outubro 29, 2009

Uma década de fotografia.

sugiro...

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setembro 11, 2009

Hubble: o fascinio do Universo

...quanto mais me fascino, mais o fascínio aumenta...

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agosto 14, 2009

Mercado de coisa nenhuma...

sugiro...

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março 15, 2009

Fotos do Mundo em 2008

sugiro...

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outubro 13, 2008

A Vida Eterna ... despedida.

Avidaeternasavater.jpg

...com um dos mais belos poemas de amor e tudo o mais que possa ser, aqui deixo a sugestão para leitura de mais uma obra extraordinariamente pedagógica de F.Savater.

Despedida

Eis-me aqui junto da tua sepultura,
Hermengarda,
para chorar a carne pobre e pura
que nenhum de nós viu apodrecer

Outros viriam lúcidos e enlutados,
e no entanto eu venho embriagado,
Hermengarda, eu venho embriagado.
E se pela manhã encontrarem a cruz
do teu túmulo derrubada no solo
não foi a noite, Hermengarda,
nem foi o vento.
Fui eu.

Quis amparar a minha embriaguez na tua cruz
e rolei pela terra em que repousas
coberta de margaridas e contudo triste.

Eis-me aqui junto da tua sepultura,
Hermengarda,
para chorar o nosso amor de sempre.

Não é a noite, Hermengarda,
nem é o vento.
Sou eu.

( Ledo Ivo, Valsa fúnebre para Hermengarda.)

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fevereiro 26, 2008

Sphaera Mundi

Pode a ciência cantar...emocionante...

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janeiro 30, 2008

Barroso, tradição da matança do porco

in galeria foto de Público

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janeiro 03, 2008

Foto-galeria 2007...sugiro.

Selecção Público

Selecção Reuters

Recolhido in: Jornal Público.

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outubro 23, 2007

Não me calo nem aceito...


Impressionou-me, escandalizou-me, ou-me tanto que nem sei o que diga. Tanto quanto se fora uma tipa com a zona púbica em exposição intencional, "negligée, como agora se vê, desde a jovem estudante em sala de aula até à esposa-família dedicada...assim, não aceito e verbero todo o fundamentalismo e o falso pudor cultural que empana seres humanos num negritude definitiva...quem está por debaixo desse negro cobrimento, onde a expressão, o olhar a cor o tudo de um ser humano? Que os homens que vos obrigam sejam eternamente condenados a tal empanamento. Não acredito que alguém assim vestido, refiro-me à mulher de negro, não sofra e de acordo com a causa em questão, será sofrimento sobre sofrimento. Maldigo-vos carrascos culturais e fundamentalistas que não permitem a liberdade de um movimento que seja, o de uma pálpebra que se flicta...quero ser politicamente incorrecto!

karim sahibafp.jpg


23.10.2007


Falar sobre o cancro da mama, a doença que mais mulheres mata nos Estados Unidos e no Médio Oriente, é o objectivo da viagem que a primeira-dama Laura Bush está a fazer, misturando diplomacia e saúde. Hoje estará na Arábia Saudita, ontem esteve nos Emirados Árabes Unidos e, até sexta-feira, ainda há-de ir ao Kuwait e à Jordânia. "Acho muito importante que os habitantes do Médio Oriente saibam que nos EUA nos preocupamos com a saúde das mulheres, porque ainda há muito medo e vergonha aqui, como nós tínhamos há 25 anos", disse Laura Bush. Na Arábia Saudita, 20 por cento dos casos de cancro são da mama. E 70 por cento das doentes são diagnosticadas quando a doença já está muito avançada, quando nos países ocidentais isso só acontece em 30 por cento dos casos. Ontem, no Abu Dhabi, Laura Bush falou com mulheres envoltas em véus negros - sobreviventes de cancro da mama, que contaram as suas histórias pessoais ao lado da primeira-dama.
Nos países árabes, o cancro da mama ainda está associado a um grande estigma social. "As mulheres casadas ficam muito preocupadas com o efeito que a doença terá sobre os seus maridos e famílias, por isso muitas optam por nem fazer mamografias", disse Omniyat Hajri, médico dos Emirados Árabes Unidos habituado a tratar doentes de cancro da mama, citado pela televisão ABC. Laura Bush, cuja avó morreu com cancro da mama e cuja mãe sofreu da doença mas sobreviveu, leva a sua história pessoal como bandeira da viagem - mas que está a ser vista como uma forma de diplomacia suave, em nome do seu marido, que ficou na Casa Branca. Vai encontrar-se com os reis jordanos e sauditas, usando a sua própria imagem para b

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junho 21, 2007

Nazima Ghulam Nabi... a lágrima.

Nazima.jpg
A lágrima
Nazima, filha de Ghulam Nabi, um cidadão da Caxemira indiana morto no rebentamento de uma granada, chora deitada numa cama do hospital de Srinagar. Foto: Danish Ismail/Reuters

Cama hospital granada pai cidadão Caxemira
Filha dolente em lágrima deitada chora chora
Porquê num hospital deitada
Um rebentamento mata Ghulam Nabi cidadão
Caxemira
Deixando uma filha deitada em cama com lágrima
Vista do lado esquerdo
A cara branca de Nazima filha de Nabi
Uma cama hospital deitada em lágrima
Em almofada verde branco com sinal de azul do lenço
A face explode o sofrimento de
Nazima
Filha de Ghullam Nabi
Nazima tem um brinco na orelha
Como prolongamento da lágrima
Olha o vago o céu o som da granada
Que matou pai Nabi
Quem pode agora dar amor
De pai rebentado por granada em Caxemira
Nazima filha pai lágrima brinco face branca
O cabelo afeiçoa-lhe a dor em negro
Nazima Ghulam Nabi com lágrima

(foto recolhida in jornal "O Público", de 21 de Junho de 2007)

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abril 17, 2007

Rastos de New York: "Fotos"...

Fotos com fartura…primeiro conjunto…um segundo seguirá em breve

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dezembro 03, 2005

Afirmação do olhar...sugiro

Olhar.jpg

...sou eu que medito, ou esta face olhar me medita?...num lapso anónimo de tempo tocamos os nosso olhares desenhando um próximo encontro numa curva qualquer da eternidade...olhares, olhar...

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novembro 16, 2005

Notável curiosidade...sugiro

Birmania.jpg
A mãe e o filho
Esta é uma formação rochosa na beira de um lago na Birmânia.
Esta foto só é possível em um determinado período do ano, devido à
luminosidade pela inclinação do sol.
Para conseguir melhor efeito incline a cabeça para a esquerda até ver o
reflexo da imagem juntar-se à própria imagem.

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setembro 22, 2005

Contemplando o Outono...

...tendo a música de Vivaldi por ambiente sonoro...08 Adagio molto- Ubirachi dormienti.wma

...contemplando...

outono2.jpg

...o Outono...

outono1.jpg

Fotos de Pedro Piedade


...Dedico esta entrada ao amigo "biquinha" que prestimosamente possibilitou a audição de Vivaldi em termos técnicos...

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janeiro 25, 2005

Letras de ferro...

letras-em-porta-de-ferro.jpg
Foto de Pedro Piedade Descrição: Letras numa porta de ferro, catedral da Sagrada Família, Barcelona.


Quisemos nós construtores colocar
Aqui neste denso Portal
Toda a força da nossa Dúvida e
O Impacto da nossa Crença.

Fizemo-lo em forma de férrea prece...

O caminho para o interior
Exige
O esforço necessário que
Este Umbral representa.

Peregrino:
Atreve-te a ler este mural
Ousa
Penetrar
No ambíguo e estranho reino
Do TRANSCENDENTE.

Publicado por morfeu às 09:50 PM | Comentários (1)

janeiro 24, 2005

Correntes...

foto-79-correntes.jpg
Foto de Pedro Piedade

...Olho para estas correntes e reparo que estão cansadas...
Já não direitas pelo uso e pela idade
confessam que
esta nossa missão supostamente interminável
terá a contragosto um fim silencioso
esvairmo-nos para a eternidade em ferrugem miúda simplificada
inútil pó que se espalha pelo silêncio do esquecimento...

Agarrámos coisas e vidas e elas de nós saíram inevitavelmente
correspondendo ao apelo do Absoluto inefável e concretamente devorador...

Ó Insaciável Invisível Despudorado Tempo...

Publicado por morfeu às 04:57 PM | Comentários (4)

janeiro 10, 2005

Uma janela para...

janela1.jpg
Uma janela para Anacanela

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novembro 15, 2004

Imaginando poesia no meu moliçeiro...

moli.jpg

Publicado por morfeu às 04:02 PM | Comentários (1)

novembro 10, 2004

Qual a importância dos candeeiros?...

foto-299.jpg
Foto de Pedro Piedade

Melancolia...

Obceca-me este candeeiro…
Não oferece luz, talvez esmagado pela ameaça,
Branco acinzentada das Nuvens aparentemente distraídas…

Porque me colocaram aqui, se não cumpro a minha função?

Resigno-me neste estar sentinela,
Do tempo que passa, sarcástico e amoral,
Penetrando a minha aparente resistência,
Com penas melancólicas que cumpro fatalmente, sem brilho.

Maldita melancolia que te apossaste de mim,
Assim testemunha de não sei bem o quê,
Mas que de forma humilhante, húmida, contínua,
Me embrulha neste estar, sempre coberto em terrível e inominável Solidão.

…e a luz que não aparece…a minha…
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livros.jpg

Memories,foto de M.Gonçalves

eu...perante tudo isto...só vejo o candeeiro...simpatia espontânea, motivos desconhecidos...eu sei...está sozinho com a sua luz obrigatória, quotidiana...aqui não é o mar que cobre a minha atenção mas é apenas isto...um candeeiro, só, aparentemente servo a dizer: alto!Se não segues o foco da minha luz estás perdido, ainda que caminhes para a purificação do mar ali à frente...acerto o passo, desvio o meu andar e faço o trilho que esta luz oportuna me sugere:amplio com a sua não propositada ajuda um dos múltiplos caminhos da Liberdade...

Publicado por morfeu às 01:35 PM | Comentários (6)

outubro 15, 2004

Vem e vê a Luz...

Luz

...ascender pela montanha ainda que imaginária do nosso dia a dia e,levantando o olhar ver...a Luz

Publicado por morfeu às 02:04 PM | Comentários (4)

outubro 13, 2004

Quantos cantos cantámos?...

zeca1.jpg

Publicado por morfeu às 12:05 PM

setembro 29, 2004

De inútil afectividade...

foto-350.jpg
Foto de Pedro Piedade

Porque me detenho e olho
para inútil despojo
cortado, retorcido, abandonado?

...a efemeridade povoa a sua superfície
expressam-se dores nos seus angustiados braços truncados...

...fui aqui deixado e aqui permaneço
pois o leito que me sustenta é de lava...
contraste do eterno com o passageiro
amor vadio com o húmus - mãe terra...

Aqui estou repouso e
anoto na minha aparente morte
a presença de
quem por mim passa
e
não resiste a uma inútil afectividade...

Publicado por morfeu às 10:40 PM | Comentários (2)

setembro 19, 2004

Contemplação de um Pico no horizonte...

pico.jpg

Foto de Pedro Piedade

Placidamente sentado no varandim de uma casa branca contemplo... Esta brancura forte que pinta cena primeira imaculada Aliviada aqui e ali por quieto arvoredo casa em tijolo-telha,abrindo-se num segundo acto para o Mar em extensão... ...as luzinhas ponteiam,delineando a qualidade da visão... Acto terceiro desta natureza operática emerge em fulgor latente O Pico airoso e elegante Penetrando no denso azul de um céu que é como um manto... ...algumas nuvens fazem amavelmente companhia enquanto A Lua que não se quer esquecida, começa a expandir-se na sua luminosidade... ...deste varandim, num fim de tarde pacífico Lavei a minha vista,a alma,e senti de forma incerta Talvez, deuses bocejando distraidamente num fim de dia mais...

Publicado por morfeu às 01:09 PM | Comentários (9)

agosto 09, 2004

Um banho inesquecível...na ponte do diabo...

Geres1.jpg

...ele há momentos inesquecíveis e, assim,reconciliamo-nos com Deus e o Diabo...

Geres2.jpg

Publicado por morfeu às 11:38 PM | Comentários (5)

julho 25, 2004

Aldeias abandonadas: Trebilhadoiro...

Trebilhadouro

Publicado por morfeu às 02:38 PM | Comentários (3)

julho 20, 2004

De regresso de Caminha...

Publicado por morfeu às 06:48 PM | Comentários (9)

julho 09, 2004

Vai um copo de Verde?...

Publicado por morfeu às 08:50 PM

julho 05, 2004

Cores da minha Aldeia...

Publicado por morfeu às 06:57 PM | Comentários (4)

junho 12, 2004

Agora dois Homens com o Almourol ao fundo...

...Dois entre alguns quatrocentos...aproveitando o rico fim de tarde, na presença do sempre fotogénico Almourol...

Publicado por morfeu às 10:16 PM | Comentários (5)

Homens com saias nas Motos?...

...Useiros e costumeiros, os tracionais "Gaiteiros" voltam a atacar...não me perguntem se têm cuecas porque não deu para verificar...é assim!

Cavalgada

...Aqui uma gaitada é que ficava bem...mas na encontrei...levem lá a cavalgada do Wagner...isto fica por aqui e agora atenção aos comentários...

Publicado por morfeu às 07:30 PM | Comentários (2)

Lés a Lés, A Burra Transalp dá notícias

...Bom dia a quem aqui vier espreitar e se interesse pelo tema...


Partida de Lagos, na Muralha...
O Coração da "Burra Transalp"...

...agora vou descansar pois tive de regressar de Góis para uma reunião...má raios partam...este ano fiquei pelo primeiro dia e não pude ir atá Vinhais :|...

Publicado por morfeu às 10:18 AM | Comentários (3)

junho 05, 2004

Ela já é Teenager...parabéns

A minha filha faz anos e está feliz...parabéns para ela da minha parte e da mãe...

Publicado por morfeu às 06:28 PM | Comentários (8)

maio 24, 2004

Robert Capa...fotógrafo...


Fotos de guerra

Fotos de guerra

Robert Capa, Demasiado Perto
Domingo, 23 de Maio de 2004

Um cigano, um rufia, um homem a "snifar" a vida. Um apaixonado. Devorador de mulheres. Um jogador. Compulsivo. Arriscado. É o "melhor fotógrafo de guerra do mundo". Jogou a vida num "slalom" com a morte. Um jogo que perdeu, há 50 anos, ao pisar uma mina na Indochina. Robert Capa.

Raquel Ribeiro

1. "O desejo mais fervoroso do fotógrafo de guerra é estar no desemprego."

Robert Capa disse um dia a Henri Cartier-Bresson: "Não mantenhas o rótulo do fotógrafo surrealista. Diz-te fotojornalista, senão vais cair em maneirismos. E deixa o surrealismo no teu coração." E continuou: "Se te dizes artista, não te encomendarão nenhum trabalho. Apresenta-te como fotojornalista e poderás fazer o que quiseres." Esta era a liberdade de Robert Capa. E essa era também a da Magnum, a agência de fotografia que fundou, com Henri Cartier-Bresson, George Rodger e David "Chim" Seymour, em 1947.

Quando, em 1938, a prestigiada revista britânica "Picture Post" publicou uma reportagem de 11 páginas sobre a Guerra Civil Espanhola com as fotos de um jovem de 25 anos chamado Robert Capa, não sabia que estava a criar um mito. E proclamou-o "o melhor fotógrafo de guerra do mundo".

O que importa em Capa "é o que ainda está fresco, a atitude, que hoje é uma questão premente: se não estamos por dentro do acontecimento, não podemos fazer jornalismo", diz o professor de História da Fotografia, no Ar.Co, José Soudo. Ele aparece, não como inovador, mas na continuidade de estéticas "arrojadas", "a dos alemães e também a do Leste, como o construtivismo russo". Há, contudo, um contributo: "Uma nova técnica, a dos grandes planos, a de uma aproximação muito grande ao acontecimento, um estar por dentro. Capa nunca quis valorizar a vertente tecnicista da fotografia, mas sim a atitude".

Capa tem uma espécie de "contrato social", um empenho, um "comprometimento ideológico" e é isso que o fará saltar de palco em palco de conflito, da Guerra Civil de Espanha a Israel, da invasão da Normandia à Indochina. "Esta atitude pode ser ainda uma reflexão, porque hoje o fotojornalismo vai por dois caminhos opostos: uns que acreditam que já não faz sentido fazer fotografia social e, por isso, se viram para uma estética pura, que não pretende ser documentarista; depois está a ressurgir uma vaga de fotógrafos que ainda acredita que se pode dizer ou fazer alguma coisa contra a 'ordem'. Capa está no início desse ciclo", continua Soudo.

A "atitude" de Capa está lá desde o primeiro clique. Nascido Endre Friedman, em Budapeste, em 1913 (o cinquentenário da sua morte é terça-feira), deixou a Hungria em 1931, porque se estava a tornar um sítio "não recomendável" a um jovem judeu socialista, intempestivo, que já tinha sido preso numa manifestação. Friedman (Robert Capa é um pseudónimo, só "nasceu" mais tarde) foi para Berlim estudar jornalismo. Ficou sem dinheiro. Arranjou um emprego como assistente de revelação da agência de fotografia alemã Dephot. Um dia, Simon Guttman, líder da agência, ficou sem fotógrafos, pôs uma Leica nas mãos de Friedman e mandou-o cobrir uma história. Os resultados foram satisfatórios e Guttman deu-lhe mais trabalhos. O primeiro grande "furo" foi a cobertura do congresso Trotski (já exilado da União Soviética), em Copenhaga, em 1932. Mas Berlim tornou-se uma cidade perigosa para um judeu. E Friedman foi para Paris.

2. "Não são precisos truques para fotografar em Espanha. Não tens de colocar a máquina. As imagens estão lá e tu apenas as tiras. A verdade é a melhor imagem, a melhor propaganda."

Capa/Friedman é o "homem que se inventou a si mesmo". Em Paris, conhece Gerda Taro, uma refugiada alemã, também fotógrafa. Apaixonam-se. E decidem formar uma associação com três pessoas. Gerda era secretária e gestora de vendas. Endre era o funcionário da revelação. Ambos empregados de um rico, famoso, talentoso (e imaginário) fotógrafo americano chamado Robert Capa (significa "tubarão", em húngaro). Friedman tirou as fotos, Gerda vendeu-as e o crédito foi dado a um invisível Capa. Como ele era um milionário, Gerda nunca vendeu as fotos por menos de 150 francos. O segredo foi descoberto pelo editor da "Vue", Lucien Vogel. O mal estava feito: Vogel mandou Capa e Taro para Espanha.

A Guerra Civil rebenta em 1936 - e Capa acredita que é seu dever chamar a atenção para a causa republicana. Quer cobrir as movimentações no campo de batalha, as baixas, mas também traduzir com a câmara as emoções e o sofrimento da população civil. A máquina como arma contra a opressão fascista. Todas as suas imagens foram tiradas do lado republicano - era uma espécie de comprometimento.

Colaborou com as revistas francesas "Regard" e "Ce Soir", e, depois, a americana "Life". É nelas que surge publicada pela primeira vez uma das fotos mais polémicas de sempre: "Morte de um miliciano, perto de Cerro Muriano". Um homem enverga uma faixa dos republicanos, tem as pernas flectidas, a espingarda quase se solta da mão direita, um lenço vermelho na cabeça. Diz a legenda da "Life": "A câmara de Robert Capa apanha um soldado espanhol no instante em que é morto com uma bala na cabeça, na frente de Córdova." O problema é que a "Life" publicou essa imagem ao lado de outra, com outro homem, já caído (que não é de Capa).

A polémica estalou nos anos 70, alimentou teses e jornais: uma farsa ou o momento-chave da morte? Muitos teóricos dizem que a foto é uma encenação - porque na "Vue" surge uma série de imagens com o mesmo homem, momentos antes (ou depois?) desta fotografia. Há peritos a analisar as mãos do miliciano no momento do tiro - "é uma reacção muscular instintiva", defendem uns; "nunca cairia com os joelhos assim dobrados", dizem outros. A controvérsia resolveu-se a favor de Capa. Jornalistas espanhóis descobriram quem era aquele homem: Federico Borrel García existiu e morreu em Cerro Muriano, 12 quilómetros a norte de Córdova, a 5 de Setembro de 1936.

Verdadeira ou não, a foto é um instantâneo, beneficia de um efeito de real, imediato, autêntico, e documenta a posição ideológica de Capa perante o conflito - é a primeira foto personalizada da Guerra Civil. Ela muda a representação da guerra até à altura, substituindo fotos de militares anónimos, já mortos.

Se há uma fotografia da guerra civil é esta, também há um quadro ("Guernica", de Picasso), um livro ("Por quem os Sinos Dobram", de Steinbeck), um filme ("Espoir, Sierra de Teruel", de André Malraux). Capa deu à guerra de Espanha uma dimensão mítica - e a guerra deu-lhe a notoriedade que o Capa inventado precisava de ter. "Hoje estamos a ver um Capa deificado, embora ele tivesse um grande empenho no que estava a fazer, era um jovem com a natural visão romântica da época, da esquerda e do antifascismo, como outros [Hemingway, Steinbeck, Orwell, Malraux, Joris Ivens]. E é esse romantismo que os leva a estar do lado dos republicanos. Ele faz um jornalismo de esquerda, mas rotulá-lo como tal é redutor, porque o que fica são as imagens", sublinha Soudo.

3. "A guerra é como uma actriz envelhecida - cada vez mais perigosa, cada vez menos fotogénica."

Gerda Taro morre numa retirada nos arredores de Madrid, em 1937. Capa deixa Espanha (aonde voltou no final do conflito, antes da capitulação dos republicanos). Deixa a guerra. Não por muito tempo: o Japão acaba de invadir a China e ele tem uma missão a cumprir. Capa via essa guerra como a extensão da espanhola, o eixo oriental da luta contra o fascismo.

Na China, foi director de fotografia do filme "The 400 millions", de Joris Ivens, que conhecera em Espanha. "Filmei a guerra", diz Ivens. "Mas captei também os signos rituais, os corpos corrompidos e mutilados, as fugas dos refugiados, a agonia, o medo, a miséria humana, a coragem." Como Capa.

"Ele vê a retaguarda da guerra. Os mortos do terreno já não eram novidade. A grande novidade são as imagens e os dramas da população civil", explica Soudo.

Quem é, afinal, Robert Capa? Um cigano, um rufia, diz Bresson, um homem a "snifar" a vida. Bebia com Hemingway, jogava póquer com John Huston, viajava com Steinbeck. Um apaixonado. Devorador de mulheres. Mundanas ou famosas, Gerda Taro ou Ingrid Bergman. Capa é, então, um jogador. Compulsivo. Arriscado. Perto demais? A 6 de Junho de 1944, as tropas aliadas desembarcam na Normandia, Omaha Beach. Considere-se a distância entre o fotógrafo e o soldado. Capa segue na primeira vaga. As ondas, o frio, o aço espetado na areia. Capa avança por entre os corpos, por entre as balas. Obriga-se a ir, concentrando-se na máquina. Quando pára para mudar o filme, entra em estado de choque e tem de ser evacuado com os feridos.

Nesse dia, apenas 11 das 106 imagens "sobreviveram". O técnico de revelação da "Life" ficou tão entusiasmado que sobreexpôs o filme ao calor enquanto o secava, queimando os negativos. Primeiro, a "Life" disse que as imagens tinham sido estragadas pela água do mar. Depois publicou-as, explicando que "a intensa emoção do momento levou o fotógrafo a mover a câmara, por isso, as fotos surgem ligeiramente desfocadas" ("slightly out of focus"). Capa não gostou da brincadeira. Com o tempo a frase tornou-se uma espécie de emblema (é o título da sua autobiografia).

4. "Se as tuas imagens não são suficientemente boas, é porque não estás suficientemente perto."

O fotógrafo de guerra não gostava da guerra. Há qualquer coisa de roleta russa na vida de Robert Capa: em Espanha, o famoso miliciano foi baleado a poucos metros do fotógrafo; no Dia D, as balas roçavam-lhe a cabeça; em Israel foi baleado. Jogou a vida inteira nessa roleta, uma valsa, um "slalom" com a morte. Um jogo que perdeu.

Ele será sempre o herói-mártir, morto soldado entre os soldados. Em 1954, Capa é presidente da Magnum e vai ao Japão visitar jovens amigos aspirantes a cineastas. Entretanto, os comunistas e nacionalistas começam uma guerra contra os colonizadores franceses na Indochina. Capa aceita substituir o fotógrafo da "Life" durante um mês.

Em Novembro de 1932, Trotski, exilado, discursa em Copenhaga; a 25 de Maio de 1954, uma patrulha francesa avança sobre um campo na Indochina. O homem-da-câmara tira uma última foto, um último clique de cinco soldados que caminham à sua frente. Entre essas duas fotos há um húngaro chamado Friedman que se inventou a si mesmo. Há 70 mil negativos, alguns nunca vistos, outros queimados, outros perdidos. Outros vivos. O céu está limpo. Não há nuvens. Há um clique seguinte - mas não da máquina. Robert Capa pisou uma mina. A mão esquerda segurava a câmara. Estava perto demais.

http://jornal.publico.pt/publico/2004/05/23/Publica/TM03.html

Publicado por morfeu às 08:26 PM

maio 23, 2004

Vamos Lá à Feira Antiga blogosféricos...


De Caleche é que é bom...


Vejam os preços...serve?


Olhó 'peritivo...


Quem adivinhar para que serve...está convidado para um copo...


Ca gandes alarves...são de alimento...


Vamos lá morfar...não vale comer a mobília...


Lousa para mesinha de cabeçeira...ou lápide???


E vai música p'ra nimar o Zé e a Maria...

Reportagem feita em Oliveira de Azeméis pela minha consorte (sem?) Amélia de sua graça..

Publicado por morfeu às 06:05 PM | Comentários (10)

maio 22, 2004

Museu d'Ílhavo...sugiro

Aproveitei a inauguração da exposição fotográfica sobre o museu do meu colega e amigo Luís Santos- que aconselho - para visitar o museu de Ílhavo.
Um Edífício bem arquitectado, com um interior muito bonito e com um acervo marítimo único, peças lindíssimas que não devemos esquecer. Para a melhoria da nossa auto-estima, consideremos esta unidade museológica que nos traz presente o trabalho, e hercúleo esforço dos lugres bacalhoeiros e dos heróis que em minúsculos doris desafiavam o nevoeiro em busca do fiel amigo e da sobrevivência das suas longínquas famílias...é gente assim que faz um povo, é gente assim que merece a nossa consideração, porque insigne e excelente!

Publicado por morfeu às 10:11 PM | Comentários (4)

maio 18, 2004

Telha Candeeiro...


Foto de Morfeu

Telha com pretensões a candeeiro aproveitando o sol-pôr...

Publicado por morfeu às 08:09 PM

maio 15, 2004

Em Maio Flores...

Publicado por morfeu às 01:44 PM | Comentários (1)

maio 13, 2004

Esperando Alguém...

Foto de M.Gonçalves

Aguardando pela Eternidade, aceitamos que,
0 Nosso duro colo seja.
Assento para a efemeridade humana,
Seja planície nostálgica, útero reencontrado.

Somos bancos de loucura pacífica.

Ancorámo-nos solidamente à Terra-Mãe,
Dela respiramos,
A ela retribuímos mediando o Humano Descanso,
Que nos busca.

Somos actores em cena ampla,
Primeiros no teatro vida,
Emoldurados displicentemente por árvores esguias, aspirantes de horizontes indefinidos..

Faltam-nos em pecado relevante braços amplos e em excesso abertos,
Recebendo ora Amor, num descanso condescendente,
Ora,
Repouso, suspiros e sofrimentos temporais.

Aqui estamos e somos, quatro,
Prestimosos e nostálgicos,
Bancos de nome, chamam . nos..,
Chamamos.Ais.

Publicado por morfeu às 08:30 PM | Comentários (1)

abril 17, 2004

REFLEXOS

Foto de Pedro Piedade

Em horas melancólicas, fito,
Esta realidade brumosa, que,
Em reflexos convictos se diz e
Esconde.

Quis-se abrigada de cores, pois,
Sentiu uma alma triste mas interessada,
A contemplá-la.

Também, os barcos, possuídos de velhice,
Escolhem o cinzento esbranquiçado,
Para disfarçarem a sua pacatez.

Aproveitam os mastros o lusco-fusco, para,
Num alheamento vaidoso de tudo o mais,
Namorarem com o espelho da água,
Verificando se a sua altivez é duradoira.

Reflexos,
Vêem . se coisas e seres,
Nas suas realidades múltiplas,
Esmaecidas,
Dizendo ao fim do dia, e,
À abertura da noite,

.é Nosso este momento.

Publicado por morfeu às 08:04 PM

TRONCOS...


Foto de Pedro Piedade

No úbere terroso de um chão antigo
Viveram o seu espaço da eternidade:
Os troncos.

De nobre família, de reino vegetal,
Primos nossos são.

Dias houve em que, verticais desafiaram,
O sol, os ares, foram domicílio das aves.

.comungam agora a morte exangue,
Em abraço controlado, aguardando, que,
Fados vários lhes tracem o futuro.

Troncos, jazendo resignados,
Nostálgicos do ventre humoso,
Quebrados de raízes, suspirando vento e céus,
Que alguém lhes retirou.

.pelos interstícios sibilam perdidos ais.ainda...

Publicado por morfeu às 12:59 PM

março 25, 2004

Moliçeiros...


Foto de:Pedro Piedade

Ainda não desistimos,
nós,
Moliçeiros...

Do ventre fértil da ria,
retiramos,
com garbosa humildade,
o húmus do moliço...

Poucos,
agora repousamos,
em conjunta meditação,
engalanando em cores,
a benção da água...

Publicado por morfeu às 10:20 AM | Comentários (4)

março 20, 2004

Nuvens aprisionadas...


Foto de:Pedro Piedade

Vagabundas do céu,
ornamentos de tela azul...
Num descanso efémero, ofereceis,
delicadamente,
a suavidade baça da vossa presença,
em dádiva breve.

Alguém vos quer prisioneiras?
Oh sonho humano e inútil...

O movimento que é só vosso,
espelha sim
a viagem da Liberdade...

Publicado por morfeu às 06:38 PM | Comentários (2)

março 19, 2004

Harpa...

s/ autor (recebida por e-mail)

Publicado por morfeu às 10:38 AM | Comentários (5)

março 12, 2004

Caminho relvado de pedras e algumas flores...


Pedro Piedades

Este caminho simples,
Com pedras na relva desenhado,
Desce, sobe, começa
Ou acaba?

Nessa indefinição metafísica
(não do caminho mas do olhar que nele se absorve)
Entretanto,
Nasceram florzinhas, aqui e ali,
Parecendo dizer:
"Irmãs pedras,
Nosso colo relvoso e verde,
Pousámos aqui,
Um pouco inquietas...
Não temos a certeza
Da oportunidade da nossa companhia"...

A mente absorta
Perante esta dúvida,
Desvia-se, em beleza,
Do cais incerto da metafísica...

Publicado por morfeu às 09:51 PM | Comentários (5)

Telhas de poesia...


foto de: Pedro Piedade

Das telhas direi que,
Comungam,
Da mesma matéria de Adão...
A argila...
Das mãos de Deus nasce o humano
E
Deste,
A telha protectora...

Debaixo destas telhas amavelmente colocadas,
Silenciosamente maternais,
A mão ambígua de um Deus possível,
Ajuda-me,
A modelar a argila da Poesia...

Publicado por morfeu às 12:07 PM

março 10, 2004

Flor silvestre...


foto de: Pedro Piedade visitem-no!

Uma flor silvestre
Fere o meu olhar,
Em fortíssima beleza...
De repente,
Parece-me entrever,
Num singular ser vegetal,
O mistério do Universo...

Um Deus de Amarelo e Branco....

Publicado por morfeu às 07:05 PM | Comentários (3)

março 05, 2004

Laboratório de Deus...manchas


fotode Pedro Piedade visitem-no

Manchas...dizes manchas...
Eu vejo e sinto a espessura das cores
A hierarquia dos planos, perfilados por atitude!

Dizes manchas...
Estacaste numa imagem,em ilusão omnipotente,
Aquilo que inevitavelmente se movia indiferente...

Uma árvore mais escura à esquerda baixa,
ao centro um esgroviado mas resignado arbusto,
mais à direita o laranja solar, guarnecido por ingénuos galhos,
em guarda.

O Sol cadente,por detrás de útil cortina,
impressivo e dizendo que ainda ali está...
depois, uma tripla escadaria de nuances cromáticas,
escura, branca, finalmente azul, impondo
limites para a nossa curiosidade...

Dizes manchas,
eu...
Vejo aqui o laboratório de Deus...

Publicado por morfeu às 01:27 AM | Comentários (3)

março 02, 2004

Esta árvore na praia, que grita...


foto de:
Pedro Piedade visitem-no!

Estou a gritar...

De uma raíz-tronco ainda erguido,
consigo, prodigioso esforço,
aninhar esta metafórica cabeleira de galhos...

Estou a gritar...

Que faço eu aqui?
trouxe-me o provável do mar
e,
para não ficar definitivamente ausente,
houve milagre,para
esta estátua, agressiva,
se erguer...

Podia estar morta,
podia repousar ferida,
mas,
por suplício,
olho em desafio interminável,
o mar,
as nuvens,
todos vós que absortos me fitais...

Estou a gritar...

Por socorro
ou
Por misericórdia?

Publicado por morfeu às 11:27 PM | Comentários (2)

fevereiro 29, 2004

OS BAIRROS NEGROS DE GOYA...

...Ao ver a capa da Revista única de 28/02/04, porque me terei lembrado de associar duas imagens de dois diferentes tempos...?

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In revista Única (28/02/04) foto de Jorge Simão

Publicado por morfeu às 10:14 PM | Comentários (3)

fevereiro 28, 2004

RISCOS...


foto de:Pedro Piedade visitem-no!

Descrição:
Juncos e cerca, Praia do Furadouro.

...pois é, riscos...

Com que intenção ou direito
cruzais,
a alçada da minha mente?
A que título,
roubais,
o meu longe e o horizonte?

...pois é...riscos,

...surgiram inúteis, mas,
para eles cumprem elevada missão!
Qual?
Desafiando o convencimento elegante da cerca,
e com o azul do céu bramindo,
Querem,
estes, altivos e nobres juncos-riscos,
fazer a caridade de uma sombra,
à areia lhana que os ancora, e,
quiçá,
erguer arvoredo, para,
minúsculo bichinho, que,
por alí rasteja, carente...

...pois é...os juncos...os riscos...

Publicado por morfeu às 11:51 PM | Comentários (12)

fevereiro 26, 2004

ADAM...

Não te dei, ó Adão,


(autor do trabalho: josé emídio - )

...nem rosto, nem um lugar que te seja próprio, nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus dons os desejes,
os conquistes e sejas tu mesmo a possuí-los.
Encerra a natureza outras espécies, em leis por mim estabelecidas.
Mas tu,
que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio, em cujas mãos te coloquei,
te defines a ti próprio.
Coloquei-te no centro do mundo,
para que melhor,
pudesses contemplar o que o mundo contém.
Não te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem imortal,
para que tu,
livremente,
tal como um bom pintor ou um hábil escultor,
dês acabamento à forma que te é própria...

Pico della Mirandola - (1463-1494)

...ouvindo"Adagio for strings" Barber...

Publicado por morfeu às 12:54 PM

fevereiro 19, 2004

GRADES DE AZUL APRISIONADAS?

foto pedro piedade

... No início era o vasto,
de areia e mar e azul
Achou por oportuno
o humano gesto de,
transferir dali perto,
colunas verdes de pinho...
Cortou, alinhou,poliu,e
assim segmentou o céu
não ficando este possuidor já,
de um todo e normal contínuo,
mas de meras nesgas
prisioneiro...
...por entre grades macias espreito
na minha curiosidade,
O
Infinito

Publicado por morfeu às 11:13 PM | Comentários (2)

LETRAS DE FERRO...


Descrição:
Letras numa porta de ferro, catedral da Sagrada Família, Barcelona. foto de Pedro Piedade.


Quizemos nós construtores, colocar:
Aqui neste denso Portal,
Toda a força da nossa Dúvida e
O Impacto da nossa Crença.

Fizémo-lo em forma de férrea prece...

O caminho para o interior,
Exige,
O esforço necessário, que
Este Umbral representa.

Peregrino:
Atreve-te a lêr este mural,
Ousa,
Penetrar,
No ambíguo e estranho reino,
Do TRANSCENDENTE.

Publicado por morfeu às 01:28 PM | Comentários (1)

fevereiro 14, 2004

ENTRE INVERNO E PRIMAVERA...a cerejeira


.... a brancura redentora de cristais de gêlo buscando o sol, mas de morte esperada, abraçando estoicamente a fragilidade desse ser fruto vermelho, namorando de Inverno a auspiciosa e tímida Primavera...

Publicado por morfeu às 08:12 PM | Comentários (3)

Da janela com a minha Liberdade

Foto: Pedro Piedade

Do meu quarto...

Quero ter,
Pelo menos,
Uma, janela aberta,
Para sair,
Sempre
Que eu ensejo,
Com a minha,
LIBERDADE...

Publicado por morfeu às 05:14 PM

fevereiro 13, 2004

PONS PONTIS

foto de: Pedro Piedade

Esta ponte leva-me e enleva...

Surgiu diante de mim, oportuna,
Mostrando o essencial:
A madeira tabuada em sequência necessária,
O arco arredondado e suave,
Um corrimão em leve movimento posicionado.

Permite-me passar
Daqui para ali, pressurosa.

Para além da utilidade obvia, oferece-me
À esquerda baixa,
Um pequeno e simples panorama onde,
O manto verde e lento da água sublinha,
As entrançadas brincadeiras de paus e ramos...
É a ponte...

Pons... pontífice de humanas coisas úteis...

Publicado por morfeu às 08:27 PM | Comentários (3)

fevereiro 11, 2004

PESSOAS...

foto de:Pedro Piedade

Porque parei um momento,
A travessia lenta do meu ser solitário?
Onde primeiro olhei multidão, vi pessoas...
Para onde vão, todas elas?
Primeiras, segundas, múltiplas,
Escondem
Destinos agora assim, logo diferentes...
Olham diversamente, caminham num mesmo sentido...
Dizem-me em silêncio cúmplice: "Humano não estás só...
Padeces desta peregrinação cosmopolita, a ela também pertences, não fujas"...

Virados para a frente buscamos o Sagrado das coisas,
No anonimato das multidões...
Vamos todos, estamos todos, neste fluxo transformável,
Na corrente para algures ou nenhures, pressentindo em cada um de nós,
Um Mar...

Publicado por morfeu às 09:02 PM | Comentários (6)

fevereiro 09, 2004

ÁGUA VERDE...espessa, anónima...


Foto de: Pedro Piedade


Estou aqui, neste charco esverdeado...
Sou água verde, que ninguém conhece...
Mas, se sou deste verde tão intenso, visível, espesso, e,
Abriguei no meu regaço disponível uns sem abrigo-paus vadios,
Porque ninguém reparava em mim?...

Alma disponível e distraída, de caminho errado talvez,
Querendo para outro lado olhar, tropeçou neste caldo anónimo, desprezado,
E zás...pela imagem pespegou-me um beijo luminoso...
Eu, água verde, espessa, anónima, desprezada,
Fiquei feliz!

Publicado por morfeu às 01:39 PM | Comentários (3)

fevereiro 08, 2004

LA DÉFENSE-...reflexos


La Défense: foto de Pedro Piedade.

Reflexos...

Parede alta de vidro espelhada,
Que para o céu tendes, levantando
Aspirações de mentes, corpos e almas, reflectes...
Aqui, em quase final de século, fomos levantadas,para
De forma altiva darmos testemunho e imagem Daqueles,
Das coisas que transitam: olhai e vede!
Esta é a glória de homens actuais que apontam para um Além:
Num deslumbramento de cristal, deixam reflexos de si próprios,
Numa exigência por um futuro permanente.
...tens inconsciente em ti, a raiz - sombra das catedrais

Publicado por morfeu às 10:15 AM | Comentários (1)

fevereiro 07, 2004

CORRENTES...


Foto de: Pedro Piedade

...Olho para estas correntes e reparo que estão cansadas...
Já não direitas, pelo uso e pela idade,
confessam, que,
esta nossa missão supostamente interminável,
terá a contragosto um fim silencioso:
esvairmo-nos para a eternidade, em ferrugem miúda, simplificada,
inútil pó que se espalha pelo silêncio do esquecimento...

Agarrámos coisas e vidas e elas de nós saíram, inevitavelmente.
correspondendo ao apelo do Absoluto, inefável e concretamente devorador...

Ó Insaciável, Invisível, Despudorado Tempo...

Publicado por morfeu às 04:32 PM

Casa Batlló, de Antoni Gaudí.


Casa Batlló, de Antoni Gaudí. Barcelona, Espanha.

foto de: Pedro Piedade.

Porque não hão-de ter, as casas,
Voltas e reviravoltas, em revoluções de traço,
Chateando a lógica habitual, baça e deslambida,
Dos prédios paralelipipoides que cogumelam por aí?

São Gaudi de Barcelona nos encante, nos alerte...
Para que viver por fora e por dentro, em casas,
Onde o corpo não seja ôco,e,tenha pele, e rugas, e belezas
Múltiplas, loucura não seja...
São Gaudi nos proteja, Barcelona nos deslumbre...

Publicado por morfeu às 10:48 AM | Comentários (1)

fevereiro 05, 2004

MADEIRA E FUNGOS...

"madeira e fungos"...foto de Pedro Piedade

Também madeira e fungos,
Na sua ínfima simplicidade, ganham,
Evidência, a sua luz.
Vicejam por aí à espera de um olhar,
Que os descubra, os contemple,
Os diga seres vivos-vegetais, filhos de Deus,
E, num olhar intrigado, admirativo, os plasme
Na intuição de uma imagem sem mais...

Publicado por morfeu às 11:00 AM | Comentários (4)

fevereiro 01, 2004

GÊLO NA CEREJEIRA...

.... a brancura redentora de cristais de gêlo buscando o sol, mas de morte esperada, abraçando estoicamente a fragilidade desse ser fruto vermelho, namorando de Inverno a auspiciosa e tímida Primavera...

Publicado por morfeu às 08:39 PM | Comentários (3)