março 08, 2009

Fotografia:"Batalha de Sombras" in Público.

sugiro...

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junho 21, 2007

Nazima Ghulam Nabi... a lágrima.

Nazima.jpg
A lágrima
Nazima, filha de Ghulam Nabi, um cidadão da Caxemira indiana morto no rebentamento de uma granada, chora deitada numa cama do hospital de Srinagar. Foto: Danish Ismail/Reuters

Cama hospital granada pai cidadão Caxemira
Filha dolente em lágrima deitada chora chora
Porquê num hospital deitada
Um rebentamento mata Ghulam Nabi cidadão
Caxemira
Deixando uma filha deitada em cama com lágrima
Vista do lado esquerdo
A cara branca de Nazima filha de Nabi
Uma cama hospital deitada em lágrima
Em almofada verde branco com sinal de azul do lenço
A face explode o sofrimento de
Nazima
Filha de Ghullam Nabi
Nazima tem um brinco na orelha
Como prolongamento da lágrima
Olha o vago o céu o som da granada
Que matou pai Nabi
Quem pode agora dar amor
De pai rebentado por granada em Caxemira
Nazima filha pai lágrima brinco face branca
O cabelo afeiçoa-lhe a dor em negro
Nazima Ghulam Nabi com lágrima

(foto recolhida in jornal "O Público", de 21 de Junho de 2007)

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abril 09, 2007

New York I believe I can fly ...

(...fará sentido ao clicar na imagem, ouvir este belissimo Gospel, em amabilidade de leitura deste meu texto sobre...)

Poesia Tempo Lugar
Em louco desejo de ascensão
Este actual umbigo espírito do Mundo
Aqui
Outrora colinas desaparecidas
Em compra sabida a índios ingénuos
Ah
Este local de ambição raiva vida morte amor ganância perdição
E tudo o mais
Formando elevações novas
Em busca de uma alma por aí esvoaçando
Por morte e enterro de outra ancestral
A comprada vendida
Big Aple
Babel do presente estátua de braço erguida
Com torcha grito de uma qualquer interminável indefinida
Esquisita Liberdade
NOVA IORQUE
Os meus olhos ouvidos viram
Em tremor e temor fascínio ausência
Formigueiros moventes em túneis racionais avenues and streets
Pathos impossível
No cada um perseguindo a sua solidão
Money wall street
A cidade vive com agitadas entranhas
Grita manda ordena
Com razão e vísceras
O vento entra furioso
Uptown downtown
East and Hudson rivers
Ó Babilonia de tempo e gente em desvairo
Respirei a cidade penetrou-me parcialmente a alma
Esta entreabrindo porta de saída
Tu aí
New York
Eu por aqui
Carne matéria Tempo
Pó de efémera cinza
Digo
I believe I can fly
Aleluia>

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janeiro 25, 2007

Pel, peles ...

garden_of_eden.gif

Vêm–me vontades súbitas
Em tempo mesmo deste frio
E
Perante os sabores do mundo
Meus dissabores
Arrancar estas peles que me cobrem
Ficar em estado de absoluta nudez
Começar assim a ser um Eu numa
Renovada busca
Ter pouco nada quase
Descobrir o essencial
De mim em mim para mim
Pouco
Largar amarras
Olhar insistentemente em volta
E esquecer-me deste corpo e deste alma
Perturbada
Para encher a preocupação
Com o outro os outros
Estar nu saco de pano embrulhando
Um quase nada de muda
Uns panos com paus erguido
Para abrigo
Estar nu no frio no céu das estrelas
Beber vendo o luar com um azul profundo adivinhando-se
Ah essa pobreza ascética utópica
Esse invólucro de existência de simplicidade
Comunhão com o absoluto
Estou farto destas peles
Deste verniz de obrigações
De precisar disto e daquilo e daqueloutro
De tal espaço tal geografia
Vogar por ai nas correntes de momentos
Ter ar e mar e rir
Da carícia retemperadora de um amável vento
Ah andar por ai vendo cheirando amando
Nessa paixão inominável de tudo ser
Fundir-me-ei finalmente eu sei
Para sem disso noticia ter
Alcançar a paz de nudez coberta

Ah estas peles estas roupas este Ser

Publicado por morfeu às 10:16 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 09, 2006

Do trigo que um amigo havia ... Habie Trigo ...

Dos altos das pedras
De erguidas sombras

MIRANDA 028.jpg

Falo das ruas poucas antigas
Proximidade das pessoas
Que nelas passam


MIRANDA 100.jpg

No espaço a ave de voo perfeito
MIRANDA 059.jpg

Na profundidade o rio que desliza
Em aparente indolência

MIRANDA 066.jpg

E ainda as pedras talhadas em telhados naturais
MIRANDA 026.jpg

Uma cabana em companhia de um cegonho
MIRANDA 037.jpg

E carreiros inverosímeis trepando
Pelos penhascos
Cheiram o cheiro do suor contrabandista

Dos burros de orelhas ouvintes
Na lâmina da extinção trotando

MIRANDA 119.jpg

Ouvi cheirei passei
Pelo traço de cobra esmagada

MIRANDA 120.jpg

Sítio raro de preciosidade aberta
Com língua longínqua
Das ondulantes legiões de Roma
… túmulo de general em campanha acidentada
Repousa …
(coitado … abafado por capela de rústica simplicidade)
O planalto o ar o peito que se abre de ar sem esforço
E
Tudo o mais
E isso que escreveste
Do trigo que havia
Se via
Habie trigo…

livroj.jpg

Publicado por morfeu às 09:25 PM | Comentários (7)

setembro 25, 2006

O Outono do sal...

Sal2.jpg
(foto de Morfeu - salinas em Tavira -)

Antes que o Verão desapareça
Em nostalgia feita saudade
Pela a acção de um Outono
Camareiro oficial de um agreste Inverno
Antes
Insisto na paisagem feita de sal
Deste branco sal em oferta
Ao sol ao céu que é azul nele se envolve
Ao homem que se expõe
De pés gretados e olhos feridos
Por essa pureza absoluta de cor
Que lhe consome vista suor
Lhe tortura o corpo e mesmo a alma
Antes
Que no fluir o Tempo
Apague impressões
Estas
Que nos querem falar
Porque moribundas dum tempo artificial
Onde o sal
Nessa simplicidade infinita
Se deixa apunhalar
Por aparente inutilidade
Antes
O
Sal
O tempo
As coisas…

Publicado por morfeu às 12:07 AM | Comentários (1)

setembro 16, 2006

O sal esse suor do Sol amando a Água ...

Suor-de-sal.jpg

... esquecemos esses cristais grossos
que secos
nos dão e nos falam
em amor do Sol e Água...
Outrora cheio aberto extenso
em salinas nobres povoando as lagunas
agora só por aqui e ali
respirando ainda
o sal essa revelação da água
em cio amando o sol
dando-nos o sabor de brancura única
que se embeleza em lenço azul de um céu protector
O sal esse suor do Sol amando a Água...

Publicado por morfeu às 10:04 AM | Comentários (3)

agosto 13, 2006

Pedra granito, espigueiro, espiga, gente e isso...

Brufe.jpg
Foto de Pedro Piedade

Pedra que se chama granito
Não uma qualquer
Mas essa solidez
De aparência eterna
Que insiste em ilustrar
O estar
Mas em profundidade
O Ser
Sou…
Depois permito que me rasguem
Uma porta vaidosamente azul
Façam um jogo com pedras de mim
Acrescentem essa utilidade de nome escada
Essa inutilidade de vasinhos com flores
A mim que estou
A mim que sou
Pedra
Granito…

Espigueiro.jpg
Foto de Pedro Piedade

… e porque no interior
Acolho isso a que se chama gente
Os que me mexem e de mim servem
Permito ainda
Em vaidade com arroubos pagãos
Permito uma cruz
Já que bem cruzada é a vida disso que é gente
No topo dessa arquitectura útil
Espigueiro
Honrado me fico por tal vassalagem

Espiga.jpg
Foto de Pedro Piedade

Verdadeiramente comovido
Na mim pétrea sensibilidade
Curvo-me impossível
Quando em mim depositam
A candura delicada
Doirada
Divina
Da espiga que do vasto Ser se destaca
Tornando-se o tesoiro do meu ventre
Por onde a brisa passa
E distraída canta
Útil ou inútil
… surge esta ponta de espiga
Como um beijo inesperado
Da realidade…

Publicado por morfeu às 07:25 PM | Comentários (4)

agosto 09, 2006

E partilhei as vísceras cristalinas do ser água ...

Poço azul1.jpg
(Foto de Morfeu)

Cintila na superfície efémera
Luz que se esparsa em policromia
Revelando o sentir das pedras
No fundo raiz
Dei-me por feliz
Neste descobrir momentâneo
E partilhei as vísceras cristalinas
Do ser água
Do afecto que lhe agita a pele
Da extenuante beleza
Assim
Em progressiva atracção
Abandonei o ser que era
E mergulhei nessa fresca realidade
Que o Deus das correntes
Dos poços miríficos
Me atribuiu em milagre
Refresco afecto posse
Aniquilando-me
Assim permanecem estas águas
Mansas de aparência
Trágicas de realidade
De mim devoradoras
Do tempo
De…

Publicado por morfeu às 11:24 PM | Comentários (2)

julho 26, 2006

Tripla sensibilidade

... associando a imagem, ouvindo a música... lendo o texto...


Foto de Dionísio Leitão

Vim para aqui em solidão
Tentando na posse destes horizontes
Que são a negro e branco
Sem conseguir abreviar o sentimento
Desse som em dança partilhado
Continuas por aqui tu
Rasto de paixão de corpo enleado
Ficaste estás continuas algures
E
Por mais que assente o meu olhar
Que encene nesta atmosfera
Que de calma é trágica
Voas por aqui a gemer em meus ouvidos
A tua ausência definitiva incomensurável
Nem são palavras que ouço
São lamentos vítimas impossíveis
Nená nená ná
nená nená ná
Ná nenerá…do teu ser visceral
Sobem gemidos
Que penetram em mim
Mensageiros de uma vingança
Assim
Permaneço estático
Em proibição de cor
Em universo de excessivo
Branco e negro
Afinal tu em pose coreografada
A tua pele
A tua túnica esvoaçante…

Publicado por morfeu às 06:46 PM | Comentários (4)

julho 04, 2006

Ah as palavras essas loucas virginais...

words_are_sweet.jpg
Recolhida daqui

Como eu gostava
Que me nascessem as palavras
Esse verniz da ilusão perseguida
Fossem de parto fácil
Filhas de respiração simples
Elas estão por aí
Absortas ausentes em angustia amáveis trágicas
Trazem também se as quero ouvir
Sons longínquos florestais
Ocarinas múltiplas
De um sopro de um lampejo
Que pode ser de composição divinal
Ah as palavras essas loucas virginais
Desejantes do sémen do sentido
Gostaria eu que elas
Garridas e ora estivais
Se estendessem fáceis por aí
Noivas de desejo amante
Que num sorriso as cobrisse
Ah as palavras essas loucas virginais…

Publicado por morfeu às 11:35 PM | Comentários (18)

abril 30, 2006

...dias depois um vento ciumento...

Casa.jpg (foto de Morfeu)

Por aqui
Nas minhas circunstâncias
Naturais
Em festividade primaveril
Em noivado de ilusão perpétua
Se estende o meu estar
Deste branquejar há
Criação renovada
Passeio
Vejo
Vivo
Amo
Sonho
E
Prolongo o meu ser
Em direcções múltiplas
Agradeço
Deslumbro-me
Perante este florir exuberante
…dias depois
Um vento ciumento
Em afirmação viril
Desposou esta paisagem núbil
Oferecendo aos ares de azul
Uma a uma todas
As florinhas
Que sorriram
Para mim…

Publicado por morfeu às 10:29 PM | Comentários (12)

abril 29, 2006

Elegância apenas...

papoila.jpgFoto de Pedro Piedade

Uma graça esta flor
Reparem
Um caule verde esguio
E
Um chapelinho vermelho
Absolutamente original
Onde em ousadia grácil
Apetece desenhar
Uns olhitos vivos
Ou boquinha semiaberta
Com ilusão de desejos
Mas…
Não não acrescento nada
Esta simplicidade
Quer-se de afirmação virginal…
- sou para ser vista e não para ver-
Apenas aceita que olhando-a
Digam
“Que Elegância!”

Publicado por morfeu às 11:55 PM | Comentários (3)

abril 24, 2006

A alma abre-se na companhia da Natureza...

NaturaIV.jpg
Foto de Manuel Gonçalves

...hoje feito de tempos antigos
iria anelante
descobrir carreiros
entrever bichinhos ínfimos e galantes
que se esgueiram pelas frestas do penedo...
este insiste na sua solidão útil
poiso para o olhar contemplar quebrar a paisagem
que se inclina para uma monotonia eterna
e os galhos ressequidos
- não sei se pelos elementos se pela raiva -
insistem num abandonado baile...
Este hoje feito d'outros tempos
obriga-me a descobrir a alma
força-me a um passeio enorme e solitário...
O rochedo está lá
As árvores perdidas também
As ervas ora escuras serão verdes
E eu serei exatamente o quê?
...respiro o ar puro e fresco
que repousa por alí...

Publicado por morfeu às 02:10 PM | Comentários (7)

março 21, 2006

Em dia de Poesia...

barcoazulprofundo1.jpg
Foto de Pedro Piedade

Olhando mansamente para este pequeno barco
Em espelho d’água duplicado
Não necessito de me preocupar com horizontes longínquos.
Fico absolutamente com esta imagem presença
Que se basta a si própria
Em colorido exclusivo…
Ah o prazer e purificação
Que esta contemplação me outorgam
Sinto a solidez donairosa do barquinho
Que goza a sua existência nesta simpatia aquática
Almofada natural para que o seu colorir não se esbata
Faceando em igualdade oposta com esse céu
Constantemente pintor de tonalidades
Melodiando o azul
Como se fora mestre em Belas-Artes…
…dolentemente vogo nesta acalmia
De uma natureza que é assim e se oferece
Sem exigência de outros limite que não
Os seus…

Publicado por morfeu às 01:15 PM | Comentários (2)

março 19, 2006

Cabo Raso de luz...

CaboRaso.jpg
Foto de Manuel Gonçalves

...simpaticamente encontram-se nesse enlanguescer da noite
trocando os amorosamente raios vivos de uma natureza apaixonada
...pisco eu daqui, repousas tu d'além
rindo-te
desse despudor de te ergueres e disputares
essa infinitude
esse inefável
que é o Haver Luz...

Publicado por morfeu às 09:40 PM | Comentários (2)

fevereiro 13, 2006

...como uma brisa que vai e vem...

FimdetardeabeiramarI.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 11/02/006

...disseste apressadamente, do lado de lá da porta, que virias comigo a ver o mar...afinal, desististe desse horizonte, e de mim, e do filho, e das tralhas...não sei como me sinto, mas apenas procuro coisa útil, e vou olhar para o mar, com olhar de criança preocupada, não sabendo se desista também, ou deixe que a próxima onda me faça sorrir ao de leve...como uma brisa que vai e vem...

Publicado por morfeu às 09:23 PM | Comentários (1)

janeiro 23, 2006

...quero sombra tenho sombra...quero luz...

So.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 19/006

...só eu saberei e reservo essa regalia
se
é o panorama vasto que me atrai e contemplo...
eu e mais um cão e umas aves simpáticas
remirando-se vaidosas no espelho das águas...
olho para o imediato ou para o horizonte aparentemente limitado...
quero sombra tenho sombra... quero luz faço luz...
aqui sentei a minha humanidade na serventia de um banco útil e aprisionei para todo o sempre este momento...

...quero sombra tenho sombra...quero luz....

Publicado por morfeu às 03:11 PM | Comentários (3)

janeiro 13, 2006

...dentro fora dentro...

Porta.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 2/9/005

...sair de mim e encontrar a verde arvore desenhada na moldura alta, de uma porta antiga de espaço e dignidade, para relembrar a pujança de tempos quase passados...assim posso calmamente transitar de mim para esse fora luminoso e posso regressar nesse fechar de braços que as portadas magnânimas me permitem... dentro fora dentro...

Publicado por morfeu às 10:42 PM | Comentários (3)

janeiro 12, 2006

...repousar de um indefinido qualquer...

PescadorIV.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 02/07/2005

...apenas a calma do fluir homogéneo das águas, apenas, apenas peço. Se um perdido peixe o anzol colher, hesitarei em o tornar directo para seu universo aquatico... que ele também pode ter os seus amores, inimigos, solidão...a minha pode estar aqui reduzida a este improvisado banco, segurando quase por obrigação o instrumento armadilha...de resto apenas,apenas quererei repousar de um indefinido qualquer, que, alguém, em passagem fortuita quis captar...

Publicado por morfeu às 06:16 PM | Comentários (1)

janeiro 11, 2006

...à beira do mar beijo...

BeijoaBeiradoMar.jpg
Foto de Manuel Gonçalves

...e tu dizias olhando solitário onde o amor desejo que deve surgir na orla da praia de manhã ao leve amanhecer?...e tu sonhavas deixando as pregas pegadas duns pés magoados de ausência e de marulhante solilóquio com esse encontro.
...rochas casuais mantiveram-se à tona como testemunhas deste momento singular...para embelezar lançou o mar um manto deslizante de uma espuma fina...e deste cenário nasceu esse beijo longo e inolvidável que a areia assentou...já não dizias e já não sonhavas...rochas ficaram...espuma empalidecia...e areia...e...

Publicado por morfeu às 12:10 PM | Comentários (6)

janeiro 09, 2006

...me possuisse em progressão serena.

entardecer.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 04/12/2004
...no côncavo da serrania, no seu colo maternal, parei.
Estendi-me para o horizonte e preparei-me para, em rito antiquissimo, saudar o sol que se despedia.
Apaziguei a mente, sosseguei os sentimentos,e, fiquei em comunhão, em osmose existencial, com esta simplicidade das coisas...
Semicerrei os olhos e deixei que a noite pela mensagem do entardecer me possuisse em progressão serena...

Publicado por morfeu às 12:13 PM | Comentários (8)

janeiro 07, 2006

Também se cansa o Sol...

Sunthroughtthewall.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 18/O9/04

Também se cansa o sol
E sorrateiro despede-se
aproveitando a altura de uma elevação...

Diz até logo ao espelho azul
E suavemente acaricia o outro noite-azul do Céu...

...também o sol se cansa...quereria ficar despercebido nessa fraqueza...mas
O inquérito implacável de humana observação
Invectiva-o desafiadora
registando-lhe o momento...

Publicado por morfeu às 08:32 PM | Comentários (8)

dezembro 22, 2005

Caixas de Pandora

Caixas_coloridas.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, julho 06, 2004

...achou-se feia e só a caixa de Pandora...aos Deuses requereu lhe atribuissem companhia e em simultâneo inventassem luxuriante beleza!
Como consequencia
do lamento
surgiu em realidade polícroma
este formigueiro de caixinhas desejantes de segredos e de
alguns sofridos
ais....

Publicado por morfeu às 08:22 PM | Comentários (7)

dezembro 21, 2005

Da solidão feliz nos grita suavemente ...

pescador1606004.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, 16/06/004

Da solidão feliz nos grita suavemente a imagem...
entre duas mãos – celeste e terrestre – mingua a contraluz
sombra fortuita -não necessária - do humano elemento...
...aqui estou por deferência amável de céu e terra que
representam o Outro - mais profundo e metafísico - ...
...enquanto a Necessidade me não levar aqui espaceio o meu estar
até que onda brisa mar o Transcendente me diga...
vai-te
retira-te
afoga a insolência do teu existir insignificante...
Assim em passos breves e convictos retirarei o meu Ser
entre
Céu e Mar e Fatalidade...

Publicado por morfeu às 07:43 PM | Comentários (1)

dezembro 19, 2005

Essa arquitectura branca em que o azul respira...

Sun_and_Windows.jpg
Foto de Manuel Gonçalves, Maio, 14 de 2004

Abençoados reflexos aparentemente secundários...
Sois peregrinos de outros planos
para em missão
afeiçoar em poalha luminosa
Essa arquitectura branca em que o azul respira
Ora
de forma magra e pictórica pelas janelas duas
(em reserva uma...)
De cima sentinela espraiada observa quem
Em baixo recusa o rastejo e desafia com donaire
esse azul e branco disfarce
...dum Infinito do Ser
de um
Deus viajante...

Publicado por morfeu às 06:26 PM | Comentários (5)

dezembro 14, 2005

Solidão ao Sol...

SolidaoaoSol.jpg
Foto de Manuel Gonçalves

...conto com as pedras em cinzento branco
para desenhar pelo olhar as minhas memórias
a minha cisma...abençoada luz solar que me aquece e me faz continuar amando o amanhã...inclino a cabeça não por conformismo mas para melhor observar
neste tempo de vida
algumas migalhas caídas
carreadas inconsciente e abnegadamente pelas formigas ínfimas
que me indicam de forma pretensamente alheada
carreiros da vida múltiplos e indireccionados
e num esforço escandaloso
deixando sulcos impossíveis
em pedra cujo cinzento
exige a aborrecida eternidade...
...conto assim com as pedras em cinzento branco para...

Publicado por morfeu às 09:01 PM | Comentários (3)

dezembro 09, 2005

Esperando Alguém...

EsperandoAlguem.jpg
Foto de Manuel Gonçalves

Aguardando pela Eternidade aceitamos que
0 Nosso duro colo seja
Assento para a efemeridade humana
Seja planície nostálgica útero reencontrado

Somos bancos de loucura pacífica…

Ancorámo-nos solidamente à Terra-Mãe
Dela respiramos
A ela retribuímos mediando o Humano Descanso
Que nos busca…

Somos actores em cena ampla
Primeiros no teatro vida
Emoldurados displicentemente por árvores esguias aspirantes de horizontes indefinidos….

Faltam-nos em pecado relevante braços amplos e em excesso abertos
Recebendo ora Amor num descanso condescendente
Ora
Repouso suspiros e sofrimentos temporais…

Aqui estamos e somos quatro
Prestimosos e nostálgicos
Bancos de nome chamam – nos…
Ais…
Chamamos…

Publicado por morfeu às 11:59 PM | Comentários (4)

novembro 05, 2005

Mutilação.

Mutilacao2.jpg
Foto de: Manuel Gonçalves

...ousei temerariamente criar um olhar disfarçado de pedra, perfurando o desconhecido e os desconhecidos que para mim casualmente olhassem em silêncio e fui calado nessa tentativa pela fractura de quase metade de mim mesmo.Quase me mataram mas anulei essa ignóbil façanha fazendo timidamente brotar da aresta restante,ervas simples que nascem assim da ausência das palavras inaturas...

Publicado por morfeu às 02:06 PM | Comentários (3)

setembro 18, 2005

Flores despercebidas quase...

flodespquase.jpg
Foto de Pedro Piedade

De importância nenhuma por ali esvoaçam aparentes
Flores pequenas despercebidas
Mimando a existência anónima normal
Em cor
De uma garridice de étimo divino
Exibem casualmente o seu ser
Numa indolência balouçante
Assumindo o seu ser estar
Por ali
E assim permaneceriam
Se alguém diferente não passasse
E impusesse que o seu despercebido existir
Exigia
Apesar de tudo um quase…assim
Chamaste-lhes
Flores
Despercebidas
Quase…

Publicado por morfeu às 10:15 PM | Comentários (2)

setembro 16, 2005

A realidade demonstra o poema...

hamas.jpg
Radicais substituem radicais
Uma apoiante do Hamas, com o filho ao colo, participa numa manifestação organizada pelo movimento integrista palestiniano para comemorar o fim da ocupação israelita na Faixa de Gaza. As celebrações decorreram onde até ao mês passado se erguia Neve Dekalim, o maior e um dos mais extremistas colonatos daquele território.

Foto: Muhammed Muheisen/AP

...com alguma preocupação na alma fiz ontem o poema "o muro", na entrada anterior exposto...afinal, a realidade exibe a força da cnfirmação, na foto saída no jornal público de hoje...

Publicado por morfeu às 08:39 PM | Comentários (0)

agosto 12, 2005

O amor é...

Amore.jpg

"O amor é uma alta exigência, uma ambição sem limites que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes"
Rainer Marie Rilke

(...retirado da agenda Xis de 2005)

Publicado por morfeu às 11:11 AM | Comentários (1)

julho 05, 2005

Na simplicidade de um pequeno cais...

bestida.jpg
Foto de Pedro Piedade

…o que tu vês é o que eu sou?
A capa tinta pele
Casa da minha alma
Esconde protege disfarça?
Laceado o meu corpo madeira
Disputa a garridice com um vaidoso e repousado azul…
Também ele se protege em profundidade
Enganando os incautos que lhe observam a superfície…
De que cor é a alma dos seres e das coisas?
Não numa mas em múltiplas manifestações
Querem as variações cromáticas apresentar
Um Deus marítimo que teima
Em vogar por aí distraído preguiçoso ora
Ou mais afoito rasgando águas virgens
Ansiando o seu acto de fertilidade
Enchendo e povoando a Natureza assim
Não esquecendo que as suas vestes se fazem de cores
Muitas
Aqui de base azul
Florida a laranja…
…o que eu sou é o que tu vês?

Publicado por morfeu às 02:35 PM | Comentários (3)

julho 04, 2005

Delicadeza...

delicadeza.jpg
Foto de Pedro Piedade

Estão alindando o ar azul
Caules de um púrpura fino e sóbrio
Pego-lhes em pensamento muito ao de leve
Não vá alguma sombra funesta machucá-los
Há um receio amoroso que de mim se apodera
Delicadeza de sentimentos
Movimento que me impele e me refreia
Entre a posse e a sua ausência
Finamente ondulando em liberdade
Pedem-me estas frágeis florinhas
Que as ame
Que as deixe…

Publicado por morfeu às 09:53 AM | Comentários (19)

junho 02, 2005

80 anos de existência conjugal

...no público de hoje, esta imagem de humana temporalidade...

Idosos.jpg

(80 anos de casamento)
Percy tem 105 anos e Florence 100. Vivem em Hereford, Inglaterra, e não é pela idade avançada que são notícia. Estão casados há 80 anos e é por esse feito que entraram para o Guiness Book of Records. Hoje celebraram mais um ano de união. Os Arrowsmith tiveram mesmo direito a uma mensagem de parabéns por parte da rainha Isabel II.
(Foto: Stephen Pond/EPA) )
...
Interrogo-me sobre o Tempo
Esse invólucro indecifrável
Ao olhar para a vossa presença

Acaricio os traços rugas e sinais
Que a vossa pele o vosso corpo
Apresenta
Em registo de uma longa caminhada
Dois seres que atravessam em repetição
De amores ódios guerra e paz
O agitar de uma vida secular

Revejo-me em vós
Não em ânsia de permanência
Apenas numa qualquer irmandade
De existência que teima em ser

A vida o tempo as marca as rugas
Ossos nodosos interiores viscerais
Esse brilho que persiste no enigma do olhar…

…um pouco acima
o relógio
Testemunha em cadência
inexorável
A vossa (nossa)existência…

Publicado por morfeu às 12:33 PM | Comentários (3)

março 22, 2005

Pequeno e calmo barco em azul e água...

barcoazulprofundo1.jpg
Foto de Pedro Piedade

Olhando mansamente para este pequeno barco
Em espelho d’água duplicado
Não necessito de me preocupar com horizontes longínquos.
Fico absolutamente com esta imagem presença
Que se basta a si própria
Em colorido exclusivo…
Ah o prazer e purificação
Que esta contemplação me outorgam
Sinto a solidez donairosa do barquinho
Que goza a sua existência nesta simpatia aquática
Almofada natural para que o seu coloir não se esbata
Faceando em igualdade oposta com esse céu
Constantemente pintor de tonalidades
Melodiando o azul
Como se fora mestre em Belas-Artes…
…dolentemente vogo nesta acalmia
De uma natureza que é assim e se oferece
Sem exigência de outros limite que não
Os seus…

Publicado por morfeu às 07:19 PM | Comentários (3)

março 21, 2005

Barco em azul ...

proa.jpg
Foto de Pedro Piedade

Proa em azul entalhada
Face esguia de um orgulho marítimo
Rompendo a imensidão
Avançando por hábito desviado
Para o Além interminável…
E vais garrida em cores adornada
Brincando em balanço esboçado
Desafio gaiato irreverente
És a lança pesqueira de humano bracejar
Mensagem cósmica para gestas violentas
Espelho de esforço nunca suficiente
Para alcançar essa desmedida meta
Que é a Impossibilidade…

Publicado por morfeu às 11:31 PM | Comentários (3)

Cais do Acaso e Necessidade...

cais.jpg
Foto de Pedro Piedade

A claridade ou a sombra?
Visível ou invisível?
Fado ou arbítrio?

...
Esta duplicidade do real
Que momentânea e inconscientemente apreendo
Designa-me metas
Vertigens ocorrem-me
Quando percorro em fuga
A luz que ofusca
A sombra em azul que me esconde…
Qual?
O Acaso ou a Necessidade?

Publicado por morfeu às 09:27 PM | Comentários (2)

Em dia de Poesia, "Cinco Folhas"...

cincofolhassecasnaareia.jpg
Foto de Pedro Piedade

Da singularidade imensa das coisas sós e anónimas
Marco aqui em testemunho de existência
A presença ínfima de folhas cinco…
Em momento vegetativo
Ilustramos desta maneira repousada
A aparente calma e passividade
De um Universo que nos gera e devora…
Apenas cinco folhas
Transitando para a eternidade…
…a brisa tranquila aproxima-se
E transporta-nos para a próxima morada…
Cinco folhas…
Cinco…

Publicado por morfeu às 02:30 PM | Comentários (1)

Em dia de Poesia, "Cordas"...

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Foto de Pedro Piedade

As cordas, recordas o que sonhas quando acordas?
Curioso ser acordar de uma família aparente das cordas…
Estas para que servem existem?
Para prender e desprender…
Segurança firmeza tensão
Largada de marinheiros para o desconhecido mar
Elo último da ligação
As cordas…
…vejam só a utilidade metafísica
Destas passivas cordas….
Concordar recordar discordar oops…
Qual será a minha corda?

Publicado por morfeu às 09:37 AM | Comentários (1)