novembro 30, 2009
Quando os lobos uivam...
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setembro 06, 2009
Narcisismo in "Courier Internacional".
Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...
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agosto 14, 2009
Mercado de coisa nenhuma...
Publicado por morfeu às 02:17 PM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 16, 2009
Beleza e sofrimento...

Nakita Olegole, 17 anos, tribo mursi, Etiópia. Quando ainda pequenas, fazem-se incisões no lábio inferior e nas orelhas, inserindo depois, discos de argila cada vez maiores...(In Marie Claire)
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outubro 14, 2008
Lisboa: um guia original...
Publicado por morfeu às 11:17 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 31, 2008
...o que de belo por acaso se encontra...tocante.
...por aqui ao acaso do tempo
dos tempos que dividem o deambular em dia cinzento
sonho o Outro o Além em testemunho de voz
de céu ares cores e coisas várias
por acaso encontro neste viajar fortuito
ah a cidade o tempo os seres e as coisas
a brisa da História fazendo-se música em túnel
de cordas de onde o som brota
a voz
a mulher
o sentir
...por aqui por acaso deixo
como pegada em areia molhada
deixo...
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fevereiro 05, 2008
Haka barrosã, conhece?
Publicado por morfeu às 09:49 PM | Comentários (2) | TrackBack
janeiro 30, 2008
Barroso, tradição da matança do porco
Publicado por morfeu às 09:58 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 20, 2008
Conceito de Regabofe...
... a ser verdade... se não for apresento escusas respectivas...
Mas que grande regabofe!!!
1) Para quem não saiba quem é Alan Greenspan, fique a saber que é um senhor
nascido em Nova Iorque, de origem judaica, que gostava de tocar saxofone na
adolescência, que se doutorou com elevadíssimas médias em Economia e que
foi nomeado pelo presidente Reagan, em Junho de 1987, "Chairman of the
Board of Governors of the Federal Reserve" -- nomeação confirmada pelo
Senado dois meses depois.
2) O "Federal Reserve" está para os americanos como o Banco de Portugal
está para nós. E por que estou eu com toda esta conversa sobre o Sr.
Greenspan? Porque quando ele deixou o lugar, em Janeiro de 2006, auferia
anualmente, pelo desempenho daquele alto cargo, a módica quantia de 186.600
dólares norte-americanos por ano -- qualquer coisa como 155.000 euros. O
valor dos honorários dos outros membros do Conselho de Administração
("Vice-Chairman" incluído) é de cerca de 150.000 euros.
3) Agora, sabem quanto pagamos ao Governador do Banco de Portugal, um
senhor dotado de prodigioso crâneo, que dá pelo nome de Vítor Constâncio?
Não sabem, pois não? Então pasmem: 280.000 euros, leram bem, DUZENTOS E
OITENTA MIL EUROS!
É claro que uma grande potência como Portugal, que possui o dobro da
influência, à escala planetária, dos insignificantes EUA, tinha de pagar
muito bem ao patrão do seu Banco, além de todas as incontáveis mordomias
que lhe dispensa, tal como aos seus pares daquela instituição pública.
Também é claro que a verba do americano é fixada pelo Congresso e JAMAIS --
como diria o bronco do Lino -- pelo próprio, ao contrário do que se passa
no país dos donos do mundo e dos maiores imbecis que habitam o planeta
Terra.
4) O que mais impressiona nestes números é que o homem que é escutado
atentamente por todo o mundo financeiro, cuja decisão sobre as taxas de
juro nos afecta a todos, ganha menos do que o seu equivalente num país
pobre, pequeno, periférico, que apenas uma ínfima parcela desse território
presta alguma atenção! Até a reforma do Mira Amaral é superior à do
Greenspan!
Talvez não fosse má ideia espreitarem o portal do Banco de Portugal e
verem quem por lá passou como governador, http://www.bportugal.pt,
cliquem em "história".
5) Por que razão esta escandalosa prática se mantém? Pela divisa do
Conselho de Administração do Banco de Portugal que deve ser parecida com
algo assim: " Trabalhe um dia, receba uma pensão de reforma vitalícia e dê
a vez a outro."
6) Os sucessivos governadores do Banco de Portugal têm muito em comum. Por
exemplo, sempre que aparecem em público de rompante é porque vem aí
borrasca! -- "Os portugueses vivem acima das suas possibilidades. Há que
cortar nos ordenados, há que restringir o crédito!" Proclamam-no sem que a
voz lhes trema, mesmo quando se sabe que o actual governador aufere
rendimentos que fariam inveja a Alan Greenspan. No fundo, o que eles nos
querem dizer é, "Vocês vivem acima das vossas possibilidades, mas nós não!"
Têm carradas de razão.
7) As remunerações dos membros do conselho de administração do Banco de
Portugal são fixadas, de acordo com a alínea a) do art. 40.º da Lei
Orgânica, por uma comissão de vencimentos. E quem foi que Luís Campos e
Cunha, o então ministro das Finanças e ex-vice-governador do Banco de
Portugal, nomeou para o representar e presidir a essa comissão? O
ex-governador Miguel Beleza, o qual, como adiante se verá, e caso o regime
da aposentação dos membros do conselho de administração também lhe seja
aplicável como ex-governador do Banco, poderá beneficiar dos aumentos
aprovados para os membros do conselho de administração no activo. Uma seita
a que o comum dos portugueses não tem acesso e sobre a qual lhe está vedada
toda e qualquer informação, filtradas que são todas as que não interesa
divulgar pelos meios da subserviente comunicação social que temos.
8) Mas tão relevantes como os rendimentos que auferem, são as condições
proporcionadas pelo Banco de Portugal no que respeita à aposentação e
protecção social dos membros do conselho de administração.
9) O regime de reforma dos administradores do Banco de Portugal foi
alterado em 1997, para "acabar com algumas regalias excessivas actualmente
existentes." Ainda assim, não se pode dizer que os membros do conselho de
administração tenham razões de queixa. Com efeito, logo no n.º 1 do ponto
3.º (com a epígrafe "Tempo a contar") das Normas sobre Pensões de Reforma
do Conselho de Administração do Banco de Portugal se estabelece que, "O
tempo mínimo a fundear pelo Banco de Portugal junto do respectivo Fundo de
Pensões, será o correspondente ao mandato (cinco anos), independentemente
da cessação de funções ."
10) Que significa isto? Um membro do conselho de administração toma posse
num belo dia e, se nessa tarde lhe apetecer rescindir o contrato, tem a
garantia de uma pensão de reforma vitalícia, porque o Banco se compromete a
"fundear" o Fundo de Pensões pelo "tempo mínimo (?) correspondente ao
mandato (cinco anos)". (Ver "divisa" no parágrafo 5).
11) Acresce que houve o cuidado de não permitir interpretações dúbias que
pudessem vir a prejudicar um qualquer membro do conselho de administração
que, "a qualquer título", possa cessar funções. O n.º 1 do ponto 4.º das
Normas sobre Pensões de Reforma dissipa quaisquer dúvidas: "O Banco de
Portugal, através do seu Fundo de Pensões, garantirá uma pensão de reforma
correspondente ao período mínimo de cinco anos, ainda que o M.C.A. [membro
do conselho de administração] cesse funções, a qualquer título ."
12) Quem arquitectou as Normas sobre Pensões de Reforma pensou em tudo?
Pensou, até na degradação do valor das pensões. É assim que o n.º 1 do
ponto 6.º estabelece poe sua vez: "As pensões de reforma serão
actualizadas, a cem por cento, na base da evolução das retribuições dos
futuros conselhos de administração, sem prejuízo dos direitos adquiridos ."
13) E o esquema foi tão bem montado que as Normas sobre Pensões de Reforma
não deixam de prever a possibilidade de o membro do conselho de
administração se considerar ainda válido para agarrar uma outra qualquer
oportunidade de trabalho que se lhe depare. Para tanto, temos o ponto 7.º ,
com a epígrafe "Cumulação de pensões", que prevê: "Obtida uma pensão de
reforma do banco de Portugal, o M.C.A. [membro do conselho de
administração] poderá obter nova pensão da C.G.A. ou de outro qualquer
regime, cumulável com a primeira (!)."
14) Mas há mais. O ponto 8.º dispõe que o "M.C.A . [membro do conselho de
administração] em situação de reforma gozará de todas as regalias sociais
concedidas aos M.C.A. e aos empregados do Banco, devendo a sua pensão de
reforma vir a beneficiar de todas as vantagens que àqueles venham a ser
atribuídas ."
15) Não restam dúvidas de que fez um excelente trabalho quem elaborou as
Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de
Portugal. Pena é que não tenha igualmente colaborado na elaboração do
Código do IRS, de modo a compatibilizar ambos os instrumentos legais. Não
tendo acontecido assim, há aquela maçada de as contribuições do Banco de
Portugal para o Fundo de Pensões poderem ser consideradas, "direitos
adquiridos e individualizados dos respectivos beneficiários" e, neste caso,
sujeitas a IRS, nos termos do art. 2.º, n.º 3, alínea b), n.º 3, do
referido código. No melhor pano cai a nódoa.
Minhas amigas e meus amigos: depois de tudo quanto os mais velhos já
assistiram nos últimos 33 anos, e de tudo quanto temos vindo a assistir
desde 2005, do candidato a Belém que Sócrates escolheu, do aborto, da OTA,
do TGV, das reformas de miséria, da "hotelização" do litoral alentejano,
das mentirolas e falsificações de documentos do primeiro-ministro, da saída
do ministro mais influente do governo para "namorar" dois anos de
presidência da CML, das gafes inqualificáveis do Lino e do Pinho, estamos à
espera do que mais para passar à acção? À armas, é o que é, e contra os
ladrões, marchar, marchar!
Ah, e por favor não reencaminhem isto para o Greenspan -- ainda dá uma dor
fininha ao pobre coitado...
_______________________________________________
Publicado por morfeu às 12:38 AM | Comentários (3) | TrackBack
janeiro 03, 2008
Foto-galeria 2007...sugiro.
Recolhido in: Jornal Público.
Publicado por morfeu às 11:45 AM | Comentários (6) | TrackBack
novembro 11, 2007
Quem cala consente...sugiro.
Descubra porque não se deve calar e consentir
Publicado por morfeu às 08:38 PM | Comentários (2) | TrackBack
outubro 29, 2007
Portugal, retrato social, sugiro.
Publicado por morfeu às 02:03 PM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 15, 2007
Abençoados os que ousam
sonhar com coisas concretas e dos sonhos fazerem vida verdadeira e solidária
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outubro 08, 2007
Que frescura de voz...Nancy Vieira.
... não me canso de me emocionar com os sons de Cabo-Verde. Música assim revela a alma e desdenha a miséria...para quando uma ida bem ida a Cabo-Verde?
................................
Nancy universal
Foi um acaso que a fez nascer em Bissau, a 1 de Fevereiro de 1975, apesar de ser filha de cabo-verdianos. "Os meus pais faziam parte do movimento de libertação, o PAIGC, e estavam lá a preparar a independência, que se deu em Julho."
Mas Nancy Vieira não demorou muito por ali. Com apenas quatro meses rumaria a Cabo Verde. Olhando para trás, além de Bissau (de que nem sequer se apercebeu), passou dez anos na Cidade da Praia, quatro no Mindelo e já quase 18 em Lisboa, onde cresceu para a música. "Em Cabo Verde, e em especial na ilha do meu pai, a Boavista, a maioria dos rapazes aprendia muito cedo a tocar um instrumento. Ele aprendeu a tocar guitarra, violino, cavaquinho, mais tarde piano. Os meus tios e tias também tocam. E eu ganhei esse gosto pela música, também muito cedo, mas sem nunca ter pensado seguir essa via."
Veio para Lisboa aos 14 anos, em 1989. "Eu já tinha estado em Lisboa, de férias, com 10 anos. Naquela altura, para qualquer criança em Cabo Verde vir de férias para Lisboa era uma coisa do outro mundo. Gostei muito. Fui a Fátima, ao Cristo Rei, a Belém... Para viver já foi diferente. Não tive problemas nenhuns de adaptação, porque vim com a família: o meu pai, a minha mãe, até as pessoas que moravam connosco vieram."
Fez amigos entre os filhos de outros cabo-verdianos, foi bem recebida nas escolas (era boa aluna): Rainha D. Amélia (do 10º ao 12º anos), ISCTE (três anos, Gestão). Depois licenciou-se em Sociologia e começou a trabalhar em publicidade e estudos de mercado. "Mas por pouco tempo, porque entretanto a música entrepôs-se." Começou, aliás, logo no ISCTE. "Tinha amigos que eram músicos amadores e tinham uma pequena banda. Eu de vez em quando assistia aos ensaios." O vocalista inscreveu-se num concurso de descoberta de novos valores e, um dia, convidou-a a ir com ele. "Convidou-me para cantar e, embora com um bocadinho de insegurança e timidez, cantei com ele. A minha voz chamou a atenção dos organizadores e eles propuseram-me participar, logo nessa noite, numa das eliminatórias. Escolhi a morna "Lua nha testemunha" e ganhei." Não apenas nessa noite: ganhou também na final. E como prémio gravou um disco.
Uma voz e outras músicas
Foi o primeiro, "Nôs Raça", editado em 1995. Quando surgiu o convite para gravar o segundo, "Segred" (2004), ela já tinha deixado o emprego para levar a música mais a sério: "Abriu-me as portas. Comecei a fazer concertos meus, convites para fora..." Mas foi durante a gravação do primeiro que conheceu o futuro produtor do disco que agora lança, "Lus": Jorge Cervantes, nascido em Lima, no Peru, em 1973. Era ele o técnico de som quando Nancy entrou num estúdio pela primeira vez. "Tornámo-nos amigos, mas passámos uns anos sem nos vermos. Encontrei-o depois em 2005 e ele disse-me que tinha estado a misturar o disco [colectivo] "Ao Vivo no B.Leza", gostou de me ouvir e que a minha voz lhe tinha dado umas ideias." Pois as ideias estão aí, em "Lus".
"Vi nele, ao fim de muitas conversas, uma pessoa que me entendia muito bem, musicalmente." Quem ouvir o disco com atenção, há-de notar que Cabo Verde está lá, mas de braço dado com o Brasil ou com Cuba, numa procura de soluções e arranjos pouco usuais em trabalhos do género. "Isso foi consciente e intencional", diz Nancy. "Acho que não fui a primeira a fazer essa fusão, mas este disco é muito a minha cara: uma cabo-verdiana da cidade, que sempre ouviu música tocada da forma mais tradicional possível em casa, mas que também ouvia outras músicas: brasileira, da América Latina. Além disso, o meu pai era amante de música clássica e jazz e tive irmãos que estudaram em Cuba e traziam, nas férias, muita música cubana." Tudo isto a par de Portugal, claro, e dos contactos que a partir de Lisboa estabeleceu (participou, por exemplo, nos discos mais recentes de Rui Veloso e da Ala dos Namorados).
Convidados, em "Lus", há muitos, como compositores ou músicos. Teófilo Chantre, Jon Luz, Vadú ou Princezito contribuíram com canções. Tito Paris e as Batucadeiras Voz d"África tiveram participações especiais; Bino Branco, dos Ferro Gaita, ou Miroca Paris, que acompanha Cesária Évora, gravaram em curtas passagens por Lisboa, em duas oportunidades meteóricas; Sérgio Valdeos e Juan "Cotito" Medrano, músicos de Susana Baca, que Nancy conheceu num concerto dela, gravaram a sua parte no Peru; e o Quinteto Diapason, cubano, gravou para dois temas em Alicante, no Sul de Espanha.
"No tema que dá nome ao disco, "Lus", nota-se mais o lado peruano, quisemos misturar o batuco com o landó. Já "Esperança de mar azul", que cantei com Tito Paris, é... Brasil, que está muito presente em Cabo Verde, como se sabe. Já "Verdade d"amor" não deixa de ser uma morna, é cantada em crioulo, mas não tem cavaquinho e mostra uma universalidade que eu própria ganhei, como pessoa, com todas as minhas viagens."
Nuno Pacheco (público, 21 de Setembro)
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julho 24, 2007
Nazanin Afshin-Jam ... sugiro.

Nazanin Afshin-Jam, a mulher que salvou Nazanin
No Canadá é uma estrela. Uma pop-star, mais precisamente. Antes de mais, Nazanin Afshin-Jam é famosa por ser famosa e é famosa por ser bonita. Só que os seus talentos não ficam por aqui...
Os seus retratos profissionais apresentam-na como cantora, compositora (das suas canções), modelo e actriz. Se ignorarmos uns contratos como modelo quando era estudante, a sua primeira actividade profissional foi como Miss: Miss Vancouver, Miss Swimsuit, Miss World Canada, Miss Desporto, Queen of the Americas e um segundo lugar no concurso de Miss Mundo em 2003. De caminho, foi participando em meia dúzia de episódios de séries de televisão. Aos títulos de beleza seguiram-se os habituais contratos para fotografias, aparições públicas, participações em programas de TV e de rádio, entrevistas várias e uma chuva de capas de revistas. Como cantora a sua carreira é curta: o primeiro álbum (Someday) foi publicado no mês passado e está a fazer uma carreira aparentemente bem sucedida.
Mas Nazanin (é este o seu nome artístico) é também outra coisa: uma militante pelos direitos humanos que conquistou a notoriedade no seu país e para além dele com uma campanha para salvar uma jovem condenada à morte.
Seria aliás mais correcto dizer "nos seus países" porque Nazanin tem dois: o Irão e o Canadá. Nasceu no Irão (Teerão) em 1979, durante a Revolução Iraniana que levaria Khomeini ao poder. A sua família fugiu para a Europa e posteriormente para o Canadá em 1981, depois de o pai ter sido preso pela Guarda Revolucionária de Khomeini, torturado e condenado à morte.
Na Universidade de British Columbia, Nazanin estudou Ciências Políticas e Relações Internacionais, estudos que complementou com pós-graduações em França e Inglaterra. Enquanto estudava teve tempo para aprender a pilotar aviões (fez o curso dos Royal Canadian Air Cadets), além de se dedicar à prática de vela, caiaque, karting e dança e de trabalhar como voluntária da Cruz Vermelha em campanhas contra as minas terrestres e em defesa das crianças que vivem em zonas de guerra. Depois disso, a actividade de Nazanin foi muito além da das jovens que se limitam a declarar no palco que se pudessem concretizar um desejo pediriam "a paz no mundo".
A história da sua família, o seu trabalho como voluntária da Cruz Vermelha e o facto de ter sido uma jovem iraniana que participou em concursos de beleza, passeando-se em fato de banho à frente dos olhos de milhões de homens (só para o desfile de Miss Mundo houve 2200 telespectadores), permitiu-lhe uma experiência directa do que são os atentados às liberdades no mundo de hoje. Porquê os desfiles? Porque a visibilidade da sua participação teve como preço as críticas dos sectores conservadores da comunidade iraniana no Canadá, as ameaças de fundamentalistas islâmicos e mensagens de apoio de jovens iranianos que lhe permitiram ter uma noção da limitação das liberdades e da repressão das mulheres no seu país de origem.
A campanha que deu notoriedade a Nazanin foi porém a campanha para libertar Nazanin. Outra Nazanin, Nazanin Mahabad Fatehi, uma jovem iraniana de 17 anos condenada à morte por enforcamento a 3 de Janeiro de 2006 por ter apunhalado um dos três homens que a tentaram violar a ela e a uma sobrinha de 15 anos, num parque de Karaj, um subúrbio de Teerão.
Nazanin Afshin-Jam iniciou uma campanha pela sua libertação que incluiu o lançamento de uma petição que recolheu mais de 350.000 assinaturas, a produção de um documentário (The Tale of Two Nazanins), contínuas acções públicas e intervenções nos media e uma actividade de lobbying junto das autoridades iranianas e das Nações Unidas. A campanha pela libertação de Nazanin conseguiu mobilizar a Amnesty International, o Parlamento canadiano, a União Europeia e levou as autoridades judiciais iranianas a rever o caso, suspender a condenação e realizar um novo julgamento que se saldou por uma absolvição, em Janeiro passado.
Mas Nazanin Afshin-Jam
não parou aqui. Lançou a campanha Stop Child Executions Campaign (www.stopchildexecutions.com) que tenta anular
as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão
e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores. A lista dos crimes dos que foram executados nos últimos anos inclui actos como "atentados contra a castidade" ou dar aulas de religião Baha"i.A acção de Nazanin Afshin-Jam no caso de Nazanin Fatehi foi distinguida com o Prémio Herói dos Direitos Humanos, atribuído pela organização Artists for Human Rights, dirigida pela actriz Anne Archer.
Nazanin Afshin-Jam também provoca críticas. Há quem diga que as suas simpatias políticas estão do lado de Reza Pahlavi, o filho do último xá do Irão, e que os seus verdadeiros motivos seriam a reinstauração da monarquia no país ou que a sua actividade humanitária é apenas uma forma de promoção pessoal. Mesmo que seja assim, se essa promoção continuar a defender os direitos humanos e a salvar vidas, parece um tipo de promoção totalmente louvável.
n
José Vítor Malheiros (Público de 22/07/07)
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julho 15, 2007
Eu também quero ser Ibérico...
Já há muito que defendo a título brincalhão, entre amigos, que a nossa desgraça foi 1640. Quem saiu beneficiado? Não foi o Zé Povo seguramente. Assim, subscrevo José Saramago.
Porque não fazer um referendo?Aposto que uma boa maioria de Portugas diria si.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1299516
Não entendo como é que o link não funciona...na codificação aparece um br...qualquer que não entendo e impossibilita o acesso. Assim, quem quiser ver a noticia tem o endereço em cima...
Fica aqui o Link da entrevista no Dn...
http://dn.sapo.pt/2007/07/15/artes/nao_profeta_portugal_acabara_integra.html
Publicado por morfeu às 11:26 AM | Comentários (11) | TrackBack
julho 05, 2007
Ai Venezuela, Venezuela ...
Ps. A minha escusa pelo facto de o vídeo ser sobre Habana e não propriamente sobre Caracas, Venezuela,...mas, para bom entendedor....
Publicado por morfeu às 09:04 AM | Comentários (1) | TrackBack
junho 21, 2007
Nazima Ghulam Nabi... a lágrima.

A lágrima
Nazima, filha de Ghulam Nabi, um cidadão da Caxemira indiana morto no rebentamento de uma granada, chora deitada numa cama do hospital de Srinagar. Foto: Danish Ismail/Reuters
Cama hospital granada pai cidadão Caxemira
Filha dolente em lágrima deitada chora chora
Porquê num hospital deitada
Um rebentamento mata Ghulam Nabi cidadão
Caxemira
Deixando uma filha deitada em cama com lágrima
Vista do lado esquerdo
A cara branca de Nazima filha de Nabi
Uma cama hospital deitada em lágrima
Em almofada verde branco com sinal de azul do lenço
A face explode o sofrimento de
Nazima
Filha de Ghullam Nabi
Nazima tem um brinco na orelha
Como prolongamento da lágrima
Olha o vago o céu o som da granada
Que matou pai Nabi
Quem pode agora dar amor
De pai rebentado por granada em Caxemira
Nazima filha pai lágrima brinco face branca
O cabelo afeiçoa-lhe a dor em negro
Nazima Ghulam Nabi com lágrima
(foto recolhida in jornal "O Público", de 21 de Junho de 2007)
Publicado por morfeu às 11:47 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 14, 2007
New York, traços..
Publicado por morfeu às 07:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 12, 2007
Fundamentalismos... sugiro.
...reflexão dominical de A. Borges.
Em termos simples e cínicos: se não quisermos ser solidários com os países pobres por razões de ética e humanidade, sejamo-lo ao menos por razões de egoísmo esclarecido.”
Publicado por morfeu às 03:25 PM | Comentários (2) | TrackBack
fevereiro 10, 2007
É preciso descaramento ... world press photo 2006.
... por respeito de direitos de autor, e por circunspecção pessoal, fica em entrada estendida ... á preciso desplante...
(recolhida em Público de 10/02/07)

09-02-2007 - 13:17
World Press Photo 2006
Spencer Platt, fotógrafo americano da agência Getty Images, venceu o World Press Photo 2006. A imagem escolhida mostra, em primeiro plano, um grupo de libaneses a passear-se em Beirute num descapotável vermelho no meia da devastação, depois dos bombardeamentos da aviação israelita. Foto: Spencer Platt/Getty Images
Publicado por morfeu às 09:56 AM | Comentários (5) | TrackBack
maio 23, 2006
Do culto do "Espírito Santo" sg/ Raul Brandão.
Hoje o imperador é um americano que voltou à terra com dinheiro e que mandou matar dois bois e cozer quatro sacos de farinha. Vá de encherem-se até lhe tocarem com o dedo! Já cozeram a carne e as sopas. Ainda de noite, vazou-se numa terrina – a sopeira do encontro – a primeira carne e as primeiras sopas do caldeirão e uma rapariga saiu ao alpardo (amanhecer) e ofereceu-as à primeira pessoa que encontrou no caminho. De véspera os foliões com bandeiras e tambores trouxeram a coroa para casa do imperador e da imperadora, que mandaram armar o altar na sala, paramentando-o com vasos e flores, fitas de seda, cordões de oiro e uma bancada com velas acesas. Espreito. Na ruelas da terrinha escura escoam-se fantasmas. Duma ladeira surgem mais sombras. Todos se dirigem para a mesma casa, onde os foliões cantam a alvorada tocando bombo e testos, sete ave-marias, diante do Espírito Santo, dançadas à roda com extraordinária gravidade e sem nunca voltarem as costas ao altar. A povoação está sentada em roda, os pastores velhos ajoelhados atrás de mim e os mais pequenos agarrados á banqueta… O céu é figurado no tecto por um paninho cor-de-rosa com uma pomba de papel dourada a meio. Isto termina pelo oferecimento, começando em tom menor e concluindo em terceira maior, conforme os motes de épocas passadas.
- Seja pelas almas dos defuntos do imperador!
(“Ilhas Desconhecidas”, Raul Brandão, Círculo de Leitores)
Publicado por morfeu às 09:48 PM | Comentários (0)
maio 16, 2006
Se estão doentes, metem-se na cama, sustentam-se de leite e esperam a saúde ou a morte.
Os costumes mudaram muito pouco. Ainda hoje os corvinos preferem trocar e vender. Só a ilha produz mais; produz tudo o que esta gente precisa. Vem o jantar para a mesa num grande alguidar, sopa com toucinho e batatas. Bebem o leite perfumado do cabaço que anda de mão em mão. O leite trabalha sempre, como eles dizem; bebem-no de manhã, ao fim da tarde com sopas, e lá em cima com queijo e pão. Vinho não há e mata-se um boi duas vezes por ano. A cozinha é negra com a caixa e a peneira, o lar e o forno tudo coberto de fumo. Num rescaldo a grelha e o caldeirão; no tecto o toucinho pendurado na tombaralha e as varas com espigas de milho. O vento entra por todos os buracos da casa primitiva, com armação de cedro e canas entrelaçadas de junco. Moem o pão nos moinhos de vento ou nas atafonas, em lojas escuras onde um boi calcando estrume, com os olhos tapados e preso a uma grossa trave que se chama castalho, faz mover o pião e o almanjar. Há cinquenta atafonas na terra, e cada uma tem cinquenta ou sessenta proprietários, que as vão recebendo dos pais e as transmitem aos filhos. O sentimento da propriedade é levado ao último extremo, até ao ponto de dividirem as ruas por cancelas, e campos de meia dúzia de metros quadrados por muros de pedra solta. Só há um vestígio de comunismo, que ninguém recorda que existisse; a lã, que foi comum, é ainda hoje tosquiada em comum. E o dia do fio subsiste. Na última segunda feira de Abril e na última semana de Setembro, toda a população se reúne para tosquiar as ovelhas, que distinguem pelos cortes das orelhas: cada família tem o seu sinal registado nos livros da junta.
Toda a gente se submete às deliberações dos velhos e do padre. É grande a influência do vigário, e em troca dos seus serviços dão-lhe trigo, centeio e batatas e num dia combinado levam-lhe leite e fabricam-lhe queijos para todo o ano. Na igreja as mulheres estão ao meio do templo, de lenço na cabeça, separadas por balaustradas de madeira, e acabada a missa esperam que os homens esvaziem o altar-mor e a porta do adro para depois saírem. O respeito lá dentro é extraordinário. Depois do casamento os convidados juntam-se em casa dos noivos, à volta dos ovos cozidos, vinho e massa da noite, que estão na mesa. E vão comendo e pondo as cascas de lado, dizendo uns para os outros, compenetrados:
- Manares de Deus! – Dança-se até tocar à missa do outro, com os noivos sempre presentes e guardados pela família – porque têm Nosso Senhor no peito – e só no dia seguinte é que os deixam dormir um com o outro.
Não há pescadores: quem quer peixe pega numa linha e vai pescá-lo.
- Vais ao peixe?
- Uai! – como quem diz: sim.
(…)
Se estão doentes, metem-se na cama, sustentam-se de leite e esperam a saúde ou a morte.
(Raúl Brandão, "Ihas Desconhecidas", Círculo de leitores)
Publicado por morfeu às 10:26 PM | Comentários (4)
setembro 08, 2005
África

Publicado por morfeu às 10:40 AM | Comentários (5)
agosto 31, 2005
Bonito, saudável, pedagógico...sugiro
...as fichas intituladas "Um passeio pelo Porto", semanalmente apresentadas na revista Visão, e da autoria sapiente de Germano Silva, podem ser motivo para fazermos um turismo cá dentro, principalmente para quem viva no ou perto do Porto...

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Publicado por morfeu às 04:55 PM | Comentários (2)
agosto 29, 2005
Ir...de tapas...sugiro
...ainda que as férias e ordenados tenham acabado ou estejam por um fio, não posso deixar de contribuir para a cultura gastronómica - fazendo concorrência inferiorizada a esse blogue incontornável que nos povoa diariamente "culinária daqui e dali" - com esta referência nada nacionalista a vitualhas castelhanas em terras de Matosinhos...olé!

In Visão de 25/08/05
Publicado por morfeu às 08:45 PM | Comentários (1)
julho 31, 2005
Bora aí pr'o Andanças...
...não vou pr'o Brasiu, nem pr'a Cancun, nem...vou pr'os Carvalhais (nada de bocas)...onde está o Andanças...boa semana aos que se quedam...
Andanças
Publicado por morfeu às 10:30 PM | Comentários (3)
julho 26, 2005
Portugal é Lisboa e o resto é ,,,era paisagem... sugiro
O sindicato de Lisboa
Vital Moreira, in Público de 26/7/005
Um espectro assola os lisboetas de todas as condições e partidos: a tragédia de deixarem de ter o aeroporto ao pé da porta, dentro da cidade, privilégio raro por esse mundo fora.
(...)
Contra essa fronda, em que dá pena ver alinhar espíritos normalmente lúcidos, é irrelevante a evidência de que o aeroporto da Portela é uma espécie de apeadeiro aeronáutico que desmerece mesmo no confronto com aeroportos regionais europeus.
Um espectro assola os lisboetas de todas as condições e partidos: a tragédia de deixarem de ter o aeroporto ao pé da porta, dentro da cidade, privilégio raro por esse mundo fora. Companhias de aviação e agentes turísticos, hoteleiros e taxistas, jet set nacional e funcionários da UE no vaivém de Bruxelas, colunistas de imprensa e médicos de partida para o próximo congresso turístico nas Caraíbas -, não existe virtualmente ninguém que não considere como crime de lesa Lisboa a peregrina ideia de construir um novo aeroporto internacional fora da cidade. A oposição unânime ao aeroporto só tem comparação na reacção dos numerosos regimes especiais da função pública beneficiários de privilégios em vias de extinção.
Contra essa fronda, em que dá pena ver alinhar espíritos normalmente lúcidos, é irrelevante a evidência de que o aeroporto da Portela é uma espécie de apeadeiro aeronáutico que desmerece mesmo no confronto com aeroportos regionais europeus. De nada vale a demonstração de que ele tem os dias contados, por causa das suas limitações físicas e ambientais (nomeadamente o ruído). Pouco importa a ideia de que o país não pode deixar de ter um aeroporto internacional capaz de responder ao previsível aumento da procura de transporte aéreo e às modernas exigências aeroportuárias.
Ora, se há algo de errado no projecto do novo aeroporto, independentemente da sua localização, não é decisão de avançar finalmente com a sua execução, mas sim o facto de esta ser tardia, obrigando à realização de custosas obras de adaptação interina da Portela, que bem poderiam ter sido poupadas, se a nova estrutura tivesse avançado mais cedo, como deveria. Infelizmente em Portugal o mal habitual das obras públicas em infra-estruturas não é serem supérfluas, mas sim virem atrasadas no tempo.
Um dos grandes argumentos brandidos contra o novo aeroporto tem a ver com os seus elevados custos financeiros, sobretudo tendo em conta as dificuldades financeiras nacionais e os sacrifícios que se está a pedir aos cidadãos, especialmente aos funcionários públicos, em termos de impostos, remunerações, idade de reforma e valor das pensões, etc. Essas preocupações são em geral infundadas e em boa medida demagógicas. Primeiro, por maiores que sejam as limitações financeiras, continua a ser ao Estado que cabe assegurar as infra-estruturas básicas, que o mercado e a iniciativa privada não garantem; segundo, uma das razões para a contenção de gastos públicos correntes tem a ver justamente com a necessidade de libertação de meios para investimento, sem o qual não haverá desenvolvimento, nem emprego, nem alívio das dificuldades financeiras actuais; terceiro, neste caso os meios financeiros necessários podem ser proporcionados em grande parte pelo sector privado, dada a rentabilidade da infra-estrutura.
Infelizmente, Lisboa está mal habituada. Não lhe bastando as vantagens inerentes à sua condição de capital - como centro político, administrativo, financeiro, económico, mediático, artístico, etc. -, Lisboa dá-se mal com qualquer situação em que os interesses do país possam entrar em conflituar com os seus próprios interesses imediatos. Por definição, considera que os seus interesses se confundem com os interesses do país. E se, porventura, isso pareça não suceder, então o mal está no país. Curiosamente, os protestos contra o novo aeroporto com base nos alegados custos financeiros não têm equivalente quando se trata de investimentos estaduais que beneficiam directamente Lisboa, como sucede com os projectos de novas linhas de metro ou de novas travessias sobre o Tejo.
Para além dos benefícios resultantes da "capitalidade" em termos de oportunidades, emprego, rendimentos e qualidade de vida, Lisboa ainda beneficia do privilégio de ver o Estado encarregar-se de obras e serviços públicos que normalmente não lhe deveriam pertencer. O caso mais flagrante é o dos transportes colectivos urbanos. Enquanto noutras cidades esse serviço público é responsabilidade dos respectivos municípios, seja em administração directa ou indirecta (serviços municipalizados, empresas públicas municipais, concessão a entidades privadas), cabendo-lhes também suportar os encargos financeiros inerentes às "obrigações de serviço público", já no caso de Lisboa a organização dos transportes colectivos constitui responsabilidade do Estado. Isso quer dizer que o financiamento das obrigações de serviço público de transporte, designadamente as chamadas "indemnizações compensatórias" - não mencionando sequer o investimento nas respectivas infra-estruturas -, incumbe ao Oçamento do Estado, ou seja, a todos os contribuintes, mesmo àqueles que já pagam os transportes urbanos dos seus próprios municípios.
Nada melhor simboliza a subestimação dos interesses gerais face aos interesses de Lisboa do que o facto de até há pouco ser obrigatório passar por Lisboa para viajar do Norte ou do Centro do país para o Sul por auto-estrada. Outro exemplo recente tem a ver ainda com investimentos públicos. Como a região de Lisboa ultrapassou em muito o limite de riqueza que habilita a beneficiar dos fundos comunitários destinados ao desenvolvimento regional e à coesão territorial, é tudo menos surpreendente que, para atenuar essa perda, o Governo tenha decidido há pouco disponibilizar fundos consideráveis para ajudas de Estado às empresas dessa região. Não consta ter havido algum protesto contra esse "desperdício" de dinheiros públicos em época de dificuldades financeiras.
Outras vezes ocorre que, face aos maciços investimentos do Estado em Lisboa e na sua região, os governos se sentem levados a compensar outras regiões com algumas migalhas, para não parecer tão escandaloso o desequilíbrio. Assim sucedeu depois da Expo-98 em Lisboa, com o lançamento do programa Pólis, destinado a revitalizar várias outras cidades por esse país fora. Acontece porém que, na maior parte dos casos, a execução desse plano ficou muito aquém do programado, por falta de verbas. Quando há que cortar no orçamento, começa-se pela província!
Portugal é reconhecidamente um país de desenvolvimento assimétrico, com enormes disparidades territoriais, cuja superação carece de "acção positiva" do Estado no plano do investimento público regional. Tal circunstância poderia suscitar críticas contra um investimento público da dimensão do novo aeroporto, inevitavelmente situado próximo de Lisboa, sua principal beneficiária. Essa crítica seria demagógica, visto que neste caso o que está em causa são os interesses do país. Mas ao menos que ele não seja enjeitado em função do interesse paroquial de Lisboa em manter um aeroporto doméstico.
Publicado por morfeu às 09:12 AM | Comentários (5)
julho 25, 2005
A Sª da Saúde deu-nos água...
...tentava-se recrear a romaria antiga, com trajes, cantares, rituais, comes e bebes...

...recebidos por uma névoa que se tranformou em molha tolos, lá fomos aguentando, para dançar no terreiro...


...estes romeiros ao menos tinham calças curtas...
e a concertina...

...mai-lo bandolim...

...em mantas e esteiras, comer e beber para depois partir pois a Sº da Saúde deu-nos água este ano...bem haja!

Publicado por morfeu às 04:34 PM | Comentários (3)
julho 23, 2005
Vou de romaria à Sª da Saúde...
...tentarei fazer a reportagem possível, curando de obter fotos à maneira...
Publicado por morfeu às 10:04 PM | Comentários (3)
julho 02, 2005
Passeio pelo Porto
...nestes dias - para muitos - "dificultosos", temos que aguçar o engenho e aproveitar sugestões, neste caso de excelência pela qualidade do autor, que escreve no caderno "sete" da revista "Visão", de lazer...aqui fica uma ficha sobre "ao longo da Cantareira"...

Publicado por morfeu às 02:32 PM | Comentários (2)
junho 18, 2005
África, reportagem visão, imperdível...
Eu que nunca estive em África, nem na chamada "guerra colonial", continuo neste meu perfil humano-global, fascinado pela graça e desgraça desse continente. Aprendi na primária, nos afastados anos 5o, a sua geografia - rios e caminhos de ferro e cidades e províncias- a ter uma certa consideração pelos "pretinhos" cristamente salvos pelos trabalho missionário e...pouco mais.Por leituras e interpostas pessoas, dois irmãos que por lá fizeram a tropa,amigos que comigo estudaram, ficou-me um sentir utópico por esse algures,seus habitantes de coloridas diferenças, animais vários, desejo dos seus cheiros, o absoluto da sua imensidão, a catarse das tempestades adoçada pelos seus sol-pôr. Não sei se um dia poderei conhecer lugares tais, mas aqui fica a minha desejosa aspiração através da imagem desta excelente reportagem da revista Visão...

Publicado por morfeu às 02:32 PM | Comentários (3)
maio 26, 2005
Pelos campos fora...no lés a lés....
...saboreando a paisagem, fazendo as curvas verdadeiras,irmanando a natureza a quem se pede escusa de algum barulho...vamos lá ao Lés-a-Lés e pelo menos até domingo esquecer chatices várias típicas deste país...a quem vier por bem um até domingo...
Morfeu
Publicado por morfeu às 08:45 AM | Comentários (6)
maio 24, 2005
Blogueiros e blogards no 7º Lés-a-Lés...
...vamos deixar o conforto da cadeira e o teclado para passearmos as nossas "burras" num percurso que será essencialmente raiano partindo de Macedo de Cavaleiros e desaguando em Faro...seja de 5ª a Domingo...vai ser um fartote!Do evento haverá seguramente reportagem, tanto mais que este ano resolvi contratar o Manuel G. do "Olhópassarinho" para registar as vistas...eu também farei alguns disparos...aqui fica uma foto, roubada à Federação para aquilatar das dificuldades que nos esperam...
Publicado por morfeu às 11:53 AM | Comentários (5)
fevereiro 02, 2005
Precisamos de ombros e costas para não deixar as Azenhas desmoronar...
Publicado por morfeu às 07:13 PM
dezembro 19, 2004
Viajar com alma e bagagem...sugiro

...corra a adquirir e, se puder, releia as crónicas no expresso do mesmo autor...este tipo de experiência vai sendo único e só posso estar agradecido a este ilustre viajante por me ter possibilidado "viajar" com ele durante tanto tempo.Um abraço e parabéns Gonçalo Cadilhe...
Publicado por morfeu às 10:45 PM | Comentários (1)
dezembro 02, 2004
O que é que Chaves tem a ver com Portugal?...sugiro
Publicado por morfeu às 12:03 PM | Comentários (1)
setembro 27, 2004
Paisagem Portuguesa...Amarante

...sem referência de autor;recebido por e-mail
Publicado por morfeu às 10:05 PM | Comentários (1)
setembro 14, 2004
RAINFOREST...

Publicado por morfeu às 11:17 AM | Comentários (2)
setembro 13, 2004
Do Moliceiro...

Publicado por morfeu às 09:06 PM
julho 24, 2004
Minho..."Um rosto genuíno e múltiplo"... 4
Com sorte, poderá ainda o visitante conseguir, em Barcelos, um Cristo negro, um diabrete, ou um bicho estranhíssimo, tudo assinado pela mão de Rosa Ramalho, 
e logrará também adquirir peças genuínas bordadas a lã e algodão, a lantejoulas e vidrilhos.
E não deixará o Minho sem desvendar as grade aldrava de argola com figuras finamente estilizadas de cães, lagartos, cavalos e de outros animais. Os que escolherem estes itinerários admirar-se-ão com os espigueiros de apuradíssima cantaria assentes em toscos pilares, com mós centenárias e ábacos, com pórticos encimados por cruzes lavradas no granito pouco dócil do baixo Minho, com portas de ornatos pintados ou esculpidos na madeira, ostentando rosetas, silvas, iniciais de nomes e datas de construção.
(…)
E o sol, repartido em deslumbrantes cintilações, brilhará nas lantejoulas das jaquetas e casacos. E o peito o peito das raparigas, constelados de jóias, desvendará o dote aos moços casadoiros. Tonificados com aromas de sargaço e de pinheiro, irão os viajantes repousar da viagem que sempre ficará por cumprir.
Dormitam agora casebres de beirais alpendrados e solares torreados, cuja beleza interior a erosão do tempo apagou. Desbota o dia no ouro da tarde que esmorece. Esvaem-se lugares na melancólica arquitectura nocturna. E as sombras que se vão derramando esbatem coisas e seres na paisagem amena que uma brisa muito ténue adormeceu, sob o olhar atentíssimo de um deus gentil e benévolo.
In: Guia Expresso de Portugal, nº 10
Texto de: Mª Adelaide Valente
Publicado por morfeu às 02:58 AM | Comentários (3)
julho 22, 2004
Minho..."Um rosto genuíno e múltiplo"... 2

O solo rugoso varia sua altitude entre os cinquenta e os setecentos metros, ou mais ainda se tomarmos o rumo do Extremo, Labruge ou Arga.
Paralelamente às linhas de relevo, correm rios de que se destaca o Minho com seus trezentos quilómetros entre os Cantábricos e Caminha. E o Lima, refrescando leivas onde vicejam cereais e linhos, será sempre o que os romanos quiseram, o do olvido, o Letes mitológico.
Por todo o lado pontifica o pinheiro marítimo – «pinus pinaster» – verdadeira muralha de arvoredo protegendo os campos cultivados da invasão das areias dunares. E, modernamente, o eucalipto vai tirando lugar ao carvalho roble ou carvalho minhoto – «quercus robur» –, correspondendo às exigências de uma exploração mais rentável. Por entre as vertentes alcantiladas das montanhas perseguem os caçadores, em tempo que a lei regulamenta, codornizes e tordos, e nas bordas dos rios maiores os ganapos afugentam, numa estúrdia imensa, maçaricos, corvos-marinhos e narcejas. Nas serranias altíssimas da Peneda e Soajo voltejam imponentes falcões e águias-reais e, no Gerês, lobos e raposas já não são como outrora objecto de concorridíssimas batidas.
Nas várzeas, se a lentura é excessiva, vicejam prados de lima e, aqui e ali, cultiva-se batatas e linho. Na paisagem vão-se encastoando laranjeiras, damasqueiros, e cerejeiras, e na Primavera florescem goivos, malvas, sardinheiras e lilases. E o alecrim e a hortelã insinuam-se nos beirais das casas com suas agradáveis e peculiares fragrâncias.
Publicado por morfeu às 12:26 PM | Comentários (2)


