conselho de Ministros que regulamenta o Conselho Científico que "Este órgão consultivo será constituído por um presidente, cinco professores titulares em exercício efectivo de funções na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário, cinco individualidades em representação das associações pedagógicas e científicas de professores, sete individualidades de reconhecido mérito no domínio da educação e por três representantes do Conselho de Escolas (http://www.min-edu.pt/np3/1459.html).

· Por fim, o próprio Conselho Nacional de Escolas, criado para trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação, levando para a mesa de trabalho a experiência de quem lida directamente com as escolas e seu funcionamento prático, tem feito várias recomendações às quais o Ministério não dá ouvidos

(http://jn.sapo.pt/2008/01/25/nacional/conselho_escolas_quer_adiar_avaliaca.html).

O que prova que este Conselho foi criado, apenas, para o Ministério poder invocar uma relação de lisura com as escolas que não acontece de todo. Em anexo, colocarei as propostas apresentadas por este Conselho.

3º e último ponto - Qualidade de ensino.

Este é, a meu ver, o aspecto mais terrível desta arquitectura que o Ministério montou. Custa-me, na verdade, acreditar que pessoas de bem ajam com tanta leviandade e desprezo pelo futuro do país e é esta a razão da premência do meu apelo:

- esta torrente de grelhas, recomendações, parâmetros, planificações diárias, instrumentos, registos e afins esgotarão os professores num trabalho inglório e improdutivo, pois não estarão a trabalhar para os alunos, mas para a sua avaliação;

- o mais grave, ainda, gravíssimo! A subordinação da avaliação do desempenho dos professores e a sua progressão na carreira ao sucesso dos alunos (artigo 16º):

5 — Para o efeito da parte final do número anterior o docente apresenta, na ficha de auto -avaliação, os seguintes elementos:

a) Resultados do progresso de cada um dos seus alunos nos anos lectivos em avaliação:

i) Por ano, quando se trate da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico;

ii) Por disciplina, quando se trate dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

b) A evolução dos resultados dos seus alunos face à evolução média dos resultados:

i) Dos alunos daquele ano de escolaridade ou daquela disciplina naquele agrupamento de escolas ou escola não agrupada;

ii) Dos mesmos alunos no conjunto das outras disciplinas da turma no caso de alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

c) Resultados dos seus alunos nas provas de avaliação externa, tendo presente a diferença entre as classificações internas e externas.

Tenho a certeza que reconhece de imediato o perigo que isto constitui… nada mais fácil para um professor que "produzir" sucesso. Aliás, estou convicta de que é essa a intenção deste Governo, para assim poder ostentar, com orgulho, as grelhas e os números e o inquestionável sucesso destas medidas… porque os números estão acima de qualquer dúvida!

E, na verdade, tudo estará podre, sob essa capa de êxito. O sistema público de ensino passará a ser um faz-de-conta, um recinto para entreter os jovens… aqueles que não puderem pagar uma escola privada, que lhes garantirá um ensino exigente.

E não olhe com esperança para a alínea c!… a avaliação externa só existe em algumas disciplinas e em alguns níveis de ensino. Como vê… mais um factor de desigualdade entre professores: uns nunca passarão por essa bitola e serão, com toda a certeza, professores de sucesso! E já nem falo do que é subordinar a qualidade do desempenho de um professor à heterogeneidade das turmas que encontra (ambiente familiar e social, motivações pessoais, capacidades cognitivas, enfim, muitos dados em jogo). Eu já tive boas, menos boas e más turmas: será que a minha competência varia tanto?

Peço perdão pela extensão desta carta, mas o problema é por demais sério e, infelizmente, as arbitrariedades são tantas que não as consegui reduzir a menos.

Creia-me, preocupada, mas esperançosa, no poder que a comunicação social exerce sobre a opinião pública. Neste momento, o problema não é só dos professores, é do país inteiro. É uma cidadã, professora e mãe que lhe escreve.

Com elevada estima,

Fátima Inácio Gomes

Professora de Português do quadro da Escola Secundária de Barcelos
Coordenadora do Departamento de Humanidades
Coordenadora do Departamento de Línguas (de acordo com o decreto 200/2007)

Publicado por morfeu às 11:17 PM | Comentários (3) | TrackBack