março 07, 2009
Não concebo um Deus que não seja bailarino...
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dezembro 16, 2008
Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me"
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dezembro 06, 2008
Professores em tempo de guerra...com humor...
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outubro 21, 2008
O "Magalhães" do Zé Carlos...imperdível!
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outubro 11, 2008
Delivery
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setembro 29, 2008
Musica antiga grega, com imagens...
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julho 08, 2008
Czardas em bandolim...
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maio 15, 2008
Benjamin Zephaniah - Touch
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maio 06, 2008
Bob Dylan, gravação histórica,Bob Dylan - Mr. Tambourine Man
...o que eu gostava nos idos 68/70s desta música...e continuo a gostar. O You tube é uma dádiva à humanidade, permitindo estas rememorações extraordinárias...
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maio 02, 2008
Hurricane, bob dylan...
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março 20, 2008
Agressão a professora...
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Arthur C. Clarke II
20.03.2008, João Barreiros(in Público)
Para Clarke apenas importava o conteúdo, a mensagem, não a forma. Importava optimizar a ciência. Importava mostrar que o futuro era possível graças ao conhecimento bem aplicado
Vivemos hoje no futuro sonhado pelos autores da ingénua Idade do Ouro da Ficção Cientifica (FC) e este futuro que hoje habitamos não poderia ser mais diferente. O século XX acabou com o desabar das Torres, e nessa pequena hecatombe foram-se os amanhãs dos três fundadores da moderna FC pura e dura: Clarke, Asimov e Heinlein. Agora só existem na nossa memória colectiva, memória essa que só sobreviverá se os seus livros continuarem a ser editados num mundo que cada vez mais se distancia da palavra escrita. Os "bombeiros" de Bradbury afinal nunca chegaram a ser necessários. Não é preciso queimarem-se livros sob o sopro do lança-chamas para que eles deixem de ser lidos.
Porque afinal quem quer hoje saber se os robôs têm de se subordinar às três leis que lhes impõem o respeito pelos seres humanos, se a Psico-história consegue determinar - graças a umas quantas equações inventadas por Hari Seldon - a queda dos Impérios Galácticos, ou se o mundo que nos espera - numa perspectiva a la Heinlein - será uma sociedade libertária onde todos terão o direito constitucional de transportar uma pistola ao cinto. O século XXI acabou de uma vez por todas com as utopias sorridentes, com os robôs compassivos sempre interessados no nosso bem-estar, com engenheiros adolescentes mas com preparação técnica suficiente para conseguirem reparar os geradores de uma nave com apenas uma mola e um fio de arame. Com a explosão da Challenger pôs-se um ponto final nas viagens espaciais rumo a Júpiter e aos braços abertos de um Deus tão complexo quanto Impassível. A diáspora sonhada pela Idade do Ouro morreu no berço.
Vivemos numa era onde o optimismo não vinga. Para trás ficaram as torres de ferro forjado do Gernsback a estenderem-se contra o azul de um céu impoluto, os heligiros a deslizarem sob os ventres bojudos dos dirigíveis, as passadeiras rolantes (a fazer as vezes de passeios pedonais) a transportarem uma população jovem e produtiva rumo aos lares de famílias respeitosamente monogâmicas. O futuro chegou, enfim, mas sem uma única canção que o acompanhe.
Agora que Clarke também partiu rumo a esse Grande Nada, dele só resta uns quantos cabelos a orbitarem em torno da Terra, e a obra, claro, um pouco perdida nos extractos geológicos das nossas bibliotecas.
Estilo asséptico
Clarke envolveu-se nos círculos da FC mesmo antes da Segunda Grande Guerra, mas o seu primeiro conto publicado, Loophole só aconteceu em 1946. Por esta altura, os pulps publicados no Reino Unido, tinham primazia sobre os seus parceiros importados da distante América. O papel era caro e a qualidade de impressão destas revistinhas vendidas nos escaparates dos quiosques dos jornais - ao lado dos comics onde os super-heróis lutavam ainda contra os espiões nazis - deixava muito a desejar. O tempo de vida de uma destas publicações era limitado. Mas que importa isso para esses adolescentes de doze anos que iam lê-las às escondidas, longe dos olhares parentais, entre as páginas dos compêndios de matemática?
Ao contrário dos cientistas loucos que apareciam nas capas - com um ar vagamente germânico ou nipónico, sem esquecer os proverbiais monstros de olhos esbugalhados - os contos de Clarke surgiam com uma limpeza quase asséptica, focavam-se num único problema científico, e geralmente tinham um espigão na cauda para garantir a surpresa final. Infelizmente Clarke nunca foi um grande estilista e essa falta nunca melhorou em todos estes anos de escrita. A escrita sempre foi pesada, sem a leveza poética de um Bradbury ou as cintilações coruscantes de um Alfred Bester. Para Clarke apenas importava o conteúdo, a mensagem, não a forma. Importava optimizar a ciência. Importava mostrar que o futuro era possível graças ao conhecimento bem aplicado. Mas que esse conhecimento - principalmente quando este é limitado ou excesso - também acarretava perigos.
Em 1951 publicou o conto A Sentinela que serviu de base ao filme do Kubrick. Resta dizer que os alienígenas do Clarke nunca foram de contacto fácil. Não porque sejam imperialistas canibais, mas pura e simplesmente porque são distantes, demasiado evoluídos, ou já extintos pela supernova de Belém, como no famoso conto A estrela. E sobre as vidas de cada um de nós - infelizmente Clarke nunca conseguiu dar um corpo real às suas personagens - estendia-se uma perspectiva cósmica, um universo imenso onde as outras espécies poderiam já ter chegado próximo do ponto Ómega e por consequência não queriam saber de nós para nada, pequenas formiguinhas que somos a fugir das botas do Absoluto.
No Encontro com Rama, um grupo de astronautas investiga uma nave imensa, alienígena, que passa pelo nosso sistema solar em piloto automático. Nos poucos dias que dura a exploração, os humanos nunca chegam a encontrar os verdadeiros tripulantes. Em 2001 Odisseia no Espaço e suas sequelas, os criadores do Obelisco (it"s full of stars) reacendem Júpiter - destruindo todas as espécies que habitavam os oceanos de hidrogénio - proíbem aos humanos a colonização do satélite Europa, transformam o primeiro piloto num super-embrião com poderes divinos, e depois desaparecem de cena sem dizerem "água vai".
Revolução conceptual
Na Idade do Ouro (Childwood"s End) um dos seus melhores romances, alienígenas que se assemelham aos demónios bíblicos ajudam as crianças da Terra a darem o salto conceptual rumo à Singularidade e, com esta pequena ajuda, destroem a totalidade do sistema solar. The City and the Stars, é um dos mais famosos exemplos da "revolução conceptual" na história da FC. Num futuro distante, o jovem Alvin, que vive na última - pelo menos ele assim o julga - cidade da Terra, prisioneiro de uma daquelas tecno-utopias compulsivas onde tudo nos é dado e nada nos é pedido em troca, resolve fugir, visita mais outra Cidade desta feita uma ecotopia, descobre uma nave espacial abandonada há milhares de anos e visita o universo, ou o que dele resta. Por esta obra perpassa um sentimento de perda e ao mesmo tempo de mística intensidade, tão cara ao seu espírito de metafísico positivista. Nas Nascentes do Paraíso (Fountains of Paradise) Clarke defende a construção de um elevador orbital, uma mega cabo de monofilamento em fibras de carbono, com base em Sri Lanka, e terminando num asteróide em órbita geo-saincrónica, capaz de substituir o sistema de vaivéns convencional. Mas a narrativa peca já por uma visão demasiado simplista do entendimento entre os vários credos religiosos, por uma quase total ausência de tensão psicológica. O romance do Charles Sheffield, Web Between the Worlds publicado precisamente no mesmo ano (1980) e versando o mesmo tema, é bem mais interessante.
Segundo o crítico John Clute, a FC é uma profunda homenagem ao século que já passou, com todos os seus defeitos, esperanças, belezas e horrores. Sendo assim, Clarke é, e continuará a ser, aquela figura que representa os entusiasmos optimistas dos anos 50, onde tudo existia ainda ao nível das possibilidades.
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20.03.2008, Pedro Ribeiro(in Público)
Arthur C. Clarke, escritor inglês, será lembrado sobretudo como o autor de 2001 e por ter idealizado o satélite de telecomunicações. Morreu ainda à espera que a humanidade parta para o espaço, de um telefonema do E.T.,
e de paz na sua nação adoptiva
Em Dezembro, Arthur C. Clarke colocou um vídeo no YouTube para assinalar o seu aniversário. Nesse vídeo, expressou três desejos para o futuro. Que a humanidade abandonasse "a dependência do petróleo" e encontrasse fontes alternativas de energia; que a sua nação adoptiva, o Sri Lanka, encontrasse a paz; e que fosse descoberta "alguma prova de vida extraterrestre": "ainda estamos à espera que o E.T. telefone."
Não houve tempo para que nenhum desses desejos fosse cumprido. Três meses depois, Clarke morreu na sua casa em Colombo, devido a problemas respiratórios e cardíacos. Tinha 90 anos.
Antecipando a iminência do fim ("perguntam-me como é completar 90 órbitas à volta do Sol; diria que não me sinto um dia mais velho que os 89 anos"), Clarke delineou nesse vídeo o seu próprio epitáfio: "Acima de tudo, quero ser lembrado como um escritor, capaz de entreter os leitores e de expandir as suas imaginações."
Comecemos então por recordar Clarke, o escritor. Foi autor de 2001, o livro que, graças ao filme de Stanley Kubrick, mais o popularizou. Mas também escreveu Rendez-Vous com Rama, A Idade do Ouro, Canções de uma Terra Distante e dezenas de outros romances, contos, ensaios, livros de divulgação científica.
Ainda este mês, fez a revisão final de The Last Theorem, escrito em parceria com outro dos nomes maiores da ficção científica anglo-saxónica, Frederik Pohl. No ano passado, dissera à BBC que este deveria ser o seu "último romance", mas acrescentou: "Não é a primeira vez que digo isto."
Satélites e astronautas
A sua obra foi sempre influenciada por uma crença positivista na ciência como motor do progresso humano. Os grandes temas dos seus romances eram as implicações filosóficas do contacto com civilizações extraterrestres e o espaço sideral como destino inevitável da espécie humana.
Escreveu romances de ficção científica num estilo semelhante ao de contemporâneos como Isaac Asimov, Larry Niven ou Vernor Vinge, herdeiros de Júlio Verne ou H.G. Wells: ficção científica hard, isto é, com grande atenção aos pormenores científicos (a distinção faz-se em relação a autores de ficção científica como Philip K. Dick ou Ray Bradbury, que usavam cenários espaciais ou futuristas para explorar a condição humana, sem pretensões de realismo).
Tal como Verne conseguiu "prever" o submarino ou as viagens espaciais, Clarke também concebeu os satélites geostacionários como instrumento para as telecomunicações (embora não num romance, mas num artigo científico - pelo qual foi pago 15 libras em 1945).
Era também um proponente do conceito do "elevador espacial" - plataformas geostacionárias que serviriam para facilitar o transporte de pessoas e materiais no espaço, sem necessidade de foguetões.
O maior impacto de Clarke terá sido, contudo, a sua capacidade de "expandir as imaginações dos seus leitores". O New York Times recordou uma das suas frases: "A maior parte dos feitos tecnológicos foram precedidos por pessoas que os imaginaram. Estou certo que não teríamos tido homens na Lua sem Verne. Sinto-me bastante orgulhoso de ter conhecido vários astronautas que se tornaram astronautas por terem lido os meus livros."
Arthur Charles Clarke nasceu no Somerset (Sudeste de Inglaterra) nos últimos dias da I Guerra Mundial. Nos anos 40, trabalhou com a equipa britânica que concebeu o sistema de radar.
No dealbar da "era dourada" da ficção científica, publicou vários contos e romances. Em 1956, foi viver para o Ceilão (hoje Sri Lanka), onde passou o resto dos seus dias.
Além de romancista, Clarke foi um dinâmico divulgador da ciência, especialmente em tudo o que estava relacionado com a exploração do espaço. Sobrevive-lhe uma fundação com o seu nome (na Internet em www.clarkefoundation.org), dedicada a estimular a pesquisa científica nos campos que lhe eram mais caros.
Clarke não era supersticioso nem religioso, mas tinha um fascínio pelo misticismo. Nos anos 80, colaborou em duas séries televisivas sobre fenómenos estranhos e mistérios da natureza - muitos lembram-se da série que começava com o crânio de cristal, O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke, que passou na RTP em 1983.
A sua herança mais duradoura será, provavelmente, o filme 2001 - Odisseia no Espaço, realizado por Stanley Kubrick. A semente do filme está num conto de Clarke, Sentinel, que especulava sobre a interferência de uma inteligência extraterrestre sobre a história humana.
O filme é uma criatura substancialmente diferente - uma criatura mais de Kubrick que de Clarke. Os dois colaboraram no argumento; a partir dele, Kubrick fez um filme, Clarke escreveu um livro.
O filme, dominado pela visão artística do cineasta americano, é misterioso, deliberadamente ambíguo e parco em diálogos. O livro é bastante mais "expositivo".
Clarke escreveria três sequelas - 2010 (de que também resultou um filme, realizado por Peter Hyams), 2061 e 3001. Como aconteceu com quase todos os colaboradores de Kubrick, a relação entre Clarke e o cineasta não foi fácil; no entanto, apesar das disparidades entre 2001-o-livro e 2001-o-filme, Clarke mostrou-se sempre muito satisfeito com os resultados de ambas as obras.
A era dourada vem aí
Como acontece a quase toda a ficção científica, o futuro de 2001 já está no passado. Tal como em outras obras de Clarke, alguns elementos desse futuro concretizaram-se antes do tempo; outros ainda estão muito distantes.
A fase inicial da exploração espacial correu mais depressa do que Arthur C. Clarke esperava (nos anos 50, ele previa a chegada do homem à Lua só na década de 70). Mas outras não.
Tivemos Sputnik, Laika, Gagarin, Armstrong; e, depois, tivemos muito pouco. Não temos uma rede de estações espaciais orbitais; não temos colónias permanentes na Lua ou em Marte; a humanidade ainda não chegou ao planeta vermelho, quanto mais a Júpiter. O E.T. ainda não telefonou.
Com o fim da Guerra Fria, o entusiasmo pela colonização do sistema solar esmoreceu. O financiamento de agências como a NASA foi reduzido, e a sua missão dirigida para campos mais pragmáticos, com benefícios económicos imediatos.
Em 2004, o Presidente americano George W. Bush tentou reavivar o interesse pela exploração do cosmos, prometendo no seu discurso do Estado da União programas ambiciosos para uma estação permanente na Lua e uma missão a Marte; foi ridicularizado e acusado de querer apenas desviar a atenção dos seus erros de política externa. Nos quatro discursos do Estado da União que se seguiram, Bush nunca mais falou em Marte.
Em vez de um futuro aventuroso no espaço, a evolução tecnológica da humanidade nas últimas décadas trouxe-nos telemóveis e e-mail.
Mas Clarke não se sentia amargo nem derrotado pelo desinteresse das sociedades contemporâneas no sonho que o tinha inspirado. Pelo contrário.
No vídeo que deixou em Dezembro no YouTube, Clarke referia os projectos (ainda incipientes) de turismo espacial e dizia que "a era dourada [da exploração do espaço] está agora a começar".
"Nos próximos 50 anos, milhares de pessoas viajarão na órbita da Terra, e depois para a Lua, e depois para lá dela. As viagens espaciais serão tão vulgares como hoje é voar para destinos exóticos no nosso planeta."
Clarke concluiu a sua mensagem citando Kipling, e descrevendo o estado de espírito que ainda o animava: "Tenho grande fé no optimismo como princípio orientador."
As previsões
20.03.2008
O escritor para quem a tecnologia muito avançada era magia
Arthur C. Clarke escreveu em 2001, no Readers Digest, previsões para os 100 anos seguintes. No que aos primeiros anos do século XXI diz respeito, falhou em quase tudo. Nos parágrafos de preâmbulo do artigo, Clarke admite que muitas das previsões que fez ao longo de décadas falharam, seja porque não chegaram a acontecer, ou porque aconteceram fora da data prevista.
Segundo o escritor, por esta altura, a indústria automóvel estaria a substituir inteiramente os motores a combustível por energia nuclear "limpa". Em 2004, teríamos assistido ao anúncio do primeiro clone humano. E a última mina de carvão teria fechado em 2006.
O artigo no Readers Digest não é o único exemplo de previsões falhadas. Em 1958, Clarke afirmara que estaríamos a colonizar planetas a partir do ano 2000 e que algures na segunda década deste século seríamos capazes de controlar as condições meteorológicas.
Como habitual, porém, uma previsão certa vale por muitas falhadas. E, apesar dos vários erros e imprecisões, Clarke não deixa de ser conhecido por antecipar o futuro.
Uma das mais conhecidas previsões de Arthur C. Clarke foi feita em 1945 e era, à época, praticamente do domínio da ficção científica.
Numa carta ao director da revista Wireless World, Clarke descreveu em traços largos o conceito de satélite de telecomunicações geostacionário - um aparelho que permaneceria na órbita da terra, imóvel em relação a um determinado ponto da superfície e que possibilitaria o envio de sinais de rádio de um ponto do mundo para outro. A previsão concretizou-se 20 anos mais tarde.
Um dos mais populares contributos de um homem que passou boa parte da vida a especular sobre o futuro são as "três leis de Clarke", que essencialmente defendem que tudo é possível desde que não ultrapasse princípios fundamentais da ciência: se um cientista respeitado diz que algo é impossível, está quase de certeza errado, mas se diz que algo é possível, está quase de certeza certo; a única forma de descobrir os limites do possível é ultrapassá-los; qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. J.P.P.
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março 19, 2008
Arthur C. Clarke ... morte e odisseia 2008
Inesquecível pela sua obra e pelo eco inolvidável de Kubrik em Space Odyssey
Publicado por morfeu às 10:29 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 18, 2008
Resta-nos a Ana Drago?
Publicado por morfeu às 08:07 PM | Comentários (0) | TrackBack
março 16, 2008
Domingo de Ramos...
Em complemento poderá ler a habitual reflexão de Bento Domingues...
Fora do amor não há salvação
16.03.2008, Frei Bento Domingues, OP
O que mais importa, na Semana Santa, é confrontar a nossa vida com esse processo e fonte de amor infinito
1Repetiu-se, durante séculos de cristandade - embora com significações diferentes - que "fora da Igreja não há salvação". De forma oficial, esta afirmação deicida só foi desautorizada duas vezes antes do Vaticano II. Hoje, a salvação foi substituída pela globalização do império do dinheiro. Prefiro uma sabedoria mais antiga: fora da vida como dom faremos sempre, deste mundo, um inferno. Ao contrário das aparências, a celebração da Semana Santa não está só preocupada com o processo de Jesus, que nunca poderá ser ignorado. O que mais importa, no entanto, é confrontar a nossa vida com esse processo e fonte de amor infinito.
Sejam quais forem as interpretações que se possam fazer acerca da sua personalidade, ninguém se atreve a negar a existência histórica de Jesus de Nazaré, como já foi moda. Nos últimos trinta anos, a convicção de que se pode reconstruir uma imagem histórica de Jesus sai cada vez mais reforçada e documentada.
Nasceu, provavelmente, entre os anos 6 e 4, antes da era comum. Falava o dialecto da sua região, o aramaico da Galileia. Frequentava a Sinagoga e sabia ler textos bíblicos em hebraico. É normal que soubesse, também, um pouco de grego e alguns termos em latim. Este judeu da Galileia cresceu e viveu nessa parte setentrional da Palestina, herdeira directa do grande reino de Herodes.
Cruzavam-se, nela, as vias de comunicação em direcção a portos que ligavam a terra nacional dos judeus ao imenso espaço mediterrânico. Davam também acesso a vastos territórios do Oriente onde a cultura grega se impunha cada vez mais. Foi nesta terra aberta e de misturas que o fundador do cristianismo passou a maior parte da sua vida e lançou as bases de uma nova religião.
2. A sua intervenção foi muito breve, mas explosiva sob o ponto de vista teológico e social: era preciso mudar de Deus, de religião, de família e sociedade. Ele esperava o advento iminente do reino de Deus que daria início a um período de justiça, de igualdade, de bem-estar e de paz, a começar no coração das pessoas para nascerem de novo. Não sendo política nos métodos, a mensagem de Jesus tomava-se política nas suas consequências.
Este Galileu queria subtrair os seus discípulos à lógica dos estreitos e asfixiantes interesses familiares e dos grupos político-económicos do seu tempo. É nesse sentido que se compreende que tenha louvado os que abandonavam mulher, filhos, trabalho e que vendiam tudo o que possuíam. Também para derrubar a lógica egoísta dos núcleos domésticos, propunha-lhes uma hospitalidade sem retribuição, queria que as famílias hospedassem os deserdados, os pobres de pedir e também os doentes graves, reconfigurando, assim, radicalmente, a vida familiar.
Jesus sonhava com uma sociedade de iguais em que se praticasse a justiça e o amor recíproco. A atenção para com os pobres nada tinha de romântico, como a atitude típica de certas elites que exaltam a vida simples. Sabia que a doença e a pobreza extremas eram e são horríveis. Devem ser combatidas e eliminadas (1).
Nos Actos dos Apóstolos, foi imaginada uma comunidade onde todos eram um só coração e uma só alma e tinham tudo em comum (Act 4, 32-35). Muito mais tarde, S. João entendeu bem o espírito de Jesus: fazer família com quem não era da família, saltar todas as fronteiras para reunir todos os filhos de Deus dispersos (Jo 11, 52).
3. Não é por acaso que a Quaresma começa com Jesus assaltado pelas tentações da dominação económica, política e religiosa. Enfrenta-as como tentações diabólicas, que procuram desviá-lo do seu projecto e às quais responde com um não radical. S. Marcos mostra que os discípulos não percebiam esse caminho, essa alergia ao poder de dominação. Jesus não percebia como é que eles o queriam seguir sem abandonar as ambições do velho mundo e sem se converterem ao espírito de serviço desinteressado (Mc 10, 35-45).
Ao entrar na Semana Santa, é-nos lembrado que Jesus não morreu de velho nem de doença. A pretexto da sua intervenção subversiva, as autoridades políticas e religiosas moveram-lhe um processo que continua muito discutido. Foi condenado à morte e crucificado, talvez a 7 de Abril do ano 30, véspera do grande dia da páscoa judaica e executado nos arredores de Jerusalém, junto de uma velha pedreira. Teria, nessa altura, entre 34 e 36 anos.
Perante isto, é paradoxal que se coloque na boca de Jesus "Ninguém me tira a vida, sou eu que a dou", como se ele tivesse procurado o sofrimento e a cruz. Nas celebrações da Eucaristia, também se repete: "Na hora em que Ele se entregava, para voluntariamente sofrer a morte"... Isto pode parecer perverso: afinal, Jesus terá sido uma marioneta nas mãos de Deus e os que o condenaram e executaram, instrumentos da vontade divina?
Estas expressões dizem, no entanto, a verdade mais profunda: Jesus detestava o sofrimento e a cruz, mas para não trair, para não renegar o caminho de libertação que, por amor incondicional, escolhera, aceitou todas as consequências que lhe impuseram.
(1) Cf. Corrado Augias e Mauro Pesce, A Vida de Jesus Cristo. O Homem Que mudou o Mundo, Lisboa, Presença, 2008.
Publicado por morfeu às 03:45 PM | Comentários (1) | TrackBack
março 11, 2008
"Isto é que é ter tomates"...1 para 100000.
Por sugestão deste colega da blogosfera
Publicado por morfeu às 05:26 PM | Comentários (0) | TrackBack
março 08, 2008
Da "Cantiga da rua" ao "Regresso da rua"...
Nota: merece leitura o artigo de J.P. Pereira no Público de hoje, subordinado ao tema "O regresso da rua"
sábado, 8 de Março de 2008
O regresso da rua
Estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais
Há um ano, se alguém dissesse que a "rua" iria ser importante na política portuguesa, seria ridicularizado. Ou era comunista ou era um antiquado nostálgico do PREC ou, ainda pior, do Maio de 1968. Estava na moda a mania um pouco yuppie e reaccionária de pensar que isso das manifestações não interessava para nada, eram coisas de sindicatos e do PCP, que eram inócuas e que nenhum "decisor" sério, dos que enxameiam as páginas dos jornais de economia, as tinha em conta para alguma coisa. Deixá-los lá estar no seu nicho de arcaísmo, que é nos gabinetes que as coisas se resolvem.
Tudo isto é um pouco irónico porque hoje o país está suspenso de uma manifestação em que toda a gente está na rua, do PS de Alegre ao PSD. Até a parte PP do CDS-PP está na rua, a que mais nefelibata é sobre as manifestações, essas "coisas de comunistas", e vai lá sob a forma de uma minúscula associação de professores ligada ao partido. Para colocar a cereja no cima do bolo da "rua", até o Governo está a preparar uma contramanifestação daqui a uma semana, tentando arranjar uma sala suficientemente pequena para ter uma enchente e tecto e paredes grossas para não se ouvirem os assobios.
Se se estivesse atento aos sinais, percebia-se que a "rua" estava a encher-se de forma anormal, consistente, muito para além da força do PCP e da CGTP, há muito tempo. Ao mesmo tempo, também a força da central sindical pró-comunista e do último partido comunista a sério da Europa Ocidental estavam a aumentar porque não há uma coisa sem a outra. Era pelo menos óbvio que existia mobilização e essa mobilização estava a trazer para a "rua" primeiro gente da área que se tinha desmobilizado já há bastante tempo e, depois, gente nova, não em idade, mas na ida a manifestações.
Sempre maltratados pela comunicação social, que acha muito mais graça aos efeitos pirotécnicos do BE, sindicatos, grevistas e PCP continuavam a funcionar mais como um pólo de mobilização do que de atracção, mas, mesmo assim, com resultados num país que tem o "retrato social" de Portugal. Desde a táctica de desgaste de Sócrates, que ia dos assobios de meia dúzia de activistas à entrada deste para as suas sessões de propaganda e casting, estragando-lhe os cenários e o marketing, até à sucessão de greves para culminar em greves gerais, estava em curso um treino do clima de agitação. Com o agravar da crise social, com muita gente a empobrecer, a começar pela classe média, com conflitos corporativos suscitados pela linguagem das reformas apresentadas a cada grupo profissional como sendo "contra os privilégios injustos" do grupo profissional do lado, reformas com mérito feitas muitas vezes de forma incompetente e atabalhoada, com casos de abuso do poder, como o da DREN, com um ambiente de precariedade na função pública, as pessoas começaram a perder o medo, ou a ultrapassá-lo, e a perguntar a si próprias: "Por que razão é que não vou à manifestação, por que razão não faço greve, tão atingida, humilhada, desesperada que estou?" E faz greve e vai à manifestação.
Analisemos três momentos deste crescendo. Primeiro, a CGTP fez uma manifestação com cerca de 100.000 pessoas e continuou a indiferença. No tratamento noticioso valeu menos do que um anúncio da máquina de propaganda de Sócrates, menos do que um incidente parlamentar ou um caso de doença rara com que se metem as lágrimas nos telejornais. Nos blogues era o mesmo ambiente em pior, porque os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião. Mas as pessoas estavam lá, na "rua", elas pelo menos sabiam que eram muitas.
Segundo, atrás do núcleo duro do PCP e da CGTP, começaram a aparecer outras forças políticas, regionais e locais, a minar o PS por dentro, como aconteceu na contestação à política de saúde do Governo. As manifestações já tinham à sua frente autarcas do PSD e do PS e, facto decisivo, obtiveram uma enorme vitória: derrubaram na rua o ministro da Saúde. A contestação na educação não teria sido o que foi e é sem as pessoas terem a consciência intuitiva que podem de facto empurrar o primeiro-ministro para derrubar a ministra ou obrigá-la a ceder. Será difícil, mais pela ministra do que por Sócrates, mas este já mostrou que pode ser empurrado para um canto e no canto pede tréguas.
Terceiro, há a manifestação do PCP, também maltratada pela comunicação social, a primeira que o partido faz em seu próprio nome, debaixo das bandeiras vermelhas da foice e do martelo, com os manifestantes a mostrarem o cartão do partido em frente das janelas do Tribunal Constitucional. Foi como se fazia antigamente, antes da batalha, quando o comandante concentra as tropas de mais confiança, a elite, as falanges mais treinadas, a cavalaria pesada, queimados pelo sol de mil refregas, retirando-as ordenadamente do conjunto das tropas coligadas e juntando-as ao seu lado, para lhes falar ao espírito de corpo, gritarem uns gritos de guerra próprios e depois voltarem às fileiras comuns.
Era uma manifestação puramente política, algo que nenhum partido em Portugal seria capaz de fazer, com cinquenta mil pessoas a marcharem pelo PCP e pelo comunismo, uma coisa tão rara nos dias de hoje em todo o mundo que deveria suscitar toda a atenção e todas as análises, mas passou quase despercebida. Este facto não encaixa no quadro mental e comunicacional dominante dos dias de hoje, por isso é como se não existisse. E, no entanto, sem o ver, também não se vê o Portugal realmente existente e não aquele que nós pensamos em abstracto para o século XXI.
Para finalizar, o PS e o Governo resolveram mostrar quão grande era a contestação na "rua" mostrando quão pequena é a sua capacidade de mobilização: anunciaram uma contramanifestação pequenina, que todos os dias muda de sítio para encolher as paredes e parecer que é grande na televisão. Era para ser numa praça do Porto, é certo que uma praça muito pequena e bem fechada de limites, para passar depois para uma sala do tamanho de menos de metade da praça. Eu a pensar que um partido que está à frente nas sondagens e cujo primeiro-ministro ganha com facilidade o confronto eleitoral com a oposição não teria dificuldade em encher a Avenida dos Aliados de gente desde a câmara à Estação de S. Bento. Pelos vistos, teme não o conseguir e a sua fraqueza já concedeu a vitória aos adversários.
Seja como for, também o PS está na "rua", verdade seja dita que dos dois lados. O PS governamental vai para a rua, embora mais fraco do que o PS que vai estar na manifestação dos professores, ou que esteve nas manifestações contra Correia de Campos. Ora isto muda o caso de figura e representa a vitória da "rua" um ano depois do seu vilipêndio. Não é que o PS não tenha todo o direito de lá estar, mas é o facto, esse sim preocupante, de todos sentirem necessidade de lá estar. Isso é que parece o PREC, medidas as distâncias.
Estando Governo e oposição na "rua", frente a frente, estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais que impliquem mediações no processo político. Falência do Parlamento, em primeiro lugar, dos partidos, em particular do PSD, na oposição, e do PS como apoiante do Governo, falência de muitos instrumentos de mediação. Por isso é que, estando toda a gente na "rua", nem sempre se sabe como de lá sair. Historiador
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fevereiro 27, 2008
Ana Drago "super-star". Brilhante.
Depois da entrada anterior, acerca do estatuto dos deputados e suas prebendas, alguém surge merecedora do seu peso - ela que se me afigura p´ró magro - em ouro: Ana Drago. Já a conhecia dos tempos em que participou brilhantemente no programa de Daniel Sampaio, não me recordo o nome de momento, mas esta mulher pode ir muito longe. Que conserve toda a sua frontalidade, saber, e não deixe que a política a corrompa...
Publicado por morfeu às 12:17 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 18, 2008
Impossible guitar...
... para os apreciadores, em amenização ampla e serena de um anoitecer em sexta-feira. Bom fim-de-semana.
Publicado por morfeu às 10:23 PM | Comentários (1) | TrackBack
Edelweiss...quem se lembra?
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janeiro 15, 2008
Blues Mandolin
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dezembro 29, 2007
Coisas do ano que passa...
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dezembro 12, 2007
"The voice" was born this day
born December 12, 1915, Hoboken, New Jersey, U.S.
died May 14, 1998, Los Angeles, California

Frank Sinatra in the mid-1950s.
Everett Collection
in full Francis Albert Sinatra American singer and motion-picture actor who, through a long career and a very public personal life, became one of the most sought-after performers in the entertainment industry; he is often hailed as the greatest American singer of 20th-century popular music.
Sinatra's father, Martin, was a tavern owner and part-time…
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dezembro 11, 2007
Pode o Natal ser...motivo de riso? ...descubra!
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dezembro 10, 2007
Handel - Xerxes - Ombra mai fu - Andreas Scholl
Há momentos assim,de êxtase, de crença mesmo descrente, com a música murmurando orações absolutas, um qualquer deus tocando ou cantando como se nada fosse ou tudo fosse...
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dezembro 05, 2007
Somewhere Over The Rainbow... apetece-me ouvir...
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dezembro 04, 2007
Aprenda a bater na...mulher, em poucas lições...
sem comentário...julgue por si
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novembro 30, 2007
É o que acontece...
A arte de Mário Viegas em rifão popular. Que nos sirva a todos...
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novembro 23, 2007
Música para omnivoros e vegetarianos...
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novembro 13, 2007
Dream on Girl by Rita Redshoes...
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outubro 12, 2007
Woody Guthrie ...
Texto de Luís Maio no jornal público de 20 de Agosto de 2007
Sons com asas
Woody Guthrie & Lead Belly
Folkways: The Original Vision
Smithsonian, distri. MC-Mundo da Canção
A América dos anos 40
Woody Guthrie e Lead Belly são figuras emblemáticas da música popular norte-americana do século XX, mais directamente conotadas com o revivalismo folk dos anos 40, que abriu o caminho para a canção de protesto das décadas seguintes. Eram amigos e frequentemente actuaram juntos, raramente usavam mais do que voz e guitarra, economia de meios que acabou por definir um certo estilo de trovadorismo universal. Ambos contribuiram para mudar a face da folk ao recriarem canções tradicionais com letras e arranjos pessoais, que foram ignorados pelas grandes companhias discográficas na mesma medida em que se impuseram na cultura popular norte-americana. Assinalados os pontos em comum, haverá que reconhecer as diferenças que os separavam: Woody, o anglo-americano, era um arauto dos marginais e desfavorecidos, mais à vontade com uma máquina de escrever do que com uma guitarra, ao passo que Lead, o afro-americano, compilou o seu material em campos de algodão, bordéis e presídios do Sul, afirmando-se como uma voz mais visceral que doutrinária, mas também como um exímio guitarrista e pianista.
Ambos efecturam os seus primeiros registos para a Folkways de Moses Arch, ressuscitada em finais dos anos 80 pela não lucrativa Smithsonian Folkways. Esta operação passou pela regravação do reportório mais célebre de ambos por estrelas actuais que aprenderam com eles, como Bob Dylan e Bruce Springsteen. A homenagem chamou-se "A Vision Shared" e foi editada pela Columbia, acompanhada da reunião de duas dezenas dos registos primitivos de Woody e Lead, este "The Original Vision" que estreou a renascida Folkways. A presente edição da colectânea foi lançada em 2005 acrescida de mais meia dúzia de títulos, entretanto descobertos nos arquivos de Moses. São gravações rudimentares, efectuadas em regime espartano, mas que denotam o transbordante talento de dois artistas que foram capazes de definir uma época e a alma duma nação. A confrontação destas histórias de vadios, deliquentes e outros perdedores oferece ainda uma oportunidade óbvia, mas privilegiada, para confrontar a América dos nossos dias com a dos anos 40. Até se ficar a perguntar para que serviu tanta ambição.
n
Luís Maio
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outubro 10, 2007
A vida é feita de pequenos nadas...
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outubro 08, 2007
Que frescura de voz...Nancy Vieira.
... não me canso de me emocionar com os sons de Cabo-Verde. Música assim revela a alma e desdenha a miséria...para quando uma ida bem ida a Cabo-Verde?
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Nancy universal
Foi um acaso que a fez nascer em Bissau, a 1 de Fevereiro de 1975, apesar de ser filha de cabo-verdianos. "Os meus pais faziam parte do movimento de libertação, o PAIGC, e estavam lá a preparar a independência, que se deu em Julho."
Mas Nancy Vieira não demorou muito por ali. Com apenas quatro meses rumaria a Cabo Verde. Olhando para trás, além de Bissau (de que nem sequer se apercebeu), passou dez anos na Cidade da Praia, quatro no Mindelo e já quase 18 em Lisboa, onde cresceu para a música. "Em Cabo Verde, e em especial na ilha do meu pai, a Boavista, a maioria dos rapazes aprendia muito cedo a tocar um instrumento. Ele aprendeu a tocar guitarra, violino, cavaquinho, mais tarde piano. Os meus tios e tias também tocam. E eu ganhei esse gosto pela música, também muito cedo, mas sem nunca ter pensado seguir essa via."
Veio para Lisboa aos 14 anos, em 1989. "Eu já tinha estado em Lisboa, de férias, com 10 anos. Naquela altura, para qualquer criança em Cabo Verde vir de férias para Lisboa era uma coisa do outro mundo. Gostei muito. Fui a Fátima, ao Cristo Rei, a Belém... Para viver já foi diferente. Não tive problemas nenhuns de adaptação, porque vim com a família: o meu pai, a minha mãe, até as pessoas que moravam connosco vieram."
Fez amigos entre os filhos de outros cabo-verdianos, foi bem recebida nas escolas (era boa aluna): Rainha D. Amélia (do 10º ao 12º anos), ISCTE (três anos, Gestão). Depois licenciou-se em Sociologia e começou a trabalhar em publicidade e estudos de mercado. "Mas por pouco tempo, porque entretanto a música entrepôs-se." Começou, aliás, logo no ISCTE. "Tinha amigos que eram músicos amadores e tinham uma pequena banda. Eu de vez em quando assistia aos ensaios." O vocalista inscreveu-se num concurso de descoberta de novos valores e, um dia, convidou-a a ir com ele. "Convidou-me para cantar e, embora com um bocadinho de insegurança e timidez, cantei com ele. A minha voz chamou a atenção dos organizadores e eles propuseram-me participar, logo nessa noite, numa das eliminatórias. Escolhi a morna "Lua nha testemunha" e ganhei." Não apenas nessa noite: ganhou também na final. E como prémio gravou um disco.
Uma voz e outras músicas
Foi o primeiro, "Nôs Raça", editado em 1995. Quando surgiu o convite para gravar o segundo, "Segred" (2004), ela já tinha deixado o emprego para levar a música mais a sério: "Abriu-me as portas. Comecei a fazer concertos meus, convites para fora..." Mas foi durante a gravação do primeiro que conheceu o futuro produtor do disco que agora lança, "Lus": Jorge Cervantes, nascido em Lima, no Peru, em 1973. Era ele o técnico de som quando Nancy entrou num estúdio pela primeira vez. "Tornámo-nos amigos, mas passámos uns anos sem nos vermos. Encontrei-o depois em 2005 e ele disse-me que tinha estado a misturar o disco [colectivo] "Ao Vivo no B.Leza", gostou de me ouvir e que a minha voz lhe tinha dado umas ideias." Pois as ideias estão aí, em "Lus".
"Vi nele, ao fim de muitas conversas, uma pessoa que me entendia muito bem, musicalmente." Quem ouvir o disco com atenção, há-de notar que Cabo Verde está lá, mas de braço dado com o Brasil ou com Cuba, numa procura de soluções e arranjos pouco usuais em trabalhos do género. "Isso foi consciente e intencional", diz Nancy. "Acho que não fui a primeira a fazer essa fusão, mas este disco é muito a minha cara: uma cabo-verdiana da cidade, que sempre ouviu música tocada da forma mais tradicional possível em casa, mas que também ouvia outras músicas: brasileira, da América Latina. Além disso, o meu pai era amante de música clássica e jazz e tive irmãos que estudaram em Cuba e traziam, nas férias, muita música cubana." Tudo isto a par de Portugal, claro, e dos contactos que a partir de Lisboa estabeleceu (participou, por exemplo, nos discos mais recentes de Rui Veloso e da Ala dos Namorados).
Convidados, em "Lus", há muitos, como compositores ou músicos. Teófilo Chantre, Jon Luz, Vadú ou Princezito contribuíram com canções. Tito Paris e as Batucadeiras Voz d"África tiveram participações especiais; Bino Branco, dos Ferro Gaita, ou Miroca Paris, que acompanha Cesária Évora, gravaram em curtas passagens por Lisboa, em duas oportunidades meteóricas; Sérgio Valdeos e Juan "Cotito" Medrano, músicos de Susana Baca, que Nancy conheceu num concerto dela, gravaram a sua parte no Peru; e o Quinteto Diapason, cubano, gravou para dois temas em Alicante, no Sul de Espanha.
"No tema que dá nome ao disco, "Lus", nota-se mais o lado peruano, quisemos misturar o batuco com o landó. Já "Esperança de mar azul", que cantei com Tito Paris, é... Brasil, que está muito presente em Cabo Verde, como se sabe. Já "Verdade d"amor" não deixa de ser uma morna, é cantada em crioulo, mas não tem cavaquinho e mostra uma universalidade que eu própria ganhei, como pessoa, com todas as minhas viagens."
Nuno Pacheco (público, 21 de Setembro)
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outubro 01, 2007
Dia da Música: tempos de violencia tempos de "Dies Irae"
...impressionante este "Dies Irae" de Mozart. Tive a honra de poder participar em tempos na sua execução coral. Como os tempos que correm escorrem violência ocorreu-me...mais logo colocarei algo mais calmo...
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setembro 26, 2007
Este dia, na música, em 69...Abbey Road
...lançamento deste álbum, do qual destaco a título comemorativo e recordativo o famoso "Come Together"...
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agosto 16, 2007
Está morto o "Rei"? E. Presley...
Com a devida vénia ao texto - alerta mail do jornal Público de hoje, de autoria de Mário Lopes - que coloco em entrada estendida, nunca é demais relembrar E.Presley. Igualmente fica o registo musical com o seu famoso e escandaloso jogo de ancas...
Antes dele, não existia nada
Elvis Presley, o homem que, com um movimento de anca, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Elvis Presley, o provinciano que não soube conviver com o mundo que transformou. Morreu a 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos.
Em Graceland, Elvis Presley preparava-se para a digressão que iniciaria no dia seguinte. Passou a noite em claro, como tantas vezes acontecia por essa altura, resultado da dependência dos mais variados medicamentos e retirou-se para o seu quarto, às sete da manhã, para descansar antes do voo que, mais tarde o levaria a Portland. Não chegou a embarcar. Ao final da manhã, era encontrado morto. À tarde, a notícia corria o mundo: "Rei Elvis morto". 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos. Elvis had left the building. Permanentemente. Não ressurgiria noutro palco, noutro casino, noutro filme.
Causa da morte? Incerta. Só a saberemos em 2027, quando a sua autópsia passar a ser do domínio público. Culparam-se o excesso de medicamentos, culpou-se um coração fraco, uma vida sedentária e a desilusão com a artificialidade da sua existência naqueles últimos tempos. Charlie Feathers, companheiro dos primórdios do rock"n"roll, seria mais prosaico: "Elvis não morreu das drogas, morreu do pequeno-almoço". Na sua memória, as sandwiches de taxa calórica assassina que compunham a dieta do amigo, que não bebia álcool, que não se drogava com a heroína e a cocaína da praxe em estrela rock"n"roll.
Em 1977, engordado de forma grotesca, enfiado em fatos de um kitsch inenarrável, incapaz dos movimentos felinos de outrora ou de se lembrar das letras das suas canções, Presley continuava a ser um dos mais lucrativos artistas americanos. Os concertos, os curtos concertos que conseguia dar, esgotavam. O público, envelhecido como ele e, também como ele, distante da actualidade pop, acorria em massa para ver o mito. Elvis já não era humano. Era uma imagem, um ícone, uma certa ideia de América - que não era a nova América a que, inadvertidamente, tinha dado impulso decisivo nos anos 50. "Antes de Elvis, não existia nada", hiperbolizou John Lennon - mas estava certo. "Elvis morreu quando foi para o tropa", exagerou o mesmo Lennon - mas havia na afirmação um fundo de verdade.
De Tupelo à Elvislândia
Elvis Aaron Presley. Nascido em Tupelo, entre a pobreza da Grande Depressão, a 8 de Janeiro de 1935. O camionista que, com um movimento de ancas e uma música que reunia no mesmo corpo o country branco e o r&b negro, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Esse Elvis Presley detestado por conservadores adultos e idolatrado por adolescentes que não queriam e não podiam ser como os pais, foi destacado para o serviço militar em 1958, quatro anos depois de gravar o primeiro single, That"s All Right. A revolução estava lançada e Presley, provavelmente a figura mais importante da cultura popular americana do século XX, não soube como viver nela. Quando o coração parou a 16 de Agosto de 1977, Elvis já estava morto. O mito como grande herói americano, como entertainer supremo de excentricidade e voz imbatíveis, esse estava em construção há muito.
Tão cedo quanto 1956 o mercado foi invadido de produtos de merchandise - de águas-de-colónia a cães de peluche. Em 1971 já se faziam visitas guiadas à casa de Tupelo onde nasceu e, no ano seguinte, erguiam-se placas com a alteração toponímica da estrada fronteira à sua mansão: "Elvis Presley Boulevard".
Este presente em que Graceland é uma espécie de "Elvislândia" que recebe 600 mil visitantes por ano, em que milhares de pessoas vivem profissionalmente da imitação do "Rei", em que se vendem bustos "Elvis" robotizados que entoam as suas canções mais famosas (é só procurar no youtube) e em que até "edições especiais" da sua manteiga de amendoim preferida têm procura, ou seja, este Elvis caricatural que perdura na memória colectiva formara-se há muito. No meio de tudo isto, como descobrir este homem de quem falava Bob Dylan: "Quando ouvi pela primeira vez a voz de Elvis, soube que não iria trabalhar para ninguém e que ninguém iria ser o meu patrão"? Este a que Bruce Springsteen se referia desta forma: "Ele era tão grande quanto o próprio país, tão grande quanto o sonho completo. Nada tomará alguma vez o seu lugar"?
Em 30 de Setembro de 1955, James Dean morria ao volante de um Porsche. Juntamente com Marlon Brando, o "rebelde sem causa" mostrara pela primeira vez o retrato de uma juventude que não era apenas compasso de espera entre a inocência da infância e a seriedade do mundo adulto: abria-se um novo universo, convulsivo e irrequieto, rebeldia angustiada vivida como se não houvesse espaço para mais que o aqui e o agora. Poucos meses depois, a 20 de Novembro de 1955, Elvis Presley assinava contracto com a multinacional RCA. Já era então uma estrela no sul dos Estados Unidos, onde os singles gravados nos míticos Sun Studios - que albergavam ou albergariam Johnny Cash, Jerry Lee Lewis ou Roy Orbison - revelaram em primeira-mão alguém que, quando a RCA lhe assegura exposição nacional e internacional, amplificaria até ao grito ensurdecedor o revelado por James Dean. Elvis ficou-lhe com o corpo e tornou explícita a sexualidade implícita. Elvis não reteve a angústia, mas criou a música que, para horror do mundo adulto, a superou de forma incontrolável. "Como é que um freak como Elvis Presley pode encantar os nossos adolescentes é algo para além da minha compreensão", escrevia um colunista à época, citado num artigo publicado na revista Mojo de Maio de 2006. Obviamente que não percebia. A América que convivia confortavelmente com a segregação racial, com a prosperidade acrítica do pós-guerra, com a pureza virginal dos adolescentes, nunca poderia compreender aquele furacão que a transformaria profundamente.
O branco negro
Nascido em Tupelo mas criado em Memphis, Elvis Presley cresceu entre o blues e o gospel que fervilhavam na Beale Street, o centro da zona negra da cidade. Pela rádio, em casa, apaixonava-se pela country e pela voz de crooners como Dean Martin ou Perry Como. Tão desfavorecido financeiramente quanto os seus vizinhos negros, imune às fronteiras musicais de raça, a visão musical de Presley não incluía catalogações.
Sam Phillips, produtor e proprietário dos Sun Studios, procurava em Elvis um branco que tivesse a voz e o "feeling" de um negro. Conseguiu bem mais que isso.
Quando Elvis fez as suas primeiras gravações rock"n"roll já era expressão conhecida. Existia Bill Haley e o seu Rock Around The Clock, existiam Little Richard e Chuck Berry. O problema era que Bill Haley era demasiado velho e demasiado branco. O problema era que Berry e Richard eram demasiado negros. Elvis Presley transformaria tudo isso. Representou de forma magistral o microcosmos de uma América selvagem e desregrada que a América não queria ver e transformou não só a América, como o resto do mundo.
Estava tudo no ritmo insaciável de That"s All Right e na electricidade contagiante de Hound Dog. Estava tudo nessa inquietante Mistery Train e na sensualidade escaldante de Fever. Estava tudo na voz que passava do terno sussurro à provocação num par de acordes e naquele menear de ancas que levou a televisão americana a censurá-lo da cintura para baixo.
Em 1956, o single Heartbreak Hotel chegava a Inglaterra e, com ele, rumores de que, nos Estados Unidos, vários jovens se tinham suicidado ao som da música - eis o quão alienígena e perigosa parecia a sua música. Quando já era figura mundialmente conhecida, em 1962, o governo mexicano proibiu a exibição dos seus filmes após um motim durante a projecção de "GI Blues" - eis o quão "perigoso" era The King, mesmo depois da tropa.
A verdade, porém, é que Elvis Presley, o homem que deu voz e corpo a uma revolução cultural, o homem que não compreendia porque o atacavam os guardiães da moral e bons costumes - "a minha mãe gosta do que faço", ripostou uma vez; "o pessoal negro anda a fazer isto há anos e ninguém se escandaliza", defendeu-se outra -, nunca deixou de ser o miúdo do Mississipi que idolatrava o gospel, o country e o blues, o miúdo que desejava secretamente seguir os passos de Dean Martin e James Dean (excluindo a parte do Porsche). Não deixou de ser o provinciano que, exceptuando uma breve digressão canadiana, nunca actuou fora dos Estados Unidos em toda a sua carreira, e que se propôs a Nixon, em 1970, para servir o governo americano como agente atento aos perigos da "contracultura hippie" e dos Black Panthers.
As lantejoulas
Em meia década, Elvis Presley transformou o mundo. Passaria o resto da vida a não se reconhecer nele. Os Beatles e os Rolling Stones anunciavam uma nova ordem nos anos 60 e Presley abandonava os palcos para se dedicar em exclusivo a péssimos filmes série-B. O psicadelismo aparecia, a soul sofisticava-se, sucediam-se as mais diversas e arrojadas experiências artísticas e lá o encontrávamos no final dos anos 60 e em grande parte da década seguinte em Las Vegas, actuando para fãs acríticos e aburguesados.
Claro que há nuances. Claro que em 1968 viveu um breve renascimento, em esplendoroso cabedal rockabilly, no famoso 68 Comeback Special em que exibiu a chama de outrora - In The Ghetto e Suspicious Minds, os seus últimos clássicos absolutos, são resultado dele. Tal porém, foram fogachos num percurso de crescente excentricidade e decadência.
Colonel Tom Parker, na realidade Andreas Cornelis Van Kuijk, holandês e imigrante ilegal - eis a razão, sabe-se agora, para sempre se ter oposto a digressões internacionais de Elvis -, dirigiu-o como máquina de lucro fácil sem encontrar grande oposição. Presley, que alguns descrevem no final de vida como um homem amargurado e com tendências paranóicas à Howard Hughes, foi crescendo. Em lucros, em peso, em lantejoulas, em megalomania: durante a década de 70, a sua entrada em palco chegou a ser feita ao som de Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss. Se cantava My Way, não o fazia gloriosamente como Sinatra - havia um subtexto trágico naquele Elvis Presley a cantar aquela canção.
Quando, a 16 de Agosto de 1977, a noiva Ginger Alden o encontra, sem vida, no chão da casa de banho de Graceland, a lenda estava a um passo de se transformar em culto quase religioso: os imitadores, as peregrinações a Graceland, os duetos virtuais com Celine Dion aí estão para o mostrar bem vivo, trinta anos depois. O seu legado, de tão massivo, torna-se quase imperceptível. Está por todo o lado, em qualquer manifestação de música popular urbana tal como a conhecemos. Sabê-lo, hoje, agradaria certamente a Elvis Aaron Presley.
O supracitado artigo da Mojo refere que, meses antes de morrer, numa suite de hotel, escreveu a seguinte nota: I"m glad everyone is gone now/ I will probably not rest tonight/ I have no need for all of this/ Help me Lord.
n
Mário Lopes ( In Público)
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Andanças ... uma certa nostalgia.
Sendo suposto que este momento de encontro vive da pujança da diversidade de gentes e idades, numa liberdade muito própria, cheia de uma limpeza de olhos e sentires, não deixa de ser também ocasião para um meditar pessoal, sobre si próprio, os outros, os que se queira. Quem quiser pode encontrar pequenos registos do festival deste ano. Porém, a mim tocou-me este registo belíssimo de música e imagem, de ver o que podia ser entrevisto...o registo é de 2006, mas o Andanças sofre de intemporalidade... em entrada estendida para quem queira ser aflorado por uma doce nostalgia. Bom dia.
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agosto 11, 2007
Vanessa da Mata, "Boa Sorte"...
Desta insatisfação pessoal de ouvir diversidade com qualidade, roer a minha ignorância buscando um pouco mais de saber e sentir. Desta forma, e aproveitando sugestão de artigo do jornal Público que me chega em alerta-mail, partilho aqui um texto de Nuno Pacheco - a minha vénia - de 10 de Agosto. O tema é Vanessa da Mata ...
Conversar para dizer Sim
A primeira imagem é a um imenso tecido vermelho, uma espécie de véu que semi-cobre uma mulher deitada na areia branca, ao fundo uma nesga de mar. É a capa. No interior, o véu flutua e descobre a mulher de pé, cabelos ao vento, longo vestido de suaves flores azuladas e brancas, a areia e o mar em dois traços paralelos no horizonte. Vanessa da Mata joga, mais uma vez, na composição de imagens, que as palavras acompanham nas canções ou antes delas. Como estas, no quase-manifesto que serve de intróito ao disco: "É preciso varrer outras lacunas que se esgueiram na perversão e na crueldade dos homens. Na violência que nos afunda, na corrupção que nos mata, na passividade que nos oprime e não nos desperta confundindo-se com pacificidade. É preciso não curvar a dignidade." Impossível não ver a mulher de lata na cabeça cantada em "A força que nunca seca", que Vanessa escreveu no início da sua carreira, primeiro para Maria Bethânia, depois para o seu próprio disco de estreia. Mas o que ela canta, neste seu terceiro CD, intitulado apenas "Sim", é mais uma espécie de sagração da Primavera enraizada no seu Mato Grosso natal, feita de flores e amores cobertos de sons ainda mais sofisticados.
Primeiro houve quarenta canções escolhidas, depois dezanove. Ficaram 13, no disco.
"Foi difícil a escolha, porque tínhamos 19 canções prontas, com instrumentos e tudo. E quando chegámos à etapa final vimos que podíamos ter um disco mais romântico ou mais festivo, era uma questão de escolha, até de conteúdo. Como se pudéssemos escolher uma linha para o disco. Resolvi então escolher uma coisa mais equilibrada, brincando com os temas: misturei canções mais românticas com outras mais lentas, depois outras mais festivas, por temas. Tentei equilibrar o disco assim."
Dueto com Ben Harper
Desta vez, sucedendo a Liminha (que produziu o disco anterior, "Essa Boneca Tem Manual"), surgem Mário Caldato (conhecido pelo seu trabalho com músicos como Beastie Boys, Björk, Beck, Blur, Bebel Gilberto ou Seu Jorge) e Kassin, ambos com talentos que passam muito pela paleta digital. Sob a sua batuta alinham pesos-pesados como o baterista Sly Dunbar e o baixista Robbie Shakespeare (dupla mágica nos sons do reggae), João Donato (outro mágico, mas do piano), Alberto Continentino (baixista de Ed Motta), Don Chacal (uma lenda na percussão), Davi Moraes, Pedro Sá, Armando Marçal, Fernando Catatau, o próprio Kassin em vários instrumentos e vários etc.
A completar o luxo, há ainda Ben Harper, com quem Vanessa da Mata fez um dueto e uma parceria virtuais num tema que vai encher-nos os ouvidos até à exaustão (o que é injusto, porque há mais coisas interessantes no disco): "Boa sorte/good luck". Isto antes de o conhecer em carne e osso, na sua casa de Los Angeles, junto com a mulher, a actriz Laura Dern (a história é contada em pormenor no site www.vanessadamata.com.br).
"A ideia desse dueto não foi minha, foi do Mário Caldato", diz Vanessa. "Ele conhece o Ben Harper, tem o mesmo empresário dele e do Jack Johnson." O mais curioso é que o fio se desenrolou ao contrário: Vanessa comprou em Portugal um disco de Johnson e por causa deste conheceu Caldato, primeiro o trabalho e depois a pessoa. "Um dia ele disse-me: "Você gosta do trabalho do Ben Harper?" Eu disse que sim, que já tinha visto shows dele em Portugal e no Brasil." Pois Caldato mostrou a Harper a canção de Vanessa, ele "gostou muito" e, à distância, cantou uma parte em inglês, gravou voz e guitarra wiessenbomb e enviou. O estúdio tratou de transformar o dueto virtual em realidade. "De início", diz Vanessa, "eu só tinha uma brincadeira com a voz em cima da melodia, foi isso que ele ouviu primeiro. Depois cantei a letra por telefone, de São Paulo para o Ben Harper, para ele ter uma ideia mais próxima do que seria a canção. Mas ele entendeu a canção ainda antes de estar pronta, só com uma linha melódica."
Como um "Não" gentil
O tema com Ben Harper corre o risco de ocultar os restantes? "Quando foi gravado, achei que era uma música muito forte, muito pop. Senti que poderia tocar muito. Mas há outras assim: "Você vai me destruir", "Vermelho". Nas melodias, nos arranjos, eu sinto que existe nelas uma direcção pop muito forte. A escolha, deixo-a com a gravadora."
Pela primeira vez, Vanessa assina todas as canções. Parcerias, além da já citada, com Harper, tem mais três: com Fernando Catatau, Kassin e Marcelo Jeneci. São parcerias misturadas, música e letra feitas em conjunto, com num puzzle de resolução partilhada.
"Há um apego meu, particular, a cada canção, como compositora. Não é uma afirmação, é uma necessidade de conversar. Eu sei que há muitos compositores muito bons no Brasil, mas neste disco fiquei com uma necessidade de expressão muito grande. E uma identidade tão forte com as minhas canções que não achei nenhuma outra que pudesse me dar essa mesma sensação de conforto. Nenhuma outra que pudesse me traduzir."
Mas é nos temas em que ela assina letra e música que Vanessa mais se expõe e afirma. Como "Meu Deus", quase a fechar o disco, que reúne um lote de estrelas: João Donato no piano, Don Chacal na percussão, Alberto Continentino no baixo, Wilson das Neves na bateria. "Essa canção tem mais de oito anos e quase entrou nos meus dois primeiros discos. Mas não achei que fizesse sentido inclui-la. Agora, com esta formação, passou por uma primeira triagem e ficou. É uma das canções de que mais gosto no disco."
O disco termina, só voz e violão, com "Minha herança: uma flor". "Eu tenho uma tendência para finais de discos assim. Gosto dessa finalização com calma, com uma poética mais delicada, mais profunda, talvez. É um jeito meu de finalizar discos." O título do disco, curtíssimo, "é um "Sim" afirmativo, que vibra, que transforma. É assim que me sinto hoje, como brasileira, em situações de desconforto intenso. De políticas, de pessoas abandonadas, de saúde precária. É um "sim" como se fosse o "não" de um cidadão gentil. Acho que a gente precisa gritar mais. O meu grito é esse."
Ver crítica de discos págs. 42 e seguintes
Nuno Pacheco (inPúblico de 10 de Agosto de 2007)
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agosto 09, 2007
A tonga da mironga do kabuletê...
...conhece a história e o significado desta famosa canção? ...
Toquinho e Vinicius de Moraes
Eu caio de bossa eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em nagô
Você que ouve e não fala / Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala / Você vai ter que aprender
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
Você que lê e não sabe / Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe / Você vai ter que viver
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Você que fuma e não traga / E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga / Eu vou é mandar você
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Creio que quase todos conhecem esta famosa canção do Toquinho e Vinicius,
mas curioso mesmo é o significado de algo que, durante muito tempo, se
pensou ser apenas um jogo de palavras sem sentido. Cá vai a história.
Em 1970, Vinicius e Toquinho voltam da Itália e encontram o Brasil em pleno
"milagre económico". A censura em alta, a Bossa Nova em baixa e os
opositores ao regime a pagar, com a liberdade e a vida, a defesa dos seus
ideais.
Nessa altura, Vinicius está casado com a actriz baiana Gesse Gessy, uma das
maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé. Sentindo a
angústia do companheiro, Gesse diverte-o ensinando-lhe asneiras em nagô (um
idioma subsariano trazido pelos escravos), entre eles «tonga da mironga do
cabuletê», que significa – e passo a citar! - "o pêlo do cu da mãe".
O sentimento em relação aos homens do regime inspiram o poeta e Vinicius
compõe a música para apresentá-la no Teatro Castro Alves.
Foi a oportunidade de insultar os militares sem que eles compreendessem a
ofensa.
Ps. recebido por mail...se não estiver correcto alguém que o contradiga...
Publicado por morfeu às 01:24 PM | Comentários (5) | TrackBack
A tonga da mironga do kabuletê...
...conhece a história e o significado desta famosa canção? ...
Toquinho e Vinicius de Moraes
Eu caio de bossa eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em nagô
Você que ouve e não fala / Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala / Você vai ter que aprender
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
Você que lê e não sabe / Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe / Você vai ter que viver
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Você que fuma e não traga / E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga / Eu vou é mandar você
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Creio que quase todos conhecem esta famosa canção do Toquinho e Vinicius,
mas curioso mesmo é o significado de algo que, durante muito tempo, se
pensou ser apenas um jogo de palavras sem sentido. Cá vai a história.
Em 1970, Vinicius e Toquinho voltam da Itália e encontram o Brasil em pleno
"milagre económico". A censura em alta, a Bossa Nova em baixa e os
opositores ao regime a pagar, com a liberdade e a vida, a defesa dos seus
ideais.
Nessa altura, Vinicius está casado com a actriz baiana Gesse Gessy, uma das
maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé. Sentindo a
angústia do companheiro, Gesse diverte-o ensinando-lhe asneiras em nagô (um
idioma subsariano trazido pelos escravos), entre eles «tonga da mironga do
cabuletê», que significa – e passo a citar! - "o pêlo do cu da mãe".
O sentimento em relação aos homens do regime inspiram o poeta e Vinicius
compõe a música para apresentá-la no Teatro Castro Alves.
Foi a oportunidade de insultar os militares sem que eles compreendessem a
ofensa.
Ps. recebido por mail...se não estiver correcto alguém que o contradiga...
Publicado por morfeu às 01:24 PM | Comentários (5) | TrackBack
julho 23, 2007
Temos de seguir cantando, "La Poesia es ..."
O que eu ouvi e cantei e emocionei e sonhei com esta canção de Paco Ibañez... arrumando hoje papeis poeirentos - aparentemente - que por aqui teimam em disputar lugar ao pó, surgiram-me do fundo de um longo tempo, letras supostamente paradas das canções do Paco. Para quem conheceu e sonhou e cantou, ocasião de sentir ainda aquela emoção de quereres ingenuamente comprometidos, para quem não estava ainda por cá ou não conhece, aqui fica ...
Publicado por morfeu às 02:49 PM | Comentários (3) | TrackBack
julho 22, 2007
Super Star Jesus and women ...
Frei Bento Domingues que me permita esta associação entre a famosa canção nesta versão bem antiga e o seu texto. A "modernidade" feminina de Cristo ainda continua por realizar e, a Instituição Católica bem precisa de "sentir" este magnífico desabafo musical...I love him so...
(...) Jesus fez delas discípulas do Evangelho. Acabaram por demonstrar mais ousadia e responsabilidade do que os homens. Maria representa a mulher discípula, aquela que escuta a palavra e a segue. Marta ainda é o tipo de mulher reduzida à "cozinha". Esta revolução não durou muito, salvo em casos extraordinários. No geral, voltou-se ao tempo anterior a Jesus.
Mulheres fora da cozinha (http://jornal.publico.clix.pt/)
22.07.2007, Frei Bento Domingues O.P.
É a mudança de estatuto que a mulher consegue na comunidade de Jesus
1 As feministas cristãs queixam-se de que as cristologias, e até as obras mais rigorosas sobre o Jesus histórico, continuam a ser elaboradas como se as mulheres não existissem. Ora, se há um ponto no qual as narrativas evangélicas são inovadoras é, precisamente, pelo lugar que nelas é dado, por Jesus, à defesa das mulheres e pelo protagonismo que assumem nos momentos mais decisivos do seu itinerário.
Também a celebração da liturgia deste domingo é comandada por um texto sobre dois tipos de mulher. Não é a primeira vez que elas surgem no Evangelho de Lucas. Uma prostituta entra em cena loucamente apaixonada por Jesus e ficará, para sempre, como símbolo das pessoas que o amor puro transformou até à raiz (Lc 7, 36-50).
Logo a seguir, outras são apresentadas como mulheres libertas - curadas de espíritos malignos e doenças - que acompanhavam o Mestre com os doze apóstolos, por cidades e aldeias: Maria chamada Madalena, da qual haviam saído sete demónios, Joana, mulher de Cuza, o procurador de Herodes, Suzana e várias outras, que os serviam com os seus bens. Estas discípulas aparecem como financiadoras do projecto de Jesus (Lc 8, 2-3). De, facto, seguem-no até ao túmulo e foram elas as surpreendidas pela ressurreição de Cristo. Serão também elas a evangelizar os apóstolos que, entretanto, tinham desertado (Lc 23, 24).
Regressemos, porém, ao Evangelho deste domingo: "Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sue palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: "Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me." O Senhor respondeu-lhe: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada."" (Lc 10, 38-42).
2
Nunca somos neutros na leitura de um texto. Há, certamente, limites para a sua interpretação, mas esta parte sempre de alguns pressupostos conscientes ou inconscientes. As narrativas evangélicas não escapam a essa condição. Além disso, carregam dois mil anos de leituras. Esta passagem já teve vários usos nas Igrejas cristãs. Serviu, de modo especial, no âmbito dos carismas da vida religiosa, pare exaltar o primado da "vida contemplativa", de mulheres e homens, sobre a "vida activa".
A investigação da verdade e a contemplação da beleza eram sempre mais valorizadas do que as actividades exteriores, consideradas menos nobres, entregues ao que é passageiro em contraposição ao que é eterno.
Se este esquema respondia bem ao primado absoluto de Deus, tornava-se incapaz de interpretar a própria vida de Cristo. Tomás de Aquino, na sua cristologia, pergunta se não seria mais conveniente que Jesus se tivesse dedicado à vida solitária, à vida monacal, do que à intervenção na sociedade. A sua resposta não é simplista. Começa por reconhecer que a vida contemplativa em si mesma, não tendo em conta qualquer outra consideração, é melhor do que a vida activa que se ocupa de actividades corporais. No entanto, a vida activa, segundo a qual alguém, pregando e ensinando, dá aos outros a realidade contemplada, é mais perfeita do que a vida que só contempla, dado que tal género de vida só pode brotar de abundante contemplação. E foi essa que Cristo escolheu para si. É melhor iluminar do que ser apenas um iluminado (ST III q. 40, a.1, ad 2).
3A distinção entre vida activa e contemplativa não deve, no entanto, ser desvalorizada, embora a vida activa possa ser fonte de contemplação. Bem-aventurados os que atingem um estado contemplativo no meio da agitação! A necessidade de cortar com o quotidiano, não só para o ócio e para o desporto, mas também para meditar e saber hierarquizar o que é importante e o que é secundário, é cada vez mais sentida. Quem não compreende isto arranja programas de fim-de-semana e de férias para aumentar o barulho.
Há, no entanto, uma outra leitura para o estranho diálogo de Jesus com Marta a propósito da insensibilidade de Maria para o serviço da casa. Marta tem de fazer tudo e Maria está sentada na conversa e, ainda por cima, é elogiada.
Em geral, não se repara no seguinte: o que está em causa é uma revolução. É a mudança de estatuto que a mulher consegue na comunidade de Jesus. Ele cresceu numa sociedade na qual as mulheres só contavam para dar filhos e trabalhar. Eram uma propriedade do marido, que as podiam repudiar por qualquer motivo e elas não podia pedir o divórcio. Não havia rabinas nem escribas ou doutoras da Lei. No Templo e na sinagoga, estavam à parte.
Jesus fez delas discípulas do Evangelho. Acabaram por demonstrar mais ousadia e responsabilidade do que os homens. Maria representa a mulher discípula, aquela que escuta a palavra e a segue. Marta ainda é o tipo de mulher reduzida à "cozinha". Esta revolução não durou muito, salvo em casos extraordinários. No geral, voltou-se ao tempo anterior a Jesus.
Publicado por morfeu às 10:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 20, 2007
O Beijo, essa maravilha ...
Publicado por morfeu às 06:44 PM | Comentários (9) | TrackBack