novembro 08, 2009

Muro, muros de Berlim....

Um acontecimento com efeitos “devastadores”…relembrar.

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junho 19, 2009

Maioria e Liberdade...

"Ralf Dahrendorf (...) amava de tal forma a liberdade que nunca se sentia verdadeiramente à vontade entre a maioria."

...uma oportuna reflexão do director do jornal Público de 19 de Junho de 2009.

A morte de um grande liberal que não gostava das certezas

19.06.2009, José Manuel Fernandes


Ralf Dahrendorf deixou-nos um legado intelectual que nos desafia a desconfiar das certezas, a admitir o erro e a não acreditar que se tem a verdade e, sobretudo, a amar a liberdade numa sociedade justa mas de governo limitado


Será que só existe um modo de governo? Será que, racionalmente, por dedução e criterioso tratamento da informação, podemos chegar à verdade? Será que os mais inteligentes, os mais ilustrados, os mais generosos, os que sentem que descobriram o melhor caminho para a política e a economia, têm o direito natural de guiar os menos ilustrados, os menos dotados?
Ralf Dahrendorf, que durante boa parte da sua vida teve actividade política - entrou para o SPD alemão aos 18 anos, juntou-se depois aos liberais e chegou a ser secretário de Estado, foi comissário europeu, passou pelo partido liberal do Reino Unido, acabou a vida como membro da Câmara Alta britânica, na qualidade de Lorde, ele que nascera em Hamburgo -, amava de tal forma a liberdade que nunca se sentia verdadeiramente à vontade entre a maioria.
Há uma frase famosa de um filósofo-político do século XVIII, Edmund Burke, em que este refere que "quando o equilíbrio do barco em que viaja se encontra ameaçado por sobrecarga em um dos lados (...) procura ardentemente transportar o pequeno peso dos seus argumentos para o lado que possa garantir o equilíbrio". Dir-se-á, com razão, que esta não é a regra na política, sobretudo na política moderna. É-se mais depressa um "adesivo" do que alguém que procura ter distância, e talvez por isso Dahrendorf, que era tudo menos um conservador, tenha escolhido esta frase de um antepassado conservador para fechar um dos seus poucos livros traduzidos em Portugal - Reflexões sobre a Revolução na Europa -, escrito logo após a queda do Muro de Berlim. No fundo, uma das convicções centrais deste homem admirável era a de que não existia uma singularidade da verdade.
Discípulo de Karl Popper, colega em Oxford de Isaiah Berlin, não surpreende que, além de cultivar a liberdade e o pluralismo, desse mais importância a limitar os poderes dos governos do que à necessidade de lhes garantir "força" para realizarem reformas, fossem elas quais fossem. Apreciava mais o equilíbrio do que a vontade "iluminada", mais depressa se preocupava com a mais mínima interferência dos Estados no livre-arbítrio dos cidadãos do que se juntava a campanhas desencadeadas em nome da segurança.

Há quase 12 anos, na última das várias entrevistas que deu ao PÚBLICO, este homem que crescera sob o peso do nazismo e, depois, do comunismo, este cidadãos de dois grandes países europeus e da Europa, fino observador do seu século e crítico atento da actualidade, dizia sabiamente que havia "diferentes capitalismos", "cem modelos diferentes", pelo que seria sempre errado tomar apenas um como referência. Não deixa por isso de ser uma estranha mas feliz coincidência que tenha desaparecido na mesma semana em que um dos mais brilhantes jornalistas norte-americanos da actualidade, Fareed Zakaria, escreveu um notável ensaio na Newsweek cujo título provocador - O Manifesto Capitalista - serve sobretudo para nos levar a percorrer as mil previsões erradas que se fizeram antes e depois de a actual crise se desencadear, algumas delas escritas pelos mais influentes "maîtres à penser" do mundo académico e mediático.
No fundo, aquilo que é essencial é considerar que se pode errar e que se ganha mais em admitir os erros e corrigi-los do que em persistir "no rumo traçado", algo para que sintomaticamente Barack Obama preparou os americanos no seu discurso de vitória. E isto não tem a ver com a falta de convicções - talvez tenha mais a ver com a humildade da tal passagem de Edmund Burke onde ele admite não ter argumentos para defender as suas opiniões "para além de se basearem na observação demorada dos factos e de serem imparciais".
Mas no governo das nações, mesmo nas democracias abertas em que acreditamos viver, é muito importante assegurar que existem os mecanismos que impeçam quem quer que seja de se sentir dono da "singularidade da verdade". Por isso, numa conferência em que participou, há uns seis anos, em Madrid, lhe tenhamos ouvido uma das mais curtas mas completas e anti-intuitivas (para os nossos hábitos) definições do que é ou não uma democracia. Para Dahrendorf qualquer democracia tinha de cumprir as seguintes condições: "Que é possível mudar de governo sem violência; que existe um sistema de pesos e contrapesos capaz de limitar o poder a quem o detém e, por fim, tal regime deve assegurar que o povo tem sempre direito a exprimir-se."
Vejam bem: a democracia não é regime em que escolhemos o governo, é o regime que nos assegura que podemos mudar de governo. Também não é o regime onde as maiorias possam impor-se de forma absoluta, antes aquele onde o seu poder é limitado e vigiado, onde outros poderes garantem o tal equilíbrio que permite aos navios não se inclinarem demasiado só para um lado; e por fim é um regime onde o povo se expressa pelo voto e pela palavra, sem que os poderes possam limitar esta sua essencial liberdade.
Este internacionalista que era europeísta mas também eurocéptico, que se afirmava ao mesmo tempo liberal e social, que por fim, parecendo de novo contrariar as referências anteriores, se definia como um radical, sabia no fundo como Churchill que a democracia era o pior de todos os regimes à excepção dos restantes, e que, como escreveu agora Zakaria, o capitalismo também é a pior máquina de gerar progresso à excepção de todas as outras.
Porquê? Porque estes sistemas imperfeitos incorporam a tentativa e o erro e permitem que o que parece certo hoje seja errado amanhã, e vice-versa, obrigando à procura constante de olhar a realidade em buscas dos sinais que, na nossa condição de homens imperfeitos mas abertos e não sectários, nos permitam procurar os melhores caminhos em cada momento. Com liberdade e responsabilidade. E ao mesmo tempo sem recear ser radical na defesa do que pensamos serem as melhores opções e os melhores argumentos.
Foi isso que Ralf Dahrendorf, em tantos palcos diferentes, fez durante toda a vida.

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junho 11, 2009

10 De Junho dia da Comunidade Portuguesa...

As palavras reflectidas, cultas, abrindo esperança no enraizamento do trabalho e do exemplo, de António Barreto.

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maio 13, 2009

Jornalista do catano!!!


...é só um pequeno exemplo...parece-me que isto por aqui não faria grande sentido...ou estou enganado?

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março 15, 2009

Fotos do Mundo em 2008

sugiro...

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janeiro 22, 2009

O Poder da caricatura...

Sugiro

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janeiro 20, 2009

O discurso de Obama (...em inglês)

My fellow citizens: I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and cooperation he has shown throughout this transition.
(...)
America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.


Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.

So it has been. So it must be with this generation of Americans. That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.

These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land — a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.

Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America — they will be met.

On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord. On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.

We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.

In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted — for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk takers, the doers, the makers of things — some celebrated but more often men and women obscure in their labor, who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.

For us, they packed up their few worldly possessions and traveled across oceans in search of a new life. For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and plowed the hard earth. For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.

Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.

This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions — that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.

For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act — not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. And all this we will do.

Now, there are some who question the scale of our ambitions — who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.

What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them — that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works — whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account — to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day — because only then can we restore the vital trust between a people and their government.

Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control — and that a nation cannot prosper long when it favors only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our Gross Domestic Product, but on the reach of our prosperity; on our ability to extend opportunity to every willing heart — not out of charity, but because it is the surest route to our common good.

As for our common defense, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.

Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.

We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort — even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the specter of a warming planet. We will not apologize for our way of life, nor will we waver in its defense, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.

For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus — and non believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.

To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West — know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.

To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.

As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far off deserts and distant mountains. They have something to tell us today, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honor them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment — a moment that will define a generation — it is precisely this spirit that must inhabit us all.

For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.

Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends — hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism — these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility — a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.

This is the price and the promise of citizenship. This is the source of our confidence — the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny. This is the meaning of our liberty and our creed — why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than sixty years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.

So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have traveled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people: «Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it].»

America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.

This is the price and the promise of citizenship. This is the source of our confidence — the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny. This is the meaning of our liberty and our creed — why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than sixty years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.

So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have traveled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people: «Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it].»

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dezembro 11, 2008

Direitos Humanos, 60 anos:Dossiê in Público

sugiro...

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novembro 24, 2008

Dia da Ciência:Poema para Galileu

sugiro...

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março 18, 2008

Resta-nos a Ana Drago?

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março 17, 2008

E o Tibete...

Tibete, invasão, domínio, que faz o nosso governo?...mete diplomaticamente o rabo entre as pernas?Ai China China...

Publicado por morfeu às 07:02 PM | Comentários (0) | TrackBack

Decreto 2/2008...ou a humildade do bom-senso. Subscrevo!

humildade de húmus, que se sabe terra e pó e adubo, sendo activa e não submissa... com a devida vénia ao autor.

Publicado por morfeu às 12:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 10, 2008

Estar farto de ... Salazar. Subscrevo a crónica de D.Sampaio

Com mais de meio século de existência, recordo-me bem dos tempos cinzentos dessa sombria figura. Nos anos 50 do século passado, eram muitos os mendigos, os pés descalços, as famílias pobres e numerosas. A minha teve dificuldades, e só o esforço de meus pais, permitiu que nove filhos conseguissem chegar onde chegaram. Pelo menos o pontapé de saída para a vida foi deles.
Perto da casa em que vivi a minha infância, havia gente que vivia em barracas. Andavam descalços. Na escola tinha colegas que vinham descalços, ou com sapatos cambados. Os imigrantes eram mais que muitos. Tinha na minha escola as fotos das figuras do regime. Ao meio um crucifixo.
Ao ler a crónica de D. Sampaio, sinto esses tempos novamente.Não os quero. Subscrevo a sua crónica.

FARTO DE SALAZAR
Daniel Sampaio

Estou mesmo farto de Salazar. Durante toda a minha juventude ansiei pelo seu fim. Tudo começou há muito tempo. Talvez quando eu tinha doze anos e o meu irmão me explicou Humberto Delgado, numa inesquecível conversa sobre a democracia. Ingénuo, eu acreditava na vitória do General Sem Medo: com tanta gente a seu lado, como poderia perder as eleições? Foi aí que comecei a detestar Salazar.
Com quinze anos aderi à ilegal Comissão Pró-Associação dos Liceus, participei em muitas reuniões clandestinas e vi ser proibido um jornal escolar chamado "Perspectiva", que elaborei com o Ruben de Carvalho e mais alguns amigos. Com dezasseis anos, a minha conferência no Pedro Nunes sobre Albert Camus foi autorizada à última hora, graças ao pedido da mãe de um colega: parece que o orador não era de confiança e o romancista não agradava ao regime.
Com dezoito anos entrei na Faculdade de Medicina de Lisboa. Participei, ao longo do curso, em todas as greves e manifestações contra Salazar e não me deixei seduzir pela "primavera marcelista". Adiado do serviço militar para fazer a especialidade de Psiquiatria, o dia 25 de Abril de 1974 salvou-me da guerra colonial e foi dos mais felizes da minha vida.
Por tudo isto, estou farto. Depois de livros sobre Salazar que ocultaram com intenção o lado mais terrível do regime, após um concurso televisivo onde se esconderam as atrocidades da ditadura, chegámos ao embelezamento físico da personagem: a imagem "modernizada" de Salazar aparece-nos em cada esquina. Agora surge de cabelo colorido e aspecto tranquilo em cartazes por toda a cidade, numa propaganda de um concurso qualquer. Competição e cartazes legítimos e oportunos, a aproveitar a "onda salazarista", mas que a mim causam más recordações e vontade de retratar o homem de outro modo: vestido de cinzento, de chapéu negro enterrado na cabeça e botas- de- elástico, afinal a face visível do que ele sempre foi.
O problema será só meu, que protesto contra o embelezamento de tão desagradável pessoa? Julgo que não: é tempo de aproveitarmos a oportunidade e explicar aos mais novos quem foi Salazar. O livro "Vítimas de Salazar", de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha (Esfera dos Livros) deveria ser ensinado em todas as escolas e publicitado por todo o lado: mostra bem como foi o regime de Salazar, um dos períodos mais negros da nossa história.
Precisamos demonstrar aos nossos filhos e netos como o medo dominava e a liberdade não existia, uma guerra incompreensível matava muita gente e o país estava triste e atrasado. Sigo o livro citado e leio: a censura, as escutas telefónicas e as violações do correio, os informadores da PIDE/DGS, a tortura ("meia dúzia de safanões dados a tempo a essas criaturas sinistras", dizia Salazar, a querer esconder a "estátua", a privação do sono e o isolamento dos presos políticos), a farsa dos julgamentos e as medidas de segurança, a darem cobertura legal a prisões prolongadas dos opositores do regime; os saneamentos na função pública e os campos de concentração como o Tarrafal; a guerra de África e os seus massacres; a repressão sobre os estudantes (eu aluno do liceu a espreitar o meu irmão nos plenários de 1962, depois a fugir das cargas policiais...); acima de tudo, as mortes de que Salazar foi o grande responsável: Catarina Eufémia, Alfredo Dinis, José Dias Coelho, Manuel Fiúza, Humberto Delgado, Ribeiro dos Santos, só para citar alguns mais conhecidos.
Por isso eu digo: mostrem o Salazar que pretendem branquear, a democracia em que vivemos dá essa possibilidade e por isso aproveitem bem. Para quem estiver, como eu, farto de tanta propaganda, uma frente de esclarecimento deve ser posta em marcha: com respeito pelas opiniões alheias (o que faltava ao homem de Santa Comba), é imperioso que informemos toda a gente - distraída ou inebriada pela atraente publicidade - de quem foi Salazar na realidade.
Pela verdade. Pela memória das suas vítimas. Pelo direito à informação dos mais novos, que a continuar assim deixarão de perceber por que motivo se fez o 25 de Abril.

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março 08, 2008

Da "Cantiga da rua" ao "Regresso da rua"...

Nota: merece leitura o artigo de J.P. Pereira no Público de hoje, subordinado ao tema "O regresso da rua"

sábado, 8 de Março de 2008
O regresso da rua


Estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais

Há um ano, se alguém dissesse que a "rua" iria ser importante na política portuguesa, seria ridicularizado. Ou era comunista ou era um antiquado nostálgico do PREC ou, ainda pior, do Maio de 1968. Estava na moda a mania um pouco yuppie e reaccionária de pensar que isso das manifestações não interessava para nada, eram coisas de sindicatos e do PCP, que eram inócuas e que nenhum "decisor" sério, dos que enxameiam as páginas dos jornais de economia, as tinha em conta para alguma coisa. Deixá-los lá estar no seu nicho de arcaísmo, que é nos gabinetes que as coisas se resolvem.
Tudo isto é um pouco irónico porque hoje o país está suspenso de uma manifestação em que toda a gente está na rua, do PS de Alegre ao PSD. Até a parte PP do CDS-PP está na rua, a que mais nefelibata é sobre as manifestações, essas "coisas de comunistas", e vai lá sob a forma de uma minúscula associação de professores ligada ao partido. Para colocar a cereja no cima do bolo da "rua", até o Governo está a preparar uma contramanifestação daqui a uma semana, tentando arranjar uma sala suficientemente pequena para ter uma enchente e tecto e paredes grossas para não se ouvirem os assobios.
Se se estivesse atento aos sinais, percebia-se que a "rua" estava a encher-se de forma anormal, consistente, muito para além da força do PCP e da CGTP, há muito tempo. Ao mesmo tempo, também a força da central sindical pró-comunista e do último partido comunista a sério da Europa Ocidental estavam a aumentar porque não há uma coisa sem a outra. Era pelo menos óbvio que existia mobilização e essa mobilização estava a trazer para a "rua" primeiro gente da área que se tinha desmobilizado já há bastante tempo e, depois, gente nova, não em idade, mas na ida a manifestações.
Sempre maltratados pela comunicação social, que acha muito mais graça aos efeitos pirotécnicos do BE, sindicatos, grevistas e PCP continuavam a funcionar mais como um pólo de mobilização do que de atracção, mas, mesmo assim, com resultados num país que tem o "retrato social" de Portugal. Desde a táctica de desgaste de Sócrates, que ia dos assobios de meia dúzia de activistas à entrada deste para as suas sessões de propaganda e casting, estragando-lhe os cenários e o marketing, até à sucessão de greves para culminar em greves gerais, estava em curso um treino do clima de agitação. Com o agravar da crise social, com muita gente a empobrecer, a começar pela classe média, com conflitos corporativos suscitados pela linguagem das reformas apresentadas a cada grupo profissional como sendo "contra os privilégios injustos" do grupo profissional do lado, reformas com mérito feitas muitas vezes de forma incompetente e atabalhoada, com casos de abuso do poder, como o da DREN, com um ambiente de precariedade na função pública, as pessoas começaram a perder o medo, ou a ultrapassá-lo, e a perguntar a si próprias: "Por que razão é que não vou à manifestação, por que razão não faço greve, tão atingida, humilhada, desesperada que estou?" E faz greve e vai à manifestação.
Analisemos três momentos deste crescendo. Primeiro, a CGTP fez uma manifestação com cerca de 100.000 pessoas e continuou a indiferença. No tratamento noticioso valeu menos do que um anúncio da máquina de propaganda de Sócrates, menos do que um incidente parlamentar ou um caso de doença rara com que se metem as lágrimas nos telejornais. Nos blogues era o mesmo ambiente em pior, porque os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião. Mas as pessoas estavam lá, na "rua", elas pelo menos sabiam que eram muitas.
Segundo, atrás do núcleo duro do PCP e da CGTP, começaram a aparecer outras forças políticas, regionais e locais, a minar o PS por dentro, como aconteceu na contestação à política de saúde do Governo. As manifestações já tinham à sua frente autarcas do PSD e do PS e, facto decisivo, obtiveram uma enorme vitória: derrubaram na rua o ministro da Saúde. A contestação na educação não teria sido o que foi e é sem as pessoas terem a consciência intuitiva que podem de facto empurrar o primeiro-ministro para derrubar a ministra ou obrigá-la a ceder. Será difícil, mais pela ministra do que por Sócrates, mas este já mostrou que pode ser empurrado para um canto e no canto pede tréguas.

Terceiro, há a manifestação do PCP, também maltratada pela comunicação social, a primeira que o partido faz em seu próprio nome, debaixo das bandeiras vermelhas da foice e do martelo, com os manifestantes a mostrarem o cartão do partido em frente das janelas do Tribunal Constitucional. Foi como se fazia antigamente, antes da batalha, quando o comandante concentra as tropas de mais confiança, a elite, as falanges mais treinadas, a cavalaria pesada, queimados pelo sol de mil refregas, retirando-as ordenadamente do conjunto das tropas coligadas e juntando-as ao seu lado, para lhes falar ao espírito de corpo, gritarem uns gritos de guerra próprios e depois voltarem às fileiras comuns.
Era uma manifestação puramente política, algo que nenhum partido em Portugal seria capaz de fazer, com cinquenta mil pessoas a marcharem pelo PCP e pelo comunismo, uma coisa tão rara nos dias de hoje em todo o mundo que deveria suscitar toda a atenção e todas as análises, mas passou quase despercebida. Este facto não encaixa no quadro mental e comunicacional dominante dos dias de hoje, por isso é como se não existisse. E, no entanto, sem o ver, também não se vê o Portugal realmente existente e não aquele que nós pensamos em abstracto para o século XXI.

Para finalizar, o PS e o Governo resolveram mostrar quão grande era a contestação na "rua" mostrando quão pequena é a sua capacidade de mobilização: anunciaram uma contramanifestação pequenina, que todos os dias muda de sítio para encolher as paredes e parecer que é grande na televisão. Era para ser numa praça do Porto, é certo que uma praça muito pequena e bem fechada de limites, para passar depois para uma sala do tamanho de menos de metade da praça. Eu a pensar que um partido que está à frente nas sondagens e cujo primeiro-ministro ganha com facilidade o confronto eleitoral com a oposição não teria dificuldade em encher a Avenida dos Aliados de gente desde a câmara à Estação de S. Bento. Pelos vistos, teme não o conseguir e a sua fraqueza já concedeu a vitória aos adversários.
Seja como for, também o PS está na "rua", verdade seja dita que dos dois lados. O PS governamental vai para a rua, embora mais fraco do que o PS que vai estar na manifestação dos professores, ou que esteve nas manifestações contra Correia de Campos. Ora isto muda o caso de figura e representa a vitória da "rua" um ano depois do seu vilipêndio. Não é que o PS não tenha todo o direito de lá estar, mas é o facto, esse sim preocupante, de todos sentirem necessidade de lá estar. Isso é que parece o PREC, medidas as distâncias.
Estando Governo e oposição na "rua", frente a frente, estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais que impliquem mediações no processo político. Falência do Parlamento, em primeiro lugar, dos partidos, em particular do PSD, na oposição, e do PS como apoiante do Governo, falência de muitos instrumentos de mediação. Por isso é que, estando toda a gente na "rua", nem sempre se sabe como de lá sair. Historiador


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março 07, 2008

O grito do silêncio...

...depois de exercitar o grito na entrada anterior, é ocasião de meditar na proposta feita em múltiplos blogs e por vários colegas, para a manifestação de amanhã. Assim...
2.bmp

... e só no final da manifestação fazer eco bem audível e civlizado do nosso querer. Mesmo que o poder estabelecido continue a desautorizar e a dispôr em berro de "quero, posso, mando"... que a nossa dignidade brilhe nas avenidas e praças da capital do "Império"...

Publicado por morfeu às 11:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

Exercite a leitura, dicção, fôlego, ideologia...

... no final aproveite para dar um berro dos grandes... em entrada estendida porque só para quem tenha, desde logo, classificação excelente.

VEJA SE CONSEGUE CHEGAR AO FIM E LEIA EM VOZ ALTA QUE É DIGNO......

Por António Barreto - Público

PARECE QUE A EDUCAÇÃO está em reforma. Sempre esteve, aliás. Vinte e
tal ministros da educação e quase cem secretários de Estado, em pouco
mais de trinta anos, estão aí para mostrar o enorme esforço despendido
no sector. Uma muito elevada percentagem do produto nacional é
entregue ao departamento governamental responsável. Este incansável
ministério zela por nós, está atento aos menores sinais de mudança ou
de necessidade, corrige infatigavelmente as regras e as normas. Neste
5 de Outubro, dia da República, o Chefe de Estado e o presidente da
Câmara de Lisboa não se esqueceram de considerar a educação a mais
alta prioridade e a principal causa do nosso atraso. Nesse mesmo dia,
mão amiga fez-me chegar o último exemplo do esforço reformador que
anima os nossos dirigentes. Com a devida vénia ao signatário, o
secretário de Estado Valter Lemos, transcrevo o seu despacho
normativo, cuja leitura em voz alta recomendo vivamente:

O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração
de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações
introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,
rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril,
e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, assenta num princípio
estruturante que se traduz na flexibilidade de escolha do percurso
formativo do aluno e que se consubstancia na possibilidade de
organizar de forma diversificada o percurso individual de formação em
cada curso e na possibilidade de o aluno reorientar o próprio trajecto
formativo entre os diferentes cursos de nível secundário.
Assim, o Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, veio
estabelecer um conjunto de orientações sobre o processo de
reorientação do percurso escolar do aluno, visando a mudança de curso
entre os cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de
Março, mediante recurso ao regime de permeabilidade ou ao regime de
equivalência entre as disciplinas que integram os planos de estudos do
curso de origem e as do curso de destino, prevendo que a atribuição de
equivalências seria, posteriormente, objecto de regulamentação de
acordo com tabela a aprovar por despacho ministerial.
Neste sentido, o Despacho n.º 22796/2005 (2.ª Série), de 4 de
Novembro, veio concretizar a atribuição de equivalências entre
disciplinas dos cursos científico-humanísticos, tecnológicos e
artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos
audiovisuais, do ensino secundário em regime diurno, através da tabela
constante do anexo a esse diploma, não tendo, no entanto, abrangido os
restantes cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de
Março.
A existência de constrangimentos na operacionalização do regime de
permeabilidade estabelecido pelo Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série),
de 20 de Julho, bem como os ajustamentos de natureza curricular
efectuados nos cursos científico-humanísticos criados ao abrigo do
Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, implicaram a necessidade de
se proceder ao reajuste do processo de reorientação do percurso
escolar do aluno no âmbito dos cursos criados ao abrigo do mencionado
Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.
Desta forma, o presente diploma regulamenta o processo de reorientação
do percurso formativo dos alunos entre os cursos
científico-humanísticos, tecnológicos, artísticos especializados no
domínio das artes visuais e dos audiovisuais, incluindo os do ensino
recorrente, profissionais e ainda os cursos de educação e formação,
quer os cursos conferentes de uma certificação de nível secundário de
educação quer os que actualmente constituem uma via de acesso aos
primeiros, criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de
Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25
de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006,
de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º
23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de
Julho, e regulamentados, respectivamente, pelas Portarias n.º
550-D/2004, de 22 de Maio, alterada pela Portaria n.º 259/2006, de 14
de Março, n.º 550-A/2004, de 21 de Maio, com as alterações
introduzidas pela Portaria n.º 260/2006, de 14 de Março, n.º
550-B/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela
Portaria n.º 780/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-E/2004, de 21 de Maio,
com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 781/2006, de 9 de
Agosto, n.º 550-C/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas
pela Portaria n.º 797/2006, de 10 de Agosto, e pelo Despacho Conjunto
n.º 453/2004, de 27 de Julho, rectificado pela Rectificação n.º
1673/2004, de 7 de Setembro.
Assim, nos termos da alínea c) do artigo 4.º e do artigo 9.º do
Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração
de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações
introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,
rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril,
e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, determino:

O que se segue é indiferente. São onze páginas do mesmo teor. Uma
linguagem obscura e burocrática, ao serviço da megalomania
centralizadora. Uma obsessão normativa e regulamentadora, na origem de
um afã legislativo doentio. Notem-se as correcções, alterações e
rectificações sucessivas. Medite-se na forma mental, na ideologia e no
pensamento que inspiram este despacho. Será fácil compreender as
razões pelas quais chegámos onde chegámos. E também por que, assim,
nunca sairemos de onde estamos.

Publicado por morfeu às 11:36 AM | Comentários (6) | TrackBack

março 03, 2008

Fugiram 101 818 mil portugueses

não foi por vontade nem por gosto que eu deixei a minha terra...este parte aquele parte e todos todos se vão...

...o alarme para esta fuga não é meu, mas sim do JN de hoje. Sem mais comentários.

Publicado por morfeu às 09:24 AM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 27, 2008

Ana Drago "super-star". Brilhante.

Depois da entrada anterior, acerca do estatuto dos deputados e suas prebendas, alguém surge merecedora do seu peso - ela que se me afigura p´ró magro - em ouro: Ana Drago. Já a conhecia dos tempos em que participou brilhantemente no programa de Daniel Sampaio, não me recordo o nome de momento, mas esta mulher pode ir muito longe. Que conserve toda a sua frontalidade, saber, e não deixe que a política a corrompa...

Publicado por morfeu às 12:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 03, 2008

Foto-galeria 2007...sugiro.

Selecção Público

Selecção Reuters

Recolhido in: Jornal Público.

Publicado por morfeu às 11:45 AM | Comentários (6) | TrackBack

janeiro 02, 2008

"O que é na realidade o Homem?" ... sugiro.

É o ser que decide o que é. É o ser que inventou câmaras de gás, mas ao mesmo tempo é o ser que entrou nelas com passo firme, murmurando uma oração.

Publicado por morfeu às 10:30 AM | Comentários (4) | TrackBack

dezembro 29, 2007

Coisas do ano que passa...

Aproveito as sugestões do jornal Público de hoje, que podem ser consultadas na net, acerca de acontecimentos registados em vídeo. Sugiro também a apreciação das frases que se encontram a votação, logo na primeira página da edição online

Publicado por morfeu às 08:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 07, 2007

Cimeira para não diplomatas ...

Acreditando que podemos respirar a liberdade da palavra e da crítica, proponho que intervenhamos nesta importante "passerelle", que será a cimeira E.Africa. A começar, a secção de humor: chegada da legião líbia, com tendas e camelos...digo, carros de topo ao lado das tendas, com empréstimo de forte. Brindou-nos hoje Kadafi com a pérola de uma proposta:mais do que falar de coisas se somenos importância, Darfur, Mugabe, Eduardo dos Santos e nomenklatura, e etcs....exige que seja tema de topo a indemnização dos colonizadores aos colonizados...
A seguir com a atenção possível...

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dezembro 04, 2007

Aprenda a bater na...mulher, em poucas lições...

sem comentário...julgue por si

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dezembro 01, 2007

A dignidade de um grevista....

...à nossa consideração e reflexão, a crónica de Pacheco Pereira, que não é um pacóvio qualquer...

(...)Uma coisa são os sindicatos, outra os grevistas, muitos dos quais fazem greve contra o Governo pelo que este lhes está a fazer no seu dia-a-dia e porque já não têm esperança. Muitos milhares de portugueses vão perder um dia do seu magro salário para protestar, por uma multiplicidade de motivos, e mesmo que os cínicos digam que na realidade estão apenas a comprar mais um dia de fim-de-semana, é absurdo e arrogante tratá-los com o desprezo que circula pelos discursos sobre a greve e que se tornaram habituais nos nossos dias(...)

As greves são sinais de vida no meio da pasmaceira geral

José Pacheco Pereira - 20071201(jornal Público)

A realidade que mobiliza os grevistas é incontornável e tem a ver com o empobrecimento dos portuguesesEnquanto escrevo decorre uma greve da função pública e os noticiários seguem o padrão habitual de todas as greves recentes: o Governo diz uma coisa, os sindicatos outra, as televisões e rádios fazem uma ronda por escolas, hospitais, tribunais, transportes, com também os habituais resultados, esta repartição funciona esta mais ou menos, esta escola está fechada, aqui não se notou nada. Parece uma recitação de uma peça de cor, em que todos os actores já sabem mecanicamente os seus papéis sem ninguém prestar nenhuma atenção especial ao que se passa. O que sobra é um discurso de nonchalance e desprezo que une os yuppies da direita moderna, os socialistas tecnológicos sem o "bocadinho de socialismo" que Soares desejava e os bem-pensadores da imprensa económica.

O que motiva os sindicatos é a defesa de um modelo de sociedade, economia e política que em nada se distingue do do Governo a não ser no peso da repartição dos sacrifícios entre o presente e o futuro mais imediato. Em ambos os casos, Governo e sindicatos, partilham o mesmo "modelo social europeu", só que o Governo pretende geri-lo de forma a adiar os seus efeitos de ruptura para um prazo mais longo, enquanto os sindicatos se preocupam com a geração actual. A célebre sustentabilidade da segurança social é o adiamento programado da ruptura gerada pela conjugação da demografia e da globalização sobre o actual esquema de segurança social, universal e tendencialmente gratuita, ou seja, paga pela redistribuição fiscal dos rendimentos da classe média para manter um sistema "socialista", cujos efeitos de injustiça social são grandes - ricos e pobres beneficiam dos serviços sociais universais e gratuitos, precisem ou possam pagar ou não, em nome de uma ideia de carácter político-ideológico, a de que ao Estado cuida dar a todos ensino, saúde, reformas, subsídios.

No fundo, sindicatos e governo querem o mesmo, só que com tempos diferentes e com benefício de gerações diferentes, ou de tempos diferentes da mesma geração. Os sindicatos que representam a geração actual exigem que esta não seja muito sacrificada em nome do futuro, o Governo coloca mais a ênfase na sustentabilidade a prazo, dez anos pelo menos, e adia os problemas de fundo de insustentabilidade estrutural do "modelo social europeu", onerando mais o presente para fazer durar mais uns anos um sistema que está condenado a prazo. Proclamações grandiloquentes sobre a sustentabilidade da segurança social já tinham sido feitas pelo governo de Guterres e bastaram meia dúzia de anos para se perceber que a ruptura estava para amanhã e não para décadas, e o mesmo irá acontecer com as medidas deste Governo. São paliativos e adiamentos, não são uma política que resolva os problemas de manter competitiva a economia portuguesa e europeia, de modo a garantir bem-estar e progresso social, defrontando o mercado global e o envelhecimento das sociedades pelo aumento da produtividade e pela abertura
à competição.

Só há uma alternativa a esta política do modelo social europeu e essa alternativa é um consistente, persistente e intransigente programa de liberalismo moderado, reformista, prudente, passo a passo, sempre no mesmo sentido de dar mais liberdade a pessoas e a empresas do domínio abafador do Estado. Quando o PSD propunha menos impostos, obrigando o Estado a diminuir e racionalizar os seus gastos, e quando defendeu contra o PS um sistema misto de segurança social que responsabilizasse os indivíduos por parte do esforço para garantir as suas reformas, dando-lhe a possibilidade de aplicar como entendessem parte do que hoje pagam ao Estado, ia-se no caminho de uma outra política. Hoje, com a aproximação PS-PSD, nem isso há.

Mas uma coisa é a similitude de objectivos e visão da sociedade que une a CGTP, a UGT, o PSD, o PS e o Governo e outra são os motivos para que cada um adira à greve. Uma coisa são os sindicatos, outra os grevistas, muitos dos quais fazem greve contra o Governo pelo que este lhes está a fazer no seu dia-a-dia e porque já não têm esperança. Muitos milhares de portugueses vão perder um dia do seu magro salário para protestar, por uma multiplicidade de motivos, e mesmo que os cínicos digam que na realidade estão apenas a comprar mais um dia de fim-de-semana, é absurdo e arrogante tratá-los com o desprezo que circula pelos discursos sobre a greve e que se tornaram habituais nos nossos dias.

A arrogância e o desprezo pelas greves está muito para além da discordância com os seus objectivos, é uma manifestação antidemocrática e mais uma, entre muitas, manifestações do tardo-salazarismo inscrito no nosso espaço público e que abomina o conflito como se fosse um mal, e que deseja um mundo sem ondas e sem confrontos, onde os negócios prosperem sem complicações, em que uma mediocridade remediada seja a regra para todos e onde a ausência de escrutínio e vigilância democrática decorrem do peso abafador dos consensos. Um pouco como já acontece com a "Europa".

Mas, a realidade que mobiliza os grevistas é incontornável e tem a ver com o empobrecimento dos portugueses. Com a excepção de muito poucos, a maioria dos portugueses estão mais pobres e não tem qualquer esperança sobre o seu futuro. Cada vez mais ameaçados pelo desemprego, pela perda de poder de compra, pelo peso esmagador do fisco, o sentimento e a realidade do empobrecimento atinge as pessoas, as famílias e as empresas. Todas as estatísticas revelam esta crise, e todos os dias saem novas estatísticas mostrando o mesmo caminho: menos "desenvolvimento humano" (um agregado da ONU de vários indicadores), mais desemprego, aumento da inflação, quebra de poder de compra dos salários, menos confiança dos consumidores e dos empresários, mais penhoras, falências, dívidas incobráveis, e os sinais de perturbação social no aumento da criminalidade.
Quando tudo isto é recebido por manobras comunicacionais e spin do Governo e dos seus apoiantes, transformando sinais de empobrecimento e estagnação em sinais de que se vai no "rumo certo"; quando a oposição do PSD continua muda e calada quando não ao lado do Governo, às claras ou às escondidas, a negociar tudo e todos, com meio mundo; quando mesmo os cínicos habituais do jornalismo ficam estranhamente apáticos e complacentes; quando numa sociedade em que as dependências e a precariedade são tantas que poucas vozes são efectivamente livres, apoucar os grevistas de hoje é ser parte da pasmaceira colaboracionista em que nos atolamos. É que há mais dignidade cívica nos grevistas do que naqueles que se queixam por tudo o que é recanto discreto ou anónimo dos males da governação Sócrates e não têm coragem para alto e bom som dizer o que pensam e sofrer as consequências.
Historiador

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novembro 11, 2007

Quem cala consente...sugiro.

Descubra porque não se deve calar e consentir

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outubro 29, 2007

Portugal, retrato social, sugiro.

Retrato social
Rodrigo Leão

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outubro 23, 2007

Não me calo nem aceito...


Impressionou-me, escandalizou-me, ou-me tanto que nem sei o que diga. Tanto quanto se fora uma tipa com a zona púbica em exposição intencional, "negligée, como agora se vê, desde a jovem estudante em sala de aula até à esposa-família dedicada...assim, não aceito e verbero todo o fundamentalismo e o falso pudor cultural que empana seres humanos num negritude definitiva...quem está por debaixo desse negro cobrimento, onde a expressão, o olhar a cor o tudo de um ser humano? Que os homens que vos obrigam sejam eternamente condenados a tal empanamento. Não acredito que alguém assim vestido, refiro-me à mulher de negro, não sofra e de acordo com a causa em questão, será sofrimento sobre sofrimento. Maldigo-vos carrascos culturais e fundamentalistas que não permitem a liberdade de um movimento que seja, o de uma pálpebra que se flicta...quero ser politicamente incorrecto!

karim sahibafp.jpg


23.10.2007


Falar sobre o cancro da mama, a doença que mais mulheres mata nos Estados Unidos e no Médio Oriente, é o objectivo da viagem que a primeira-dama Laura Bush está a fazer, misturando diplomacia e saúde. Hoje estará na Arábia Saudita, ontem esteve nos Emirados Árabes Unidos e, até sexta-feira, ainda há-de ir ao Kuwait e à Jordânia. "Acho muito importante que os habitantes do Médio Oriente saibam que nos EUA nos preocupamos com a saúde das mulheres, porque ainda há muito medo e vergonha aqui, como nós tínhamos há 25 anos", disse Laura Bush. Na Arábia Saudita, 20 por cento dos casos de cancro são da mama. E 70 por cento das doentes são diagnosticadas quando a doença já está muito avançada, quando nos países ocidentais isso só acontece em 30 por cento dos casos. Ontem, no Abu Dhabi, Laura Bush falou com mulheres envoltas em véus negros - sobreviventes de cancro da mama, que contaram as suas histórias pessoais ao lado da primeira-dama.
Nos países árabes, o cancro da mama ainda está associado a um grande estigma social. "As mulheres casadas ficam muito preocupadas com o efeito que a doença terá sobre os seus maridos e famílias, por isso muitas optam por nem fazer mamografias", disse Omniyat Hajri, médico dos Emirados Árabes Unidos habituado a tratar doentes de cancro da mama, citado pela televisão ABC. Laura Bush, cuja avó morreu com cancro da mama e cuja mãe sofreu da doença mas sobreviveu, leva a sua história pessoal como bandeira da viagem - mas que está a ser vista como uma forma de diplomacia suave, em nome do seu marido, que ficou na Casa Branca. Vai encontrar-se com os reis jordanos e sauditas, usando a sua própria imagem para b

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outubro 10, 2007

A vida é feita de pequenos nadas...

…de pequenos nadas

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setembro 30, 2007

Afinal, quem e o quê, será Sª Exª Valter Lemos?

Quem ocupa lugares determinantes para o país, quem influi no dia a dia de milhares de portugueses, quem...o melhor será ler o artigo de investigação hoje saído no Público... por pudor em entrada estendida.

Não, sr. secretário de Estado

30.09.2007, Maria Filomena Mónica (jornal o Público)


Valter Lemos nunca participou em debates parlamentares, nunca demonstrou possuir uma ideia sobre Educação


Aministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tem aparecido na televisão e até no Parlamento, o mesmo não sucedendo ao seu secretário de Estado, Valter Lemos. É pena, porque este senhor detém competências que lhe conferem um enorme poder sobre o ensino básico e secundário. Intrigada com a personagem, decidi proceder a uma investigação. Eis os resultados a que cheguei.
Natural de Penamacor, Valter Lemos tem 51 anos, é casado e possui uma licenciatura em Biologia: até aqui nada a apontar. Os problemas surgem com o curriculum vitae subsequente. Suponho que ao abrigo do acordo que levou vários portugueses a especializarem-se em Ciências da Educação nos EUA, obteve o grau de mestre em Educação pela Boston University. A instituição não tem o prestígio da vizinha Harvard, mas adiante. O facto é ter Valter Lemos regressado com um diploma na "ciência" que, por esse mundo fora, tem liquidado as escolas. Foi professor do ensino secundário até se aperceber não ser a sala de aula o seu habitat natural, pelo que passou a formador de formadores, consultor de "projectos e missões do Ministério da Educação" e, entre 1985 e 1990, a professor adjunto da Escola Superior do Instituto Politécnico de Castelo Branco.
Em meados da década de 1990, a sua carreira disparou: hoje, ostenta o pomposo título de professor-coordenador, o que, não sendo doutorado, faz pensar que a elevação académica foi política ou administrativamente motivada; depois de eleito presidente do conselho científico da escola onde leccionava, em 1996 seria nomeado seu presidente, cargo que exerceu até 2005, data em que entrou para o Governo. Estava eu sossegadamente a ler o Despacho ministerial nº 11 529/2005, no Diário da República, quando notei uma curiosidade. Ao delegar poderes em Valter Lemos, o texto legal trata-o por "doutor", título que só pode ser atribuído a quem concluiu um doutoramento, coisa que não aparece mencionada no seu curriculum. Estranhei, como estranhei que a presidência de um politécnico pudesse ser ocupada por um não doutorado, mas não reputo estes factos importantes. Aquando da polémica sobre o título de engenheiro atribuído a José Sócrates, defendi que os títulos académicos nada diziam sobre a competência política: o que importa é saber se mentiram ou não.
Deixemos isto de lado, a fim de analisar a carreira política do sr. secretário de Estado. Em 2002 e 2005, foi eleito deputado à Assembleia da República, como independente, nas listas do Partido Socialista. Nunca lá pôs os pés, uma vez que a função de direcção de um politécnico é incompatível com a de representante da nação. A sua vida política limita-se, por conseguinte, à presidência de uma assembleia municipal (a de Castelo Branco) e à passagem, ao que parece tumultuosa, pela Câmara de Penamacor, onde terá sofrido o vexame de quase ter perdido o mandato de vereador por excesso de faltas injustificadas, o que só não aconteceu por o assunto ter sido resolvido pela promulgação de uma nova lei. Em resumo, Valter Lemos nunca participou em debates parlamentares, nunca demonstrou possuir uma ideia sobre Educação, nunca fez um discurso digno de nota.

Chegada aqui, deparei-me com uma problema: como saber o que pensa do mundo este senhor? Depois de buscas por caves e esconsos, descobri um livro seu, O Critério do Sucesso: Técnicas de Avaliação da Aprendizagem. Publicado em 1986, teve seis edições, o que pressupõe ter sido o mesmo aconselhado como leitura em vários cursos de Ciências da Educação. Logo na primeira página, notei que S. Excia era um lírico. Eis a epígrafe escolhida: "Quem mais conhece melhor ama." Afirmava seguidamente que, após a sua experiência como formador de professores, descobrira que estes não davam a devida importância ao rigor na "medição" da aprendizagem. Daí que tivesse decidido determinar a forma correcta como o docente deveria julgar os estudantes. Qualquer regra de bom senso é abandonada, a fim de dar lugar a normas pseudocientíficas, expressas num quadrado encimado por termos como "skill cognitivos". Navegando na maré pedagógica que tem avassalado as escolas, apresenta depois várias "grelhas de análise". Entre outras coisas, o docente teria de analisar se o aluno "interrompe o professor", se "não cumpre as tarefas em grupo" e se "ajuda os colegas".
Apenas para dar um gostinho da sua linguagem, eis o que diz no subcapítulo "Diferencialidade": "Após a aplicação do teste e da sua correcção deverá, sempre que possível, ser realizado um trabalho que designamos por análise de itens e que consiste em determinar o índice de discriminação, [sic para a vírgula] e o grau de dificuldade, bem como a análise dos erros e omissões dos alunos. Trata-se portanto, [sic de novo] de determinar as características de diferencialidade do teste." Na página seguinte, dá-nos a fórmula para o cálculo do tal "índice de dificuldade e o de discriminação de cada item". É ela a seguinte: Df= (M+P)/N
em que Df significa grau de dificuldade, N o número total de alunos de ambos os grupos, M o número de alunos do grupo melhor que responderam erradamente e P o número de alunos do grupo pior que responderam erradamente.
O mais interessante vem no final, quando o actual secretário de Estado lamenta a existência de professores que criticam os programas como sendo grandes demais ou desadequados ao nível etário dos alunos. Na sua opinião, "tais afirmações escondem muitas vezes, [sic mais uma vez] verdades aparentemente óbvias e outras vezes "desculpas de mau pagador", sendo difícil apoiá-las ou contradizê-las por não existir avaliação de programas em Portugal". Para ele, a experiência dos milhares de professores que, por esse país fora, têm de aplicar, com esforço sobre-humano, os programas que o ministério inventa não tem importância.
Não contente com a desvalorização do trabalho dos docentes, S. Excia decide bater-lhes: "Em certas escolas, após o fim das actividades lectivas, ouvem-se, por vezes, os professores dizer que lhes foi marcado serviço de estatística. Isto é dito com ar de quem tem, contra a sua vontade, de ir desempenhar mais uma tarefa burocrática que nada lhe diz. Ora, tal trabalho, [sic de novo] não deve ser de modo nenhum somente um trabalho de estatística, mas sim um verdadeiro trabalho de investigação, usando a avaliação institucional e programática do ano findo." O sábio pedagógico-burocrático dixit.
O que sobressai deste arrazoado é a convicção de que os professores deveriam ser meros autómatos destinados a aplicar regras. Com responsáveis destes à frente do Ministério da Educação, não admira que, em Portugal, a taxa de insucesso escolar seja a mais elevada da Europa. Valter Lemos reúne o pior de três mundos: o universo dos pedagogos que, provindo das chamadas "ciências exactas", não têm uma ideia do que sejam as humanidades, o mundo totalitário criado pelas Ciências da Educação e a nomenklatura tecnocrática que rodeia o primeiro-ministro. Historiadora

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setembro 28, 2007

A minha solidariedade com Santana Lopes

...permitam-me falar à antiga. O nosso Santana tem-os no sítio. Parabéns!

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setembro 22, 2007

Vídeo do dia by Britannica

Vídeo do dia da Enciclopédia Britânica/a>

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setembro 16, 2007

A paz tem alguma piada? ...

"Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho."
(Deepak Chopra, A Paz É o Caminho, Lisboa, Sinais de Fogo, 2007)

Retomo este meu exercício de partilha na blogosfera. E, porque domingo, sendo o "dia do Senhor", mas, não o querendo eu como dia de Senhor nenhum, aqui deixo a intervenção de Bento Domingues, crónica publicada no Jornal Pública, hoje, dia de Senhor nenhum...

O caminho mais curto para a Paz...

Frei Bento Domingues - 20070916

Gandhi não teve seguidores, mas o Dalai Lama reencarnou o seu caminho

1 Já está traduzido em português um livro notável de Deepak Chopra, inspirado em M. Gandhi: "Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho." (1) Sendo a guerra a praga que os seres humanos carregam consigo, o percurso desta obra termina com sete práticas para saber, em cada dia da semana, como viver em paz e ser pacificador. Pode parecer um programa muito básico, mas responde a uma pergunta fundamental do seu mestre: "Poderemos nós ser a mudança que queremos que haja no mundo?" Os sonhos começam a realidade: "Um dia haverá uma guerra e ninguém aparecerá" (C. Sandburg).
O autor deste livro de espiritualidade activa é médico endocrinologista, natural da Índia, radicado nos EUA. Entre as numerosas distinções, foi-lhe atribuído o Prémio Einstein, pelo Albert Einstein Institute College of Medicine em colaboração com o American Journal of Psychotherapy. Em conjunto com Oscar Arias e Betty Williams, laureados com o Prémio Nobel da Paz, fundou a Aliança para Uma Nova Humanidade, uma organização empenhada na justiça social, na liberdade económica, no equilíbrio ecológico e na resolução dos conflitos.
Esta obra integra-se numa espiritualidade que nos chega do Oriente. Como diz J. Masiá, a mensagem do budismo pode ser resumida em duas palavras: pacificar-se e pacificar. Inspira-se numa dupla tradição de vida contemplativa/interiorização e de vida em harmonia com a natureza e com as pessoas. Outra palavra-chave é "sair" de si mesmo por duas vias - pela contemplação e pela práxis solidária. Sair para fora da espiral do engano e da violência; sair da roda do eu superficial atado às desfigurações da realidade; sair para onde aponta a metáfora oriental - "vazio" e "nada" (não confundir com o niilismo) - donde se vêem as pessoas e as coisas, para lá das aparências.
Buda, Jesus, Confúcio e Sócrates são as quatro grandes figuras de pacíficos e pacificadores. Os quatro convidam a sair de si para dentro e para fora. Para dentro, para a meditação; para fora, para a compaixão e a solidariedade. Os quatro convidam a parar e a escutar a voz que, no interior do coração, nos diz a verdade sobre nós próprios e sobre a vida. Os quatro convidam à prática. Antes de perguntar quem disparou a flecha ou quem é o ferido, apressa-te a curá-lo, antes que seja tarde, dizia Buda (2).

2-No momento em que escrevo, ainda não sei como será acolhida a visita, a Portugal, do Prémio Nobel da Paz, XIV Dalai Lama, o símbolo actual da sabedoria no empenhamento pacífico e pacificador do reconhecimento, no interior da China, da autonomia cultural, religiosa e administrativa do Tibete.
Segundo o programa, a segunda visita a Portugal será essencialmente dedicada à apresentação de alguns livros fundamentais do budismo, aconselhados e explicados por Dalai Lama, sobretudo na Faculdade de Medicina Dentária. Para além de outros contactos, é aguardada com expectativa a conferência pública, no Pavilhão Atlântico, na tarde deste domingo, subordinada ao tema O poder do bom coração.
Esta visita foi preparada com a publicação de várias obras de referência do budismo tibetano. Dado que os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Tibete, a Revista Lusófona de Ciência das Religiões, dirigida por Paulo Mendes Pinto e Alfredo Teixeira, teve a feliz ideia de confiar a Paulo Borges (presidente da União Budista Portuguesa) a organização de um dossier dedicado ao estudo da presença do Buda e do budismo na cultura portuguesa. O resultado é notável.
O que me importa sublinhar é a sabedoria exemplar de Dalai Lama na luta pacífica pelo reconhecimento da autonomia do Tibete, embora ele esteja muito longe de conseguir a unanimidade dos tibetanos em torno das suas opções e do seu método. Até se pode dizer, não sem alguma razão, que a sua resistência não violenta acabou por servir os propósitos invasores e dominadores da China: os chineses já não precisam de se mostrar muito agressivos na ocupação do Tibete. O império chinês não tem falta de gente para substituir os tibetanos em todos os domínios.
Os séculos XX e XXI tiveram muitos revolucionários e libertadores. Alguns com aura de heróis, mas a invocação da violência dos oprimidos contra a violência dos opressores - uma fórmula que parece mais que legítima, em determinadas circunstâncias - não consegue saltar para fora do mundo da violência e do comércio das armas que corrompe e desgraça a humanidade dos oprimidos e dos opressores. Não gera uma nova humanidade. Não é uma alternativa.
M. Gandhi não teve muitos seguidores, mas Dalai Lama reencarnou, de forma notável, o seu caminho. Dir-se-á que a via da resistência activa na procura contínua do diálogo é demasiado lenta. E os recursos à violência têm sido rápidos na resolução de conflitos, na obtenção da paz?
O XIV Dalai Lama (Oceano de Sabedoria), que tem assumido a figura de dirigente político, de monge e de místico, só lhe interessa ser um monge e um místico budista ao serviço da compaixão universal (3).
(1) Deepak Chopra, A Paz É o Caminho, Lisboa, Sinais de Fogo, 2007.
(2) Juan Masiá, SJ, El otro Oriente. Más allá del diálogo, Sal Terrae, Santander, 2006.
(3) Mayank Chhaya, A Vida do Dalai Lama. O Homem. O Monge. O Místico. Biografia autorizada, Lisboa, Presença, 2007.

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julho 28, 2007

Oriente/Ocidente; O eixo do tempo... reflexão de A.Borges


O conforto semanal da reflexão de Anselmo Borges ...valerá a pena sair do facilitismo imediato da "notícia" que infelizmente fascina e se impõe no circo... sugiro que se vá mais em profundidade e se aproveite a "sageza" deste filósofo e teólogo. Santos da casa também podem fazer milagres... bom dia!

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julho 24, 2007

Nazanin Afshin-Jam ... sugiro.

nazanin-afshin-jam.jpg
Nazanin Afshin-Jam, a mulher que salvou Nazanin
No Canadá é uma estrela. Uma pop-star, mais precisamente. Antes de mais, Nazanin Afshin-Jam é famosa por ser famosa e é famosa por ser bonita. Só que os seus talentos não ficam por aqui...

Os seus retratos profissionais apresentam-na como cantora, compositora (das suas canções), modelo e actriz. Se ignorarmos uns contratos como modelo quando era estudante, a sua primeira actividade profissional foi como Miss: Miss Vancouver, Miss Swimsuit, Miss World Canada, Miss Desporto, Queen of the Americas e um segundo lugar no concurso de Miss Mundo em 2003. De caminho, foi participando em meia dúzia de episódios de séries de televisão. Aos títulos de beleza seguiram-se os habituais contratos para fotografias, aparições públicas, participações em programas de TV e de rádio, entrevistas várias e uma chuva de capas de revistas. Como cantora a sua carreira é curta: o primeiro álbum (Someday) foi publicado no mês passado e está a fazer uma carreira aparentemente bem sucedida.
Mas Nazanin (é este o seu nome artístico) é também outra coisa: uma militante pelos direitos humanos que conquistou a notoriedade no seu país e para além dele com uma campanha para salvar uma jovem condenada à morte.
Seria aliás mais correcto dizer "nos seus países" porque Nazanin tem dois: o Irão e o Canadá. Nasceu no Irão (Teerão) em 1979, durante a Revolução Iraniana que levaria Khomeini ao poder. A sua família fugiu para a Europa e posteriormente para o Canadá em 1981, depois de o pai ter sido preso pela Guarda Revolucionária de Khomeini, torturado e condenado à morte.
Na Universidade de British Columbia, Nazanin estudou Ciências Políticas e Relações Internacionais, estudos que complementou com pós-graduações em França e Inglaterra. Enquanto estudava teve tempo para aprender a pilotar aviões (fez o curso dos Royal Canadian Air Cadets), além de se dedicar à prática de vela, caiaque, karting e dança e de trabalhar como voluntária da Cruz Vermelha em campanhas contra as minas terrestres e em defesa das crianças que vivem em zonas de guerra. Depois disso, a actividade de Nazanin foi muito além da das jovens que se limitam a declarar no palco que se pudessem concretizar um desejo pediriam "a paz no mundo".
A história da sua família, o seu trabalho como voluntária da Cruz Vermelha e o facto de ter sido uma jovem iraniana que participou em concursos de beleza, passeando-se em fato de banho à frente dos olhos de milhões de homens (só para o desfile de Miss Mundo houve 2200 telespectadores), permitiu-lhe uma experiência directa do que são os atentados às liberdades no mundo de hoje. Porquê os desfiles? Porque a visibilidade da sua participação teve como preço as críticas dos sectores conservadores da comunidade iraniana no Canadá, as ameaças de fundamentalistas islâmicos e mensagens de apoio de jovens iranianos que lhe permitiram ter uma noção da limitação das liberdades e da repressão das mulheres no seu país de origem.
A campanha que deu notoriedade a Nazanin foi porém a campanha para libertar Nazanin. Outra Nazanin, Nazanin Mahabad Fatehi, uma jovem iraniana de 17 anos condenada à morte por enforcamento a 3 de Janeiro de 2006 por ter apunhalado um dos três homens que a tentaram violar a ela e a uma sobrinha de 15 anos, num parque de Karaj, um subúrbio de Teerão.
Nazanin Afshin-Jam iniciou uma campanha pela sua libertação que incluiu o lançamento de uma petição que recolheu mais de 350.000 assinaturas, a produção de um documentário (The Tale of Two Nazanins), contínuas acções públicas e intervenções nos media e uma actividade de lobbying junto das autoridades iranianas e das Nações Unidas. A campanha pela libertação de Nazanin conseguiu mobilizar a Amnesty International, o Parlamento canadiano, a União Europeia e levou as autoridades judiciais iranianas a rever o caso, suspender a condenação e realizar um novo julgamento que se saldou por uma absolvição, em Janeiro passado.
Mas Nazanin Afshin-Jam
não parou aqui. Lançou a campanha Stop Child Executions Campaign (www.stopchildexecutions.com) que tenta anular
as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão
e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores. A lista dos crimes dos que foram executados nos últimos anos inclui actos como "atentados contra a castidade" ou dar aulas de religião Baha"i.
A acção de Nazanin Afshin-Jam no caso de Nazanin Fatehi foi distinguida com o Prémio Herói dos Direitos Humanos, atribuído pela organização Artists for Human Rights, dirigida pela actriz Anne Archer.
Nazanin Afshin-Jam também provoca críticas. Há quem diga que as suas simpatias políticas estão do lado de Reza Pahlavi, o filho do último xá do Irão, e que os seus verdadeiros motivos seriam a reinstauração da monarquia no país ou que a sua actividade humanitária é apenas uma forma de promoção pessoal. Mesmo que seja assim, se essa promoção continuar a defender os direitos humanos e a salvar vidas, parece um tipo de promoção totalmente louvável.
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José Vítor Malheiros (Público de 22/07/07)

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julho 15, 2007

Eu também quero ser Ibérico...

Ibéria

Já há muito que defendo a título brincalhão, entre amigos, que a nossa desgraça foi 1640. Quem saiu beneficiado? Não foi o Zé Povo seguramente. Assim, subscrevo José Saramago.
Porque não fazer um referendo?Aposto que uma boa maioria de Portugas diria si.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1299516

Não entendo como é que o link não funciona...na codificação aparece um br...qualquer que não entendo e impossibilita o acesso. Assim, quem quiser ver a noticia tem o endereço em cima...

Fica aqui o Link da entrevista no Dn...

http://dn.sapo.pt/2007/07/15/artes/nao_profeta_portugal_acabara_integra.html

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maio 24, 2007

O Verbo" insultar" como manifesto da Liberdade...

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... Tentei pôr o link pelos processo normais ... ver em http://dn.sapo.pt/2007/05/24/economia/progressoes_congeladas_2008_poupam_m.html

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novembro 29, 2006

Um big brother de esquerda? ... sugiro.

Interessante o artigo de Rui Ramos, no Público de hoje. A ler em entrada estendida.

O Estado moderador
Rui Ramos

Nada há que causa tanto horror a este Governo ou aos seus porta-vozes oficiais e oficiosos como a acusação de "economicismo". Daí o afã com que embrulham todos os cortes de prestações e serviços públicos no papel de fantasia da guerra contra o "desperdício", o "abuso", o "corporativismo" ou outros maus hábitos. Tal como os conservadores fizeram na década de 90, a esquerda moderna procura dar uma dimensão moralista à sua política. Notou-se isso no caso das taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde. Uma ideia iníqua no tempo de Durão Barroso, tornou-se muito boa com José Sócrates. E tornou-se muito boa, conforme explicou o ministro Correia de Campos, porque o objectivo deixou de ser o de aumentar receitas, para passar a ser pedagógico: tratar-se-ia de iluminar os cidadãos, de os levar a "valorizar" o serviço, fazendo-os mais "exigentes" e "responsáveis".
Aqueles a quem incomoda esta catequese através das taxas deviam olhar para o que se passa nesse laboratório da esquerda moderna que é a Inglaterra de Tony Blair. Na semana passada, Blair pôs os seus funcionários e conselheiros a trabalhar na ideia de "um novo contrato entre o Estado e os cidadãos, estabelecendo o que os indivíduos devem fazer em troca da prestação de serviços de qualidade pelos hospitais, escolas e polícia". Em vez de um "contrato unilateral", baseado na simples prestação de serviços pelo Estado ao cidadão, Blair quer um contrato bilateral, assente em "objectivos explícitos e mutuamente acordados" entre o Estado e o cidadão. O Estado e o utente ou beneficiário tornar-se-iam parceiros num projecto comum, com o objectivo de alterar positivamente os comportamentos dos indivíduos. Por exemplo, uma determinada intervenção cirúrgica dependeria de o paciente se comprometer a mudar os seus hábitos, fazendo dieta ou deixando de fumar. Eis o futuro do sistema moderador: em vez da taxa monetária, o contrato de correcção pessoal.
As reacções foram as mais variadas. Houve quem achasse muito bem o Estado deixar de pagar as consequências de vidas afectadas por vícios e maus hábitos. Houve também quem exigisse que, contra o direito do Estado de racionar os serviços públicos em função do bom comportamento, se reconhecesse o direito dos cidadãos de não pagarem impostos quando se sentissem mal servidos. De facto, por detrás desta ideia está o desespero da esquerda moderna. Nos últimos anos, Blair dispôs de condições que mais nenhum governo da Europa teve para despejar dinheiro nos serviços públicos. Expandiram-se as instalações, aumentou o pessoal, e também as suas remunerações. No fim, houve que reconhecer que nada foi suficiente. Por exemplo, as probabilidades de um cancro da próstata ser fatal são 19 por cento nos EUA e 57 por cento na Inglaterra (segundo James Bartholomew em The Welfare State We"re In). Ao mesmo tempo, as sondagens começaram a revelar que a disponibilidade dos ingleses para pagarem mais impostos diminuiu. Basicamente, a esquerda moderna inglesa esbarrou nos limites do Estado social: uma oferta limitada e nem sempre eficiente, perante uma procura ilimitada e sempre exigente.
Blair anda a reflectir no problema há bastante tempo. Num discurso de 2002, explicou que o Estado social inglês foi concebido para garantir um "mínimo" de bem-estar a uma população que jamais esperara muito dos serviços públicos. Nas décadas seguintes, porém, o modelo foi confrontado com um novo tipo de gente, que passou a exigir cada vez mais dos serviços públicos, à sombra dos quais descurou prudência e esforço pessoal. Blair não quer renunciar ao Estado social. Pelo contrário. Mas para viabilizar o modelo, concluiu que "a relação entre o Estado e os cidadãos não pode consistir simplesmente em o Estado dar e os cidadãos receberem. Tem de incluir direitos e deveres". Mas neste modelo, os deveres dos cidadãos traduzem-se fatalmente em direitos do Estado a exigir este ou aquele comportamento aos indivíduos.
Em 1859, na introdução a On Liberty, J.S. Mill sugeriu que o Estado só tinha o direito de reprimir aquelas acções dos indivíduos que afectassem terceiros: "Sobre a sua própria pessoa, o seu próprio corpo e espírito, o indivíduo é soberano." Hoje, porém, com o Estado social, todas as acções individuais acabam por afectar terceiros, na medida em que possam redundar num encargo para os serviços públicos. E nessa medida, a tentativa de viabilizar o Estado social abre a porta para um novo paternalismo agressivo do poder público. Para prevenir prejuízos, o Estado pode reclamar o direito de controlo ou repressão sobre os comportamentos de risco, a nível da dieta ou da sexualidade. A escolha é óbvia: ou nós moderamos o Estado social ou o Estado social nos modera a nós. Historiador


Publicado por morfeu às 08:09 AM | Comentários (0)

outubro 29, 2006

Mais "inverdades"

Na entrada que coloquei ontem acerca do "Pai Natal morreu", fazia recurso ao Público em primeira página, edição de sábado 28 de Outubro. Como considero este jornal uma instituição idónea, utilizei a respectiva notícia. Na edição de hoje do mesmo jornal surge desmentido por parte do Ministério da Educação. Assim, neste país de" inverdades", ou, este jornal, precipitademente meteu a pata na poça, ou, o ministério efectivamente não disse nada do que apareceu escrito, ou, disse, e desdisse hoje, ou, os sindicatos estão igualmente a manipular... é esta a situação do ambiente educativo em Portugal. Os bons profissionais, que são muitos, sentirão uma enorme vergonha, perante este chorrilho de "inverdades". Haja decência cidadãos!

Ps. Para quem eventualmente estiver interessado, o termo "inverdade" pode ser, à minha responsabilidade, traduzido por mentira.....

Publicado por morfeu às 07:52 AM | Comentários (0)

O pregador de "inverdades"...

"Caso seja eleito, as auto-estradas sem custos para o utilizador, as SCUT, vão permanecer sem custos"... "obras socialistas" ... "não seria agora que, pela mão do PS, as portagens se iriam tornar realidade para os utilizadores".
(José Sócrates, 11 de Dezembro de 2004. Transcrito a partir do "Dito e Feito", josé antónio lima, Sol de 29 de Outubro)

"Todas as SCUT se pagam a si próprias, em termos orçamentais.As receitas a que dão lugar são superiores aos custos. E, portanto, o argumento de que se trata de um encargo pesadíssimo é só para gente leve".
(José Sócrates, debate do OE para 2006, Ibidem)

...sem comentários...

Publicado por morfeu às 07:34 AM | Comentários (0)

outubro 22, 2006

Constatações inevitáveis, apesar de ser domingo.

Agnosticamente conservo uma esteira de sacralidade quando me instalo no domingo. Da longínqua liturgia da missa persiste a nostalgia do encontro em utópica comunidade. Mas não é propriamente disto que quero falar. Hoje, domingo, dia do Senhor, normalmente é para mim ocasião de em esforço de persistência, dar lugar à palavra de alguns comentadores religiosos (caso de bento domingues e anselmo borges). Não pude no entanto resistir em transcrever o seguinte afastando-me momentaneamente desse hábito:

"Se me pedissem para escolher o artigo mais importante desta semana sobre a actualidade política portuguesa, optaria, sem hesitar, pelo de André Freire (PÚBLICO, 16 de Outubro). "É incompreensível que os detentores de capital tenham sido tão pouco chamados a participar nos esforços de ajustamento que afectam os restantes portugueses" - escreve o especialista em ciência política. Para sublinhar que, a partir da análise do OGE, "(...) em matéria de redução das diferenças entre capital e trabalho, o PS parece ter passado do "reformismo" à "resignação", num País, como o nosso, onde no ano de 2005, "os lucros dos bancos aumentaram 30 por cento". O antigo ministro das Finanças da Alemanha Federal, Oskar Lafontaine, explicou, há muito, que a fórmula "moderação salarial", cunhada pelos comentaristas económicos, necessita do contrapeso da referência à "moderação nos lucros" que nunca surge no léxico corrente. "

A "frente Russa" de sócrates
Palcos de discórdia Mário Mesquita(in Público de 22 de outubro de 2006)


Publicado por morfeu às 09:44 AM | Comentários (0)

julho 12, 2006

Quem me confirma esta informação?

... a considerar igualmente a entrevista dada por Juan Mozzicafreddo, na última edição da revista Pública...

Percentagem de funcionários públicos na Europa

Contrariamente àquilo que reiteradamente e enganosamente afirmam os nossos governantes, os nossos Belmiros de Azevedo, os nossos Medinas Carreira, as nossas Fátimas Campos, os nossos iluminados analistas político/económicos que diariamente temos de suportar na televisão e nos jornais e que adulteram com a maior ligeireza os indicadores que manuseiam a seu belo prazer, e que, de repente, tudo sabem sobre a "Função Pública", contrariamente ao que diz esta gentalha, a percentagem de Funcionários Públicos na Europa é bem diferente da mentira que nos vendem esses senhoritos. Ora vejam:

Assunto: PESO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NA POPULAÇÃO ACTIVA:
(Fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)

Suécia ....................: 33,3%
Dinamarca .............: 30,4%
Bélgica ..................: 28,8%
Reino Unido ..........: 27,4%
Finlândia ................: 26,4%
Holanda .................: 25,9%
França ................. .: 24,6%
Alemanha ..............: 24,0%
Hungria ..................: 22,0%
Eslováquia ............: 21,4%
Áustria ...................: 20,9%
Grécia ....................: 20,6%
Irlanda ....................: 20,6%
Polónia ..................: 19,8%
Itália .......................: 19,2%
República Checa .: 19,2%
PORTUGAL ..........: 17,9%
Espanha ................: 17,2%
Luxemburgo ..........: 16,0%

Não há, pois, funcionários públicos a mais. Há sim uma distribuição não correcta, o que faz com que existam sectores em falta e, outros, em excesso. Por exemplo, a reforma da administração pública que é imperioso que seja feita, deverá começar por mudar a realidade dos dados que nos indicam que cada ministro (deste e dos anteriores governos) tem, ao seu serviço pessoal, geralmente requesitado ao sector privado - vulgo "cunhas" -, e sob as suas ordens directas, uma média de 136 pessoas (entre secretários e subsecretários de estado, chefes de gabinete, funcionários do gabinete, assessores, secretárias e motoristas) e 56 viaturas: estamos a falar em CINCO vezes mais que no resto da Europa.

Há "respeitados" analistas, ligados ao mundo empresarial, que querem a diminuição cega dos funcionários, apenas para que as empresas privadas em que, directa ou indirectamente têm interesses, possam ser contratadas para fazer serviços públicos
("Outsourcing") e, assim, elas possam crescer - leia-se encher o bolso à custa do erario público !!

Por último refira-se que: Se serviu para alguma coisa, o «programa dos Prós e Contras» da RTP de 22 de Maio passado, foi que, quando os compadres se zangam, sabem-se as verdades. E a verdade que saiu do programa da RTP foi que temos uma comunicação social corrupta e ao serviço de quem tem muito dinheiro.

Nestes programa, a ideia que mais uma vez a comunicação social vendeu à opinião pública
(a qual foi repetidamente alardeada pela Fátima Campos e seus usuais convidados), foi a da necessidade de 200 mil despedimentos na função pública.

No entanto, como acima está demonstrado pelas estatísticas europeias, resulta claro que somos o 3º país da U. E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.

Assim se informa e se faz política em Portugal.

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O Estado continua cativo de interesses particulares
Clara Viana (Revista Pública de:9/7/006)

P- É uma das poucas coisas que se podem dar como certas em Portugal: ter um Governo que anuncia reformas da administração e sindicatos que, em resposta, avançam para a greve. No passado dia 6 realizou-se mais uma. É uma condenação ou podia ser de outro modo?
R- Diria que se está condenado a ser assim na medida em que se tem de facto de reformar a administração pública. Porque alguma coisa vai ter de se reformar se quisermos manter o actual modelo social. Ora, qualquer reforma, de qualquer sector, afecta os sindicatos porque afecta os seus clientes. Os sindicatos têm legitimidade para negociar, para opinar, mas são apenas um sector da sociedade. A propósito destas reformas há quem fale de revolta das pessoas. Bom, eu diria antes revolta dos sindicatos. Claro que estes representam pessoas, mas hoje menos do que antes e a verdade é que se tornam por vezes conservadores. Não é legitimo que se argumente que o que foi acordado noutras situações não pode ser mexido nunca mais.
P- São os chamados direitos adquiridos.
R- Não existem direitos adquiridos, nunca existiram. Há direitos que são mais estruturantes, como o direito à opinião, à informação, à associação, o conjunto dos direitos cívicos e políticos, mas os direitos de retribuição, os que têm a ver com a recompensa do indivíduo, ou a distribuição da riqueza, são sempre contingentes. Dependem das expectativas, das escolhas, do orçamento. Domínios em que não pode haver nunca algo que esteja adquirido para sempre. O que aqui está em causa são direitos contingentes que dependem das escolhas e das possibilidades orçamentais, mas também da equidade.
P- Equidade entre quem?
R- Em relação aos restantes trabalhadores, a administração pública tem usufruído de alguns privilégios: No que respeita à idade da reforma; em relação ao horário de trabalho, que é menor; e na garantia de não despedimentos. Até 1987, os funcionários públicos também não pagavam impostos. Tudo isto foram direitos negociados que tiveram alguma justificação na época, devido aos baixos salários que então se recebia na administração pública. Mas há aqui uma situação de alguma injustiça em relação aos outros trabalhadores e também em relação a quem paga, ao contribuinte. Soube há pouco tempo que existiam 1400 sindicalistas que são pagos com os meus impostos apenas para serem sindicalistas. O que é inaceitável. Temos assim esta situação em que os sindicatos da função pública vão para a greve, defendendo um privilégio, um benefício que têm em relação a outros e até mesmo benefícios particulares. E com isto perdem legitimidade.
P- Como é que definiria a administração pública em Portugal hoje?
R- Diria que maioritariamente é uma administração pública pouco modernizada, pouco flexível, muito desorganizada e com algum particularismo institucional. Isto quer dizer que muitas decisões não são transparentes, sobretudo aquelas que envolvem mais recursos colectivos. E às vezes não são isentas.
Há muito clientelismo, há muito corporativismo, negoceia-se muito nos bastidores. A administração pública portuguesa é muito clientelar. Por outro lado, no geral presta pouca atenção ao público. As pessoas são mal atendidas, os prazos não são cumpridos. Há uma desconfiança em relação ao utente, que aliás é recíproca.
Mas existem também bolsas de excelência, instituições que trabalham bem, que são uma referência. A Loja do Cidadão foi um exemplo.
P- E um êxito...
R- Foi um êxito por duas ordens de razões: os serviços estão concentrados no mesmo lugar e a loja está aberta das oito da manhã às oito da noite. É um procedimento que se poderia generalizar e que me leva aliás a fazer uma sugestão aos sindicatos e ao Governo. Dizem que há muita gente na administração. Não sei se há ou não. Não se sabe. Pode ser que nalguns sectores haja e noutros não. Mas se há muita gente, qual a razão de termos uma administração que fecha as portas às 16 horas? Porque é que não havemos de ter uma administração aberta das nove às nove da noite? O que podia ser feito através de dois turnos, sete horas de trabalho em cada ou seja, sem aumentar os horários a ninguém. Os funcionários continuariam a trabalhar as suas sete horas e o serviço ao cidadão era ampliado.
P- Há quem defenda que só haverá melhor administração se esta seguir o modelo e a lógica de gestão do sector privado.
R- O que se diz é que a gestão privada gere melhor, o que só por si não é correcto. A gestão privada tem uma lógica da rentabilidade, da eficiência e da eficácia, do lucro e da concorrência. A gestão pública tem outra lógica. Tem primeiro que tudo a lógica da democracia. Tem, em segundo lugar, a lógica das políticas públicas. E em terceiro, a lógica da equidade do tratamento e dos recursos colectivos. Mas isso não quer dizer que não seja eficiente.
Uma administração pública tem que ser eficiente e tem que ser equitativa. Porque uma coisa sem a outra não dá. Por exemplo, a política fiscal em Portugal tornou-se mais eficiente nos últimos anos. Cobram-se mais impostos, a máquina está mais atenta e eficiente nos instrumentos de recolha de dinheiro, mas continua a ser injusta porque são poucos os que pagam impostos. E então qual é a minha posição? É a de que não quero uma máquina eficaz porque já sei que é a mim que virão buscar mais e não a outro. Mas se houvesse uma política fiscal justa, então seria natural tornar-me adepto de uma máquina eficaz.
P- Será que, no geral, as pessoas sentem esta reforma como justa?
R- Ninguém gosta que se lhe imponha mais trabalho ou um congelamento de salários ou de progressão na carreira, quando tal não é aplicado também a quem está ao lado. Qual é a justiça, para um funcionário público, de poder vir a ter uma progressão mais rápida na carreira em compensação por um esforço maior, quando a um gestor público é garantido um bónus de 100 mil euros por ano porque a sua empresa, que é pública, tem rentabilidade?
Diria à partida que é uma situação injusta: para o funcionário público, que não tem essa benesse; mas também para o contribuinte, para o cidadão, porque uma empresa pública que tem grande rentabilidade deveria reverter esse ganho para diminuir os preços ao público e não para aumentar o salário do gestor.
A não ser que haja este princípio pragmático: O.K., há um senhor que está a ganhar muito, mas o que ele faz reverte para o contribuinte. Por exemplo, não me importaria nada que o senhor da Caixa Geral de Depósitos ganhe como ganha se quando for pedir um crédito este seja mais baixo do que no Totta ou no BPI. Porque se é igual, qual é o meu interesse no caso? Perante estas injustiças, as reformas acabam sempre por fracassar.
P- É outra vez também uma questão de equidade.
R- Uma reforma deve ser legal e legítima. Este Governo adoptou já algumas medidas que apontam para um bom caminho. Há já algumas nuances no sentido de uma maior moralidade. Se o critério da equidade for adoptado haverá muito mais cidadãos a aceitar a legitimidade de uma reforma.
P- São numerosos os estudos onde se sublinha que um processo de reforma da administração só pode ser levado por diante com êxito se for feito com as pessoas. Por parte do Governo, este está a ser um processo negociado.
R- Este Governo tem um projecto eleitoral que as pessoas sufragaram, votaram. E esse projecto integrava a reforma da administração pública. Ora, a legitimidade democrática é muito mais importante do que a negociação sindical. Porque o que temos aqui são dois tipos de legitimidade: a democrática, processual; e a funcional, que inclui aquilo que se negoceia entre parceiros. A negocial não pode ser superior à processual sob o risco de cairmos no corporativismo. E a verdade é que a nossa sociedade é ainda muito corporativa.
Dito isto, reafirmo que as pessoas devem ser integradas na reforma da administração pública. Que há um interesse nisso, porque uma grande parte delas sabe como melhorar a administração. E é bom utilizar esse saber. Por outro lado, ao participarem, ao serem integrados nas reformas, ficam mais motivadas, o que faz que o processo seja mais bem aceite e também mais eficaz. Mas é preciso que não nos enganemos: há muita gente que não quer a reforma, porque perde posições com ela. Uma reforma é sempre contra uma situação de status quo.
P- Menos Estado, menos funcionários públicos, terá de ser essa a meta?
R- Penso que o Estado dificilmente será menor. Pode ser melhor, mais democrático, mais transparente, mais eficiente, mas dificilmente será menor. Porque os problemas são cada vez maiores. A administração pública que temos resulta do papel que atribuimos ao Estado. E o papel que se atribui ao Estado na Europa não é igual ao que se atribui na Argentina, nos Estados Unidos ou na Indonésia.
Em Portugal, a função pública aumentou a seguir à revolução de 1974 porque o Estado alargou as suas funções. Sabemos isto, mas não sabemos exactamente quantos funcionários temos. É o nosso primeiro problema. O único recenseamento da administração pública foi feito em 1999. Então haveria 718 mil funcionários, hoje parece que são 740 mil, a avaliar pelos números da caixa geral de aposentações. Já a OCDE fala em 770 mil. Digamos, para simplificar, que existirão uns 750 mil.
P- É muito para um país como Portugal?
R- Portugal é um dos poucos países da Europa dos 15 que mantém uma progressão no que respeita ao custo da administração pública. Este custo é calculado por comparação ao PIB. Só que nós estamos a falar, nestes dados, do PIB formal ou seja, daquele que é declarado. A função pública portuguesa custa grosso modo 20 mil milhões de euros. O nosso PIB é de 160 mil milhões de euros. O que dá os 15 por cento a que se chegou em 2000. Ora, segundo um estudo do Banco de Portugal publicado há dois anos, a economia informal em Portugal corresponde a 23 por cento do PIB. Se adicionarmos esta economia informal ao PIB real, a percentagem do custo da função pública baixa para os 11.9, aproximando-se assim muito mais da média da Europa do 15 que, em 2000, estava nos 10,5 por cento.
Portanto existe também também um problema de contabilidade mal feita. Dirão que tal também é válido para outros países, que em todos há corrupção.É verdade, mas não ao ponto de chegar aos 23 por cento do PIB. A média na Europa está nos oito, nove por cento.
P- O problema então não é ter gente a mais?
R- Não. É ter gente que trabalha de maneira desorganizada, dispersa, com horários muito reduzidos e concentrados.É um problema de cativação do Estado por interesses particulares. É um problema de escolhas e do que se entende de facto como sendo o interesse público. Diria em jeito de metáfora que o interesse público é como o amor, depende das circunstâncias, do tempo, dos parceiros. Ou seja, não há um interesse público definido para sempre. Nada é adquirido. Como defini-lo então? Avaliando a função social, a função de integração, a função de mérito e a função de custo. Justifica-se, por exemplo, que o Estado detenha a TAP? Eu diria que não. E a EPUL? Para quê, se não tem casas mais baratas, se é de difícil acesso e se não regula o mercado, embora fosse essa a função para que foi criada? É igual a uma qualquer outra empersa privada, só que na EPUL estarei a pagar duas vezes: pela casa e pelo funcionário.

Perfil
Juan Mozzicafreddo, 61 anos, É coordenador científico do mestrado em Administração e Políticas Públicas do ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, que vai entrar na oitava edição.
De origem argentina, fez a agregação em Sociologia, no ISCTE. É doutorado em Ciências Políticas pela Université de Montpellier I. Fez um mestrado, também em Ciências Políticas, na Université Catholique de Louvain. A licenciatura, na mesma área,
é da Universidad del Salvador.
Investigador do Centro de Estudos e Investigação de Sociologia do ISCTE, é autor, entre outras obras, de "Estado- Providência e Cidadania em Portugal", "Gestão e Legitimidade no Sistema Político Local" e "Administração e Política Perspectiva de Reforma da Administração Pública na Europa e nos Estados Unidos".


Publicado por morfeu às 08:59 PM | Comentários (16)

abril 29, 2006

Fatwa à portuguesa...adenda.

"Os tolos quando são muitos sentem-se menos tolos. Mas não são tolos por acaso. É que durante muitos anos os tolos de cá fizeram comédia e chicana com os tolos de lá da Madeira. E eles não gostaram. Então, um tolo um bocadinho menos tolo descobriu que sendo mais bobo e menos tolo tinha poder dos tolos para ser ainda mais tolo. Fazia parte do seu destino. E os tolos quiseram acreditar porque todos juntos se sentiam menos tolos. E riem que se fartam.Não precisam de cravos vermelhos, Já têm orquídeas que cheguem, turistas ingleses e uma excelente poncha. Para quê complicar as coisas? Seria uma tolice.Pena é que continuem a ser tolos como eram. Afinal acreditaram de vez.Este é o resultado de três anos a viver no meio de tantos tolos.Porque ainda era mais tolo do que eles, vim-me embora. E assim, perdi uma oportunidade de continuar a rir com tanta tontaria. Mas tenho saudades porque aqui nunca mais me ri. Afinal, também cá e por aqui, é um fartar vilanagem".
Dinkie

(Comentário recebido, acerca do post "...A.J.Jardim e a adopção de uma fatwa contra...", de 27 de Abril, que pode consultar caso queira e tb botar opinião, sarcasmo, escárnio, maldizer...mas atenção não exagerem pois ainda não chegámos à Madeira...)

Publicado por morfeu às 07:03 AM | Comentários (2)

abril 25, 2006

É possível ser livre livre livre...

vintecinco.bmp

Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre


Publicado por morfeu às 08:54 AM | Comentários (4)

fevereiro 23, 2006

De Agostinho da Silva para todos os "minus",,,ministros!

"A primeira tarefa essencial que existe para todos os portugueses não é a da política; ela seguirá, pelo menos nos próximos tempos, rumos em que pouco poderemos influir, tanto da parte de quem governa ou, de algum modo, detém poder, como do lado de quem dele está excluído." Além de que "só se pode imperar quando se serve, e ministro algum é bom quando uma e outra vez se não repete a si mesmo que lhe vem o nome de valer "minus" ou menos, e que pertence o magistério aos outros, aos que são "magis" ou mais."
(In Público de 23 de Fevereiro de 2006, Luís Costa )

Agostinho e a política
Luís Costa Pano para Mangas

Escreveu duas centenas de obras dos mais variados géneros e produziu outros tantos trabalhos nas mais diversas áreas do conhecimento. Produziu artigos sobre temas tão distintos como a filologia, a arte, a entomologia ou a literatura, e fez traduções do grego, do latim, do árabe, do hebreu, do dinamarquês, do russo, do alemão, do inglês, do francês ou do espanhol. E era reconhecido especialista em filologia românica e literatura portuguesa, mas também nas mais improváveis histologia do sistema nervoso, cartografia ou paleontologia.
Da Europa à Ásia, passando por África e pela América do Sul - sobretudo pelo Brasil - fundou universidades (Paraíba, Santa Catarina, Goiás, Brasília) e múltiplos centros de estudos (em Lisboa, na Baía, no Lobito, em Lourenço Marques, em Tóquio, em Adis Abeba...).
Foi, provavelmente, um dos mais cultos cidadãos portugueses do século passado, verdadeiro criador da CPLP, e com certeza um dos que mais contribuíram para o nosso engrandecimento colectivo, rasgando fronteiras, dando literalmente a volta ao mundo e deixando raízes profundas em todos os sítios onde leccionou - que sendo tantos serão exaustivos de enumerar.
Dele, que por estes dias teria cumprido 100 anos de idade, a maioria dos portugueses guardará sobretudo a imagem de um velho sábio de longas barbas brancas que, nas aparições televisivas que marcaram os seus últimos anos de vida, nos brindava com tiradas desconcertantes, ensinamentos heterodoxos e reflexões surpreendentes.
Muito mais do que se notabilizar pelos trabalhos desenvolvidos "como latinista ou filólogo, professor, educador, divulgador ou conferencista, ensaísta, tradutor, poeta ou biógrafo, ficcionista ou entomólogo, matemático, geógrafo ou geómetra, físico ou estudioso de medicina, filósofo ou metafísico, relojoeiro, ceramista ou pintor" - como escreveu recentemente Helena Maria Briosa e Mota, que está a ultimar uma tese de doutoramento sobre a sua obra pedagógica, na revista O Tripeiro -, ele "ficará na memória dos portugueses do século XX como exemplo inatacável de alguém que não tergiversa nem se demite do que assume como foro de imperativo ético".
Apesar das opiniões alheias que sempre suscitou, nem sempre as mais simpáticas e justas, e muitas delas proferidas em surdina pusilânime - sobretudo quando oriundas de um meio académico demasiado convencional e comezinho como ainda é o nosso --, era difícil que alguém ficasse indiferente à sua personalidade única.
Ele, de quem se tem estado a falar, chamava-se Agostinho da Silva, e infelizmente o país onde nasceu não esteve à altura da sua imensa dimensão humana, científica e pedagógica. Nem tão-pouco agora, que a rara oportunidade do centenário do seu nascimento proporcionava uma comemoração mais apropriada.
E porque hoje prescindi do habitual comentário político desta coluna para falar de Agostinho, ao menos que ele me ajude a não fugir demasiado da temática costumeira: "A primeira tarefa essencial que existe para todos os portugueses não é a da política; ela seguirá, pelo menos nos próximos tempos, rumos em que pouco poderemos influir, tanto da parte de quem governa ou, de algum modo, detém poder, como do lado de quem dele está excluído." Além de que "só se pode imperar quando se serve, e ministro algum é bom quando uma e outra vez se não repete a si mesmo que lhe vem o nome de valer "minus" ou menos, e que pertence o magistério aos outros, aos que são "magis" ou mais."
Nem mais. Jornalista


Publicado por morfeu às 07:42 AM | Comentários (1)

fevereiro 08, 2006

Sobre a Ibéria...adenda.


...tirando estes "nós" perdidos que por aqui amavelmente transitam, pelos vistos em termos oficiais e mediáticos, ninguém passou cartão ao nosso Nobel. Ou ele disse grossa asneira, o que duvido, tendo em conta o domínio do seu dizer, ou, sobranceiramente tudo continua no ramerame da indiferença...quero lá saber se sou portuga ou castilha ou...eu quero é SER!..........

(Vd. entrada de 1 de Fevereiro)

Publicado por morfeu às 07:24 AM | Comentários (0)

janeiro 24, 2006

Da metafísica da vaca a uma particular economia metafísica...sugiro.

Quem me dera ser uma vaca japonesa!...
(Mia Couto, Mais, Maputo (In Courrier International,nº 42)

(...) Fiquemos com um primeiro facto: uma vaca europeia recebe dois euros diários por via dos referidos subsídios. Uma vaca japonesa recebe 5,7 euros. Milhões de pessoas, entretanto, vivem com 82 cêntimos de euro por dia.(...)

Os subsídios para agricultores europeus e norte – americanos foram tema do encontro da Organização Mundial do Comércio, em Hong Kong. Parece assunto para economistas. Não é. Tem que ver com todos nós.
Há décadas que somos confrontados com a produção subsidiada de vegetais e de carne dos agricultores europeus e dos EUA. Numa palavra: fomos aceitar a lógica do mercado livre, mas esse princípio só vale para uns. O proteccionismo continua a ser válido desde que beneficie os próprios países ricos.
Fiquemos com um primeiro facto: uma vaca europeia recebe dois euros diários por via dos referidos subsídios. Uma vaca japonesa recebe 5,7 euros. Milhões de pessoas, entretanto, vivem com 82 cêntimos de euro por dia.
Uma segunda questão: será que esses subsídios vão para o agricultor pobre da Europa? Admire-se o leitor incauto. O príncipe Alberto do Mónaco não será um camponês pobre. Mas ele (juntamente com a rainha Isabel de Inglaterra) figura entre os 58 agricultores mais beneficiados pela chamada PAC (Política Agrícola Comum) da União Europeia.
A terceira questão é uma pergunta: o leitor sabe o que é o dumping? Pois eu não sabia. Aprendi o conceito quando seguia a intervenção da malawiana Irene Banda na referida reunião em H.Kong. Pois o «dumping» consiste na fixação dos preços abaixo dos custos de produção para liquidar a competição. Isso está sendo feito, por exemplo, para o algodão. Os produtores de algodão em África enfrentam essa gigantesca imoralidade. Vamos ver como.
Com uma primeira ressalva: ao falar de algodão não nos referimos a um produto. Falamos, sim, de 20 milhões de africanos que dependem da sua produção. Não é, como se pode ver, um assunto para economistas. O algodão é um bom exemplo de como as distorções comerciais e o tal «dumping» falsearam as normas do relacionamento entre países.
Os reflexos desta injustiça mostram como podemos entender a chamada «ajuda» dos chamados «doadores». Em cinco anos, 25 mil produtores dos E.Unidos receberam 9,8 mil milhões de euros em subsídios. Ao mesmo tempo devido a uma descida brutal dos preços dos produtos, mais de 10 milhões de agricultores africanos sofreram uma dramática queda de rendimentos. Em 2001, a ajuda financeira dos EUA ao Mali foi de 31 milhões de euros. O país perdeu por causa desta política proteccionista cerca de 35,4 de euros. O «dumping» do milho nos EUA representa para países como as Honduras, Equador, Venezuela e Peru a perda de 3,3 mil milhões de euros por ano.
A conclusão pode ser apenas esta. Nós, pobres do Terceiro Mundo, pedimos aos ricos o seguinte: não nos dêem mais. Basta que não tirem mais.

Mia Couto, Mais, Maputo (In Courrier International,nº 42)

Publicado por morfeu às 10:20 PM | Comentários (5)

janeiro 23, 2006

Sócrates, especialista em punhaladas...

...já era para ter posto um final a algumas intervenções poético-políticas e passar aquilo que melhor saiba fazer. Mas...num último acesso de deselegância, Sócrates, 1ª Ministro desta inefável nação, voltou a apunhalar M. Alegre: sobrepondo a sua intervenção televisa ao seu correlegionário de partido não fez mais do que simbolicamente apagá-lo do mapa momentâneo...afinal desferir-lhe uma última punhalada...oxalá que um dia tenha de andar a correr por um campo de batalha fictício berrando "O meu reino por um cavalo"...como Shakespeare já lhe vaticinava em Ricardo II ... Ámen!

Publicado por morfeu às 09:18 AM | Comentários (5)

janeiro 17, 2006

Esta semana fico por aqui...

...com a finalidade de conceder relevância à minha opção poética e cívica no voto em Manuel Alegre, decido deixar bem evidente o post anterior para quem queira inspirar-se...até domingo e viva a Democracia!

Publicado por morfeu às 08:32 PM | Comentários (1)

janeiro 15, 2006

De todos os demais o único Alegre...

manuel.jpg

Porque me alegra a poesia que assenta em abençoada loucura
Porque do certo incerto
Do esperar desesperar engano
Já grande medida tenho
Eu
Que acaricio as palavras sempre que o afecto acorda
Com muito e esforçado denodo
Quero como Outros
reiterar
Que não é pelas costas apunhaladas mas frontalmente
Que a luta diversa se faz
Assim
Porque os afectos emergem nesta tarde cinzenta
Aqui deixo em palavras que quero verticais
O meu apelo
O meu voto
Pelo
Manuel
De todos os demais
O único
Alegre…

Publicado por morfeu às 04:41 PM | Comentários (9)

dezembro 27, 2005

Dez milhões pelos presidenciáveis???

Dez milhões...será de repensar este "esquema" político em relação ao qual se me afiguram reservas. Dir-me-ão que é em defesa da imparcialidade e da isenção: nos tempos difíceis que não "todos" de nós passamos, parece-me haver falta de pudor na exibição destes gastos, alguns deles em propaganda e publicidade perfeitamente dispensáveis...dez milhões...chiça!

Publicado por morfeu às 08:47 AM | Comentários (1)

dezembro 03, 2005

O Edificante e paradigmático exemplo de Suas Excelências "Os Deputados"...

...não quero que isto se afigure a um discurso miserabilista e de ressentimento...mas quem apanha porrada tem o direito de se defender...todos sabemos que o país está com dificuldades e tem sido cortar com argumentos de que tem de ser assim...AGORA, que Suas Excelências, Os Deputados desta nação, tenham um sistema de subsídio de viagem nem sempre transparente, isso é que pode revelar-se escandaloso. Sugiro aos meus amigos e ilustres visitantes que leiam o último número da Visão e tirem as respectivas conclusões! Chateia-me ser assim, mas a moral é para todos...tá bem???...........
Morfeu

Publicado por morfeu às 11:04 AM | Comentários (1)

dezembro 01, 2005

46 deputados faltam na aprovação do orçamento...

toda a oposição votou contra
Faltaram 46 deputados à votação do Orçamento

(in Jornal Público)

...faltarem 46 deputados a uma sessão que se me afigura importante, é muito ou pouco? Quando se exibem estatísticas das faltas dos professores - que convenhamos têm que adquirir dentro do possível uma outra postura - é grave ou não é grave? Alguém mais informado do que eu que me esclareça e diga de sua justiça.

Ps. Já agora, algué tem acesso ao número de faltas dadas no Parlamento?...

Publicado por morfeu às 09:37 AM | Comentários (2)

novembro 26, 2005

Os eucaliptos à presidência...bora lá! sugiro...

Eucaliptos áridos e presidenciáveis

Publicado por morfeu às 01:59 PM | Comentários (2)

Os eucaliptos à presidência...bora lá! sugiro...

Eucaliptos áridos e presidenciáveis

Publicado por morfeu às 01:59 PM | Comentários (2)

A Paz não é notícia...sugiro

As operações de paz não são notícia, mas funcionam
Gareth Evans

Quando se assinalam os dez anos dos acordos de Dayton que acabaram com a guerra na Bósnia, pode parecer a muitos que o mundo não aprendeu realmente muito, nessa altura ou desde então, sobre como evitar e resolver conflitos sangrentos. Com os noticiários todas as noites repletos dos números de baixas no Iraque, dos motins em França, das bombas na Jordânia, de combates no Afeganistão e dos pesadelos permanentes em África, não parece existir muito espaço para optimismo.
Mas existe. (...)

(In: Jornal Público de 26 de Novembro)

Ao contrário do que quase toda a gente pensa instintivamente, tem havido uma diminuição dramática no número de conflitos, menos 40 por cento desde o início dos anos 1990. Em 2004, havia em curso apenas 25 conflitos secessionistas armados, o número mais baixo desde 1976, de acordo com o Human Security Report 2005, um novo estudo multigovernamental meticulosamente documentado (www.humansecurityreport.info).
O mesmo relatório afirma que o número de massacres diminuiu 80 por cento desde o final dos anos 1980. E, em todo o mundo, tem havido um aumento espectacular no número de conflitos internos resolvidos não pela força mas por negociação - como este ano na província de Aceh.
Há muitas razões para estas reviravoltas. Incluem o fim da era do colonialismo, na sequência do qual se geraram dois terços ou mais de todas as guerras entre as décadas de 50 a 80 - o fim da guerra fria implicou que Washington e Moscovo deixassem de travar conflitos através de interpostos antagonistas e também apressou o termo de uma série de governos autoritários que os dois lados tinham mantido e que tinham gerado ressentimento e resistência interna significativos.
Mas a melhor explicação é a que nos olha de frente: o enorme aumento dos esforços internacionais para impedir, gerir e resolver conflitos.
As melhores histórias são as que não chegam aos telejornais da noite: os cães que nunca ladraram. Usando as lições difíceis aprendidas nos dias desastrosos do princípio dos anos 90 em lugares como a Bósnia, o Ruanda e a Somália, a comunidade internacional está hoje muito melhor do que nunca na prevenção de conflitos. Entre 1990 e 2002, o número de missões diplomáticas da ONU destinadas a impedir guerras antes de elas começarem aumentou seis vezes, segundo relatório da Human Security. Embora sejam por vezes um instrumento imperfeito, as sanções económicas contra regimes que cometeram abusos aumentaram 11 vezes entre 1989 e 2003. Acção atempada e sensível em locais como o Burundi, a Indonésia e a Macedónia levou uma grande parte das opiniões públicas a esquecer que estes foram países que recentemente abandonaram a via da violência em larga escala que seguiam no passado.
A recente eleição presidencial na Libéria foi resumida em muitos lados a uma notícia sobre pessoas a votarem em paz depois de anos de carnificina. Mas só uma bem sucedida missão de manutenção de paz fez com que assim acontecesse.
Uma nova e catastrófica guerra civil parecia pronta a eclodir na Somália este ano, com uma decisão errónea de governos vizinhos de intervirem militarmente em apoio de um dos lados numa disputa política interna. Mas organizações como o International Crisis Group fizeram soar o alarme e houve um frenesim de actividade diplomática em Nairobi, Addis Abeba e Nova Iorque. Prevaleceu o bom senso, não houve intervenção, não houve guerra - e, porque "nada aconteceu", ninguém reparou.
Por cada bomba que explode à beira de uma estrada em Bagdad, os contingentes de manutenção da paz em locais como a Bósnia, o Kosovo, Timor-Leste e Serra Leoa fazem discretamente o seu trabalho, que agora parece quase rotina. Entre 1998 e 2004, o número de operações de manutenção de paz da ONU mais do que duplicou.
Organizações regionais na Europa, nas Américas e em África também se tornaram muito mais afirmativas nas suas tomadas de posição contra abusos intoleráveis contra civis, ajudando a limitar conflitos antes que estes fiquem fora de controlo.
Max van der Stoel, antigo comissário europeu para as minorias nacionais, merece o Prémio Nobel da Paz por impedir que pelo menos uma dezena de importantes conflitos de origem étnica tenham eclodido na Europa, dos Bálticos à Roménia.
Uma das lições dos Balcãs que não deve ser esquecida é a de que a comunidade internacional pode ser eficaz, quando trabalha em conjunto. Antes de os Estados Unidos e a Europa coordenarem a sua abordagem à questão da Bósnia, a situação era uma confusão, a resposta internacional era ineficaz e o mundo olhava para um Estado falhado e sem lei no meio da Europa. Quando os dois lados do Atlântico puxaram para o mesmo lado, as coisas mudaram dramaticamente.
Tem havido também um consenso emergente sobre a responsabilidade da comunidade internacional em proteger civis que correm risco grave. Isto ajudou a encurtar o fosso entre os que querem defender princípios tradicionais da soberania do Estado e os que afirmam um direito internacional de intervir em crises humanitárias.
Ainda não podemos afirmar que atingimos, como comunidade internacional, algo semelhante a um consenso sobre como e quando deve ser iniciada qualquer intervenção, e sob a autoridade de quem. E, enquanto o desacordo continua, há pessoas que continuam a morrer. Mas pelo menos estamos a discutir.
Continua muito por fazer em todo o mundo em lugares como o Iraque, o Sudão e o Congo, mas há de longe mais boas notícias a celebrar do que aquilo que se tem consciência. Num mundo que é com frequência incerto, as vidas de milhões de pessoas estão agora muito mais seguras do que eram há apenas uma década.

Gareth Evans, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália (1988-1996), é presidente e director executivo do International Crisis Group
Exclusivo PÚBLICO/Los Angeles Times

Publicado por morfeu às 11:05 AM | Comentários (0)

novembro 07, 2005

Votar porque se "quer" e não porque nos "mandam"...sugiro

...era gente entusiasta, que estava ali não de um forma resignada, por obrigações partidárias, mas apenas porque queria. E isto de estar por se querer é contagiante. (...)

Manifestos
Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte
(In: Jornal Público, 8 de Novembro de 2005)


Dir-se-á que, enquanto apoiante de Manuel Alegre, sou suspeito. Mas a sessão no Altis de apresentação do manifesto foi para mim uma verdadeira surpresa. Em primeiro lugar, porque a sala absolutamente à cunha tinha uma característica muito visível: era gente entusiasta, que estava ali não de um forma resignada, por obrigações partidárias, mas apenas porque queria. E isto de estar por se querer é contagiante. Daí a alegria, o dinamismo, a energia que ressaltava da cerimónia. E contudo as coisas decorriam de uma forma séria e composta, com indiscutível sentido de Estado. Em termos de organização, sempre tão difícil de conseguir, estava-se num plano exemplar.
Em segundo lugar, pela forte presença de militantes PS. É verdade que as proibições de Jorge Coelho foram o melhor incentivo. Mas todos os militantes do PS que ali estavam começavam por afirmar que eram gente com ideias que a ligavam a um partido, mas que isso não os impedia de serem gente livre, e cidadãos ansiosos por participarem. O que provocava reacções de reconhecimento recíproco sempre gratificantes.
Em terceiro lugar, o manifesto. A sua leitura atenta (e é preciso uma leitura atenta para evitar as baboseiras de um Vasco Pulido Valente, para quem cada vez mais a eleição deveria ser entre ele próprio candidato e ele próprio eleitor, naquilo que é um esforço patético para ser original na arena do circo que inventou) mostra que Manuel Alegre soube encontrar o registo certo, ultrapassando a retórica anti-cavaquista de Soares e o programa de um primeiro-ministro de Cavaco, além das banalidades já antigas de "os ricos que paguem a crise" do PCP e do BE.
Alegre tomou posição em relação a níveis fundamentais da estrutura social: a igualdade mulheres/homens e as dificuldades de uma sociedade multicultural. Alegre reenquadrou o programa económico de combate à crise sem o pôr em causa: salientou (distinção importante) a diferença entre a precariedade de emprego e a sua flexibilização; afirmou que a manutenção da equidade social não é apenas o resultado do desenvolvimento, mas também uma condição desse desenvolvimento; acentuou a necessidade de manter os direitos sociais que vêm na Constituição, pelo menos como linha de rumo e horizonte regulador; acentuou a necessidade de mudar o que faz mudar: economia do conhecimento, revolução tecnológica, formação científica, etc..
Marcou a importância de o Presidente da República impulsionar um pacto como resposta global à crise. Mostrou as dimensões não apenas económicas, mas culturais e éticas da actual crise. E defendeu, não por oportunismo mas por uma muito arreigada convicção, o orgulho patriótico. Pode-se ter uma tendência mais europeísta e cosmopolita (é o meu caso). Mas entende-se como, nas presentes circunstâncias, é importante dar relevo a aspectos desta ordem. E o entusiasmo da sala mostrou que ia ao encontro de um sentimento profundo. Professor universitário, membro da comissão política da candidatura de Manuel Alegre

Publicado por morfeu às 09:07 AM | Comentários (5)

outubro 28, 2005

Pulhas e Manhosos...sugiro

... Estou mesmo chateado...

Publicado por morfeu às 06:16 AM | Comentários (4)

outubro 25, 2005

Onde está a verdade, o injusto, o absurdo...Srº 1ºM ?...

...eu não quero ser injusto, ou absurdo, mas lendo as declarações do nosso primeiro ministro, e lendo também os comentários, principalmente o 3º, fico realmente com dúvidas. Afinal quem assiste na saúde ao Srº 1º Ministro..."só sei que nada sei"(Sócrates)

Publicado por morfeu às 05:34 PM | Comentários (4)

outubro 22, 2005

Eles não sabem que o sonho...

...pelo sonho, pela poesia, pelo diferente na política, pelo...o meu voto é para M.Alegre!

Abaixo el-rei Sebastião

É preciso enterrar el-rei Sebastião
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e na canção
a guitarra fantástica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que está morto.
Deixai em paz el-rei Sebastião
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

Manuel Alegre


Publicado por morfeu às 12:28 PM | Comentários (6)

agosto 15, 2005

Ah Pátria madrasta...sugiro

...sou do tempo aparentemente longínquo mas insistente,
em que o horizonte da sobrevivência se olhava de assalto
de salto...tempo de sofrimento caminhado,fugitivo, enganado, perdido em nenhures, pelos campos e desfiladeiros da necessidade de fuga a este país miserável...

Os emigrantes continuam a queixar-se da forma como são tratados.Daí a sugestão de lêr a reportagem do jornal público de hoje sobre o assunto...ah pátria madrasta...

Emigrantes acham que Portugal não os recebe bem
Ana Cristina Pereira


Conselheiros das comunidades portuguesas notam algum ostracismo

Portugal não sabe acolher os portugueses que o visitam no Verão. Talvez porque não tem noção da importância estratégica da diáspora, defendem conselheiros das comunidades ouvidos pelo PÚBLICO.
"Devíamos receber os políticos que nos visitam da mesma maneira que nos recebem aqui, talvez entendessem que algo está mal", considera, "frustrado", José João Morais conselheiro das comunidades portuguesas dos EUA. É como se houvesse "portugueses de primeira e de segunda".

O turismo é um sector importante para a economia portuguesa - pela receita que gera, pela mão-de-obra que ocupa e pelos efeitos que induz. "Era bom fazer um estudo", diz Morais: saber quanto turismo corresponde a estrangeiros que estão a descobrir o país e quando é um reflexo da saudade.
O Instituto Nacional de Estatística não filtra essa informação, a Secretaria de Estado das Comunidades também não, tão-pouco a do Turismo. A tarefa é complexa, implica cruzamentos de dados que nem sempre existem. Uns vêm de avião, outros de carro. Uns têm nacionalidade portuguesa, outros já não ou ainda não. A maior parte fica com familiares ou em casa própria.

Na altura em que milhares de emigrantes visitam Portugal, há serviços públicos que fecham ou enfrentam redução de pessoal. Famosas são as confusões nas repartições de finanças do nordeste transmontano (por causa das tributações de património numa zona marcada pelo minifúndio).

Críticas à diplomacia

A forte afluência a serviços como o registo civil é também um sintoma do que se passa no exterior. "Falta uma diplomacia ao serviço dos portugueses", acusa Fernando Pinhal, conselheiro eleito por Espanha. "A diplomacia olha para os emigrantes de forma altiva, temos de tirar o chapéu, falar baixinho, não incomodar, como se tivéssemos ao seu serviço", achega José Machado, presidente da Federação das Associações Portuguesas de França (FAPF).

A diáspora, estimada em perto de cinco milhões, não cessa de aumentar. "O anterior Governo fechou consulados, aumentou emolumentos consulares, liquidou delegações regionais", queixa-se Machado. Regulamentou um serviço de apoio nas câmaras, mas o efeito tarda. As pessoas sentem-se desorientadas no oceano burocrático nacional. "O Governo quer que a gente venha, deixe a poupança, faça o investimento e vá embora", diagnostica José Verdasca, actual presidente da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil.

"Há um conjunto de estigmas conotados com a emigração, historicamente associada à pobreza", analisa Miguel Monteiro, coordenador do Museu da Emigração e das Comunidades. "Coloca-se o emigrante no lugar mais básico."

Persiste, no imaginário nacional, a ideia do inculto que vem de férias em Agosto e acelera num carro vistoso com música pimba aos altos berros. Não são portugueses residentes no estrangeiro. São "emigras", "avecs", "espanholitos", "miras".

Aproveitar a diáspora
"Há mais exemplos de sabedoria espalhados pelo mundo fora do que no continente português", sublinha Morais. Quem saiu, "teve de saber sobreviver". Ele saiu de Chaves aos 17 anos e possui uma empresa de construção civil "com mais de 400 empregados" nos EUA. Lamenta que esses não sejam os exemplos conhecidos e reconhecidos.
As comunidades mudaram muito nos últimos anos. Só em França há "160 mil reformados". Machado vê com tristeza o enfraquecimento do associativismo, mas há outras consequências. Segundo o Banco de Portugal, as remessas contabilizaram 2,4 mil milhões de euros o ano passado, representando 1,8 por cento do PIB; em 1996, eram 3,2 por cento.

O apego dos pais é "forte", quase irracional. "Talvez por Portugal ser tão velhinho" arrisca Machado. "Não podemos pensar que o bisneto vai continuar agarrado a Portugal, mas temos de apostar no ensino da língua e da cultura portuguesa", até por uma "questão estratégica".
A diáspora "é uma coisa que o país tem de graça e não tem sabido aproveitar", sentencia o conselheiro dos EUA. O Estado só há pouco começou a encarar as comunidades como um instrumento de cooperação e difusão da cultura portuguesa. É preciso ir mais longe.

"O Governo devia saber que quem come e bebe os produtos portugueses no estrangeiro são os portugueses."

Para Machado, há um factor determinante que leva a um certo ostracismo: "Os políticos tentam ocultar o fenómeno, a emigração é uma carga pesada, é uma prova da incapacidade que eles têm de gerir o país." A culpa, diz, também é da comunicação social, que "só quer saber dos emigrantes em Agosto".

Publicado por morfeu às 09:29 AM | Comentários (4)

julho 30, 2005

A solidão das punhaladas pelas costas...ai...ai...

...eu não pesco nada dos mentideros políticos...mas lá que não gostei nada do que li sobre a candidatura de M.Alegre e Mário Soares, no Expresso de hoje...

Soaresantonioexpresso.jpg
Com a devida vénia ao jornal expresso e ao seu incontornável caricaturista António...

Alegre ressentido com Soares e o PS
‘Sei que estou sozinho’

Numa metáfora evidente à situação que ele próprio vive no PS, onde depois de assumir a disponibilidade para se candidatar a Belém viu Mário Soares passar-lhe à frente e colocar-se na linha de partida, Alegre escreve: «Sei muito bem que estou sozinho. Mas enquanto me bater a guerra não está perdida (...) É a guerra de um homem no meio do seu quadrado. Um homem que se bate, talvez em sonho, porque tudo é sonho (...) Não há outro sentido senão este. Lutar até ao fim. Um homem não se rende. Não seria bonito. Seria, aliás, uma falta de educação».

É assim, neste tom magoado - mas para quem mais vale quebrar que torcer -, que Alegre se refere metaforicamente ao que neste momento sente e ao sonho, que alimentou, de ser o candidato da esquerda à Presidência da República.

Sondado para o efeito por José Sócrates há mais de dois meses, com quem aprazou para finais de Julho uma conversa definitiva sobre se aceitaria ou não candidatar-se a Belém, Alegre foi sendo empurrado por vários sectores socialistas mas nunca sentiu um grande entusiasmo por parte da direcção do partido. Jorge Coelho, por exemplo, nunca falou com ele. E, há cerca de três semanas, Alegre soube que Soares estava na corrida através de um dirigente de outra força política.

Na altura, falou com Sócrates mas a conversa não foi elucidativa. Poucos dias bastaram, porém, para que o líder socialista lhe comunicasse que era verdade, tentando convencê-lo a apoiar Soares. Indignado, Alegre fez o contrário: disse-se disponível para defrontar Cavaco Silva. Mas era tarde demais.

Entretanto, Mário Soares partiu para férias para o Algarve com prioridades na agenda: tomar o pulso ao país, dar atenção às sondagens e, sobretudo, cativar para o seu lado gradas figuras do centro político. Com o apoio da esquerda garantido - tanto o PCP como o BE deverão ter candidatos próprios mas para desistirem na recta final -, Soares tenta antecipar-se a Cavaco Silva nos apoios ao centro e deverá consultar todas as personalidades que, há dez anos, aceitaram integrar os órgãos sociais da sua Fundação.

Banqueiros como Artur Santos Silva, Raul Capela ou Jardim Gonçalves, empresários como Ilídio Pinho, Belmiro de Azevedo, Américo Amorim e Vasco e João Pereira Coutinho, e figuras do PSD como Pinto Balsemão, Rui Machete e Miguel Veiga, constam da lista. Segundo um colaborador do ex-Presidente da República, «essas são pessoas que o dr. Mário Soares seguramente contactará».

Até meados de Setembro, Soares anunciará a sua decisão. Aos mais próximos, já comunicou que, se ganhar, só fará um mandato.

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«Sei muito bem que estou sozinho. Mas um homem não se rende.»

NÃO sei ao certo em que guerra estou. Todos os dias a esta hora, seis da tarde, começo a ser cercado por tropas que não vejo. Sinto-as perto de mim, sei que estão à minha volta, mas não vejo ninguém. Só os tiros, as rajadas, os «rockets». Por vezes pegam no megafone e dão-me ordem de rendição:
- Estás sozinho, dizem. És um soldado sozinho numa guerra que há muito está perdida.
O problema é que não sei sequer que guerra é. Não sei quem me vestiu esta farda, nem quem me mandou para aqui e me pôs uma arma nas mãos. Munições não me faltam, nem rações de combate, nem água. Todos os dias sou reabastecido. Mas também não sei por quem. Não sei tão pouco quem são os meus, nem por que país ou causa estou a combater, se é que combato pelo que quer que seja. Defendo este reduto. É o meu quadrado. Talvez não tenha sentido estar aqui a defendê-lo, mas se o perdesse eu próprio me perderia. O único sentido, que talvez não tenha grande sentido, é defender este quadrado. Até à última gota de sangue, como há muito, na recruta, me ensinaram. Por isso não me rendo. Por mais que me intimem e me intimidem continuarei a resistir. Não propriamente por razões militares ou morais. Digamos que por razões estéticas. Um homem não se rende. Talvez seja por isso que estou aqui, não sei ao certo onde nem desde quando, talvez desde sempre, no meio de um quadrado, cercado e sozinho, mas não vencido.
Algures alguém me reabastece. Algures sabe que não me rendo.
Todos os dias, pelas seis da tarde, aperta-se o cerco. Todos os dias, à mesma hora, me coloco em posição. É estranho que não me acertem, verdade seja que também não sei se alguma vez atingi o inimigo, se assim lhe posso chamar. Chego a perguntar-me se não é sonho, se tudo não é apenas um pesadelo e se de repente não vou acordar.
Seja como for, a guerra continua. Em sonhos ou não, continua. São quase seis da tarde e sinto que eles se aproximam. Todos os dias é assim, todos os dias defendo o meu quadrado.

- És um homem sozinho e a tua guerra está perdida, gritam eles.

Sei muito bem que estou sozinho. Mas enquanto me bater a guerra não está perdida, ainda que se me perguntassem que guerra é eu não soubesse ao certo responder. Diria talvez que é a guerra de um homem no meio do seu quadrado. Um homem que se bate, talvez em sonho, porque tudo se calhar é sonho. Sonho de um sonho, lembro-me de ter lido algures. Que importa? Sonho ou não, eles aí estão, tenho de defender o meu quadrado, não há outro sentido senão este, lutar até ao fim, um homem não se rende, não seria bonito, seria, aliás, se me permitem, uma falta de educação, uma grande falta de educação.
(Este texto faz parte do novo livro de contos a editar proximamente)


Publicado por morfeu às 12:52 PM | Comentários (7)

março 09, 2005

AH! Ganda Freitas do Amaral...sugiro

Ganda Freitas

Freitas comparou métodos de Bush com nazismo

O indigitado ministro dos Negócios Estrangeiros referiu várias vezes os fascismos europeus para criticar os métodos da Administração Bush no desrespeito pelo direito internacional
Ana Sá Lopes in Público

"O homem que José Sócrates escolheu para principal interlocutor diplomático com os Estados Unidos tem sido, nos últimos anos, um dos mais violentos críticos da Administração Bush, da guerra unilateral e do tratamento dispensado aos prisioneiros em Guantánamo.
Para Freitas do Amaral, a "extrema-direita legal" na América, que acompanhou Bush na Administração, é composta por "nacionalistas exacerbados" que advogam que os EUA não têm a obrigação de respeitar o direito internacional: "O mesmo pensavam e faziam o fascismo italiano e o nazismo alemão", escreve Freitas do Amaral no prefácio do seu livro Do 11 de Setembro à Crise do Iraque, publicado em 2002."

Publicado por morfeu às 09:53 AM | Comentários (3)

março 08, 2005

"Alguma coisa se move"...sugiro

Médio oriente:algo se move

Publicado por morfeu às 10:38 AM

fevereiro 20, 2005

Pedir desculpas porquê e para quê?...sugiro

Desculpas

Publicado por morfeu às 02:56 PM

fevereiro 16, 2005

Pago, logo exijo...

...por email recebido...não conferi as contas...se alguém quiser corrigir fará o favor...

LEIAM E DIVULGUEM.

Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.
O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.
E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.
Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu Patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19 euros para si.
Em resumo:
- Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
- Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 19.
- Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
- Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

Eu pago e acho muito bem, portanto exijo: um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro, emprego para o meu filho. Serviços de saúde exemplares. Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa. Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o País. Pontes que não caiam. Tribunais com capacidade para decidir
processos em menos de um ano. Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.
Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida e jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros. Polícia eficiente e equipada.

Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público, uma orquestra sinfónica. Filmes criados em Portugal. E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.
Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita. Portanto Sr. Primeiro Ministro, governe-se com o dinheirinho que lhe dou porque eu quero e tenho direito a
tudo isto.
Um português contribuinte.

Publicado por morfeu às 03:14 PM

fevereiro 13, 2005

O novo conceito epistémico "Exportação da Liberdade"...

...há alguns dias um colega da blogosfera manifestava a sua enorme dificuldade em entender os poetas...pois bem! E esta ciência política,será mais acessível?...enfim...Exportar Liberdade

Publicado por morfeu às 11:45 AM | Comentários (1)

fevereiro 04, 2005

Forte e feio e talvez subjectivo....sugiro

Forte e a direito

A Cabeça dos Políticos
Por VASCO PULIDO VALENTE
Sexta-feira, 04 de Fevereiro de 2005 (In Público)

Não há cão nem gato que não ande por aí a lamentar a frivolidade da campanha. Aparentemente, a campanha não se ocupa das "questões que interessam o país". Isto, de certa maneira, não deixa de ser verdade. Com Santana Lopes não é possível ter uma conversa seguida sobre coisa nenhuma. Nos melhores momentos, o homem não excede o desenvolvimento mental dos quatro anos. Além disso, os jornalistas da imprensa e da televisão, principalmente os da televisão, só fazem perguntas sobre o "caso da hora" (e Santana arranja de facto um "caso" de hora a hora) ou sobre as minúcias tácticas de que se consideram especialistas. Ainda anteontem, por exemplo, Judite de Sousa, cheia de risinhos de superioridade, atazanou Paulo Portas com as trapalhadas da aliança PP-PSD e esqueceu tudo o resto. Mas, no fundo, existe outra razão, e uma razão óbvia, por que se não discutem as tais "questões que interessam o país".

Publicado por morfeu às 12:53 PM

fevereiro 03, 2005

Anda Pacheco...ganda Pacheco!...sugiro

Dicionário de Campanha a Três Semanas do Fim
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2005

...BLOCO DE ESQUERDA - O interessante é ver como nas sondagens o BE recebe as intenções de voto dos bairros mais ricos das cidades. Não admira para quem conheça a sua "composição social", como se dizia no passado, assim como o conteúdo das suas propostas. O BE é, com o PP, um partido de gente que está bem na vida e dos seus filhos.
Anda Pacheco…como diria a saudosa Hermínia

Publicado por morfeu às 11:01 AM | Comentários (3)

janeiro 30, 2005

Tiro omeu chapéu aos corajosos iraquianos...

Parabéns Iraque…apesar de tudo

Publicado por morfeu às 05:30 PM | Comentários (2)

janeiro 29, 2005

...ilusão da perenidade do que temos...V.P.V...sugiro

O caminho para Auschwitz…Vasco Pulido valente

Publicado por morfeu às 08:51 AM

janeiro 16, 2005

A contundência de V.P.V....Sugiro

Vasco P.Valente in Público

Publicado por morfeu às 11:09 AM | Comentários (2)

janeiro 15, 2005

Á facada, de ski, em mergulho: rimos ou choramos?

View image

...e leia também... Facadas

Publicado por morfeu às 05:51 PM | Comentários (3)

dezembro 28, 2004

Mais uma ideia genial do Incontornável P.S.Lopes

...esta é genial!Fazer campanha política nas aldeias...sugiro que vá a algumas que existem por aí, onde permanecem apenas "casas e moradias,vazias e com sinais, de ninhos que outrora havia nos beirais" (M.Torga,...a vida é feita de nadas...) ....sucesso e votos garantidos...enfim...

...O PSD quer fazer campanha em moldes menos tradicionais e está a estudar a forma de introduzir algumas novidades, que podem passar por deslocações a aldeias ou locais recônditos para passar a ideia que é preciso ir colher votos a todo o lado.

Anedota do dia

Publicado por morfeu às 02:13 PM | Comentários (2)

dezembro 23, 2004

O Pai Natal, B.F.,lançou 100 mil euros ao desbarato...

Ao desbarato

É indecoroso que se gaste o que se gasta em publicidade e propaganda da acção governativa num país onde não há dinheiro para aumentar os meios da investigação criminal, para humanizar a saúde, para baixar os cada vez maiores custos da justiça, para poupar o país ao espectáculo vergonhoso de uma tardia abertura do ano lectivo, para as indemnizações das vítimas dos incêndios, para evitar que morram idosos nos hospitais no pico da canícula estival por falta de ar condicionado. A lista de um país excluído das contas do cálculo político e eleitoral poderia ser interminável.

Os 100 mil euros podem sempre ser irrelevantes para o Governo mas, neste caso, são a metáfora impiedosa de uma imensa irresponsabilidade

Publicado por morfeu às 01:11 PM | Comentários (3)

dezembro 14, 2004

Garden, John Albert...o Inefável...esse...

...Se o povo continua a dar-lhe a vitória, se os votos continuam a aparecer, se as urnas dizem sempre a mesma coisa, é porque o povo está com Alberto João Jardim, e o povo é o Alberto João e o Alberto João é a democracia.

EP.Coelho, Público

Publicado por morfeu às 11:04 AM

dezembro 05, 2004

Do exercício do silêncio...sugiro


Do silêncio

Publicado por morfeu às 11:09 AM | Comentários (1)

dezembro 04, 2004

Há mentirosos na política???

A incubadora

...aproveite e aprecie esse génio da caricatura...

desligar.jpg

Publicado por morfeu às 11:37 AM | Comentários (1)

dezembro 03, 2004

O Demagogo Mor vai "meter o país na ordem"

NA ORDEM segundo jardim

...já temos a primeira anedota do dia, e ainda agora começou...

Publicado por morfeu às 07:37 AM | Comentários (2)

dezembro 02, 2004

Crise da "incubadora"...balancete...

Balanço

...de vez em quando mesmo os mais arredios destas questões têm que fazer uma reflexão sobre as diatribes políticas...Deus me valha...

Publicado por morfeu às 11:35 AM

Portugal é isto?...

Portugal é isto?

Publicado por morfeu às 11:26 AM

novembro 21, 2004

O perfume da demagogia...sugiro

Demagogia

Santana Lopes queria um poleiro, mas saiu-lhe um pelouro. Ainda por cima, o pior, o de Primeiro-Ministro, aquele que, entre todos, exige mais trabalho, seriedade, contenção, responsabilidade, conhecimento, concentração e firmeza no propósito. Habituado (e talentoso...) a ser candidato a tudo, seja o que for, fica-lhe mal ter chegado e não ter nova candidatura à vista. Este homem, em seu tempo e para alguns, um divertido "troublemaker", transforma-se em perigoso provocador. Mas atenção! Quem reagir primariamente às suas provocações está a prestar-lhe grande serviço. Quem não reagir de todo, está a dar-lhe os meios de que necessita para atingir os seus objectivos. Apesar de não parecer, o homem sabe o que está a fazer. Poderá não saber governar, mas, para estas coisas, tem jeito...

Publicado por morfeu às 11:27 AM | Comentários (2)

novembro 16, 2004

Vamos todos a correr, descobrir o Astrau...

"Eu quero que o país vá subindo no seu astral!" Estas palavras de Santana Lopes, proferidas do púlpito no discurso de encerramento do último congresso do PPD-PSD-PSL, são o que se chama um grito de alma. Não é "Cogito ergo sum", nem "I have a dream", mas cada nação produz o que produz. No nosso caso é mais bolos.
Astral

Publicado por morfeu às 09:45 AM | Comentários (1)

novembro 12, 2004

Arafat, "O Homem-Palestina"...in N.Ob. sugiro...

Arafat.jpg
Arafat
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Arafat

A construção cuidadosa da sua imagem, que se foi confundindo com a do povo palestiniano, fez-se ao longo de anos e também se alimentou de mentiras, como a de que nascera em Jerusalém quando veio ao mundo no Cairo, filho de palestinianos em busca de uma vida melhor. Membro do clã Husseini de Gaza, de baixa extracção social, alimentou durante anos o mito de que pertencia ao clã Husseini de Jerusalém, um dos mais prestigiados e o mesmo do Mufti (líder religioso) que, durante a Segunda Guerra, apoiara a Alemanha e o Holocausto por ódio aos judeus que chegavam em cada vez maior número às terras do ainda Mandato britânico.

Mas tudo isso se esquece quando se olha apenas para o homem tornado ícone - da mesma forma que ninguém recorda que 'Che' Guevara presidiu a pelotões de fuzilamento após a revolução cubana quando se veste uma camisola com a imagem crística que um dia dele captou o fotógrafo Korda.
(...)

Publicado por morfeu às 10:58 AM | Comentários (1)

novembro 09, 2004

Ó Mar Salgado...ou como Portugal rouba mar à França...sugiro

Depois de duras e prolongadas negociações em Bruxelas, o
mar salgado e roubado


Governo português conseguiu estender a soberania nacional à zona económica exclusiva da França. A vitória de Lisboa foi considerada pelos analistas em Bruxelas como um estrondoso êxito político. O mar francês não é um mar qualquer. É sofisticado, é chique. Nem todo o peixe tem direito a circular livremente nas suas águas - só as espécies caras, como a garoupa, o cherne, o linguado ou o tamboril, nada de sardinha ou chicharro. Nem todo o navio de pesca se pode dar o luxo de circular livremente no mar francês, que agora também é nosso para grande mágoa de Paris, que perde a sua soberania, depois de décadas e décadas a investir na sua modernização.

Publicado por morfeu às 10:06 AM | Comentários (2)

novembro 07, 2004

Bush 1 pire que Bush 2...sugiro

Bush.jpg
Bush1/2

(...)Même chose pour la politique étrangère: Bush n’a pas la moindre intention de revenir à une realpolitik à la Kissinger, il a au contraire insisté davantage dans les dernières semaines de sa campagne sur «le pouvoir transformateur de la liberté». Il voit dans la lutte contre le terrorisme «une guerre religieuse, confie un proche de sa famille (1). Il n’a pas une vision politiquement correcte de cette guerre. Dans son esprit, cela se résume au fait qu’ils veulent tuer les chrétiens. Et nous, les chrétiens, nous devons riposter avec le plus de force et de férocité possible».

Publicado por morfeu às 09:28 PM | Comentários (1)

novembro 05, 2004

Yasser Arafat, l'homme qui a su incarner la Palestine ...sugiro

Arafat
fotos

Yasser Arafat, 75 ans, qui se trouvait jeudi 4 novembre au soir soir en état de mort clinique, a pendant un demi-siècle incarné la Palestine, donnant une crédibilité internationale à l'espoir d'un Etat palestinien sans jamais parvenir à concrétiser cette ambition ni accomplir son rêve de prier à Jérusalem.
Combattant opiniâtre, doté d'un solide sens politique et grand communicateur, cette personnalité hors du commun a sans conteste réussi la gageure d'imposer dans les agendas internationaux la cause de son peuple.
Mais malgré sa ténacité légendaire, il n'est pas parvenu à concrétiser son principal objectif: la création d'un Etat en Cisjordanie et dans la bande de Gaza, avec pour capitale Jérusalem-est annexée en 1967 par Israël.
Les Israéliens auront beau essayer de le liquider à plusieurs reprises, de l'écarter en l'enfermant pendant ces trois dernières années dans son quartier général de Ramallah en Cisjordanie, ou encore de le menacer d'expulsion, il a su rester incontournable.

"Ils (les Israéliens) peuvent me tuer avec leurs bombes, je ne partirai pas", affirmait-il en septembre 2003 après une décision israélienne de l'expulser de Cisjordanie.
Depuis décembre 2001, le "vieux", comme l'appelent familièrement les Palestiniens, n'avait plus quitté son QG de Ramallah, contraint de voir l'Autorité palestinienne perdre lentement sa substance sous les coups de boutoir des opérations militaires en représailles aux attentats palestiniens.

Lutte à 17 ans

Né Mohammad Abdel Raouf Arafat al-Qoudwa al-Husseini en août 1929 au Caire, il rejoint à 17 ans les groupes armés palestiniens qui luttent contre la création d'un Etat juif en Palestine et participe aux combats de 1947-48 entre juifs et Arabes.
Brisé par la victoire israélienne, Arafat retourne à l'université du Caire, où il étudie le génie civil et s'implique davantage dans les milieux politiques palestiniens.
Après s'être attiré les foudres du président égyptien Gamal Abdel Nasser, il part au Koweit où il fait prospérer son entreprise, ce qui lui permet en 1958 de financer la création du Fatah. En 1964, il devient un révolutionnaire à plein temps, installé en Jordanie pour y organiser des raids du Fatah contre Israël.
En 1969, deux ans après la déroute arabe de la Guerre des six jours, Abou Ammar, son nom de guerre, est élu président du Comité exécutif de l'Organisation de libération de la Palestine (OLP) dont le Fatah constitue le groupe dominant. Il se fait alors connaître sur la scène internationale par son keffieh à damier et l'habit militaire qu'il ne quittera plus.
Sous son autorité tatillonne, l'OLP se démarque de ses tuteurs arabes, devenant un Etat dans l'Etat en Jordanie, jusqu'à la rupture de Septembre noir en 1970, chassée par l'armée du roi Hussein.
Le scénario se répète au Liban, ravagé par la guerre civile libanaise puis l'invasion israélienne. Arafat est évacué par mer, protégé par la France, échappant une fois de plus à la mort le 30 août 1982, quand un tireur embusqué israélien qui le tenait dans son viseur, attendra en vain l'ordre par radio d'appuyer sur la gâchette.

Oslo

En novembre 1983, c'est l'évacuation de Tripoli (Liban nord), une fois encore par la mer sous la protection de la France, chassé par l'armée syrienne et des groupes palestiniens dissidents.
Le "général" Arafat, comme il aime parfois se présenter, a perdu une bataille de plus, ses troupes sont dispersées aux quatre coins du monde arabe, il s'installe à Tunis.
Le combat politique et diplomatique remplace graduellement la lutte armée. Après le déclenchement en 1987 de la première Intifada, qu'il inspire et contrôle, Arafat opte pour des négociations avec Israël.
Il dénonce publiquement le terrorisme en décembre 1988, peu après la reconnaissance par l'OLP du droit d'Israël à exister dans des frontières sûres et reconnues aux côtés d'un Etat palestinien indépendant.
En 1993, il signe à la Maison Blanche les accords d'Oslo sur l'autonomie palestinienne, avec le Premier ministre, Yitzhak Rabin, et son ministre des Affaires étrangères Shimon Peres, ce qui leur vaut de recevoir le prix Nobel de la paix en 1994.
En juillet 1994, Arafat effectue un retour triomphal dans les territoires palestiniens. Il est élu président de l'Autorité palestinienne en 1996.
Boycotté par le premier ministre Ariel Sharon, déclaré politiquement mort par le président George W. Bush, Arafat a continué à les défier jusqu'à la dégradation de son état de santé.
En état de mort clinique jeudi à Paris, son souhait de "mourir en martyr" en Palestine ne sera pas satisfait et son rêve d'aller prier à Jérusalem-est à la mosquée Al-Aqsa, jamais accompli.

Publicado por morfeu às 01:52 PM | Comentários (1)

O Homem que falava com Deus...sugiro

God bless america,M.S.Tavares

Julgo que o que mudou essencialmente, desde então, foi isso mesmo: uma maioria, dita "moral" e reclamando-se de uma legitimidade concedida por Deus, decretou um catálogo de pretensas virtudes a que chamam "valores" e que, aos poucos, foram impondo a toda a América e pretendendo impor a todo o mundo.

Hoje, em 2004, as multidões que assistiam aos comícios de George Bush não gritavam "bravo!" nem "viva!", mas sim "amen" e "aleluia". Num momento de maior entusiasmo, o próprio Bush sentiu-se autorizado a declarar que às vezes "falava com Deus". Não admira que o Papa e Buttiglione, assim como os dirigentes teocráticos do Irão e a Casa de Saud, fossem seus apoiantes.

Publicado por morfeu às 07:45 AM | Comentários (2)

A doçura do Ocidente vai acabar...sugiro

Vasco P.Valente

Publicado por morfeu às 07:38 AM

novembro 04, 2004

Teimosamente pela paz...porque...isto...

Download file

Publicado por morfeu às 02:06 PM | Comentários (3)

outubro 28, 2004

O circo Buttiglione ...

O circo Buttiglione

...então e não é que o homem é de filosofia?Que vergonha a minha...

Publicado por morfeu às 11:22 AM

outubro 27, 2004

Retiro e meditação em tom de escárnio...sugiro

croniqueta datada

Croniqueta datada


- De escárnio, talvez; de maldizer, seguramente... que isto vai um tempo que é uma pouca vergonha ou, como diria a santa avozinha: está o mundo roto, chove nele como na rua...


Há um túnel que descai e um outro que se esvai nesta capital do mundo
Há um metro já sem fundo e no ar um cheiro assaz preocupante pelo gás
Posto a eito em cada casa
Faltará um golpe de asa p’rà solvência destes males e mais que esperam que cales
Das estradas às portagens dos impostos às sondagens fica-se o país a esmo
Entre o pasmo e o marasmo
Para o gozo dos meninos que entre salmos e hinos vão aldrabando os papalvos
À espera de serem salvos

Pois a santanal figura
Improvável criatura de espavento e arrebiques
Governará lá os chiques butiques ou passarelas
Tias fingidas donzelas
Mas que faz ele ao país que distrata e que desdiz?
Vira-o dos pés p’rà cabeça em pressas de fogo à peça!
Faz disto a terra dos tolos e entre papas e bolos
Da cultura faz pepinos ou dos teatros casinos
De nada sabendo tudo
Faz do país um Entrudo e com o seu ar de maçada
De tudo faz palhaçada

Que falta nos faz O’Neil e Ary e outros mil
Para zurzir forte esta seita neste entremês de maleita
Talvez mesmo um Herculano a causar-lhes sério abano
Um Eça e mais um Ramalho a demolirem a malho
A corja fandanga e vil que vende ao retalho Abril

Se eles não estão
Estamos nós
Vai de aclarar a voz em gritos de fundo d’alma
Pois sabe-se que da espera nela ficar desespera
Doentia é esta calma com que pasmamos dolentes
Perdidos de ocidentes
Cabisbaixos contristados
Ao céu e ao mar especados

Parece até que apetece dizer de quanto acontece
Que nós por cá todos bem
Esperando que Belém
Em dia de inspiração
Se arvore em D. Sebastião...
Ou então em Pai Natal já que neste Carnaval
Ninguém leva nada a mal.


Afixado por: OrCa / 23:52

Publicado por morfeu às 10:52 AM | Comentários (1)

outubro 11, 2004

Ai que a Madeira vai ficar bastante vazia...

Gente decente

...como é possível???...

Publicado por morfeu às 03:34 PM | Comentários (1)

outubro 10, 2004

A necessidade de uma crítica "light"... recomendo

Lightlight.gif


(...)Segue-se, a convocatória do presidente da empresa televisiva. O gestor solicitou ao comentarista - reza o semanário de Oeiras - que "alterasse o formato da sua crónica dominical (...) de forma a suavizar o tom de conflitualidade política". O "analista político" terá deixado claro que não poderia aceder a tais "conselhos", incompatíveis com a sua dignidade pessoal e de sumo-sacerdote televisivo do Reino lusitano. (...)

(...)Ao colocar a "missa dominical" no interior do telejornal e do "prime-time" a TVI conferiu-lhe as condições para se tornar preponderante. Só que a vontade de uma só estação televisiva não seria suficiente, por si só, para assegurar a hegemonia do "espaço" de Marcelo na televisão generalista. Esse relevo está associado à abstenção da televisão pública, que não se empenha, como deveria, na dinamização do debate e do comentário político, deixando essa tarefa para a SIC-Notícias, canal privado e de cabo.(...)

Publicado por morfeu às 11:39 AM

outubro 09, 2004

Sinto-me um verdadeiro pató...mais alguém?....

Santo António Caricaturista nos salve...

F1-PU019-CAR.jpg

Publicado por morfeu às 08:48 AM | Comentários (2)

outubro 07, 2004

Um blogue para Marcelo R. de Sousa...

...comentador brilhante, que não podemos perder de forma estranha, proponho que se arrange um blogue onde O professor possa "zurzir" à vontade, todos os dias e não apenas 45 minutos na tvI...

Ps: costumo apontar o exemplo crítico do Professor Marcelo aos meus alunos de Filosofia, no secundário...à falta dele quem poderei indicar? O Drº Alberto J.Jardim?...quero o Professor de volta...

Professor M.

Professor M.

Professor M.
Professor M.
Professor M.

Professor M.

...pq. recensão feita na blogosfera... a vôo de pássaro...

Publicado por morfeu às 12:18 AM | Comentários (7)

setembro 28, 2004

Pagar dentro de dias...Ó Nacional Vergonha (falta...)

vergonha...

Publicado por morfeu às 11:34 AM | Comentários (1)

setembro 22, 2004

Angola só tem um habitante a quem não apertarei a mão...

E.Santos,corrupto e ditador

Voz do sangue

Palpitam-me
os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue

Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South

Ó negro de África

negros de todo o mundo

eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.

Eu vos acompanho
pelas emaranhadas áfricas
do nosso Rumo

Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.

Agostinho Neto (A renúncia impossível)
center>Voz do sangue

Prelúdio

Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guizos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

É que os meninos cresceram,
e esqueceram
as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram pra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...

Alda Lara (poemas)

Publicado por morfeu às 09:03 PM | Comentários (3)

setembro 18, 2004

Aprenda a desencadear "sobressaltos cívicos"...sugiro

Sobressalto


...é um achado esta expressão...linda figura de retórica...o que (não)quererá dizer-nos...bom, é ler o artiguinho...

Publicado por morfeu às 12:26 PM

setembro 17, 2004

Pourquoi il faut battre Bush...sugiro

cover.jpg

Bush

Publicado por morfeu às 11:47 PM | Comentários (2)

setembro 13, 2004

Dossier Iraque...sugiro

Dossier Iraque
NOM ANCIEN : Madînat al-Salâm - Ville de la Paix

Capitale du califat des Abbassides

L'une des plus grandes métropoles culturelles du monde jusqu'en 1258

Ville des Mille et Une nuits...BAGDAD
...a cidade da paz, Bagdad,ironicamente transformada na cidade da guerra...

Publicado por morfeu às 11:51 PM

setembro 12, 2004

Zangam-se as comadres...

Zangam-se as comadres...

Publicado por morfeu às 09:14 PM

agosto 19, 2004

Machiavelli...sugiro

Machiavelli

...E como é que um príncipe pode fazer isso? Simples, maquiavélico: Deve exibir cinco virtudes, misericórdia, honestidade, humanismo, rectidão e religiosidade.

Na prática, tem de procurar ser temido em vez de ser amado, deve enganar se isso lhe for favorável, ser generoso apenas com os soldados que bem pilharem, aplicar sentenças de morte para limitar a criminalidade e não se esquecer nunca que as virtudes levam à queda do poder e que as malvadezes podem garantir a sobrevivência ...

Publicado por morfeu às 12:39 PM

Jangadas de Pedra...sugiro

Bolonha e a Jangada de Pedra

...Imaginem que o processo de Bolonha é um peso de 100 Kg. Por toda a Europa, os sistemas de educação superior estão a treinar-se desde há muito tempo para o campeonato de elevação deste peso. Um raquítico concorrente português, franzino mas daqueles lutadores terríveis que gritam sempre "agarrem-me, senão eu mato-o" (talvez a mais significativa expressão portuguesa) entra no palco à última hora, começa a levantar o peso, eleva-o até à barriga, mas depois cai, com o peso em cima e uma hemorragia interna por rotura do baço. Tenho receio que venha a ser o destino do processo de Bolonha em Portugal. Ou então, coisa ainda mais ridícula: uma Lili Caneças universitária, com lifting, nova maquilhagem, mas com a nudez crua da idade sob o manto diáfano da pseudo-reforma. Podia ainda dar outra imagem. Neste espantoso processo de reforma da educação superior que varre a Europa, e de que, como em todos os grandes processos históricos sempre nos demos conta nos cafés ou nas barbearias, arriscamo-nos a lançar ao mar uma jangada de pedra. Mas esta, ao contrário da de Saramago, tem limites no Caia, não nos Pirinéus.

Publicado por morfeu às 12:09 PM

Ainda há maoístas?...pobres seres humanos...

Nepal

Publicado por morfeu às 11:47 AM

agosto 18, 2004

Ausência de Moral vulgo Pulhice...sugiro

Pulhice

Publicado por morfeu às 01:16 PM | Comentários (3)

julho 27, 2004

O pequeno mundo de S.Lopes...sugiro...

O pequeno mundo de...

Publicado por morfeu às 02:06 PM | Comentários (1)