outubro 29, 2009

Uma década de fotografia.

sugiro...

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setembro 11, 2009

O Tempo, como vivê-lo?

sugiro...

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setembro 06, 2009

Narcisismo in "Courier Internacional".

Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...

Um interessante dossiê acerca do "Narcisismo", desenvolvido no número de Setembro do Courrier Internacional, para além de outros artigos e "viagens" mediáticas. Viajar a preço de saldo e sem sair de casa...


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agosto 29, 2009

A tentação do Cristianismo

(...) Luc Ferrry não crê, porque "é demasiado belo para ser verdade". Outros, porém, acreditaram e acreditam, precisamente porque o cristianismo mostra a sua verdade na sua correspondência com o dinamismo mais fundo do ser humano. Cabe a cada um decidir.(...)

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agosto 14, 2009

Mercado de coisa nenhuma...

sugiro...

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junho 06, 2009

O Mito do "Cuidado"...

"Uma vez, ao atravessar um rio, o 'Cuidado' viu terra argilosa. Pensativo, tomou um pedaço de barro e começou a moldá-lo. Enquanto contemplava o que tinha feito, apareceu Júpiter. O 'Cuidado' pediu-lhe que insuflasse espírito nele, o que Júpiter fez de bom grado. Mas, quando quis dar o seu nome à criatura que havia formado, Júpiter proibiu-lho, exigindo que lhe fosse dado o dele. Enquanto o 'Cuidado' e Júpiter discutiam, surgiu também a Terra (Tellus) e queria também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora ela a dar-lhe um pedaço do seu corpo. Os contendentes tomaram Saturno por juiz. Este tomou a seguinte decisão, que pareceu justa: 'Tu, Júpiter, deste-lhe o espírito; por isso, receberás de volta o seu espírito por ocasião da sua morte. Tu, Terra, deste-lhe o corpo; por isso, receberás de volta o seu corpo. Mas, como foi o 'Cuidado' a ter a ideia de moldar a criatura, ficará ela na sua posse enquanto viver. E uma vez que entre vós há discussão sobre o nome, chamar-se-á 'homo' (Homem), já que foi feita a partir do húmus (Terra)'."

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abril 26, 2009

"Dançai com Cristo sobre os Evangelhos"

"Musas amigas, levai estes espelhos / Que reflectem do tempo a estampa fútil. / Dançai com Cristo sobre os Evangelhos / O círculo dos deuses inconsútil. // Nem céu nem inferno dos sacramentos velhos / Que são os cárceres de uma fé indúctil. / De em meu barro escutar santos conselhos / Desposa o Espírito minha alma núbil. // E em meu jardim interior passeiam / À meia-noite em flor amantes mortos / Que entre acácias se estreitam ressurrectos. // Com paixões que as grades incendeiam / Endireito da vida atalhos tortos, / E na morte entrarei de olhos abertos."

...pegando nas palavras de Natália Correia, Bento Domingues associa a sua reflexão dominical.
(In Público de 26/04/09)

As narrativas que temos são actos de linguagem que tentam apontar sinais, mas não descrever o sobrenatural

1. Desde E. Cassirer, ninguém estranha que se diga que o ser humano é um animal simbólico. Certo positivismo tem dificuldade com essa linguagem, mas é o positivismo que restringe a sua capacidade. É próprio das artes, da literatura e da música sugerir, no sensível, o inexprimível da realidade inabarcável em conceitos claros e distintos.
Na Semana Santa, foram celebradas todas as formas da dor humana. Na Vigília Pascal, antecipamos as páscoas que faltam: matar todos os dias o poder da morte na morte de Cristo, ressuscitar na Sua ressurreição. Nessa Vigília, mãe de todas as vigílias, apesar das longas horas que convocaram o que há de melhor em nós, tudo ficou ainda por dizer. Foi a partir daí que dois mil anos de literatura, música, pintura, cinema fizeram de Jesus Cristo a figura suprema do mundo desejado. Até às festas da Ascensão e do Pentecostes, os cristãos continuarão a dizer, num grande crescendo da memória, o que aconteceu, acontece e acontecerá.
Dir-se-á que os textos dos Evangelhos e dos Actos dos Apóstolos sobre a Ressurreição estão semeados de acontecimentos inverosímeis, de incongruências e até de contradições. Todos os anos regressa a discussão sobre o que neles é histórico, lendário e simbólico.

2. Há dois caminhos que não vão dar a lado nenhum saudável: tentar destrinçar o que é histórico e o que é lendário; servir-se dos textos para pregações e catequeses moralizantes. Os historiadores e os psicólogos podem tentar saber por que razão os discípulos - que tinham dispersado ao verificar a crucifixão e a morte de toda a esperança depositada em Jesus -, passado pouco tempo, confessavam a experiência de que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Messias, está vivo e, por causa dele, estarão progressivamente dispostos a tudo. A esse nível, o fenómeno em torno da descrença e da crença na Ressurreição pode ser matéria de história e de psicologia. Mas nada mais. Ninguém viu o acto de ressuscitar nem quem o ressuscitou. São realidades da ordem do inverificável empiricamente. Por duas razões. Primeiro, porque não se trata de alguém que estava morto e que voltou à sua situação anterior. Se fosse o caso - como se diz que aconteceu com Lázaro -, poder-se-ia comparar a situação dessa pessoa antes e depois da morte. Segundo, um fenómeno sobrenatural e o próprio Deus não são evidentes, não são fotografáveis nem testáveis em laboratório. Quem imaginasse o contrário negaria a absoluta transcendência de Deus e o sobrenatural. As narrativas que temos são actos de linguagem que tentam apontar sinais, mas não descrever o sobrenatural.
Pode-se, no entanto, perguntar: mas então, porque será que as narrativas e as pregações do Novo Testamento não se contentaram com a sobriedade essencial: Jesus ressuscitou e não sabemos mais nada. Parem de pensar, de imaginar e de perguntar.
De facto, não foi o que aconteceu. S. Pedro, bastante mais tarde, aconselhou: "Estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança" (1Pd 3, 15). Os autores do Novo Testamento tinham de mostrar que o ressuscitado era o mesmo que foi crucificado, mas não o era da mesma maneira. Era ainda mais real, mas numa forma de realidade incomparável com aquela com que tinham convivido.

3. Tarefa nada fácil. As testemunhas da experiência do Ressuscitado tinham de apresentar a sua convicção na linguagem dos gestos e das experiências que tiveram com Jesus. Tinham também de mostrar o que havia de radicalmente novo naquela experiência. Não lhes caiu do céu um ditado divino que dispensasse a imaginação e as palavras humanas. A Ressurreição transfigura, mas não pode negar as exigências da Incarnação. Tinham de se servir do que estava disponível na sua língua, na sua cultura. São os conceitos de inspiração, revelação e inerrância, atribuídos aos textos bíblicos, que precisam de levar uma grande volta, para não produzirem resultados mais nefastos do que aqueles que pretendem evitar.
Se consentirmos na convicção de que a linguagem simbólica, metafórica, é a mais adequada para exprimir e dizer a fecundidade do mistério pascal na nossa vida, como perpétuo movimento, constante conversão, passagem da morte à vida pelo amor dos irmãos, de todos (1Jo 3, 14), não estranharemos acontecimentos inverosímeis, incongruências e até contradições. O cristianismo junta, no Espírito de Deus, nosso espírito, duas palavras explosivas que parecem incompatíveis: Jesus e Cristo.

Não é na linguagem dos tratados teológicos e dos catecismos que a poetisa açoriana Natália Correia evoca a Páscoa e o Pentecostes. E ainda bem: "Musas amigas, levai estes espelhos / Que reflectem do tempo a estampa fútil. / Dançai com Cristo sobre os Evangelhos / O círculo dos deuses inconsútil. // Nem céu nem inferno dos sacramentos velhos / Que são os cárceres de uma fé indúctil. / De em meu barro escutar santos conselhos / Desposa o Espírito minha alma núbil. // E em meu jardim interior passeiam / À meia-noite em flor amantes mortos / Que entre acácias se estreitam ressurrectos. // Com paixões que as grades incendeiam / Endireito da vida atalhos tortos, / E na morte entrarei de olhos abertos."

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março 15, 2009

Fotos do Mundo em 2008

sugiro...

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março 07, 2009

Não concebo um Deus que não seja bailarino...

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Da pseudo-misoginia de S. Paulo

Sempre me provocou revolta, nos casamentos católicos, a leitura de cartas de S.Paulo, acerca da mulher e do seu estatuto no casamento. Consequentemente, a minha posição foi de alguma animosidade em relação ao apóstolo. Recentemente, tive a ocasião de ler obras mais actuais e fidedignas, e mudei de opinião. Como diz a crónica de A. Borges, de S.Paulo existem cartas verdadeira e pseudo-epístolas. Ora, é nas pseudo-epístolas que a misoginia se manifesta. Os noivos que exijam doravante que tais textos não sejam utilizados.

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fevereiro 25, 2009

Beleza e ancestralidade: Tribo de Omo.

...habituados que estamos a uma beleza de consumo, sem peso ou substância, fitemos a nossa admiração nesta ancestralidade que povoa corpos e seres de seres que por aí existem mas não sei se constam...

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fevereiro 21, 2009

Como reconhecer Deus? sg/ Anselmo Borges

eye-of-god.jpg

Há relativamente pouco tempo, coloquei esta pergunta a um grupo de crentes: "Se Deus lhe aparecesse, dizendo 'aqui estou, sou eu o Deus', como o reconheceria?"

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fevereiro 16, 2009

Beleza e sofrimento...

mulheres1.jpg
Nakita Olegole, 17 anos, tribo mursi, Etiópia. Quando ainda pequenas, fazem-se incisões no lábio inferior e nas orelhas, inserindo depois, discos de argila cada vez maiores...(In Marie Claire)

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fevereiro 07, 2009

...um dólar por dia...

sugiro... a reflexão de A.Borges acerca do excesso do capital, da ausência de ética na sua prática...

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janeiro 22, 2009

O Poder da caricatura...

Sugiro

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janeiro 21, 2009

Quadros interactivos, o futuro já!

O admirável mundo novo da interactividade...a música do gesto...relatório minoritário à disposição da escola....

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dezembro 11, 2008

Direitos Humanos, 60 anos:Dossiê in Público

sugiro...

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novembro 24, 2008

Dia da Ciência:Poema para Galileu

sugiro...

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novembro 15, 2008

Deus e Darwin, sg/ A.Borges

Uma pedagógica reflexão de A.Borges, cuja leitura...
sugiro...
sugiro...

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outubro 14, 2008

Lisboa: um guia original...

sugiro...

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outubro 13, 2008

A Vida Eterna ... despedida.

Avidaeternasavater.jpg

...com um dos mais belos poemas de amor e tudo o mais que possa ser, aqui deixo a sugestão para leitura de mais uma obra extraordinariamente pedagógica de F.Savater.

Despedida

Eis-me aqui junto da tua sepultura,
Hermengarda,
para chorar a carne pobre e pura
que nenhum de nós viu apodrecer

Outros viriam lúcidos e enlutados,
e no entanto eu venho embriagado,
Hermengarda, eu venho embriagado.
E se pela manhã encontrarem a cruz
do teu túmulo derrubada no solo
não foi a noite, Hermengarda,
nem foi o vento.
Fui eu.

Quis amparar a minha embriaguez na tua cruz
e rolei pela terra em que repousas
coberta de margaridas e contudo triste.

Eis-me aqui junto da tua sepultura,
Hermengarda,
para chorar o nosso amor de sempre.

Não é a noite, Hermengarda,
nem é o vento.
Sou eu.

( Ledo Ivo, Valsa fúnebre para Hermengarda.)

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outubro 06, 2008

Sua Santidade Ratzinger...

courriersetembro08.jpg

...a instituição Igreja católica romana não esqueça da sua própria e enorme responsabilidade. A sua fobia à sexualidade e o menosprezo encapotado pela mulher, a sua resistência a rituais mais adaptados aos tempos actuais, tem feito com que muitos seres humanos se tornem indiferentes à sua mensagem.Não desdigo destes tempos impiedosos em que o vil metal se impões escandalosamente mas ver o argueiro no outro e não ver a enorme catarata na sua própria visão...

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setembro 20, 2008

"O bosão de Deus..."

sugiro...

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agosto 15, 2008

Alternativas

...que implicarão, caso a escravidão petrolífera acabe, mudanças na própria sociedade...quando?..

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junho 12, 2008

Le monde des religions; L'Inquisition,

Mondereligionsinquisição.jpg

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maio 03, 2008

3 de Maio segundo Goya ... inesquecível!

3 de Maio de 1808

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abril 17, 2008

Há gente que vale a pena... exemplar.

...o homem, esse contínuo desconhecido...

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abril 05, 2008

..."bestia cupidissima rerum novarum"...

Do Homem, do transcendente, do transcender, na reflexão sempre enriquecedora de A.Borges

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março 27, 2008

São os Humanos enigmáticos?... descobertas.

assim vamos avançando neste "o homem esse desconhecido

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março 17, 2008

Decreto 2/2008...ou a humildade do bom-senso. Subscrevo!

humildade de húmus, que se sabe terra e pó e adubo, sendo activa e não submissa... com a devida vénia ao autor.

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março 10, 2008

Estar farto de ... Salazar. Subscrevo a crónica de D.Sampaio

Com mais de meio século de existência, recordo-me bem dos tempos cinzentos dessa sombria figura. Nos anos 50 do século passado, eram muitos os mendigos, os pés descalços, as famílias pobres e numerosas. A minha teve dificuldades, e só o esforço de meus pais, permitiu que nove filhos conseguissem chegar onde chegaram. Pelo menos o pontapé de saída para a vida foi deles.
Perto da casa em que vivi a minha infância, havia gente que vivia em barracas. Andavam descalços. Na escola tinha colegas que vinham descalços, ou com sapatos cambados. Os imigrantes eram mais que muitos. Tinha na minha escola as fotos das figuras do regime. Ao meio um crucifixo.
Ao ler a crónica de D. Sampaio, sinto esses tempos novamente.Não os quero. Subscrevo a sua crónica.

FARTO DE SALAZAR
Daniel Sampaio

Estou mesmo farto de Salazar. Durante toda a minha juventude ansiei pelo seu fim. Tudo começou há muito tempo. Talvez quando eu tinha doze anos e o meu irmão me explicou Humberto Delgado, numa inesquecível conversa sobre a democracia. Ingénuo, eu acreditava na vitória do General Sem Medo: com tanta gente a seu lado, como poderia perder as eleições? Foi aí que comecei a detestar Salazar.
Com quinze anos aderi à ilegal Comissão Pró-Associação dos Liceus, participei em muitas reuniões clandestinas e vi ser proibido um jornal escolar chamado "Perspectiva", que elaborei com o Ruben de Carvalho e mais alguns amigos. Com dezasseis anos, a minha conferência no Pedro Nunes sobre Albert Camus foi autorizada à última hora, graças ao pedido da mãe de um colega: parece que o orador não era de confiança e o romancista não agradava ao regime.
Com dezoito anos entrei na Faculdade de Medicina de Lisboa. Participei, ao longo do curso, em todas as greves e manifestações contra Salazar e não me deixei seduzir pela "primavera marcelista". Adiado do serviço militar para fazer a especialidade de Psiquiatria, o dia 25 de Abril de 1974 salvou-me da guerra colonial e foi dos mais felizes da minha vida.
Por tudo isto, estou farto. Depois de livros sobre Salazar que ocultaram com intenção o lado mais terrível do regime, após um concurso televisivo onde se esconderam as atrocidades da ditadura, chegámos ao embelezamento físico da personagem: a imagem "modernizada" de Salazar aparece-nos em cada esquina. Agora surge de cabelo colorido e aspecto tranquilo em cartazes por toda a cidade, numa propaganda de um concurso qualquer. Competição e cartazes legítimos e oportunos, a aproveitar a "onda salazarista", mas que a mim causam más recordações e vontade de retratar o homem de outro modo: vestido de cinzento, de chapéu negro enterrado na cabeça e botas- de- elástico, afinal a face visível do que ele sempre foi.
O problema será só meu, que protesto contra o embelezamento de tão desagradável pessoa? Julgo que não: é tempo de aproveitarmos a oportunidade e explicar aos mais novos quem foi Salazar. O livro "Vítimas de Salazar", de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha (Esfera dos Livros) deveria ser ensinado em todas as escolas e publicitado por todo o lado: mostra bem como foi o regime de Salazar, um dos períodos mais negros da nossa história.
Precisamos demonstrar aos nossos filhos e netos como o medo dominava e a liberdade não existia, uma guerra incompreensível matava muita gente e o país estava triste e atrasado. Sigo o livro citado e leio: a censura, as escutas telefónicas e as violações do correio, os informadores da PIDE/DGS, a tortura ("meia dúzia de safanões dados a tempo a essas criaturas sinistras", dizia Salazar, a querer esconder a "estátua", a privação do sono e o isolamento dos presos políticos), a farsa dos julgamentos e as medidas de segurança, a darem cobertura legal a prisões prolongadas dos opositores do regime; os saneamentos na função pública e os campos de concentração como o Tarrafal; a guerra de África e os seus massacres; a repressão sobre os estudantes (eu aluno do liceu a espreitar o meu irmão nos plenários de 1962, depois a fugir das cargas policiais...); acima de tudo, as mortes de que Salazar foi o grande responsável: Catarina Eufémia, Alfredo Dinis, José Dias Coelho, Manuel Fiúza, Humberto Delgado, Ribeiro dos Santos, só para citar alguns mais conhecidos.
Por isso eu digo: mostrem o Salazar que pretendem branquear, a democracia em que vivemos dá essa possibilidade e por isso aproveitem bem. Para quem estiver, como eu, farto de tanta propaganda, uma frente de esclarecimento deve ser posta em marcha: com respeito pelas opiniões alheias (o que faltava ao homem de Santa Comba), é imperioso que informemos toda a gente - distraída ou inebriada pela atraente publicidade - de quem foi Salazar na realidade.
Pela verdade. Pela memória das suas vítimas. Pelo direito à informação dos mais novos, que a continuar assim deixarão de perceber por que motivo se fez o 25 de Abril.

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Estar farto de ... Salazar. Subscrevo a crónica de D.Sampaio

Com mais de meio século de existência, recordo-me bem dos tempos cinzentos dessa sombria figura. Nos anos 50 do século passado, eram muitos os mendigos, os pés descalços, as famílias pobres e numerosas. A minha teve dificuldades, e só o esforço de meus pais, permitiu que nove filhos conseguissem chegar onde chegaram. Pelo menos o pontapé de saída para a vida foi deles.
Perto da casa em que vivi a minha infância, havia gente que vivia em barracas. Andavam descalços. Na escola tinha colegas que vinham descalços, ou com sapatos cambados. Os imigrantes eram mais que muitos. Tinha na minha escola as fotos das figuras do regime. Ao meio um crucifixo.
Ao ler a crónica de D. Sampaio, sinto esses tempos novamente.Não os quero. Subscrevo a sua crónica.

FARTO DE SALAZAR
Daniel Sampaio

Estou mesmo farto de Salazar. Durante toda a minha juventude ansiei pelo seu fim. Tudo começou há muito tempo. Talvez quando eu tinha doze anos e o meu irmão me explicou Humberto Delgado, numa inesquecível conversa sobre a democracia. Ingénuo, eu acreditava na vitória do General Sem Medo: com tanta gente a seu lado, como poderia perder as eleições? Foi aí que comecei a detestar Salazar.
Com quinze anos aderi à ilegal Comissão Pró-Associação dos Liceus, participei em muitas reuniões clandestinas e vi ser proibido um jornal escolar chamado "Perspectiva", que elaborei com o Ruben de Carvalho e mais alguns amigos. Com dezasseis anos, a minha conferência no Pedro Nunes sobre Albert Camus foi autorizada à última hora, graças ao pedido da mãe de um colega: parece que o orador não era de confiança e o romancista não agradava ao regime.
Com dezoito anos entrei na Faculdade de Medicina de Lisboa. Participei, ao longo do curso, em todas as greves e manifestações contra Salazar e não me deixei seduzir pela "primavera marcelista". Adiado do serviço militar para fazer a especialidade de Psiquiatria, o dia 25 de Abril de 1974 salvou-me da guerra colonial e foi dos mais felizes da minha vida.
Por tudo isto, estou farto. Depois de livros sobre Salazar que ocultaram com intenção o lado mais terrível do regime, após um concurso televisivo onde se esconderam as atrocidades da ditadura, chegámos ao embelezamento físico da personagem: a imagem "modernizada" de Salazar aparece-nos em cada esquina. Agora surge de cabelo colorido e aspecto tranquilo em cartazes por toda a cidade, numa propaganda de um concurso qualquer. Competição e cartazes legítimos e oportunos, a aproveitar a "onda salazarista", mas que a mim causam más recordações e vontade de retratar o homem de outro modo: vestido de cinzento, de chapéu negro enterrado na cabeça e botas- de- elástico, afinal a face visível do que ele sempre foi.
O problema será só meu, que protesto contra o embelezamento de tão desagradável pessoa? Julgo que não: é tempo de aproveitarmos a oportunidade e explicar aos mais novos quem foi Salazar. O livro "Vítimas de Salazar", de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha (Esfera dos Livros) deveria ser ensinado em todas as escolas e publicitado por todo o lado: mostra bem como foi o regime de Salazar, um dos períodos mais negros da nossa história.
Precisamos demonstrar aos nossos filhos e netos como o medo dominava e a liberdade não existia, uma guerra incompreensível matava muita gente e o país estava triste e atrasado. Sigo o livro citado e leio: a censura, as escutas telefónicas e as violações do correio, os informadores da PIDE/DGS, a tortura ("meia dúzia de safanões dados a tempo a essas criaturas sinistras", dizia Salazar, a querer esconder a "estátua", a privação do sono e o isolamento dos presos políticos), a farsa dos julgamentos e as medidas de segurança, a darem cobertura legal a prisões prolongadas dos opositores do regime; os saneamentos na função pública e os campos de concentração como o Tarrafal; a guerra de África e os seus massacres; a repressão sobre os estudantes (eu aluno do liceu a espreitar o meu irmão nos plenários de 1962, depois a fugir das cargas policiais...); acima de tudo, as mortes de que Salazar foi o grande responsável: Catarina Eufémia, Alfredo Dinis, José Dias Coelho, Manuel Fiúza, Humberto Delgado, Ribeiro dos Santos, só para citar alguns mais conhecidos.
Por isso eu digo: mostrem o Salazar que pretendem branquear, a democracia em que vivemos dá essa possibilidade e por isso aproveitem bem. Para quem estiver, como eu, farto de tanta propaganda, uma frente de esclarecimento deve ser posta em marcha: com respeito pelas opiniões alheias (o que faltava ao homem de Santa Comba), é imperioso que informemos toda a gente - distraída ou inebriada pela atraente publicidade - de quem foi Salazar na realidade.
Pela verdade. Pela memória das suas vítimas. Pelo direito à informação dos mais novos, que a continuar assim deixarão de perceber por que motivo se fez o 25 de Abril.

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março 08, 2008

Da "Cantiga da rua" ao "Regresso da rua"...

Nota: merece leitura o artigo de J.P. Pereira no Público de hoje, subordinado ao tema "O regresso da rua"

sábado, 8 de Março de 2008
O regresso da rua


Estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais

Há um ano, se alguém dissesse que a "rua" iria ser importante na política portuguesa, seria ridicularizado. Ou era comunista ou era um antiquado nostálgico do PREC ou, ainda pior, do Maio de 1968. Estava na moda a mania um pouco yuppie e reaccionária de pensar que isso das manifestações não interessava para nada, eram coisas de sindicatos e do PCP, que eram inócuas e que nenhum "decisor" sério, dos que enxameiam as páginas dos jornais de economia, as tinha em conta para alguma coisa. Deixá-los lá estar no seu nicho de arcaísmo, que é nos gabinetes que as coisas se resolvem.
Tudo isto é um pouco irónico porque hoje o país está suspenso de uma manifestação em que toda a gente está na rua, do PS de Alegre ao PSD. Até a parte PP do CDS-PP está na rua, a que mais nefelibata é sobre as manifestações, essas "coisas de comunistas", e vai lá sob a forma de uma minúscula associação de professores ligada ao partido. Para colocar a cereja no cima do bolo da "rua", até o Governo está a preparar uma contramanifestação daqui a uma semana, tentando arranjar uma sala suficientemente pequena para ter uma enchente e tecto e paredes grossas para não se ouvirem os assobios.
Se se estivesse atento aos sinais, percebia-se que a "rua" estava a encher-se de forma anormal, consistente, muito para além da força do PCP e da CGTP, há muito tempo. Ao mesmo tempo, também a força da central sindical pró-comunista e do último partido comunista a sério da Europa Ocidental estavam a aumentar porque não há uma coisa sem a outra. Era pelo menos óbvio que existia mobilização e essa mobilização estava a trazer para a "rua" primeiro gente da área que se tinha desmobilizado já há bastante tempo e, depois, gente nova, não em idade, mas na ida a manifestações.
Sempre maltratados pela comunicação social, que acha muito mais graça aos efeitos pirotécnicos do BE, sindicatos, grevistas e PCP continuavam a funcionar mais como um pólo de mobilização do que de atracção, mas, mesmo assim, com resultados num país que tem o "retrato social" de Portugal. Desde a táctica de desgaste de Sócrates, que ia dos assobios de meia dúzia de activistas à entrada deste para as suas sessões de propaganda e casting, estragando-lhe os cenários e o marketing, até à sucessão de greves para culminar em greves gerais, estava em curso um treino do clima de agitação. Com o agravar da crise social, com muita gente a empobrecer, a começar pela classe média, com conflitos corporativos suscitados pela linguagem das reformas apresentadas a cada grupo profissional como sendo "contra os privilégios injustos" do grupo profissional do lado, reformas com mérito feitas muitas vezes de forma incompetente e atabalhoada, com casos de abuso do poder, como o da DREN, com um ambiente de precariedade na função pública, as pessoas começaram a perder o medo, ou a ultrapassá-lo, e a perguntar a si próprias: "Por que razão é que não vou à manifestação, por que razão não faço greve, tão atingida, humilhada, desesperada que estou?" E faz greve e vai à manifestação.
Analisemos três momentos deste crescendo. Primeiro, a CGTP fez uma manifestação com cerca de 100.000 pessoas e continuou a indiferença. No tratamento noticioso valeu menos do que um anúncio da máquina de propaganda de Sócrates, menos do que um incidente parlamentar ou um caso de doença rara com que se metem as lágrimas nos telejornais. Nos blogues era o mesmo ambiente em pior, porque os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião. Mas as pessoas estavam lá, na "rua", elas pelo menos sabiam que eram muitas.
Segundo, atrás do núcleo duro do PCP e da CGTP, começaram a aparecer outras forças políticas, regionais e locais, a minar o PS por dentro, como aconteceu na contestação à política de saúde do Governo. As manifestações já tinham à sua frente autarcas do PSD e do PS e, facto decisivo, obtiveram uma enorme vitória: derrubaram na rua o ministro da Saúde. A contestação na educação não teria sido o que foi e é sem as pessoas terem a consciência intuitiva que podem de facto empurrar o primeiro-ministro para derrubar a ministra ou obrigá-la a ceder. Será difícil, mais pela ministra do que por Sócrates, mas este já mostrou que pode ser empurrado para um canto e no canto pede tréguas.

Terceiro, há a manifestação do PCP, também maltratada pela comunicação social, a primeira que o partido faz em seu próprio nome, debaixo das bandeiras vermelhas da foice e do martelo, com os manifestantes a mostrarem o cartão do partido em frente das janelas do Tribunal Constitucional. Foi como se fazia antigamente, antes da batalha, quando o comandante concentra as tropas de mais confiança, a elite, as falanges mais treinadas, a cavalaria pesada, queimados pelo sol de mil refregas, retirando-as ordenadamente do conjunto das tropas coligadas e juntando-as ao seu lado, para lhes falar ao espírito de corpo, gritarem uns gritos de guerra próprios e depois voltarem às fileiras comuns.
Era uma manifestação puramente política, algo que nenhum partido em Portugal seria capaz de fazer, com cinquenta mil pessoas a marcharem pelo PCP e pelo comunismo, uma coisa tão rara nos dias de hoje em todo o mundo que deveria suscitar toda a atenção e todas as análises, mas passou quase despercebida. Este facto não encaixa no quadro mental e comunicacional dominante dos dias de hoje, por isso é como se não existisse. E, no entanto, sem o ver, também não se vê o Portugal realmente existente e não aquele que nós pensamos em abstracto para o século XXI.

Para finalizar, o PS e o Governo resolveram mostrar quão grande era a contestação na "rua" mostrando quão pequena é a sua capacidade de mobilização: anunciaram uma contramanifestação pequenina, que todos os dias muda de sítio para encolher as paredes e parecer que é grande na televisão. Era para ser numa praça do Porto, é certo que uma praça muito pequena e bem fechada de limites, para passar depois para uma sala do tamanho de menos de metade da praça. Eu a pensar que um partido que está à frente nas sondagens e cujo primeiro-ministro ganha com facilidade o confronto eleitoral com a oposição não teria dificuldade em encher a Avenida dos Aliados de gente desde a câmara à Estação de S. Bento. Pelos vistos, teme não o conseguir e a sua fraqueza já concedeu a vitória aos adversários.
Seja como for, também o PS está na "rua", verdade seja dita que dos dois lados. O PS governamental vai para a rua, embora mais fraco do que o PS que vai estar na manifestação dos professores, ou que esteve nas manifestações contra Correia de Campos. Ora isto muda o caso de figura e representa a vitória da "rua" um ano depois do seu vilipêndio. Não é que o PS não tenha todo o direito de lá estar, mas é o facto, esse sim preocupante, de todos sentirem necessidade de lá estar. Isso é que parece o PREC, medidas as distâncias.
Estando Governo e oposição na "rua", frente a frente, estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais que impliquem mediações no processo político. Falência do Parlamento, em primeiro lugar, dos partidos, em particular do PSD, na oposição, e do PS como apoiante do Governo, falência de muitos instrumentos de mediação. Por isso é que, estando toda a gente na "rua", nem sempre se sabe como de lá sair. Historiador


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março 01, 2008

Do Nada para o Nada, caminhantes ...

nessa contínua e misteriosa busca do Mistério, com a orientação laboriosa de A. Borges

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fevereiro 27, 2008

Ana Drago "super-star". Brilhante.

Depois da entrada anterior, acerca do estatuto dos deputados e suas prebendas, alguém surge merecedora do seu peso - ela que se me afigura p´ró magro - em ouro: Ana Drago. Já a conhecia dos tempos em que participou brilhantemente no programa de Daniel Sampaio, não me recordo o nome de momento, mas esta mulher pode ir muito longe. Que conserve toda a sua frontalidade, saber, e não deixe que a política a corrompa...

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fevereiro 03, 2008

Bento XVI, "Sapienza": Liberdade de expressão.

Pela reflexão de Bento Domingues e de A.Borges, divulgo alguns textos de reflexão. Este primeiro, provém de Bento Domingues. Em princípio mais dois se seguirão sobre o assunto. Com a devida vénia ao autor, e ao jornal Público.Bom domingo.

segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Como nasceu a universidade?


O discurso de Bento XVI, lido por M. Marietti, acabou por suscitar um verdadeiro concerto de aplausos

1. O clericalismo e o laicismo são duas formas de fanatismo que se alimentam com o medo da verdade do outro, com o medo de que o outro possa ter razão.

O Papa foi convidado a falar na Universidade de Roma "La Sapienza", na cerimónia de abertura do ano académico. Em nome da defesa da laicidade, alguns professores e alunos protestaram. Bento XVI, face à situação, preferiu anular a visita. O discurso acabou por ser lido por M. Marietti, suscitando nos docentes, investigadores, pessoal administrativo e estudantes um concerto de aplausos. O reitor da universidade, Renato Guarini, no seu discurso de abertura, renovou o convite ao Papa. Segundo ele, uma universidade tem o dever de continuar livre, tolerante e aberta. Houve, depois, uma grande manifestação de desagravo na Praça de S. Pedro. Mas não é isso que tem importância. Decisiva é a questão de fundo: em nome da laicidade, uma universidade italiana - fundada, aliás, por um Papa - será obrigada a recusar o diálogo com uma das correntes mais constantes da tradição europeia? Como observou o matemático judeu Giorgio Israel, "é surpreendente que quem escolheu como lema a célebre frase atribuída a Voltaire - "lutarei até à morte para que tu possas dizer o contrário do que eu penso" - se oponha a que o Papa pronuncie um discurso na Universidade de Roma".

Bento XVI começava o seu discurso, precisamente, com a pergunta: o que é que pode e deve dizer um Papa numa ocasião destas? Foi convidado como bispo de Roma - que tem responsabilidades em relação a toda a Igreja católica - para uma universidade que já não é do Papa. Não esqueceu, porém, que este se foi tornando uma das vozes da razão ética da humanidade.

2. Acolhe a objecção: ao falar como Papa, não estaria a tirar conclusões da fé sem validade para os que a não partilham? Antes de responder a esta questão, levanta outra fundamental: o que é a razão? Como poderá uma norma moral demonstrar que é "razoável"? Serve-se da posição maleável de John Rawls para não deixar à razão "pública" o exclusivo da razoabilidade que também se pode encontrar em doutrinas que derivam de uma tradição responsável e motivada. A sabedoria das grandes tradições religiosas deve, por isso, ser valorizada como uma realidade que não se pode lançar impunemente para o cesto da história das ideias. Como representante de uma comunidade que guarda, em si, um tesouro de conhecimento e de sabedoria ética, fala como representante de uma razão ética. Bento XVI, em relação aos destinatários da sua intervenção, pergunta: o que é a universidade? Qual é a sua missão? Ele pensa que se pode afirmar que a verdadeira e íntima origem da universidade está na sede de conhecimento, própria do homem. Este quer saber o que é tudo aquilo que o rodeia. Quer a verdade. Neste sentido, o seguinte questionamento de Sócrates seria o impulso do qual nasceu a universidade ocidental. Diante de uma defesa da religião mítica e sua devoção, Sócrates contrapõe: "Tu acreditas que entre os deuses exista realmente uma guerra recíproca e terríveis inimizades e combates... Teremos nós, Eutifrone, de afirmar que tudo isto é verdade?"

Nesta pergunta aparentemente pouco devota - mas que, em Sócrates, derivava de uma religiosidade mais profunda e mais pura, ou seja, da busca do Deus verdadeiramente divino - os cristãos dos primeiros séculos reconheceram-se a si mesmos e ao seu caminho. Acolheram a sua fé, não de forma positivista ou como a via de fuga de desejos não realizados, mas como uma diluição da neblina da religião mitológica, deixando espaço à descoberta daquele Deus que é Razão criadora e, ao mesmo tempo, Razão-Amor. Por isso, ao interrogar-se da razão sobre o Deus maior e também sobre a verdadeira natureza e o autêntico sentido do ser humano, era para eles, não uma forma problemática de falta de religiosidade, mas fazia parte da essência do seu modo de serem religiosos. Por conseguinte, eles não tinham necessidade de diluir ou abandonar o questionamento socrático, mas podiam, aliás deviam, acolhê-lo e reconhecer, como parte da sua própria identidade, a árdua busca da razão para alcançar o conhecimento da verdade inteira. Assim podia, aliás devia, no âmbito da fé cristã, no mundo cristão, nascer a universidade.

3.O estilo do discurso de Bento XVI - do qual, hoje, só apresento a introdução - não é fácil para uma leitura de jornal. Ao procurar os fundamentos das relações entre a fé cristã e a razão, no horizonte da busca da verdade, num contexto de relativismo cultural, parece que não quer deixar nada por dizer, embora se note que também ele anda à procura. Veremos quais são os caminhos que propõe para a articulação das ciências, da filosofia e da teologia na universidade. S. Tomás de Aquino, celebrado amanhã na Igreja católica, começou a tornar-se o seu guia.


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janeiro 30, 2008

Barroso, tradição da matança do porco

in galeria foto de Público

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janeiro 13, 2008

Da confissão "auricular" às "penas do Inferno".

confession.jpg
foto daqui

Da minha antiga práctica religiosa, confesso que pequei um bocado ao confessar-me...principalmente quando o padre confessor queria saber "determinadas" coisas... mas como havia a absolvição final, a coisa compunha-se e vinha de alma lavada até ao primeiro pecadilho.
Bento Domingues, em mais uma das suas muito humanas e simultaneamente eruditas intervenções no jornal Público,
ajuda-nos a refectir sobre a questão.

O embaraço da confissão
Frei Bento Domingues O.P. - 20080113


No Ocidente, a maioria dos padres não manifesta grande pressa em "ouvir confissões"

1.Este é o título dado a um debate que terei de orientar amanhã, no Convento de S. Domingos, no programa das conferências mensais do Instituto São Tomás de Aquino (ISTA). Onde estará, porém, o embaraço, se, ainda não há muitos anos, o Catecismo da Igreja Católica e o Código de Direito Canónico, assim como as instruções de João Paulo II sobre O Sacramento da Penitência, foram tão desembaraçados a dizer o que é e como deve ser a "confissão auricular"?

O mal-estar vem de longe, reforçou-se com o Vaticano II e há quem tema e quem deseje que a confissão desapareça de vez. Entre nós, foi D. António Ferreira Gomes que, nas suas Cartas ao Papa, escreveu o que muitos pensavam e não diziam: "Factos são factos e o facto é que hoje, em grande escala, pequenos e grandes fogem do confessionário, sendo essa a maior causa da "descrença" de muitos que intimamente aceitam Cristo e o Evangelho."

Segundo o historiador J. Delumeau (1), todas as cronologias destinadas aos alunos do ensino secundário deveriam dar um grande relevo à decisão do IV Concílio de Latrão (1215) que tornou a confissão anual obrigatória. Esta norma modificou a vida religiosa e psicológica dos homens e das mulheres do Ocidente e pesou espantosamente nas mentalidades, até à Reforma nos países protestantes e até ao século XX nos que permaneceram católicos.

Como observa o monge beneditino Philippe Rouillard, professor de Teologia dos Sacramentos e da Liturgia, em muitas igrejas, os confessionários já só têm um valor de vestígio, se não foram comprados por antiquários para os transformar noutra coisa. V. Gómez Mier descreveu um desejado Adiós al Confesionario. Sem se poder generalizar, a verdade é que, no Ocidente, a maioria dos padres não manifesta grande pressa em "ouvir confissões", são cada vez menos os fiéis que pedem para "se confessar" e a maior parte dos que participam na missa de domingo avança para a Comunhão sem recorrer a esse ritual.

2.Apesar de todo este mal-estar, o citado Ph. Rouillard observa que, salvo no círculo muito restrito dos especialistas da liturgia, a confissão não provocou muitas investigações. Os historiadores que se poderiam interessar pelo assunto são católicos e não se sentiriam muito à vontade para abordar uma questão que os incomoda. Os confessores nunca poderiam dar qualquer informação por razões de absoluto sigilo (2). No entanto, não estamos completamente às escuras acerca da história da confissão. Além de estudos parciais, da "História" de C. Vogel sobre o pecador e a penitência na Igreja antiga e na Idade Média e da obra muito conhecida de J. Delumeau, um grupo de investigadores reuniu-se, durante 25 anos, para nos oferecer excelentes versões das "Práticas da confissão", desde os Padres do Deserto (IV-V) até ao Vaticano II.

Em face da contestação protestante, o Concílio de Trento (1545-1563) procurou fazer do sacramento da penitência o sustentáculo de toda a vida cristã. Se isto teve um grande êxito em muitos casos, acabou por minimizar a importância da Eucaristia e de alterar o seu verdadeiro sentido. A hostilidade que gerou, a partir do século XVIII, coincide com a afirmação progressiva dos direitos humanos e da autonomia da consciência, na qual ninguém pode mandar.

No século XX, a Congregação dos Sacramentos decidiu em 1910, por decreto, a idade do "uso da razão" - por volta dos 7 anos - para aceder à Primeira Comunhão eucarística, precedida de confissão.

As ameaças com as penas do inferno para quem não confessava os pecados mortais, incluindo, então, as crianças e os adolescentes, foi talvez um dos maiores desastres da pastoral da Igreja em toda a sua história. Não vale a pena perder muito tempo com esse detestável passado inquisitorial.

3.Não posso explicitar nem justificar, de modo adequado, uma perspectiva que entende o caminho cristão como uma conversão permanente, celebrada no Baptismo é retomada em todas as celebrações da Eucaristia.

As orientações na evangelização e na pastoral devem ter em conta a diversidade cultural, a promoção dos direitos humanos e o respeito pela consciência inviolável de cada um. No campo propriamente sacramental, é preciso, antes de mais, respeitar a sua hierarquia. Se a porta é o Baptismo, o mais importante dos sacramentos é a Eucaristia, que é também o grande sacramento da confissão dos pecados, da misericórdia e do perdão de Deus. Esta dimensão, iluminada pela proclamação da palavra do Evangelho, percorre toda a missa. Quando não se ajuda a perceber isto, arruina-se o que se pretende salvar com a "confissão auricular".

Certas práticas da confissão não foram apenas grandes crimes do ponto de vista cristão, foram também uma constante e infame desvalorização da Eucaristia como sacramento do perdão.

A Igreja viveu cerca de 12 séculos sem a norma da confissão auricular e Santo Agostinho nunca se confessou.

(1) L"Aveu et le Pardon: les difficultés de confession, XIII-XVIII siècle, Paris Fayard, 1990, pp. 13-14.
(2) Philippe Rouillard, História da penitência - Das origens aos nossos dias, Paulus, São Paulo, 1999.

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janeiro 10, 2008

Urgência do Hospital de Faro: "VERGONHA"

Estamos à espera de quê para nos insurgirmos?A blogosfera pode ter um papel e força de intervenção social, se de facto soubermos e não olharmos para o lado.Faça passar a notícia.

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Urgência do Hospital de Faro: "VERGONHA"

Estamos à espera de quê para nos insurgirmos?A blogosfera pode ter um papel e força de intervenção social, se de facto soubermos e não olharmos para o lado.Faça passar a notícia.

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janeiro 06, 2008

Para uma antologia do Pecado... sugiro.

A cigarreira breve
João Bénard da Costa - 2008/01/06 (Público)

1.A acreditar na Encyclopedia Britannica, fonte geralmente fiável, o tabaco chegou a Portugal em 1558. D.1.A acreditar na Encyclopedia Britannica, fonte geralmente fiável, o tabaco chegou a Portugal em 1558. D. João III, o Piedoso, finara-se no ano anterior, aos 55 anos, mas de pulmões limpos. O único herdeiro directo, esse a quem para mal dos nossos pecados chamaram o Desejado, era um neto que tinha três anos quando o avô morreu. A assegurar a regência, ficou a rainha D. Catarina, irmã de Carlos V e de quem, recentemente, me contaram costumes heterodoxos, que me abstenho de repetir pois não sei em que documentos se apoiava o meu contador.

Seja como for, a chegada da "erva santa" a Portugal não se contou, certamente, entre os pecados de que a rainha se confessou. Foi de Lisboa, pelo contrário, que o embaixador francês Jean Nicot começou a lavrar-lhe o primeiro elogio que consta, recomendando-o à rainha dele (Catarina de Médicis) como infusão que podia servir de lenitivo às enxaquecas da soberana, muito dada a elas, como acontece com todas as mulheres dominadoras. Um ano depois do Tratado de Lisboa, as comemorações do 450º aniversário da chegada do tabaco à Europa, ou a este jardim à beira mar plantado, podiam dourar os nossos esburacados brasões, conhecida a expansão da planta e a sua influência nos destinos da civilização ocidental.
Infelizmente, os deuses, ou os homens por eles, não quiseram assim. Há quarenta anos, o produto, que sempre suscitara animosidade em certos espíritos (Hitler foi um dos mais conhecidos) começou a ser alvo de uma campanha que pede meças às mais bem organizadas pelos especialistas delas. Devagar se vai ao longe. Em tempos em que o inferno já não é crença geral, o inferno foi prometido a quem continuasse a fumar o seu cigarrinho. Mortes horríveis, pulmões queimados e brônquios desfeitos, para lá de muitas outras enfermidades descritas em vernáculo nos maços que, apesar delas, se continuam a vender. Cada um é livre de escolher o veneno com que se quer matar? Nos anos 80, descobriu-se que a coisa não se arrumava assim. Os mil venenos expelidos em cada baforada introduziam-se nos corpos puros de vítimas inocentes, que se tornavam tão sujos como os corpos dos pecadores, sem ao menos ter colhido o doce fruto. A erva santa de há 450 anos transformou-se no mais letal dos instrumentos à disposição da humanidade. Portugal, não só nada tinha que se orgulhar do seu passado de mais de quatro séculos, como recordá-lo só serviria para nos humilhar ainda mais. E assim, embora tardiamente, por comparação com outros, juntámo-nos à "Europa" na santa cruzada. 2008 apagará a vergonha de 1558 e, se não se pode restituir a vida aos milhões que morreram do atroz vício, impedirá que, no futuro, a carnificina continue. Se as esperanças de vida já andam por níveis bem razoáveis neste ocidente de planeta, cinquenta anos sem tabaco permitirão o achamento do elixir da longa vida. Afinal, não há que tomar mezinha nenhuma. Há é que deixar de inalar o que ia dando cabo de nós.
2.Toda a vida, a minha relação com o tabaco foi algo conflituosa. Nasci numa família de fumadores, mas os cigarros eram coisa de adultos que, mesmo em tão permissivos tempos, não era aconselhável a crianças. Assim, quando chegou aquela idade em que se quer fazer como os crescidos, lá me arranjei para os meus primeiros maços de cigarros, fumados às escondidas, com esse único prazer que provém de que às escondidas se pode fazer e que também se aprende por essas idades. Como vem em todas as histórias, o maço ou maços clandestinos foram descobertos mas não houve o alarido que eu temia. Apenas uma sã conversa pedagógica: um dia, quando fosse homem, eu fumaria o que quisesse como fumavam meu pai e meus avôs. Por agora, era cedo, como era cedo para tantas outras coisas. Deixei-me convencer. De tal modo que até aos 25 anos (mais coisa menos coisa) fumar não foi comigo. Depois, a pouco e pouco, devagar, devagarinho, dei por mim no maço, dois maços, três maços, quatro maços, que eu sempre fui de tudo ou nada. Não me estou a gabar se disser que, durante trinta anos, dos 35 aos 65, fumei esses quatro maços desde os tempos do Sintra (maços muito castanhos) aos do Estoril (maços muito azuis e brancos) aos do SG Gigante (maços muito encarnados). Filtros, sempre, que eu mordo os cigarros todos, segurando-os com os dentes. Grandes, porque os fumava até metade. Era o que eles chamam um "fumador de boca e de mãos" e aqui não valem psicanálises que o Dr. Freud - diz-se - morreu de cancro na garganta de tanto fumar.
Aos 65 anos, substituí o cigarro por um pau de canela (esta, explicarei melhor de uma outra vez) e, mais agulhas, menos agulhas, mais passarinhos, menos passarinhos, resolvi matar o vício antes que o vício me matasse a mim. Durante um ano e cinco meses não fumei. Até que um dia, estava eu em Parma, Correggio, etc e tal, comprei um maço. Esqueci-me de uma das minhas parábolas favoritas: a que diz que expulsos sete demónios, setenta não tardarão. A partir daí, tem havido vezes e reveses. Agora, ainda antes do famigerado 1 de Janeiro, estou em nova vez. Os médicos dão-me boas razões para parar mas eu digo como disse o ex-presidente Havel: "Deixei de fumar, porque os médicos mo proibiram. Mas bendiria o médico que mo voltasse a permitir e fumaria esse cigarro com mais prazer do que nunca".

3. Isto, porque tenho reparado, ao longo de longa vida, que o cigarro desencadeia ódios especiais.
Quando eu era miúdo, havia uma parte feminina da família que não tolerava senhoras que fumassem. Esse tabu (cigarros eram coisa de homens e de mulheres da vida) que durou "lá fora" até ao fim da 1ª Guerra Mundial, em Portugal, nalguns meios, durou até ao fim da 2ª. Ora a minha Mãe, como várias amigas dela, fumava, o que lhe valia uma reprovação que, por muito silenciosa ou indirecta que fosse, não era menos pesada nem menos dura. Pelo menos para mim. Porque, soubessem-me ou não por perto, acontecia-me ouvir acres comentários. Entre dois clãs, ou se toma resolutamente partido por um, ou se fica algo pusilânime. O último foi mais o meu caso. Umas vezes orgulhava-me. Outras, pedia aos santinhos que a Mãe não puxasse do maço de cigarros. Felizmente, foi sol de pouca dura. Nos anos 50-60, deixou de haver, em coisas de fumos, diferença sexual. Mas, quando se pensava que a revolução triunfara, estavam a começar os tempos de outra repressão, a que não era moral, mas sanitária.
E não será moral? Quando ouço argumentos fundamentalistas em bocas onde não há muitos anos moravam cigarros; quando vejo certos olhares lançados sobre certos fumadores; quando assisto a certas agressividades descontroladas; pergunto-me se as cruzadas anti-tabágicas estão tão interessadas na minha saúde como pretendem e não exultam, pelo contrário, com a repressão de um prazer. Como dizia o outro: "tudo o que é bom nesta vida, ou faz mal ou é pecado". Agora que os pecados passaram de moda, é com o fazer mal que se castiga o que é bom. A liberdade de cada qual? Quem é que ainda se preocupa com a liberdade em 2008?

4. Portugal esperou 450 anos para acabar com o tabaco e mesmo assim foi dos últimos países da "Europa" a fazê-lo.
Já o clamor ia altíssimo, programei eu na Cinemateca um Ciclo intitulado: "Uma Boa Cigarrada". O tema provinha do meu Johnny Guitar de Nicholas Ray. Quando Johnny Logan, aquele a quem chamavam Johnny Guitar, chegava ao "saloon" de Vienna, antes ou entre as primeiras zaragatas, pedia um café, acendia um cigarro e dizia: "All a fellow needs is a good smoke and a cup of coffee". Mais outra homérica cena e lá ficavam os dois sozinhos na noite. Vienna e o seu Johnny, a curar sete anos de separação. No dia seguinte, havia muito sol e ia começar uma vida nova. A expressão de ambos mudara toda. E John Carradine, o fidelíssimo John Carradine, dizia ao vê-los partir na "charrette": "Like the man said all a fellow needs is a good smoke and a cup of coffee". A música respondia-lhe, irónica, pontuando como quem diz "está-se mesmo a ver". E via-se com Joan Crawford. Mas mesmo que não seja só de uma boa cigarrada que um homem precisa (ou uma mulher), antes, durante ou depois precisa quase sempre. Homem que não fumasse em Hollywood anos 20 anos 50, não era homem não era nada. A mulheres, às vezes, quando eram muito ingénuas, muito "girl next door", perdoava-se que fossem virgens de fumo (embora já não se perdoasse que não soubessem acender um cachimbo a um homem). Mas, logo que tinham algumas horas de voo e já sabiam como é que nascem os meninos, o cigarro era-lhes por igual indispensável. Bogart não é Bogart sem cigarro, mas Lauren Bacall também não é Lauren Bacall sem ele. O celebérrimo "just whistle" seguiu-se a uma visita dela ao quarto dele para lhe pedir lume e acender um cigarro. "And blow".
O genérico do segundo filme que fizeram juntos - The Big Sleep - mostra as silhuetas de Bacall e Bogart a fumar e um cinzeiro com duas beatas ainda fumegantes. Hollywood ensinou-nos tanto a beijar como a fumar. E não são os últimos vinte anos que apagam as milhões de chamas acesas em milhares dos filmes da nossa vida. "I trouble you for a light, friend", para citar outra vez Johnny Guitar. "For a light" nos perturbaram miríades de corpos astrais que com o cinema se confundem. E os cigarros passados de boca em boca? Em Now Voyager (Irving Rapper, 42), que ainda outro dia revi na televisão, Paul Heinred tirava sempre dois do maço e metia-os devagarinho na boca. Com mais vagar ainda, acendia-os. Depois, tirava um e metia-o já aceso na boca ávida de Bette Davis. Era assim que esta se consolava de não ter a lua, pois já tinha as estrelas.
Quando eu fiz esse Ciclo, vários dos meus colegas de cinematecas estrangeiras empalideceram de inveja. Desejavam tanto fazê-lo, mas não se atreviam a desafiar tão abertamente os não-fumadores prosélitos. Não se brinca com coisas sérias.
Em Portugal, brinquei. Não houve um único protesto, um único remoque, uma única bicada. Estávamos em 2000. Um ano antes, morrera Amália, que tanto fumou, Guterres falhava por pouco a maioria absoluta e ninguém falava em pântanos. Depois, começou tudo a correr muito depressa, governo atrás de governo, maratona atrás de maratona. Hoje, se me viessem propor um bis desse Ciclo...
Penso naquela cena de The Big Parade (King Vidor, 25) quando o alemão cai na trincheira do americano e pede um cigarro. O outro, acende-lho, sai fumo, algum fumo, até que deixa de sair coisa nenhuma e o americano percebe que o alemão morreu. Era nos tempos em que os meninos de sua mãe tinham na algibeira uma cigarreira breve. Hoje, que tempos são? Escritor

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janeiro 05, 2008

Ser reconhecido... sg. A. Borges.Sugiro.

Em tempos de breves futilidades a reflexão de A.Borges, sobre tema clássico, onde a ternura de um gesto suplanta em humanidade a erudição da Filosofia...a ler

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janeiro 03, 2008

Foto-galeria 2007...sugiro.

Selecção Público

Selecção Reuters

Recolhido in: Jornal Público.

Publicado por morfeu às 11:45 AM | Comentários (6) | TrackBack

janeiro 02, 2008

"O que é na realidade o Homem?" ... sugiro.

É o ser que decide o que é. É o ser que inventou câmaras de gás, mas ao mesmo tempo é o ser que entrou nelas com passo firme, murmurando uma oração.

Publicado por morfeu às 10:30 AM | Comentários (4) | TrackBack

dezembro 29, 2007

Coisas do ano que passa...

Aproveito as sugestões do jornal Público de hoje, que podem ser consultadas na net, acerca de acontecimentos registados em vídeo. Sugiro também a apreciação das frases que se encontram a votação, logo na primeira página da edição online

Publicado por morfeu às 08:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 08, 2007

Vaticano 2035...

a reflexão sabática de A.Borges

vaticano 2035.jpg
Vaticano 2035


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dezembro 04, 2007

Aprenda a bater na...mulher, em poucas lições...

sem comentário...julgue por si

Publicado por morfeu às 06:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 03, 2007

"A fé de que eu gosto, diz Deus, é a esperança" ... sugiro.

...a crónica de Frei Bento Domingues, em tempo de Advento, essa teimosia que o Tempo insiste em vir a ser...

Advento de Deus e nosso advento

Frei Bento Domingues O.P. – 2007/12/02 (in Publico, por subscrição)

O calendário litúrgico lembra todos os anos aos cristãos que entramos no Advento. É uma palavra de futuro que, ao repetir-se todos os anos, parece evocar o eterno retorno do mesmo.

É o tempo que nos devora e não é o tempo que nos consola. Se parece escandaloso ter nascido sem ser consultado, não é com alegria que alguém pode escolher o tempo e o modo de morrer. Nietzsche, no entanto, desafia-nos a dançar nas prisões. Ao aproximar estas imagens contraditórias, evoca as estranhas relações do ser humano com o tempo. Se tivéssemos apenas cadeias, cairíamos no desespero; se não houvesse senão a dança, viveríamos na ilusão. A nossa relação com o tempo vive destas duas evocações: prisão e liberdade, mas a lógica do tempo escapa-nos. Podemos fechar os olhos e criar a ilusão de que o tempo não existe. Logo que os abrimos, o presente está sempre a ir para o passado sem nos poder dizer o futuro. É a nossa condição: viver nesta passagem fugaz e fugidia, onde tudo se inscreve e tudo se apaga.

Para o Eclesiastes, um belo livro do Antigo Testamento, a vida parece feita apenas de enganos: "Ilusão das ilusões - disse Qohélet -, ilusão das ilusões, tudo é ilusão." Mas ficar aí também seria uma ilusão. Consentir na nossa finitude é o começo de sabedoria. Segundo o poema de Qohélet, "para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para plantar e tempo para arrancar o plantio; tempo para matar e tempo para curar; tempo para destruir e tempo para edificar; tempo para chorar e tempo para rir; tempo para se lamentar e tempo para dançar; tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar; tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço; tempo para procurar e tempo para perder; tempo para guardar e tempo para atirar fora; tempo para rasgar e tempo para coser; tempo para calar e tempo para falar; tempo para amar e tempo para odiar; tempo para guerra e tempo para a paz." (Ecl 3, 1-8)

2.Há dois mil e oitocentos anos, o profeta Isaías - evocado, hoje, na primeira leitura da missa - esperava que Jerusalém fosse, finalmente, transformada na cidade da paz para todos os povos: "Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra." (Is 2, 1-5)
Dir-se-á que megalomania do desejo não tem limites. Espera contra toda a esperança e recomeça, mesmo depois das maiores desilusões. Em vez da paz, a chamada Terra Santa transformou-se na terra da violência e do sofrimento sem fim, de gastos astronómicos em armamento, que nem diante da bomba atómica recuaram.
Cada tentativa para chegar a um tratado de paz tem acabado numa desilusão. Quando, em 1995, tudo parecia bem encaminhado, Rabin, denunciado como traidor do Estado judaico, foi abatido a tiro por um judeu. Sempre que se aproximam as presidenciais nos EUA, a estratégia vira as suas baterias para as negociações. É o que está a acontecer agora, em Annapolis. Abriram-se novas negociações acordadas pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, com o patrocínio de G. W. Bush. Pretendem terminar, no final de 2008, com o reconhecimento comum de dois Estados - Israel e Palestina - a viverem lado a lado em paz e segurança. Como à partida tudo aponta para mais um fracasso, esperemos que Deus escreva direito por linhas tortas.

3.Não invoquemos, no entanto, o nome de Deus em vão, porque não tem culpa nenhuma da loucura dos homens. Espero que o advento do Deus da paz esteja sempre a acontecer. Se assim não fosse, Deus não seria Deus, o excesso permanente do dom. Nós, seres humanos, é que inventamos cada vez mais razões para adiar a reconciliação, mais prontos para a guerra do que para a paz. A omnipotência de Deus é discreta, porque não substitui nem a nossa razão nem a nossa vontade.
Há sempre Deus a mais e Deus a menos. Os fundamentalistas religiosos servem-se do nome de Deus para combater os "infiéis", os heréticos, os ímpios, os que não são da sua religião. Servem-se do nome de Deus para cobrir a sua ignorância e a insegurança das suas crenças. Os actuais militantes do ateísmo têm medo que Deus exista e, por isso, não compreendem que haja crentes que não abandonam o exercício crítico da razão nem a fé. Estes ateus comeram a razão toda. Esquecem que a razão humana tem a particularidade de ser assaltada por questões que ela não pode evitar - são-lhe impostas pela sua própria natureza -, mas às quais não pode responder porque ultrapassam totalmente o seu poder, como insinuava Kant, no prefácio da primeira edição da Crítica da Razão Pura.
Na Eucaristia de hoje, Paulo quer cristãos de olhos abertos. S. Mateus quer que eles sejam vigilantes, para se não perderem do discreto advento de Deus.
"A fé de que eu gosto, diz Deus, é a esperança" (C. Péguy). Eu também.A chamada Terra Santa transformou-se na terra da violência e do sofrimento sem fim

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dezembro 01, 2007

O "Disangelho". A crónica imperdível de A. Borges


Mas já Nietzsche se queixava: "Cristãos? Só houve um, e morreu na cruz." Depois, veio a Igreja e "o Disangelho".

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novembro 30, 2007

É o que acontece...

A arte de Mário Viegas em rifão popular. Que nos sirva a todos...

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novembro 11, 2007

Quem cala consente...sugiro.

Descubra porque não se deve calar e consentir

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novembro 10, 2007

A beleza religiosa no "cais das lágrimas dos portugueses"...

"A religião sem a beleza é inverdadeira. Sem o gratuito - a graça -, é uma desgraça. "

Interessa-me a espiritualidade. Faço muito minha, a sinuosa busca do Infinito. Pela poesia, pela leitura, pela a abertura ao Outro, à sua palavra. Como habitualmente, bebo em dia de sábado, a palavra de A.Borges, na sua magnífica crónica no DN de hoje. Caso queira partilhar...

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novembro 04, 2007

Religioso: "deserto" e " superabundância"...sugiro

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"Se uns insistem no deserto religioso, outros mostram a superabundância de religiões".

O futuro do cristianismo
Frei Bento Domingues O.P. - 20071104
Se uns insistem no deserto religioso, outros mostram a superabundância de religiões1.Não faltam ensaios acerca do futuro da religião (1). Por natureza, do futuro não se pode saber muito. É sensato continuar com o debate aberto em todos os campos. A retórica da decadência regala-se a dizer que, depois do ateísmo dogmático, que deu cobertura ideológica a sistemas intolerantes, emerge, agora, o ateísmo da indiferença. O nome da nossa cultura fragmentária seria o niilismo, a luz de nada. Viveríamos no eclipse de Deus, na sua ausência e sem notícias Dele. Como se Ele não existisse. A experiência predominante passaria a ser, precisamente, a de já não se fazer nenhuma experiência religiosa, isto é, de não se ser afectado nem, muito menos, transformado por algo que possa evocar Deus. Mas que dizemos, quando dizemos Deus?
Porque não evocar também o fenómeno contrário, o erradamente chamado "regresso do religioso" de mil manifestações? Não é bom confundir o mundo com a sociologia dos nossos contactos e das nossas leituras.
A. Rañada, um físico espanhol, dizia acerca das relações entre ciência e religião: os fundamentalistas religiosos e os ateus militantes têm alguma coisa em comum. Crêem que toda a geografia do mundo cabe num só mapa: o da interpretação intransigente de um livro sagrado ou o dos dados de uma ciência excludente e totalizadora. No entanto, quando olhamos à nossa volta, assalta-nos, de imediato, a complexidade das coisas sempre enredadas num intrincadíssimo emaranhado de conexões causais. E como reduzir a esquemas simples os nossos desejos, temores, esperanças ou recordações? Como poderiam caber num único mapa?

2.A situação é paradoxal. Se uns insistem no deserto religioso do nosso tempo, outros mostram a superabundância de religiões, de espiritualidades, de antigas e novas correntes e movimentos, num mundo cada vez mais global. Quem pensa que as religiões estão a acabar percorra, devagar, o magnífico L"Atlas des Religions (1) e verá que o mais urgente é o diálogo inter-religioso e também entre crentes e não-crentes. Não perdeu actualidade a repetida exigência de Hans Küng: "Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais. Não haverá sobrevivência do nosso planeta sem um ethos global, um ethos mundial." Isso está à vista e só os cegos por interesses imediatos não querem ver.
Por outro lado, o diálogo não existe nem para abolir identidades nem para a sua pura afirmação. Num diálogo verdadeiro, todos mudam sem se anularem. É, por isso, necessário que cada um se tome responsável pela sua religião, pelas imagens que faz de Deus e do ser humano.

3.Há dois anos, publiquei aqui um texto intitulado "Deus em Valadares". Era sobre um ambicioso congresso internacional, que tinha superado todas as expectativas, com o tema Deus no século XXI e o futuro do cristianismo, coordenado por Anselmo Borges. Está, agora, à disposição de todos numa bela edição (Campo das Letras). A capa é de José Rodrigues.
Às vezes, o que os títulos anunciam não corresponde ao conteúdo. Os textos desta obra correspondem, exactamente, ao que anunciam. Vêm de Espanha, da Holanda, da Alemanha, do México, do Japão e de Portugal. Nos tempos modernos, a língua portuguesa não está muito habituada a falar de teologia, que, apesar de tudo, por se ter tornado crítica, conseguiu altas cotas de dignidade e de rigor conceptual. Soube dialogar com os sistemas filosóficos, abertamente ateus, que surgiram na história ocidental (Feuerbach, Marx, Nietzsche, Freud...) e, agora, não recusa o encontro com o mundo das diversas ciências.
Os textos do congresso, recolhidos neste livro, não pairam num clima de teologia incontaminada. Também não são um intercâmbio metódico entre ciências e teologias. As diversas expressões da teologia e das ciências respiraram, num espaço cultural multifacetado, a busca do sentido da existência humana, no qual se desenha também o futuro do cristianismo. Este não pode ser procurado num regime de clausura entre experiências humanas, sabedorias, filosofias, éticas e ciências. O cristianismo é incarnação sem confusão. A graça não suprime a natureza. É esse o valor da definição do Concílio de Calcedónia: "Jesus Cristo é um só, mas em duas naturezas." É evidente que esta fórmula é tributária de uma cultura que já não é a do nosso tempo, mas serve para dizer que Cristo está em tudo, mas não é tudo. Deixará, por isso, sempre a liberdade a todas as investigações e a todas as experiências responsáveis.
Anselmo Borges teve ainda a feliz ideia de incorporar, neste livro, o itinerário-testamento do teólogo dominicano E. Schillebeeckx, professor da Universidade de Nimega. Tem sido uma das vozes da Igreja, mais livre, corajosa e responsável, alimentada por um pensamento sempre em mudança, testemunhado, de forma exemplar, neste texto admirável.

(1) Alberto G. Martínez, El futuro de la religión, "Studium", 2005, Fasc 3, 345-385. / (2) "Pays par pays. Les clés de la géopolitique", La Vie, Le Monde, Hors-série, 2007

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outubro 29, 2007

Portugal, retrato social, sugiro.

Retrato social
Rodrigo Leão

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outubro 27, 2007

Para que quero eu olhos ...

Não é dos olhos que se trata. O mistério é o olhar. Um dia terão perguntado a Hegel o que se manifesta e vê num olhar. E ele: "O abismo do mundo."

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outubro 23, 2007

Não me calo nem aceito...


Impressionou-me, escandalizou-me, ou-me tanto que nem sei o que diga. Tanto quanto se fora uma tipa com a zona púbica em exposição intencional, "negligée, como agora se vê, desde a jovem estudante em sala de aula até à esposa-família dedicada...assim, não aceito e verbero todo o fundamentalismo e o falso pudor cultural que empana seres humanos num negritude definitiva...quem está por debaixo desse negro cobrimento, onde a expressão, o olhar a cor o tudo de um ser humano? Que os homens que vos obrigam sejam eternamente condenados a tal empanamento. Não acredito que alguém assim vestido, refiro-me à mulher de negro, não sofra e de acordo com a causa em questão, será sofrimento sobre sofrimento. Maldigo-vos carrascos culturais e fundamentalistas que não permitem a liberdade de um movimento que seja, o de uma pálpebra que se flicta...quero ser politicamente incorrecto!

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23.10.2007


Falar sobre o cancro da mama, a doença que mais mulheres mata nos Estados Unidos e no Médio Oriente, é o objectivo da viagem que a primeira-dama Laura Bush está a fazer, misturando diplomacia e saúde. Hoje estará na Arábia Saudita, ontem esteve nos Emirados Árabes Unidos e, até sexta-feira, ainda há-de ir ao Kuwait e à Jordânia. "Acho muito importante que os habitantes do Médio Oriente saibam que nos EUA nos preocupamos com a saúde das mulheres, porque ainda há muito medo e vergonha aqui, como nós tínhamos há 25 anos", disse Laura Bush. Na Arábia Saudita, 20 por cento dos casos de cancro são da mama. E 70 por cento das doentes são diagnosticadas quando a doença já está muito avançada, quando nos países ocidentais isso só acontece em 30 por cento dos casos. Ontem, no Abu Dhabi, Laura Bush falou com mulheres envoltas em véus negros - sobreviventes de cancro da mama, que contaram as suas histórias pessoais ao lado da primeira-dama.
Nos países árabes, o cancro da mama ainda está associado a um grande estigma social. "As mulheres casadas ficam muito preocupadas com o efeito que a doença terá sobre os seus maridos e famílias, por isso muitas optam por nem fazer mamografias", disse Omniyat Hajri, médico dos Emirados Árabes Unidos habituado a tratar doentes de cancro da mama, citado pela televisão ABC. Laura Bush, cuja avó morreu com cancro da mama e cuja mãe sofreu da doença mas sobreviveu, leva a sua história pessoal como bandeira da viagem - mas que está a ser vista como uma forma de diplomacia suave, em nome do seu marido, que ficou na Casa Branca. Vai encontrar-se com os reis jordanos e sauditas, usando a sua própria imagem para b

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outubro 18, 2007

Mas que porra de país é este?

A ser verdade, esta situação já inclassificável, continua para além da exaustão.Como é possível, quais os nomes dos responsáveis, quem anda a brincar?... sugiro que todos os bloguistas que queiram, ampliem o coro de indignação perante tudo isto. Inqualificável, vergonhoso, desumano.

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outubro 10, 2007

A vida é feita de pequenos nadas...

…de pequenos nadas

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outubro 08, 2007

Que frescura de voz...Nancy Vieira.

... não me canso de me emocionar com os sons de Cabo-Verde. Música assim revela a alma e desdenha a miséria...para quando uma ida bem ida a Cabo-Verde?



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Nancy universal


Foi um acaso que a fez nascer em Bissau, a 1 de Fevereiro de 1975, apesar de ser filha de cabo-verdianos. "Os meus pais faziam parte do movimento de libertação, o PAIGC, e estavam lá a preparar a independência, que se deu em Julho."
Mas Nancy Vieira não demorou muito por ali. Com apenas quatro meses rumaria a Cabo Verde. Olhando para trás, além de Bissau (de que nem sequer se apercebeu), passou dez anos na Cidade da Praia, quatro no Mindelo e já quase 18 em Lisboa, onde cresceu para a música. "Em Cabo Verde, e em especial na ilha do meu pai, a Boavista, a maioria dos rapazes aprendia muito cedo a tocar um instrumento. Ele aprendeu a tocar guitarra, violino, cavaquinho, mais tarde piano. Os meus tios e tias também tocam. E eu ganhei esse gosto pela música, também muito cedo, mas sem nunca ter pensado seguir essa via."
Veio para Lisboa aos 14 anos, em 1989. "Eu já tinha estado em Lisboa, de férias, com 10 anos. Naquela altura, para qualquer criança em Cabo Verde vir de férias para Lisboa era uma coisa do outro mundo. Gostei muito. Fui a Fátima, ao Cristo Rei, a Belém... Para viver já foi diferente. Não tive problemas nenhuns de adaptação, porque vim com a família: o meu pai, a minha mãe, até as pessoas que moravam connosco vieram."
Fez amigos entre os filhos de outros cabo-verdianos, foi bem recebida nas escolas (era boa aluna): Rainha D. Amélia (do 10º ao 12º anos), ISCTE (três anos, Gestão). Depois licenciou-se em Sociologia e começou a trabalhar em publicidade e estudos de mercado. "Mas por pouco tempo, porque entretanto a música entrepôs-se." Começou, aliás, logo no ISCTE. "Tinha amigos que eram músicos amadores e tinham uma pequena banda. Eu de vez em quando assistia aos ensaios." O vocalista inscreveu-se num concurso de descoberta de novos valores e, um dia, convidou-a a ir com ele. "Convidou-me para cantar e, embora com um bocadinho de insegurança e timidez, cantei com ele. A minha voz chamou a atenção dos organizadores e eles propuseram-me participar, logo nessa noite, numa das eliminatórias. Escolhi a morna "Lua nha testemunha" e ganhei." Não apenas nessa noite: ganhou também na final. E como prémio gravou um disco.

Uma voz e outras músicas
Foi o primeiro, "Nôs Raça", editado em 1995. Quando surgiu o convite para gravar o segundo, "Segred" (2004), ela já tinha deixado o emprego para levar a música mais a sério: "Abriu-me as portas. Comecei a fazer concertos meus, convites para fora..." Mas foi durante a gravação do primeiro que conheceu o futuro produtor do disco que agora lança, "Lus": Jorge Cervantes, nascido em Lima, no Peru, em 1973. Era ele o técnico de som quando Nancy entrou num estúdio pela primeira vez. "Tornámo-nos amigos, mas passámos uns anos sem nos vermos. Encontrei-o depois em 2005 e ele disse-me que tinha estado a misturar o disco [colectivo] "Ao Vivo no B.Leza", gostou de me ouvir e que a minha voz lhe tinha dado umas ideias." Pois as ideias estão aí, em "Lus".
"Vi nele, ao fim de muitas conversas, uma pessoa que me entendia muito bem, musicalmente." Quem ouvir o disco com atenção, há-de notar que Cabo Verde está lá, mas de braço dado com o Brasil ou com Cuba, numa procura de soluções e arranjos pouco usuais em trabalhos do género. "Isso foi consciente e intencional", diz Nancy. "Acho que não fui a primeira a fazer essa fusão, mas este disco é muito a minha cara: uma cabo-verdiana da cidade, que sempre ouviu música tocada da forma mais tradicional possível em casa, mas que também ouvia outras músicas: brasileira, da América Latina. Além disso, o meu pai era amante de música clássica e jazz e tive irmãos que estudaram em Cuba e traziam, nas férias, muita música cubana." Tudo isto a par de Portugal, claro, e dos contactos que a partir de Lisboa estabeleceu (participou, por exemplo, nos discos mais recentes de Rui Veloso e da Ala dos Namorados).
Convidados, em "Lus", há muitos, como compositores ou músicos. Teófilo Chantre, Jon Luz, Vadú ou Princezito contribuíram com canções. Tito Paris e as Batucadeiras Voz d"África tiveram participações especiais; Bino Branco, dos Ferro Gaita, ou Miroca Paris, que acompanha Cesária Évora, gravaram em curtas passagens por Lisboa, em duas oportunidades meteóricas; Sérgio Valdeos e Juan "Cotito" Medrano, músicos de Susana Baca, que Nancy conheceu num concerto dela, gravaram a sua parte no Peru; e o Quinteto Diapason, cubano, gravou para dois temas em Alicante, no Sul de Espanha.
"No tema que dá nome ao disco, "Lus", nota-se mais o lado peruano, quisemos misturar o batuco com o landó. Já "Esperança de mar azul", que cantei com Tito Paris, é... Brasil, que está muito presente em Cabo Verde, como se sabe. Já "Verdade d"amor" não deixa de ser uma morna, é cantada em crioulo, mas não tem cavaquinho e mostra uma universalidade que eu própria ganhei, como pessoa, com todas as minhas viagens."


Nuno Pacheco (público, 21 de Setembro)

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setembro 23, 2007

No abraço de Cristo...

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Frei Bento Domingues com o seu saber e humanidade honra-nos com a sua reflexão dominical./a>

"Dos muçulmanos, a Igreja tem algo a aprender sobre a oração, o jejum e a esmola; dos hindus, a meditação e a contemplação; dos budistas, o desprendimento dos bens materiais e o respeito pela vida; do confucionismo, a piedade filial e o respeito pelos mais velhos; do taoísmo, a simplicidade e a humildade; do animismo, o respeito da natureza e a gratidão pelas colheitas.

A teologia do pluralismo religioso não emergiu de forma automática

1.Está à vista que, sem o acolhimento da pluralidade, o respeito e a valorização das diferenças culturais e religiosas, não é possível viver em paz. Para não ficarmos, apenas, na repetição de cerimoniais e declarações acerca do diálogo intercultural e inter-religioso, é indispensável aprofundar a própria significação do pluralismo. É esse, aliás, um novo paradigma, o paradigma emergente de algumas práticas teológicas.
Na teologia trinitária do pluralismo religioso, "o Espírito Santo é o abraço e o beijo de Deus ao mundo inteiro". Nessa catolicidade, cabe toda a terra e podem ser acolhidas todas as formas de vida espiritual e religiosa, situadas e vividas dentro dos limites de cada cultura. Quando se consente no espírito do Evangelho de Cristo, rompe-se com a lógica fixista e opressora que tenta as religiões: o dentro está fora, o alto está em baixo, a bênção está com os malditos e o julgamento do mundo acontece a partir dos mais abandonados (1). Por causa disso, M. Gandhi chegou ao ponto de dizer: se todos os livros sagrados da humanidade se perdessem, mas fosse salvo o sermão da Montanha, as Bem-Aventuranças, nada estaria perdido.
A teologia do pluralismo religioso não emergiu de forma automática. Foram sobretudo os missionários - os que reflectiram sobre os erros de certas formas de missionação - que ajudaram as Igrejas a descobrir que, antes de falar e intervir, devem escutar e acolher.
No contexto do Sínodo dos Bispos da Ásia, os da Malásia, Singapura e Brunei, ao interrogarem-se sobre o que a Igreja católica poderia aprender no seu diálogo com as outras religiões, concluíram o seguinte: "Dos muçulmanos, a Igreja tem algo a aprender sobre a oração, o jejum e a esmola; dos hindus, a meditação e a contemplação; dos budistas, o desprendimento dos bens materiais e o respeito pela vida; do confucionismo, a piedade filial e o respeito pelos mais velhos; do taoísmo, a simplicidade e a humildade; do animismo, o respeito da natureza e a gratidão pelas colheitas. A Igreja pode aprender muito com o simbolismo e a riqueza dos seus ritos existentes na variedade da sua veneração. Pode aprender, com as religiões asiáticas, a ser mais aberta, mais receptiva, mais sensível, mais tolerante e aprender a perdoar."

2.Esta atitude de tanta generosidade nem sempre é bem recebida. Há quem diga que, se estes bispos olhassem mais para a mensagem cristã, não precisariam de perder tanto tempo com as outras religiões: quem tem o mais tem o menos e ainda sobra. Estes bispos acabam por minar a urgência das missões e nem sabem para que foram ordenados.
Tal crítica esquece que as missões da Igreja têm uma história. João Paulo II teve o mérito de reconhecer, oficialmente, que ela nem sempre foi gloriosa e ele, por fidelidade ao Evangelho, multiplicou os pedidos de perdão e lançou o espírito dialogante de Assis.
"Pelo diálogo", dizia este Papa, "nós deixamos Deus estar presente à nossa volta; porque quando nos abrimos uns aos outros, no diálogo, abrimo-nos a Deus. [...] Por outro lado, enquanto discípulos de diferentes religiões, deveríamos reunir-nos para promover e defender ideais comuns nas esferas da liberdade religiosa, da solidariedade humana, da educação, da cultura, do domínio social e da ordem cívica."

3.Como diz Michael Amaladoss, apesar de Jesus ter nascido, vivido, ensinado e ter sido morto na Ásia, é muitas vezes apresentado como um ocidental. Não falta quem defenda que a difusão da Igreja, através do império romano, influenciada pela cultura grega e pelo sistema romano, político e jurídico, foi um sinal da providência divina. Não vou discutir, agora, esse ponto de vista. Não se pode esquecer, no entanto, que as expressões ocidentais do cristianismo, nomeadamente as suas definições dogmáticas, constituem dificuldades desnecessárias noutras culturas.
Os indianos acreditam que S. Tomé foi à Índia e foi martirizado em Chennai. Os bispos asiáticos, reunidos num sínodo consagrado à Ásia em 1998, propuseram algumas imagens simbólicas de Jesus que lhes pareciam mais significativas para os asiáticos de hoje.
Pode ser que os ocidentais julguem as imagens apresentadas insuficientes e até redutoras para captarem a significação da pessoa, da vida, da morte e da ressurreição de Cristo. Não é essa a posição dos teólogos asiáticos. Por exemplo, Amaladoss, um indiano jesuíta, professor de Teologia Sistemática e director do lnstituto do Diálogo com as Culturas e as Religiões, em Chennai (Índia), no seu Jesus Asiático (2), seleccionou nove figuras, nove imagens - Jesus, o sábio; o caminho; o guru; o satyagrahi; o avatar; o servidor; o compassivo; o dançarino; o peregrino - que abrem perspectivas muito mais amplas e acolhedoras do que as fórmulas dogmáticas. Elas estão mais perto das narrativas evangélicas e da cultura indiana.
O cristianismo não é incompatível com a filosofia grega, mas seria pouco católico, se apenas pudesse ser pensado e vivido segundo essas categorias. Esta observação vale também para novas expressões da fé na cultura contemporânea.

(1) Revista Concilium 319-2007/1
(2) Michael Amaladoss, The Asian Jesus, ISPCK, Delhi, 2005 (trad. fr.: Jésus Asiatique, Paris, Presses de la Renaissance, 2007

Frei Bento Domingues O.P. (Jornal Público de 23 de Setembro de 2007)

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setembro 22, 2007

Vídeo do dia by Britannica

Vídeo do dia da Enciclopédia Britânica/a>

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setembro 16, 2007

A paz tem alguma piada? ...

"Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho."
(Deepak Chopra, A Paz É o Caminho, Lisboa, Sinais de Fogo, 2007)

Retomo este meu exercício de partilha na blogosfera. E, porque domingo, sendo o "dia do Senhor", mas, não o querendo eu como dia de Senhor nenhum, aqui deixo a intervenção de Bento Domingues, crónica publicada no Jornal Pública, hoje, dia de Senhor nenhum...

O caminho mais curto para a Paz...

Frei Bento Domingues - 20070916

Gandhi não teve seguidores, mas o Dalai Lama reencarnou o seu caminho

1 Já está traduzido em português um livro notável de Deepak Chopra, inspirado em M. Gandhi: "Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho." (1) Sendo a guerra a praga que os seres humanos carregam consigo, o percurso desta obra termina com sete práticas para saber, em cada dia da semana, como viver em paz e ser pacificador. Pode parecer um programa muito básico, mas responde a uma pergunta fundamental do seu mestre: "Poderemos nós ser a mudança que queremos que haja no mundo?" Os sonhos começam a realidade: "Um dia haverá uma guerra e ninguém aparecerá" (C. Sandburg).
O autor deste livro de espiritualidade activa é médico endocrinologista, natural da Índia, radicado nos EUA. Entre as numerosas distinções, foi-lhe atribuído o Prémio Einstein, pelo Albert Einstein Institute College of Medicine em colaboração com o American Journal of Psychotherapy. Em conjunto com Oscar Arias e Betty Williams, laureados com o Prémio Nobel da Paz, fundou a Aliança para Uma Nova Humanidade, uma organização empenhada na justiça social, na liberdade económica, no equilíbrio ecológico e na resolução dos conflitos.
Esta obra integra-se numa espiritualidade que nos chega do Oriente. Como diz J. Masiá, a mensagem do budismo pode ser resumida em duas palavras: pacificar-se e pacificar. Inspira-se numa dupla tradição de vida contemplativa/interiorização e de vida em harmonia com a natureza e com as pessoas. Outra palavra-chave é "sair" de si mesmo por duas vias - pela contemplação e pela práxis solidária. Sair para fora da espiral do engano e da violência; sair da roda do eu superficial atado às desfigurações da realidade; sair para onde aponta a metáfora oriental - "vazio" e "nada" (não confundir com o niilismo) - donde se vêem as pessoas e as coisas, para lá das aparências.
Buda, Jesus, Confúcio e Sócrates são as quatro grandes figuras de pacíficos e pacificadores. Os quatro convidam a sair de si para dentro e para fora. Para dentro, para a meditação; para fora, para a compaixão e a solidariedade. Os quatro convidam a parar e a escutar a voz que, no interior do coração, nos diz a verdade sobre nós próprios e sobre a vida. Os quatro convidam à prática. Antes de perguntar quem disparou a flecha ou quem é o ferido, apressa-te a curá-lo, antes que seja tarde, dizia Buda (2).

2-No momento em que escrevo, ainda não sei como será acolhida a visita, a Portugal, do Prémio Nobel da Paz, XIV Dalai Lama, o símbolo actual da sabedoria no empenhamento pacífico e pacificador do reconhecimento, no interior da China, da autonomia cultural, religiosa e administrativa do Tibete.
Segundo o programa, a segunda visita a Portugal será essencialmente dedicada à apresentação de alguns livros fundamentais do budismo, aconselhados e explicados por Dalai Lama, sobretudo na Faculdade de Medicina Dentária. Para além de outros contactos, é aguardada com expectativa a conferência pública, no Pavilhão Atlântico, na tarde deste domingo, subordinada ao tema O poder do bom coração.
Esta visita foi preparada com a publicação de várias obras de referência do budismo tibetano. Dado que os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Tibete, a Revista Lusófona de Ciência das Religiões, dirigida por Paulo Mendes Pinto e Alfredo Teixeira, teve a feliz ideia de confiar a Paulo Borges (presidente da União Budista Portuguesa) a organização de um dossier dedicado ao estudo da presença do Buda e do budismo na cultura portuguesa. O resultado é notável.
O que me importa sublinhar é a sabedoria exemplar de Dalai Lama na luta pacífica pelo reconhecimento da autonomia do Tibete, embora ele esteja muito longe de conseguir a unanimidade dos tibetanos em torno das suas opções e do seu método. Até se pode dizer, não sem alguma razão, que a sua resistência não violenta acabou por servir os propósitos invasores e dominadores da China: os chineses já não precisam de se mostrar muito agressivos na ocupação do Tibete. O império chinês não tem falta de gente para substituir os tibetanos em todos os domínios.
Os séculos XX e XXI tiveram muitos revolucionários e libertadores. Alguns com aura de heróis, mas a invocação da violência dos oprimidos contra a violência dos opressores - uma fórmula que parece mais que legítima, em determinadas circunstâncias - não consegue saltar para fora do mundo da violência e do comércio das armas que corrompe e desgraça a humanidade dos oprimidos e dos opressores. Não gera uma nova humanidade. Não é uma alternativa.
M. Gandhi não teve muitos seguidores, mas Dalai Lama reencarnou, de forma notável, o seu caminho. Dir-se-á que a via da resistência activa na procura contínua do diálogo é demasiado lenta. E os recursos à violência têm sido rápidos na resolução de conflitos, na obtenção da paz?
O XIV Dalai Lama (Oceano de Sabedoria), que tem assumido a figura de dirigente político, de monge e de místico, só lhe interessa ser um monge e um místico budista ao serviço da compaixão universal (3).
(1) Deepak Chopra, A Paz É o Caminho, Lisboa, Sinais de Fogo, 2007.
(2) Juan Masiá, SJ, El otro Oriente. Más allá del diálogo, Sal Terrae, Santander, 2006.
(3) Mayank Chhaya, A Vida do Dalai Lama. O Homem. O Monge. O Místico. Biografia autorizada, Lisboa, Presença, 2007.

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agosto 16, 2007

Está morto o "Rei"? E. Presley...

Com a devida vénia ao texto - alerta mail do jornal Público de hoje, de autoria de Mário Lopes - que coloco em entrada estendida, nunca é demais relembrar E.Presley. Igualmente fica o registo musical com o seu famoso e escandaloso jogo de ancas...

Antes dele, não existia nada

Elvis Presley, o homem que, com um movimento de anca, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Elvis Presley, o provinciano que não soube conviver com o mundo que transformou. Morreu a 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos.


Em Graceland, Elvis Presley preparava-se para a digressão que iniciaria no dia seguinte. Passou a noite em claro, como tantas vezes acontecia por essa altura, resultado da dependência dos mais variados medicamentos e retirou-se para o seu quarto, às sete da manhã, para descansar antes do voo que, mais tarde o levaria a Portland. Não chegou a embarcar. Ao final da manhã, era encontrado morto. À tarde, a notícia corria o mundo: "Rei Elvis morto". 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos. Elvis had left the building. Permanentemente. Não ressurgiria noutro palco, noutro casino, noutro filme.
Causa da morte? Incerta. Só a saberemos em 2027, quando a sua autópsia passar a ser do domínio público. Culparam-se o excesso de medicamentos, culpou-se um coração fraco, uma vida sedentária e a desilusão com a artificialidade da sua existência naqueles últimos tempos. Charlie Feathers, companheiro dos primórdios do rock"n"roll, seria mais prosaico: "Elvis não morreu das drogas, morreu do pequeno-almoço". Na sua memória, as sandwiches de taxa calórica assassina que compunham a dieta do amigo, que não bebia álcool, que não se drogava com a heroína e a cocaína da praxe em estrela rock"n"roll.
Em 1977, engordado de forma grotesca, enfiado em fatos de um kitsch inenarrável, incapaz dos movimentos felinos de outrora ou de se lembrar das letras das suas canções, Presley continuava a ser um dos mais lucrativos artistas americanos. Os concertos, os curtos concertos que conseguia dar, esgotavam. O público, envelhecido como ele e, também como ele, distante da actualidade pop, acorria em massa para ver o mito. Elvis já não era humano. Era uma imagem, um ícone, uma certa ideia de América - que não era a nova América a que, inadvertidamente, tinha dado impulso decisivo nos anos 50. "Antes de Elvis, não existia nada", hiperbolizou John Lennon - mas estava certo. "Elvis morreu quando foi para o tropa", exagerou o mesmo Lennon - mas havia na afirmação um fundo de verdade.
De Tupelo à Elvislândia
Elvis Aaron Presley. Nascido em Tupelo, entre a pobreza da Grande Depressão, a 8 de Janeiro de 1935. O camionista que, com um movimento de ancas e uma música que reunia no mesmo corpo o country branco e o r&b negro, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Esse Elvis Presley detestado por conservadores adultos e idolatrado por adolescentes que não queriam e não podiam ser como os pais, foi destacado para o serviço militar em 1958, quatro anos depois de gravar o primeiro single, That"s All Right. A revolução estava lançada e Presley, provavelmente a figura mais importante da cultura popular americana do século XX, não soube como viver nela. Quando o coração parou a 16 de Agosto de 1977, Elvis já estava morto. O mito como grande herói americano, como entertainer supremo de excentricidade e voz imbatíveis, esse estava em construção há muito.
Tão cedo quanto 1956 o mercado foi invadido de produtos de merchandise - de águas-de-colónia a cães de peluche. Em 1971 já se faziam visitas guiadas à casa de Tupelo onde nasceu e, no ano seguinte, erguiam-se placas com a alteração toponímica da estrada fronteira à sua mansão: "Elvis Presley Boulevard".
Este presente em que Graceland é uma espécie de "Elvislândia" que recebe 600 mil visitantes por ano, em que milhares de pessoas vivem profissionalmente da imitação do "Rei", em que se vendem bustos "Elvis" robotizados que entoam as suas canções mais famosas (é só procurar no youtube) e em que até "edições especiais" da sua manteiga de amendoim preferida têm procura, ou seja, este Elvis caricatural que perdura na memória colectiva formara-se há muito. No meio de tudo isto, como descobrir este homem de quem falava Bob Dylan: "Quando ouvi pela primeira vez a voz de Elvis, soube que não iria trabalhar para ninguém e que ninguém iria ser o meu patrão"? Este a que Bruce Springsteen se referia desta forma: "Ele era tão grande quanto o próprio país, tão grande quanto o sonho completo. Nada tomará alguma vez o seu lugar"?
Em 30 de Setembro de 1955, James Dean morria ao volante de um Porsche. Juntamente com Marlon Brando, o "rebelde sem causa" mostrara pela primeira vez o retrato de uma juventude que não era apenas compasso de espera entre a inocência da infância e a seriedade do mundo adulto: abria-se um novo universo, convulsivo e irrequieto, rebeldia angustiada vivida como se não houvesse espaço para mais que o aqui e o agora. Poucos meses depois, a 20 de Novembro de 1955, Elvis Presley assinava contracto com a multinacional RCA. Já era então uma estrela no sul dos Estados Unidos, onde os singles gravados nos míticos Sun Studios - que albergavam ou albergariam Johnny Cash, Jerry Lee Lewis ou Roy Orbison - revelaram em primeira-mão alguém que, quando a RCA lhe assegura exposição nacional e internacional, amplificaria até ao grito ensurdecedor o revelado por James Dean. Elvis ficou-lhe com o corpo e tornou explícita a sexualidade implícita. Elvis não reteve a angústia, mas criou a música que, para horror do mundo adulto, a superou de forma incontrolável. "Como é que um freak como Elvis Presley pode encantar os nossos adolescentes é algo para além da minha compreensão", escrevia um colunista à época, citado num artigo publicado na revista Mojo de Maio de 2006. Obviamente que não percebia. A América que convivia confortavelmente com a segregação racial, com a prosperidade acrítica do pós-guerra, com a pureza virginal dos adolescentes, nunca poderia compreender aquele furacão que a transformaria profundamente.
O branco negro
Nascido em Tupelo mas criado em Memphis, Elvis Presley cresceu entre o blues e o gospel que fervilhavam na Beale Street, o centro da zona negra da cidade. Pela rádio, em casa, apaixonava-se pela country e pela voz de crooners como Dean Martin ou Perry Como. Tão desfavorecido financeiramente quanto os seus vizinhos negros, imune às fronteiras musicais de raça, a visão musical de Presley não incluía catalogações.
Sam Phillips, produtor e proprietário dos Sun Studios, procurava em Elvis um branco que tivesse a voz e o "feeling" de um negro. Conseguiu bem mais que isso.
Quando Elvis fez as suas primeiras gravações rock"n"roll já era expressão conhecida. Existia Bill Haley e o seu Rock Around The Clock, existiam Little Richard e Chuck Berry. O problema era que Bill Haley era demasiado velho e demasiado branco. O problema era que Berry e Richard eram demasiado negros. Elvis Presley transformaria tudo isso. Representou de forma magistral o microcosmos de uma América selvagem e desregrada que a América não queria ver e transformou não só a América, como o resto do mundo.
Estava tudo no ritmo insaciável de That"s All Right e na electricidade contagiante de Hound Dog. Estava tudo nessa inquietante Mistery Train e na sensualidade escaldante de Fever. Estava tudo na voz que passava do terno sussurro à provocação num par de acordes e naquele menear de ancas que levou a televisão americana a censurá-lo da cintura para baixo.
Em 1956, o single Heartbreak Hotel chegava a Inglaterra e, com ele, rumores de que, nos Estados Unidos, vários jovens se tinham suicidado ao som da música - eis o quão alienígena e perigosa parecia a sua música. Quando já era figura mundialmente conhecida, em 1962, o governo mexicano proibiu a exibição dos seus filmes após um motim durante a projecção de "GI Blues" - eis o quão "perigoso" era The King, mesmo depois da tropa.
A verdade, porém, é que Elvis Presley, o homem que deu voz e corpo a uma revolução cultural, o homem que não compreendia porque o atacavam os guardiães da moral e bons costumes - "a minha mãe gosta do que faço", ripostou uma vez; "o pessoal negro anda a fazer isto há anos e ninguém se escandaliza", defendeu-se outra -, nunca deixou de ser o miúdo do Mississipi que idolatrava o gospel, o country e o blues, o miúdo que desejava secretamente seguir os passos de Dean Martin e James Dean (excluindo a parte do Porsche). Não deixou de ser o provinciano que, exceptuando uma breve digressão canadiana, nunca actuou fora dos Estados Unidos em toda a sua carreira, e que se propôs a Nixon, em 1970, para servir o governo americano como agente atento aos perigos da "contracultura hippie" e dos Black Panthers.
As lantejoulas
Em meia década, Elvis Presley transformou o mundo. Passaria o resto da vida a não se reconhecer nele. Os Beatles e os Rolling Stones anunciavam uma nova ordem nos anos 60 e Presley abandonava os palcos para se dedicar em exclusivo a péssimos filmes série-B. O psicadelismo aparecia, a soul sofisticava-se, sucediam-se as mais diversas e arrojadas experiências artísticas e lá o encontrávamos no final dos anos 60 e em grande parte da década seguinte em Las Vegas, actuando para fãs acríticos e aburguesados.
Claro que há nuances. Claro que em 1968 viveu um breve renascimento, em esplendoroso cabedal rockabilly, no famoso 68 Comeback Special em que exibiu a chama de outrora - In The Ghetto e Suspicious Minds, os seus últimos clássicos absolutos, são resultado dele. Tal porém, foram fogachos num percurso de crescente excentricidade e decadência.
Colonel Tom Parker, na realidade Andreas Cornelis Van Kuijk, holandês e imigrante ilegal - eis a razão, sabe-se agora, para sempre se ter oposto a digressões internacionais de Elvis -, dirigiu-o como máquina de lucro fácil sem encontrar grande oposição. Presley, que alguns descrevem no final de vida como um homem amargurado e com tendências paranóicas à Howard Hughes, foi crescendo. Em lucros, em peso, em lantejoulas, em megalomania: durante a década de 70, a sua entrada em palco chegou a ser feita ao som de Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss. Se cantava My Way, não o fazia gloriosamente como Sinatra - havia um subtexto trágico naquele Elvis Presley a cantar aquela canção.
Quando, a 16 de Agosto de 1977, a noiva Ginger Alden o encontra, sem vida, no chão da casa de banho de Graceland, a lenda estava a um passo de se transformar em culto quase religioso: os imitadores, as peregrinações a Graceland, os duetos virtuais com Celine Dion aí estão para o mostrar bem vivo, trinta anos depois. O seu legado, de tão massivo, torna-se quase imperceptível. Está por todo o lado, em qualquer manifestação de música popular urbana tal como a conhecemos. Sabê-lo, hoje, agradaria certamente a Elvis Aaron Presley.
O supracitado artigo da Mojo refere que, meses antes de morrer, numa suite de hotel, escreveu a seguinte nota: I"m glad everyone is gone now/ I will probably not rest tonight/ I have no need for all of this/ Help me Lord.

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Mário Lopes ( In Público)

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julho 28, 2007

Oriente/Ocidente; O eixo do tempo... reflexão de A.Borges


O conforto semanal da reflexão de Anselmo Borges ...valerá a pena sair do facilitismo imediato da "notícia" que infelizmente fascina e se impõe no circo... sugiro que se vá mais em profundidade e se aproveite a "sageza" deste filósofo e teólogo. Santos da casa também podem fazer milagres... bom dia!

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julho 24, 2007

Nazanin Afshin-Jam ... sugiro.

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Nazanin Afshin-Jam, a mulher que salvou Nazanin
No Canadá é uma estrela. Uma pop-star, mais precisamente. Antes de mais, Nazanin Afshin-Jam é famosa por ser famosa e é famosa por ser bonita. Só que os seus talentos não ficam por aqui...

Os seus retratos profissionais apresentam-na como cantora, compositora (das suas canções), modelo e actriz. Se ignorarmos uns contratos como modelo quando era estudante, a sua primeira actividade profissional foi como Miss: Miss Vancouver, Miss Swimsuit, Miss World Canada, Miss Desporto, Queen of the Americas e um segundo lugar no concurso de Miss Mundo em 2003. De caminho, foi participando em meia dúzia de episódios de séries de televisão. Aos títulos de beleza seguiram-se os habituais contratos para fotografias, aparições públicas, participações em programas de TV e de rádio, entrevistas várias e uma chuva de capas de revistas. Como cantora a sua carreira é curta: o primeiro álbum (Someday) foi publicado no mês passado e está a fazer uma carreira aparentemente bem sucedida.
Mas Nazanin (é este o seu nome artístico) é também outra coisa: uma militante pelos direitos humanos que conquistou a notoriedade no seu país e para além dele com uma campanha para salvar uma jovem condenada à morte.
Seria aliás mais correcto dizer "nos seus países" porque Nazanin tem dois: o Irão e o Canadá. Nasceu no Irão (Teerão) em 1979, durante a Revolução Iraniana que levaria Khomeini ao poder. A sua família fugiu para a Europa e posteriormente para o Canadá em 1981, depois de o pai ter sido preso pela Guarda Revolucionária de Khomeini, torturado e condenado à morte.
Na Universidade de British Columbia, Nazanin estudou Ciências Políticas e Relações Internacionais, estudos que complementou com pós-graduações em França e Inglaterra. Enquanto estudava teve tempo para aprender a pilotar aviões (fez o curso dos Royal Canadian Air Cadets), além de se dedicar à prática de vela, caiaque, karting e dança e de trabalhar como voluntária da Cruz Vermelha em campanhas contra as minas terrestres e em defesa das crianças que vivem em zonas de guerra. Depois disso, a actividade de Nazanin foi muito além da das jovens que se limitam a declarar no palco que se pudessem concretizar um desejo pediriam "a paz no mundo".
A história da sua família, o seu trabalho como voluntária da Cruz Vermelha e o facto de ter sido uma jovem iraniana que participou em concursos de beleza, passeando-se em fato de banho à frente dos olhos de milhões de homens (só para o desfile de Miss Mundo houve 2200 telespectadores), permitiu-lhe uma experiência directa do que são os atentados às liberdades no mundo de hoje. Porquê os desfiles? Porque a visibilidade da sua participação teve como preço as críticas dos sectores conservadores da comunidade iraniana no Canadá, as ameaças de fundamentalistas islâmicos e mensagens de apoio de jovens iranianos que lhe permitiram ter uma noção da limitação das liberdades e da repressão das mulheres no seu país de origem.
A campanha que deu notoriedade a Nazanin foi porém a campanha para libertar Nazanin. Outra Nazanin, Nazanin Mahabad Fatehi, uma jovem iraniana de 17 anos condenada à morte por enforcamento a 3 de Janeiro de 2006 por ter apunhalado um dos três homens que a tentaram violar a ela e a uma sobrinha de 15 anos, num parque de Karaj, um subúrbio de Teerão.
Nazanin Afshin-Jam iniciou uma campanha pela sua libertação que incluiu o lançamento de uma petição que recolheu mais de 350.000 assinaturas, a produção de um documentário (The Tale of Two Nazanins), contínuas acções públicas e intervenções nos media e uma actividade de lobbying junto das autoridades iranianas e das Nações Unidas. A campanha pela libertação de Nazanin conseguiu mobilizar a Amnesty International, o Parlamento canadiano, a União Europeia e levou as autoridades judiciais iranianas a rever o caso, suspender a condenação e realizar um novo julgamento que se saldou por uma absolvição, em Janeiro passado.
Mas Nazanin Afshin-Jam
não parou aqui. Lançou a campanha Stop Child Executions Campaign (www.stopchildexecutions.com) que tenta anular
as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão
e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores. A lista dos crimes dos que foram executados nos últimos anos inclui actos como "atentados contra a castidade" ou dar aulas de religião Baha"i.
A acção de Nazanin Afshin-Jam no caso de Nazanin Fatehi foi distinguida com o Prémio Herói dos Direitos Humanos, atribuído pela organização Artists for Human Rights, dirigida pela actriz Anne Archer.
Nazanin Afshin-Jam também provoca críticas. Há quem diga que as suas simpatias políticas estão do lado de Reza Pahlavi, o filho do último xá do Irão, e que os seus verdadeiros motivos seriam a reinstauração da monarquia no país ou que a sua actividade humanitária é apenas uma forma de promoção pessoal. Mesmo que seja assim, se essa promoção continuar a defender os direitos humanos e a salvar vidas, parece um tipo de promoção totalmente louvável.
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José Vítor Malheiros (Público de 22/07/07)

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julho 21, 2007

Ser é Ser em relação ...sugiro.

…A arte de viver bem e ser feliz deriva de e implica relações vivas e sãs com a realidade toda, a começar pelos mais próximos - dados recentes mostram que é essencial para a felicidade a vinculação à família e aos amigos.

Porque hoje é sábado e digo-o como dia aberto à relação, meditando nas reflexões enriquecedoras de A.Borges

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julho 15, 2007

Eu também quero ser Ibérico...

Ibéria

Já há muito que defendo a título brincalhão, entre amigos, que a nossa desgraça foi 1640. Quem saiu beneficiado? Não foi o Zé Povo seguramente. Assim, subscrevo José Saramago.
Porque não fazer um referendo?Aposto que uma boa maioria de Portugas diria si.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1299516

Não entendo como é que o link não funciona...na codificação aparece um br...qualquer que não entendo e impossibilita o acesso. Assim, quem quiser ver a noticia tem o endereço em cima...

Fica aqui o Link da entrevista no Dn...

http://dn.sapo.pt/2007/07/15/artes/nao_profeta_portugal_acabara_integra.html

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julho 14, 2007

Nesta acalmia da tarde, conjugo o verbo transcender... com...

...a devida vénia à sempre estimulante crónica de Anselmo Borges no Diário de Notícias.
Pensar é ultrapassar, transcender.

Publicado por morfeu às 04:18 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 11, 2007

Are you Mr. Harry Potter?

Ciência e Magia ou ciência da magia ou magia da ciência
Página oficial

Publicado por morfeu às 11:19 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 05, 2007

Ai Venezuela, Venezuela ...

Ai Venezuela…com toda a possível e discutível controvérsia, em nome da liberdade de expressão, de manifestação, sugiro-vos uma visita a este reflexivo texto...com a suavidade revolucionária, pura e dura da voz de Soledad Bravo"

Ps. A minha escusa pelo facto de o vídeo ser sobre Habana e não propriamente sobre Caracas, Venezuela,...mas, para bom entendedor....

Publicado por morfeu às 09:04 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 04, 2007

Junta +professor=Cancro mortal

reenvio-vos para este texto interventivo

Publicado por morfeu às 09:38 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 02, 2007

A Esfinge esse ser obsessivo...

… Em reflexão, uma vez mais, com as sábias palavras de A.Borges..."

Publicado por morfeu às 08:51 AM | Comentários (3) | TrackBack

junho 23, 2007

O Homem, esse desconhecido... sugiro.

mulerindianaTanushreePunwanireuters.jpg

Então, o enigma é este: provimos da natureza, mas contrapomo-nos a ela, somos simultaneamente da natureza, na natureza e fora dela."

Publicado por morfeu às 08:29 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 21, 2007

Nazima Ghulam Nabi... a lágrima.

Nazima.jpg
A lágrima
Nazima, filha de Ghulam Nabi, um cidadão da Caxemira indiana morto no rebentamento de uma granada, chora deitada numa cama do hospital de Srinagar. Foto: Danish Ismail/Reuters

Cama hospital granada pai cidadão Caxemira
Filha dolente em lágrima deitada chora chora
Porquê num hospital deitada
Um rebentamento mata Ghulam Nabi cidadão
Caxemira
Deixando uma filha deitada em cama com lágrima
Vista do lado esquerdo
A cara branca de Nazima filha de Nabi
Uma cama hospital deitada em lágrima
Em almofada verde branco com sinal de azul do lenço
A face explode o sofrimento de
Nazima
Filha de Ghullam Nabi
Nazima tem um brinco na orelha
Como prolongamento da lágrima
Olha o vago o céu o som da granada
Que matou pai Nabi
Quem pode agora dar amor
De pai rebentado por granada em Caxemira
Nazima filha pai lágrima brinco face branca
O cabelo afeiçoa-lhe a dor em negro
Nazima Ghulam Nabi com lágrima

(foto recolhida in jornal "O Público", de 21 de Junho de 2007)

Publicado por morfeu às 11:47 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 07, 2007

Os meus problemas não valem um corno ...

... as minhas escusas para este título... corresponde, no entanto, à verdade. Usualmente recebo informação da associação de doenças raras "Raríssimas", para a qual contribuo quando possível, e hoje, entretido estupidamente a olhar para o umbigo dos meus "probleminhas", recebo um mail da associação, onde uma mãe fala da coragem do seu filho de seis anos ... e dela também. Por respeito, deixo para quem queira ler, em entrada estendida, tal e qual recebi ...

Fez este mês 4 meses que o meu filho partiu e cada vez dói mais. O A. era um menino corajoso ele tinah uma doença rara degenerativa e lutou durante 6 anos até que no ano passado teve que ser feita uma traqueostomia mas mesmo assim até Dezembro ele foi um menino feliz e lutador. Em Dezembro as convulsoes começaram e eu contava desesperada durante minutos para as convulsoes passarem.A té que no dia 10 de Janeiro contei até 350 e as convulsoes não passavam. E ele sempre consciente até que chamei o INEM e eu como enfermeira ja conhecia a equipa. Fomos para o hospital e eu tive sempre ao lado dele enquanto lutavam para o salvar. Nesse momentos ele teve um momento de consciencia e disse: "Mamã sê corajosa que eu vou ser sempre o teu anjinho da guarda" após esse instante as convulsoes recomeçaram até que eles tiveram 4 horas a tentar mante-lo estavel, ai eu aproximei-me e o meu menino tinhas os olhos abertos e eu disse-lheque se era demasiado para ele podia voar para os braços do menino Jesus que a Mamã ia ficar bem ap´s 1 ou 2 minutos de eu dizer isto o meu tesouro entrou em paragem cardio respiratoria. A equipa recomeçou a reanimação mas eu disse basta pois o meu tesouro era um doente terminal era o meu bebé e ja não havia nada a fazer so iria prolongar o sofrimento. Assim o meu menino pariu com dignidade e sem sofrer e eu acredito que ele estava a espera que eu lhe dissesse que podia partir. O A. é o meu tesoro e o meu anjinho. Foi muito lutador e o seu legado era Ser Forte. Obrigado por me ouvirem ...

(sic...)

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março 18, 2007

... "po(i)", com o sentido de proteger, defender ...

(...) O pai humano é criador - com-criador, juntamente com a mãe (o óvulo feminino só foi descoberto em 1827) - de um ser livre. E isto é misterioso. (...)

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março 17, 2007

Café amargo em manhã meditativa ...

sem comentário…

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fevereiro 13, 2007

A "inspiração" de um filósofo ...

“Caramba!”

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fevereiro 10, 2007

É preciso descaramento ... world press photo 2006.

... por respeito de direitos de autor, e por circunspecção pessoal, fica em entrada estendida ... á preciso desplante...

(recolhida em Público de 10/02/07)

Beirute.jpg

09-02-2007 - 13:17
World Press Photo 2006
Spencer Platt, fotógrafo americano da agência Getty Images, venceu o World Press Photo 2006. A imagem escolhida mostra, em primeiro plano, um grupo de libaneses a passear-se em Beirute num descapotável vermelho no meia da devastação, depois dos bombardeamentos da aviação israelita. Foto: Spencer Platt/Getty Images

Publicado por morfeu às 09:56 AM | Comentários (5) | TrackBack

fevereiro 07, 2007

O.p versus S.I ...

... perdoem-me a brincadeira do título - Ordem dos pregadores, Dominicanos, versus, Sociedade de Jesus, Jesuítas - mas acho oportuno, em nome da pluralidade e do contraditório, colocar em entrada estendida, a intervenção do Padre Vaz Pinto, no público de hoje, referindo-se à crónica de Bento Domingues,O.p, que coloquei em post de domingo passado... interessante...

Publicado por morfeu às 08:20 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 04, 2007

A sacristia como Igreja; Aborto e Teologia...

... na palavra e reflexão de Frei Bento Domingues, no Público de hoje...

«Os problemas de consciência nem sempre foram resolvidos desta maneira. Nem é preciso recuar até S. Tomás de Aquino. Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, quando era professor de Tubinga, escreveu um texto, pouco antes da Humanae Vitae (1968), que Hans Küng, seu colega e amigo, transcreve, agora, nas suas Memórias. Só posso deixar, aqui, um fragmento: "Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja." »

Por opção da mulher
Frei Bento Domingues, O.P.


O "sim" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, da cultura do aborto

1.Estava já nas últimas páginas da tese e doutoramento de Vítor Coutinho, defendida na Universidade de Münster (Alemanha) - que investiga o paradigma da fecunda interacção entre Bioética e Teologia, terminando com o elogio da interrogação (1) -, quando fui surpreendido com as respostas ao inquérito do DN (30/01/2007): "Concorda ou não que, na defesa dos seus princípios, a Igreja Católica se envolva directamente na campanha do referendo?" Cinquenta e oito por cento rejeita o envolvimento da Igreja e trinta e quatro por cento apoia a sua intervenção.
Donde virá tanta alergia à intervenção da Igreja Católica, identificada abusivamente com a hierarquia?
Circula, há muito, a opinião de que a Igreja tem uma resposta dogmática, irreformável, para todos os problemas sem se preocupar com as perguntas e com os dramas das pessoas, sobretudo no campo da ética sexual. Ainda agora, na carta aos párocos e paroquianos da diocese de Lisboa sobre o referendo, o cardeal-patriarca expressa, logo no primeiro ponto, uma norma que, segundo alguns, não deixa espaço para o esclarecimento e para a liberdade de consciência: "A doutrina da Igreja sobre a vida, inviolável desde o seu primeiro momento, obriga em consciência todos os católicos. Estes, para serem fiéis a Igreja, não devem tomar posições públicas contrárias ao seu Magistério. O esclarecimento que os católicos são chamados a fazer sobre esta questão tem de ter em conta também os critérios de fidelidade à Igreja."
Os problemas de consciência nem sempre foram resolvidos desta maneira. Nem é preciso recuar até S. Tomás de Aquino. Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, quando era professor de Tubinga, escreveu um texto, pouco antes da Humanae Vitae (1968), que Hans Küng, seu colega e amigo, transcreve, agora, nas suas Memórias. Só posso deixar, aqui, um fragmento: "Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja."
Dir-se-á que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e actual Papa já teve práticas pouco conformes a esta sua luminosa afirmação. Mas não podemos ignorar que, de modos diferentes, toda a Igreja é docente e discente. Esta interacção é, muitas vezes, esquecida para se pensar, apenas, na palavra da hierarquia e na dos leigos que a reproduzem.

2.A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento, para percorrerem todos os caminhos necessários até chegarem a uma decisão bem informada, responsável, prudencial, no sentido que a virtude da prudência, virtude da decisão bem informada, tem em Aristóteles e Tomás de Aquino.
Ora, como escreveu o prof. Vital Moreira, "quando se fala em "despenalização" de certa conduta, tanto no discurso leigo como na linguagem jurídico-penal, o que se pretende é retirá-la do âmbito do direito penal e do Código Penal, ou seja, da esfera dos crimes e das respectivas penas. (...) Só a legalização proporcionará condições para fazer acompanhar a decisão de abortar de um mecanismo obrigatório de reflexão da mulher que o pretenda fazer" (2). E nunca se deve confundir o que é legal com o que é moral.
Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. Todo o trabalho que a Igreja tem a fazer é, precisamente, o de ajudar as pessoas a caminharem para esse ponto de lucidez. Esclarecer as consciências não é formatá-las, não é impor-lhes uma outra consciência, não é aliená-las. Quando, nas condições e no prazo referidos, se chama "assassinas" às mulheres que recorrem ao aborto - que a Igreja e qualquer pessoa de bom senso desejam que nunca venha a acontecer -, pode estar-se a insultar, exactamente, as que sofrem os dramas que acompanham essas decisões dolorosas. A resposta ao referendo não deve extravasar o âmbito da pergunta aprovada.
3. Em última análise, a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana, durante nove meses.
Para os cristãos, esta desconfiança em relação às mulheres deveria ser insuportável. Não se lê, no Novo Testamento, que a Incarnação redentora ficou para sempre dependente da decisão de uma mulher, Maria de Nazaré (Lc l, 26-38)? Não foram as mulheres - e, segundo a cultura do tempo, não podiam testemunhar em tribunal - que são apresentadas, nos seus textos fundadores, como as grandes testemunhas do processo de Jesus? Não foram elas que testemunharam que Ele estava vivo, quando os Apóstolos já tinham concluído que estava tudo acabado? Não foi Maria Madalena a escolhida, por Jesus ressuscitado, para evangelizar os Apóstolos, para os convocar para a missão (3)?
E certo que os homens, logo que puderam, as subalternizaram. E, até hoje, por serem mulheres, estão, à partida, excluídas de serem chamadas para os ministérios na Igreja.
No debate sobre o referendo, receio que a Igreja - ao não dar sinais claros de respeito pelo pluralismo no seu interior - perca, uma vez mais, a ocasião de se manifestar verdadeiramente católica.

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janeiro 28, 2007

Porque raio eu existo? ... IVG em reflexão sg/A. Borges.

Uma vez, uma aluna levantou, num "trabalho", esta pergunta: "Onde estão todos aqueles que poderiam ter sido e não são?" Talvez uma daquelas perguntas inúteis, aparentemente preguiçosas, mas que não deixam de obrigar a pensar.

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janeiro 21, 2007

IVG, do referendo; com pedagia e reflexão ... sugiro.

Acompanhemos a sempre pedagógica reflexão de A.Borges no Diário de noticias de hoje

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janeiro 15, 2007

M.S,T, Jornalista, independente e bem instalado...

...eu nem queria mexer no assunto, apesar de ter lido as simpáticas e conhedoras diatribes deste "opinion maker", no semanário Expresso. Como recebi uma carta - não anónima - via email, onde colega de profissão analisa essas ditas verberações, julgo poder ser útil a quem queira ler... vivá confusão....

Carta duma professora
Autor: R. Mateus
Data: 14-01-2007


No número 1784 do Jornal Expresso, publicado no passado dia 6 de Janeiro, o colunista Miguel Sousa Tavares desferiu um violentíssimo ataque contra os professores (que não queriam fazer horas de substituição), assim como contra os médicos (que passavam atestados falsos) e contra os juízes (que, na relação laboral, pendiam para os mais fracos e até tinham condenado o Ministério da Educação a pagar horas extraordinárias pelas aulas de substituição).
Em qualquer país civilizado, quem é atacado tem o direito de se defender. De modo que a professora Dalila Cabrita Mateus, sentindo-se atingida, enviou ao Director do Expresso, uma carta aberta ao jornalista Miguel Sousa Tavares. Contudo, como é timbre dum jornal de referência que aprecia o contraditório, de modo a poder esclarecer devidamente os seus leitores, o Expresso não publicou a carta enviada. Aqui vai, pois, a tal Carta Aberta, que circula pela Net. Para que seja divulgada mais amplamente, pois, felizmente, ainda existe em Portugal liberdade de expressão.
«Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ler textos escritos pelo jornalista Miguel Sousa Tavares. Anoto que escreve sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo quando depois se verifica que conhece mal os problemas que aborda. É o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a educação, com as escolas e com os professores. E pensava eu que o código deontológico dos jornalistas obrigava a realizar um trabalho prévio de pesquisa, a ouvir as partes envolvidas, para depois escrever sobre a temática de forma séria e isenta.
O senhor jornalista e a ministra que defende não devem saber o que é ter uma turma de 28 a 30 alunos, estando atenta aos que conversam com os colegas, aos que estão distraídos, ao que se levanta de repente para esmurrar o colega, aos que não passam os apontamentos escritos no quadro, ao que, de repente, resolve sair da sala de aula. Não sabe o trabalho que dá disciplinar uma turma. E o professor tem várias turmas.
O senhor jornalista não sabe (embora a ministra deva saber) o enorme trabalho burocrático que recai sobre os professores, a acrescer à planificação e preparação das aulas.
O senhor jornalista não sabe (embora devesse saber) o que é ensinar obedecendo a programas baseados em doutrinas pedagógicas pimba, que têm como denominador comum o ódio visceral à História ou à Literatura, às Ciências ou à Filosofia, que substituíram conteúdos por competências, que transformaram a escola em lugar de recreio, tudo certificado por um Ministério em que impera a ignorância e a incompetência.
O senhor jornalista falta à verdade quando alude ao «flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado». Tal falsidade já foi desmentida com números e por mais de uma vez. Além do que, em nenhuma outra profissão, um simples atraso de 10 minutos significa uma falta imediata.
O senhor jornalista não sabe (embora a ministra tenha obrigação de saber) o que é chegar a uma turma que se não conhece, para substituir uma professora que está a ser operada e ouvir os alunos gritarem contra aquela «filha da puta» que, segundo eles, pouco ou nada veio acrescentar ao trabalho pedagógico que vinha a ser desenvolvido.
O senhor jornalista não imagina o que é leccionar turmas em que um aluno tem fome, outro é portador de hepatite, um terceiro chega tarde porque a mãe não o acordou (embora receba o rendimento mínimo nacional para pôr o filho a pé e colocá-lo na escola), um quarto é portador de uma arma branca com que está a ameaçar os colegas. Não imagina (ou não quer imaginar) o que é leccionar quando a miséria cresce nas famílias, pois «em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão».
O senhor jornalista não tem sequer a sensibilidade para se por no lugar dos professores e professoras insultados e até agredidos, em resultado de um clima de indisciplina que cresceu com as aulas de substituição, nos moldes em que estão a ser concretizadas.
O senhor jornalista não percebe a sensação que se tem em perder tempo, fazendo uma coisa que pedagogicamente não serve para nada, a não ser para fazer crescer a indisciplina, para cansar e dificultar cada vez mais o estudo sério do professor. Quando, no caso da signatária, até podia continuar a ocupar esse tempo com a investigação em áreas e temas que interessam ao país.
O senhor jornalista recria um novo conceito de justiça. Não castiga o delinquente, mas faz o justo pagar pelo pecador, neste caso o geral dos professores penalizados pela falta dum colega.
Aliás, o senhor jornalista insulta os professores, todos os professores, uma casta corporativa com privilégios que ninguém conhece e que não quer trabalhar, fazendo as tais aulas de substituição.
O senhor jornalista insulta, ainda, todos os médicos acusando-os de passar atestados, em regra falsos.
E tal como o Ministério, num estranho regresso ao passado, o senhor jornalista passa por cima da lei, neste caso o antigo Estatuto da Carreira Docente, que mandava pagar as aulas de substituição.
Aparentemente, o propósito do jornalista Miguel Sousa Tavares não era discutir com seriedade. Era sim (do alto da sua arrogância e prosápia) provocar os professores, os médicos e até os juízes, três castas corporativas. Tudo com o propósito de levar a água ao moinho da política neoliberal do governo, neste caso do Ministério da Educação.
Dalila Cabrita Mateus, professora, doutora em História Moderna e Contemporânea».

Publicado por morfeu às 08:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

M.S,T, Jornalista, independente e bem instalado...

...eu nem queria mexer no assunto, apesar de ter lido as simpáticas e conhedoras diatribes deste "opinion maker", no semanário Expresso. Como recebi uma carta - não anónima - via email, onde colega de profissão analisa essas ditas verberações, julgo poder ser útil a quem queira ler... vivá confusão....

Carta duma professora
Autor: R. Mateus
Data: 14-01-2007


No número 1784 do Jornal Expresso, publicado no passado dia 6 de Janeiro, o colunista Miguel Sousa Tavares desferiu um violentíssimo ataque contra os professores (que não queriam fazer horas de substituição), assim como contra os médicos (que passavam atestados falsos) e contra os juízes (que, na relação laboral, pendiam para os mais fracos e até tinham condenado o Ministério da Educação a pagar horas extraordinárias pelas aulas de substituição).
Em qualquer país civilizado, quem é atacado tem o direito de se defender. De modo que a professora Dalila Cabrita Mateus, sentindo-se atingida, enviou ao Director do Expresso, uma carta aberta ao jornalista Miguel Sousa Tavares. Contudo, como é timbre dum jornal de referência que aprecia o contraditório, de modo a poder esclarecer devidamente os seus leitores, o Expresso não publicou a carta enviada. Aqui vai, pois, a tal Carta Aberta, que circula pela Net. Para que seja divulgada mais amplamente, pois, felizmente, ainda existe em Portugal liberdade de expressão.
«Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ler textos escritos pelo jornalista Miguel Sousa Tavares. Anoto que escreve sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo quando depois se verifica que conhece mal os problemas que aborda. É o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a educação, com as escolas e com os professores. E pensava eu que o código deontológico dos jornalistas obrigava a realizar um trabalho prévio de pesquisa, a ouvir as partes envolvidas, para depois escrever sobre a temática de forma séria e isenta.
O senhor jornalista e a ministra que defende não devem saber o que é ter uma turma de 28 a 30 alunos, estando atenta aos que conversam com os colegas, aos que estão distraídos, ao que se levanta de repente para esmurrar o colega, aos que não passam os apontamentos escritos no quadro, ao que, de repente, resolve sair da sala de aula. Não sabe o trabalho que dá disciplinar uma turma. E o professor tem várias turmas.
O senhor jornalista não sabe (embora a ministra deva saber) o enorme trabalho burocrático que recai sobre os professores, a acrescer à planificação e preparação das aulas.
O senhor jornalista não sabe (embora devesse saber) o que é ensinar obedecendo a programas baseados em doutrinas pedagógicas pimba, que têm como denominador comum o ódio visceral à História ou à Literatura, às Ciências ou à Filosofia, que substituíram conteúdos por competências, que transformaram a escola em lugar de recreio, tudo certificado por um Ministério em que impera a ignorância e a incompetência.
O senhor jornalista falta à verdade quando alude ao «flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado». Tal falsidade já foi desmentida com números e por mais de uma vez. Além do que, em nenhuma outra profissão, um simples atraso de 10 minutos significa uma falta imediata.
O senhor jornalista não sabe (embora a ministra tenha obrigação de saber) o que é chegar a uma turma que se não conhece, para substituir uma professora que está a ser operada e ouvir os alunos gritarem contra aquela «filha da puta» que, segundo eles, pouco ou nada veio acrescentar ao trabalho pedagógico que vinha a ser desenvolvido.
O senhor jornalista não imagina o que é leccionar turmas em que um aluno tem fome, outro é portador de hepatite, um terceiro chega tarde porque a mãe não o acordou (embora receba o rendimento mínimo nacional para pôr o filho a pé e colocá-lo na escola), um quarto é portador de uma arma branca com que está a ameaçar os colegas. Não imagina (ou não quer imaginar) o que é leccionar quando a miséria cresce nas famílias, pois «em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão».
O senhor jornalista não tem sequer a sensibilidade para se por no lugar dos professores e professoras insultados e até agredidos, em resultado de um clima de indisciplina que cresceu com as aulas de substituição, nos moldes em que estão a ser concretizadas.
O senhor jornalista não percebe a sensação que se tem em perder tempo, fazendo uma coisa que pedagogicamente não serve para nada, a não ser para fazer crescer a indisciplina, para cansar e dificultar cada vez mais o estudo sério do professor. Quando, no caso da signatária, até podia continuar a ocupar esse tempo com a investigação em áreas e temas que interessam ao país.
O senhor jornalista recria um novo conceito de justiça. Não castiga o delinquente, mas faz o justo pagar pelo pecador, neste caso o geral dos professores penalizados pela falta dum colega.
Aliás, o senhor jornalista insulta os professores, todos os professores, uma casta corporativa com privilégios que ninguém conhece e que não quer trabalhar, fazendo as tais aulas de substituição.
O senhor jornalista insulta, ainda, todos os médicos acusando-os de passar atestados, em regra falsos.
E tal como o Ministério, num estranho regresso ao passado, o senhor jornalista passa por cima da lei, neste caso o antigo Estatuto da Carreira Docente, que mandava pagar as aulas de substituição.
Aparentemente, o propósito do jornalista Miguel Sousa Tavares não era discutir com seriedade. Era sim (do alto da sua arrogância e prosápia) provocar os professores, os médicos e até os juízes, três castas corporativas. Tudo com o propósito de levar a água ao moinho da política neoliberal do governo, neste caso do Ministério da Educação.
Dalila Cabrita Mateus, professora, doutora em História Moderna e Contemporânea».

Publicado por morfeu às 08:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 01, 2007

Do Tempo...

vouet.jpg

No Museu do Prado, em Madrid, há um pequeno quadro da autoria de Simon Vouet, representando O Tempo vencido pela Esperança e pela Beleza, aonde volto sempre. A Beleza agarra o Tempo pelos cabelos. A Esperança ameaça-o e detém-no com uma âncora.

(A. Borges:In Dn de 31 de Dezembro de 2006)

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novembro 19, 2006

No cemitério nem vivalma ... nada.

_MG_0885.JPG

Mas então o que há nos cemitérios, para que a sua profanação seja, em todas as culturas, um crime hediondo? Há a memória. Mas o que sobretudo há é o que nos faz homens: um in-finito ponto de interrogação, que vem ao nosso encontro como pergunta in-finita: o que é ser Homem?; porque é que há algo e não nada? A morte coloca-nos perante o abismo do nada. E o que é que se diz sobre o nada?

Publicado por morfeu às 10:06 AM | Comentários (3)

novembro 08, 2006

Devo este estranho momento ...

... a esse emérito cronista de sua graça A. Pina, que no Jornal de notícias nos propicia momentos reflexivos de excelência. Nesse sentido, o texto de hoje, apoiado no poema,

"No olhar dos animais existe uma luz profunda e suavemente triste que me inspira uma simpatia tão grande que o meu coração se abre como um hospício para acolher todo o sofrimento das criaturas. A miserável pileca que dorme debaixo da chuva nocturna (…), um gato atropelado, um pardal ferido que procura refúgio no buraco de um muro - todos estes sofrimentos cabem para sempre no meu coração. Se não fosse o respeito humano, ajoelhar-me-ia perante tanta paciência, tantas torturas, porque eu via uma auréola à volta das cabeças destes seres dolorosos, uma verdadeira auréola, grande como o universo, colocada pela própria mão de Deus". ... do poeta basco Francis Jammes, mexeu no coração deste cronista e com o meu mexeu...o resto da crónica merece ser transcrita...
(...) Estas são palavras de um poeta, o basco Francis Jammes, e decerto delicadas de mais para um espírito bruto alcançar. Mas foi delas que me lembrei quando vi o filme terrível para onde remete a petição que corre na Net contra a "estilista" Fátima Lopes (o que quer que seja uma "estilista"), onde se assiste ao sofrimento inimaginável infligido aos animais a quem são arrancadas, às vezes ainda vivos, as peles "verdadeiras" com que a "estilista" confecciona (suponho que depois de lavadas do sangue) as roupas. É nestas alturas que, com Primo Levi, me interrogo "se é isto (o) homem". Porque, se é, eu quero ser outra coisa.

...nada mais digo, apenas comovo o rasto destas palavras doloridas pela perversa monstruosidade de seres humanos por enganos chamados assim. Se A. Pina precisar, em movimento solidário, então, também eu quero ser outra coisa....

Publicado por morfeu às 09:16 PM | Comentários (0)

novembro 04, 2006

Borda fora ... sugiro

…e todos todos se vão

... quando era garoto, nos anos sessenta, a "felicidade" e o "bem-estar" deste país conseguia-se pela imigração. Eu próprio, para não ir à guerra, coloquei essa hipótese. Neste momento, em que o "autoritarismo", a sobranceria, o quero posso mando se afirmam sem pudor - olá Srº 1ºMinistro, olá Srª Ministra da Educação - retoma-se esse recurso... este parte, aquele parte e todos todos se vão... assim cantava Adriano...

Publicado por morfeu às 08:45 AM | Comentários (0)

agosto 20, 2006

"Acredito que Deus ... ande demasiado ocupado."

Sei que é Verão, está sol e praia e fora com chatices e más notícias e coisas assim ... mas não posso pôr de lado esta experiência extrema que o artigo em extensão refere...

Blogue … visite

...Como não consegui, vá-se lá saber porquê, linkar o artigo do DN, aqui deixo transcrito o dito...


Há um som de fundo permanente na sala - e na casa toda - que não deixa esquecer o Tiago, imóvel no seu quarto. O som da máquina que permite que o Tiago tenha oxigénio para sobreviver invadiu a casa. Ele e a doença ra- ríssima que lhe tocou em sorte.

Aos dois meses de vida, Tiago começou a fazer infecções urinárias, umas atrás das outras. Perdeu subitamente a capacidade de respirar sozinho. No hospital, a incógnita. Exames e análises e o mistério não havia meio de se deslindar. Quando chegou, o diagnóstico dificilmente podia ser pior. O Tiago tinha uma doença rara (um caso em cem mil) de um tipo galopante, nunca antes visto em Portugal. Uma neuropatia congénita chamada Charcot Marie Tooth. Esteve internado oito meses no Hospital D. Estefânia.

Na prática, o seu corpo não produz mielina, a substância que reveste os nervos e é responsável pela condução dos impulsos nervosos enviados ao cérebro. A consequência? O Tiago, hoje com dois anos e meio, não se consegue mexer. Está completamente paralisado e confinado a uma cama. Para piorar tudo, uma convulsão mais forte provocou-lhe paralisia cerebral.

Bijutarias para sobreviver

Maria Poeiras, a mãe, tem 31 anos e um sorriso, apesar de tudo. "Não vale a pena andar de cara emburrada, não é?" Com esta "partida do destino", foi obrigada a deixar de trabalhar para ficar em casa, 24 sobre 24 horas, a olhar pelo Tiago. Estimula-o, brinca com ele, escuta a máquina que lhe mede os batimentos cardíacos e a saturação de oxigénio. Chora. Vai-se abaixo e torna a reerguer- -se.

Um dia, teve uma ideia: "Precisava de me distrair e, se possível, ainda ganhar algum dinheiro para ajudar, porque com isto tudo só temos o ordenado do meu marido e ele não estica." Foi assim que nasceu, no princípio deste ano, um blog (www.mariabiju.blogspot. com) e uma colecção de bijutarias feitas por ela.

A vida deste casal é assustadoramente limitada às paredes da casa onde vivem, num 3.º andar sem elevador em Alfragide. "O meu marido chega e eu vou às compras. Só saio quando ele está. E vice-versa. Não podemos jantar fora, tomar café. A família já tem alguma idade e não consegue aspirar o Tiago nem sabe como reagir numa convulsão." Ainda assim, têm resistido. "Em vez de nos separar, a doença do nosso filho tem--nos unido. É uma prova de fogo. E nós gostamos mesmo um do outro."

A psicóloga Maria João Pimentel, que acompanha doentes da Raríssimas, uma associação de doenças mentais e raras, explica que já viu de tudo no que diz respeito à reacção das famílias: "Há casos em que os laços saem muito reforçados, as pessoas apoiam-se umas nas outras e formam uma espécie de muro, de rocha. Há outros em que os casais não aguentam o facto de terem de abandonar a vida que tinham. E preferem afastar-se para não terem de confrontar o pesado presente com o passado feliz."

Outro filho repara a falha

Às vezes, Maria Poeiras e o marido pensam em ter outro filho. Mas contam, à partida, com 25% de hipóteses de ter outro bebé com problemas. A decisão tem muito que se lhe diga: "Por um lado, gostava de ter um filho que batesse palminhas, que gatinhasse, que andasse, enfim, que me desse essas alegrias normais. Mas, por outro, tenho medo, claro. E, além disso, será que tenho o direito de oferecer a uma criança esta vida que nós temos?"

Maria João Pimentel diz que é natural o desejo de querer ter mais filhos, mesmo quando o primeiro nasceu com uma doença rara e grave: "É um desejo inconsciente de reparar uma falha que aquele filho doente lhes faz sentir. E mais. Muitas vezes os pais pensam que um outro filho poderá vir a cuidar do irmão quando eles morrerem. Porque a incerteza quanto ao futuro é muito perturbadora para eles. Perturbadora e quase insuportável."

Apesar de toda a dor, apesar de todo o sofrimento, o Tiago é a sua vida. "Apesar de tudo não o quero perder. Pode ser egoísmo. Mas ele é tudo para mim." Quanto à sua fé em Deus, não se perdeu. Abalou- -se mas, tal como a própria Maria, voltou a reerguer-se. "Acredito que Deus ainda possa ajudar o meu filho. Talvez ande demasiado ocupado." Ainda assim, há dias em que se revolta: "Às vezes digo a Deus: hoje estou mesmo chateada consigo!"

Publicado por morfeu às 02:27 PM | Comentários (7)

julho 22, 2006

Que Deus nos livre de uma estadia no Stª. Maria...

.. no caso dele existir, senão... estamos f..............s!

Ps:A experiência que em entrada estendida se transcreve é absolutamente inclassificável a exigir inquérito e punição exemplar...

Hospital de Santa Maria, 2006: a desumanização banalizada?
Clara Pracana (in Público, Espaço público, 22/07/007


No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe a condição humana em tão curto espaço de tempo?

Acontece. Pode acontecer a qualquer um de nós. O que não devia acontecer a nenhum de nós, rico ou pobre, gordo ou magro, preto ou branco, saudável ou não, é o que passarei a relatar. Não está em causa a minha pessoa, mas a dignidade da pessoa humana. De todas as pessoas. E essa, valor que reputo fundamental, é mais fácil de se perder do que se pensa. É mesmo muito fácil. No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe por completo a condição de ser humano (que passa a ser apenas um bocado de carne) num tão curto espaço de tempo?
Tive o azar de, a 7 de Junho, ter um violento acidente de automóvel. Depois de horas de encarceramento, lá conseguiram extrair-me do monte de sucata em que o carro se transformara. Transportada para as urgências do Santa Maria, foram-me detectadas várias costelas partidas e três fracturas na bacia. Fui carregada para o SO.
Aqui entra em cena a personagem do dr. Zé Manel, como o designavam no SO. Desconheço o seu apelido, nem me interessa sabê-lo, não tencionando voltar a pôr os olhos em cima de tão repelente criatura. Mas neste caso o dr. Z. M. é mais que ele próprio uma criatura mal-educada, com impulsos omnipotentes e sádicos. Ele é o paradigma de todos os drs. Z. M., todos aqueles que pululam por Santa Maria como devem pulular por outros hospitais. Logo por azar, a minha cama no SO ficava mesmo em frente do local onde os médicos se reuniam durante a noite. Se por acaso as dores que eu tinha e os gritos do vizinho da cama ao lado me permitissem dormir, não conseguiria fazê-lo tal o nível de decibéis das risadas e da animada conversata entre os doutores (para não falar das luzes sempre ligadas). Ouvi falar de tudo, talvez até de mais: as questões laborais, os casos amorosos, as últimas anedotas, a questão das reformas, a nova legislação, etc. Na segunda noite que lá passei, um deles teve o seguinte desabafo: "Eh, pá, que chatice, hoje não há nada que fazer. Nem uma reanimaçãozinha!" (E pensar que pagamos nós a esta gente com os nossos impostos...)
Pois nessa noite dava-se justamente o caso de estar há duas horas a atentar chamar a atenção de alguém naquele SO. Apenas conseguia murmurar "por favor" e agitar o braço esquerdo, já que o direito pouco se movia. Que pretendia eu, pedaço de carne jacente numa cama? Apenas que me antecipassem por duas horas a ingestão do Omeprazole, já que o refluxo gastro-esofágico me estava a provocar uma tosse dolorosíssima, devido às costelas partidas. Levei duas horas até que alguém me ouvisse (e foi um enfermeiro), mas fiquei a saber muita coisa da vida dos médicos naquele hospital, dos drs. Z. M. e dos interesses que comandam aquelas vidas. E é aquilo o SO, onde os doentes são supostos estar sob observação...
Entretanto, ao fim de cerca de 24 horas no SO, a minha cama foi colocada no corredor para ser levada para a Ortopedia, segundo alguma alma caridosa me informou (certamente uma enfermeira ou enfermeiro, porque eram os únicos seres educados, assim como muitos dos auxiliares). Porque ali não se informam os doentes. Ali, tal como no livro de Job, não se explica nada, nem se dão razões para nada. A omnipotência dos senhores doutores, cuja má-educação me continua a intrigar, intrigaria certamente o próprio Job: mas terão de ser todos assim? E porquê? Será resultado de défices narcísicos a precisar de um engrandecimento à custa do esmagamento do outro, da sua redução a um objecto? Será uma questão de escola? De cumplicidades tecidas no dia-a-dia? Protecções corporativistas? Não sei. Mas acho que o fenómeno desta grosseria básica (e bárbara) devia ser investigado, porque diz respeito a todos nós, e todos nós pagamos (nos dois sentidos da palavra) por isso.
Certo é que a esperança de sair dali para a Ortopedia durou pouco. Passado algum tempo, a minha cama foi puxada novamente para o SO, e eu lá voltei para o meu lugarzinho, a cama nº 7.
Nessa manhã, o dr. Z. M. passeava-se com um seu acólito pelo SO. Personagem rubicunda, de fraca presença, ostentava para compensar um ar imperial, pairando acima dos apelos, gritos e soluços dos pedaços de carne que ali, como eu, se encontravam. Tendo ele entrado no meu cubículo, pretendi saber porque não tinha sido ainda levada para a enfermaria da Ortopedia, se essa tinha sido a opinião do médico da especialidade cardiotorácica (tal como ouvira da boca do próprio, o único médico educado que encontrei, além de uma médica espanhola). O que fui dizer! "Intromissão nas decisões do hospital", foi o que o dr. Z. M., do alto do seu poder, chamou à pretensão de querer saber acerca da minha saúde e do que me esperava. Eu argumentei, na fraca voz que as costelas partidas me permitiam, que me parecia legítimo inquirir acerca do meu estado de saúde. Irritado com os argumentos que fui expondo, o dr. Z. M. não deu resposta, foi-se embora.
Muitas horas depois, de novo me surge o dr. Z. M., sempre com o seu acólito. Mandou-o tirar-me sangue. Eu, que já estava mais esburacada que um passador, perguntei em tom cordato se as três seringas de sangue que tinha tirado há duas horas não serviriam para as análises em causa. Resposta irada do dr. Z. M.: "Mas por que é que me disse que não lhe tinham tirado sangue?" Eu, que não me lembrava nada de ter dito tal coisa, respondi que não me lembrava de o ter dito, que talvez tivesse feito alguma confusão... "Ah!", exclamou o dr. Z. M. triunfante, com os pequenos olhinhos brilhando de alegria. "Pooooois!" E naquele "pois" estava todo triunfo dele sobre o ser ainda pensante que eu tinha sido antes. Agora, eu já nem sabia pensar. Era uma tonta, só fazia confusões, já nem sabia o que dizia, tinha perdido por completo a capacidade de ser pensante, ou seja, deixara de ser um ser racional, uma pessoa. A partir desse momento, perdi o direito à palavra. O dr. Z. M. tornou-se omnipotente.
Hannah Arendt escreveu muito, e bem, sobre a banalização do mal, sobre como medíocres homenzinhos como Eichmann se tornam capazes de assassinar milhões. E como é fácil as pessoas ditas "de bem", virarem a cara para o lado, limitarem-se a não ver. Primo Levi, que sobreviveu a Auschwitz, relata em tom desapaixonado o que passou nesse campo. Devíamos ler e reler a obra prima que é Se isto É Um Homem. E aprender como em poucos dias, ou mesmo horas, é fácil perder a qualidade de pessoa, quando se está entre seres para quem o triunfo narcísico passa pelo aniquilamento do outro. É sobre gente desta, os medíocres drs. Z. M. deste mundo, que se torna possível erguer os abusos à pessoa humana, instalar os totalitarismos de várias caras, instituir o processo de aniquilação do outro, a morte em vida. Quando começaremos a ser capazes de dizer não ao poder destrutivo do outro sobre nós? Quando seremos capazes de construir mecanismos civilizacionais que nos protejam de situações como estas? Quando seremos capazes de pensar, pensar a sério, nos mecanismos e nas motivações que estão por detrás dos nossos actos? Investigadora

P.S. - Nesse mesmo dia decidir fazer tudo para ser transferida para outra unidade hospitalar. Assinei um termo de responsabilidade, já que a minha saúde corria considerável perigo na transferência e fugi do SO. Recuperei o direito à palavra, mas fiquei com o peso da culpa. Quantos podem fazer o mesmo que eu? Neste momento, entre quantos seres desapossados da sua dignidade, passeará o dr. Z. M. a sua mediocridade destrutiva e maligna? Ele, e todos os outros drs. Z. M., seus acólitos. E nós, quando acordaremos? Quando usaremos o direito à palavra? O direito à indignação? Ah, e não me venham dizer que nos meios hospitalares é quase sempre assim, porque são meios onde a morte está sempre presente. Essa é mais uma razão para não tolerarmos as grosserias e a violência de gente como esta sobre nós.

Publicado por morfeu às 07:52 AM | Comentários (18)

junho 19, 2006

Querem saber o que é o Futebol?...vejam!

Futebol.jpg
(foto:Adam Nadel/Polaris/City Files - in "Courrier Internacional", imagem adaptada com scanner)

Futebolistas Amputados
Só um pé, mas muita esperança

Vítimas da guerra civil, dezenas de mutilados uniram-se para fundar um clube de futebol. Jogam com um pé a menos e não vale chutar com a canadiana, mas esta experiência devolve a muitos o gosto pela vida.

(Los Angeles Times – Courrier Internacional, nº 62 – 9 a 15 de Julho de 2006)

Mohamed Lappid, um apaixonado do futebol desde os tempos da escola, lembra-se perfeitamente do dia em recomeçou a tentar jogar. Torturando cada um dos seus músculos, esforçava-se por chutar a bola. Falhava, voltava atentar e a falhar, mas sentia realmente necessidade de jogar… precisou de um mês para conseguir chutar a bola. Porque, como milhares de outros civis, Mohammed, que tem hoje 22 anos, perdeu uma perna durante a guerra civil que enlutou a Serra Leoa.
O futebol para atletas só com uma perna não é diferente do futebol tradicional. Mas o corpo prega partidas, a bola é um aliado pouco fiável e basta uma canadiana tropeçar num torrão de terra para nos fazer cair como uma árvore ao ser abatida. «Éramos poucos para formar uma equipa. Poucos com coragem suficiente para chutar uma bola», explica Lappid, que, como os outros membros da equipa, se desloca no terreno sem utilizar próteses, apenas com a ajuda das canadianas. «Foi muito duro», acrescenta.
A guerra civil, que durou dez anos, deixou milhares de pessoas deficientes. As milícias tinham o hábito de cortar as mãos ou os pés às suas vítimas, de lhes vazar plástico derretido nos olhos ou de lhes infligir outras mutilações. Lappid foi levado para o hospital, mas teve de esperar um mês antes de ser tratado, pois todos os médicos tinham fugido. «Quando as dores eram muito fortes, punha-me a chorar e implorava: “Que Deus me leve”, mas agora percebo que Deus queria que eu fosse alguém e foi por isso que não atendeu os meus pedidos». Hoje, Lappid é membro do Clube Desportivo dos Mutilados, tem 80 associados e faz alinhar três equipas de futebol.

«Voltei a ter coragem»

Quando as equipas do CDM entram em campo, o público fica abismado coma a velocidade, energia e habilidade dos jogadores. As regras do jogo proíbem o uso das canadianas para bater a bola e o rosto do jogadores parece reflectir duas vezes mais sofrimento e esforço do que o dos jogadores válidos, que minutos antes ocupavam o campo. «É empolgantes», declara Dee Malchow, enfermeira de Seattle, também portadora de deficiência, que se considera um pouco a madrinha da equipa, desde que começou a entusiasmá-los a jogar futebol. >«Fico com lágrimas nos olhos quando os vejo!» Antes de perder a perna, Lappid era destro. «Agora, quando recebo uma bola e faço um passe, é indiferente! Passo a bola a um dos companheiros de equipa. Ele finta e atira à baliza. Se eu ou um dos meus companheiros de equipa marca golo, fico feliz. Agarramo-nos todos uns aos outros e damos largas à nossa alegria!»
«A alegria que sinto quando chuto uma bola é mais importante do que a que sentia quando jogava com as duas pernas. Torna-me feliz. Permite que me afirme face aos outros», conta Obai Sessai, que é defesa. Aos seus olhos, fazer parte duma equipa atenua-lhe o sofrimento, pois faz parte de um grupo com quem pode partilhá-lo. «Antes de fazer parte desta equipa, não tinha para onde ir. Sentava-me a um canto, sozinho, com pena de mim próprio. Desde que jogo futebol, já não fico sozinho a ver passar o tempo. A minha vida mudou: voltei a ter coragem e já não penso na minha deficiência. Tornei-me uma pessoa importante, na sociedade. Para onde quer que vá, faço novos amigos», acrescenta, por seu turno, Mohammed Lappid.
Este vive numa pequena cabana de folhas de palmeira, no meio de esgotos a céu aberto e lumes a apodrecer. Mesmo para uma pessoa válida, não é fácil escapulir-se até à entrada da habitação, fechada por uma simples cortina. No interior, à luz fraca de uma vela, Lappid fala em voz suave. «Não conseguimos acabar com a dor, vamos senti-la até que Deus nos chame», explica. Há dois anos que está a fazer o curso de Direito e, a partir de agora, tem projectos para o futuro. Como se nos mostrasse um mapa do tesouro escondido, conta-nos as suas esperanças: casar com a namorada, acabar o curso e tornar-se advogado, como o avô. «Espero que as pessoas percebam um dia que somos capazes de fazer grandes coisa, não apenas jogar futebol», remata.
(Robin Dixon)

Publicado por morfeu às 08:23 PM | Comentários (11)

junho 17, 2006

Uma boa notícia.

Gente extraordinária, que investiga, e realiza estes autênticos milagres, a bem da humanidade…ainda vou acreditando no ser humano…

Publicado por morfeu às 08:21 AM | Comentários (0)

abril 14, 2006

Desafio de solidariedade...

...atravessamos uma época do ano em que por crença, renovação, solidariedade, nos será oportuno praticar a nossa renovação interior...Pesah, Páscoa, Libertação...

...esta minha amiga da blogosfera...tem um desafio que colocou à nossa disposição, sugerindo que cada um de nós "arregimentasse" mais cinco amigos...mas o melhor é passarem por lá , lerem o post, e fazerem o que entenderem. A associação que eu sugiro apoio é,
RARÍSSIMAS....tentando de acordo com o desafio contactar mais cinco "agentes" da blogosfera...é o que farei em seguida.

Publicado por morfeu às 04:50 PM | Comentários (14)

abril 12, 2006

Da Imortalidade...

capa1.jpg

O último número do Courrier, edição portuguesa, traz-nos um interessante dossier/debate, acerca da longevidade, e, por ambição humana, da Imortalidade. Não pensemos que é coisa de loucos, mas de cientistas com um grau de formação/informação notáveis, a que, por precaução ou ousadia, poderemos acrescentar o epíteto de "Louco"...

Aqui...poderemos encontrar uma parte do dossier em Pdf. Sugiro que quem não tenha comprado este número o faça, pelo interesse da temática em apreço. E, podemos aproveitar para nos colocarmos a questão: " Queremos ser Imortais?"

Publicado por morfeu às 10:27 PM | Comentários (3)

abril 02, 2006

"Cornélia de Lange" conhece? Doenças "rarissimas" conhece? Quer ser solidário?

...perdoem-me os ilustres visitantes e extensão do título, mas, fiquei vivamente impressionado com a entrevista feita a uma senhora notável, na revista XIS, de 1 Abril, à venda com a edição do jornal público. Paula Costa, 40 anos, empresária e presidente da direcçãp da Associação Raríssimas é um desses seres extraordinários que lutam por uma causa atingindo esse dom raro da dádiva, do altruismo mais elevado. Magoada na sua própria pele de mãe gerando um filho com uma doença que em Portugal ninguém conhecia - isto há dezoito anos - lutou para que o seu filho pudesse ter uma vida o mais digna possível. Esse filho faleceu há um mês...mas podemos ver esta senhora com um sorriso extraordinário na foto da revista, ao mesmo tempo que descreve as suas mágoas, lutas, alegrias e sofrimentos, e, para além de tudo isso que já era suficiente, lutou para que outras famílias, outras crianças, com doenças raras, mal conhecidas e não apoiadas por um Estado que muitas vezes se demite das suas obrigações, criar a "Associação Raríssimas". Leiam a entrevista, e depois decidam da vossa solidariedade...eu já decidi! Obrigado pela atenção, restando dizer que eu não conheço nem a senhora nem a organização, mas o seu sorriso perante a vida, e, a simplicidade convicta das suas palavras, bastam-me.

RARÍSSIMAS

Publicado por morfeu às 03:47 PM | Comentários (28)

dezembro 18, 2005

Tecnologia e perversão...sugiro

...à atenção de todos os educadores e cidadãos em geral. Nas escolas nomeadamente começamos a apercebermo-nos do "uso" obcessivo do telemóvel...devemos ser inflexíveis e impedir o seu uso nas aulas, como penso que determinam os regulamentos internos...

Alunos perseguem colegas com a ajuda das novas tecnologias
Andreia Sanches (In Público de 18 de Novembro de 2005)


Blogues e SMS ao serviço de uma nova forma de bullying nas escolas britânicas e norte-americanas


Um adolescente que frequentava uma escola do Norte de Inglaterra colocou na Intranet do estabelecimento de ensino fotografias da cara da ex-namorada sobrepostas em imagens pornográficas. Um outro tem recebido apoio psicológico depois de um grupo de colegas o ter apanhado numa sala e o ter fotografado a ser empurrado e agredido. As imagens foram colocadas num blogue. "As pessoas viam e achavam que eu era um falhado", contou ao The Sunday Times. Uma jovem de 16 anos norte-americana recebia em casa e-mails de colegas que diziam que a queriam matar, revelou a CBS.
São apenas exemplos de bullying - uma expressão que traduz a humilhação, coacção e abuso. É um problema nas escolas, nos recreios ou no caminho para casa. Mas as novas tecnologias abriram a porta a uma outra forma de bullying. E as escolas norte-americanas e britânicas estão ainda a adaptar-se.
Algumas escolas inglesas têm vindo a proibir a utilização de telemóveis com câmaras incorporadas - na sequência de episódios de alunos que filmam ataques a colegas para depois disseminar as imagens, noticiou o The Guardian. No Kings College, no Reino Unido, o programa de conversação on-line em tempo real MSN Messenger foi bloqueado (porque é considerado uma via privilegiada para os insultos, garantido o anonimato dos seus autores) e foi instalado nos computadores um software que identifica palavras-chave ligadas a conteúdo pornográfico, mas também a bullying.
Outras escolas tentam a via da pedagogia recomendando aos seus alunos que não ponham fotografias on-line, nomeadamente nos blogues, por exemplo. Na mesma reportagem, o The Sunday Times contava como uma adolescente de 15 anos de Abingdon (Reino Unido) recebeu uma mensagem de uma jovem dos Estados Unidos que apenas lhe queria dizer, depois de ver a sua fotografia: "És tãããããooooo feia!"
Num artigo recente, no jornal The Guardian, intitulado "Perigo: cibertorturadores on-line", relatam-se outros métodos. Há jovens que enviam às suas vítimas links que as remetem para blogues ou sites com insultos especialmente dirigidos a si. Outros optam por SMS via telemóvel com os mais diversos impropérios.
Liz Carnell, directora de uma organização britânica de apoio às vítimas de bullying - o Bullying Online -, explica que cada vez mais crianças e adolescentes usam a Internet ou os telemóveis para atemorizar colegas.
No site www.bullyin.co.uK lê-se: "Um número cada vez maior de alunos escrevem-nos queixando-se de que recebem ameaças e são abusados através dos seus telemóveis." E aqui divulgam-se recomendações dirigidas a pais, alunos e professores.
Em quatro anos, o Bullying Online diz já ter respondido a 21.700 mensagens. Como esta: "Querida Liz. Há um site que toda a gente na escola conhece e onde as pessoas põem mensagens com insultos sobre mim, onde põem o meu nome e o nome da minha escola e o ano que frequento. Têm escrito muitas coisas vis e mentirosas sobre mim e não sei o que fazer. A minha mãe quer envolver a polícia."

Publicado por morfeu às 08:16 AM | Comentários (2)

dezembro 08, 2005

E voçê? Anoréxico, ortoréxico, bulímico...sugiro

...para quem se preocupe excessivamente com "os comes" e "os bebes" e não se lembra que pode morrer "en vitesse"...

Viciados em saúde
Joana Amaral Cardoso(In público de 8 de Dezembro)

David McCandless descreve-se como um caçador recolector do século XXI: "Quem é que percorre dolorosamente as prateleiras em busca de produtos orgânicos, sem açúcar, baixos em gorduras saturadas, com muitos ácidos gordos essenciais, produzidos localmente, embalados em celulose biodegradável, com uma grande e reluzente cereja de comércio justo no topo? Eu."
Os viciados em comida saudável, como os descreveu pela primeira vez Steven Bratman, clínico norte-americano especializado em medicina natural, não têm uma vida. Têm uma ementa. A confissão de David McCandless foi escrita este ano para a BBC, sob pressão dos pais e dos amigos, fartos das suas exigências quanto à pureza dos alimentos.
Ele assume o perfil, elegante e impoluto, de um ortoréxico, alguém que sofre de ortorexia nervosa, uma palavra inventada por Bratman em 1997, para quem tem como regra comer de forma saudável, mas que transforma o objectivo saúde numa obsessão. Este britânico confessa que se sente superior em relação aos outros por ter um regime que exclui tantos alimentos prejudiciais, por não comer algo que tenha passado por uma indústria, por não ingerir carne e seja o que for que tenha ainda agarrada terra com pesticidas. Acha que vai viver até aos 140 anos, cheio de saúde, só pela alimentação que mantém, e orgulha-se do controlo que exerce sobre o seu corpo e os seus desejos, mas sobretudo sobre as ameaças do exterior, como os sustos de segurança alimentar, que assim não o afectam. E tenta convencer todos os que o rodeiam das vantagens do seu estilo de vida, ao ponto de deixar os amigos enfastiados.
"A ortorexia, ao contrário da anorexia nervosa não recusa, selecciona", explica Rita Marta, psicóloga do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) e professora no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), em Lisboa. É a selecção alimentar levada ao extremo e ao ponto de tornar um regime equilibrado numa dieta tão limitada que se pensa já ter conduzido à morte e que evidencia um desequilíbrio psíquico. Um dos poucos estudos desenvolvidos sobre o tema, em 2004, por um grupo de investigadores da Universidade La Sapienza de Roma, identificou a doença em 28 dos seus 404 voluntários e concluiu que, em casos extremos, os ortoréxicos "preferem não se alimentar a recorrer a comida que considerem "impura" e prejudicial à sua saúde".
A instrutora de ioga norte-americana Kate Finn enveredou, em 1986, por um longo processo de obsessão com a sua dieta e a sua saúde. Nada lhe assentava bem, sentia-se letárgica, decidiu que a culpa só podia ser da comida. Foi "vegan" - não comia carne, peixe, ovos ou lacticínios -, aderiu ao movimento da comida crua, que acredita que os alimentos não cozinhados são mais bem digeridos, fazia jejuns para "limpar" o organismo.
Diagnosticaram-lhe depressão e anorexia, mas ela insistia que estava era a ganhar saúde e os jejuns e as experiências com dietas alternativas continuaram. Leu o texto de Steven Bratman que identificava algo chamado ortorexia nervosa e falava dos "viciados em comida saudável". Kate assumiu a pele de ortoréxica, frisando que não queria emagrecer, queria comer bem, que a questão era a qualidade e não a quantidade de comida que lhe punham no prato. Em Dezembro de 2003 morreu de colapso cardíaco na sequência da abstinência de comida. Morreu de fome.
Só estão catalogados dois grandes distúrbios alimentares - a anorexia e a bulimia nervosas -, mas os casos de ortorexia já começaram a aparecer nas consultas da especialidade em Portugal. Psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas encaram o problema ancorados na definição ampla da anorexia. "O que achamos é que muitos destes casos, cerca de 50 por cento, acabam em anorexias, se já não o são", conta a psicóloga Maria João Brito, da consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de Santa Maria, com base nos casos que já recebeu na prática clínica. Rita Marta recorda que, na Idade Média, a anorexia era um sintoma da obsessão pela pureza de "uma sociedade moral" e diz que esta pode agora ter uma nova roupa, mais dirigida à "ameaça do mundo, que está muito caótico e complexo": "A anorexia é uma doença que tem a ver com estas problemáticas, a necessidade de se proteger de medos internos, actuando-os na relação com a comida, a necessidade de separar, de recusar, o medo da dependência, mas que se reveste de formas diferentes consoante o tempo em que estamos".
Mas se a anorexia se esconde, a ortorexia exibe-se, com orgulho e prédicas para evangelizar o próximo. São os traços obsessivos da pessoa, as regras rígidas quanto à origem e preparação da comida, o planeamento e/ou os jejuns que distinguem quem apenas quer comer de forma salutar, ou opta por regimes como o vegetarianismo ou a macrobiótica, de um ortoréxico.
Segundo Pedro Teixeira, professor de Nutrição, Obesidade e Actividade Física na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o problema reside numa "má interpretação do que é saudável", que se aproxime da restrição alimentar e que faça com que a pessoa ingira poucas calorias, exagere na escolha das gorduras ou no consumo de fibras. "O caso das fibras é paradigmático. As pessoas têm a tendência para apostar nos vegetais, no pão, nos cereais", sem saber que "um acréscimo de fibra pode ser prejudicial", exemplifica o docente. Outro problema são os suplementos alimentares, que quando em excesso podem gerar uma intoxicação em relação a alguns elementos, como o ferro ou a vitamina A. Querer um regime correcto não é um distúrbio, mas a perda de moderação e a reclusão gradual decorrente destes hábitos podem levar à ortorexia, concluíram os investigadores italianos.
Durante décadas, Steve Bratman, o "pai" da ortorexia, advogou a cura através da comida e viveu numa comuna no estado de Nova Iorque cheia de "ideólogos alimentares", cada grupo com as suas exigências e, sobretudo, dogmas. O jovem Bratman entregava-se a rituais que validavam a sua busca pela saúde através da boca. Mastigava cada garfada 50 vezes, só comia vegetais que tivessem acabado de ser colhidos, comia sozinho. Era um devoto da sua própria alimentação.
Depois de anos de jejuns e de proselitismo, apercebeu-se de que a sua capacidade de ter uma conversa que não versasse sobre a comida era nula. "Estava só e obcecado", escreve no livro "Health Food Junkies". O caminho para criar uma nova palavra passou por um monge, que o levou a um restaurante chinês enquanto o distraía da sua culpa pela refeição abundante, e por uma surtida solitária, semanas mais tarde, a um festim de comida mexicana, "pizza" e batidos, complementado por dois gelados.
Consciente da obsessão, baptizou o mal: ortorexia nervosa. Verteu a sua experiência para um livro e editou "Health Food Junkies", que foi recebido com algum cepticismo pela comunidade científica, mas acabou por merecer o aplauso do influente "Journal of the American Medical Association".
A ortorexia está agora a ser estudada em alguns centros científicos do mundo. Não há ideia de qual é a sua verdadeira prevalência. Em Espanha, por exemplo, cifras não oficiais indicam que um por cento dos pacientes das consultas de comportamento alimentar procuram ajuda devido aquele mal. "Os investigadores italianos dizem ter encontrado uma prevalência de sete por cento em Itália", adianta Steven Bratman à Pública. E deixa o alerta: começou a receber "e-mails" de crianças, nomeadamente miúdos britânicos, com uma preocupação pouco saudável com a qualidade da sua alimentação.
As mulheres entre os 18 e os 40 anos, da classe média, permeáveis à informação, são apontadas como um grupo em que pode ser mais frequente o surgimento desta obsessão, que será sempre o sintoma de uma desorganização interna, a que as dietas da moda, os dados sobre os perigos alimentares ou a existência de modos de vida social e espiritualmente alternativos parecem dar eco.
Nos casos de ortorexia "há um excesso de racionalização da alimentação que, para mim, só pode ter a ver com outras questões que se está a tentar colocar e controlar e que não têm propriamente a ver com a alimentação e saúde", analisa a psicóloga do Hospital Amadora-Sintra. Rita Marta identifica na ortorexia "uma necessidade excessiva de separar o bom do mau, como se a pessoa se sentisse desorganizada, confusa", e define que o "mais patológico nisto é o facto de só ser actuado na comida, porque a comida é possível controlar". "Como se ganhasse saúde comendo determinadas coisas e a perdesse comendo outras. É como se a própria mente ficasse estreita. "Se eu ceder ao meu desejo vou ficar doente"", mimetiza a médica.
O estudo da Universidade La Sapienza explica como os "media" e os peritos em nutrição identificaram e propalaram este novo distúrbio que ainda não consta no "Diagnostic and Statistical Manual" (DSM IV) da Associação Psiquiátrica dos EUA. "Penso que agora há mais casos (de ortorexia) porque vai ao encontro das necessidades das pessoas". Gera-se a "ideia de que se se fizer uma vida saudável, se está mais protegido das doenças", caindo-se no exagero, opina Maria João Brito, que acredita que a indústria dos produtos naturais já percebeu como capitalizar esse apelo.
#
O TESTE
- Preocupa-se mais com as virtudes do que come do que com o prazer que recebe da comida?
- Tende a ser cada vez mais rigoroso consigo mesmo nas suas regras alimentares?
- Sente um aumento da auto-estima quando ingere comida saudável? Desmerece quem não o faz?
- Sente culpa ou desprezo por si quando come alimentos de que gosta, mas que não fazem parte da sua dieta?
- A sua dieta isola-o socialmente?
- Quando come "o que deve", tem um sentimento apaziguador de controlo?
- Passa mais do que três horas por dia a pensar em alimentação saudável?
Um ponto por cada resposta "sim"; se obtiver mais do que quatro pontos, a ortorexia pode ser um problema a encarar.
(Fonte: Steven Bratman, www.orthorexia.com)
FACTOS
- Ortorexia vem da aglutinação da palavra grega "orthos", que significa "correcto", e do vocábulo "orexis", que significa "alimentação"
- Foi baptizada em 1997, num artigo de Steven Bratman para um livro de medicina alternativa, reproduzido depois em revistas americanas
- Em 2000 Bratman editou o livro "Health Food Junkies"
- www.orthorexia.com

Publicado por morfeu às 05:36 PM | Comentários (13)

E voçê? Anoréxico, ortoréxico, bulímico...sugiro

...para quem se preocupe excessivamente com "os comes" e "os bebes" e não se lembra que pode morrer "en vitesse"...

Viciados em saúde
Joana Amaral Cardoso(In público de 8 de Dezembro)

David McCandless descreve-se como um caçador recolector do século XXI: "Quem é que percorre dolorosamente as prateleiras em busca de produtos orgânicos, sem açúcar, baixos em gorduras saturadas, com muitos ácidos gordos essenciais, produzidos localmente, embalados em celulose biodegradável, com uma grande e reluzente cereja de comércio justo no topo? Eu."
Os viciados em comida saudável, como os descreveu pela primeira vez Steven Bratman, clínico norte-americano especializado em medicina natural, não têm uma vida. Têm uma ementa. A confissão de David McCandless foi escrita este ano para a BBC, sob pressão dos pais e dos amigos, fartos das suas exigências quanto à pureza dos alimentos.
Ele assume o perfil, elegante e impoluto, de um ortoréxico, alguém que sofre de ortorexia nervosa, uma palavra inventada por Bratman em 1997, para quem tem como regra comer de forma saudável, mas que transforma o objectivo saúde numa obsessão. Este britânico confessa que se sente superior em relação aos outros por ter um regime que exclui tantos alimentos prejudiciais, por não comer algo que tenha passado por uma indústria, por não ingerir carne e seja o que for que tenha ainda agarrada terra com pesticidas. Acha que vai viver até aos 140 anos, cheio de saúde, só pela alimentação que mantém, e orgulha-se do controlo que exerce sobre o seu corpo e os seus desejos, mas sobretudo sobre as ameaças do exterior, como os sustos de segurança alimentar, que assim não o afectam. E tenta convencer todos os que o rodeiam das vantagens do seu estilo de vida, ao ponto de deixar os amigos enfastiados.
"A ortorexia, ao contrário da anorexia nervosa não recusa, selecciona", explica Rita Marta, psicóloga do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) e professora no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), em Lisboa. É a selecção alimentar levada ao extremo e ao ponto de tornar um regime equilibrado numa dieta tão limitada que se pensa já ter conduzido à morte e que evidencia um desequilíbrio psíquico. Um dos poucos estudos desenvolvidos sobre o tema, em 2004, por um grupo de investigadores da Universidade La Sapienza de Roma, identificou a doença em 28 dos seus 404 voluntários e concluiu que, em casos extremos, os ortoréxicos "preferem não se alimentar a recorrer a comida que considerem "impura" e prejudicial à sua saúde".
A instrutora de ioga norte-americana Kate Finn enveredou, em 1986, por um longo processo de obsessão com a sua dieta e a sua saúde. Nada lhe assentava bem, sentia-se letárgica, decidiu que a culpa só podia ser da comida. Foi "vegan" - não comia carne, peixe, ovos ou lacticínios -, aderiu ao movimento da comida crua, que acredita que os alimentos não cozinhados são mais bem digeridos, fazia jejuns para "limpar" o organismo.
Diagnosticaram-lhe depressão e anorexia, mas ela insistia que estava era a ganhar saúde e os jejuns e as experiências com dietas alternativas continuaram. Leu o texto de Steven Bratman que identificava algo chamado ortorexia nervosa e falava dos "viciados em comida saudável". Kate assumiu a pele de ortoréxica, frisando que não queria emagrecer, queria comer bem, que a questão era a qualidade e não a quantidade de comida que lhe punham no prato. Em Dezembro de 2003 morreu de colapso cardíaco na sequência da abstinência de comida. Morreu de fome.
Só estão catalogados dois grandes distúrbios alimentares - a anorexia e a bulimia nervosas -, mas os casos de ortorexia já começaram a aparecer nas consultas da especialidade em Portugal. Psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas encaram o problema ancorados na definição ampla da anorexia. "O que achamos é que muitos destes casos, cerca de 50 por cento, acabam em anorexias, se já não o são", conta a psicóloga Maria João Brito, da consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de Santa Maria, com base nos casos que já recebeu na prática clínica. Rita Marta recorda que, na Idade Média, a anorexia era um sintoma da obsessão pela pureza de "uma sociedade moral" e diz que esta pode agora ter uma nova roupa, mais dirigida à "ameaça do mundo, que está muito caótico e complexo": "A anorexia é uma doença que tem a ver com estas problemáticas, a necessidade de se proteger de medos internos, actuando-os na relação com a comida, a necessidade de separar, de recusar, o medo da dependência, mas que se reveste de formas diferentes consoante o tempo em que estamos".
Mas se a anorexia se esconde, a ortorexia exibe-se, com orgulho e prédicas para evangelizar o próximo. São os traços obsessivos da pessoa, as regras rígidas quanto à origem e preparação da comida, o planeamento e/ou os jejuns que distinguem quem apenas quer comer de forma salutar, ou opta por regimes como o vegetarianismo ou a macrobiótica, de um ortoréxico.
Segundo Pedro Teixeira, professor de Nutrição, Obesidade e Actividade Física na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o problema reside numa "má interpretação do que é saudável", que se aproxime da restrição alimentar e que faça com que a pessoa ingira poucas calorias, exagere na escolha das gorduras ou no consumo de fibras. "O caso das fibras é paradigmático. As pessoas têm a tendência para apostar nos vegetais, no pão, nos cereais", sem saber que "um acréscimo de fibra pode ser prejudicial", exemplifica o docente. Outro problema são os suplementos alimentares, que quando em excesso podem gerar uma intoxicação em relação a alguns elementos, como o ferro ou a vitamina A. Querer um regime correcto não é um distúrbio, mas a perda de moderação e a reclusão gradual decorrente destes hábitos podem levar à ortorexia, concluíram os investigadores italianos.
Durante décadas, Steve Bratman, o "pai" da ortorexia, advogou a cura através da comida e viveu numa comuna no estado de Nova Iorque cheia de "ideólogos alimentares", cada grupo com as suas exigências e, sobretudo, dogmas. O jovem Bratman entregava-se a rituais que validavam a sua busca pela saúde através da boca. Mastigava cada garfada 50 vezes, só comia vegetais que tivessem acabado de ser colhidos, comia sozinho. Era um devoto da sua própria alimentação.
Depois de anos de jejuns e de proselitismo, apercebeu-se de que a sua capacidade de ter uma conversa que não versasse sobre a comida era nula. "Estava só e obcecado", escreve no livro "Health Food Junkies". O caminho para criar uma nova palavra passou por um monge, que o levou a um restaurante chinês enquanto o distraía da sua culpa pela refeição abundante, e por uma surtida solitária, semanas mais tarde, a um festim de comida mexicana, "pizza" e batidos, complementado por dois gelados.
Consciente da obsessão, baptizou o mal: ortorexia nervosa. Verteu a sua experiência para um livro e editou "Health Food Junkies", que foi recebido com algum cepticismo pela comunidade científica, mas acabou por merecer o aplauso do influente "Journal of the American Medical Association".
A ortorexia está agora a ser estudada em alguns centros científicos do mundo. Não há ideia de qual é a sua verdadeira prevalência. Em Espanha, por exemplo, cifras não oficiais indicam que um por cento dos pacientes das consultas de comportamento alimentar procuram ajuda devido aquele mal. "Os investigadores italianos dizem ter encontrado uma prevalência de sete por cento em Itália", adianta Steven Bratman à Pública. E deixa o alerta: começou a receber "e-mails" de crianças, nomeadamente miúdos britânicos, com uma preocupação pouco saudável com a qualidade da sua alimentação.
As mulheres entre os 18 e os 40 anos, da classe média, permeáveis à informação, são apontadas como um grupo em que pode ser mais frequente o surgimento desta obsessão, que será sempre o sintoma de uma desorganização interna, a que as dietas da moda, os dados sobre os perigos alimentares ou a existência de modos de vida social e espiritualmente alternativos parecem dar eco.
Nos casos de ortorexia "há um excesso de racionalização da alimentação que, para mim, só pode ter a ver com outras questões que se está a tentar colocar e controlar e que não têm propriamente a ver com a alimentação e saúde", analisa a psicóloga do Hospital Amadora-Sintra. Rita Marta identifica na ortorexia "uma necessidade excessiva de separar o bom do mau, como se a pessoa se sentisse desorganizada, confusa", e define que o "mais patológico nisto é o facto de só ser actuado na comida, porque a comida é possível controlar". "Como se ganhasse saúde comendo determinadas coisas e a perdesse comendo outras. É como se a própria mente ficasse estreita. "Se eu ceder ao meu desejo vou ficar doente"", mimetiza a médica.
O estudo da Universidade La Sapienza explica como os "media" e os peritos em nutrição identificaram e propalaram este novo distúrbio que ainda não consta no "Diagnostic and Statistical Manual" (DSM IV) da Associação Psiquiátrica dos EUA. "Penso que agora há mais casos (de ortorexia) porque vai ao encontro das necessidades das pessoas". Gera-se a "ideia de que se se fizer uma vida saudável, se está mais protegido das doenças", caindo-se no exagero, opina Maria João Brito, que acredita que a indústria dos produtos naturais já percebeu como capitalizar esse apelo.
#
O TESTE
- Preocupa-se mais com as virtudes do que come do que com o prazer que recebe da comida?
- Tende a ser cada vez mais rigoroso consigo mesmo nas suas regras alimentares?
- Sente um aumento da auto-estima quando ingere comida saudável? Desmerece quem não o faz?
- Sente culpa ou desprezo por si quando come alimentos de que gosta, mas que não fazem parte da sua dieta?
- A sua dieta isola-o socialmente?
- Quando come "o que deve", tem um sentimento apaziguador de controlo?
- Passa mais do que três horas por dia a pensar em alimentação saudável?
Um ponto por cada resposta "sim"; se obtiver mais do que quatro pontos, a ortorexia pode ser um problema a encarar.
(Fonte: Steven Bratman, www.orthorexia.com)
FACTOS
- Ortorexia vem da aglutinação da palavra grega "orthos", que significa "correcto", e do vocábulo "orexis", que significa "alimentação"
- Foi baptizada em 1997, num artigo de Steven Bratman para um livro de medicina alternativa, reproduzido depois em revistas americanas
- Em 2000 Bratman editou o livro "Health Food Junkies"
- www.orthorexia.com

Publicado por morfeu às 05:36 PM | Comentários (13)

dezembro 03, 2005

E é que a experiência da morte não só deixa qualquer um pensativo, como o torna pensador.

(…)
Um ou dois anos antes já tinha visto o meu primeiro cadáver, para surpresa minha (e que surpresa! um irmão leigo recém-falecido exposto num átrio da Igreja da Rua de Garibay de San Sebastian, onde a minha família e eu ouvíamos a missa dominical. Parecia uma estátua de cera, como os Cristos jacentes que tinha visto nalguns altares, com a diferença de que eu sabia que ele antes estava vivo e agora já não. «Foi para o céu», disse-me minha mãe, um pouco incomodada com um espectáculo que, sem dúvida, me teria poupado de boa vontade. E eu pensei: «Bom, estará no, mas também está aqui morto. O que de certeza não está é vivo em nenhuma parte. Na melhor das hipóteses estar no céu é melhor do que estar vivo, mas não é o mesmo. Viver, vive-se neste mundo com um corpo que fala e anda, rodeado de pessoas como ele, não entre os espíritos…por muito bom que seja ser espírito. Os espíritos também estão mortos, também tiveram que padecer a morte estranha e horrível, e ainda a padecem.» e assim, a partir da revelação da minha morte impensável, comecei a pensar.
(…) E é que a experiência da morte não só deixa qualquer um pensativo, como o torna pensador.

Fernando Savater, As perguntas da vida, Ed. D. Quixote.


Publicado por morfeu às 05:45 PM | Comentários (0)

novembro 30, 2005

Crystal meth...informe-se.

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( In Visão de 24 de NOvembro de 2005)

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novembro 15, 2005

Galegos, simplesmente...

Os senhores da água e dos petiscos

Os senhores da água, os galegos, merecem uma nota que os separe dos que aparecem sempre na sua companhia, como negros, mulatos, mouros, etc.…Por duas razões: porque em finais do século XVIII já eram 60 000, número considerável em relação à população de Lisboa, e porque a sua acção foi importante na história da alimentação da cidade, tão importante que essa acção chegou aos nossos dias transmitindo usos que se transformaram em emblema da cidade como, por exemplo, as populares «iscas com elas». Era gente forte, muito robusta, preparada para trabalhos pesados, que tinham como característica principal serem muito económicos. Não se metiam em brigas, e nunca eram tidos como culpados de qualquer roubo ou qualquer crime. Eram orgulhosos e desembaraçados e raramente ofereciam os seus préstimos, aguardavam que alguém os pedisse. Os galegos em Lisboa eram vendedores de água, moços de frete de corda ao ombro, moços de lojas e armazéns, criados de hospedarias e casas particulares, cocheiros, trintanários, varredores de ruas e empregados das tabernas e casas de pasto. Foi nesta actividade, e na de aguadeiro, que se tornaram conhecidos e que se enraizaram na cidade. Trabalhavam muito, viviam economicamente e depois de juntar algum dinheiro partiam para as suas terras e compravam um terreno. Em 1801 houve uma tentativa de os expulsar por causa da guerra mas o Intendente Geral da Polícia avisou que, expulsando-os deixava de haver quem servisse a cidade. Foram deixados em paz e continuaram. Em relação aos criados portugueses, mais subservientes, os galegos eram mais orgulhosos, mais limpos, mais fiéis e mais sóbrios. Quando chovia e a lama deixava as ruas da cidade em estado lastimável, eram eles que carregavam as pessoas. Os que vendiam água iam encher as suas barricas decoradas aos chafarizes e depois apregoavam a «áááágua freeesca, frisquiiinha, quem quer beber áugua freeesca?» Vendiam cada copo de água a 5 réis.

Alfredo Saramago, "Para uma história da alimentação de Lisboa e seu termo"
(lido in imaginário 2005, assírio e alvim)

Publicado por morfeu às 05:33 PM | Comentários (0)

novembro 12, 2005

Emoções por aqui e ali...

...pintar com a boca? Com os dedos dos pés?...coisas que me fazem esperar da humana espécie...embora neste caso a nossa ajuda possa revelar-se importante...ouse ajudar!

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Publicado por morfeu às 12:26 PM | Comentários (0)

outubro 15, 2005

A emoção da semana...

...coisas que me tocam, me emocionam, e, pelo seu extraordinário, me impedem de desesperar do "bicho humano"...

Encontros
Terapia dos enlutados

Meia centena de famílias israelitas e palestinianas com mortos devido ao conflito fazem reuniões entre si para promover a reconciliação

(In Expresso de:15 de Outubro de 2005)

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O palestiniano Ali e a israelita Robi (de frente) numa reunião realizada na casa de uma família israelita, perto de Telavive


Eles perderam filhos, cônjuges e irmãos na mais recente intifada, a revolta palestiniana contra a ocupação de Israel. Os seus entes queridos eram desde jovens israelitas que serviam no Exército a pais de família palestinianos que tentavam passar pelos bloqueios militares, vítimas da violência dos dois lados do conflito.

São cerca de 500 famílias enlutadas de Israel, da Cisjordânia e de Gaza que se reuniram para formar uma organização não governamental (ONG) com um objectivo comum: não querem vingança, mas sim promover a reconciliação no Médio Oriente. Fazem parte da Parents Circle - Families Forum (Círculo dos Pais - Fórum das Famílias), que pretende uma revolução silenciosa na região. A sua táctica passa pela promoção de centenas de encontros, em escolas e em casas particulares, onde pequenas audiências têm a oportunidade de ouvir - alguns pela primeira vez nas suas vidas - histórias pessoais de um israelita ou de um palestiniano envolvidos no conflito.

Num destes encontros participava Robi Damelin, mãe de David, um oficial israelita morto em Março de 2002. Um atirador das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa matou 10 pessoas perto de um bloqueio militar israelita junto a Ramallah. David era o oficial responsável pelo posto, tinha 29 anos e estudava Filosofia. Outro participante no encontro era Ali Abu Awad, cujo irmão, Yusef, de 31 anos e pai de dois filhos, foi morto no final de 2000. Segundo testemunhas, Yusef seguia numa estrada da Cisjordânia quando chegou a uma zona onde crianças palestinianas enfrentavam soldados israelitas. Saiu do carro para tentar interferir, mas foi morto pelos militares. Cerca de 20 pessoas foram ouvir Robi e Ali, numa residência perto de Telavive. Solidarizaram-se com a sua dor, mas também os questionaram sobre assuntos como os refugiados e a luta armada. Segue-se o relato do encontro.


Texto e fotografias de Leonard Singer, correspondente em Jerusalém

Publicado por morfeu às 06:19 PM | Comentários (4)

setembro 07, 2005

Vêr...

http://www.wwltv.com/perl/common/video/yahooPlayer.pl

Publicado por morfeu às 09:41 PM | Comentários (0)

agosto 14, 2005

Mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que...sugiro

Exportadores de petróleo enriquecem com subida dos preços
Pedro Ribeiro in público de 14/8/05

Para onde vão as receitas de um petróleo mais caro?
Os países exportadores usam-no para pagar défices, ampliar capacidade produtiva, diversificar a economia. E também em Ferraris.

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...com a devida vénia ao jornal público e a pedro ribeiro, deixo o texto acessível on-line por subscrição,para quem não tenha essa possibilidade e queira ler...

O preço do petróleo bateu esta semana um novo recorde, com o West Texas Intermediate a ultrapassar os 67 dólares por barril. Os preços do crude aumentaram quase 50 por cento desde o início de 2005.
A subida do preço do petróleo é analisada na Europa ou nos EUA sobretudo do ponto de vista do consumidor - das repercussões do aumento dos preços nas respectivas economias. Mas há outro lado nesta história: o lado dos países exportadores.
Para as nações que exportam petróleo - as do Golfo Pérsico, a Rússia, a Nigéria, a Venezuela, etc. -, o aumento dos preços representa um acréscimo nas suas receitas. Numa estimativa do Banco Mundial, as seis monarquias árabes que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) exportaram 116 mil milhões de euros em petróleo e gás natural em 2003; este ano, deverão exportar o dobro, perto de 230 mil milhões.
E o que é que os países exportadores vão fazer com estas receitas adicionais? Depende dos países, responde Muhammad-Ali Zainy, analista do Centre for Global Energy Studies de Londres. "Estes países são muito dependentes do petróleo. Todos eles usam as receitas do petróleo para financiar os seus orçamentos. Alguns deles acumularam grandes dívidas [nos anos 90]; esses irão aproveitar para pagar dívidas."
"Outra coisa que irão fazer é aumentar as suas reservas de divisas. Os países do Golfo estão, acima de tudo, a fazer isso", continua Zainy.
Depois dos "choques petrolíferos" dos anos 70, os exportadores de petróleo do Golfo Pérsico reinvestiram os seus rendimentos do petróleo no Ocidente, sobretudo nos EUA.
Até certo ponto, é isso que está a acontecer agora. Num relatório deste mês do Institute for International Finance (IIF, um consórcio de bancos privados), prevê-se que os seis países do CCG (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Oman) vão utilizar os proveitos do petróleo para uma "acumulação maciça de activos estrangeiros".
O IIF projecta que os países da região irão investir 290 mil milhões de euros em 2005 e 2006 no estrangeiro - em acções, obrigações, divisas, imobiliário. O mesmo documento acrescenta que a maior parte destes activos será denominada em dólares, mas que há "dados empíricos" de que uma parte substancial do investimento se dirige a outros países do Médio Oriente e à Europa.
Segundo o SAMBA, um banco sediado em Riad, a Arábia Saudita tem acumulado activos estrangeiros ao ritmo de 3200 milhões de euros por mês em 2005.
Essa acumulação não tem sido, contudo, comparável à que se registou no final dos anos 70 e em meados dos anos 80. Para já, porque o boom não é comparável com o da era dos "choques petrolíferos".
A subida dos preços tem sido vertinosa, e o petróleo tem, de facto, batido recordes nominais quase todos os dias. Mas, em termos reais, os preços ainda têm muita margem para subir. Em 1979, depois da revolução de Khomeini no Irão, o crude atingiu um nível que, a preços actuais, representaria 90 dólares por barril.
Por outro lado, os países exportadores atravessaram ainda recentemente a situação inversa: em 1998, o preço do petróleo estava historicamente baixo, pouco acima dos 10 dólares por barril. "Quando os preços caíram, [os países do Golfo] começaram a envidar-se para financiar os seus orçamentos, e tiveram problemas de défices orçamentais e até comerciais", diz Muhammad-Ali Zainy. "Esta é uma oportunidade para eles diversificarem as suas economias para sectores não petrolíferos - turismo, finança, manufactura", acrescenta Zainy.
Além disso, as nações do Golfo "têm taxas de crescimento da população muito altas": "A força de trabalho que entra no mercado todos os anos é enorme, e os empregos estatais são limitados. A diversificação também serve para criar oportunidades de emprego".

Bolha especulativa
Para onde vai o dinheiro do petróleo, então? Para pagar défices orçamentais, acumular reservas em divisas e activos estrangeiros, investir em infra-estruturas, reforçar a capacidade produtiva, aumentar as prestações sociais à população, incentivar a criação de novos sectores industriais.
"[A Arábia Saudita] está a fazer isso tudo", disse ao PÚBLICO Tom Nicholls, director da revista Petroleum Economist. "Os sauditas tinham enormes défices orçamentais. Estão, sem dúvida, também a investir muito dinheiro na melhoria da sua capacidade extractiva." "O objectivo deles é atingir [uma capacidade de produção de] 12 milhões de barris por dia [a actual está nos 9,5 milhões]. E, para além da extracção, aumentar também a sua capacidade de refinação, que é onde há mais estrangulamentos no fornecimento", acrescenta Nicholls.
Parte dos proveitos do petróleo está também a estimular uma bolha especulativa nos mercados de capitais do Médio Oriente. As bolsas da Turquia, da Jordânia e do Egipto beneficiaram todas de uma infusão de "petrodólares"; mas os efeitos mais directos têm ocorrido nos próprios mercados dos países do Golfo.
A revista The Economist conta a história da firma Aabar Petroleum - uma start up petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, que fez uma oferta pública no mês passado, esperando angariar 135 milhões de dólares; a procura atingiu os 100 mil milhões. O índice da bolsa da Arábia Saudita acumulou ganhos de 85 por cento este ano; o índice dos Emirados subiu 90 por cento.

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Ferrari, Rolls e Bentley também saem a ganhar
Os árabes não compram só carros de luxo - adquiriram também uma parte da Ferrari

Todas as marcas mundiais de carros de luxo têm registado grandes subidas nas vendas na região do Médio Oriente. A BMW prevê um crescimento acima dos 10 por cento para 2005; a Mercedes já subiu 42 por cento este ano face às vendas de todo o ano passado; nos Emirados Árabes Unidos (EAU), a Volvo registou um acréscimo de 41 por cento nas vendas.
Com mais "petrodólares", os países do Golfo compram mais carros de luxo. A Mubadala Development Company, uma firma detida pelo Governo de Abu Dhabi (um dos EAU), foi ainda mais longe: não se limitou a comprar Ferraris, comprou uma parte da Ferrari. A Mubadala adquiriu cinco por cento do capital da marca automóvel italiana por 114 milhões de euros - foi a primeira empresa não-financeira a entrar no capital do construtor de Maranello.
Numa altura em que as vendas mundiais de automóveis estão estagnadas ou em crescimento muito lento em quase todos os mercados, as taxas de crescimento no Médio Oriente têm sido as mais robustas do planeta - desde 2003, quando os preços do petróleo voltaram a escalar.
E, entre as vendas de automóveis, é no sector dos carros de luxo que as taxas de crescimento no Golfo Pérsico são mais altas. E, dentro dos carros de luxo, é no sector dos carros de "superluxo" que o crescimento é maior: a Bentley aumentou 400 por cento as suas vendas no Golfo em 2004; a Rolls-Royce, que já factura 15 por cento das suas receitas mundiais no Médio Oriente, aumentou as vendas 70 por cento este ano na região.
Há outros sinais exteriores da riqueza dos "petrodólares" no Golfo. Por exemplo, a embaixada americana no Qatar registou um aumento de 73 por cento no turismo dirigido aos EUA daquele país em 2004.
Há ainda o caso do investimento turístico no Dubai. Este Emirado, que almeja tornar-se no grande destino turístico do Médio Oriente, não poupa despesas em construções faraónicas. É lá que ficam o único hotel de sete estrelas e o único hotel subaquático do Mundo. É lá também que está a ser construído o edifício mais alto do planeta. E é também no Dubai que está a ser feito o projecto The World - um arquipélago de ilhas artificiais concebido com o formato de um mapa-mundo, onde serão vendidos apartamentos e mansões a preços milionários.

Publicado por morfeu às 03:41 PM | Comentários (6)

agosto 11, 2005

O fogo que nos arde...sugiro

...sugiro a leitura, desabafo, de P.v.gomes, expressa hoje no Público...não resulta estar cada qual a berrar para seu lado...seria extremamente importante e urgente a realização de uma reflexão nacional onde o conhecimento e o bom senso prevalecessem...até lá aqui fica mais um grito partilhado...

Os incêndios do regime
Paulo Varela Gomes /in público de 11/08/05


Vivo no campo ou perto do campo, na região centro, há já alguns anos. Há três Verões que me sento a trabalhar, enquanto a cinza cai de mansinho no meu teclado, em cima dos meus livros, no chão que piso. Não tenho culpa do que é hoje este país e o regime que o representa: militei e votei sempre em partidos que apregoavam querer outro tipo de regime e deixei de militar e de votar quando vi esses partidos tornarem-se tão legitimistas como os outros

Oterritório português que está a arder - que arde há vários anos - não é um território abstracto, caído do céu aos trambolhões: é o território criado pelo regime democrático instalado em Portugal desde as eleições de 1976 (a III República Portuguesa). Está a arder por causa daquilo que o regime fez, por culpa dos responsáveis do regime e dos eleitores que votaram neles.
Ardem, em Portugal, dois tipos de território: em primeiro lugar, a floresta de madeireiro, as grandes manchas arborizadas a pinheiro e eucalipto. A floresta arde porque as temperaturas não param de subir e porque, como toda a gente sabe, está suja e mal ordenada. Não foi sempre assim: este tipo de floresta começou a crescer nos últimos 50 anos, com a destruição progressiva da agricultura tradicional, ou seja, com a expropriação dos pequenos agricultores, obrigados em primeiro lugar a recorrer à floresta pela ruína da agricultura, para, depois, perderem tudo com os incêndios e desaparecerem do mapa social do país. Também isso está na matriz da III República: ela existe para "modernizar" o país, o que também quer dizer acabar com as camadas sociais de antigamente, nomeadamente os pequenos agricultores. Em 2005, os distritos de Portalegre, Castelo Branco e Faro ardem menos que os outros e não admira: já ardeu aí muita da grande mancha florestal que podia arder, já centenas de agricultores e silvicultores das serras do Caldeirão ou de S. Mamede perderam tudo o que podiam perder.
O segundo tipo de território que está a arder, em particular neste ano de 2005, é o território das matas periurbanas, características dos distritos mais feios e mais destruídos do país: os do litoral Centro e Norte. Os citadinos podem ver esse território nas imagens da televisão, a arder por detrás dos bombeiros exaustos e das mulheres desesperadas que gritam "valha-me Nossa Senhora!": é o território das casas espalhadas por todas as encostas e vales, uma aqui, outra acolá, encostadas umas às outras, sem espaço para passar um autotanque, separadas por caminhos serpenteantes, que ficaram em parte por alcatroar - é o território das oficinecas no meio de matos de restolho sujo de óleo, montanhas de papel amarelecido ao sol, garrafas de plástico rebentadas. É o território dos armazéns mais ou menos ilegais, cheios de materiais de obra, roupas, mobiliário, coisas de pirotecnia, encostados a casas ou escondidos nos eucaliptais, o território dos parques de sucata entre pinheiros, rodeados de charcos de óleo, poças de gasolina, garrafas de gás, o território dos lugares que nem aldeias são, debruados a lixeiras, paletes de madeira a apodrecer, bermas atafulhadas de papel velho, embalagens, ervas secas. É o território que os citadinos, leitores de jornais, jornalistas, ministros, nunca vêem porque só andam nas auto-estradas, o território, onde, à beira de cada estradeca, no sopé de casa encosta, convenientemente escondido dos olhares pelas silvas e os tufos espessos de arbustos, há milhares - literalmente milhares - de lixeiras clandestinas, mobília velha, garrafas de plástico, madeiras de obras (é verdade, embora poucos o saibam: o campo, em Portugal, é muito mais sujo que as cidades).
Este território foi criado, inteiramente criado, pela III República. Nasceu da conjugação entre um meio-enriquecimento das pessoas, que, 30 anos depois do 25 de Abril, não chega para lhes permitir uma verdadeira mudança de vida, e o colapso da autoridade do Estado central e local, este regime de desrespeito completo pela lei, que começa nos ministros e acaba no último dos cidadãos. É o território do incumprimento dos planos, das portarias e regulamentos camarários, o território da pequena e média corrupção, esse sangue, alma, nervo da III República.
É evidente que a tragédia dos campos e das periferias urbanas portuguesas se deve também ao aumento das temperaturas. Para isso, o regime tão-pouco oferece perspectivas. De facto, seria necessário mudar de vida para enfrentar o que aí vem, a alteração climatérica de que começamos a experimentar apenas os primeiros efeitos: por exemplo, seria necessário reordenar a paisagem, recorrendo à expropriação de casas, oficinas, armazéns, sucatas. Seria necessário proibir a plantação de eucaliptos e pinheiros. Na cidade, pensando sobretudo nas questões relativas ao consumo de energia, seria necessário pensar na mudança de horários de trabalho, fechando empresas, lojas e escolas entre o meio-dia e as cinco da tarde de Junho a Setembro, mantendo-as abertas até às oito ou nove da noite, de modo a poupar os ares condicionados - cuja factura vai subir em flecha. Modificar os regulamentos da construção civil, de modo a impor pés-direitos mais altos, menos janelas a poente, sistemas de arrefecimento não eléctricos.
Para alterações deste calibre - que são alterações quase de civilização -, seria preciso um regime muito diferente deste, um regime de dirigentes capazes de dizer a verdade, de mobilizar os cidadãos, de manter as mãos limpas.
Vivo no campo ou perto do campo, na região centro, há já alguns anos. Há três Verões que me sento a trabalhar, enquanto a cinza cai de mansinho no meu teclado, em cima dos meus livros, no chão que piso.
Não tenho culpa do que é hoje este país e o regime que o representa: militei e votei sempre em partidos que apregoavam querer outro tipo de regime e deixei de militar e de votar quando vi esses partidos tornarem-se tão legitimistas como os outros.
Espero um rebate de consciência política por parte destes políticos, ou o aparecimento de outros. Faço como muitos portugueses: espero por D. Sebastião, desempenho a minha profissão o melhor que posso, e penso em emigrar.

Historiador (Podentes, concelho de Penela)

Publicado por morfeu às 10:28 AM | Comentários (2)

agosto 10, 2005

Avós, instruções de uso...sugiro

...porque ou já tivemos ou temos,porque poderemos vir a ser ou somos,sugiro partilhar esta reflexão de Eduardo Sá, lida na revista Pública...

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Publicado por morfeu às 10:05 AM | Comentários (1)

julho 16, 2005

A "excelência" de uma crónica...sugiro

...neste país deprimido, onde muitos não querem assumir a sua "irresponsbilidade", alguns, continuam a porfiar nas suas intervenções...se não o ilustre visitante não está com pressa, sugiro que partilhe comigo a "excelência" desta crónica.

(In: revista Xis de 2 de julho e 2005)

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Publicado por morfeu às 04:52 PM | Comentários (1)

junho 16, 2005

Livro desejado e desgastado...sugiro

Cândida Pinto

Chegam todos os dias de madrugada, muito antes do horário de expediente. Vão-se acumulando junto à porta, em bancos já ali colocados para aliviarem as horas de espera. Não se trata de nenhuma fila para hospital ou qualquer outra urgência médica. (…) Trata-se de uma fila para aprender.
Há quase dez anos que é assim.

Se há instituição portuguesa com sucesso retumbante em Angola, há que nomear o Centro Cultural Português, em Luanda. O êxito é tal que a biblioteca rebenta pelas costuras, funcionando num sistema de «cadeira quente». Desde as seis da manhã até às cinco da tarde que há sempre jovens à espera para entrarem e poderem dedicar-se ao estudo. O livro é assim o objecto mais desejado e o mais desgastado. (…) Livros de história, filosofia, medicina, sociologias, manuais do secundário, têm aqui uma procura tal que vão perdendo as letras, por desgaste.
(…) O problema é simples: os orçamentos familiares pouco mais permitem do que a alimentação, as bibliotecas escolares não funcionam, os alunos querem avançar nos estudos. Por isso, os estudantes são persistentes – mesmo às horas de calor tórrido, não arredam pé, sempre à espera de um lugar á sombra na sala de estudo e de um livro disponível. (…)

Cândida Pinto, in jornal expresso – revista única de 4/6/05.

Publicado por morfeu às 07:44 PM | Comentários (4)

junho 13, 2005

Não me chames estrangeiro...

Não me chames estrangeiro, só porque nasci muito longe
ou porque tem outro nome essa terra donde venho.

Não me chames estrangeiro porque foi diferente o seio
Ou porque ouvi na infância outros contos noutras línguas.

Não me chames estrangeiro se no amor de uma mãe
tivemos a mesma luz nesse canto e nesse beijo
com que nos sonham iguais nossas mães contra o seu
peito.

Não me chames estrangeiro, nem perguntes donde venho;
é melhor saber onde vamos e onde nos leva o tempo.

Não me chames estrangeiro, porque o teu pão e o teu fogo
me acalmam a fome e o frio e me convida o teu tecto.

Não me chames estrageiro; teu trigo é como o meu trigo,
tua mão é como a minha, o teu fogo como o meu fogo,
e a fome nunca avisa: vive a mudar de dono.

(…)

Não me chames estrangeiro; olha-me nos olhos
Muito para lá do ódio, do egoísmo e do medo,
E verás que sou um homem, não posso ser estrangeiro”

Rafael Amor
(lido in: “Imigração os mitos e os factos”)

Publicado por morfeu às 07:55 PM | Comentários (3)

junho 01, 2005

Made in china...2

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In "Marie Claire",Junho de 2005

Publicado por morfeu às 01:42 PM | Comentários (1)

maio 21, 2005

Será isto Verdade? ...

...em tempos de dificuldades,e embora considere que os cargos políticos devem ser dignamente remunerados,não deixa de me provocar estupefacção a "naturalidade" com que se recebem determinados honorários. A relação que se segue foi recebida via email e a não ser verdadeira apresento as minhas desculpas...

Nem tudo vai mal nesta nossa República
(Pelo menos para alguns)
Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230
deputados não foram eleitos. Os que saíram regressaram às suas anteriores
actividades. Sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos. Quando terminam as
funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um
subsídio que dizem de reintegração:
- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de
Assembleia ou governo.
Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano
recebe dois salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe
vinte salários (68.980 euros). Feitas as contas e os deputados que saíram o
Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros
.

No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções
vitalícias ou pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos). Estas são
atribuídas aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.
Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos
figuras como:
- Almeida Santos ........................... 4.400, euros;
- Medeiros Ferreira ....................... 2.800, euros;
- Manuela Aguiar .......................... 2.800, euros;
- Pedro Roseta ............................... 2.800, euros;
- Helena Roseta .............................. 2.800, euros;
- Narana Coissoró ........................... 2.800, euros;
- Álvaro Barreto .............................. 3.500,
euros;
-Vieira de Castro ............................. 2.800,
euros;
- Leonor Beleza .............................. 2.200, euros;
- Isabel Castro ................................. 2.200,
euros;
- José Leitão .................................... 2.400,
euros;
- Artur Penedos ............................... 1.800,
euros;
- Bagão Félix ................................... 1.800,
euros.
Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos os seguintes:

- Luís Filipe Pereira ............... 26.890, euros / 9 anos
de serviço;
- Sónia Fortuzinhos .................. 62.000, euros / 9
anos e meio de serviço;
- Maria Santos .......................... 62.000, euros /9
anos de Serviço;
- Paulo Pedroso ....................... 48.000, euros /7
anos e meio de serviço;
- David Justino ......................... 38.000, euros /5
anos e meio de serviço;
- Ana Benavente ...................... 62.000, euros/9 anos
de serviço;
- Mª Carmo Romão ................... 62.000, euros /9 anos
de serviço;
- Luís Nobre Guedes ............... 62.000, euros/ 9 anos e
meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram
lá somente a última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem
recebido cerca de 20.000, euros cada.
É assim a nossa República (das bananas) !!!!!!!!!!!!!
É ESTA A CLASSE POLÍTICA QUE TEM A LATA DE PEDIR SACRIFICIOS
AOS PORTUGUESES PARA DEBELAR A CRISE...


Publicado por morfeu às 10:26 AM | Comentários (5)

maio 18, 2005

Tempo de vida e de morte e de...sugiro

«Vida depois da Morte - A ciência na fronteira do Mistério», org. por Gary Doore

Publicado por morfeu às 02:16 PM | Comentários (2)

maio 12, 2005

Verdadeiros assassinatos da Alma...

...este título parece "poesia" mas não é...

A necessidade de consolo
Pedro Strecht - Público de 12/5/05

(...)Os abusos sexuais de menores são, como alguns autores referenciam, verdadeiros assassinatos da alma, em que como uma bala que atinge, perfura e dilacera tecidos até se imobilizar deixando atrás de si um rasto de destruição que não cura nunca, assim o espaço psíquico infantil e juvenil é invadido, desrespeitado, violado nos seus limites, causando um impacto psíquico tal que inevitavelmente deixará marcas profundas. Depois, tudo depende; e tudo depende das vulnerabilidades e competências do próprio, da sua estrutura de personalidade prévia, da viabilidade dos adultos que o cercam, da possibilidade de encaminhamento terapêutico e de uma resposta jurídica em tempo útil que possa, no mínimo, ser sentida como reparadora e apaziguadora de sentimentos como o desamparo, a tristeza, a zanga, a raiva e até mesmo o ódio contra o abusador.(...)

Publicado por morfeu às 09:21 AM | Comentários (1)

maio 10, 2005

Crónicas de excelência

...há pessoas neste país que se revelam pela Excelência:a minha enorme admiração pelo que fazem e transmitem.No caso em apreço o saber e amabilidade do Drº Daniel Sampaio revelam-se nesta sentida crónica...se não tem pressa sugiro a sua leitura.

Cronicas1.jpg

Publicado por morfeu às 10:00 PM | Comentários (3)

maio 03, 2005

Ensino básico a tempo inteiro...sugiro

POL nº 5517 | Terça, 3 de Maio de 2005
Ensino básico a tempo inteiro
Vital Moreira

Se tivesse de destacar uma das providências anunciadas pelo novo Governo em várias áreas - desde a liberalização da venda de medicamentos que não estão sujeitos a receita médica até à redução das férias judiciais - eu seleccionaria o alargamento do horário de funcionamento das escolas do 1º ciclo do ensino básico, até às 17h30. Parece pouca coisa, mas pode ser uma pequena revolução.

Há dois argumentos essenciais a favor dessa ampliação. Primeiro, a escola primária não deve ser somente um espaço de leccionação, mas também um espaço de estudo e de actividades lúdicas. Há muitas crianças que não dispõem em casa de condições de estudo adequadas. A escola pode e deve ser uma plataforma de fomento da igualdade de oportunidades quando ao acesso a livros e outros instrumentos de estudo, incluindo computadores, de que só uma parte dos alunos pode dispor em casa. Segundo, numa sociedade em que ambos os progenitores muitas vezes trabalham, a escola pode e deve ser o espaço de ocupação e de socialização das crianças enquanto os pais estão no emprego. Por isso, aliás, a medida peca por defeito, devendo ser alargada de modo a reter os alunos até que os pais possam buscar os filhos depois do seu horário de trabalho.

O horário reduzido das escolas do 1º ciclo do ensino básico, levado ao extremo nos casos de funcionamento em dois turnos, ocupando cada um deles somente uma manhã ou uma tarde, constitui um dos grandes factores de discriminação social e de privatização furtiva desse grau de ensino. Discriminação social, por um lado, visto que são as famílias em que ambos os progenitores trabalham que mais dificuldades têm em compatibilizar a sua ocupação com a escola dos filhos, se não tiverem meios para contratar uma empregada doméstica para cuidar deles até ao seu regresso do trabalho. Privatização furtiva, por outro lado, dado que essa limitação força muitas famílias a optar por escolas privadas para os filhos, com os inerentes encargos adicionais, para poderem garantir a sua ocupação na escola enquanto os pais se encontram no trabalho.

É evidente que as famílias são livres de preferir escolas privadas às escolas públicas, por várias razões (busca de um ensino de elite, motivos religiosos, indisponibilidade dos pais, dificuldades dos alunos, etc.), arcando com as respectivas despesas suplementares. Isso faz parte da liberdade de ensino, constitucionalmente garantida. Diferente disso é forçar as pessoas a escolher escolas privadas só porque as escolas públicas não preenchem requisitos mínimos de horários, de meios disponíveis, ou de qualidade adequada. Isso traduz uma incapacidade do Estado para cumprir as suas obrigações constitucionais em matéria de direito ao ensino público. Entre nós, a escola privada é uma liberdade, a escola pública um direito.
Sabe-se bem, infelizmente, que o desvio da escola pública não tem a ver somente com questões de horário, mas também com questões de qualidade e de disciplina. Existem relatos inquietantes de incompetência de professores (incluindo em Português), de indisciplina e de insegurança. Todas estas vertentes têm de ser encaradas se se quiser fazer da escola pública aquilo que ela deve ser, ou seja, um espaço de aprendizagem e de formação, de integração e de coesão social e de igualdade de oportunidades. Não pode consentir-se passivamente a degradação das escolas do ensino público básico, deixando-o transformar progressivamente num ensino "de segunda", destinado aos que não têm possibilidades de frequentar as escolas privadas de melhor qualidade.

Não podemos continuar a assistir à "brasileirização" do ensino público básico e secundário. De facto, é sabido que no Brasil a baixa qualidade do ensino público torna-o um gueto dos filhos dos mais pobres, que não podem suportar os elevados custos das escolas privadas, com a consequência de que no fim do ensino secundário a maior parte dos alunos do ensino público não têm qualquer possibilidade de aceder às universidades públicas, mesmo que estas sejam as de melhor qualidade e sejam gratuitas (mesmo para a formação pós-graduada!). Se os filhos dos menos abastados quiserem frequentar o ensino superior têm de ir para universidade privadas, de muito pior qualidade e muito caras. É uma total inversão dos princípios da justiça social. O Estado não investe no ensino público básico e secundário, que é frequentado pelos mais pobres, e depois sustenta integralmente as universidades, quase exclusivamente reservadas para a elite social que pode pagar o ensino básico e secundário privado. Penalização dos pobres, privilégio dos ricos.

Só existe um meio de evitar o desenvolvimento entre nós de um "apartheid" social semelhante, que é investir adequadamente na universalidade e na qualidade do ensino público básico e secundário. Não se trata somente de uma imposição constitucional, mas também de uma elementar exigência de equidade social. A escola pública é um valor em si mesma, enquanto espaço não confessional de pluralismo social e cultural, de neutralidade política e ideológica, de inclusão e convivência cívica.

O anúncio da referida medida governamental suscitou imediatamente a reacção negativa dos sindicatos do sector. Vieram logo os "direitos adquiridos" e a necessidade de compensação financeira pelo trabalho acrescido. Ora, que se saiba, o que não falta são professores vinculados sem horário distribuído ou com horário reduzido, até pelo encerramento de muitas escolas, sobretudo no interior, por falta de alunos. E há também o horário não lectivo dos professores, que não poderia ter melhor utilização do que cuidar dos alunos na escola para além das aulas. É sabido que os professores do ensino básico são comparativamente dos mais bem remunerados da Europa. O mínimo que se pode esperar é que não tenham de receber suplemento de vencimento pelo cumprimento das suas obrigações normais.

O funcionamento alargado das escolas do 1º ciclo do ensino básico é uma providência de elementar racionalidade, que só perde pela demora na sua implementação. Urge tomar as medidas adequadas, incluindo as necessárias mexidas no ordenamento da rede escolar e no regime laboral dos professores e demais pessoal. As escolas existem para os alunos e não para os professores.

Publicado por morfeu às 12:45 PM | Comentários (3)

março 23, 2005

Matar, com sorrisos e acenos...a meditar sugiro...

Sorrindo e acenando eu mato

...De acordo com testemunhas citadas pelas agências noticiosas, o rapaz "sorria e acenava" enquanto atirava.

Publicado por morfeu às 11:14 AM | Comentários (4)

março 10, 2005

Sociedade de Informação...recomendo vivamente...

Entrevista com Manuel Castells
Não precisamos de inventar outra estratégia de Lisboa

Sociedade de informação

(...)Autor do mais célebre e mais completo estudo sobre a Sociedade de Informação, professor em Berkeley, Universidade da Califórnia, e agora da Universidade Aberta de Barcelona, catalão de origem, Manuel Castells foi um dos peritos que ajudaram a preparar a "agenda de Lisboa", uma estratégia europeia lançada em 2000 para fazer da economia da Europa a mais competitiva do mundo em 2010, sem perder pelo caminho o "modelo social europeu". Hoje, faz um balanço mitigado. Os objectivos estavam certos mas não os meios.

Publicado por morfeu às 10:42 AM | Comentários (1)

março 03, 2005

Há excelência neste país...sugiro

Prémios de incentivo
Coimbra: Centro de Cirurgia Cardiotorácica reparte 801 mil euros pelos funcionários

Publicado por morfeu às 02:07 PM

março 02, 2005

Da parvoíce das mulheres portuguesas...sugiro

As mulheres portuguesas são parvas
Por Maria Filomena Mónica

Quando casei, o que de mim se esperava, além da procriação continuada, era que passasse o dia a arrumar a casa, a cozinhar pratos requintados e a vigiar a despensa. Hoje, a estas tarefas vieram
juntar-se outras. As mulheres modernas são também supostas ser boas na cama, profissionais competentes e estrelas nos salões.
(...)É por isso que a luta tem de continuar. Não sei se sou "femininista", nem me interessa debater a questão terminológica. Sei que sou contra todas as injustiças e, entre elas, contra a ideologia que nos quer manter encerradas numa Casa de Bonecas. Ao longo dos anos, tenho ouvido de tudo, incluindo mulheres que dizem estar contra a emancipação feminina. Pensei então que não valia a pena perder tempo com tontas. Mais madura, considero hoje que o melhor é retirar-lhes o direito ao voto, o direito ao divórcio e a protecção legal contra a violência doméstica. Se gostam de ser escravas, que o sejam. Acabou-se o tempo das contemporizações. Quem luta, têm direitos; quem se resigna, fica de fora. Historiadora

As mulheres portuguesas são parvas

Publicado por morfeu às 02:08 PM | Comentários (5)

fevereiro 22, 2005

"Tablet Pc":Estaremos perante uma revolução?...sugiro

Revolução Educativa?

...resta acrescentar que no Reino Unido, praticamente todas as escolas até ao secundário inclusive,já estão equipadas para estas novas andanças...

Publicado por morfeu às 06:11 PM | Comentários (2)

fevereiro 15, 2005

Blogues e jornalismo...sugiro

...no contexto do artigo a seguir referenciado, sugiro a apreciação do livro de Dan Gilmore,neste blogue lateralmente destacado...Blogues e jornalismo

Ligações Perigosas
Por JOSÉ VITOR MALHEIROS
Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2005

Que os blogues tenham explodido não admira. Que tenham explodido entre os jornalistas também se percebe. Que a lógica displicente de produção de um blogue (que na origem é um diário pessoal) tenha penetrado no próprio jornalismo e no relato dos factos é mais grave. Mais do que relatores, os jornalistas tornaram-se comentadores, fontes de apartes, piscadelas de olho e cotoveladas cúmplices no leitor. Como esta campanha eleitoral mostrou à saciedade (mas já vem de longe), os jornalistas têm uma dificuldade cada vez maior em guardar para si próprios os seus sentimentos e conjecturas, as suas opiniões ou os boatos de que têm conhecimento e acham que eles merecem a glória do blogue, quando não da radiodifusão ou da impressão. Seria bom que a sociedade se lembrasse de que tem o direito não só de criticar mas de exigir aos jornalistas rigor e responsabilidade.

Publicado por morfeu às 11:23 AM | Comentários (3)

fevereiro 11, 2005

Foto do Ano...

Foto do Ano...com todo o respeito e solidariedade

Publicado por morfeu às 06:21 PM | Comentários (3)

fevereiro 10, 2005

Barrete dedicado por um popular a todos os políticos que prometem e não cumprem...

Nota:"Foi-me enviado por mail e direccionado a determinado político; acho porém que podemos embarretar quem de facto seja "mau" político, encarregando-se esta voz popular de zurzir com todos os erres e esses a mediocridade que por aí se ostenta nos vários quadrantes.Assim, com o patrocínio da célebre frase bíblica "Quem tenha ouvidos para ouvir, ouça", ponha o som alto e deleite-se com esta genuína charge política.Amén!
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Publicado por morfeu às 08:19 AM | Comentários (1)

fevereiro 02, 2005

Depois das azenhas as nossas costas também são precisas aqui....

Desilusão/a>

Publicado por morfeu às 07:22 PM | Comentários (1)

Gente que torna a sua Humanidade extraordinária...sugiro

diário de um tumor

Publicado por morfeu às 10:26 AM

janeiro 27, 2005

O "Nunca mais" estará verdadeiramente assegurado?

Auschwitz

...aquele que salva uma vida salva a humanidade...

Publicado por morfeu às 11:35 AM | Comentários (1)

janeiro 21, 2005

Panchira...aprendi hoje...

...agradeço ter aprendido esta nuance do desejo

...e no utilíssimo google desenvolvi a tese..Panchira

Publicado por morfeu às 06:35 PM

janeiro 18, 2005

Apelo...

...para quem ainda não conheça a iniciativa, e queira ler e reflectir e actuar, aqui deixo a respectiva ligação...

Apelo

Publicado por morfeu às 08:23 AM

janeiro 10, 2005

Notícias incontornáveis....sugiro

Os homens estão cada vez mais bonitos…acautelem-se membros da oposição sexual…

E Os Homens Descobriram o Laser
Domingo, 09 de Janeiro de 2005

%Maria Antónia Ascensão

Os homens estão cada vez mais bonitos o que quer dizer que cada vez têm mais cuidado com a aparência. Deixaram de ter vergonha de dizer que usam cremes e hoje em dia já recorrem às técnicas mais modernas para corrigir alguns problemas cosméticos e são mais cumpridores do que as mulheres. O laser ou a luz pulsada (IPL) são as técnicas cosméticas de que eles mais gostam e às quais recorrem com maior frequência quando precisam de se livrar de "imperfeições". E porquê? Porque é menos doloroso e mais eficaz do que as técnicas cirúrgicas. Um pequeno feixe luminoso varre rugas, manchas e pêlos indesejáveis num ápice. A calvície, os papos nos olhos, acne e até branqueamento dos dentes, são outros dos problemas que o laser pode resolver.

Pêlos - Para a depilação a laser existem vários tipos de Laser (Neo Dimío Yag, Rubis, Alexandrite, Díodo, etc.) com várias energias, uns com mais potência e capacidade de destruição que outros - para muito pêlo, pêlos escuros, encravados, grandes áreas, pele com cicatrizes de pêlos encravados, pele branca a pessoas de cor não muito escura. A luz laser é calibrada, selectiva e só deve actuar no pêlo. Praticamente indolor permite tratar grandes áreas numa só sessão. O centro de estética Manuela Rebelo utiliza as técnicas do laser Neodimío Yag que é ideal para a remoção dos pêlos da barba por não deixar manchas e assim pode utilizar-se em peles escuras. A zona do pescoço que às vezes tem o prolongamento da barba e a parte superior das costas são as zonas do corpo onde os homens preferem estar sem pêlos. Quanto a preços: no pescoço cada sessão custa 90 euros; as costas completas 350 euros por sessão e 200 euros só o dorso superior. Em qualquer dos casos são necessárias no mínimo 6 a 8 sessões. Centro de Estética Manuela Rebelo Oeiras e Lisboa. Tel.: 214 414 712 ou 218 948 133.

Rugas & outros - O laser estético CO2 é o mais indicado para os homens preocupados com as linhas de expressão e as rugas que se formam em redor dos olhos e da boca. Também faz desaparecer lesões de acne, outras cicatrizes e manchas de pigmentação. Da mesma família, o aparelho IPL Quantum, que actua através de um sistema de luz pulsada permite tratar eficaz e simultaneamente numerosos aspectos do envelhecimento, principalmente rugas mais profundas, proporcionando aos pacientes um tratamento indolor, sem período de recuperação e com bons resultados no tempo. Na clínica do cirurgião plástico Ibérico Nogueira um pacote de 5 sessões custa 1500 euros. Look In, na Rua Coelho da Rocha, Lisboa. Tel.: 213 932 810

Branqueamento dentário - O laser ESC-Sharplan aclara os dentes no mínimo dois tons. Ao activar-se produz uma oxidação do esmalte que elimina as manchas dos dentes. Mas como o laser aquece o dente provoca bastante sensibilidade e normalmente os tratamentos são divididos em quatro fases, até mesmo para não danificar o marfim. Pode optar-se pelo tratamento Bright Smile que funciona através de uma lâmpada de plasma que emite um feixe de luz azul e fria. Cada sessão custa a partir de 500 euros e, dependendo dos hábitos orais quotidianos, podem durar entre seis meses e dois anos. Mas recomenda-se sempre uma manutenção passado seis meses. Clínica White, Clube VII, Parque Eduardo VII, Lisboa. Tel.: 213 881 500

Calvície - Actualmente os casos que têm boa indicação cirúrgica são tratados com a execução de pequenos "auto-enxertos" de cabelo (transplante) com excelentes resultados cosméticos, pois ao contrário dos enxertos que antigamente se faziam e que eram muito grandes, agora obtêm-se resultados tão naturais que é impossível distinguir os "transplantados". Neste procedimento cirúrgico, que se realiza sob anestesia local com utilização de laser (Ultra Pulse Laser) utilizam-se folículos pilosos da região occipital, mais resistentes à estimulação androgénica e transplantam-se para as áreas a tratar. O preço depende do estado de cada paciente. VistaClinique Av. Republica, Edifício Gaya, Vila Nova de Gaia. Tel.: 223 703 995

Tatuagens

Lazers como o Alexandrite ou Neodimío Yag deram um grande avanço na remoção definitiva de tatuagens. Não é 100 por cento eficaz, mas digamos que das técnicas existentes a melhor é o laser. A duração do tratamento está condicionada pela cor, tamanho e pela profundidade do pigmento depositado sobre a pele. Um preço médio, de uma tatuagem com cerca de 10cm ronda os 150 euros. Clínica do Bem-estar Rua Sr. Dos Milagres, 19B Vera Cruz, Aveiro. Tel.: 234 403 950

A palavra laser é a sigla para "ligth amplification by stimulated emission of radiation", ou seja: amplificação da luz por emissão estimulada de radiações. Diferente da luz natural, trata-se de uma radiação monocromática, monodireccional e dotada de uma energia poderosa. O primeiro aparelho de laser surgiu em 1972. Era um utensílio médico-cirúrgico capaz de fazer incisões nos tecidos com grande precisão, sem provocar hematomas. Pouco a pouco, as potencialidades desta técnica estenderam-se à dermatologia, para tratar problemas cada vez mais específicos. É praticamente isento de riscos, quando utilizado por um médico habilitado e com bastante prática. Caso contrário, pode originar queimaduras, cicatrizes profundas e irreversíveis. Existem diversos aparelhos que permitem inúmeras aplicações do laser, conforme o comprimento de onda e os parâmetros utilizados. As principais diferenças relacionam-se com a potência e com a substância cromófora pela qual a radiação é atraída - que pode ser a água, o sangue ou um pigmento (a melanina, por exemplo). A luz do feixe de laser está concentrada em "spots". Em função da extensão de onda, cada tipo de laser penetra mais ou menos profundamente no interior da pele. Por esta razão existem tantos lasers quantas aplicações. É certo que este tipo de tratamentos não são baratos, porque os aparelhos e os materiais utilizados são dispendiosos, mas as vantagens são muitas. Cada vez mais também se conjugam técnicas menos "invasivas" de modo a obter com menores custos e sacrifícios os bons resultados. É uma área em grande desenvolvimento e que tem novidades todos os anos.


O Picasso das vaginas…


Reconstrução O Picasso das Vaginas
Domingo, 09 de Janeiro de 2005

%Nélson Marques

David Matlock gosta de se referir a si próprio como "um artista". Um autêntico "Picasso das vaginas". Mas, ao contrário do génio espanhol, este nativo do Missouri, nos Estados Unidos, não faz da tela, do pincel e das tintas os seus instrumentos de trabalho. A "arte" de Matlock é outra: ajudar as mulheres a terem uma vagina de sonho, igual à das modelos que aparecem nas páginas da "Playboy".

Há cinco anos, depois de quase década e meia de trabalho como médico ginecologista e obstetra, este autoproclamado pioneiro do "design" sexual decidiu especializar-se na reconstrução ou modificação dos genitais femininos. A cirurgia plástica vaginal era então uma realidade ainda relativamente incipiente e pouco divulgada, mas o clínico, hoje com 45 anos, patenteou duas técnicas revolucionárias: o rejuvenescimento vaginal com laser (RVL) e a vaginoplastia com laser personalizada (VLP). A primeira basicamente diminui o diâmetro da vagina, tornando-a mais apertada. A segunda molda esteticamente os lábios, removendo pigmentações e tecido em excesso.

Desde então, já passaram pelas mãos do cirurgião mais de um milhar de mulheres, com idades compreendidas entre os 14 e os 73 anos, entre as quais algumas actrizes da indústria pornográfica e mesmo estrelas do mundo do cinema, ou não estivesse o seu Instituto de Rejuvenescimento Vaginal localizado na Sunset Boulevard, em Beverly Hills, a zona mais chique de Los Angeles. Na maior parte dos casos são mulheres que procuram corrigir danos internos causados pela maternidade e pelo envelhecimento, ou que simplesmente estão descontentes com o que a natureza lhes deu e pretendem melhorar a aparência dos lábios.

O cirurgião californiano realiza uma vasta gama de procedimentos cirúrgicos para as partes íntimas da mulher. Um dos mais procurados, o rejuvenescimento da vagina (estreitamento da entrada e do canal vaginal), é dirigido aos milhões de mulheres que sofrem de "relaxamento" do órgão sexual, sobretudo devido à maternidade e à idade. Uma situação que, explica Matlock no "site" do seu instituto (www.drmatlock.com), origina uma diminuição da satisfação carnal. "A gratificação sexual está relacionada com a quantidade de fricção gerada", garante. Para compensar o aumento de elasticidade da vagina, o cirurgião adoptou e modernizou um procedimento utilizado há anos pelos ginecologistas para corrigir problemas como a incontinência urinária de esforço. Com a ajuda de um laser, corta a parte superior e inferior do canal vaginal, depois cose novamente os músculos e os ligamentos, o que reduz o diâmetro da vagina, ajustando-a à largura média de um pénis que diz ser de "dois dedos de diâmetro".

Última moda no campo da cirurgia estética é também a reconstrução dos lábios vulvares (vaginoplastia). Mediante uma labioplastia redutora qualquer mulher pode moldar os seus lábios menores, se considera que estes são demasiado grandes, assimétricos ou simplesmente não gosta deles por alguma razão. Se, pelo contrário, a paciente deseja um aumento labial, para lhes dar um aspecto mais jovem, isso pode ser feito através da colocação de gordura retirada, por lipoescultura, das coxas ou do estômago da própria paciente.

Mas se muitas das mulheres que procuram Matlock o fazem por motivos estéticos, por vaidade, outras fazem-no por pura necessidade. Neste grupo estão sobretudo as que querem submeter-se a uma himenoplastia, que consiste na reconstrução do hímen, recuperando o estado de virgindade. São, na sua maioria, mulheres muçulmanas, obrigadas a casamentos de conveniência, mas o cirurgião recusa alongar-se sobre o assunto, revelando que recebeu nas últimas semanas ameaças de morte, depois de ter exposto o procedimento em "Doctor 90210", um "reality show" que decorre em Beverly Hills com a cirurgia plástica como pano de fundo.

Claro que ter "uma dr. Matlock" não está ao alcance de qualquer bolso. O cirurgião cobra entre 1400 e 6300 euros por procedimento, mas a factura pode elevar-se aos 12.000 por um "lifting" íntimo completo, que combine as duas técnicas principais, o rejuvenescimento vaginal e a vaginoplastia. Mais barato é o "G-shot", uma injecção à base de colagénio que promete tornar os orgasmos das mulheres muito mais intensos. Cada injecção custa cerca de 1400 euros, mas tem que ser repetido a cada quatro meses, pelo que a factura anual acaba por ultrapassar os 4000 euros. Para as mulheres menos endinheiradas, o instituto disponibiliza até uma linha de crédito.

A maioria das clientes da clínica do cirurgião em LA sabe exactamente o que quer. E, regra geral, o que querem é uma vagina como a das modelos da "Playboy". As mais indecisas têm à sua disposição um vasto portfólio de fotos explícitas de mulheres nuas, arrancadas de uma qualquer revista pornográfica e trazidas por outras pacientes, e um álbum com imagens "antes" e "depois" das cirurgias, para ajudar a escolher a forma e o aspecto ideal. "Pergunto às mulheres como querem as suas vaginas. Algumas respondem que querem ter uma vagina de uma adolescente." O clínico impõe apenas uma condição: que queiram ser operadas porque essa é a sua vontade e não porque os seus companheiros as empurram para essa situação.

Matlock garante já se negou a operar uma mulher que queria reduzir o tamanho dos lábios menores, apesar da insistência desta, por entender que não precisava de qualquer cirurgia. Não foi, contudo, o caso mais estranho que se lhe deparou. "Uma vez apareceu uma que parecia o Arnold Schwarzenegger, com músculos até nas orelhas", recorda ao diário espanhol "El Mundo". Tinha o clítoris muito grande e volumoso e queria "cortar um bocadinho", para que o companheiro não se apercebesse que andava a tomar esteróides. "Disse-lhe que era impossível, obviamente." O clínico admite que também foi já contactado por alguns transexuais "para tornar mais bonitas as suas partes íntimas", mas confessa que preferiu não fazê-lo.

Mesmo que fosse possível de realizar, a amputação do clítoris representaria um contra-senso face à promessa de uma sexualidade sem limites em que assenta a agressiva estratégia de "marketing" do centro. À porta do instituto, um enorme "outdoor" domina as atenções de quem passa ou se prepara para entrar. Nele, uma sensual jovem em êxtase e a frase: "Você não imagina a que ponto o sexo pode ser bom!" Para além dos já referidos estreitamento vaginal e "G-shot", o clínico oferece um outro procedimento que procura maximizar o prazer sexual das mulheres: o desenclausuramento do clítoris, que visa aumentar a exposição deste ao contacto sexual.

A satisfação é a palavra-chave do seu trabalho. "A nossa missão é dotar as mulheres de conhecimento, escolha e alternativas", explica à Pública. No "site" do cirurgião há uma secção onde podem ler-se testemunhos de alegadas clientes, cuja identidade é preservada por detrás do anonimato. Todas falam do clínico como se este fosse a oitava maravilha do mundo. "O dr. Matlock é um génio e um perfeccionista. Na minha opinião, o que faz é como uma arte, que requer extremo talento e inteligência", afirma "L.H.", revelando que a cirurgia a que se submeteu teve resultados "surpreendentes", tanto no corpo como no espírito. Outra pretensa cliente, "L.P.", que alegadamente se submeteu a uma cirurgia de redução dos lábios, confessa sentir-se mais segura e desfrutar melhor do sexo agora que já não sente vergonha da aparência das suas partes íntimas. E recomenda às mulheres que visitem o instituto de Matlock, "já que é o pioneiro do procedimento e se orgulha muito do seu trabalho".

Apesar da crescente popularidade da cirurgia estética genital, vários peritos têm contestado a legitimidade destes procedimentos, sobretudo pela falta de rigor científico de alguns deles, como a labioplastia ou o rejuvenescimento vaginal. Embora os diversos centros que actuam nesta área publicitem a forma simples e indolor como as cirurgias podem ser feitas, a verdade é que nem os benefícios, nem os riscos e os efeitos secundários se encontram devidamente documentados.

Como em qualquer operação, não podem ser descartadas as hipóteses de hemorragia, infecção ou, em casos mais raros, de morte associada à anestesia. A intervenção pode ainda deixar uma sempre desagradável cicatriz e uma correcção excessiva pode resultar em dor durante o acto sexual. Alguns especialistas lembram que as pacientes devem ter sempre presente que existe a possibilidade de ficarem insatisfeitas com os resultados - o que pode atrapalhar a sua sexualidade, ao invés de melhorá-la - e defendem que ajudar verdadeiramente as mulheres a melhorar a sua auto-estima pode ser feito sem estas gastarem milhares de euros em cirurgias.

A promessa de uma sexualidade mais intensa tem sido, aliás, um dos pontos mais contestados pelos clínicos destas práticas. Sustentam que não existem cirurgias que melhorem o sexo e alguns procedimentos, como cortar os lábios vaginais para reduzir o seu tamanho, podem até reduzir as hipóteses da mulher de se tornar mais orgástica. A teoria por detrás da cirurgia de estreitamento do canal vaginal - que quanto maior for a fricção vaginal, melhor será a experiência erótica da mulher - é também considerada altamente discutível, pois contraria anos de pesquisa académica e científica. É um entendimento quase generalizado que está muito documentado que os principais centros nervosos da mulher associados ao prazer se localizam no clítoris, pelo que tem sido defendido que é muito mais importante a estimulação deste que a penetração.

A própria Associação Americana de Cirurgiões Plásticos e Reconstrutivos, que representa 97 por cento dos cirurgiões certificados no país, já afirmou publicamente que esse tipo de cirurgias não tem lugar na sua lista de procedimentos aprovados. No Reino Unido, Liam Donaldson, responsável do Departamento de Saúde e presidente do comité da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a segurança dos pacientes, ordenou inclusive uma reavaliação imediata deste tipo de cirurgias - cada vez mais procuradas também por mulheres britânicas - para decidir se certas clínicas privadas deveriam estar mais controladas.

Indiferente às críticas, Matlock defende que se limita a ouvir as mulheres e que respondeu a uma necessidade clínica, não a criou. "Foram as mulheres que começaram a pedi-lo. Não creio que esteja enganado, ao tratar mulheres de todo o país e de mais de 30 outros países do mundo", disse recentemente ao "El Mundo". Ao diário espanhol o clínico revelou também que conduz um negócio "muito lucrativo", com ganhos de quase 10 milhões de dólares por ano (7,5 milhões de euros). Das aproximadamente dez mil mulheres que, segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Estética, se submeteram a cirurgias estéticas genitais nos últimos cinco anos, cerca de 10 por cento entregaram-se às suas mãos. Dá cerca de 30 consultas diárias, entre 40 a 60 cirurgias por mês, havendo uma lista de espera de quase cinco meses. Por isso, ainda não houve tempo para actualizar o álbum de fotos "antes" e "depois" da cirurgia.

Para melhor optimizar os seus lucros, o cirurgião actua como um verdadeiro homem de negócios: tirou um MBA (sigla de "master in Business Administration"), patenteou as suas principais fórmulas, "franchisou" a sua técnica de ampliação do ponto G, dá formação a obstetras e ginecologistas atraídos pelos elevados rendimentos que a actividade promete e, quando se retirar no próximo ano, como é seu desejo, continuará a receber os "royalties" de profissionais espalhados por todo o mundo que pagam para utilizar as suas técnicas.

CIRURGIAS ÍNTIMAS
Perinoplastia
É uma das operações mais populares para as mulheres que recorrem aos serviços de um cirurgião plástico vaginal, sobretudo as mais idosas ou as que tiveram vários partos normais. Consiste na adaptação de uma técnica clínica usada há décadas na correcção da incontinência urinária para o estreitamento da vulva e da entrada da vagina. Um "lifting" íntimo, com recurso ao laser, que, dizem os especialistas, pode melhorar tanto o prazer da mulher como o do homem. Preço? Entre 5300 e 6300 euros.
Labioplastia
O procedimento mais comum consiste na reconstrução dos lábios menores (lábios internos) que se apresentam demasiado grandes, longos ou assimétricos (labioplastia redutora). Para mulheres que querem ter um sexo igual ao das meninas da "Playboy", ou simplesmente para reconstruir situações causadas pelo processo de envelhecimento, parto ou alguma lesão. É ainda possível conferir uma aparência mais jovem aos lábios exteriores (labioplastia de aumento), através de uma injecção de gordura da própria paciente. Preço: 3000 euros.
Hímenoplastia (reconstrução do hímen)
É um procedimento que permite restaurar o hímen, "como se nada tivesse acontecido", sobretudo por razões culturais. Uma nova virgindade ao alcance de 3000 euros.
Lipoplastia
É a redução estética, por lipoaspiração, do Monte de Vénus e das partes superiores dos lábios maiores. Remove o excesso de gordura indesejável que faz volume na região baixa do abdómen (zona dos pêlos púbicos). Entre 3000 e 5500 euros.
Clitoroplastia
Cirurgia que liberta o clítoris do seu capuz de mucosa em excesso, com isto promovendo uma maior exposição ao contacto sexual e, porventura, uma maior facilidade em se atingir o orgasmo. Os resultados são, contudo, bastante discutíveis, pois admite-se que a melhoria obtida talvez esteja mais relacionada com as alterações psicossomáticas que libertam as pacientes das inibições sexuais.
"G-shot"
O método, não cientificamente comprovado, consiste na injecção de uma substância à base de um colagénio especial que alegadamente amplifica e torna mais sensível o mítico ponto G, permitindo à mulher alcançar orgasmos muito mais intensos. Cada procedimento custa cerca de 1400 euros e tem uma duração de quatro meses.



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Escolas secundárias perdem onze mil alunos por ano...

11 mil por ano…é obra!

Proposta de Lei de Bases da Educação do anterior Governo previa ensino obrigatório até ao 12.º ano mas Sampaio vetou texto por falta de consenso

CATARINA FIGUEIRA


As escolas secundárias portuguesas estão cada vez mais vazias. A situação não é de hoje mas a verdade é que tem vindo a agravar-se nos últimos anos. De acordo com dados disponíveis no site do Ministério da Educação (www.min-edu.pt), em apenas seis anos este grau de escolaridade registou um decréscimo de quase 65 mil alunos.

No ano lectivo 1998/99 estavam matriculados no ensino secundário público (incluindo o recorrente) 342 908 estudantes. Em 2001/02, a queda já quase que ultrapassava a fasquia dos 300 mil inscritos, sendo que a projecção da tutela para este ano lectivo se situa nas 278 500 matrículas.

A culpa é da baixa da natalidade, por um lado, mas também de um outro fenómeno, muito expressivo, que os sucessivos responsáveis pela pasta da Educação não têm conseguido contrariar: as saídas precoces da escola.

O número de alunos portugueses que deixam cedo demais os bancos da escola é, de facto, impressionante: em 2001, quase metade do universo total (44,8 por cento) não concluiu o ensino secundário o que, nesta matéria, coloca Portugal na cauda da Europa.

De acordo com o último relatório «Education at a Glance», a percentagem da população portuguesa que terminou, pelo menos, o 12.º ano, é a mais baixa da OCDE.
A falta de qualificações traz um outro problema aos jovens portugueses que tentam ingressar no mercado de trabalho: no quadro da União Europeia, o nosso país é também detentor de uma das mais altas taxas de desemprego jovem.

Para contrariar a crueza destes números, o anterior Governo concebeu o Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar (PNPAE), que traçava como grande meta reduzir para metade, até 2010, as actuais taxas de abandono escolar (não conclusão do ensino obrigatório) e saídas precoces (antes de terminado o 12.º ano).

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janeiro 08, 2005

S.M.mentiroso; investigações...sugiro

Sou muito mentiroso

Publicado por morfeu às 09:52 AM

janeiro 06, 2005

200,600, 1,8 milhões...ah valente!

Concurso de professores

Publicado por morfeu às 01:21 PM | Comentários (2)

janeiro 03, 2005

Os Trabalhos de Prometeu...sugiro

Prometeu
......
Há 250 anos, o tremor de terra de Lisboa provocou um debate político de fundo na Europa. O maremoto do Índico terá o mesmo efeito.

A catástrofe natural mostra a fraqueza da sociedade perante a natureza. Desmente de modo brutal o optimismo da acção política contemporânea.

O tremor de terra de 1755 também desmentiu os Iluministas optimistas. Leibniz dava a base filosófica aos ultras das Luzes cuja cabeça de cartaz era Rousseau: um Deus perfeito tinha feito um mundo que não podia deixar de ser perfeito. A sociedade má impedia a difusão da luz. A revolução iluminaria todos e então tudo seria possível.

As dezenas de milhares de mortos de Lisboa tornavam mais difícil a defesa desta tese. Voltaire, um iluminista céptico, adiantou-se no ataque aos optimistas: «Filósofos enganados que gritais: 'Está tudo bem'/ correi, contemplai estas ruínas horrorosas». No ano seguinte, escreveu o «Cândido», uma sátira do optimismo militante: o herói vê o bem em tudo; vem a Lisboa e é condenado pela Inquisição.

Publicado por morfeu às 10:49 AM | Comentários (2)

janeiro 02, 2005

A origem da luz segundo os animais...

Era o princípio das coisas e as trevas dominavam a terra porque uma gigantesca árvore insistia em encobrir o sol. O Macaco nocturno subia diariamente a uma outra árvore cujos frutos se haviam tornado a sua refeição predilecta. Cada vez que subia a esta árvore, aproveitava para urinar de pé, o que provocava sempre um grande e luminoso clarão.
Um dia, o Macaco resolveu bombardear a copa da árvore gigante com as cascas dos frutos, trespassando-a por mil vezes. Destes orifícios nasceram as estrelas. Crendo que por cima da árvore reinava o dia, o Macaco pediu às térmitas que o ajudassem a cortar o tronco. Porém, a árvore ficou suspensa do chão. O Esquilo acabou então por descobrir que era um Preguiça que a segurava no céu. Resolveu atirar-lhe formigas aos olhos e o Preguiça acabou por abrir as mãos e deixar cair a árvore. Desde então fez-se dia, dissipou-se o breu e as criaturas puderam viver normalmente.

Amazónia, Tukunas
In Rosa do Mundo – 2001 Poema para o Futuro
(tradução de Manuel João Magalhães)

VOTOS DE BOM ANO

Publicado por morfeu às 11:48 PM | Comentários (1)

dezembro 12, 2004

Maximiano K. - ...sugiro

“Maximiano K”

Publicado por morfeu às 06:55 PM

dezembro 08, 2004

Reflexão sobre o umbigo...sugiro

Viva o Umbigoumbigo.jpg

Publicado por morfeu às 05:35 PM | Comentários (2)

dezembro 07, 2004

Mude...sugiro

Mude
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

...Texto existente em MUDE

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Edson Marques

Publicado por morfeu às 07:36 PM | Comentários (4)

novembro 21, 2004

"Paranóica" humanidade...recomendo

Rui C. Martins,Paranoia e condomínio

...notáveis estas crónicas semanais que nos colocam bem dentro da nossa humana condição...a ter sempre em conta aos Domingos...

Publicado por morfeu às 07:04 PM | Comentários (2)

Bem aventurados sejam "Os desalinhados" porque...sugiro

Médicos da "erva" in Pública

Publicado por morfeu às 06:57 PM | Comentários (1)

Miséria miserável...

...como tinha visto a viver em "tocas" velhos e estropiados, "gente a quem o desgaste da idade ou alguma injúria brutal das fábricas" havia atirado para debaixo da terra. Muitos são simplesmente aposentados sem reforma. "No Inverno (...) passam às vezes dias e dias seguidos imobilizados e rígidos, sem comer", descreve. "Estes fantasmáticos seres formam como que uma espécie à parte, com os seus gestos tardos [lentos] e as suas faces de ruína".
Miséria

Publicado por morfeu às 11:12 AM

novembro 02, 2004

Finados,adsl...e companhia...sugiro

Finados

Publicado por morfeu às 09:27 AM

novembro 01, 2004

Quem diz que estamos na cauda de...

Sempre na cauda

Publicado por morfeu às 11:02 AM | Comentários (1)

outubro 31, 2004

Orgasmatron...simplesmente!


...parece que vem aí o Orgasmatron, a máquina do orgasmo instantâneo... Orgasamatron

Publicado por morfeu às 04:26 PM | Comentários (4)

outubro 29, 2004

Da idade do idoso...

Como exploradores de um país não mapeado chamado de “velhice”, raramente encontramos em nossos guias e manuais capítulos intitulados “idoso”. Entretanto, com o título de “idoso”, encontramos numerosos artigos sobre assuntos como aposentadoria e perda da identidade, inutilidade, vazio, doença, depressão e medo da morte. Quem teria vontade de entrar num país assim? Ao longo de toda a história, os guias da nossa excursão – os escritores, filósofos e as tradições religiosas do mundo – raramente têm transmitido uma imagem alegre do envelhecimento. Assim, antes de poder transformar o roteiro convencional de envelhecimento e tornar a nossa viajem mais triunfante, temos que analisar com muita honestidade o que achamos tão desagradável na velhice.
Por exemplo, o famoso discurso em que Shakespeare descreve as sete idades do homem …eis como o dramaturgo apresenta a idade avançada:”Segunda infância e mero esquecimento – sem dentes, sem olhos, sem paladar, sem nada.”
A Bíblia oferece uma imagem igualmente angustiante. Em Eclesiastes 12,1-5, encontramos o seguinte lamento sobre a velhice:”Então vêm os dias que rangem. Aproximam-se anos em que queremos dizer ‘não tenho de vivê-los’.Pois a luz do sol escurece nos olhos; ténue é a luz da lua e das estrelas; e a visão é manchada como um céu nublado após a chuva. As mãos e os braços, guardiães da casa, começam a tremer, e as pernas vacilam em seus passos…
(…)Simone de Beauvoir resume o dilema: “A grande maioria da humanidade encara a chegada da idade avançada com mágoa ou revolta. Suscita neles mais aversão que a própria morte.”
Com expectativas assim não é de admirar que tenhamos horror à velhice. Nossa cultura venera o potencial ilimitado da juventude e despreza a velhice, considerando-a uma doença terminal.

(ver entrada anterior de:25/10..."Da velhice"...)

Publicado por morfeu às 08:35 PM | Comentários (4)

outubro 28, 2004

Para rir ou para chorar?...

Rir ou chorar

Publicado por morfeu às 11:08 AM

outubro 26, 2004

Simplesmente ruínas...sugiro

(...)As mulheres que assistiram à primeira sessão do julgamento disseram que o arquitecto era mais bonito, "jeitoso", que o dono do bar. Mas o dono do bar era mais malandro e tinha qualquer coisa a falar. Aliás, fez questão de lembrar que a senhora arquitecta, que não apareceu no tribunal, ainda está com ele, é um amor com alicerces...
Ruinas

Publicado por morfeu às 08:53 PM | Comentários (4)

outubro 25, 2004

Da Velhice

two_old_people_eatingr.jpg
Francisco Goya

(...)À noite, olhando-me no espelho distraidamente, percebi que estava envelhecendo. Então me senti sozinho e vulnerável, com medo de me tornar um paciente geriátrico que seguiria o padrão previsível: a aposentadoria, a dolorosa diminuição da capacidade física, a existência passada em uma cadeira de balanço de um asilo para idosos e o consequente fim obscuro e inevitável da minha vida.

(…) A maioria de nós cresceu com um medo profundamente enraizado e um horror à terceira idade. Enquanto promove corpos e estilos de vida aerobicamente perfeitos como summum bonum da vida, nossa cultura, sempre voltada para a juventude, concentra-se obsessivamente na redução do potencial físico da terceira associado à terceira idade. Na imaginação popular, o idoso está associado a pele enrugada e doenças crónicas, e não a sabedoria, serenidade, equilíbrio e auto conhecimento, que representam o fruto de uma longa experiência de vida. Felizmente, a visão unilateral e limitada da nossa cultura sobre o envelhecimento está passando por uma profunda remodelação…

Zalman S. Shalomo – R. Miller “Mais Velhos, mais sábios”, editora Campus

Publicado por morfeu às 08:29 PM | Comentários (1)

outubro 17, 2004

Que fazes ao teu irmão?...

Epitáfio para dois milhões de vivos

...aqui,sim, deveríamos todos intervir...

Publicado por morfeu às 10:39 AM

outubro 14, 2004

Isto é caso para polícia e tribunal...

Inadmissível
...podemos e devemos exercer o nosso direito à crítica. Porém, fazê-lo nos moldes e através de insultos inaceitáveis...Não!Quem tem esta actuação deverá ser levado a tribunal...e para mim, não é digno de frequentar uma Universidade...

Publicado por morfeu às 11:29 AM | Comentários (2)

outubro 13, 2004

A civilização do vinho...

vinus2.jpg

Publicado por morfeu às 11:48 PM | Comentários (1)

outubro 04, 2004

Renda dos Inquilinos Globais...

Download file

Publicado por morfeu às 03:57 AM

setembro 29, 2004

O "Aborto" existe?...

puberty.jpg
E.Munch,Puberdade

Intolerável

(...)Mas há "impressões" de que ninguém de boa fé duvida e que deveriam, acaso prevalecessem um elementar sentido de justiça e respeito pela autonomia das mulheres, ser suficientes para justificar a liberalização da lei existente e, por maioria de razão, despenalizar o aborto. Venderam-se no ano passado perto de 500.000 pílulas do dia seguinte. Diminuíu com isso o número de abortos "propriamente ditos"? Não sei. Mas sei, mediante uma mera extrapolação a partir do universo meu conhecido, que se continuam a fazer; e que o aborto é uma das experiências humanas em que se faz sentir de modo mais revoltante a desigualdade social. Quem tem dinheiro vai a Badajoz, a Madrid ou a Londres ou encontra mesmo dentro de portas parteiras eficientes que executam a tarefa sem dor, com higiene e segurança; se despachar o assunto de manhã, à tarde pode ir às compras ou trabalhar. Quem não tem dinheiro recorre ao "vão de escada" e sofre as sequelas. Se tiver a sorte de não serem fatais, ainda pode ter o azar de vir a ser denunciada por qualquer enfermeiro de serviço. É para as mulheres pobres que o aborto é sempre um drama e às vezes uma tragédia. As mulheres ricas podem passar por dilemas angustiantes, mas a estas dores de consciência somam-se, nas mulheres pobres, um horrível sofrimento físico e o risco da própria vida. É uma realidade intolerável. Um elementar sentido de justiça exige que se lhe ponha cobro. (...)

Publicado por morfeu às 11:50 AM | Comentários (3)

setembro 28, 2004

O Contrato entre a fidelidade e a infidelidade...sugiro

fidelid/infidelidade

(...)Mereceu recentemente destaque na comunicação social a questão da criminalização do adultério, na Turquia. Por mim, concordo que o assunto merece destaque. A União Europeia rejeitou que tal solução legislativa pudesse ser compaginável com a cultura e a democracia ocidental. A meu ver, com toda a razão. O que me surpreendeu foi que, na nossa televisão, algumas vozes tivessem tratado o assunto com risota e sobranceria, como se o adultério fosse a coisa mais admissível deste mundo. Ora nunca foi. Nem deve ser. (...)

(...)Sem a fidelidade, o casamento seria menos fiável do que um contrato de trabalho ou um contrato comercial de fornecimento exclusivo. Não compreendo porque é que a mentalidade libertária, que parece entre nós considerar-se bem-pensante, quer degradar esta dimensão belíssima do casamento. As eventuais fraquezas e as faltas de adultério não alteram a beleza e a nobreza da fidelidade. Só podem ser a contraprova da necessidade da sua dignificação. Por isso, as infidelidades não merecem ter aceitação jurídica, nem moral, nem social. (...)

(...)Nós podemos nem sempre ser capazes de corresponder ao que é justo e digno. É a nossa desfalecência, que pede compreensão e remédio. Mas não é por isso que a fidelidade matrimonial merece desprezo e o dever de fidelidade conjugal é risível. É a própria dignidade pessoal de quem casa, e daquele com quem casa, que sobre a promessa não cumprida lhe pede vergonha, e não risos. Ninguém é obrigado a casar-se; mas, se o fizer, tem de o fazer digna e seriamente. É esta a lei e são estes os bons costumes. (...)

Publicado por morfeu às 08:48 PM | Comentários (1)

O Mal esse humano viajante...

Tráfico

(...)Marina, tal como a amiga, foi violada - uma pratica comum para fazer as vítimas "quebrarem" - e, depois, revendida "por três mil dólares" e logo transferida para o Alentejo. Foi ali que, sob ameaça de morte, a forçaram a prostituir-se. (...)

Publicado por morfeu às 11:12 AM | Comentários (1)

J.... nome indizível...

J...

Publicado por morfeu às 11:01 AM

setembro 21, 2004

O que é que se passa, na realidade, com o M. da Educação????

BARAFUNDA

Num processo mais conturbado do que nunca, os cerca de 50 mil candidatos ainda envolvidos no concurso de professores voltaram a viver ontem um dia de angústia...

..."É hoje, é. Sobre a hora é que eu não lhe queria dizer já..."

...Por todo o país, milhares de docentes desesperavam em frente ao computador ou multiplicavam-se em telefonemas. "Já saiu a lista?", era a pergunta que se repetia. E foi num misto de "resignação e revolta"...

...Entretanto a directora-geral dos Recursos Humanos da Educação, Joana Orvalho, diz que não se sente em "condições físicas e psicológicas" para comparecer no serviço...

...Mas sobre o andamento do concurso Joana Orvalho garante que "todos os dias" era feito o ponto de situação e que o ME estava informado dos prazos previstos. "Nunca houve nenhum documento escrito que admitisse a possibilidade de os resultados do concurso de afectação e destacamento serem conhecidos entre 10 a 13 de Setembro. A ministra foi informada que depois das listas definitivas seguia-se outro momento que, tecnicamente, só podia estar concluído entre 15 e 20 de Setembro. No início de Setembro verificou-que era impossível no dia 15 e assentou-se o dia 20." ...

SEM COMENTÁRIO............

Publicado por morfeu às 09:32 AM | Comentários (3)

A isto digo, inequivocamente, NÃO!!!!!!

la_decapitation.jpg
Decapitação

Publicado por morfeu às 09:20 AM | Comentários (3)

setembro 20, 2004

Se tem uma corda...sugiro

Atar

...Melanie Griffith e Jeff Daniels protagonizaram isso mesmo, ela com uma fixação em algemas e ele sem ideia nenhuma da excitação fora do normal "arroz com feijão" que tinha em casa, muito medo à mistura com uma enorme vontade. Embora o final da aventura na tela possa ser algo decepcionante para quem aprecia sexo sem monotonia, a verdade é que o filme foca uma realidade comum a muita gente. Já Sharon Stone e Michael Douglas é outra história, a menos que se ignore o picador de gelo... (extracto)

Publicado por morfeu às 01:46 AM | Comentários (3)

Mafalda 40 anos...

Mafalda 40

Publicado por morfeu às 01:43 AM | Comentários (1)

setembro 16, 2004

Como é possível!!!!!!!!!!

Faço minha a Pergunta
pertinentemente lançada...

Como é possível?
Que não consigamos gerir um país que tem a mesma população de Londres?

Publicado por morfeu às 11:44 PM

Afinal onde é que está a balda dos portugueses?

Balda

Publicado por morfeu às 11:26 PM | Comentários (1)

"Ninguém estranhará que milhares de professores comecem este ano lectivo com uma raiva enorme por causa das dificuldades que viveram"

Raiva dos professores

Segundo João Dias da Silva, os professores que vierem a ser colocados em escolas novas vão viver os primeiros dias divididos entre a preocupação de organizar a actividade na escola e a reorganização da sua vida familiar.

"Ninguém estranhará que milhares de professores comecem este ano lectivo com uma raiva enorme por causa das dificuldades que viveram", considera.

Publicado por morfeu às 10:28 AM | Comentários (3)

setembro 14, 2004

RAINFOREST...

2400-4570.jpg


Rainforest

Publicado por morfeu às 11:17 AM | Comentários (2)

setembro 13, 2004

Intersexualidade...conhece?...sugiro

No primeiro dia de aulas, quando a professora pediu aos alunos para se apresentarem, Joanne levantou-se e disse: "Olá o meu nome é Joanne e não sou rapaz nem rapariga, sou intersexuada." A reacção da professora foi a mesma que quase todas as pessoas teriam se ouvissem esta frase da boca de uma criança de cinco anos. As causas? "Desconhecimento sobre o assunto", explica Alan, pai de Joanne. Vivemos numa sociedade que só aceita duas condições sexuais - feminina ou masculina - no entanto, segundo a Intersexed Society dos Estados Unidos da América (EUA), em cada duas mil crianças que nascem, uma tem ambos os sexos e, apenas no Reino Unido, estima-se que existam cem mil indivíduos intersexuados.

Intersexual

Publicado por morfeu às 09:39 PM | Comentários (2)

As madonnas deste país...sugiro

Festas neste país

Publicado por morfeu às 09:31 PM

setembro 11, 2004

A medalha de Francis Obikwelu...ou o desporto à portuguesa

Em vez de nos fazer inchar de orgulho, a medalha de prata de Francis Obikwelu enche Portugal de vergonha.
Porque Obikwelu não representa o sucesso da política nacional de desporto, representa o seu desastre.

Obikwelu não é fruto de uma sociedade que aposta e que se empenha continuadamente, é fruto do esforço tenaz de um indivíduo aparentemente destinado a ser ninguém. E, apesar das circunstâncias, não é Obikwelu quem apanha boleia de Portugal, é Portugal que vai de boleia com Obikwelu.

A descoberta do fenómeno Obikwelu faz-nos recordar a história da descoberta do fenómeno Joaquim Agostinho. Um porque corria todos os dias às portas do estádio do Belenenses e acabou por dar nas vistas, o outro porque todos os dias pedalava na sua pasteleira de enxada às costas e andava mais rápido que os profissionais que com ele se cruzavam na estrada. Mais de 30 anos depois de Joaquim Agostinho, Obikwelu veio provar que Portugal vive muito da sorte e pouco do investimento. Se não fosse assim, Obikwelu não viveria em Espanha para se preparar para estes Jogos Olímpicos.

Mas se a medalha de prata de Obikwelu nos envergonha também nos ilumina. Porque ajuda a explicar melhor a dupla vitória da Grécia e a dupla derrota de Portugal..

A Grécia não só venceu o Euro 2004 como bateu Portugal, em casa. A Grécia não só organizou os Jogos Olímpicos deste ano, uma organização incomparavelmente mais notável e exigente que a do Euro 2004, como está a conquistar medalhas atrás de medalhas.

Ao contrário, Portugal deslumbrou-se com a organização do Euro 2004 mas não o conseguiu vencer. E, entretanto, chegou aos Jogos Olímpicos para ser humilhado na modalidade onde afunilou todo o dinheiro, todos os recursos, todas as apostas, todo o prestígio.

Antigamente, Portugal era o penúltimo nos «rankings» sócio-económicos. A Grécia lá estava em último para nos salvar a face. Mais recentemente, Portugal foi ultrapassado pela Grécia.

A medalha de Francis Obikwelu está aí para nos explicar porquê.

Publicado por morfeu às 12:16 AM | Comentários (1)

agosto 31, 2004

Uma batalha naval por favor...sugiro

Batalha Naval

...Quando as águas amansarem, voltaremos ao que havia antes: um Portugal onde a lei prega uma coisa e onde muitas mulheres fazem outra (mesmo algumas das que na rua gritam a favor da vida). É mau mas não se vê. Porque não é barco nem flutua, mesmo que a pouco e pouco nos vá afundando....

Nuno Pacheco (In Público de 31/08/04)

Publicado por morfeu às 02:18 PM | Comentários (7)

Interioridade, despovoamento, desertificação...sugiro

guadimargem.jpg

Da interioridade

Publicado por morfeu às 01:56 PM | Comentários (4)

Be number one...sugiro

...Acredito que nós temos ciclos. Estamos num ciclo social em que as pessoas artificialmente querem todas ser belas, perfeitas e poderosas. Ou famosas. Isto é falacioso. As pessoas vão descobrir isto e virá outro ciclo. O conceito "be number one" é algo que existe nos Estados Unidos e que estamos a apanhar em força.

Do suicídio

Publicado por morfeu às 12:02 AM | Comentários (1)

agosto 11, 2004

Do Calão III

Diga da sua justiça...

Flausina...
Foi assim que a Alemanha perdeu a guerra...
Fussanga/à fussanga...
Gado rachado...

Publicado por morfeu às 10:20 PM | Comentários (3)

agosto 07, 2004

Ser ou não ser Bimbo...sugiro

Ser ou não ser Bimbo

Publicado por morfeu às 07:12 PM | Comentários (2)

agosto 02, 2004

Boa notícia para o Mundo...sugiro

Boa notícia

Publicado por morfeu às 11:08 AM | Comentários (1)

julho 07, 2004

Postais antigos...Solidária sobrevivência


Foto de: Jean Dieuzaide
Vieira de Leiria, 1954
"A Equipa"

Publicado por morfeu às 10:27 PM | Comentários (2)

julho 06, 2004

Promessas...só se for em Fátima....

Promessas

Publicado por morfeu às 01:16 PM

julho 02, 2004

THANATOS...

Thanatos

Publicado por morfeu às 12:28 PM | Comentários (3)

julho 01, 2004

Estádios Alemanha 2006

Publicado por morfeu às 12:16 AM

junho 29, 2004

Ser mulher no Iémen...sugiro

Ser mulher no Iémen

Publicado por morfeu às 01:34 PM | Comentários (1)

junho 28, 2004

Escolas...que roupa usar?


Escola Britânica Proibe o Uso de Saias

Publicado por morfeu às 10:32 AM | Comentários (3)

junho 26, 2004

Informar e reflectir...Sabor

Sabor

Publicado por morfeu às 10:06 AM | Comentários (1)

junho 23, 2004

Darfur...onde é?.......

DARFUR

...sinto vergonha pela nossa desumanidade............

Publicado por morfeu às 11:20 AM | Comentários (3)

junho 22, 2004

Où vont les hommes?...

Où vont les hommes?

Perdus dans une société mixte qui démode les symboles de la virilité au profit des codes de la féminité, ils ne trouvent pas en eux-mêmes ce mâle nouveau qu.on annonçait : à la fois doux et fort, différent mais égal des femmes. Comme s.il n.y avait rien entre la domination et la mise au rancart? Réponses et fantasmes d.un genre masculin incertain

Oú Vont les Hommes

Publicado por morfeu às 11:48 PM

Sequestros...

...anomalias.....

Publicado por morfeu às 10:13 PM | Comentários (1)

Bandeiras... sugiro

...confesso que é com um arrepio de horror que vejo a febre da bandeira portuguesa que invadiu Portugal - como vejo com o mesmo horror as massas ululantes que abandonam os estádios na febre da vitória, agitando os cachecóis e atravessando-se à frente dos carros com aquele sentimento destruidor de invulnerabilidade, invencibilidade e impunidade que invade os adeptos das equipas vencedoras, aproveitando a oportunidade para gritar uns palavrões, humilhar os fracos e os vencidos e ir beber umas cervejas.

Bandeiras

Publicado por morfeu às 01:07 PM | Comentários (6)

junho 21, 2004

Paixão e Razão no Futebol...

...Sugiro leitura e reflexão deste artigo-entrevista, a João Nuno Coelho, in revista Pública de 20/06/04....
Futebol, Paixão e Razão

Publicado por morfeu às 04:47 PM | Comentários (2)

junho 20, 2004

O desafio de futebol como cerimónia religiosa

.Muitas pessoas, têm comparado o futebol a uma ordem religiosa e caricaturado os seus adeptos como os equivalentes modernos dos fanáticos da religião. A erva que cresce no campo de futebol é, muitas vezes, denominada «relva sagrada» e ao estádio chamam «santuário». Os jogadores . estrelas são adorados com unção pelos seus fãs e tidos como «jovens deuses». (.) as superstições e as tácticas mágicas são frequentes e, nas bancadas, a massa dos chamados vadios canta canções em uníssono que, a despeito das palavras muitas vezes obscenas, soam aos ouvidos de toda a gente como hinos entoados por meninos de coro em bloco compacto. (.)

Pelo menos num aspecto importante não pode haver dúvidas quanto ao significado religioso dos desafios de futebol. Eles substituíram de modo evidente, para grande faixa da população, os serviços e as festividades religiosas de outrora. Quando as igrejas de muitos países ocidentais começaram a esvaziar-se com o declínio da fé religiosa, a população das grandes cidades e vilas perdeu um importante pretexto de convívio. e consequente afirmação de grupo e de sentido de pertença.
(.) Á semelhança de uma assembleia religiosa, o desafio de futebol não só junta um vasto grupo de pessoas em multidão visível como também as associa a uma crença comum e extremamente firme: já não a crença numa divindade, mas a crença numa equipa.
(.) Afigura-se indesmentível o facto de que, como serviço quase religioso, o desafio de futebol desempenha importante papel na sociedade moderna."

In .A Tribo do Futebol., D. Morris, edição Europa-América, 1981
(Transcrição e adaptação por Morfeu / pgs.22-25)

Publicado por morfeu às 05:56 PM | Comentários (5)

junho 19, 2004

Futebol e joelhos...sugiro

Joelhos

Publicado por morfeu às 01:40 PM | Comentários (2)

junho 17, 2004

Futebol: Uma batalha estilizada?...

O campo de futebol parece, às vezes, a recriação de uma batalha medieval, com altivos pendões erguidos, escudos reluzentes, esplosões e gritos das multidões, e densas nuvens de fumo.

(Foto e legenda in: A tribo do Futebol, D. Morris, Ed. Europa- América, pgs 17/18)

.A pseudoqualidade caçadora do futebol é apenas uma das suas muitas faces. Outra maneira mais evidente de ver um desafia é como uma espécie de guerra em miniatura. A semelhança não é perfeita, porque as duas equipas não procuram (oficialmente) destruir-se uma à outra. Os adversários são apenas uma interferência entre os caçadores e a presa, a baliza. Têm de ser evitados ou privados da bola, mas não deliberadamente atacados ou feridos. A principal tarefa do árbitro é punir qualquer assomo de agressão e impedir a todo o preço que a caçada ritual degenere numa batalha estilizada.
Não podemos, no entanto, negar que existe um elemento guerreiro em todo o desafio de futebol, o que contribui inevitavelmente para a excitação criada pelo acto. Devemos reconhecer que, no fim do desafio, existe um vencedor e um vencido, característica que não pode ser relacionada com o simbolismo da pseudocaçada. Se o desafio de futebol não fosse mais do que uma caçada ritual, a equipa e os seus adeptos apenas se preocupariam com o número de golos (isto é, mortes) marcados, indiferentes aos obtidos pelo adversário. Não é evidentemente o caso. A diferença entre o número de golos marcados é que é decisiva; é, de longe, melhor vencer por um a zero do que perder por três a quatro. Assim, embora a sequência do jogo e a sua «perseguição ritual a uma pseudopresa» se baseie na analogia da caça, o resultado final relaciona-se já com o simbolismo de uma batalha.(.)

(Ibidem)

Publicado por morfeu às 04:15 PM | Comentários (1)

junho 16, 2004

Futebol e caçada ritual.sg/D. Morris

.Como é possível que as pessoas percam tanto tempo com uma coisa que não passa de um jogo?. (.) Se o examinassem mais atentamente, em breve compreenderiam que cada jogo de futebol é um acontecimento simbólico e algo complexo.
(.) Embora na aparência, os jogadores se comportem como que travando uma batalha, na realidade não tentam destruir-se uns aos outros, mas apenas passar adiante dos seus adversários, com vista a executar a morte simbólica, que é o chuto em direcção à baliza. (.) a arma dos outrora caçadores torna-se bola e a presa baliza. Dizemos hoje que os jogadores «atacam» e que a bola é «disparada» contra a baliza. O uso de tais palavras constitui uma pista importante que revela a verdadeira natureza do futebol como uma caçada disfarçada.
(.) No relvado, a presa transformou-se numa baliza estática, atacada por um bando de pseudo-caçadores; por isso foi preciso dificultar o jogo, tornar a caçada mais atraente. A resposta consiste, em defender a presa inanimada através de um grupo de adversários, cuja tarefa consiste em tornar a pontaria e a «morte» o mais difícil possível.

In .A Tribo do Futebol., D. Morris, edição Europa-América, 1981
( Transcrição e adaptação por Morfeu / pgs.15-17)

Publicado por morfeu às 12:09 PM

junho 15, 2004

Uma derrota exemplar...a reflectir

Uma derrota exemplar

Foi com uma indisfarçável satisfação envergonhada que assisti à "impossível" derrota de Portugal face à Grécia.

Seria, certamente, necessária a arte de um Bergman ou de um Hitchcock para exprimir, de modo mais dramático e intenso, a edificante e comovente catarse pública que se lhe seguiu: multidões silenciosas, incrédulas e prostradas, jornalistas e comentadores desportivos pateticamente estupefactos, sem saber o que dizer ou fazer (o guião pré-decorado e ensaiado até à náusea deixou, subitamente, de fazer sentido), jogadores e técnicos, servil e submissamente mendigando desculpas humilhantes, políticos e dirigentes desportivos estrategicamente ausentes ou invisíveis, aqui e ali, esboços de recriminação, de busca de bodes expiatórios, de acinte e azedume (ainda mitigados, é certo) contra A ou B: enfim, Portugal, na ressaca da sua "grandeza" bacoca e alarve.

Face a este cenário dantesco, ocorreu-me, subitamente, a ode espantosamente reles com o que o Banco Espírito Santo tem procurado, nos últimos dias, e em anúncio de página inteira, inspirar e exaltar a alma futebolística lusa, enquanto humilha e esmaga o adversário: "Vamos fazê-los em ruínas..." Se o ridículo ou o patético matassem...

Certamente, o Gulag soviético ou a ETA basca se perfilarão como duas boas apostas para os próximos jogos.

Enfim, às vezes, estas coisas são males que vêm por bem.

Depois de um sobreinvestimento colectivo, histérico, delirante e eufórico "na glória e na capacidade do fazer português", superiormente dinamizado, com prosápia e bravata, por uma comunicação social gabarola, fanfarrona e irracionalmente exuberante, Portugal acordou estupefacto, viu-se ao espelho e não gostou do que viu: a impotência, a inferioridade competitiva, a incompetência, a falta de brio e autoconfiança, o vazio dos grandes discursos, o ridículo das expectativas delirantes cintilaram de modo intolerável.

A coreografia e a teatralidade da bandeira, dos cachecóis, dos "pins" e dos bonés, afinal, apenas disfarçavam (mal) a pequenez e a tacanhez de um povo que se alimenta há já quatro séculos em estremecimentos cíclicos e periódicos de glórias, prestígios e grandezas puramente virtuais, oníricas e insuportavelmente trágicas. E que nada aprende com as derrotas, continuando, ridiculamente, de peito feito e cabeça vazia e oca... (...)
José Caldas

Lisboa

In: http://jornal.publico.pt/2004/06/15/EspacoPublico/OCRT.html

Publicado por morfeu às 07:58 AM | Comentários (2)

junho 14, 2004

Futebol, origens tribais sg/ D. Morris

Partindo das propostas de investigação de Desmond Morris, fiz uma síntese possível das suas teses.


Partindo da constatação da importância da caça na evolução humana, daí deduz várias consequências: actividade física intensa, resistência, agilidade, rapidez, inteligência, habilidade, comunicação, táctica,cooperação do bando de caçadores. Notemos desde logo, como estas características psico-físicas dos nossos antepassados caçadores se podem identificar com as exigidas ao .bando-equipa., no futebol.
D.Morris questiona-se como e porquê se terá dado a transformação de caçadores de animais selvagens em .marcadores de golos.? A culpa terá sido da agricultura.o sedentarismo, por esta estabelecida, retira a actividade intensa da caça, na medida em que a sobrevivência se encontra mais equilibrada . domesticação de animais e plantas -.Desta forma, eram os animais que .vinham ter. com o homem e não o inverso. a rotina instala-se e a nostalgia do frenesim da caça torna-se menos perceptível, mas.está lá! A caça torna-se progressivamente entretenimento.
Emblemático, para apenas citar um caso, é situação da cultura romana, onde os jogos, lutas, morte de pessoas e animais, serve como substituto urbano, ao outrora intenso fulgor da caça e do assassínio directo. .leva-se a caça ao povo..
Assim aparecem locais específicos para estas actividades - Coliseu de Roma . que conhecerá sucedâneos nas praças de touros, circos, lutas de cães e outros animais, se quisermos as próprias largadas de touros em Espanha e em Portugal.autênticas caçadas urbanas.
Será nesta sequência que, no século XIX, se começou a fazer sentir uma cada vez maior necessidade de preencher o vazio para as .hordas. citadinas. .tudo estava preparado para uma nova era na pseudo-caça. Uma nova forma de desporto preparava-se para explodir no Mundo . um desporto sem sangue e sem animais: o futebol. .originando tribos futebolísticas por todo o planeta.

In .A Tribo do Futebol., D. Morris, edição Europa-América, 1981

Publicado por morfeu às 09:07 PM

junho 13, 2004

Vamos querer compreender o Futebol?...

Chuva ... lágrimas




...lanço a proposta de, para além do prazer que usufruímos no espectáculo futebol, tentar compreender um pouco melhor este fenómeno para não cairmos em preconceitos e lugares comuns...

EU GOSTO DE FUTEBOL MAS QUERO COMPREENDÊ-LO...

Aceitam o desafio?......................

Publicado por morfeu às 07:14 PM | Comentários (5)

A TRIBO DO FUTEBOL...a recordar

...será interessante ir recordando esta obra de desmond morris de 1981...
quem conhece?

(...a continuar...)

Publicado por morfeu às 06:48 PM | Comentários (3)

Vanessa e a Bola...enternecedor...sugiro

Vanessa e a Bola

....Um automatismo tipicamente feminino: a família reunida na alegria da bola.

Publicado por morfeu às 01:22 PM

Nunca gastei muito tempo a indagar o sentido antropológico, metafísico e místico do futebol ... as suas estranhas "formas religiosas"...

Recomendo vivamente a leitura atenta e reflectida desta intervenção de Frei Bento Domingues...

O Deus Futebol

.........(extracto)

O mesmo jornal republica uma antiga crónica de Alexandre O'Neill intitulada Neuropeu de Futebol. Não resisto. Vou roubar-lhe um parágrafo abastado: "É impossível a gente alhear-se do futebol, falado, comentado, transmitido, relatado, visto, ouvido, apostado, gritado, uivado, ladrado, festejado, bebido. O futebol passa deste modo a ser uma chateação permanente. É que não há tascas, pastelaria, salão de jogos, barbearia, recanto de jardim público, quiosque, bomba de gasolina, restaurante, Assembleia da República, supermercado, hipermercado, livraria, loja, montra, escritório, colégio, oficina, fábrica, habitação, onde, de algum modo, não se ouça falar do jogo que decorre, decorreu ou decorrerá. Quando há transmissão via TV ou rádio, então, a infernização é total. Passam sujeitos na rua de transístor aberto para ouvir o relato, para sofrer e fazer sofrer quem gosta (ou não) de futebol, ouvem-se súbitos gritos guturais, alarido dos diabos. Em casa de comida (pasto), pastelarias, etc., só se vê gente de pescoço esticado para o pequeno ecrã, alguns acompanhando simultaneamente com o rádio de bolso o jogo que está a ver. Isto sem contar com o que vem das residências particulares, quando o calor aperta, e as janelas estão abertas. Depois, aparecem os jornais desportivos e os jornais não desportivos, os críticos, os especialistas, os entrevistadores, os grandes títulos tantas vezes perfeitamente idiotas, como o da presente crónica, para não me furtar ao exemplo. Enfim, o país fica futebol." E fica tão futebol que o "JL" reproduz uma pintura de Ramos Santos na qual o país inteiro é ocupado por duas equipas com uma baliza no Minho e outra no Algarve!

Publicado por morfeu às 01:10 PM | Comentários (2)

maio 30, 2004

O Luto como Tabu...sugiro

O Luto ainda é um Tabu...Sugiro

Da Negação da Morte à Suave Memória

Publicado por morfeu às 10:37 PM | Comentários (3)

maio 24, 2004

O que seria de nós sem as Monarquias...

Por Que Sobrevivem Os Reis na Europa In Publica
Domingo, 23 de Maio de 2004

A rainha Isabel II gosta de piqueniques. As salsichas (que adora) têm que ser Fotnum and Mason. A cafeteira do café tem que ser em prata. Não pode faltar sal ou pimenta. Por isso, só piquenica nos jardins de Buckingham, com os criados a borboletear em volta e a darem um pulinho "a casa" quando o vinho acaba. Num dos subterrâneos do palácio há uma caverna de Ali Babá - está repleta de ouro e diamantes, rubis e safiras; Isabel II é a mulher mais rica do reino. Há dois empregados que se ocupam apenas de dar corda aos relógios. Vive-se no tempo dos impérios e das carruagens puxadas a cavalo, ali dentro.
Monarquias essas coitadas

Publicado por morfeu às 07:56 PM | Comentários (1)

maio 22, 2004

Descansa em paz irmão do Magrebe...

Emigrando para a morte

Para reflectir...

mais a sul da Espanha cheia de cabeças coroadas e de Lilis caneças...bem aventurados os humildes e os pobres porque deles será o reino dos céus...para quando?

Publicado por morfeu às 03:17 PM | Comentários (2)

A utopia existe...sugiro

À revelia do site abaixo referido não resisti a "roubar-lhe" esta belíssima e comovente reportagem:Qualidade de vida

Santa Cita,

Bem hajam pela esperança que nos acalentam
Morfeu

Publicado por morfeu às 01:12 PM | Comentários (2)

maio 21, 2004

Sugiro..."Nós e o Mundo" M.S.T

Nós e o Mundo, In Publico

Publicado por morfeu às 12:44 PM | Comentários (3)

Do"Portugal Positivo" a "está na conferência errada"...

No mínimo controverso, pedagógico, arrojado, provocador, quebrando a monotonia...

Portugal Positivo, In Publico

Publicado por morfeu às 12:13 PM | Comentários (6)

maio 13, 2004

Iraque, violência e sexualidade...sugiro

Público

Publicado por morfeu às 12:55 PM

maio 11, 2004

A queda das estrelas...

Por que razão perscrutamos com uma curiosidade mórbida as ligações, rupturas, dores dos que chamamos stars? É que estes seres fora do comum a quem basta aparecer para serem e que reconhecemos mesmo não os conhecendo, estes seres que nenhum tabu, nenhum excesso afecta, só são venerados para de seguida serem reduzidos a um estatuto comum. Congregando neles a maior quantidade de desejo social, deveriam ter por função retirar-nos ao império da monotonia; mas isso não os preocupa a não ser para melhor o confirmar. E a imprensa do coração talvez não existisse a não ser para assegurar aos seus leitores, para lhes garantir a ideia que príncipes, vedetas de cinema e do espectáculo são as reincarnações ambivalentes da felicidade, de um ideal que se afadigam em realizar. Daí o nosso deleite amargo por os vermos atingidos pelos mesmos males que nos afligem.

Estes happy few destinados a sublimar o nosso destino, arrancar-nos às preocupações ridículas, às nossas infelicidade insignificantes, provam-nos que nenhuma casta ou classe superior conhece a bem-aventurança, apanágio dos deuses. (.)
Enfim, uma secretária pode ter a vida tumultuosa e agitada de uma princesa e esta levar a existência recatada e prosaica de uma dona de casa. Este é o processo democrático: as orgias e os excessos licenciosos dos antigos monarcas são portanto acessíveis a qualquer um. Através das indiscrições dos meios de comunicação, verificamos com espanto e tristeza que essas pessoas não têm uma essência diferente da nossa: no que esses mesmos meios constituem também máquinas de travar o desejo e preenchem apesar da sua futilidade um papel fundamental. Do seu panteão de falsos dourados, a star escapa possivelmente ao anonimato mas sucumbe tal como nós à confusão, à solidão, à idade (o desaparecer progressivo da beleza nas actrizes sumptuosas é uma figura de retórica obrigatória num certa imprensa que a impõe com um sadismo doloroso).
Elegemos as stars como os políticos e apagamo-las com a mesma indiferença e versatilidade. O nosso apetite pela bisbilhotice, pelos pormenores não tem a sua origem, como se diz, na alienação e no despojamento. O culto da celebridade pesa directa e contraditoriamente nos progressos da igualização democrática.

Lido em: .Euforia Perpétua., Pascal Brukner, ed.Público, colecção Xis

Publicado por morfeu às 07:11 PM | Comentários (1)

maio 08, 2004

Nem só do homem vive o sexo...

bonobos

Os javalis são os primeiros a dar beijos na boca porque o seu mundo é, especialmente olfactivo e através desse sentido percebem se a fêmea está receptiva. No entanto, os que estão antes deles na comunicação de afecto . através de pequenos estalidos . são os chimpanzés e outros primatas, os bonobos. Os comportamentos sexuais destes últimos superam os dos seres humanos: tudo o que nós fazemos, inclusive o que nos parece mais aberrante ou mais sofisticado, eles fazem-no mais e melhor.
A descrição da complicada e promíscua conduta dos bonobos pode pôr em apuros aqueles que pretendem estabelecer linhas divisórias entre os animais e os homens, já que o que chama imediatamente à atenção é a ternura e o carinho com que adornam as suas relações sexuais, como estabelecem vínculos afectivos que, às vezes, se mantêm toda a vida; como os machos às vezes cooperam nas tarefas das crianças ou como os genros mostram gestos de submissão e acatamento em relação às suas sogras. (.)
A posição hierárquica desempenha um papel importante nesta sociedade, mas nunca é tão rígida como parece à primeira vista; tanto machos como fêmeas podem estabelecer contactos pontuais ou relações de casal mais prolongadas, como querem e com quem querem. Para além disso, não é raro observar fêmeas abraçadas, esfregando os seus clítoris enquanto se balançam coladas a uma liana, se mimam, catam-se os piolhos e cuidam juntas da sua cria.
Também não é estranho que os casais sejam machos que cooperam e se relacionam em exclusividade e, às vezes, alguns deles tomem emprestados um bebé, tratando deles como se fosse uma fêmea. Este comportamento permite que os bebés abandonados pelas mães ou órfãos sobrevivam protegidos por estes casais de machos.
Estas e outras condutas só se verificam neste tipo de primatas e como exemplo do seu evoluído sentido de grupo.

Lido e adaptado a partir de: .Sexo, o primeiro beijo., Pilar Cristóbal, Sexóloga . In Pública nº 409 . 28/3/04

Publicado por morfeu às 03:25 PM | Comentários (4)

maio 03, 2004

Cépticos e assépticos...sugiro

Cépticos e assépticos

Publicado por morfeu às 01:24 PM

abril 26, 2004

Anne Frank

ANNE FRANK

Publicado por morfeu às 08:03 PM | Comentários (1)

abril 19, 2004

Destruir a Palestina, Tanya Reinhart...sugiro

"Ninguém Pode Dizer Que a Verdade É Anti-semita"
Por MARGARIDA SANTOS LOPES

Desde 1974 que Tanya Reinhart publica artigos no maior e mais influente diário hebraico, "Yediot Ahronot". Há seis anos que é professora de Linguística na Universidade de Utrecht, na Holanda, onde lecciona seis meses por ano. Na Universidade de Telavive ensina Estudos Culturais.

Publicado por morfeu às 10:14 PM | Comentários (1)

abril 09, 2004

Espanha...

Sugestão de leitura...

http://www.nouvelobs.com/articles/p2057/hebdo.html

Publicado por morfeu às 12:49 PM

março 08, 2004

Solidariedade com Ana Drago...

PARA OS QUE NÃO TENHAM LIDO, AQUI DEIXO PARA REFLEXÃO...

Num País Que Não Respeita Os Meus Direitos Eu Não Quero Viver
Por ANA DRAGO
Segunda-feira, 08 de Março de 2004


http://jornal.publico.pt/2004/03/08/EspacoPublico/O03.html

- Carta Aberta ao primeiro-ministro

Confesso-lhe que, apesar dos avisos de amigos, não consigo conter o espanto. Não consigo perceber como foi possível que a sua bancada parlamentar tenha recusado um novo referendo que permita descriminalizar o aborto.

Dizem analistas e comentadores que, no dia 3, tudo correu como "previsto". Não creio. Aqui, no espaço sempre incompleto das convicções que vou construindo para mim, não posso senão duvidar desse senso comum que me rodeia. E sei que manter o espanto e a indignação é o único caminho que me resta para manter alguma crença no meu exercício da cidadania.

Por isso, queria que soubesse que agora que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de Março), é mais um dia em que procuro novos caminhos para saber o que faço da minha revolta com a sistemática condenação do meu direito ao meu corpo. Porque, sejamos claros: não estão as mulheres da Maia e de Aveiro na barra dos tribunais exactamente porque são mulheres? Como perguntava há mais de um século uma escrava americana, também eu olho à minha volta e me pergunto: não sou eu uma mulher?

Sou. Hoje sinto que a minha revolta me faz ser todas as mulheres. Veja-se a patética arrogância.

Hoje sinto que sou todo esse lugar da experiência quotidiana de uma menoridade, um "algo de menos" que é a definição implícita de condição feminina por esse mundo fora, sistematicamente transcrita em violência sobre os seus corpos e as suas sexualidades. Sou as mulheres filipinas que vivem na periferia de Manila, com 7 filhos numa barraca, porque na sua paróquia lhe dizem que o preservativo e a pílula são pecados contra a graça procriadora que Deus lhes atribuiu. Sou a menina africana, a quem fazem uma excisão genital sem saber da sua vontade, para que não caia na corrupção dos prazeres da sua sexualidade. Sou as mulheres espancadas nas ruas da Argélia, por terem ousado mostrar os seus corpos e os seus rostos. Sou a nigeriana condenada a ser apedrejada até à morte, por ter tido um filho fora do casamento. Sou as inglesas violadas no Algarve a quem o juiz português avisou, paternalmente, que deviam saber como se vestir e comportar. Sou a lésbica italiana, insultada na Sicília porque ousa ter prazer com alguém que não um homem. Sou as mulheres agredidas pelos maridos, os pais, os irmãos: sou as 42 espanholas que morreram em 2001 vítimas de violência doméstica. Sou as mulheres de Leste que tentam escapar à pobreza, e que acabam traficadas nas redes de prostituição que se estendem de Lisboa a Xangai. Sou a iraniana sem papéis na França, que faz trabalho doméstico para um patrão que a viola sistematicamente, chantageando-a com a expulsão.

Não. É mentira. Eu não sou, não "represento" todas as mulheres do mundo. Nas categorias do corpo que ordenam o poder, sou branca antes de ser mulher, e isso é todo um mundo de distância da vivência das mulheres negras. Sou nacional da União Europeia, e isso faz toda a diferença em relação às mulheres do Leste Europeu. E, aqui dentro do nosso pequeno país, sou escolarizada e urbana, e isso parece deixar-me estranhamente longe das operárias de Castelo de Paiva que perderam os seus empregos. Afinal, sou apenas mais uma das mulheres, de tantas, que colocaram essa questão: não sou eu uma mulher?

Sou. Sou a mulher que nunca teve educação sexual na escola, ao contrário das holandesas; sou a mulher que não poderá ter três anos de licença de parto como as suecas; sou a mulher que não pode ter direito a aconselhamento no caso de uma gravidez indesejada como as americanas; sou a mulher que não terá direito a fazer um aborto em condições de segurança em Portugal, e, certamente, serei a mulher que irá parar ao banco do Tribunal se a polícia o descobrir. Ser mulher, aqui, neste pequeno país, é carregar o peso pesado de uma concepção machista que vigia o corpo feminino, e o peso morto de uma classe política sem coragem para consagrar a modernidade democrática.

Não sou eu uma mulher? Que democracia é esta que acha que por isso pode tutelar a minha consciência, lugar primeiro da minha liberdade? Não é este o meu corpo? Que democracia é esta que acha que a minha condição de mulher confere ao Estado tutela sobre o meu útero, que me reduz a mera incubadora? Que democracia é esta que arrasta mulheres para tribunal, que tem a ignomínia de perscrutar os seus corpos como se na sua anatomia estivessem as marcas da perversão inabsolvível: essa ideia da mulher não querer ter o filho de uma gravidez que não desejou. Crime hediondo não cumprir a "função" de mãe, certamente contradiz a "natureza" feminina. Que democracia é esta onde sou, como tantas mulheres por esse mundo fora, algo menos do que um homem na minha cidadania?

E porque sou isto, exactamente isto, vivendo aqui, neste estatuto de cidadã menor, que lhe digo que num país em que o Estado não respeita os meus direitos, eu não quero viver.

Não, não me vou embora. Pelo contrário: este será o lugar de luta onde me irá encontrar hoje, amanhã e depois. Comigo estarão todas as mulheres e todos os homens que têm lutado pela minha cidadania plena: os das lutas passadas que abriram caminho para que eu possa estar aqui, os que estão hoje na batalha, os que ainda agora estão a chegar. Trazemos connosco gerações de mulheres votadas à clandestinidade e marcadas por discursos condenatórios, os maridos que apoiaram a sua decisão, as amigas que lhes deram a mão nas clínicas de vão de escada, os filhos que as viram sofrer na sua saúde as consequências do aborto clandestino. É porque não queremos viver assim, porque não podemos viver assim, que nos encontrará aqui as vezes necessárias até que a questão da legalização do aborto seja resolvida.

No passado dia 3, mostrou que não é um grande homem. Mostrou que não pertence aquela cepa de gente que nos momentos difíceis, nos momentos fundamentais, sabe estar à altura das situações. Acobardou-se, preferiu olhar para o lado, esconder a cara. Escolheu uma governabilidade que ficou esvaziada da defesa da dignidade, e isso é rombo indesculpável. É irreparável. Porque a partir de hoje o senhor é o exemplo de uma política vazia, que não responde a nada do que importa, que não se bate por nada do que diz acreditar. E é cúmplice consciente do discurso condenatório, da discriminação persistente contra as mulheres, da sua vivência nesse permanente estatuto de uma cidadania menor. E isso, eu, que sou mulher, não lhe posso perdoar.

Dirigente do Bloco de Esquerda

http://jornal.publico.pt/2004/03/08/EspacoPublico/O03.html

Publicado por morfeu às 01:19 PM | Comentários (7)

janeiro 23, 2004

Anatomia dos Esfolados


Foto: /Reuters

Por Sabine Siebold

FRANKFURT (Reuters) - O criador da polêmica exposição "Body Worlds" (Mundos Corporais) declarou na quinta-feira que não exclui a possibilidade de ter usado cadáveres de vítimas de execução chinesas, como afirmou uma revista esta semana.

Lutando para preservar sua reputação, o alemão Gunther von Hagens disse que obteve por meios legais todos os cadáveres esfolados exibidos em sua exposição, que já foi vista por mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo, provocando reações de fascínio, aversão e ultraje moral.

Mas ele deixou margem a dúvidas sobre a origem dos corpos, dizendo: "Não posso pôr a mão no fogo e afirmar que não tenhamos recebido uma ou outra vítima de execução."

Von Hagens estava respondendo a uma matéria publicada na revista Der Spiegel, segundo a qual sua empresa na China comprou os corpos de vítimas de execuções, reconhecíveis pela presença de buracos de bala na cabeça e incisões no abdome através dos quais órgãos teriam sido retirados.

"Acho altamente improvável", disse Von Hagens, cercado por cadáveres conservados, a jornalistas em Frankfurt, no museu onde a exposição "Body Worlds" está acontecendo. "Praticamente excluo essa possibilidade."

"Eu respeito as leis alemãs: não aceito cadáveres a não ser que saiba qual é sua procedência", disse ele.

Von Hagens insistiu que recebeu os corpos de institutos e autoridades estatais em diversas partes do mundo, mas afirmou que não sabe ao certo como cada um morreu.

Ele acrescentou que, para evitar problemas, sete cadáveres chineses que sua empresa comprara e verificara apresentar ferimentos na cabeça seriam incinerados, e não preservados.

A seção alemã da Sociedade Internacional de Direitos Humanos exigiu na quinta-feira que a exposição seja fechada até ser conhecida a origem exata dos cadáveres chineses.

A promotoria pública da cidade de Heidelberg, no sudoeste da Alemanha, disse esta semana que vai verificar se deve ser aberto um inquérito sobre as alegações feitas pela Der Spiegel.

A exposição itinerante de Von Hagen mostra corpos sem pele, abertos para mostrar os órgãos internos, músculos e ossos.

Os corpos são preservados pela "plastinação", processo desenvolvido pelo próprio Von Hagen e que substitui os fluidos corporais por polímeros, criando objetos de exposição sem odor e que duram muito tempo.

Críticos descreveram a exposição como show de horrores, mas, desde meados dos anos 1990, ela já atraiu mais de 13,5 milhões de visitantes em toda a Alemanha e em Londres, Japão, Coréia, Bélgica e Suíça.

Von Hagens, que se inspira nos anatomistas da Renascença, incluindo Leonardo da Vinci e Andreas Vesal, diz que sua missão é ensinar às pessoas sobre o corpo humano e democratizar a ciência da anatomia.

Fontes judiciais alemãs dizem que preservar corpos sem o consentimento prévio das pessoas que morreram pode constituir um delito passível de punição na Alemanha.


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Publicado por morfeu às 11:00 AM | Comentários (4)

janeiro 09, 2004

INFIDELIDADE, COMPREENDER E PERDOAR

Do perdão

...sugere-se audição de Felix Mendelssohn ,Oração tirada do salmo 51/130, .Senhor suportai as nossas más obras., opus 79 . e . salmo 22 Op.3 .Meu Deus, porque me abandonaste?.


Adaptação das declarações do psicoterapeuta e psicanalista J. G. Foucault, à Jnmagazine de 4/1/04.

(...) Mas na prática, as mulheres infiéis não revelam um perfil psicológico em particular. Fundamentalmente a busca de encontros depende sobretudo da vitalidade e da intensidade da energia sexual de uma pessoa.

(...) Contrariamente aos homens as mulheres infiéis têm, digamos assim, dois corações. Um coração adolescente que palpita, inflamado, por paixões curtas e esmorece muito rapidamente, e um segundo, conjugal, que se adapta à relação durável. A infidelidade feminina escapa à tipologia tradicional do modelo feminino. (...) Cada aventura é uma injecção de memórias da juventude... vivem-na com uma energia mais selvagem, forte e livre do que a sua vida quotidiana. Face ao risco de degradação que uma relação regular e contínua envolve, a infidelidade feminina é como um remédio... uma infiel que se sabe infiel ao contrato conjugal pode satisfazer-se com o sentir-se fiel a si mesma. Porque ela tenta viver de acordo com o respeito que deve a si própria, e a ideia que ela tem da sua vitalidade.

(...) As mulheres infiéis reactivam a energia vital da sua adolescência. Mas como amam o marido, não se entregam totalmente. Na realidade, permitem-se apenas pulsões adolescentes controladas. Com as suas aventuras, são actrizes e encenadoras do seu próprio teatro privado...ora o domínio absoluto das pulsões já não é vida, é a perfeição . da antivida. Estas mulheres que querem controlar tudo, dominar, acabam quase sempre por criar situações de caos nas quais as suas pulsões assumem o comando. Uma poderá apaixonar-se loucamente por um amante que não ama verdadeiramente, outra acabará por deixar de desejar o marido, privilegiando os acasos intensos sem futuro.

(...) Hoje, a infidelidade feminina parece uma tentativa de solução para as mulheres que têm medo da sua solidão e que querem fazer durar o seu casamento sem definhar.

Publicado por morfeu às 10:59 AM | Comentários (3)

janeiro 08, 2004

APÓS A INFIDELIDADE..O PERDÃO

...NOVELA A SER DESENVOLVIDA AMANHÃ POR ESGOTAMENTO DO AUTOR...

FORMEU, DIGO,
MORFEU

Publicado por morfeu às 10:48 PM

INFIDELIDADE IV...A APOTEOSE...

...vão vendo a foto que eu estou em meditação e já volto!...

(...) E os especialistas que se debruçam sobre esta questão delicada prevêem que até 2010, as desigualdades em matéria de infidelidade sejam definitivamente banidas. Notícia que uns considerarão boa, outros nem tanto...

...o que terá fundamentalmente mudado terá sido o de se permitirem aceitar a ideia de que podem satisfazer os seus desejos sem terem de estar apaixonadas.

...garantem que a conquista pela conquista melhora a sua auto-estima; sentem-se mais bonitas, mais poderosas, mais capazes de seduzir. E há quem, surpreendentemente, garanta que estas «escapadelas» são uma estratégia para fazer durar o seu casamento. Uma política amorosa que tem os seus riscos, e na qual estas novas infiéis preferem jogar com prudência....


Jnmagazine...4/1/04 pg.50 (adaptado com a devida vénia e ouvindo .tocata e fuga de J.S.BACH...)

.Uma esposa inconstante mas que não quer nem fazer sofrer o A., o marido, nem destruir o casamento....procuro alimentar a nossa relação, fazê-la perdurar com base na ternura, na cumplicidade, mais do que sobre os desejos físicos e sexuais tão efémeros. E sei que ele não é parvo. Sabe que eu sou muito mais extrovertida e sensual que ele. Mas preciso da sua firmeza e força, da sua estabilidade.
(...) Um dia, um dos nossos amigos, fez-me uma declaração de amor embaraçada e apaixonada. Aí cortei de imediato. Não só não me agradava fisicamente, como, sobretudo, sou contra as relações complicadas e emocionalmente muito fortes. O episódio aborreceu-me imenso. O que quero é satisfazer os meus desejos e estar em paz com a minha vida de casada..
( P. 32 anos , pintora e escultora )


.Nessa noite entrei em minha casa com uma tristeza monstruosa e um grande sentimento de culpa. Disse a mim própria que tinha de acabar com aquilo. Mas ao fim de uma semana o meu amante chamou-me e eu não resisti...
...Há dez anos que este homem está na minha vida, já tive dois maridos, mas sempre o mesmo amante. Porquê acabar com uma relação como esta? Sinto-me mais bela, mais desejável, mais feliz, mais forte, mais apetecível...mais tudo..
( A, 35 anos, secretária).......ouvindo de Bach, suite nº 2 para violoncelo em ré menor....maravilha...


adaptação de morfeu com a devida e dupla vénia ao JNmagazine de 4/1/04

Publicado por morfeu às 06:57 PM

PARA AMENIZAR O DOCE INFERNO DA INFIDELIDADE...


(...ouvindo "La Traviata, Verdi, acto I,"È strano, è strano! Ah, fors è lui", pela fabulosa Montserrat Caballé como Violetta...) tentem ouvir enquanto se disserta sobre a infidelidade e seguramente esta será mel quase derretido..oh Dio...

Publicado por morfeu às 12:07 PM | Comentários (6)

INFIDELIDADE III...provérbios...

INFIEL

"Quem foi infiel uma vez, sê-lo-á duas ou três".

CORNUDO
"Quem é cornudo e consente, que o seja para sempre"


http://www.gds.it/cosenostre/cornuti1.htm

Publicado por morfeu às 10:23 AM | Comentários (1)

janeiro 07, 2004

INFIDELIDADE II

"O QUE EU QUERO É SATISFAZER OS MEUS DESEJOS E ESTAR EM PAZ COM A MINHA VIDA DE CASADA" (Ibidem. P. 32 pintora e escultora)

"ESPEREI AQUELE HOMEM DEITADA NA CAMA, COMO NUNCA FIZ COM O JOÃO.DEPOIS DE TER FEITO AMOR TODA A TARDE, FEZ-SE LUZ"

(a continuar...)

Publicado por morfeu às 08:28 PM | Comentários (4)

INFIDELIDADE I...

INFIDELIDADE
.... (...ouvindo,.libiamo, ne. lieti calici...c/ Joan Sutherland e L. Pavarotti . La traviata de Verdi)

infidelity-
www.mjrose.com/
books/infidelity-cover.jpg

«O que mudou foi o facto de hoje as mulheres se permitirem aceitar a ideia de que podem satisfazer os seus desejos sem terem de estar apaixonadas.»

.Há mulheres que passam, com ligeireza e sem grandes sentimentos de culpa, dos braços do seu legítimo . que amam . para os do seu amante, com quem se divertem....

. O que gosto é de agradar a um homem e esquecer por um momento o meu papel de mãe e de esposa, para ser só mulher. (E. 36 anos, comerciante)...na última noite, em jeito de despedida, levou-me a jantar num restaurante fantástico e passámos a noite juntos...não parava de pensar no X., nas crianças...convencida de que estava a deitar tudo a perder. Mas quando voltei para casa percebi que esta pequena história não destruíra nada. Nunca estive tão bem com o meu marido e os meus filhos....bem entendido, se o X., ou alguém da família soubesse das minhas aventuras, destas infidelidades, destas mentiras, seria um drama terrível. Mas para mim não há mentira, nem sequer infidelidade. Trata-se simplesmente de um jogo. Um jogo que não põe em risco aqueles que amo. E no qual me procuro e descubro..

(Un di felici ( la traviata...)

in. jnmagazine- 4/1/04

Publicado por morfeu às 01:16 PM | Comentários (6)

janeiro 04, 2004

Dezoito Anos Debaixo de Terra...Tahar Ben Jelloun conta no livro "Uma ofuscante ausência de luz".

Provavelmente todos nós já um dia tentámos imaginar como resistiríamos fechados numa cela de prisão, isolados do mundo. Quanto tempo aguentaríamos sem enlouquecer? .....

Dezoito Anos Debaixo de Terra
Sábado, 03 de Janeiro de 2004 http://jornal.publico.pt/publico/2004/01/03/MilFolhas/TLFIC01.html

Alexandra Prado Coelho

Provavelmente todos nós já um dia tentámos imaginar como resistiríamos fechados numa cela de prisão, isolados do mundo. Quanto tempo aguentaríamos sem enlouquecer?

Aziz Binebine resistiu 18 anos. E não foi numa simples cela de prisão. Foi num buraco debaixo de terra, sem ver a luz do dia, sem poder levantar-se e ficar direito, vendo e ouvindo os companheiros a morrerem mortes terríveis em celas vizinhas. É a história deste homem que o escritor marroquino a viver em França Tahar Ben Jelloun conta no livro "Uma ofuscante ausência de luz".

Durante muito tempo, os poucos que sabiam da sua existência não se atreviam a pronunciar o nome daquela que ficará para a história como a mais terrível prisão marroquina: Tazmamart. Foi aí, no meio do deserto, que o falecido rei Hassan II condenou a uma lenta agonia os militares que participaram, em Julho de 1971, numa tentativa de golpe de Estado.

Estes túmulos no deserto só chegaram ao conhecimento público no início dos anos 80. Na escuridão, os mortos-vivos não sabiam que cá fora as coisas começavam a ser faladas. Mas tiveram que esperar ainda uma década - muitos não resistiram - para, sob pressão da comunidade internacional, o regime marroquino acabar por ceder e abrir as portas do inferno. Foi em Outubro de 1991. Do edifício B só saíram três homens, três farrapos destruídos, que mal conseguiam andar e que tinham encolhido 20 centímetros. Um deles era Aziz Binebine.

Ben Jelloun ouviu a história deste homem e tenta contá-la, misturando alguns elementos de ficção, como se fosse o próprio. A obra foi polémica. Os sobreviventes de Tazmamart acusaram o escritor de nunca ter feito nada para os ajudar antes e de só ter escrito sobre a tragédia deles nove anos depois de terem sido libertados. "Eu era como todos os marroquinos, tinha medo. Não queria enfrentar Hassan II de frente", confessou Ben Jelloun.

O livro é extraordinário. Ouvimos a voz do prisioneiro a recordar o túmulo, e a tentar explicar-nos o que leva um homem a morrer e outro a sobreviver.

É preciso esquecer o passado, o mundo exterior. É preciso abandonar toda a esperança, e toda a crença de que existe uma outra realidade. O nosso mundo é o que podemos viver. E se tentamos viver noutro morremos. "Os nossos corpos apodreciam membro a membro. O único elemento que eu tinha era a cabeça, a razão. Abandonava-lhes os membros com a esperança de que nada atingisse o meu espírito, a minha liberdade, a minha lufada de ar fresco, a luz que ilumina a minha noite".

A sobrevivência faz-se de truques. "Imaginar um campo de papoilas e malmequeres não é o que te vai salvar [...] Ao princípio, fugia para as pradarias mas o sofrimento rapidamente me trazia de volta àquele buraco. Foi então que compreendi que para anular uma dor é preciso imaginar outra muito pior, mais feroz, mais terrível. Felizmente, a minha imaginação não fora atingida".

A cela tinha três metros de comprimento por um e meio de largura. A altura não ultrapassava o metro e sessenta. A retrete era um buraco com dez centímetros de diâmetro. "O buraco fazia parte do nosso corpo. Era preciso esquecer a sua existência, deixar de sentir o cheiro a merda e a urina, deixar de sentir fosse o que fosse. Não podíamos tapar o nariz, não - era preciso manter o nariz destapado e não notar o cheiro. [...] Estar presente sem estar".

Não havia camas, apenas dois cobertores cinzentos por preso, que "durante o Verão não serviam para nada e durante o Inverno não eram suficientes". Havia um frio tremendo a entranhar-se nos ossos, havia os ossos a deformarem-se, os dentes a caírem no meio de dores terríveis. Não havia médicos nem remédios. Havia cinco litros de água por dia para cada um, pão velho e feijões. Todos os dias. Durante 18 anos. Houve quem morresse picado pelos escorpiões, quem morresse de prisão de ventre, quem tivesse apodrecido lentamente, a partir de um braço gangrenado, e fosse comido em vida por milhares de baratas, quem tivesse morrido de dor, de loucura.

A força dos que foram resistindo é inexplicável. No buraco negro havia um preso que funcionava como relógio. Contava o tempo - os minutos, as horas, os dias, as semanas e os anos - para os outros. Mas a certa altura "o nosso ponto de referência na escuridão estava cada vez mais cansado. Dava o ano e o mês, mas o dia e a hora já não". Aconteceram coisas naqueles 18 anos. Houve uma pomba que foi visitar os prisioneiros e que os ajudou a manter vivos durante algum tempo - até que decidiram libertá-la, deixá-la sair por um dos respiradouros, para não a privarem da liberdade que eles próprios não podiam ter. Houve um cão, que os guardas lhes levaram, e que enlouqueceu e acabou por morrer de fome e cansaço.

Durante 18 anos aqueles homens rezaram, conversaram, insultaram-se, ajudaram-se. Há momentos no livro de quase normalidade. "Tentávamos-nos rir contando velhas anedotas. Muitas vezes era um riso forçado, algo que nos saía do corpo nervosamente. O riso do desespero tem cor e cheiro". Contavam histórias, repetiam livros, discutiam temas - havia um horário para as orações, o almoço, a discussão, etc. -, recitavam poemas que um dia tinham memorizado, recordavam filmes. "Meus amigos, peço a vossa atenção e um silêncio total porque vos vou levar à América dos anos cinquenta. A imagem é a preto e branco. O filme intitula-se 'Um eléctrico chamado desejo'".

Marlon Brando e Blanche du Bois num buraco negro, debaixo de terra, no meio do deserto marroquino. A manter vivos homens já meio mortos. "Nós éramos a noite. Para sempre nocturnos, os nossos corpos, a nossa respiração, os batimentos do nosso coração, as apalpadelas das nossas mãos deslocando-se de uma parede à outra sem esforço, o espaço reduzido ao tamanho de um túmulo para uma pessoa viva".

Uma Ofuscante Ausência de Luz
Autor: Tahar Ben Jelloun
Tradutor: Maria do Rosário Mendes
Editor: Asa
205 págs., 18 euros

Publicado por morfeu às 11:01 PM